Ricardo Sá: ECOMODA

Nota introdutória: É verdade. Não escrevo livremente no meu blogue há muito tempo. Na maior parte das vezes, limito-me a colocar os textos que elaboro para a disciplina de Português ou a utilizar os posts no blogue para um fim específico. A meu ver, não podem existir grandes dúvidas em torno da contestação a esta atitude anti-bloguística que tem desvalorizado a cada dia que passa a qualidade deste site (que nunca atingiu os níveis por mim desejados).

Em todo o caso, não é por eu não escrever no meu blogue que o blogue deve permanecer no obscurantismo e por essa mesma razão, aliada à importância de conceder um favor a uma amigo, acolhi de boa vontade um texto da sua autoria, que ganha ainda mais interesse por contar uma história interessante! Por isso, sugiro a todos a leitura deste texto do Ricardo Sá, no qual traz até nós as aventuras de um grupo de Área de Projecto da sua turma, em São Miguel, nos Açores. Tema? Moda Ecológica, uma ideia vanguardista que pode vir a ter futuro!

Concedo agora a palavra ao Ricardo:

Hoje vou falar de um projecto que, aviso desde já, não estava à espera de que tivesse tanto sucesso como está a ter. Este projecto ocorreu na Escola Secundária Antero de Quental, Açores, São Miguel, sendo que se chama “ ECOMODA” e inclui reinventar novas roupas com materiais reciclados (jornais, tampas de garrafas de cerveja e muitas outras coisas reutilizáveis!) .

O projecto começou em Setembro, quando se procedeu à divisão dos grupos no âmbito da Turma E. Ficaram neste grupo 8 magníficas pessoas: Beatriz Fraga, Beatriz Farias, Beatriz Tavares, Dina Reis, Jéssica Carreiro, Maria João, Maria Rita, Rita Raposo e Soraia Pereira. A partir deste mês instaurou-se a “revolução” da moda ecológica. Como o trabalho destas alunas implicava bastante esforço manifestaram uma opinião unâmine: trabalhar durante a tarde, nos dias em que se não haveria aulas. Por exemplo, não podiam trabalhar na quinta-feira, pois tinham a tarde preenchida com aulas. Felizmente, todas elas trabalhavam num projecto que, a pouco e pouco, foi conquistando alguma “fama” na escola, pois criaram o facebook para o Ecomoda (com o facebook as pessoas sabem de tudo).

No dia 12 de Outubro de 2010, os adolescentes que queriam participar podiam inscrever-se no ECOMODA, pois as alunas iriam organizar um desfile no dia 13 de Maio do ano seguinte (2011). Começaram então a surgir muitos pedidos (cerca de 30 pessoas), o que implicava 30 vestidos. Lembro-me de elas terem pedido para a professora de Matemática participar no desfile, algo que a professora aceitou. Não eram só as raparigas que queriam desfilar: muitos rapazes também o queriam! Em todas as tardes, elas foram começando a trabalhar mais arduamente, pois estavam a somar-se bastantes pedidos.

Houve dias de semana em que fui ao seu local de trabalho ver os vestidos, sendo que fiquei imensamente admirado! Todos os vestidos eram espectaculares! Com o decorrer do tempo, começaram a vir os elogios da parte dos professores que de vez em quando viam os vestidos na Galeria: “ que vestido de lindo!” (uma das muitas expressões utilizadas pelos docentes).

O Professor Jorge Cabral, que é o nosso Professor de Área de Projecto, ficou encarregue das partes consideradas mais difíceis, sendo que uma delas era falar com a Anima para poder patrocinar o desfile, algo que foi de imediato aceite pela Anima. A partir de meados de Abril, as excelentes raparigas ficaram ansiosas pelo facto de se estar a aproximar o dia do Desfile. Estavam a faltar os retoques para o evento, que concordaram agendar para o Jardim Antero de Quental.

No dia do Desfile, 13 de Maio de 2011 (sexta-feira, dia no qual se diz que acontecessem azares, mas felizmente elas não tiveram azar nenhum!), as alunas estavam todas vestidas da mesma cor (preto), pois assim o quiseram e julgo que simbolizava o que tinham de semelhança entre elas. Houve 4 júris, que iam decidir os vencedores dos prémios: cheques de oferta, atribuídos aos 3 primeiros lugares e também para a Simpatia, Fotogenia e Ecomoda. Tinham montado uma tenda enorme ao pé do Jardim onde ficavam alojados os participantes. Ficaram distribuídas nos seus lugares as organizadoras, umas ao pé da apresentadora, outra ao pé dos jurados, outras ao pé dos participantes e ainda outras a vigiar. De referir ainda que a apresentadora era a Professora de Português.

O desfile começava às 10 h e ia ser constituído por 2 partes. Começou a afluir muita gente e, como é normal na adolescência, ficaram cada vez mais nervosas. O desfile começou e principiaram a aparecer ao vivo e a cores os vestidos. Todos ficaram estupefactos pelas roupas bem criativas e vivas. Filmaram, tiraram fotografias a todas/todos os participantes, tanto femininos como masculinos!  No final da 1ª parte, teve lugar uma actuação de 2 pessoas que trabalhavam no ECOMODA: Beatriz Farias e Rita Raposo. Cantaram muito bem! De salientar a bela perfomance da professora de Matemática, que desfilou muito bem!

Na 2ª parte, foi mais do mesmo, mas no bom sentido, com novos vestidos e novas participantes que ainda não tinham desfilado! No final da 2 parte, foi chegada a altura de a apresentadora anunciar os vencedores, sendo que os prémios foram muito bem entregues. Foram entregues os prémios da Simpatia (venceu um rapaz), Ecomoda e Fotogénico (nestas categorias venceram 2 raparigas).

O que fica aqui mostrado é o facto de haver uma alternativa para as roupas que utilizamos no dia-a-dia. Para concluir, anunciarei que, de 16 a 21 de Maio 2011, está a decorrer uma exposição na Anima para o público contemplar os vestidos, sendo os cheques de prenda entregues neste dias.

Parabéns às minhas colegas/amigas pelo excelente trabalho que fizeram este ano lectivo! Que o vosso projecto sirva de exemplo para próximos eventos escolares. Viva o ECOMODA!

Um abraço do vosso colega/amigo Ricardo Sá!

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BERUBY: GANHA DINH€IRO usando a Internet (simples)

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Na sociedade actual, o dinheiro emerge como um bem essencial para uma vida saudável, segura e confortável. Sem dinheiro não conseguimos concretizar os nossos desejos materiais, alcançar algumas das metas que traçamos e viver dentro dos padrões pretendidos. Hoje em dia, no contexto de crise económica em que Portugal está mergulhado, a poupança e a contenção das despesas assume uma importância primordial. Mas já pensou em aumentar as suas receitas?

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De facto, numa época financeiramente tão conturbada como a que atravessamos, a procura de meios alternativos de fazer dinheiro constitui uma hipótese a considerar. E, neste capítulo, a Internet desempenha inquestionavelmente um papel fundamental, oferecendo-nos milhares de maneiras diferentes de aumentar os seus rendimentos. Inclusivamente, existem maneiras muito simples de o fazer!

Sites PTC

Uma das formas mais simples de fazer dinheiro online consiste no recurso aos sites PTC, do inglês Paid to Click, onde os membros são pagos por clicar em anúncios publicitários ou ligações para outros sites da Internet, sem qualquer investimento por parte do utilizador! São sites que, apesar de oferecerem preços aparentemente insignificantes por cada dia de actividade, possibilitam a obtenção de largas quantias ao fim de algum tempo, caso o utilizador explore adequadamente as funcionalidades disponibilizadas.

BERUBY

Não terei dúvidas em considerar o Beruby um dos melhores (se não mesmo o melhor) sites PTC à nossa disposição na Internet. Na verdade, várias pessoas constroem contas de 500 € em Beruby, com base numa utilização inteligente das possibilidades por ele oferecidas. De utilização extremamente fácil, credibilidade total e lucros atractivos, o Beruby é claramente um site que vale a pena experimentar!

Neste site, os pagamentos ao utilizador processam-se sobretudo por PayPal ou por transferência bancária, sendo o primeiro pagamento realizado quando tiver atingido um valor de 10 €.

A primeira vantagem está no bónus de inscrição instantaneamente oferecido pela Beruby: 1 € de bónus! Seguidamente, o utilizador pode começar a ganhar dinheiro, servindo-se das 3 modalidades oferecidas pelo site: ganhar por visita, ganhar por registo e ganhar por compra.

1) Ganhar por Registo

Para ganhar por registo, é necessário aceder aos sites indicados na secção correspondente, fazendo o registo nesses sites e ganhando uma comissão. Neste capítulo, é preciso ter cuidado para não se inscrever em sites que requeiram o seu número de telemóvel para lhe enviarem mensagens pagas. Assim, deve limitar-se a subscrever os serviços totalmente gratuitos, que lhe rendem uma determinada comissão, indicada no Beruby.

Eis a lista dos serviços gratuitos em que me inscrevi e que me renderam 1,47 €:

  • Clube Fashion
  • Gabriella
  • Goodlife
  • Iminent
  • LetsBonus
  • Miau.pt
  • TARA
  • Westrags
Para clientes Vodafone, aconselho ainda a inscrição nos 3 serviços disponibilizados pela operadora, cada um dos quais rende 50 cêntimos, perfazendo um total de 1,50 €.

2. Ganhar por Visita

Esta é a forma mais simples de ganhar em Beruby, embora seja também a menos rentável (aparentemente). Consiste em visitar diariamente alguns dos sites mais famosos e utilizados da Internet, fazendo-o a partir de Beruby. Sim, aqui pode fazer dinheiro visitando o Facebook, o Youtube, o Sapo, o Hi5, o site oficial do jornal A BOLA e também o blogue da Beruby.
No total, as visitas diárias a estes websites a partir de Beruby rendem 3,5 cêntimos. Além disso, a simples visita diária à sua conta Beruby rende 1 cêntimo. Assim, pode auferir 4,5 cêntimos diários sem qualquer dificuldade, gastando cerca de 1 minuto nesta actividade muito simples!

3) Ganhar por Compra

Esta será, porventura, a modalidade de ganhos em Beruby  que permitirá coleccionar quantias mais avultadas. Porém, o nível de adequação desta campanha varia de pessoa para pessoa, uma vez que exige que o utilizador faça compras pela Internet (algo que nem todos os portugueses fazem). Porém, se está habituado a comprar pela Internet, esta é a área certa para si, uma vez que poderá fazer dinheiro sem esforço algum, sempre que comprar algo de que necessita.
Naturalmente que, nesta secção, as comissões não atingem valores muito elevados. Porém, se o valor do produto comprado for de 50 €, aplicando-se uma comissão de 3% do valor da compra, terá 1,50 € na sua conta Beruby, o que é um valor bastante agradável.

COMO GANHAR MUITO MAIS: REFERIDOS!

Como pode certamente entender, nenhuma das modalidades acima apresentadas (visita, registo e compra) permite a obtenção de quantias muito elevadas. Como explicar, então, que algumas pessoas já tenham conseguido lucros tão avultados em Beruby?

O segredo do sucesso destes utilizadores prende-se com a formação de uma vasta rede de referidos. Esta estratégia consiste basicamente em o utilizador convidar outras pessoas para se inscreverem em Beruby, sendo que, no momento da sua inscrição, se tornam referidos do utilizador. Para convidar pessoas para se inscreverem em Beruby terá de utilizar o seu link de convite, que poderá encontrar em “Minha Rede”.

Uma vez inscritas, essas pessoas passam a contribuir para o aumento dos seus lucros, uma vez que o utilizador ganha cerca de 10% do valor das comissões de cada referido. Ora, isto significa que, quando um utilizador consegue arranjar 10 referidos, o que é relativamente fácil, pode duplicar o valor dos seus ganhos diários!

E, caso o utilizador se sirva de uma plataforma de divulgação adequada, como sites, blogs, facebook, twitter e outros, será muito fácil atingir um grande número de referidos, que possibilitarão uma expansão impressionante dos seus ganhos!

Assim, a formação de uma rede de referidos constitui uma mais valia de Beruby, possibilitando a obtenção de quantias verdadeiramente avultadas com base neste site.

INSCREVA-SE JÁ!

Resta-me apelar a que todos se inscrevam em Beruby, pois terão certamente muito a ganhar! Clique aqui e inicie o registo, que é fácil e não custa tempo algum! Verá que vale a pena!

Estou, naturalmente, totalmente disponível para responder às vossas questões e prometo ajudar em tudo o que for preciso. Por favor, deixem as vossas dúvidas e opiniões nos comentários, para que eu possa responder e auxiliar-vos em tudo o que seja necessário.

Votos de sucesso,
André Coroado (Andrey Amabov).

Algumas sugestões acerca do assassinato de Bin Laden e as políticas da administração Obama

Na sequência de uma interessante discussão no moral do Pedro Pereira no facebook, tertúlia essa que gerou um avultado número de comentários, achei relevante expor a minha opinião acerca do tema em questão: o assassinato de Osama Bin Laden por forças militares norte-americanas, as consequências e possíveis represálias que tal ocorrência poderá motivar e o papel do Presidente dos EUA nesta questão polémica e delicada. Enfim, publiquei um comentário no qual expressava as minha posições, sintetizando um pouco as conclusões a meu ver brilhantes que tinham sido alcançadas. Deixo agora o meu comentário aqui no blogue, para que possa transmitir o que penso acerca do assunto a um número mais alargado de leitores. A discussão gerada no facebook pode ser lida integralmente aqui.

Em primeiro lugar, concordo com quem afirma que o assassinato de Osama Bin Laden representa uma violação dos direitos humanos e uma forma de réplica baseada no mesmo princípio subjacente à estruturação do terrorismo.

Enquanto política anti-terrorista deixa realmente muito a desejar, pois Bin Laden era acima de tudo um símbolo do movimento extremista islâmico. A morte do seu líder espiritual deverá semear a ira nos activistas da Al-Qaeda, que, feridos no seu orgulho fundamentalista, decerto se tentarão desforrar dos norte-americanos e da sociedade ocidental que tanto repudiam… Quanto a Portugal estar incluído nos potenciais países afectados por ataques terroristas, julgo que, pelo menos a curto prazo, não corremos esse risco, dada a nossa reduzida preponderância política e económica no ocidente. Porém, mesmo cingindo-nos a uma lógica egoísta, existem inúmeras razões para encararmos com muita seriedade esta situação (um atentado num dado país do ocidente não deixaria de produzir repercussões mais ou menos acentuadas nas diversas nações europeias).

Quanto à atribuição do prémio Nobel da Paz a Obama, aí sim, gostaria de me manifestar mais alongadamente… Penso que existem muitos factores a ter em conta e devemos ser prudentes na análise da questão. Afinal, a contestação à atribuição surgiu imediatamente após a revelação do vencedor, dado que por toda a parte se ergueram vozes contra a atribuição do prémio a um chefe de estado que acabara de reforçar o contingente norte-americano no Afeganistão, ao passo que outras personalidades se teriam destacado mais vivamente em nome dos valores pacifistas. Relativamente à morte de Bin Laden, tratou-se, decerto, de uma acção deliberada da parte do exército norte-americano, que terá indubitavelmente envolvido um trabalho moroso de planificação da missão e, a meu ver, o consentimento de Obama, que terá conhecimento das manobras conduzidas pelas milícias norte-americanas no Oriente… De facto, se assim for, estamos perante um Nobel da Paz que pactua com a filosofia do “olho por olho”, não existindo desculpa possível. 

Porém, Obama não governa sozinho, sendo decerto influenciado por inúmeros parceiros governamentais, outros órgãos de poder, políticos de ideias divergentes (aqui temo pela fogosidade (pseudo)patriótica dos republicanos), um sistema capitalista complexo (do qual pouco entendo, mas que acredito que possa influenciar as decisões políticas) e um povo, cuja vontade também tem algum peso… E, relativamente aos cidadãos, não nos esqueçamos da verdadeira finalidade de Obama, oculta por detrás de um eventual desejo de “devolver o orgulho aos norte-americanos”: a crescente proximidade das eleições presidenciais nos EUA, que não se afiguram fáceis para Obama, considerando os maus resultados dos democratas nas eleições legislativas (ainda que se tratem de votações bem distintas, julgo existir uma correlação da qual se poderão retirar algumas conclusões) e a perda de popularidade de Obama em tempos recentes… Talvez a administração Obama tenha actuado no sentido de acelerar as buscas de Bin Laden, autorizando os agentes da missão a usar a força necessária, antevendo um cenário de prosperidade eleitora… 

Não sei se foram muito rebuscadas, ou simplesmente descontextualizadas estas hipóteses. De qualquer modo, são tantas as explicações que podemos conceber neste momento (altamente propício a teorias da conspiração), que nem sei no que pensar!

Redução da duração das aulas para 60 minutos? Globalmente discordo.

Na sequência da intensa (mas globalmente convergente) discussão que se travou nesta postagem do Pedro Pereira no facebook, acerca de uma eventual medida no sentido de reduzir a duração das aulas escolares para 60 minutos, publico o meu “sucinto” comentário, com algumas (ligeiras) adaptações. De salientar que, de um modo geral, não sou grande adepto da proposta, embora considere bastante pertinente o seu debate no contexto do ensino básico.

Entre a chuva de comentários gerada pelo assunto, maioritariamente favoráveis à redução do tempo de aula, encontrei diversos argumentos devidamente fundamentados que preconizavam a duração de 60 minutos. Os principais motivos apresentados pelos defensores da medida prendem-se com a diminuição progressiva da concentração dos estudantes na última meia hora de aula e a consequente quebra de rendimento ao fim dos primeiros 60 minutos, eventualmente associados a uma dificuldade na manutenção da ordem no interior da sala de aula por parte dos docentes. Pela minha experiência pessoal, quer individualmente quer pela interacção diária com colegas sujeitos exactamente aos mesmos horários, estou ciente da validade destes argumentos, não questionando a sua veracidade e pertinência. Porém, existem outras variáveis a ter em conta, que passarei a enunciar, explicitando-os convenientemente.

Em primeiro lugar, admitindo a tendência dos estudantes para o desinteresse face à matéria leccionada na parte final da aula, proponho que nos debrucemos mais profundamente sobre o assunto. Será este um problema verificado exclusivamente nos minutos finais da aula? Penso que não, uma vez que o estado de tédio e desatenção dos alunos em relação à aula se inicia, muitas vezes, poucos instantes após o seu início. De salientar que não quero, com isto, acusar os alunos de uma atitude deliberadamente incorrecta na sala de aula, dado que me limito a constatar um facto, sem pretender atribuir a sua responsabilidade aos estudantes ou respectivos professores. Em todo o caso, confirmando-se a minha hipótese (e mais uma vez invoco a minha experiência pessoal como fonte de suporte), a redução da duração da aula não seria a melhor solução a considerar, devendo antes ser ponderada uma modificação da estratégia de condução da aula, empreendidas por parte dos próprios docentes, que se seriam responsávies pela adaptação das suas aulas a esta tendência estudantil, tendo em conta as características peculiares de cada turma e disciplina.

Adicionalmente, julgo que a redução do tempo de aula coloca outras questões dignas de serem equacionadas cautelosamente, tais como o tempo concedido à realização dos testes ou a necessidade de aumentar a frequência das discplinas ao longo da semana, a fim de possibilitar o cumprimento dos programas escolares. Relativamente aos momentos de avaliação sumativa, defendo que os 90 minutos são indispensáveis à resolução de um teste bem estruturado, passível de avaliar efectivamente as competências cognitivas dos alunos, ao passo que uma prova destinada a ser resolvida em 60 minutos, apesar de possível em determinados contextos e disciplinas, não possibilita uma avaliação tão abrangente e profunda dos conteúdos abordados em aula. Finalmente, tendo em conta a necessidade, amplamente reconhecida, de esbater as diferenças registadas entre o ensino secundário e o meio académico, bem como a longa duração das aulas do ensino superior, considero pertinente a sujeição dos alunos do secundário a aulas mais longas, que lhes permitam realmente uma preparação  apropriada para os intermináveis brainstormings que os esperam nas universidades portuguesas.

Por fim, gostaria de alertar as consciências para outro factor relevante, associado à vasta extensão dos programas letivos de grande parte das disciplinas escolares. Todos nós, alunos so ensino secundário, temos consciência das dificuldades frequentemente sentidas pelos docentes na leccionação de todos os conteúdos integrados nos programas específicos, muitas vezes quase incompatíveis com o número de horas semanais dedicados à disciplina. Assim, a redução da duração das aulas teria de envolver um aumento da frequência semanal das aulas de cada disciplina, a fim de potenciar o cumprimento dos vastos programas das disciplinas, o que não seria necessariamente mau (poderia inclusivamente incitar os alunos a um estudo periódico das matérias aprendidas diariamente, criando hábitos de trabalho positivos).

Todavia, esta medida teria implicações potencialmente gravosas, visto que acarretaria um incremento do número de aulas de disciplinas diferentes num dia, envolvendo uma maior dificuldade dos alunos na captação das informações transmitidas nas aulas de disciplinas distintas, por bombardeamento de conteúdos dissociados uns dos outros. Explorando a questão da frequência semanal de cada disciplina, regressando à comparação com o contexto universitário, verificamos que os estudantes só terão a ganhar em termos de adaptação ao meio académico como a manutenção de 2 ou 3 aulas semanais da mesma área discplinar.

Ainda assim, apesar de me opor, em traços gerais, à implementação desta medida ao nível do ensino secundário, concordarei com uma reflexão cuidadosa e coerente acerca da possibilidade de ser instituída em termos de ensino básico, tendo em conta a maior distância deste nível de escolaridade face à realidade do ensino secundário, a maior tendência para a desconcentração e indiferença registada entre os alunos destas idades e o (parcialmente) consequente estado selvático de muitas aulas do ensino básico em que a brandura ou perda de autoridade por parte dos professores destranca as portas do desrespeito e da impunidade. Reitero a necessidade de uma ponderação adequada a propósito de eventuais medidas neste sentido, tendo em linha de consideração os riscos delicados que uma decisão precipitada poderia envolver a um nível de ensino verdadeiramente estruturante da formação escolar do indivíduo.

Concluindo, manifesto a minha (quase) total discordância face ao fim das aulas de 90 minutos no ensino secundário, que considero desajustada das necessidades de aprendizagem dos alunos a este nível de ensino e da importância de uma transição graual para o meio universitário, admitindo a pertinência de uma potencial redução da duração das aulas para 60 minutos no plano do ensino básico, qualitativamente diferente. Subscreva-se ou não a minha perspectiva, julgo conveniente realçar a pertinência da discussão e faço um apelo a que alguns dos argumentos por mim aqui referidos sejam tidos em conta.

O russo que sabia guardar segredos

Saudações a todos os visitantes deste blogue! A frequência dos posts é cada vez menor e são os conteúdos antigos aqueles que ainda vão conferindo algum estatuto a este modesto espaço pessoal online. Porém, o Segundo Andrey Amabov continua aqui, para todos os que tiverem interesse em consultar o seu arquivo, bem como algumas novidades que poderão surgir esporadicamente.

Hoje, inesperadamente, decidi adicionar ao blogue uma pequena novidade. Nada de especial, na verdade: apenas uma curta e desinteressante narrativa de ficção que se começou a desenrolar no meu cérebro, na qual eu reconheci o potencial necessário para ascender ao estatuto de post mais descontextualizado de sempre, destronando posts como este.

Passo, pois, ao texto em si.

O RUSSO QUE SABIA GUARDAR SEGREDOS

Yuri Tabhitryi, ilustre detective moscovita, fora destacado pela polícia russa para mais uma importante missão. Distinguido internacionalmente com as insígnias douradas da SAGA (Secret Agents Global Association), manifestava incríveis aptidões no âmbito da investigação criminal, dotado de um poder dedutivo sem precedentes e da atitude enérgica, mas discreta, que um detective secreto deve demonstrar. Assim, Yuri Tabhitryi não se surpreendera ao saber que os serviços russos de investigação criminal o haviam nomeado para o caso Dinara Betpodlyi.

Conveniente seria talvez explicar quem era Dinara Betpodlyi e em que consistia concretamente o caso atribuído a Yuri Tabhitryi. Sucintamente, digamos que se tratava do roubo do maior diamante jamais encontrado em jazigos terrestres, propriedade da mais mediática estrela pop que a Rússia alguma vez conhecera. Graças a uma colossal manobra de ocultação de informação, o crime permanece longe das demolidoras páginas da imprensa da cidade, sendo a privacidade de Dinara Betpodlyi salvaguardada e o trabalho dos investigadores livre de obstruções jornalísticas.

A avultada recompensa oferecida pela cantora em troca do seu diamante seria prémio apetecível para qualquer detective. Porém, para Yuri Tabhitryi, a defesa da honra e o desejo de justiça são os factores que mais o movem. Deste modo, ainda que os indícios escasseassem e a forma como o crime fora conduzido se aproximasse da perfeição, Yuri Tabhitryi desenvolveu uma brilhante investigação, solidamente alicerçada na infalibilidade dos seus métodos, aqui não descritos, que o guiou ao culpado num espaço de tempo inferior a uma semana: Dmitri Sozsmelyi.

Exactamente. Dmitri Sozsmelyi, o insaciável assaltante, indómito aventureiro, de uma tão grande astúcia que nunca se deixara capturar pela justiça. Homem pacífico, declaradamente contra a violência das armas de fogo, impressionava pela proeza inaudita que constava do seu infindável currículo: nunca matara, ferira ou agredira as suas vítimas. Tal humanismo, associado ao calculismo meticuloso com que planeava cada crime, faziam de Dmitri Sozsmelyi uma presa difícil, raramente deixando pistas, jamais deixando provas.

Sucede também que Dmitri Sozsmelyi, durante as longas temporadas de férias que ele mesmo agendava, gostava de dispensar algum tempo e dinheiro (sendo certo que dispunha de ambos em abundância) aos jogos de sorte e azar dos casinos de Moscovo. Cliente habitual dos estabelecimentos, onde se comportava impecavelmente, cavalheiresco nos modos e nos negócios, costumava frequentar diariamente as maiores casas de apostas da capital, durante os 2 ou 3 meses que se seguiam a um grande assalto.

Não sendo excepção o roubo do diamante de Dinara Betpodlyi, a descoberta do paradeiro nocturno do singular Dmitri Sozsmelyi não ofereceu quaisquer dificuldades ao metódico Yuri Tabhitryi, que facilmente se inteirou de todas as pisadas do seu alvo. Pragmático e realista, sabia que a única maneira de reunir provas concludentes contra Dmitri Sozsmelyi seria levar o astuto ladrão a confessar o crime. Mas tal implicaria uma prodigiosa aproximação dele mesmo, Yuri Tabhitryi, ao criminoso, Dmitri Sozsmelyi, sendo forçosa a criação de uma amizade profunda entre ambos, geradora da confiança necessária à confissão.

A versatilidade de Yuri Tabhitryi nunca fora um problema. Assim, facilmente o detective montou um disfarce, incluindo um nome e toda uma identidade falsa, que anularia quaisquer possibilidades de vir a ser reconhecido. Seguidamente, começou a frequentar assiduamente os casinos moscovitas, expansivamente, numa abertura da sua falsa personalidade ao mundo, que rapidamente se tornou reconhecida por todos. Em breve, o detective tinha alcançado um tal estatuto de popularidade nas casas de jogos que todos, incluindo Dmitri Sozsmelyi, o conheciam pela sua jovialidade contagiante. Posteriormente, a presença de Yuri Tabhitryi na mesa do criminoso principiou a tornar-se um hábito, até ao dia em que se começaram a sentar lado a lado, tanto durante o jogo como ao balcão, dialogando animadamente sobre as peripécias da vida.

As duas personagens, embora com perspectivas da vida e do mundo seguramente diferentes, estabeleciam diálogos interessantes, num contexto aparentemente saudável e descontraído. Não obstante o profissionalismo de Yuri Tabhitryi tornar a tarefa muito simples, igual a tantas outras no passado, o detective sente uma harmonia verdadeira na forma como as suas conversas evoluem, chegando mesmo a questionar-se se os dois não poderiam ter sido amigos fora daquele contexto. Independentemente disso, a amizade incipiente que Dmitri Sozsmelyi parece evidenciar em relação a Yuri Tabhitryi levam o investigador a passar à fase seguinte da sua investigação, inquirindo o “amigo” acerca de pormenores autobiográficos, expondo, por sua vez, uma panóplia de histórias sobre si mesmo.

Naturalmente que não o surpreendeu o facto de Dmitri Sozsmelyi omitir o seu vasto historial de patifarias. Porém, no decorrer das inúmeras conversas que os dois haviam levado a cabo, muito se espantara perante a naturalidade com que o seu interlocutor se expressava acerca de assuntos pessoais, transbordando segurança e serenidade espiritual quando questionado acerca das mais íntimas questões que lhe eram colocadas, independentemente da veracidade das respostas que dava. Tal atitude surpreendeu Yuri Tabhitryi, que esperava entrever no criminoso certos sinais de apreensão e desconforto, motivados pela forma inesperada como o inquiria acerca da sua vida pessoal. Decidiu, portanto, passar a uma estratégia mais ofensiva, que se lhe afigurava infalível.

Acreditando que eventuais referências a Dinara Betpodlyi pudessem despertar, por instantes, uma reacção espontânea por parte de Dmitri Sozsmelyi, o detective começou a conduzir as conversas segundo assuntos que tornavam possível uma referência contextualizada à cantora russa. Assim, a música e os fenómenos da cultura de massas foram integrando gradualmente o leque de assuntos abordados, numa evolução dos acontecimentos que privilegiava as intenções de Yuri Tabhitryi.

Assim, numa bela noite, após meia hora de discussão musical, o ilustre investigador policial recorreu discretamente ao vulto de Dinara Betpodlyi a fim de exemplificar uma perspectiva sua em relação à música pop do leste europeu. De olhos postos no ladrão de jóias desde a primeira palavra da frase, absorvendo cada traço do rosto com toda a sofreguidão que o seu poder contemplativo de detectiva lhe conferia, Yuri Tabhitryi ansiava por uma manifestação exterior de nervosismo por parte de Dmitri Sozsmelyi. Todavia, o formidável fora-da-lei permaneceu impassível, no esplendor da sua tranquilidade de alma, sem que o mais ténue indício de inquietação se desenhasse nas feições mentirosas.

Estupefacto, Yuri Tabhitryi não cria naquilo que era dado a conhecer aos seus sentidos. Não era verosímil que uma referência a Dinara Betpodlyi, o alvo da acção criminosa de tão amplo destaque no currículo do interlocutor, não suscitasse a mais leve reacção física da sua parte! Nem a contracção de um músculo facial, nem um franzir de sobrolho, nem mesmo uma dilatação das pupilas!

Desiludido, mas nunca desanimado, Yuri Tabhitryi tornou a repetir a tentativa no dia seguinte, contextualizando engenhosamente a alusão à cantora de culto, para depois proferir o nome da artista, a propósito de uma discussão sobre o historial de espectáculos de massas na Europa Oriental. A mesma atenção no modo como fitou Dmitri Sozsmelyi, a mesma neutralidade impossível por parte do extraordinário indivíduo! Frustrado acabaria por abandonar a estratégia durante uns tempos, dedicando-se à reflexão acerca de um modo mais eficaz de resolver o problema. A verdade, porém, é que, se não seria fácil extrair a verdade ao fabuloso ladrão, a descoberta da verdade por outro meio seria a mais perfeita utopia. Assim, suspirando fundo e mentalizando-se para as adversidades que teria de enfrentar no improvisado processo de extorção, deitou resolutamente as mãos à obra, determinado a arrancar a verdade a Dmitri Sozsmelyi, custasse o que custasse.

Nas semanas seguintes, Yuri Tabhitryi desenvolveu um trabalho incansável em busca da verdade oculta, que apesar de tão distante e inacessível estava tão perto! E assim, num ímpeto heróico, contendo a ansiedade interior que o minava e impelia a acusar directamente o criminoso, ia diversificando ao máximo os temas de conversa, recorrendo a figuras e situações exemplificativas com abundância, a fim de transformar os diálogos entre ambos em tertúlias sobre a actualidade, substituindo os acontecimentos de cariz pessoal que outrora haviam dominado as conversas por assuntos de tom social e cultural. No decorrer desses debates, nos quais Dmitri Sozsmelyi se envolvia com vívido interesse, Yuri Tabhitryi demonstrou arte na forma inteligente e paciente como soube inscrever pequenas referências a Dinara Betpodlyi, totalmente enquadradas no contexto da conversa, em busca da almejada reacção por parte do ladrão.

Porém, como os leitores certamente poderão prever, a insistência épica de Yuri Tabhitryi de nada lhe valeria, já que a resposta de Dmitri Sozsmelyi era invariavelmente a mesma: indiferença, uma indiferença aterradora, verdadeiramente desesperante, que levava Yuri Tabhitryi a rogar pragas em pensamento contra o seu principal suspeito. Os seus frequentes pressentimentos, indicativos de que algo poderia mudar a cada instante, enganavam-se constantemente, parecendo irreversivelmente condenados ao fracasso.

De facto, a naturalidade de Dmitri Sozsmelyi quando encarava referências a Dinara Betpodlyi era tão impressionante que o detective russo chegava mesmo a questionar se aquele seria o verdadeiro responsável pelo roubo do diamante! Racionalmente, sabia que essa hipótese não era concebível, pois as suas faculdades dedutivas diziam-lhe, com 100% de certezas, que aquele era o culpado. Porém, perante a descontracção e tranquilidade de Dmitri Sozsmelyi ao ouvir sucessivamente o nome da mulher que tão requintadamente assaltara, o investigador criminal não sabia o que havia de pensar. Além disso, não eram raras as ocasiões em que o próprio ladrão se pronunciava acerca da cantora, manifestando posições coerentes acerca do fenómeno por ela representado, com a mesma impassividade e frieza emotiva com que discutia outros assuntos.

Assim se passavam os dias, as semanas, e até os meses! Sem provas que justificassem as suas inclinações, Yuri Tabhitryi atravessava uma situação inédita na sua carreira, não pela insolvência aparente do caso, mas pelo risco, nunca antes corrido, de perder o seu honrado estatuto de detective reconhecido internacionalmente. A polícia russa exercia uma pressão cada vez mais intensa sobre o detective, para quem a ideia de um desmoronamento da imagem profissional constituía o maior pesadelo alguma vez imaginado. Os louros da SAGA, as referências honorárias nos relatórios anuais, o reconhecimento do bem prestado à humanidade… tudo isso poderia estar seriamente comprometido caso a situação não conhecesse uma evolução positiva. Parecia que um cenário muito negro se preparava para se abater sobre o ilustre investigador. E era verdade.

Foi numa sórdida manhã de neve e nevoeiro que as más notícias chegaram. A capa de um jornal diário de Moscovo anunciava entusiasticamente o roubo do diamante mais valioso do mundo à cantora Dinara Betpodlyi, que não mais voltara a actuar publicamente desde então e se recusava a prestar declarações. Intrigado, receando o pior, Yuri Tabhitryi comprou o jornal e foi folheando hesitantemente o papel reciclado das páginas secas. Uma rápida leitura na diagonal inteirou-o da situação, que justificava os seus medos e tornava real o seu pesadelo: a imprensa cor-de-rosa acabara por descobrir o sucedido, quebrando as barreiras que a política russa lhe tentava opor, e rapidamente obtivera a informação de que o detective nomeado para a resolução do caso, Yuri Tabhitryi, não apresentara quaisquer resultados concretos, provenientes da investigação.

Suspirando, o pobre detective regressou a casa, onde esperou pacientemente pela chegada do aviso de dispensa por parte dos serviços secretos russos. O despedimento era inevitável, pelo que acabaria por chegar ao final da tarde. Pouco tempo depois, os lamentos da direcção da SAGA pelo sucedido e a prescisão dos seus serviços no futuro consumavam a derrota laboral que este caso insólito lhe havia proporcionado.

A partir desse momento, o detective Yuri Tabhitryi, ilustre glória da investigação criminal da Rússia, estava morto. Restava apenas o homem cujo ofício anterior lhe concedera a quantia suficiente para terminar a sua existência de um modo tranquilo e recatado, de preferência longe da azáfama citadina de Moscovo, palco de tantos feitos no passado, mas de uma tão grande mágoa no presente. E assim, como num acto de exílio profissional, o ex-detective decidiu partir para uma povoação rural situada a 67 km de Omsk, de onde tinha raízes.

Contudo, antes de abandonar a cidade, não podia deixar de comunicar a sua partida a Dmitri Sozsmelyi, a enigmática personagem cuja excentricidade lhe havia custado o emprego e a reputação, tantas vezes seu interlocutor, na companhia do qual passara tantos serões, tantas horas da interminável noite moscovita. Tentou despedir-se pessoalmente; porém, não teve a frontalidade suficiente para o fazer, preferindo recorrer a uma carta. Pensou também em expor toda a verdade da situação a Dmitri Sozsmelyi, para que ao menos se extinguissem os segredos que cavavam um fosso entre eles; contudo, acho que seria cobarde fazê-lo por escrito, em vez de assumir a derrota frente a frente.

Assim, optou por um texto mais convencional, no qual deva a conhecer a sua partida para o campo (sem especificar o local exacto) por motivos pessoais, agradecendo os longos momentos de convívio passados em conjunto e desculpando-se pela pressa com que partia alegando urgência na sua deslocação. Redigido o documento e entregue o envelope ao moço das entregas, Yuri Tabhitryi agarrou na sua bagagem e abandonou a casa que habitara durante longos anos de investigação criminal. O comboio esperava-o, para o levar do sítio onde jamais voltaria.

Quanto a Dmitri Sozsmelyi, ao receber a carta de Yuri Tabhitryi, limitou-se a sorrir condescendentemente, com a brandura de quem desculpa as falhas de outrem. Conhecera desde o início a verdadeira identidade do detective e sempre estivera consciente das suas verdadeiras intenções. Sorrindo interiormente sempre que Yuri Tabhitryi referia o nome de Dinara Betpodlyi, estava seguro do enorme poder o seu autocontrolo sobrehumano lhe conferia, sabendo bem guardado o segredo do roubo do diamante da cantora. E assim, gozando os prazeres de mais uma conquista, Dmitri Sozsmelyi deleitou-se nos prazeres da impunidade. A verdade jamais seria revelada!

Manuel Alegre fez uma boa campanha. Cavaco leva uma vantagem desconfortável para as eleições. A segunda volta é ainda uma possibilidade. Não se abstenham!

Na sequência deste comentário do meu estimado colega Francisco Barão Dias a este artigo de opinião, resolvi proceder a uma retrospectiva da campanha eleitoral de Manuel Alegre e divulgar as minhas previsões para as Presidenciais 2011, deixando a minha perspectiva pessoal bem patente. Confesso que inicialmente não pretendia desenvolver exaustivamente o assunto, mas acabei por fazê-lo dada a sua relevância e o meu entusiasmo enquanto escrevia.

A Campanha Eleitoral de Manuel Alegre

Na minha perspectiva, Manuel Alegre fez uma boa campanha. Contrariando alguns dos meus receios, soube conter convenientemente a sua iminente sede de poder, colocando as prioridades do país sempre à frente dos seus interesses pessoais. Acerca do seu discurso, penso que se pronunciou com clareza e coerência (o que é fundamental) sobre os assuntos mais relevantes no actual contexto socioeconómico e político, deixando as suas posições bem esclarecidas e mostrando que reúne todo um conjunto de condições de importância capital para o cargo de Presidente da República.

São exemplos disso a frontalidade com que defendeu o Estado Social, deixando patente a forma convicta como defende o apoio do Estado à saúde e à educação (mostrou-se disposto a bater-se pela gratuitidade do SNS e do Ensino Público) e a importância de uma participação activa do Presidente da República na política externa portuguesa, fazendo uso dos poderes do cargo para dialogar com o exterior e intervir na estruturação das relações e nos negócios entre os países (algo em que Cavaco Silva se notabilizou pelo silêncio e pela inactividade).

A Postura de Manuel Alegre face aos casos em que Cavaco Silva esteve envolvido

Sei que, quando o Francisco fala de contra-campanha, se referes a um conjunto de argumentos ad hominem de que não só Alegre, mas também todos os outros candidatos (incluindo Cavaco Silva) se socorreram durante esta campanha. Não o nego e concordarei inteiramente com quem afirmar que esse tipo de estratégias, independentemente de poderem resultar e de suscitarem questões relevantes, não contribuem em nada para o enobrecimento da campanha. Ainda assim, gostaria de notar aqui dois aspectos importantes:

1) O caso BPN e outros assuntos passíveis de atentar contra a credibilidade do actual Presidente da República, Cavaco Silva, foram trazidos a esta campanha eleitoral por outros candidatos (Francisco Lopes, Defensor Moura), sendo particularmente salientados durante os debates entre Cavaco e estes candidatos. Por outro lado, é preciso saber distinguir a forma como os apoiantes de Manuel Alegre, independentemente atacaram o carácter Cavaco Silva, e aquilo que o próprio Manuel Alegre disse acerca do assunto.

2) O modo como Alegre encarou estes ataques à personalidade de Cavaco foi, a meu ver, exemplar, dado que soube gerir convenientemente a situação, com prudência e responsabilidade. Nos debates e entrevistas, Alegre não se servia destas polémicas para desenvolver a sua argumentação, discutindo esses assuntos apenas quando questionado acerca deles. Para além disso, não ouvimos Manuel Alegre a dirigir acusações a Cavaco Silva, mas simplesmente a enunciar factos concretos que despertavam suspeitas acerca do Presidente da República, limitando-se a pedir esclarecimentos a Cavaco Silva. De resto, o próprio Manuel Alegre, aquando da entrevista com Judite de Sousa, disse muito claramente que lamentava ver a quase totalidade do tempo de antena dedicado a questões de segundo plano (todas estas manobras de bastidores).

Uma Campanha Frontal, Responsável e Convincente

Assim, penso que a campanha de Manuel Alegre decorreu de forma favorável ao candidato, que se expressou se uma forma inteligente e convincente, deixando bem claros os motivos pelos quais a sua eleição seria positiva para o país e gerindo adequadamente as polémicas que marcaram a campanha (incluindo aquelas das quais Manuel Alegre foi alvo e que rapidamente se viriam a revelar ridículas, desmistificadas com frontalidade e sinceridade pelo próprio).

A campanha não foi perfeita, como é óbvio, e admito que se tenham cometido alguns erros estratégicos. No entanto, não os considero graves, sobretudo porque não encontramos fragilidade na forma como explorou a realidade nacional e definiu as prioridades do seu mandato, nem descobrimos atitudes ilícitas/imorais no modo como se relacionou com os outros candidatos e procurou ganhar popularidade em relação aos seus adversários.

O conservadorismo, o chantagismo e a contrariedade de Cavaco Silva

Por seu turno, Cavaco demonstrou de forma inequívoca o seu conservadorismo, patente na forma como encara a sociedade, a futilidade dos seus conhecimentos em economia (no decurso da sua estratégia de vitimização transmitiu uma imagem de impotência face à crise económica que não se coaduna com o seu estatuto académico na área) e acentuou as suspeitas que contra ele se levantaram, dado que nunca se pronunciou de forma explícita de directa acerca daquilo que verdadeiramente aconteceu, quer no caso BPN quer nos negócios de casas no Algarve.

Já no final da campanha, falaciosamente, Cavaco recorreu a argumentos chantagistas que visam a sua eleição à primeira volta e o tornam um candidato muito contraditório (destacou o dinheiro que o Estado pouparia no caso de não se realizar uma segunda volta das eleições presidenciais, ainda que a sua campanha tenha sido a mais dispendiosa de todas).

Antevisão das Eleições Presidenciais

Em jeito de balanço, fazendo a antevisão dos resultados da eleições, tenho de admitir que, à partida, Cavaco Silva vencerá as presidenciais à primeira volta, sendo reeleito para o cargo com uma percentagem de votos ligeiramente superior a 50% (sem atingir os 58%), ficando Alegre no 2º lugar com uma percentagem compreendida entre 23% e 30% (sensivelmente).

No entanto, as últimas sondagens revelam uma descida de 7% nas intenções de voto em Cavaco Silva, que se situa agora nos 55%, enquanto Manuel Alegre se mantém aproximadamente constante, algures nos 25% ou 28% (as sondagens divergem bastante, como sabemos). Além disso, é sabido que, nas eleições presidenciais de 2006, não se realizou uma segunda volta por apenas algumas décimas, quando as sondagens à boca das urnas davam a vitória a Cavaco com 60% dos votos. Algo semelhante aconteceu em 2001, quando as sondagens concediam 64% a Jorge Sampaio, que viria a ser reeleito com apenas 55% dos votos dos portugueses (confirmem no quadro que vos apresento aqui em baixo).

Nesse sentido, acredito plenamente na realização de uma segunda volta. Acho bastante verosímil que a percentagem de votos de Cavaco Silva se situe entre os 48% e os 52%, ficando Manuel Alegre algures nos 30%, com Fernando Nobre ultrapassando os 10% ou 12% e os outros 3 candidatos, juntos, perfazendo também cerca de 10%. Tudo isto são especulações, mas parece-me que a segunda volta surge claramente como uma possibilidade em aberto.

Balanço Final: Os Resultados, as Circunstâncias, o Desempenho de Alegre e Imagem de Cavaco

Em suma, penso que a boa campanha de Alegre, mas sobretudo a postura desastrosa de Cavaco Silva, não passarão incólumes. Se o actual PR será reeleito? É provável. No entanto, há que destacar o bom trabalho de Manuel Alegre, cujo desempenho nesta campanha superou as minhas expectativas.

A divisão da esquerda, o sorriso falso e muito enganador de Cavaco, a ideia errónea de que precisamos de Cavaco como garantia da estabilidade governativa (os seus tabus e meias palavras são uma ameaça a esse conceito de estabilidade governativa) e a dificuldade em lidar com a mudança manifestada pelas massas populacionais criaram um ambiente hostil para a candidatura de Manuel Alegre. Todavia, ele a sua equipa de campanha tiveram a sagacidade necessária para inverter esta tendência e transformar as eleições presidenciais num acontecimento político desconfortável para Cavaco Silva, cuja irritação e rancor denunciaram o indivíduo repudiável que se esconde por detrás da máscara.

Mas ainda é possível uma segunda volta! Tudo depende daquilo que os portugueses decidirem amanhã… E espero que os meus compatriotas exerçam o seu direito de voto conscientemente, cientes de que na política não existem inevitáveis e das verdadeiras competências de cada um dos candidatos elegíveis.

Vejo Manuel Alegre como um candidato que merece o nosso apoio

Será profundamente nefasto para a política portuguesa a todos os níveis se Cavaco Silva ganhar as eleições. Para justificar o que digo, não tenciono desenvolver uma extensa argumentação acerca do assunto, pois outras pessoas já o fizeram bem melhor do que eu alguma vez poderia fazer, tendo como produto final este excelente texto.

Não é sobre este assunto em concreto que me tenciono debruçar aqui, mas sim sobre as alternativas ao actual chefe de estado, das quais teremos de escolher um candidato para o substituir no cargo, pois Portugal não poderá ficar sem Presidente da República. Nesta linha de pensamento, vejo em Alegre um homem com características ideias a ocupar o cargo, ao contrário do que acontece com os seus opositores. É precisamente acerca da figura política de Manuel Alegre que eu pretendo falar neste artigo, esmiuçando os traços mais determinantes da sua personalidade e mentalidade, de forma a justificar a minha escolha e a revelar ao mundo a minha opinião sincera acerca do candidato do PS e do BE.

Impressões iniciais de Manuel Alegre em mim

Manuel Alegre

Na sequência da minha tomada de conhecimento da figura política de Manuel Alegre, o deputado poeta rapidamente se tornou uma referência para mim. O seu modo de falar convicto e sonante fascinava-me, numa fase da minha vida em que o meu contacto com a política se baseava em aspectos mais elementares e nas ideias políticas do meu núcleo familiar, felizmente liberais e bem fundamentadas, além de imparciais ao nível da informação que me era facultada.

No entanto, se a minha admiração por Manuel Alegre se baseava em dados pouco fiáveis, era também muito mais débil e susceptível de ser abalada. E assim, com outros dados que foram começando a surgir do exterior, acabei por me deixar levar, acabando por perder alguma da consideração que tinha por Alegre. Digamos que, por exemplo, a sua candidatura às eleições presidenciais de 2006, como independente, que dividiu e enfraqueceu a esquerda, abrindo portas à vitória de Cavaco Silva, foi uma dessas atitudes que me fizeram desvalorizar a sua postura política.

Em todo o caso, não foi a única: de um modo geral, aquela sua faceta orgulhosa de quem afirma que a mim ninguém me cala! acabou por provocar em mim uma descredibilização da sua pessoa e da sua capacidade de ocupar um grande cargo nacional. Compreende-se, assim, a confusão de pensamentos perante a qual me deparei a dado momento, quando confrontado com o vulto de Manuel Alegre. Bem, nada como factos para solucionar o problema!

Um lutador de causas nobres, capaz de pensar por si mesmo

Acerca de Manuel Alegre, lançando um olhar ao seu percurso biográfico e político, encontramos uma infinidade de marcos de grande dignidade, demonstrativos de uma grande coragem e de um espírito lutador sem precedentes. No combate ao sistema político que vigorava em Portugal aquando da sua juventude, Alegre sacrificou sempre a integridade do seu nome e do seu estatuto como cidadão português em detrimento dos ideias de democracia e igualdade em que acreditava, não recuando perante as adversidades mesmo na iminência de graves ameaças. Exilado por força da necessidade, continuou a trabalhar na libertação da pátria, nunca hesitando em agir de acordo com os seus objectivos para o pais. Posteriormente, instaurada a democracia, Alegre exerceu diversos cargos constitucionais, nomeadamente no Parlamento, onde manteve sempre a mesma postura convicta e firme na luta pelas suas posições.

Acima de tudo, de todo este extenso historial, há que ressalvar a sua energia, a sua atitude de confiança e a sua autonomia na tomada de decisões constituem excelentes qualidades, fundamentais para o exercício da actividade política. A combinação destas grandes virtudes permite a Manuel Alegre analisar cada assunto adoptando uma perspectiva livre, isenta de condicionantes de ordem partidária. Deste modo, o candidato apoiado pelo PS e o BE sabe defender aquilo em que acredita de forma desinteressada e autónoma, sem os preconceitos e tabus que se encontram noutros políticos. Esta é, sem margem para dúvida, uma mais valia.

Os aspectos negativos: orgulho excessivo

Contudo, penso que Alegre acaba por levar essa sua forma de ser e agir ao extremo, chegando ao ponto em que a qualidade passa a defeito. Isto porque, na sequência da sua liberdade de deliberativa, não se limita a adoptar uma postura divergente das dos outros partidos políticos: ele entra em conflito com as vozes discordantes, num jogo de provocações em que as causas nobres pelas quais se bate correm o risco de ser secundarizadas por essas questões inferiores. Isto acontece de forma ridícula, podendo ser facilmente evitado se o próprio assim o entender.

É pela razão que acabei de enunciar que tenho algumas reservas em apoiar declaradamente e sem hesitar a sua candidatura. No fundo, receio que Manuel Alegre, apesar da sua capacidade de isenção, acabe por romper de forma violenta com os partidos, numa guerra em que a sua sede de protagonismo falaria mais alto do que as preocupações com o estado do país. Assim, os motivos que me fazem duvidar um pouco de Manuel Alegre provêm do seu próprio carácter, da vaidade orgulhosa que o entusiasma e por vezes o leva a agir de um modo desajustado em relação às situações.

Defeitos que se podem corrigir facilmente

Candidato a Belém 2011Naturalmente, estas ideias são um pouco vagas, baseando-se num conjunto de discursos de Alegre que chegaram até mim pela televisão e na minha interpretação das notícias que vinham surgindo acerca da sua figura política, principalmente desde a campanha eleitoral das Presidenciais 2006. Convém frisar aqui que não tenho sido, durante este tempo, um acompanhante assíduo da vida política portuguesa, embora tenha procurado sempre estar minimamente informado acerca das principais notícias da actualidade, compreendendo também a importância da política, como a base organizativa da nossa sociedade.

Porém, acima de tudo, estas minhas concepções prendem-se com os discursos de Manuel Alegre numa época restrita da sua longa carreira política, sendo por isso passíveis de serem modificadas caso o candidato a Belém altere a sua conduta, corrigindo os aspectos que critiquei, relegando o orgulho e a vaidade para um plano insignificante.

Respeito totalmente a figura de Manuel Alegre e reconheço nele as grandes qualidades que anteriormente referi, claramente ausentes em Cavaco Silva. São bons motivos para apoiar o candidato poeta, que fazem dele indubitavelmente a opção mais válida, mas que podem ser desperdiçadas de um modo ridículo, por culpa do seu desejo de prestígio, venenoso para o país.

Expectativas para a Eleição de Manuel Alegre

Ainda assim, a liberdade intelectual de Alegre e a sua coragem na tomada de decisões são requisitos fundamentais no contexto socioeconómico e político de Portugal, que deverão ser efectivamente postas em prática no caso de vir a ser eleito. A vaidade não poderá constituir um entrave ao bom desempenho das funções de Presidente da República por parte de Manuel Alegre, que reúne todas as condições para ocupar o cargo.

Deste modo, espero que Alegre saiba usar o poder das palavras, erguendo a voz do alto do seu posto de comando, em defesa dos direitos da população portuguesa e da integridade económica e social do país, lutando pelas boas causas que preconiza. Espero um Presidente consciente dos seus deveres e obrigações para com o povo português, que faça um uso justo e equilibrado dos seus poderes, analisando livremente as questões nacionais e agindo em benefício do país, adoptando as necessidades do país como o verdadeiro critério de base para a sua actividade política.

A defesa do Estado Social

Sublinharei outro aspecto muito importante, que merece ser destacado pelo contexto socioeconómico actual, no qual a atitude lutadora e protectora do povo de Manuel Alegre terá certamente uma importância acrescida. Como sabemos, o país atravessa uma grave crise económica, com os elevados valores da dívida externa e as fortes pressões dos mercados internacionais a condicionarem de forma determinante todas as medidas governamentais tomadas pelo Estado. Esta situação leva a que as necessidades da população sejam transportadas para um plano inferior, podendo gerar consequências sociais nefastas, caso nenhuma voz preponderante se insurja em defesa dos cidadãos. Muito simplesmente, não vislumbro nenhum outro candidato aplicado em defender o Estado Social com tanto ânimo.

Manuel Alegre tem, de facto, dado provas de uma preocupação verdadeira e sincera com a salvaguarda das condições de vida da população, defendendo a manutenção do Serviço Nacional de Saúde e do Ensino Público Gratuito, afirmando muito claramente que não hesitará em vetar qualquer lei que ponha em causa os direitos básicos dos portugueses. Sabemos, por exemplo, que Manuel Alegre nunca permitirá que os trabalhadores sejam despedidos sem justa causa, fazendo uso dos seus poderes de Presidente da República para impedir esse cenário. Deste modo, num momento em que o dinheiro controla tudo e todos, a eleição de Manuel Alegre surge como a única forma de colocar em Belém um vulto de autoridade que lute pela justiça da sociedade portuguesa e pelos direitos de todos os cidadãos.

Patriotismo e Vontade

Manuel Alegre confiante e patriótico

Além destes aspectos que fazem de Alegre um homem com características ideias a ocupar o cargo mais alto da hierarquia política portuguesa, realço outro factor muito importante: o patriotismo genuíno que alimenta a chama lusitana de Manuel Alegre. Pensando bem, mesmo salvaguardando a necessidade de uma distinção entre a sua carreira literária e a sua carreira política, quem não se contentaria de ver um poeta da alma nacional como a figura mais importante do país?

Parece-me a mim que Alegre é de longe o candidato que apresenta um fulgor patriótico mais intenso, uma força de ânimo que o impele na luta pelo futuro do Portugal ama tão vigorosamente! Assim, o patriotismo de Alegre e a sua postura resolutamente convicta, de quem não hesita em agir em prol do seu país, são outras componentes fulcrais que não podem ser esquecidas no retrato da sua personalidade política e constituem outro argumento a favor da sua candidatura.

Confiemos na sua capacidade para gerir as funções de um Presidente da República! Manuel Alegre tem a alma e a atitude precisas para ser um bom chefe de estado e lutar pela superação dos problemas que vão assolando o nosso Portugal! Sim, Alegre saberá pôr de parte as querelas e vaidades em prol de um bem maior. Apoiemos a sua candidatura!

Sintetizando e Concluindo

Em suma, vislumbro em Alegre um conjunto de atributos brilhantes que podem fazer deste candidato um grande Presidente, com um papel activo na resolução dos difíceis problemas que se avizinham, funcionando como moderador político e um verdadeiro representante de todos os portugueses. Pelo contrário, Cavaco Silva não reúne as características necessárias para ocupar o cargo com apostura adequada, algo que ficou bem provado no mandato anterior.

Ficaria, portanto, desolado se visse que os aspectos controversos de Alegre teriam descredibilizado a sua candidatura e motivado o eleitorado de esquerda a votar em Cavaco Silva, vendo no sorriso amarelo do actual Presidente a solução mais fácil para o problema das eleições, persuadidas afectivamente em vez de pensarem no melhor para o país numa perspectiva de futuro.

Espero agora que Manuel Alegre seja inteligente durante o resto da campanha eleitoral e que saiba convencer os indecisos a votar pelo progresso e pela imprescindível frontalidade na forma de lidar com os problemas do país. Sim, espero que as qualidades de Alegre falem mais alto. E espero estar enganado em relação à sua conflituosidade e vaidade, para que ocupe o cargo de Presidente da República com dignidade e responsabilidade, dando uso às suas capacidades, invulgares entre os políticos da actualidade.

Por fim, correndo o risco de me precipitar um pouco, estou em crer que Manuel Alegre tem vindo a moderar o seu habitual ímpeto verbal, na medida em que os seus discursos já não assumem contornos tão conflituosos como acontecia recentemente, mantendo sempre aquela tonalidade viva e revigorante de quem se sente com vontade de lutar pelo sucesso do seu país. Esta é a razão pela qual eu cada vez mais acredito em Alegre: alguém que se bate pelas causas em que acredita e decerto buscará, incessantemente, o melhor para os portugueses!