2010 (parte 1): Formação Académica, Olimpíadas de Física, Futebol de Praia

Não sei bem por onde começar. Digamos que 2010 terminou, dando lugar a um novo ano, com 12 meses repletos de acontecimentos, ainda não sabemos quais: 2011.

Da minha parte, desejo a todos os meus familiares/amigos/conhecidos/leitores um excelente ano novo! Faço votos para que todos gozem de uma saúde revigoradora, capaz de vos impulsionar para grandes conquistas, concretizando os vossos desejos! E sempre numa perspectiva de paz e harmonia na relação com os outros, que vos permita encarar o dia seguinte com alegria e vontade de contribuir para um mundo melhor!

Eu, pelo meu turno, tenho um conjunto de objectivos e expectativas pessoais para 2011, intrinsecamente ligadas ao balanço individual que faço do ano de 2010, que se vai distanciando progressivamente, apesar de se ter despedido de nós num passado tão recente. Bem, passemos então à minha retrospectiva de 2010 e projecção de 2011.

2010

Não me sinto capaz de descrever o ano de 2010 numa ou duas palavras, por isso começarei pelo princípio, pelos factos, que são dados concretos. Foi um ano em que operei a transição dos 16 para os 17 anos de idade, o que se verificou, mais precisamente, no dia 9 de Junho (de 2010, claro está). Foi também o ano em que concluí o 11º ano de escolaridade, no Curso de Ciências e Tecnologias, e iniciei o 12º ano, última etapa do Ensino Secundário antes da entrada no Ensino Superior.

Espreitando horizontes futuros, participei nas Olimpíadas Portuguesas de Física, tanto na Fase Regional (Sul e Ilhas) como na Fase Nacional, obtendo o apuramento para o fascinante programa Quark, que tem em vista a preparação e selecção dos estudantes a participar nas Olimpíadas Internacionais e nas Olimpíadas Ibero-Americanas. Cultivando outra grande paixão, assisti pela primeira vez ao vivo a jogos de futebol de praia, quer ao Mundialito em Portimão quer à Superfinal da Liga Europeia em Lisboa, em experiências maravilhosas.

Mais viajado no contexto nacional, não deixei de fazer uma pequena visita ao estrangeiro, visitando a capital brasileira (Brasília) numa estadia da minha mãe. A nível de saúde, tudo decorreu dentro da normalidade, com uma energia vital que sempre me permitiu encarar o dia seguinte com vontade (ignoremos o pequeno mas muito aborrecido contratempo associado à fractura da falange distal do dedo médio da mão esquerda).

Bem, acabei de enumerar alguns factos decisivos na minha análise pessoal do ano de 2010. Que interpretações poderei fazer destes e de outros acontecimentos?

Um ano sorridente

Bem, em primeiro lugar, direi que não posso deixar de sorrir quando contemplo, com alguma saudade, este inesquecível ano de 2010. Claro que não se compôs inteiramente de coisas positivas, albergando também, aqui ou ali, uma ou outra experiência mais desagradável. Contudo, os momentos negativos são muitas vezes melhor fonte de aprendizagem do que as alegrias da vida, algo que eu julgo poder aplicar ao meu ano de 2010: retirei ensinamentos positivos de cada acontecimento, de cada experiência, de cada atitude, minha ou alheia, e assim saí beneficiado de todo este processo, chegando a 2011 com uma maior preparação para a vida do que aquela que tinha 365 dias atrás. Além disso, penso que os tais aspectos negativos foram claramente ofuscados pela riqueza de experiências positivas que marcou este twenty ten.

Formação Académica

Passando ao exame da componente académica, verifico que os meus objectivos foram alcançados com sucesso. Tanto o 2º como o 3º períodos lectivos do 11º ano decorreram dentro das minhas expectativas, com o meu trabalho a potenciar notas altas, que se coadunavam com as minhas capacidades. Os exames nacionais não correram tão bem, não por falta de estudo, mas por pequenas distracções idiotas e factores exteriores a mim, que me privaram das notas que ambicionava, levando a uma descida de 1 valor nas disciplinas de Física e Química e de Biologia e Geologia. Ainda assim, a minha média interna pouco se ressentiu dessa descida, que não hipoteca, de modo algum, a minha entrada na Universidade (todo indica que conseguirei entrar em qualquer curso com bastante segurança).

Nos últimos meses de 2010, o 1º período do 12º ano de escolaridade trouxe-me boas expectativas para esta derradeira etapa do Ensino Secundário, dado que desenvolvi um trabalho metódico e contínuo, que se espelhou na concretização das minhas expectativas, começando o ano com notas altas que me proporcionam uma boa base de trabalho para o futuro.

Olimpíadas de Física

As Olimpíadas de Física correspondem a outro capítulo da minha formação académica, complementando a acção do ensino a nível escolar. Indubitavelmente, esta iniciativa louvável da Sociedade Portuguesa de Física (SPF) tem contribuído para alimentar a minha paixão pela Física, fornecendo-me um conjunto de bases que decerto me serão muito úteis no futuro, não só em termos de aquisição de conhecimentos científicos, mas também ao nível da participação em projectos de grande envergadura no âmbito da Física. Em relação ao primeiro aspecto, as provas testaram e estimularam a minha capacidade de resolução de problemas, confrontando-me com situações novas, tendo sobretudo contribuído para me aproximar mais da componente experimental.

Acerca da outra componente, igualmente importante, sublinharei a oportunidade de conhecer, a propósito da Fase Regional (na qual me classifiquei entre os 10 primeiros, com grande surpresa minha), o edifício do Instituto Superior Técnico (IST) do Tagus Park, em Oeiras, que muito cativou a minha atenção, embora presentemente não o veja como uma hipótese para o meu futuro. Porém, a experiência verdadeiramente inesquecível estava guardada para o dia 5 de Junho, data da Fase Nacional, realizada em Lisboa, no estimado Museu da Electricidade, onde conheci muitas pessoas e fiz alguns amigos, ao longo de um dia que começou com muitos nervos, mas se tornou magnífico com um almoço de grupo, a visita ao museu, a participação nas iniciativas científico-desportivas ao ar livre e a declaração dos vencedores, durante a qual me foi atribuída uma surpreendente menção honrosa, acompanhada da informação de que estava pré-seleccionado para integrar o programa FísicaQuark, a ter lugar na Universidade de Coimbra nos primeiros meses de 2011! Foi fantástico.

Futebol de Praia

Viajando de paixão em paixão, passamos agora a uma outra, curiosamente também começada pela letra f (felizmente): o futebol de praia! Ora, não é novidade nenhuma este meu fascínio pela modalidade desportiva. No entanto, em 2010, vivi experiências memoráveis que ainda não figuravam na minha história pessoal. Se, por força da menor frequência dos treinos e incompatibilidade de horários, não foi tão assíduo na assistência aos treinos da selecção nacional, se, por impossibilidade logística, não tive a oportunidade de estar presente em Viseu aquando da realização da competitiva Spring Cup 2010, com muita pena minha, a verdade é que nada tenho a lamentar em relação à forma como vivi o futebol de praia no ano transacto, dado que os meus desejos se viriam a realizar gradualmente.

É neste contexto que se enquadra o fim-de-semana em Portimão, onde assisti ao espectáculo (sim, não há palavra melhor para descrever o ambiente fantástico com o qual contactei e do qual fui parte) do Mundialito de Futebol de Praia 2010! A selecção nacional não venceu a competição, infelizmente (por motivos diversos, que não vou explicar aqui), mas fez uma bela prestação! E se a equipa lusitana não logrou oferecer ao público presente o terceiro título consecutivo na competição, não deixou de me proporcionar momentos fantásticos, não só no estádio mas também fora dele, quando tive a honra de almoçar com o grupo da selecção nacional, a convite do seleccionador nacional, José Miguel Mateus, e do coordenador nacional do futebol de praia, João Morais. E assim, antes do jogo decisivo frente ao Brasil, tive a oportunidade de contactar de uma maneira diferente com os heróis da equipa das quinas, em momentos de pura boa disposição!

E, se a selecção nacional não teve sorte na primeira competição de futebol de praia a que fui assistir ao vivo, as minhas preces de adepto não poderiam ter sido mais bem atendidas pelas forças do destino (ou da BSWW), uma vez que a Superfinal da Liga Europeia de Futebol de Praia se disputaria em Lisboa, mais concretamente em Belém, a cerca de apenas 2 km do meu local de residência! Não havendo interferência com as datas de férias, fui certamente o espectador “civil” mais assíduo de toda a competição, testemunhando 16 dos 18 jogos que tiveram lugar no Terreiro das Missas. Enfim, foi um torneio verdadeiramente incrível e uma experiência fabulosa, principalmente porque Portugal se sagrou campeão europeu de futebol de praia, após uma final à qual assisti na bancada VIP, acompanhado por 11 pessoas muito especiais que aceitaram o meu convite para virem puxar pela selecção nacional na última batalha da época! E depois os autógrafos, o contacto com pessoas que não conhecia, a partilha da alegria sentida por todos os membros da família do futebol de praia português…

Encerrando o assunto do futebol de praia, direi que foi mesmo um ano especial, não só pelas marcas anteriormente referidas, mas também porque o trajecto da selecção nacional foi muito positivo, conseguindo a qualificação para o mundial, a reconquista do título europeu e a recuperação da liderança do ranking europeu da modalidade, numa temporada que poderia ter sido ainda mais rica em títulos, dado que Portugal alcançou todas as finais de torneios importantes. A equipa demonstrou evolução ao longo do ano e reagiu com distinção às adversidades que foram surgindo, como a saída de jogadores importantes na equipa, contraposta por uma eficaz adaptação de novos jogadores à selecção nacional. A nível de clubes, Portugal deu um passo decisivo, por meio da organização do primeiro circuito nacional de futebol de praia, sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

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Ricardo Sá: “O meu pai e o seu sonho…”

Nota: Desde Junho que o Ricardo tem participado activamente neste blogue através dos seus comentários aos artigos sobre futebol de praia. Este interesse que temos em comum criou uma amizade online que tem nos tem permitido trocar diversas ideias e experiências ao longo destes últimos meses. Agora, o Ricardo tem a sua oportunidade para escrever aqui no blogue, divulgando os feitos do clube do seu pai, que recentemente deu um passo decisivo rumo ao título de campeão açoriano. Uma ocasião em que se justifica plenamente a sua intervenção no blogue, que se orgulha de contribuir para ajudar um amigo.

Boa noite! Esta será a primeira vez que vou escrever num blogue – de um grande amigo meu, apesar de não o conhecer na vida real (desde já agradeço por me deixar escrever no seu blogue). Vou falar de um ídolo, o que, para muitos, será um dos seus pais. Os meus ídolos são o meu pai e a minha mãe. Mas hoje vou falar exclusivamente do meu pai e da sua equipa de futebol (apesar de o meu pai ser treinador adjunto). Vamos então por partes:

1 – Antes de ser treinador adjunto, o meu pai ficou radiante quando viu, num jornal, que em São Miguel haveria um curso de treinadores. Por isso, inscreveu se. E deu-se muito bem, tirando um Bom (ou Muito Bom) no seu curso.

2 – Quando acabou o curso foi convidado pelo seu amigo Emanuel Ferreira para ser treinador adjunto dos Séniores do Grupo Desportivo de São Roque.

3 – Quando soube que o Pauleta ia jogar o primeiro jogo na “sua” equipa, o meu pai ficou radiante: iria treinar o Pauleta! Assim já posso dizer aos meus filhos (que o meu pai treinou o Pauleta). Ele adorou treinar este grande craque, que no seu jogo marcou 2 grandes golos!

4 – O que quero destacar aqui é o facto de ele sempre acreditar nos seus jogadores, acreditar que são capazes de derrotar equipas mais fortes, como aconteceu hoje: jogaram contra o Vitória do Pico da Pedra (uma equipa teoricamente mais forte do que o São Roque) e venceram! Foi assim:

Na 1ª mão, o jogo ficou 1 – 1 . Mas hoje, 6 de Novembro de 2010, foram jogar na casa do Vitória e ganharam por 2 – 3! Num jogo super emotivo, o São Roque começou a partida a perder por 1 – 0 logo no inicio. Com muita juventude em campo da parte do São Roque, a equipa do meu pai chegou ao empate e conseguiu chegar ao golo do 2 – 1 já na 2ª parte. Quando faltava 1 minuto para os 90, o árbitro viu um penálti que não existe e assim o Vitória marcou o golo do 2 – 2. Como não há aqui o factor “número de golos marcados fora “, o jogo foi para prolongamento…

O Vitória já tinha 10 jogadores em campo antes de iniciar o prolongamento. No entanto, no ínicio da 1ª parte, 2 jogadores do São Roque (Vitinha e Hugo Rego) lesionaram-se e tiveram de ser substituídos! E, passados 2 minutos, mais um jogador (agora o Ananás) lesionou se também. Ainda assim, este atleta continuou em campo para ajudar a sua equipa, para conseguirem chegar ao golo da vitória… e conseguiram!

Desculpem não saber quem marcou os golos do São Roque, mas o que quero tirar deste mini texto que criei é o facto de a equipa do São Roque ser uma equipa competitiva e acreditar sempre, do início ao fim. Uma equipa com grandes talentos e que vai ter muito futuro. Com excelentes treinadores e jogadores, terão a oportunidade de mostrar agora, na final, que merecem uma taça!

Força São Roque!

Força Pai!

EUSO 2009: um ano depois (as provas)

Foi precisamente no dia 5 de Abril de 2009 que a comitiva portuguesa das EUSO Murcia 2009 regressou a casa, trazendo moralizadoras e merecidas medalhas de bronze, mas, acima de tudo, memórias fantásticas de uma semana inesquecível.

Deste modo, assinalando o primeiro aniversário da chegada dos jovens cientistas à pátria,  pretendo recordar aqui os melhores momentos das Olimpíadas de Ciência da União Europeia do ano passado, evidenciando os motivos que tornaram esta aventura uma experiência tão enriquecedora e memorável.

As provas: grandes testes ao nosso potencial e lições para o futuro.

Seguindo as normas da organização, os testes das EUSO 2009 envolviam sempre uma componente experimental e uma vertente teórica. Genericamente, podemos dizer que o trabalho laboratorial era a base de tudo, uma vez que a avaliação dos grupos residia nos registos de medições e resultados, bem como nas respostas a questões relacionadas com as actividades a realizar.

Foram realizadas duas provas: uma no dia 31 de Março (3ª feira) e outra no dia 2 de Abril (5ª feira). Ambas as provas estavam divididas em 3 partes, referentes aos três domínios da ciência abordados, passo a citar, a Biologia, a Química e a Física. No entanto, não deixou de ser curioso que, no teste do dia 31 de Março, o segmento de Biologia se tratasse, na verdade, de uma actividade de Química, com um pequeno exercício no final sobre o ciclo de vida do bicho-da-seda.

De um modo geral, para quem não estiver interessado em ler  informação específica sobre cada uma das provas, posso dizer que foram muito interessantes, estimulando o nosso espírito científico e desenvolvendo a nossa capacidade de resposta a problemas inéditos. Fomos a Espanha com o intuito de honrar o nosso país, procurando ultrapassar as dificuldades que certamente iríamos encontrar, na tentativa de superar o nosso melhor. Ao mesmo tempo, participámos nesta grande competição científica tendo como propósito aprofundar os nossos conhecimentos nas nossas áreas predilectas e desenvolver competências fundamentais para a nossa formação e carreira.

Pois bem, não poderíamos ter sido mais bem sucedidos nestes objectivos, algo que podemos confirmar pela extraordinária evolução que protagonizámos do primeiro para o segundo teste. Por isso vos digo: foi formidável!

Competências adquiridas:

  • encarar situações novas
  • reagir a adversidades
  • trabalhar em equipa
  • aprender com os erros

1ª prova: fibras têxteis

Cada prova estava subordinado a um tema em concreto, que funcionava como mote de todo o teste. Na primeira prova, o tema central eram as fibras têxteis, dado que 2009 foi considerado o Ano Internacional das Fibras Naturais. A parte de Biologia, ou melhor, a primeira parte de Química, girava em torno da temática da seda e do famoso bichinho que produz esta fibra natural, devido ao simbolismo da cultura da seda naquela região de Espanha. E, se a segunda actividade de Química incluía uma titulação e a síntese artificial de nylon, a parte de Física baseava-se numa comparação das propriedades da seda e do nylon.

Não nos correu bem esta prova. O nosso grupo estava habituado a trabalhar em conjunto durante na totalidade do tempo, realizando todas as actividades do teste colectivamente. Ora acontece que este sistema tinha muitas vantagens  nas provas das Olimpíadas de Física, onde a sua utilização nos tinha catapultado para o primeiro lugar nas regionais e nas nacionais, mas não se aplicava ao modelo de prova das EUSO, com três actividades complicadas, repletas de problemas novos para nós, que exigiam muito tempo e toda a nossa concentração.

Durante a prova, encontrámos diversas contrariedades contra as quais nada podíamos fazer, e outras que, com mais experiência de laboratório e concentração em alguns instantes, talvez tivéssemos conseguido ultrapassar. O estado de saúde do Duarte, um bocado adoentado, com sintomas de gripe, veio prejudicar o nosso desempenho, apesar da atitude aguerrida do nosso companheiro de equipa. Outro aspecto altamente imprevisível que nos impediu de triunfar foi as deploráveis condições das balanças da universidade, cujos pratos não estavam completamente fixos, impedindo assim uma medição rigorosa das massas, que nos fez errar o cálculo das densidades.

No entanto, o resultado teria sido muitas vezes melhor se tivéssemos terminado a prova, algo que não aconteceu devido à nossa deficiente divisão de tarefas, ou se tivéssemos encarado as questões com mais atenção, pois tínhamos capacidade para fazer melhor, não fossem as condicionantes de tempo e a grande dimensão da prova. Resultado final: 31 pontos num total de 94 possíveis. Um novo record nas nossas carreiras de estudantes: a pior classificação de sempre (como o Duarte fez questão de referir, com humor).

Os testes exigiam mais experiência de laboratório e uma tripartição do trabalho, com um aluno especializado em cada uma das actividades. Não era difícil entender isto, mesmo para quem pensava que a prova tinha corrido bem (que ingenuidade, a nossa). De facto, sentimos que não tínhamos feito má figura, uma vez que havíamos percebido os conteúdos abordados e tínhamos realizado praticamente todos os trabalhos laboratoriais (como eu disse depois no hotel, “não perdemos o comboio da ciência”). No entanto, os pontos residiam nas questões, e nesse capítulo tínhamos cometido demasiados erros…

2ª prova: sumos de fruta

Se bem me lembro, o teste do dia 2 de Abril centrava-se no estudo dos sumos de fruta segundo diferentes perspectivas. A parte de Biologia, desta vez incidia realmente sobre a ciência da vida, girava em torno da observação microscópica de seres vivos de de diferentes reinos, que suscitava questões diversas, estando de alguma maneira relacionada com a questão dos sumos (não me recordo exactamente como). A actividade de Química, por sua vez, voltava a incluir titulações e diversos cálculos envolvendo moles, enquanto o grupo de Física tinha como grande objectivo a determinação da capacidade térmica mássica do sumo (utilizando água em substituição deste líquido).

Tirando preciosas ilações da prova anterior, optámos por uma inteligente divisão de tarefas, desdobrando a nossa equipa nos seus três membros constituintes: Frederico, o biólogo, Duarte, o químico, André, o físico. E assim, motivados pela perspectiva de uma grande prova, demos início às actividades, cada um responsável pela sua parte, após um curto período de análise do teste em conjunto. Naturalmente que também houve entreajuda nesta prova, mas ocorreu de uma forma muito mais estratégica e profícua do que na ocasião anterior.

Firmes no nosso propósito, com uma postura correcta face aos trabalhos propostos, não recuámos perante as adversidades e fizemos frente aos problemas, contornando as barreiras que se nos afiguravam. Todos nos confrontámos com situações de difícil resolução, mas uma análise cuidada das circunstâncias e muita determinação na tentativa de corrigir os erros permitiram encontrar as soluções adequadas. Quando precisávamos da ajuda de um colega, quer para questões técnicas quer em termos de conhecimentos, não hesitávamos em pedir e o nosso compatriota vinha prestar auxílio tão rapidamente quanto as suas actividades o permitiam. Funcionámos muito bem.

No fim, eu, que cooperei activamente com os meus colegas, intervindo nas várias partes da prova, e tinha compreendido perfeitamente todos os exercícios do segmento de Física, acabei por não conseguir chegar aos resultados desejados. Porquê? Pela mesma razão pela qual não conseguíramos determinar as densidades do nylon e da seda no primeiro teste: balança com o prato mal colocado. Já me debati diversas vezes com a questão e a conclusão é inevitável! Um mau posicionamento daquela peça da balança prejudicou as medições das massas de água, influenciando todos os resultados na mesma ordem de grandeza, visto que o gráfico obtido era uma recta, mas em vez de passar pela origem interceptava o semieixo positivo das abcissas.

Tentei de tudo para rectificar a situação, mas já era tarde e tive de trabalhar com os dados que tinha, até porque sabia que o meu procedimento estava correcto! Depois, todos os exercícios ficaram errados, em cadeia, e eu nada podia fazer! Se não fosse o raio da balança… aqui está um parâmetro em que o material da nossa escola tem alguma superioridade!

No final, viemos a saber que a nossa classificação nesta prova tinha sido de 70 pontos num universo de 86 possíveis. Nada mau! Fizemos grandes progressos relativamente ao teste anterior! E, aparentemente, as minhas peripécias com a balança não tiveram um efeito demasiado negativo no resultado final, posto que preenchi correctamente os registos, elaborei um gráfico de acordo com os meus dados e ainda acertei a uma questão de escolha múltipla. Fui penalizado nos valores das massas, no cálculo da capacidade térmica mássica e nas duas alíneas que se seguiram, dependentes da determinação de c. De resto, como o motivo do meu erro foi uma questão exterior à minha responsabilidade, e também participei activamente nas respostas ao questionário de biologia, cooperando magnificamente com o Fred, fiquei de consciência tranquila e sinto que cumpri o meu dever como membro da equipa.

E assim se demonstrou que o trio de cientistas do Restelo tinha um imenso valor e aprendera imenso com a experiência do primeiro teste! Se, no dia 31 de Março, tínhamos conseguido não perder o expresso europeu da ciência, na segunda prova não só apanhámos o comboio, como também chegámos ao fim da linha! Ou pelo menos ficámos perto. Como disse a professora Isaura Vieira, da DGIDC, “se tivesse havido uma terceira prova…”.

Aviso: mais tarde falarei sobre os outros aspectos das EUSO 2009.

Ah! Grande Júlio Verne! Parabéns!

Fixem esta data: 8 de Fevereiro de 2010 (mas podia ser de outro ano qualquer).

Hoje comemora-se o centésimo octogésimo segundo aniversário do nascimento do colosso da literatura mundial JULES VERNE!

É verdade. Foi há precisamente 182 anos que o escritor mais lido e traduzido do século XIX veio ao mundo, na cidade francesa de Nantes. Um acontecimento aparentemente igual a tantos outros, mas que viria a alterar profundamente a história da literatura e da própria humanidade!

Jules Verne: um escritor visionário que antecipou os avanços da tecnologia do século XX

As suas obras, que relatam extraordinárias histórias de aventura, viagens, mistério e ficção científica, são simplesmente magníficas pela forma como conseguem cativar o leitor desde o primeiro contacto com o livro, através de uma mistura de ingredientes que as torna espectacularmente interessantes. Enredos incrivelmente bem estruturados, com intrigas que revelam uma imaginação prodigiosa, mas ao mesmo tempo perfeitamente inseridos na realidade espacial e temporal, com descrições detalhadas dos ambientes envolventes e todo um conjunto de dados históricos, geográficos e sobretudo científicos, fazem das histórias de Júlio Verne autênticas pérolas literárias, que cumprem distintamente todas as funções que a obra mais erudita pode ter.

Cada obra tem o seu encanto próprio. Cada história aborda um tema específico, debruçando-se sobre determinados assuntos. Cada livro é uma nova aventura, uma viagem à descoberta do mundo maravilhoso de Verne. Mas os vários títulos que compõem a obra de Júlio Verne são complementares um em relação aos outros, formando um conjunto muito vasto e abrangente.

Apesar de terem sido escritas no século XIX, mantêm o seu carácter actual e continuam a fazer as delícias de muitos leitores em todo o mundo. Acessível a todos os leitores, de todas as classes etárias, inclusivamente com diferentes preferências literárias, Verne proporcionou à humanidade um universo fantástico que deve ser aproveitado.

Claro que as pessoas são diferentes e nem todos vão colocar Verne no topo dos seus gostos literários. Ser verniano é algo mais profundo, algo que já vem no nosso sangue, uma forma mais profunda de viver e sentir a obra de Verne.

Porém, qualquer pessoa pode e deve ler Júlio Verne, como uma etapa importante da sua formação literária. E acredito que, se a escolha do primeiro livro foi apropriada, tendo em conta as características do leitor, certamente a experiência será positiva e Verne ganhará mais um adepto.

Mais uma coisa: não deixem de visitar o site sobre Júlio Verne em português, bem como o blogue dedicado a Júlio Verne em língua portuguesa e o respectivo fórum de discussão. A iniciativa é maioritariamente organizada pelo ilustre verniano Frederico Jácome, que tem realizado um trabalho notável na divulgação do nome e da obra do nosso escritor favorito nos últimos anos. Parabéns também à comunidade de vernianos em todo o mundo!

Muitos parabéns, Júlio Verne!

Verne sempre!

Nota: Este post não foi tão desenvolvido como eu gostaria. Pela minha vontade, teria falado muito mais no imenso legado verniano e concedido a este grande vulto na História da literatura o destaque que realmente merece. Mas os testes de Português e Física não mo permitiram. Enfim, fica para outra vez!

PARABÉNS MADJER!

Madjer: Um Grande Português

Madjer: Um Grande Português

Todos os dias são especiais. Cada sequência de 24h acarreta uma série de alterações nas sociedades humanas. Entre medidas legislativas, decisões jurídicas, contratos empresariais, descobertas científicas, obras literárias, exposições artísticas, conferências universitárias, espectáculos musicais, eventos desportivos e muitas outras coisas, são tantos os acontecimentos que marcam o mundo num espaço de tempo tão curto como o período de rotação da Terra!

Hoje, porém, há qualquer coisa que o torna mais especial do que os outros. O mítico número 7 da selecção nacional de futebol de praia, João Victor Saraiva, conhecido em todo o mundo desportivo como Madjer, completa 33 anos de existência.

Esta data, 22 de Janeiro de 2010, merece, pois, ser recordada no futuro, assim como o desportista e a pessoa cujo aniversário é hoje celebrado. E com esse objectivo nobre escrevo este post de homenagem ao maior jogador de futebol de praia de todos os tempos, que continua a dar alegrias ao povo português e a erguer cada vez mais alto o nome e as cores nacionais!

Síntese biográfica

João Victor Saraiva nasceu no dia 22 de Janeiro de 1977, na cidade de Luanda, em Angola. Com a tenra idade de 5 meses viajou para Portugal, onde cresceu e se começou a afirmar no mundo do desporto. Desde cedo apaixonado pelo futebol, sportinguista exemplar, João Victor Saraiva representou o Grupo Desportivo Estoril-Praia nas camadas jovens. Foi nesse contexto que lhe foi atribuída a alcunha pela qual ainda é conhecido actualmente: Madjer. Os seus colegas de equipa terão achado algumas semelhanças físicas com o futebolista argelino do Futebol Clube do Porto Rabat Madjer que, somadas à arte futebolística de João Victor Saraiva, lhe acabou por valer o simbólico cognome de sonoridade árabe.

No entanto, a sua carreira promissora foi abalada por um rude golpe, quando Madjer foi sofreu um acidente de mota, aos 17 anos. As lesões provenientes do choque afastaram-no dos relvados durante quase dois anos, provocando uma longa ausência que se revelou muito prejudicial para o seu desenvolvimento como atleta. Mesmo vendo o seu sonho futebolístico mais longe, Madjer nunca desistiu, continuando a trabalhar para recuperar a forma física e progredir nas várias vertentes do jogo.

Felizmente, como o poeta romano Virgílio referiu sublimemente na sua epopeia Eneida, “A sorte protege os audazes” e foi exactamente isso que sucedeu com Madjer. Em 1998, quando o cargo de treinador da selecção nacional de futebol de praia era ocupado pelo célebre antigo futebolista João Barnabé, Madjer participou num torneio amador da modalidade. O seleccionador português, apercebendo-se das excelentes qualidades evidenciadas pelo jovem, convidou-o imediatamente para integrar os trabalhos da equipa nacional. Madjer, decerto surpreendido e radiante, aceitou imediatamente.

No seu jogo de estreia pela equipa das quinas, frente à selecção chilena, Madjer brilhou, marcou 2 golos e ajudou Portugal a alcançar uma vitória importante. Mas era apenas o início de uma história interminável de triunfos e glórias. E assim a selecção nacional acabava de ganhar um grande jogador, uma certeza para o futuro, a garantia de muitas conquistas lusitanas e soberbos momentos de futebol de praia!

Magia Eficaz no Futebol de Praia

O Madjer é um jogador de futebol de praia magnífico. Qualquer pessoa que goste da modalidade percebe naturalmente que a sua presença entre os melhores atletas do mundo nas areias é inevitável. Jogador extremamente completo, muito experiente, com uma técnica bem acima da média e índices físicos muito elevados, o número 7 português é motivo de grandes dores de cabeça para os adversários.

Madjer: a determinação no olhar

O mais impressionante no Madjer é o remate: uma mistura explosiva de potência, velocidade, intencionalidade, determinação, criatividade e estilo. Quer seja num livre directo, num pontapé de saída, na finalização de uma jogada colectiva ou num espectacular remate acrobático, os remates do Madjer são um fenómeno do desporto. Não admira que os seus golos sejam frequentemente utilizados em pequenos filmes de promoção da modalidade. Que classe!

Mas este jogador excepcional apresenta muitas outras qualidades. A sua afinidade com a esfera de 400 g utilizada no futebol de praia é simplesmente espectacular. Por diversas vezes assisti aos treinos da selecção nacional e tive oportunidade de testemunhar o seu toque de bola formidável. O Madjer consegue dominar a bola na perfeição e realizar todo o tipo de movimentos com ela, o que lhe permite uma fácil integração em qualquer esquema táctico utilizado pelo seu treinador.

O Madjer não é um jogador que brinque em serviço, pois encara os desafios com grande sentido de responsabilidade e seriedade. O seu modo de actuar é frio e cautelista, preferindo os remates fortes de longa distância às fintas ludibriosas. Isto não significa que não tente de vez em quando um toque em habilidade ou um pontapé de bicicleta, mas fá-lo porque sabe que domina aquele gesto técnico e acredita que poderá ajudar a equipa assim. Assim, por vezes, nos torneios oficiais, quando existe a possibilidade de embelezar o jogo com um pormenor mais apelativo, conseguindo extrair daí benefícios para o colectivo, o Madjer não hesita e consegue vários golos de belo efeito.

O grande poder do Madjer reside igualmente no perfeito entendimento com os seus colegas de equipa. Excelente companheiro dentro e fora do campo, a sua natureza humilde e afável confere-lhe uma capacidade de fazer amigos com grande facilidade, o que se torna evidente pela magnífica cooperação entre o Madjer e os seus colegas de equipa nas partidas. As grandes jogadas de equipa, ilustrativas do clima de união que se vive na selecção nacional, passam muitas vezes pelo Madjer, que trabalha em uníssono com craques como Alan, Belchior, Zé Maria e Torres.

Madjer festeja com os colegas de equipa

Dado o seu posicionamento e movimentações tácticas, em grande parte das vezes, acaba por ser ele a finalizar, mas se a melhor opção for um passe para um colega de equipa em melhor situação, o Madjer não hesita em fazer o passe, mesmo que esteja na luta dos melhores marcadores. E quando recebe algum prémio individual, distinguido como o melhor marcador ou considerado melhor jogador (o que acontece em quase todas as competições), o Madjer agradece em nome de toda a equipa e faz questão de referir que aquele troféu não é seu, mas da selecção nacional portuguesa.

Esta mesma postura humilde, consciente e responsável do número 7 português é sem dúvida uma das suas características mais importantes como atleta. A união e harmonia que consegue comunicar aos seus colegas de grupo, o respeito pelos adversários e pela equipa de arbitragem, o seu jogo limpo e elegante, sem faltas e recheado de momentos espectaculares, faz do Madjer um atleta fora de série, com imenso fair-play e um trabalho exemplar na promoção da modalidade.

Grandes Momentos

Sei que o maior momento da carreira desportiva do Madjer foi em 2001, quando ajudou Portugal a conquistar o Campeonato do Mundo de Futebol de Praia na Costa do Sauípe. Numa competição em que o antigo capitão Hernâni e o também inigualável Alan foram galardoados, respectivamente, com os prémios de melhor jogador e melhor marcador, respectivamente. No entanto, eu ainda não acompanhava o futebol de praia nessa altura e por isso não tenho estas memórias. É pena.

No entanto, felizmente tornei-me um adepto fervoroso do futebol de praia em 2003 e em 2006 comecei a seguir todas as competições internacionais de forma regular. Assim, conservo muitas recordações extraordinárias das façanhas do Madjer ao serviço das selecção lusitana.

Já nos torneios da Liga Europeia e do Mundialito de 2003 e 2004 eu tinha ficado com uma excelente ideia do Madjer. Naquela altura, para mim, Madjer, Alan e Belchior eram os grandes craques da selecção nacional, os que marcavam mais golos! Foi em 2005, porém, que eu me apercebi de que o Madjer tinha qualquer coisa de especial, qualquer componente que o distinguia dos colegas. Não que fosse melhor, pois não era na verdade, mas além de ser o principal goleador, tinha uma arte fantástica que iluminava as mentes dos espectadores, proporcionando uma experiência metafísica fora do comum.

Fenomenal remate acrobático de Madjer (2006)

Em 2006, no Campeonato do Mundo FIFA em Copacabana, no qual Portugal obteve um amargo 4º lugar, o Madjer fez qualquer coisa de sobrehumano: sagrou-se goleador do torneio, com uma larga vantagem sobre os restantes adversários, ao apontar nada mais nada menos do que 21 tentos em apenas 6 jogos!!! Isto faz uma média de 3,5 golos por jogo, o que, mesmo em futebol de praia, é um número colossal! E o mais fantástico é a enorme diversidade de golos que podemos encontrar neste universo com 21 dimensões: remates acrobáticos, remates inesperados de qualquer parte do campo, livre directos cobradas de forma exímia, conclusões sublimes a magníficas jogadas colectivas… Enfim, uma descomunal colecção de golos igualmente descomunais!

2007: Ano Europeu

Em 2007, na Liga Europeia, uma prova emocionante conquistada por Portugal, o Madjer voltou a protagonizar uma série de exibições fantásticas, com muitos golos e magia em abundância. Mas no Mundial as coisas não correram tão bem. Com o esbatimento das diferenças entre selecções tradicionalmente fortes e equipas teoricamente mais fracas, o grupo de Portugal revelou-se bastante complicado e a selecção nacional precisava de Madjer no seu melhor. Infelizmente, o número 7 entrou mal no torneio e demorou tempo a encontrar o seu próprio jogo. Isto valeu a Portugal algumas dificuldades na passagem à segunda fase e um indesejável confronto com o Brasil nos quartos-de-final.

Foi um grande jogo de futebol de praia! O Madjer finalmente esteve ao seu melhor nível e marcou uma mão cheia de golos, nunca desistindo e acreditando sempre que era possível alcançar a vitória. O resultado, porém, acabou por ser desfavorável a Portugal, que se deixou afundar nos instantes finais da partida e cometeu vários erros defensivos: 10-7. Uma derrota muito difícil de digerir, sobretudo depois da brilhante exibição de Madjer, que encontrara energia nos cantos mais profundos do seu ser para fazer face às adversidades, que o acabaram por vencer. No final, Madjer, com amor ao seu país, chorava a derrota inglória, prostrado nas areias escaldantes de Copacabana… Um herói!

Madjer desolado após a derrota com o Brasil (2007)

2008: Epopeia em Portimão

Em 2008, novas emoções e grandes duelos em areias europeias. O Mundial em Marselha foi uma competição estupenda, quer em termos de organização quer em relação à excelente prestação da equipa portuguesa. O 3º lugar que a equipa das quinas logrou alcançar soube a pouco numa competição em que Portugal se apresentou a um nível altíssimo. A selecção nacional esteve muito perto de eliminar o Brasil, nas meias-finais, num jogo que acabou por perder 5-4 com um golo Canarinho nos últimos 5 minutos. Pouca sorte, em mais um torneio com Bota de Ouro (prémio do melhor marcador) para o Madjer, que apontou 13 golos.

O Mundial 2008 acabou no Domingo 27 de Julho, com a vitória brasileira e um terceiro lugar lusitano (Portugal derrotou a congénere espanhola por 5-4 com um hattrick de Madjer). Na semana seguinte, no primeiro dia de Agosto, começava o Mundialito de Futebol de Praia desse mesmo ano, com o eterno rival Brasil e as convidadas França e Argentina. Após as já esperadas vitórias dos países lusófonos contra as duas equipas de nível inferior, Portugal e Brasil decidiram o título no último jogo. E, num confronto de dificuldade extrema, em que Portugal enfrentou mil tormentos rumo à vitória final, a força interior de Madjer, aliada à sua técnica fabul0sa e à excelente cooperação com os companheiros de equipa, fez a diferença e deu a vitória a Portugal.

Madjer remata para o golo do empate após passe de Belchior

A selecção esteve a perder por 2-0 em pleno segundo período, mas conseguiu anular a desvantagem no marcador com dois golos fenomenais de Madjer. Já no terceiro período, quando o jogo caminhava para o fim, empatado a 3 bolas, e o Brasil resistia corajosamente às investidas do ataque português, um livre divinal de Madjer deu a vantagem tão procurada pela nossa selecção! E finalmente, quando a areia traiu o guarda-redes lusitano Paulo Graça na cobrança de um livre directo por Buru, restabelecendo a igualdade no marcador, Madjer, num esforço sobrehumano, procurando forças onde elas já não podiam existir, conseguiu encontrar a coragem e o ânimo suficientes para contrariar os caprichos da bola, remetendo-a para o seu lugar natural, onde deveria ter chegado mais cedo: a baliza Canarinha.

E assim, através de um pontapé de saída absolutamente espectacular, por meio de um gesto técnico inigualável e misterioso, que conferiu à bola uma velocidade alucinante, Madjer, revelando a sua natureza sobrehumana, deu a vitória tão ambicionada às hostes lusitanas!

2009: Sensações controversas

No ano passado, em 2009, a Taça da Europa de Futebol de Praia, disputada em finais de Maio, no Circo Máximo, em Roma, foi outro exemplo do extraordinário poder de Madjer. Em apenas 3 jogos, Madjer marcou por 10 vezes. Foi pena que Portugal não tivesse conseguido ganhar o torneio, mas a sorte não foi portuguesa no dia da meia-final frente aos vizinhos ibéricos, numa partida em que Madjer apontou 4 golos, e Portugal acabou por se classificar no 3º posto.

O Verão voltou a trazer a magia do futebol de praia espectáculo a Portimão. Desta feita, o Mundialito contava com as selecções da Espanha e dos Emirados Árabes Unidos, além dos habituais Portugal e Brasil. A selecção nacional manteve um nível muito elevado e entrou da melhor forma na competição, derrotando a equipa árabe na jornada inaugural. Infelizmente, por questões do foro aleatório, Portugal acabaria por perder diante da abominável Espanha, cuja estratégia defensiva e oportunista roubou 3 pontos que pertenciam a Portugal por direito e complicou as contas do seleccionador nacional José Miguel. Com os resultados verificados, a turma lusa precisava de derrotar o Brasil por mais de 2 golos ou justamente por uma vantagem de 2 tentos, no caso de marcar 4 golos ou mais.

Primeiro golo de Portugal: Madjer!

Como é que se motiva uma equipa para um jogo desta natureza? Não sei. Mas os jogadores portugueses estavam confiantes e decididos. Nada os faria alterar o seu propósito. E nem o fortuito golo brasileiro marcado na primeira parte fez abalar as esperanças lusitanas. Era preciso marcar 4 golos? E daí? Fossem 5, 6 ou mesmo 7 os golos necessários, a equipa das quinas não se teria rendido e continuaria a lutar pela conquista do troféu. No segundo período, Madjer, numa acrobacia original, empatou o jogo, num golo belíssimo ao qual se seguiram inúmeras ocasiões de golo para Portugal. A bola não entrava? Paciência! Ninguém ia desistir e todos permaneciam crentes no sucesso da selecção. Madjer, de quem a sorte parecia fazer troça, era dos mais determinados a vencer.

O terceiro período continuou com a hegemonia portuguesa que se verificara no segundo e, aproveitando a expulsão do brasileiro Betinho, Portugal fez dois grandes golos, por Alan e Torres, que tornavam o sonho mais próximo e davam um novo alento a todos os adeptos. Já em igualdade numérica, o Brasil parecia desorientado com o imenso poderio lusitano e numa brilhante jogada de entendimento entre Zé Maria e Alan, Portugal marcou o quarto e alcançou o título em termos virtuais! Todavia, ainda havia muito tempo para jogar a o Brasil reagiu, com um golo de Benjamim na sequência de um canto e um golo em falta de Fred (o árbitro nada assinalou).

O resultado de 4-3 entregava ao Brasil o título do Mundialito! Foi então que Madjer, com a mesma sede de vitória e a mesma vontade que mostrara naquele mesmo campo 371 dias antes, disferindo um fortíssimo pontapé na colorida esfera, colocou a bola no interior da baliza defendida por Mão, após o pontapé de saída, e recuperou o triunfo para Portugal. Ainda houve tempo para dois golos a cada equipa, com um grande livre directo de Alan, seguido de um golo de consolação de Sidney, mas a vitória não fugiria a Portugal, mais uma vez graças à determinação de Madjer. Que jogador!

Meses mais tarde, no Mundial do Dubai, Portugal seria derrotado pelo Brasil nas meias-finais, num jogo que correu muito mal e culminou no fim das esperanças portuguesas. Madjer não marcou frente ao rival lusófono e terminou o jogo com um total de 6 golos na competição (uma marca abaixo daquilo que fizera em edições anteriores). Poder-se-ia pensar que o torneio não teria corrido tão bem a Portugal e a Madjer como seria de esperar. Mas o jogo de atribuição dos 3º e 4º lugares foi completamente diferente. Ninguém imaginava o que iria acontecer!

Madjer marca o seu sétimo golo frente ao Uruguai e quebra mais um record: "The number seven scores seven!"

E a verdade é que não só Portugal ganhou de forma convincente, garantindo um lugar no pódio e mostrando ao mundo que o futebol de praia português continua entre os melhores do mundo, como também se escreveu uma nova página na História do futebol de praia, quando Madjer apontou o seu 7º golo na partida, batendo o record do número de golos marcados no mesmo jogo num campeonato do mundo, que anteriormente pertencia a… Madjer (marcara 6 vezes frente aos Camarões em 2006)! Num jogo com o atractivo resultado de 14-7 , Madjer esteve no seu melhor e marcou golos muito variados, quase sempre em jogadas de grande recorte técnico e comunicação telepática com os companheiros de equipa. Assombroso!

Futuro

Diante de nós estende-se agora um longo ano de futebol de praia, que, pela primeira vez, não vai incluir um Campeonato do Mundo, mas continuará a englobar as competições europeias por excelência (Liga Europeia e Taça da Europa), bem como o tradicional Mundialito de Futebol de Praia e o fundamental torneio de qualificação para o Mundial 2011.

Quais serão então os projectos para 2010?  A nível colectivo, o apuramento para o Mundial é, sem dúvida, uma prioridade nos planos para o novo ano. Para além disso, espero que Portugal consiga recuperar a Liga Europeia que perdeu o ano passado para a Rússia, e, se possível, a Taça da Europa. Revalidar o título no Mundialito frente ao Brasil será também um objectivo importante para a selecção nacional portuguesa. Afinal, trata-se da mais importante competição do próximo ano que porá em confronto estes dois titãs do futebol de praia. Boa sorte! Vamos conseguir!

Madjer recebe a Bota de Ouro em 2008

A nível individual, sei que o Madjer não tem quaisquer ambições, pois pensa sempre primeiro na equipa e nunca se chega a interessar realmente pelos prémios de reconhecimento individual. Em todo o caso, todos sabemos perfeitamente que o Madjer conquistará várias distinções no decorrer desta temporada, como melhor marcador, melhor jogador e, talvez, o prémio fair-play (uma distinção muito valiosa que o Madjer já recebeu no passado).

Ao Madjer

Madjer, queria dizer-te em poucas palavras que te considero um verdadeiro exemplo a seguir, não só como desportista, mas a todos os níveis. A tua postura ensina os vencedores a vencer. Como sabes, sou um grande adepto do futebol de praia em geral e da selecção nacional em particular. Procuro assistir aos vossos treinos, sigo todas as competições com entusiasmo e vibro com os vossos golos num êxtase maravilhoso. A tua arte dentro de campo cria em mim um fascínio e uma admiração únicos que me motivam para a vida e me ajudam a encarar o dia de amanhã. Acho que tenho aprendido muito contigo, desde os fantásticos pontapés de bicicleta (dos quais tento fazer tímidas imitações) a estas questões mais profundas acerca da natureza do ser humano e da forma de estar na vida e lutar por um objectivo. Obrigado, Madjer.


Eis de repente o Madjer, que aparece

E marca em pontapé de bicicleta!

Momento de magia! Não se esquece!

A glória para este magnífico atleta!

André Calado Coroado.