Singularidades da Invisibilidade (parte 1): Chuva de Questões

Enigmas da ciência e da filosofia

Pura I v s b l d d

Já alguma vez pensaram na (im)possibilidade de virem a experimentar a sensação (ou devo dizer o poder) da invisibilidade?

Claro que sim! Quem nunca imaginou o doce (ou talvez não tão doce assim) sabor de ver sem ser visto, sentir sem ser sentido, existir e não dar se dar a conhecer ao mundo?

E como seria se efectivamente vivêssemos em tais circunstâncias? Que uso faríamos desta nossa nova característica? Que alterações se manifestariam na nossa interacção com a sociedade, o que mudaria na nossa relação com o exterior? Mas, acima de tudo, qual seria a reacção da nossa mente, do nosso intelecto, da nossa personalidade, em função deste novo estado existencial? Haveria espaço para mutações psicológicas?

Filosofia do poder e dilemas de consciência

Dilemas de personalidade

Doctor Jekyll and Mister Hyde, um clássico de fantasia e terror que tem inspirado milhares de artistas e pensadores.

Esta gradação guia-nos ao cerne de uma importante questão da filosofia, que qualquer pessoa pode analisar individualmente, independentemente dos seus antecedentes. Sim, acabei de atingir o grande dilema que se coloca a qualquer alma humana quando detentora de um vasto poder sobre os seus semelhantes, que consiste na escolha dolorosa entre duas opções antagónicas.

A primeira será aquela em que o indivíduo acaba por sucumbir à ganância dos seus desejos e age unicamente em função dos seus interesses pessoais, desprezando quaisquer direitos alheios simplesmente por não temer represálias. Na segunda, pelo contrário, continua a escutar a voz interior da moralidade (se ela existir), que o impele a usar o seu poder em prol do bem comum, de acordo com as necessidades dos outros seres humanos, fazendo prevalecer a bondade e a consciência social.

Neste tipo de situações hipotéticas, trava-se uma verdadeira batalha entre as duas facetas do ser humano, numa guerra incerta e gradual que acaba por determinar a componente da personalidade dominante. Um pouco como na novela de Robert Louis Stevenson Doctor Jekyll and Mister Hyde, certamente bem conhecida pela maioria dos leitores. Ora, um ser humano ao qual foi prodigalizado o dom da invisibilidade encontra-se forçosamente nestas condições, dadas as circunstâncias que já referi anteriormente.

Eu e a invisibilidade

Mas porquê esta insistência da minha parte na temática da invisibilidade? Porque, meus caros amigos, a invisibilidade representa, dentro dos capítulos da ficção científica, um dos que mais me fascina e me faz questionar diversos aspectos do meu conhecimento racional, que em termos científicos, propriamente ditos, quer a nível filosófico. De facto, livros, filmes e outros veículos culturais em torno deste sonho aparentemente tão distante exercem uma atracção muito forte sobre mim, ao ponto de os colocar nas minhas selecções de favoritos.

Cientificamente possível, mas não ainda

A invisibilidade pode ser conseguida desviando os raios luminosos de maneira a que contornem o objecto sem o atingirem. Tal seria possível  com uma capa composta por metamateriais que apresentassem um índice de refracção negativo.

A invisibilidade poderá ser conseguida desviando os raios luminosos de maneira a que contornem o objecto sem o atingirem. Tal será possível com uma capa composta por metamateriais que apresentem um índice de refracção negativo.

Além disso, a invisibilidade pode estar reservada para um futuro mais próximo do que à partida poderíamos pensar, devendo ser tidas em conta os vários projectos de investigação no assunto que se têm vindo a desenvolver no âmbito das pesquisas científicas e o nos progressos muito positivos que se estão a verificar nestas iniciativas.

Recentemente, por exemplo, investigadores israelitas conseguiram eliminar a libertação de radiação infravermelha por parte dos tanques de guerra, através de placas térmicas, o que os torna indetectáveis durante a noite. Não se tratando de um exemplo de invisibilidade na verdadeira acepção do termo, constitui um marco na cronologia desta investigação e uma prova de que o impossível se pode transformar em realidade num abrir e fechar de olhos.

No caso da invisibilidade humana, talvez dentro de algumas décadas tenhamos superado as complexas barreiras que se nos colocam neste momento! A solução que parece mais viável neste momento consiste na criação de um “manto da invisibilidade” (ao estilo de Harry Potter) constituído por materiais produzidos artificialmente, denominados metamateriais. Ora, estes materiais peculiares teriam a particularidade de apresentar um índice de refracção negativo, provocando o desvio da luz incidente segundo um ângulo tal que contornaria o objecto sem o reflectir. No entanto, persistem algumas dificuldades técnicas que obstam ao sucesso imediato da iniciativa. Ou seja, muitas pesquisas serão necessárias rumo à descoberta da invisibilidade!

Para uma compreensão dos fundamentos científicos associados a este assunto complexo, aconselho vivamente a leitura do 2º capítulo da obra A Física do Impossível, escrita pelo conceituado físico chinês Michio Kaku, capítulo esse exclusivamente dedicado à invisibilidade. Para uma explicação mais rápida e sucinta, aconselho que visitem este site.

Importância e interesse do assunto

Um dia, a invisibilidade humana será uma realidade. Todavia, antes desse dia chegar, devemos estar conscientes das implicações associadas a esta descoberta científica e das medidas que se teriam de tomar a fim de evitar situações indesejáveis, de impacto indeterminado na sociedade e no mundo.

Enfim, por todas as razões referidas anteriormente, fica prometido para breve um seguimento desta análise ao assunto da invisibilidade, com base num filme e num livro que me marcaram de forma muito relevante, merecendo por isso uma justa referência aqui no blogue.

The Invisible Mouse

Por agora, fiquem com um pequeno cartoon dos imortais Tom & Jerry, heróis da minha infância, assim como da de milhares de milhões de outras pessoas de diferentes gerações em todo o mundo. Foi através deste divertido momento de animação clássica que eu contactei pela primeira vez com a ideia de invisibilidade, começando assim este meu interesse pelo assunto. Obrigado, Tom and Jerry!

Saudações invisíveis!

Portugal – Jules – Beach – Verne – Soccer – Books

Saudações a todos os leitores (frequentes ou fortuitos) deste blogue. Na linha daquilo que tem vindo a acontecer ultimamente, este post surge depois de uma longa ausência da blogosfera, justificada pelos meus afazeres escolares e falta de vontade para escrever aqui no meu espaço. Assuntos, esses, não faltam, pelo que talvez se esperasse que o meu regresso ao mundo internáutico ficasse marcado por um artigo profundo, rico em conteúdo, pleno de significado, com uma mensagem a transmitir. No entanto, este post acaba por ser mais um dos Extras que começam a saturar o meu blogue.

Em todo o caso, acho que foi uma boa ideia reiniciar a minha actividade desta forma diferente, pois além de constituir uma maneira original de reabrir o blogue, tem também uma componente pessoal muito acentuada, dado que representa um somatório das minhas grandes paixões e interesses, entrelaçadas num complexo e intrincado sistema alfanumérico. Naturalmente, passo a explicar.

Como o leitor provavelmente saberá, sou um profundo admirador do futebol de praia em geral e da selecção nacional portuguesa da modalidade em particular, bem como um amante do vasto legado literário deixado pelo grande Júlio Verne.

Perante as tentativas de conjugar graficamente os nomes de jogadores da selecção nacional de futebol de praia com o nome do autor francês, levadas a cabo pelo meu colega Marco, decidi eu próprio aceitar esse desafio, concentrando esforços num projecto mais completo e abrangente. O objectivo seria incorporar as letras dos nomes Jules, Gabriel e Verne (os nomes do escritor na sua língua materna) nos nomes de atletas da equipa lusitana, procurando focar o maior número de jogadores possíveis, além de também serem referidos os números desses jogadores.

O resultado? Pode ser contemplado aqui em baixo, pois com certeza!

Durante a elaboração desse projecto, tive em conta várias regras, que foram sendo criadas por mim para fazer face aos problemas e necessidades do mesmo, além de lhe conferirem um carácter mais uniformizado:

1. São referidos no jogo (chamemos-lhe assim) todos os jogadores da selecção nacional de futebol de praia que têm constituído o corpo da equipa em 2009 e 2010. São também referidos o seleccionador nacional, José Miguel Mateus, o treinador-adjunto, Jhony Conceição, e o responsável pela equipa, João Morais.

2. A fim de possibilitar a integração de todos os membros da selecção nacional referidos anteriormente, foi acrescentado o adjectivo “ENORME” antes de “JULES GABRIEL VERNE”, enaltecendo a preponderância da obra do escritor. Cada nome tem de usar uma letra de “ENORME JULES GABRIEL VERNE”.

3.  Os nomes dos atletas têm de ser escritos na horizontal, da esquerda para a direita, a não ser na penúltima letra de cada palavra (“E” em “JULES”, por exemplo) ou na quarta letra a contar do fim de palavras com 6 ou mais letras (“O” em “ENORME”, por exemplo).

4. Se existirem iniciais, devem ser colocadas duas casas antes da primeira letra do nome do jogador, sendo o espaço em branco entre as duas casas ocupado por um ponto. No caso de o nome do membro da selecção nacional se tratar da conjugação de “Zé” com outro nome próprio, então deve ser escrito o segundo nome precedido por “ZE”, com um espaço negro entre eles.

5. Os números dos jogadores da selecção nacional devem ser referidos no final de cada nome, imediatamente a seguir à última letra, sem qualquer espaço entre o número e a letra. No caso dos membros da equipa técnica, esta indicação deve ser simplesmente ignorada. O facto de surgirem pares de jogadores com o mesmo número (2, 4, 5 e 9) é justificado tendo em conta que alguns destes jogadores representaram a selecção nacional em momentos diferentes, acabando os mais recentes por envergar as camisolas que outrora eram defendidas por outros atletas.

6. Os espaços entre duas palavras verticais (“ENORME JULES GABRIEL VERNE”) devem ser preenchidos de forma a obter afirmações rápidas e simples que incentivem o leitor a ler obras vernianas e a viver o futebol de praia, quer jogando quer assistindo.

Deste modo, consegui demonstrar que é perfeitamente possível fazer combinações interessantes e esteticamente aceitáveis tendo por base assuntos tão diversificados como Júlio Verne e a selecção portuguesa de futebol de praia. Acho que a nossa imaginação não tem limites, sendo que esta capacidade humana de criar coisas novas devia ser mais valorizada. As ideias, como disse hoje o professor António Câmara (numa conferência muito interessante que decorreu na minha escola e à qual tive o prazer de assistir), são a base de tudo, o que faz da aptidão para encontrar uma ideia original e revolucionária uma grande virtude, necessária ao progresso.

E assim se justifica um post diferente, escrito a horas avançadas da madrugada, onde consegui conjugar verdadeiramente as minhas 3 paixões… quero dizer, 2 paixões! Júlio Verne e o futebol de praia.

Onde que raio fui eu buscar a ideia da 3ª paixão? Talvez ao simbolismo da praia em si. Ou talvez ao meu sono incipiente, que me vai lentamente arrastando para uma calma noite de descanso, no meu leito tranquilo e confortável, palco de tantos delírios oníricos!

Jules Verne: a wonderful world to discover (6th part)

Eis o derradeiro folhetim relativo ao meu artigo em inglês sobre o magnânimo escritor francês Júlio Verne. Como sabem, trata-se de um trabalho de projecto para uma revista online coordenada pela minha professora da disciplina, que elaborei com muito amor e carinho pela obra verniana, que me tem inspirado ao longo do últimos anos.

Neste excerto falo da morte do grande herói e das homenagem que lhe foi prestada, terminando com uma referência pessoal à excelência da sua produção literária. Um até sempre, Júlio Verne!

O Mundo possui seis continentes: Europa, África, Ásia, América, Oceânia, e Júlio Verne!

Claude Roy

Jules Verne Monument in Madeleine Cemetery

Jules Verne Monument in the Madeleine Cemetery

Death and Tribute

In 1905, on the 24th March, Jules Verne passed away in Amiens. He was 77 years old and his death cause was a diabetes disease. The coffin was carried by four of the most important living persons at that moment: his new editor Louis-Jules Hetzel, Charles Lemire, from the Geographical Society, doctor Fournier, director of Amiens Academy, and the President of the Industrial Society. Jules Verne was a member of all these institutions and that was obvious in his beatiful funeral. He was sepulted in the Madeleine Cemetery and an imponent monument was constructed near his grave.

In the following days, Jules Verne death was noticed in all French newspapers and during the next weeks, many important people paid tribute to one of ther greatest heroes of the History of the humankind. His name will never be forgotten.

Jules Verne: a Hero to Remember… and Read!

The Extraordinary Voyages

His literary legacy is vast as space and include all sorts of compositions. Verne is mostly known by the adventures romances from the Extraordinary Voyages collection, which include 62 fantastic travel literature books. However, he also wrote other romances, some novels, many short stories, History books, theatre plays and even poetry.

The Extraordinary Voyages are a superb universe to be discovered. Jules Verne is a master in creating wonderful heart-stopping narratives in which he combines sceience and action, instruction and fun. His romances are not only a brilliant source of science, but also a very powerful geographical and historical knowledge instrument. The way Jules Verne does that is simply awesome: using an accessible but always expressive language, he alternates narration moments and sublime space descriptions, creating spectacular plots and revealing surprinsing cultural details.

Personaly, the mystery present in his stories and the eye-catching travelling adventures are the most captivating thing in his books. His unbelievable prediction abilities are another fabulous point of Jules Verne literature. How was he able to foresee the invention of the submarine, the trip to the moon, the flying machines and many other milestones in the History of science and technology? These are the main reasons why I consider Jules Verne so important and I suggest all readers to try one of his books. I’m sure you will like.

Jules Verne: a wonderful world to discover (5th part)

Cumprimentos vernianos aos leitores deste blogue. Eis o quinto e penúltimo excerto do meu artigo em inglês sobre a vida e obra de Júlio Verne. Como sabem, trata-se do meu trabalho de projecto na disciplina, constituindo uns escassos mas eventualmente decisivos 5% na nota do 2º período, e está disponível na cool m@g, revista online criada pela minha professora de inglês (não sei quantas vezes já escrevi isto).

Neste fragmento do artigo poderão ler uma descrição da última fase da carreira literária do escritor, enveredando pelos caminhos do cepticismo em relação ao valor da ciência e ao uso que os adventos tecnológicos do futuro poderiam vir a ter. Após a caracterização da obra, faço uma breve referência à actividade política do escritor visionário que, além de mestre das letras e das ciências, tinha espírito empreendedor e muita vontade de lutar por um mundo mais justo e melhor. O folhetim de hoje termina com uma alusão à cooperação saudável que se estabeleceria entre Júlio Verne e o filho Michel, muito frutuosa em termos de produção literária e dúvidas quanto à autoria dos livros.

Amanhã finalizarei o tópico (já chegam de posts vernianos!) com a apresentação do excerto relativo à queda de um herói e à perpetuação da sua memória ao longo dos tempos.

Third Phase: Science Criticism

The Secret of William Storitz

The Secret of William Storitz

The troubled life esperience and the pessimist philosophical theories dated from the last decades of the XIX Century influenced Jules Verne books and impelled him to the last stage of his long carrier: the criticism of science. His third literary phase started in 1892, when his book The Carpathian Castle was published by Louis-Jules Hetzel (Pierre-Jules Hetzel’s son). The books written in this period are a reflection on the many applications science may have and the probable consequences of a bad use of science.

Facing a Flag, Master of the World and The Secret of William Storitz are some of the latest romances by Jules Verne. Most of them explre the dangerous situations the humankind may have to cope with in case science serves evil intentions. In this last stage of his career, the core of his literature went back to sceince, but this time Jules Verne took in consideration the dark side of technology. Human issues such as armed conflicts and independence wars were also criticized in a hard way in these works and that is the reason why his latest romances contain a severe criticism in what concerns human faults like greed or selfishness.

Politician Carrier: Municipal Council

Jules Verne by the time of his politics debut

Since the moment when Jules Verne permanently moved to Amiens, he started living in a quiet peaceful mode, with no more trips and a comfortable place to spend the rest of his days, writing new romances. However, Jules Verne wanted to get out of that dilettante lifestyle. Hopefully, he had a brilliant idea and he decided to take part in local politics. In May 1888 he candidated himself for the Municipal Council of Amiens and he was ellected. Verne played an important role in local government, fighting for the human rights and justice. His main priorities were unquestionably human health and education.

Michel Verne: Working Together with his Father

Michel Verne as a responsible adult

Michel Verne as a responsible adult

By that time, Michel finally settled down and he started getting on well with his father. He was taking his first steps in is career by writing some science articles and his father felt very proud of him, appreciating his literary style. Jules usually gave some useful tips to his son and they even started working together since that moment.

There is a lot of controversy regarding the authorship of many works, such as The Lighthouse at the End of the World, Volcano of Gold, In the Year 2889 and The Eternal Adam. Some of these books were written by Jules and Michel in association with each other, but the major part of them are original Jules Verne’s romances which were modified by his son after his death. Fortunately, today there are some searchers who can separate the books 100% from Jules, the works by Michel, the stories written by both of them and Jules’s romances altered by Michel.


Jules Verne: a wonderful world to discover (4th part)

Saudações vernianas aos seguidores do blogue e leitores ocasionais. Ontem resolvi acompanhar a função pública portuguesa e estive de greve. Como tal, não publiquei nada de novo aqui no meu cantinho. E assim quebrei a linha de um post verniano por dia.

Como sabem, escrevi um artigo em inglês para esta revista online coordenada pela minha professora e decidi publicar o texto aqui no blogue, procedendo à sua divisão em folhetins, um por cada dia da semana. Depois das três primeiras publicações 2ª, 3ª e 4ª feira não me lembrei de colocar a parte de 5ª feira. No entanto, este facto não será relevante a longo prazo, visto que neste mesmo post vou colocar o quarto segmento do artigo, amanhã (Sábado) publico a quinta parte e depois (Domingo) apresento o grande final.

Neste quarto excerto que vos apresento começo por estabelecer a transição da escrita verniana para a sua segunda fase, mais ligada a questões humanas, relegando a ciência e a técnica para um segundo plano, e caracterizo os principais aspectos das obras deste período. Posteriormente, dou seguimento ao relato entusiasmado dos pormenores do percurso biográfico do herói, dando especial destaque aos momentos felizes das viagens do Saint-Michel III e aos três golpes profundos que abalaram a sua vida em finais de 1885 e princípios de 1886.

Experimentem o texto! A liberdade para comentários e sugestões é total, como sabem.

Second phase: Laic Humanism

Michel Strogoff: original illustration from one of the most significant moments of the story An illustration from Michel Strogoff

In 1876, he wrote a new book which was very different from the previous ones: Michael Strogoff. This tells us the adventures of a Russian fearless man who worked as the courier of the czar, facing a wide range of difficult challenges during his dangerous journey from Moscow to Irkutsk. It is a very emotionally strong story and it represented a turning point in Verne’s literary production. In fact, he stopped considering science as the centre of his romances and he began extending his stories to human questions which started holding the major role in vernian literature.

The books Dick Sand, a Captain at Fifteen, The Green Ray, Robur the Conqueror and North Against South are just some of the romances fitted in this second phase of Jules Verne literature. These sublime books contain interesting humanistic or philosophical ideas and represent symbolic hymns to the spiritual qualities of the human beings. Science is clearly thrown into a second level since it is overtaken by a laic humanism. Although some of these books evoke scientific issues, the story is always narrated through a social or human point of view and the characters conquer a deeper emotional dimension.

Happy Years for Jules: Saint Michel III

Saint-Michel III: a wonderful sailing treasure for Jules Verne

Saint-Michel III: a wonderful treasure for Jules Verne

By the time Jules Verne wrote these books, he was a happy middle-aged man. His literary success and the representation of the play Around the World in Eighty Days made Jules Verne a world famous writer and helped him in the financial way. In 1878, he had enough money to invest in whatever he wanted to and he decided to buy a ship: Saint-Michel III.

It was a 28 meter yacht which delighted Jules Verne between until 1884. He used to travel along his brother Paul by Northern Europe and the Mediterranean Sea, visiting some of the most iconic places from these regions. Sometimes they were joined by Honorine, who also enjoyed the sailing adventures, in spite of the nauseas she had to face.

At the same time, Michel Verne was an adult at that moment and he was no long a problem for his parents. Although he had a troubled life in the decade of 1880, Jules and Honorine didn’t cared about him and they simply broke relations with their son. The couple moved permanently to a beautiful gardened mansion in Charles-Dubois Street (Amiens) and they had some fine days during that period.

Three heavy blows

However, in 1885, Saint-Michel III maintenance became too expensive for the couple and they had to sell the ship. This was a heavy blow to Jules Verne who loved the sea and was fond of his boat.

2 Charles-Dubois Street: Jules Verne's residence in Amiens

2 Charles-Dubois Street: the vernian residence

In addition, on the 9th March of 1886, he was shot by his own nephew, who had a mental disease. When Jules Verne was arriving at home, retarded Gaston fired at him twice. Fortunately, one of the bullets got lost and the other just hit his right leg. Despite his lucky escape, Verne needed to receive medical treatment and he became lame for the rest of his life.

Some days later, on the 17th March 1886, his long time editor and close friend Hetzel died. It was the third storm in a row Jules Verne had to face during that difficult time. Hetzel played a significant role in his literary success not only by publishing all his new books but also by helping him with helpful advices and constructive critics in order to improve his style. Unfortunately, Verne was lying in his hospital bed when he was told Hetzel had died and he couldn’t attend to his friend funeral. This difficult challenges shaked Verne’s life and threw him into a strong depression which had an obvious impact in his literature.

Jules Verne: a wonderful world to be discovered (3rd part)

Começo com saudações cordiais aos leitores deste blogue. Estão perante mais um post da longa saga verniana, no seguimento da publicação do artigo sobre a vida e obra do escritor genial. Como sabem estou a editar o artigo que escrevi para uma revista online em inglês da escola, em vários posts, um por cada dia da semana, para distribuir melhor a informação e tornar os textos mais apelativos (para este efeito também tenho recorrido a umas quantas imagens).

Hoje revelo momentos determinantes da carreira de Júlio Verne, partindo da difícil decisão de abdicar do ecletismo literário do qual tanto gostava. Num segundo segmento, caracterizo a primeira fase da obra verniana, referindo as suas principais obras e realçando o seu cariz científico e optimista. Por fim, após uma prolongada incursão ao mundo literário de Júlio Verne, regresso à esfera pessoal do escritor, relatando uma etapa complicada da sua vida, sobretudo em termos familiares.

Não deixa de ser curioso que um dos períodos mais fascinantes da produção literária de Júlio Verne coincida com momentos aflitivos de grande tensão doméstica. Enfim, não há vidas perfeitas. Felizmente, seguindo os exemplos positivos das suas personagens fabulosas, o maior literato que Nantes alguma vez viu nascer logrou a superação de todos os seus problemas. Mas isso fica para amanhã…

A dilema: Hetzel or diversity?

Pierre-Jules Hetzel: the critical editor and trustful friend of Jules Verne

Pierre-Jules Hetzel: the critical editor and friend of Jules Verne

Motivated by the positive impact of his first romance and the popularity of his theatre plays, Jules Verne soon started working on new projects. He didn’t know exactly what kind of books he was going to wrote, so he tried something totaly different: Paris in the Twentieth Century. This was supposed to be a science fiction romance whose main purpose was to predict how the French capital would be 100 years later and to criticise that future society in a pessimist way. Despite Verne’s powerful prediction abilities, Hetzel didn’t enjoy the literary style of the book and rejected the manuscript.

The refusal from Hetzel and the incisive book review the editor had made meant that Jules Verne had to choose between to possibilities:                                         1) writing everything he wanted to, producing all sorts of literature and looking for another editor;
2) focusing in adventures stories and travel narratives, which would require to forget his other projects, but would be a sensible decision because of Hetzel’s approval.

Jules Verne ended up by chosing the last one and he soon developed his second travel romance: The Adventures of Captain Hatteras. As it would be expected, Hetzel overjoyed when he read the new narrative an he didn’t need to think before deciding to publish the book. This beautiful story about a journey in the Artic region was another formidable success and catapulted the series of the Extraordinary Voyages.

First Literary phase: Positivism and Science

Around the Moon: Columbiad, the first spaceship in History

In the following years, Verne’s literary production was simply amazing. Journey to the Centre of the Earth, From the Earth to the Moon, Twenty Thousand Leagues Under the Sea and Around the World in 8o Days are the most famous titles from those he had wrotten between 1864 and 1872. In fact, these four titles are probably the most well-known of his whole carrier and they are undoubtfuly among the top readest books of world literature.

In Journey to the Centre of the Earth, a German geologist tries to reach the Centre of the Earth planet through an extinct volcano in Iceland, followed by his nephew and a local guide. From the Earth to the Moon tells us the arrangements for a sruprising trip onto the Moon (please don’t forget it was written in the XIX Century) until the departure. The action is retaken until the end of the journey in a a continuation volume, called Around the Moon.

Twenty Thousand Leages Under the Sea: Fight Against the Squids

Twenty Thousand Leages Under the Sea: Fight Against the Squids

Twenty Thousand Leagues Under the Sea is the fantastic report of an awesome underwater trip across all the oceans of the Earth aboard the Nautilus, a wonderful submarine built and habited by misterious Captain Nemo and his crew. All the facts are narrated by Porfessor Aronnax, who is forced to stay in the Nautilus among with his servant Conseil and the Canadian fisher Ned Land. Finally, Around the World in 8o Days is a futurist romance in which Jules Verne shows his belief on the possibilility of circling the Earth in an 80 days term.

The first 15 romances written by Verne constitute the first part of his literary carrier. This stage is usually known as the positivist phase of Jules Verne, base on the philosophical doutrine by Auguste Comte. These first books are settled in questions related to science and technique, thinking about the wonderful possibilities offered by scientific research.

The reader gets inside a fantastic adventures story in which the termodynamics and other scientific subjects are deeply explored and lead to some incredibile situations. These are the most optimist Verne’s romances and that is clear when we look at the characters’ personality.

Family Problems: Michel Verne

Michel Verne as a child: a massive headache for Jules Verne

Michel Verne as child: a massive headache for Jules Verne

By the time these great books were published, the Verne family used to spend the summer months in Crotoy, in Picardy, living in Paris in the rest of the year. However, when the Franco-Prussian War culminated, in 1870, Honorine and their children moved to Amiens, lookinf for safety, while Jules kept living in Paris.

He used to spend much of his time writing new romances away from his family and travelling around the globe. That is the reason why this period was so harmful for the family dynamics. As a consequence of his long absences, Michel Verne had too face some difficult problems during his childhood and he used to express his unhappiness by misbehaving himself. Jules and Honorine sent their son to an internate, but his emotional unbalance continued until he became an adult.

One curious fact is that both his books In Search of the Castaways and Dick Sand, a Captain at Fifteen worked as a way of expressing his sadness feelings regarding his strange problematic son. These romances were written by Verne in order to idealize his perfect concept of youth and he managed to do that by creating amazing characters aged under 18, whose bravery and courage was much bigger than it would be expected from a child.

Jules Verne: a wonderful world to be discovered (2nd part)

No seguimento do que tinha dito anteriormente, apresento mais um excerto correspondente ao meu artigo em inglês para a revista online coordenada pela minha professora: a cool m@g. Como devem saber, o tema do texto é a vida e obra de um dos maiores heróis da História da Literatura e da Humanidade: Júlio Verne.

Este segmento debruça-se sobre os primeiros grandes projectos literários de Júlio Verne, desde as peças de teatro em Paris ao seu primeiro romance de aventuras, Cinco Semanas em Balão, bem como um importante momento da vida do escritor: o seu casamento duradouro com a bela Honorine Devianne.

Enfim, espero que aprendam um pouco mais sobre o assunto. Amanhã colocarei a terceira parte do artigo e será assim até ao fim da semana! Já sabem que estou totalmente receptivo a qualquer comentário ou crítica!

First Projects: Theatre Plays and Something Else

Júlio Verne em Paris, na flor da idade (jovem adulto)

Jules Verne at Paris by the time of his theatre plays

By this time, in the decade of 1850, Jules Verne needed to have some kind of job to subsist, thus he started working as a cambist, even though he didn’t enjoy it very much. Fortunately, he always had enough time to literary production and he eventually found himself writing theatre plays, since 1853. Lyricism was in vogue and Jules Verne was quite successful as a dramatist. His drama productions had a strong effect when they were put on stage, as well as the librettos he wrote for some operas. All these events were taken at Théatre-Lyrique and Bouffes-Parisiens.

With his playwriter carrier launched, Jules Verne obtained a prestigious status in Paris, feeding the dream of writing a romance. Beetween 1851 and 1853, a local magazine had already published some novels written by him. Therefore, why wouldn’t he be able to accept the challenge and try to write his first romance?

At the same time, Jules Verne met an iconic explorer and geographer, named Jacques Arago, who has been travelling by all parts of the world and managed to atract Jules with his wonderful stories of wonderful places, exotic cultures and entirely different realities. This would be determinant not only for his first adventures book, but for all titles from the Extraordinary Voyages.

Getting Married: Honorine Devianne

Honorine Devianne pela altura do casamento com Júlio Verne

Honorine Devianne by that time

By the time Jules Verne was shining with his theatre plays, his mother wrote him in order to talk seriosuly about the importance of getting married. Sophie Verne insisted a lot in this idea and tried different sorts of strategies to convince her son. Jules was not very excited at first, avoiding his mother advices by postponing the wedding. However, when one of his friends got married, he met Honorine Devianne and eventually fell in love with her. This happened on May 1856. One year later they were married.

Honorine was a widow and she had two daughters by the time she married Jules Verne. The new family started living in his house in Paris, but they moved a lot in the first years sfter the wedding. The only child of the couple, Michel Verne, was born in the 3rd of August 1861. By this time, Verne started travelling a lot, visiting Great-Britain with his friend Aristide Hignard. This was the begining of a new era of his life: wife, son and journeys all around the world.

First Romance: Five Weeks in a Balloon

Five Weeks in a Ballon: picture from the Hetzel illustrations

Five Weeks in a Ballon: picture from the Hetzel illustrations

The year of 1862 was quite special for Jules Verne since he wrote his first romance. With an established life in terms of family and some kind of inspiration resultant from the trips, Verne finally found out his greatest skills and produced a tremendous book: Five Weeks in a Balloon, a magnificent journey in a ballon over the African torrid landscapes. As he would need to talk to an editor if he wanted to publish the romance, he looked for Pierre-Jules Hetzel and showed him the manuscript.

Hetzel, who was an active republican and had played an important role in the political fights in the past, was a very respected editor at that time and had already worked together with Honoré de Balzac, Stendhal and George Sand. He appreciated Jules Verne’s romance and accepted publishing it. They sealed a contract and Five Weeks in a Balloon come to the bookshops in January 1863. There is no doubt the book was a huge success and it represented a turning point of the writer’s carrier and a very important step towards a strong friendship between Verne and Hetzel.

Jules Verne: a wonderful world to discover (1st part)

Como certamente terão reparado, andei ausente da blogosfera durante o fim-de-semana (exceptuando um comentário casual no blog do Marco). Esta falta de assiduidade tem um motivo simples: andei a trabalhar no meu artigo para a revista online coordenada pela minha professora de inglês: a cool m@g.

Trata-se de um projecto escolar original, ideia da professora no ano lectivo de 2007/2008, que continua no activo actualmente e constitui um elemento de avaliação a ter em conta para as turmas do 11º ano (vale 1 valor da nota final do período).

Naturalmente que não se exige que o aluno escreva um texto demasiado complexo. Basta um pequeno artigo sobre qualquer coisa do interesse do jornalista em questão. No entanto, quem me conhece sabe que não gosto de tratar um assunto pela rama e procuro sempre explorar os temas em profundidade, desvendando novos caminhos e aprendendo um pouco mais com a realização do trabalho. Se o projecto incidir sobre algo do meu interesse, então esse efeito corre o risco de se sujeitar a um agravamento deveras acentuado.

Basta anunciar que o tema do artigo foi a vida interessante e a obra sobrenatural do escritor francês Júlio Verne para dar a entender o meu entusiasmo durante a realização do artigo e a sua extensão descomunal. Digamos que me excedi um pouco e elaborei um artigo com mais de 3400 palavras, o que me ocupou mais de 6 páginas no documento do Microsoft Word em letra Verdana, tamanho 10.

Utilizando  como base a parte inicial do não menos extraordinário livro Júlio Verne – Da Ciência ao Imaginário, procedi a uma longa narração dos factos que compuseram a vida do grande mestre e das principais características das três fases da sua obra. O texto acaba por ser muito ambicioso, procurando deitar um olhar geral sobre a literatura verniana, sem apresentar tantos pormenores como eu gostaria e as minhas dissertações sobre os temas abordados. De qualquer forma, o texto não deixa de ter um lado pessoal que evidencia o meu enorme carinho pelo autor e a minha profunda admiração pela sua obra excepcional.

Como não voltarei a fazer grandes textos informativos sobre Júlio Verne num futuro próximo (também tenho de variar um bocadinho) e gostava de partilhar os meus conhecimentos sobre o homem e a sua maravilhosa herança cultural, ao mesmo tempo que compensava esta ausência bloguística, decidi publicar o artigo aqui no blogue.

Dadas as suas dimensões inadequadas e o seu carácter pouco chamativo, achei que seria boa ideia publicar o texto por partes, dividido em vários excertos, ao longo da próxima semana (que também não se me afigura muito produtiva em termos de posts). Terá o aspecto de uma publicação por folhetins de revista, como era comum acontecer no tempo de Júlio Verne com os seus magníficos romances (antes da publicação em livro pelo editor Hetzel).

Fiquem com o primeiro número desta série semanal. Comentários e críticas são sempre bem-vindos:


Birth and Family

Paul Verne: Jules Verne's brother

Paul Verne: Jules Verne's younger brother

Jules Verne was born in the 8th February 1828 in the French city of Nantes, located in the mouth of the river Loire. His father, Pierre Verne, member of a nobel family from the centre of France, was a lawer and he raised Jules according to an authoritary education, based on some high moral principles. His mother, Sophie Allote de la Fuye, was a member of Nantes’s small nobelty and was always very kind and dedicated to him. Jules was the first son of the couple but Pierre and Sophie had four more children: Paul, Anna, Mathilde and Maria.

Paul was born later in 1828 and was unquestionably a very important friend for Jules. They started playing together during their childhood and kept united during their whole life, always ready to help each other when there was need. In what concerns his sisters, born beetwen 1837 and 1842, Jules fraternal relations didn’t go in the same way. He didn’t have much contact with Anna and Mathilde when he was an adult and the last one never recongnised his brother literary talent. However, he had a special afection by Mary, the youngest girl of the family, who used to be called Little Flower and kept a long healthy relation with his brother Jules.

Childhood and Studies

The first years of his fullfilled life were spent in the magic port atmosphere of Nantes. The Verne family used to live in a small beatiful house near the marine and Jules had the oppurtunity to grow up surrounded by the big commercial ships which came from the ocean, pitoresque fishermen boats coming down the Loire and all sorts of crafts sailing by the blue water of the river. Fascinated by the imponent beauty of the port activity, he started using his wonderful imagination power by creating sea stories in which he was the captain of the ship. Little Jules had fallen in love with the sea, begining a passion which would perdure until the end of his life.

Port of Nantes in the XIX Century

Port of Nantes in the XIX Century

As the time went by, Jules soon started school and he learned in the best ruled colleges, attending to his mother religous fervour and his father moral demands. He studied very well and when he was 15 his father allowed him to go to the Real College, which offered a modern progressist instruction. After it, his parents were expecting him to study law in order to follow the traditional carrier of his family, as all his antecessors used to be important lawers. However, after two annoying years studying law in Nantes, Jules break up with his motherland and moved to Paris, due to his first heartbreak and the ignorance of the local society which had blocked his relation.

Paris: the Centre of Literature

Jules Verne by the time he went to Paris

Jules Verne by the time he went to Paris and finished his studies

When Jules Verne arrived in the capital of France, in 1848, he was 20 years old. He decided to finish the law studies in order to satisfy his parents, but once he had obtained his graduation, he started thinking about writing literature and making it for life sustent. In fact, Jules didn’t feel motivated about spending his whole life studying laws and judging crimes. Therefore, he wrote to their parents explainig the situation and telling them about his new plans.

Jules Verne soon get involved in the fascinating literary soirées and found himself involved in the fruitful philosofical and political discussions of Paris. He was introduced in those nobelty cicles by his uncle, who presented him to the most respected writers of that time. This was how Jules Verne met Alexandre Dumas son and many young composers and artists living in Paris. Despite his admiration by the  literarium Parisian civilization, he was always very critical of the French aristocratic society and created his own cultural group, in association with some friends from the art and literature world.

Rick Wakeman: Journey to the Centre of the Earth!

Começo com saudações cordiais aos estimados leitores deste blogue. Hoje vou divulgar uma peça musical que descobri na semana passada e tem vindo a adquirir uma importância fundamental na minha vida neste últimos dias. Emocionalmente tem muito poder e conjuga a essência resplandecente de uma das maiores obras vernianas com uma extraordinária qualidade de construção musical.

Como o título indica, trata-se da peça Journey to the Centre of the Earth, interpretada pelo magnânimo teclista inglês Rick Wakeman. O álbum, Journey to the Centre of the Earth, do qual faz parte a música a que me refiro, trata-se de um dos mais prestigiados sucessos da sua carreira a solo e data do ano de 1974.

Rick Wakeman

Richard Wakeman nasceu em Londres, no dia 18 de Maio. A sua excelente formação musical, de feição clássica, conferiu-lhe uma espectacular técnica de teclado. Wakeman revelou-se desde cedo um autêntico virtuoso do piano, ao órgão, ao clavicórdio, diferentes modelos de sintetizadores e a todo o tipo de instrumentos musicais que envolvam teclas.

Este vulto do mundo das teclas foi um dos fundadores do Rock Progressivo e do Rock Sinfónico. Pioneiro no uso de teclados electrónicos, Wakeman revolucionou a música rock para teclado e coloriu a música das últimas décadas do século XX com as suas inovações fantásticas.

Corria o ano de 1970 quando Rick Wakeman se tornou mundialmente célebre, como teclista da banda The Strawbs. Nos anos seguintes, integrou a banda Yes, mas devido às suas relações tempestuosas com os restantes membros do grupo, a sua presença na banda foi muito intermitente. Wakeman desenvolveu uma extensa carreira a solo, associando-se frequentemente a outras figuras da música rock. Elton John, Alice Cooper e Lou Reed são apenas alguns dos nomes do rock e da música alternativa com as quais Rick Wakeman trabalhou.

Considerado por muitos o teclista mais dotado do rock, Wakeman apresenta uma extensa discografia, com uma infinidade de títulos nos quais aborda os mais variados temas, com especial incidência nos mitos e lendas britânicas, episódios da História de Inglaterra e assuntos ligados à temática da astronomia, a magia do cosmos.

Rick Wakeman em plena actividade musical: a transcendência da alma

Actualmente, aos 60 anos, a energia serena e penetrante que imprime nas suas músicas continua a iluminar as almas humanas, com as suas participações em concertos um pouco por todo o mundo. Num futuro próximo, Rick Wakeman vai actuar no Brasil, na Virada Cultural, que se realizará em São Paulo, nos dias 15 e 16 de Maio. Será precisamente nesse evento social e artístico que Wakeman fará as delícias do público com a interpretação de Journey to the Centre of the Earth, deleitando milhares de pessoas que se deixarão comover pela força suave e poderosa da sua música fenomenal.

O alcance emocional da sua arte é tremendo, tal é a inspiração sentimental de Wakeman quando os seus dedos sagrados percutem o teclado, tornando as teclas do piano mais resplandecentes do que nunca, também elas trespassadas pela magia da sua música.

Viagem ao Centro da Terra

A música Journey to the Centre of the Earth foi criada com base na obra imortal com o mesmo título do maior escritor francês de todos os tempos, o colossal e eterno Júlio Verne. Nesta fabulosa história de ficção científica, publicada em 1864, Verne narra ao leitor a fascinante viagem do professor de geologia alemão Otto Lidenbrock e do seu querido sobrinho Axel com destino ao centro da Terra.

Numa das suas pesquisas de biblioteca, Lidenbrock descobre um manuscrito de um alquimista islandês do século XVI com uma mensagem encriptada. Axel acaba por descodificar o conteúdo da mensagem, que afinal contém surpreendentes instruções no sentido de levar a cabo uma arriscada e muito aliciante viagem ao centro do planeta azul. Contrariando os receios do sobrinho, que estava noivo, Lidenbrock não hesita e faz-se ao caminho, utilizando todos os meios de transporte necessários para chegar à Islândia, a maravilhosa ilha vulcânica onde se erguia o Monte Sneffels, que deveria permitir a descida até às entranhas da Terra.

Uma vez na Islândia, Axel e o tio procuram alguém de confiança para os auxiliar na sua difícil empresa, acabando por encontrar Hans, um jovem vigoroso, leal e dedicado que lhes servirá de guia. E assim começa a viagem mais extraordinária e imaginativa da literatura de todos os tempos!

Não vos vou contar pormenorizadamente o que acontece no interior do vulcão, nas camadas mais profundas do planeta. No entanto, posso dizer que após as galerias tortuosas da chaminé vulcânica e da câmara magmática do Sneffels, os intrépidos viajantes descobrem algo que não esperavam certamente. Convenhamos que florestas de cogumelos gigantes, oceanos subterrâneos, monstros marinhos e dinossauros colossais não estavam nem podiam estar nas expectativas dos três aventureiros.

E assim, durante várias semanas, dois destemidos alemães e um bravo islandês socorrem-se de todos os meios que se encontram à sua disposição e sacrificam tudo aquilo que a sua natureza humana lhes providencia para tentarem aquilo que hoje sabemos ser impossível. Terão conseguido? Terão perecido nas entranhas da tão esfera terrestre? A resposta está num emocionante e viciante livro que todos os seres humanos deviam ler.

Júlio Verne e a sua maravilhosa obra: Viagem ao Centro da Terra

Uma reflexão sobre as capacidades do ser humano na luta pelos fins em que acredita. Um desafio às concepções dogmáticas da ciência da época. Uma soberba história de acção e aventura em que não falta absolutamente nada, nem mesmo um belo romance a coroar uma obra sublime a todos os níveis.

Pessoalmente, já li o livro há longos 5 anos, mas tenciono voltar a pegar nele num futuro mais ou menos próximo.

Journey to the Centre of the Earth

Nesta música, Rick Wakeman retrata a pavorosa viagem das personagens vernianas (e do próprio escritor, em boa verdade) ao centro da Terra de uma forma simplesmente esplêndida, conseguindo reproduzir na perfeição a magia profunda e inspiradora que só encontramos na grandiosa obra de Júlio Verne. Enquanto ouvimos as suaves e penetrantes melodias expressivamente libertadas por Rick Wakeman nos teclados dos vários sintetizadores, somos invadidos por uma estranha sensação de vivacidade, num misticismo surpreendente. Levados pela fantasia do som, somos transportados para a gloriosa epopeia representada pela Viagem ao Centro da Terra.

Começamos por escutar a bela e sonante letra da canção, simples, engraçada e profunda, exemplarmente interpretada pelo vocalista, que retrata a parte inicial da aventura dos corajosos viajantes. Depois, a música prossegue com um longo segmento sem voz, iluminado pela arrebatadora técnica de Wakeman, que se prolonga praticamente até ao fim da música, no momento em que se ouve um sonante Journey to the Centre of the Earth, soltado pelo vocalista.

Com motivos musicais espectaculares, uma melodia de base extremamente forte e apropriada ao assunto em questão e uma energia e vivacidade fora do vulgar fazem da prestação de Rick Wakeman nesta gravação musical ao vivo um autêntico marco da sua carreira e um ícone da expressividade musical. Apreciem a fantasia musical brilhantemente presente neste momento tão profundo:

Nota: Tomei conhecimento do músico e da espectacular obra de arte no blogue dedicado a Júlio Verne em língua portuguesa. Podem ver o post original aqui.

Ah! Grande Júlio Verne! Parabéns!

Fixem esta data: 8 de Fevereiro de 2010 (mas podia ser de outro ano qualquer).

Hoje comemora-se o centésimo octogésimo segundo aniversário do nascimento do colosso da literatura mundial JULES VERNE!

É verdade. Foi há precisamente 182 anos que o escritor mais lido e traduzido do século XIX veio ao mundo, na cidade francesa de Nantes. Um acontecimento aparentemente igual a tantos outros, mas que viria a alterar profundamente a história da literatura e da própria humanidade!

Jules Verne: um escritor visionário que antecipou os avanços da tecnologia do século XX

As suas obras, que relatam extraordinárias histórias de aventura, viagens, mistério e ficção científica, são simplesmente magníficas pela forma como conseguem cativar o leitor desde o primeiro contacto com o livro, através de uma mistura de ingredientes que as torna espectacularmente interessantes. Enredos incrivelmente bem estruturados, com intrigas que revelam uma imaginação prodigiosa, mas ao mesmo tempo perfeitamente inseridos na realidade espacial e temporal, com descrições detalhadas dos ambientes envolventes e todo um conjunto de dados históricos, geográficos e sobretudo científicos, fazem das histórias de Júlio Verne autênticas pérolas literárias, que cumprem distintamente todas as funções que a obra mais erudita pode ter.

Cada obra tem o seu encanto próprio. Cada história aborda um tema específico, debruçando-se sobre determinados assuntos. Cada livro é uma nova aventura, uma viagem à descoberta do mundo maravilhoso de Verne. Mas os vários títulos que compõem a obra de Júlio Verne são complementares um em relação aos outros, formando um conjunto muito vasto e abrangente.

Apesar de terem sido escritas no século XIX, mantêm o seu carácter actual e continuam a fazer as delícias de muitos leitores em todo o mundo. Acessível a todos os leitores, de todas as classes etárias, inclusivamente com diferentes preferências literárias, Verne proporcionou à humanidade um universo fantástico que deve ser aproveitado.

Claro que as pessoas são diferentes e nem todos vão colocar Verne no topo dos seus gostos literários. Ser verniano é algo mais profundo, algo que já vem no nosso sangue, uma forma mais profunda de viver e sentir a obra de Verne.

Porém, qualquer pessoa pode e deve ler Júlio Verne, como uma etapa importante da sua formação literária. E acredito que, se a escolha do primeiro livro foi apropriada, tendo em conta as características do leitor, certamente a experiência será positiva e Verne ganhará mais um adepto.

Mais uma coisa: não deixem de visitar o site sobre Júlio Verne em português, bem como o blogue dedicado a Júlio Verne em língua portuguesa e o respectivo fórum de discussão. A iniciativa é maioritariamente organizada pelo ilustre verniano Frederico Jácome, que tem realizado um trabalho notável na divulgação do nome e da obra do nosso escritor favorito nos últimos anos. Parabéns também à comunidade de vernianos em todo o mundo!

Muitos parabéns, Júlio Verne!

Verne sempre!

Nota: Este post não foi tão desenvolvido como eu gostaria. Pela minha vontade, teria falado muito mais no imenso legado verniano e concedido a este grande vulto na História da literatura o destaque que realmente merece. Mas os testes de Português e Física não mo permitiram. Enfim, fica para outra vez!