2010 (parte 1): Formação Académica, Olimpíadas de Física, Futebol de Praia

Não sei bem por onde começar. Digamos que 2010 terminou, dando lugar a um novo ano, com 12 meses repletos de acontecimentos, ainda não sabemos quais: 2011.

Da minha parte, desejo a todos os meus familiares/amigos/conhecidos/leitores um excelente ano novo! Faço votos para que todos gozem de uma saúde revigoradora, capaz de vos impulsionar para grandes conquistas, concretizando os vossos desejos! E sempre numa perspectiva de paz e harmonia na relação com os outros, que vos permita encarar o dia seguinte com alegria e vontade de contribuir para um mundo melhor!

Eu, pelo meu turno, tenho um conjunto de objectivos e expectativas pessoais para 2011, intrinsecamente ligadas ao balanço individual que faço do ano de 2010, que se vai distanciando progressivamente, apesar de se ter despedido de nós num passado tão recente. Bem, passemos então à minha retrospectiva de 2010 e projecção de 2011.

2010

Não me sinto capaz de descrever o ano de 2010 numa ou duas palavras, por isso começarei pelo princípio, pelos factos, que são dados concretos. Foi um ano em que operei a transição dos 16 para os 17 anos de idade, o que se verificou, mais precisamente, no dia 9 de Junho (de 2010, claro está). Foi também o ano em que concluí o 11º ano de escolaridade, no Curso de Ciências e Tecnologias, e iniciei o 12º ano, última etapa do Ensino Secundário antes da entrada no Ensino Superior.

Espreitando horizontes futuros, participei nas Olimpíadas Portuguesas de Física, tanto na Fase Regional (Sul e Ilhas) como na Fase Nacional, obtendo o apuramento para o fascinante programa Quark, que tem em vista a preparação e selecção dos estudantes a participar nas Olimpíadas Internacionais e nas Olimpíadas Ibero-Americanas. Cultivando outra grande paixão, assisti pela primeira vez ao vivo a jogos de futebol de praia, quer ao Mundialito em Portimão quer à Superfinal da Liga Europeia em Lisboa, em experiências maravilhosas.

Mais viajado no contexto nacional, não deixei de fazer uma pequena visita ao estrangeiro, visitando a capital brasileira (Brasília) numa estadia da minha mãe. A nível de saúde, tudo decorreu dentro da normalidade, com uma energia vital que sempre me permitiu encarar o dia seguinte com vontade (ignoremos o pequeno mas muito aborrecido contratempo associado à fractura da falange distal do dedo médio da mão esquerda).

Bem, acabei de enumerar alguns factos decisivos na minha análise pessoal do ano de 2010. Que interpretações poderei fazer destes e de outros acontecimentos?

Um ano sorridente

Bem, em primeiro lugar, direi que não posso deixar de sorrir quando contemplo, com alguma saudade, este inesquecível ano de 2010. Claro que não se compôs inteiramente de coisas positivas, albergando também, aqui ou ali, uma ou outra experiência mais desagradável. Contudo, os momentos negativos são muitas vezes melhor fonte de aprendizagem do que as alegrias da vida, algo que eu julgo poder aplicar ao meu ano de 2010: retirei ensinamentos positivos de cada acontecimento, de cada experiência, de cada atitude, minha ou alheia, e assim saí beneficiado de todo este processo, chegando a 2011 com uma maior preparação para a vida do que aquela que tinha 365 dias atrás. Além disso, penso que os tais aspectos negativos foram claramente ofuscados pela riqueza de experiências positivas que marcou este twenty ten.

Formação Académica

Passando ao exame da componente académica, verifico que os meus objectivos foram alcançados com sucesso. Tanto o 2º como o 3º períodos lectivos do 11º ano decorreram dentro das minhas expectativas, com o meu trabalho a potenciar notas altas, que se coadunavam com as minhas capacidades. Os exames nacionais não correram tão bem, não por falta de estudo, mas por pequenas distracções idiotas e factores exteriores a mim, que me privaram das notas que ambicionava, levando a uma descida de 1 valor nas disciplinas de Física e Química e de Biologia e Geologia. Ainda assim, a minha média interna pouco se ressentiu dessa descida, que não hipoteca, de modo algum, a minha entrada na Universidade (todo indica que conseguirei entrar em qualquer curso com bastante segurança).

Nos últimos meses de 2010, o 1º período do 12º ano de escolaridade trouxe-me boas expectativas para esta derradeira etapa do Ensino Secundário, dado que desenvolvi um trabalho metódico e contínuo, que se espelhou na concretização das minhas expectativas, começando o ano com notas altas que me proporcionam uma boa base de trabalho para o futuro.

Olimpíadas de Física

As Olimpíadas de Física correspondem a outro capítulo da minha formação académica, complementando a acção do ensino a nível escolar. Indubitavelmente, esta iniciativa louvável da Sociedade Portuguesa de Física (SPF) tem contribuído para alimentar a minha paixão pela Física, fornecendo-me um conjunto de bases que decerto me serão muito úteis no futuro, não só em termos de aquisição de conhecimentos científicos, mas também ao nível da participação em projectos de grande envergadura no âmbito da Física. Em relação ao primeiro aspecto, as provas testaram e estimularam a minha capacidade de resolução de problemas, confrontando-me com situações novas, tendo sobretudo contribuído para me aproximar mais da componente experimental.

Acerca da outra componente, igualmente importante, sublinharei a oportunidade de conhecer, a propósito da Fase Regional (na qual me classifiquei entre os 10 primeiros, com grande surpresa minha), o edifício do Instituto Superior Técnico (IST) do Tagus Park, em Oeiras, que muito cativou a minha atenção, embora presentemente não o veja como uma hipótese para o meu futuro. Porém, a experiência verdadeiramente inesquecível estava guardada para o dia 5 de Junho, data da Fase Nacional, realizada em Lisboa, no estimado Museu da Electricidade, onde conheci muitas pessoas e fiz alguns amigos, ao longo de um dia que começou com muitos nervos, mas se tornou magnífico com um almoço de grupo, a visita ao museu, a participação nas iniciativas científico-desportivas ao ar livre e a declaração dos vencedores, durante a qual me foi atribuída uma surpreendente menção honrosa, acompanhada da informação de que estava pré-seleccionado para integrar o programa FísicaQuark, a ter lugar na Universidade de Coimbra nos primeiros meses de 2011! Foi fantástico.

Futebol de Praia

Viajando de paixão em paixão, passamos agora a uma outra, curiosamente também começada pela letra f (felizmente): o futebol de praia! Ora, não é novidade nenhuma este meu fascínio pela modalidade desportiva. No entanto, em 2010, vivi experiências memoráveis que ainda não figuravam na minha história pessoal. Se, por força da menor frequência dos treinos e incompatibilidade de horários, não foi tão assíduo na assistência aos treinos da selecção nacional, se, por impossibilidade logística, não tive a oportunidade de estar presente em Viseu aquando da realização da competitiva Spring Cup 2010, com muita pena minha, a verdade é que nada tenho a lamentar em relação à forma como vivi o futebol de praia no ano transacto, dado que os meus desejos se viriam a realizar gradualmente.

É neste contexto que se enquadra o fim-de-semana em Portimão, onde assisti ao espectáculo (sim, não há palavra melhor para descrever o ambiente fantástico com o qual contactei e do qual fui parte) do Mundialito de Futebol de Praia 2010! A selecção nacional não venceu a competição, infelizmente (por motivos diversos, que não vou explicar aqui), mas fez uma bela prestação! E se a equipa lusitana não logrou oferecer ao público presente o terceiro título consecutivo na competição, não deixou de me proporcionar momentos fantásticos, não só no estádio mas também fora dele, quando tive a honra de almoçar com o grupo da selecção nacional, a convite do seleccionador nacional, José Miguel Mateus, e do coordenador nacional do futebol de praia, João Morais. E assim, antes do jogo decisivo frente ao Brasil, tive a oportunidade de contactar de uma maneira diferente com os heróis da equipa das quinas, em momentos de pura boa disposição!

E, se a selecção nacional não teve sorte na primeira competição de futebol de praia a que fui assistir ao vivo, as minhas preces de adepto não poderiam ter sido mais bem atendidas pelas forças do destino (ou da BSWW), uma vez que a Superfinal da Liga Europeia de Futebol de Praia se disputaria em Lisboa, mais concretamente em Belém, a cerca de apenas 2 km do meu local de residência! Não havendo interferência com as datas de férias, fui certamente o espectador “civil” mais assíduo de toda a competição, testemunhando 16 dos 18 jogos que tiveram lugar no Terreiro das Missas. Enfim, foi um torneio verdadeiramente incrível e uma experiência fabulosa, principalmente porque Portugal se sagrou campeão europeu de futebol de praia, após uma final à qual assisti na bancada VIP, acompanhado por 11 pessoas muito especiais que aceitaram o meu convite para virem puxar pela selecção nacional na última batalha da época! E depois os autógrafos, o contacto com pessoas que não conhecia, a partilha da alegria sentida por todos os membros da família do futebol de praia português…

Encerrando o assunto do futebol de praia, direi que foi mesmo um ano especial, não só pelas marcas anteriormente referidas, mas também porque o trajecto da selecção nacional foi muito positivo, conseguindo a qualificação para o mundial, a reconquista do título europeu e a recuperação da liderança do ranking europeu da modalidade, numa temporada que poderia ter sido ainda mais rica em títulos, dado que Portugal alcançou todas as finais de torneios importantes. A equipa demonstrou evolução ao longo do ano e reagiu com distinção às adversidades que foram surgindo, como a saída de jogadores importantes na equipa, contraposta por uma eficaz adaptação de novos jogadores à selecção nacional. A nível de clubes, Portugal deu um passo decisivo, por meio da organização do primeiro circuito nacional de futebol de praia, sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

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Músicas que nos marcam: Liebestraum (Franz Liszt)

Todos temos músicas que nos marcam profundamente. Diferentes pessoas, em momentos distintos da sua vida, inspirados de um modo particular pela beleza de viver, sentem esta impressão maravilhosa por peças musicais muito variadas, enquadradas numa espantosa diversidade de sons e experiências.

Mas como descrever esta sensação espantosa que repetidamente surge na história biográfica de cada um? Parece-me que nos resta procurar uma explicação baseada na sua inexplicabilidade! Na minha perspectiva, incompreensivelmente, estas preciosidades musicais conquistam a nossa alma, num momento de magia, de imponderabilidade… como se a beleza dos sons nos guiasse numa viagem, harmoniosamente leve, por entre as suaves nuvens de veludo… ou uma aventura vibrante num bosque colorido, como num jovem rio que desce alegremente o seu leito cristalino… ou nos libertasse da prisão corporal em que somos forçados a viver e nos permitisse contemplar, em toda a sua extensão, a melancolia latente que nos dominou e nos oprimiu tão cruamente…

Talvez o processo não seja bem este, nas suas manifestações, mas a sua essência transcendental carrega indubitavelmente uma magia profunda e flutuante que nos domina quando escutamos o som emanado. Admito alguma incoerência nas definições, mas o seu valor reside justamente na sua subjectividade, naquilo que o fenómeno representa para mim.

Liebestraum

Em artigos anteriores, já vos trouxe belos momentos musicais, que considero estarem no topo das minhas preferências, pelo significado que têm para mim e pela riqueza de sensações que experimento ao escutar estas peças. No entanto, em tempos recentes, a minha selecção de relíquias musicais recebeu uma nova frescura, desta vez referente ao auge do romantismo do século XIX (uma época de grandes revoluções na música). De facto, tenho escutado esta peça repetidas vezes nas últimas semanas, deixando fluir em mim a magnificência natural e simples de tão bela produção da mente humana…

Falo de Liebestraum, uma peça para piano datada de 1850, da autoria do compositor húngaro Franz Liszt. Terceira secção de uma sequência de três Liebesträume, baseada num poema de Ferdinand Freiligrath, esta prodigiosa e comovente peça musical revela uma forma profunda e duradoura de viver o amor, na sua natureza mais pura e maravilhosa. Uma obra de uma beleza simplesmente indescritível!

Amplamente conhecida no vasto mundo da música erudita, o Liebestraum decerto já tinha chegado até mim, em ocasiões anteriores, pois tenho a certeza de já ter escutado antes a sua melodia doce, mas intensa. Confesso que, na primeira ocasião em que voltei a ouvir a peça, depois de uma longa separação, verti algumas lágrimas, o que me surpreendeu, dada a raridade do fenómeno. Mas agora que olho para trás vejo o choro como uma reacção normal do meu lado emocional à profusão de sensações que o Liebestraum nos pode proporcionar.

Não voltei a chorar, é certo, mas continuo a encarar a peça como uma música muito especial, que me traz um prazer enorme quando a escuto atentamente. Sim, esta é uma daquelas músicas marcantes de que vos falei!

Caricatura formidável de Franz Liszt, que tanto me aterrorizou em criança.

Curiosidades

  • Liebestraum significa Sonho de Amor em alemão, ilustrando na perfeição a carga emocional da música e a enorme diversidade de sensações que pode despertar nos seus ouvintes.
  • O meu primeiro contacto com Franz Liszt ocorreu através de um livro de História da Música no qual o célebre compositor romântico era descrito como um virtuoso ao teclado, sendo por isso caricaturado como um monstro de muitos braços e feições que mais faziam lembrar uma bruxa de contos de fadas: uma imagem aterradora que pode ser observada na figura do lado. Quem diria que, muitos anos mais tarde, viria a idolatrar uma das suas peças como uma das mais belas obras musicais que tive a oportunidade de escutar?

Um dia inesquecível com a selecção nacional no Mundialito 2010 (parte 2)

Conversas singulares após a refeição

Quando os nossos valentes jogadores se retiraram para os seus quartos, onde iriam aguardar pela hora da reunião de grupo, fiquei sozinho na sala de almoço com os membros da equipa técnica. Foram uns momentos muito bem passados, porque os meus companheiros tinham histórias muito divertidas para contar e foi num ambiente de clara boa disposição que partilharam as suas aventuras com os artigos chineses das arábias.

Na verdade, os relatos da comitiva portuguesa centraram-se nos telemóveis que haviam adquirido no mercado chinês do Dubai, cujas infinitas peculiaridades me surpreenderam enquanto me proporcionavam uma excelente dose de bom humor. Não utilizarei aqui nomes, para não invadir a privacidade de ninguém, mas gostaria de referir algumas das potencialidades destes singulares dispositivos.

Segundo os meus companheiros, o mercado chinês era 100 vezes maior do que a feira instalada na Praça de Espanha, em Lisboa, exigindo por isso um dia inteiro para os visitantes que desejassem empreender uma exploração profunda. Os telemóveis eram aos milhares, certamente muito diferentes uns dos outros, mas todos com a feliz particularidade de serem excepcionalmente baratos. Assim, a compra de um telemóvel tornava-se uma verdadeira lotaria, sendo a qualidade do mesmo uma verdadeira incógnita. Um dos elementos da equipa técnica afirmava ter adquirido dois telemóveis que ainda trabalhavam na perfeição. O seu colega, ainda mais sortudo, gabou as qualidades do seu telemóvel Ferrari, com luzes e toda uma série de funcionalidades nunca dantes vistas!

Mas a situação mais caricata sucedeu com um terceiro membro da equipa técnica, que teve menos sorte ao tomar a sua opção: o raio do telemóvel apresentava uma função que lhe conferia a voz do pato Donald, escutada pela pessoa a quem era dirigido o telefonema sem que ele próprio se apercebesse do problema! Em circunstâncias normais, esta característica do telemóvel poderia ter proporcionado umas boas gargalhadas. Contudo, a anomalia do aparelho manifestou-se na pior altura possível, quando o nosso companheiro estava perdido no deserto, telefonando aos membros da organização do Mundial Dubai 2009 na ânsia de ser socorrido. Compreende-se facilmente o estado de desespero e irritação em que mergulhou quando ouviu risos do outro lado da linha! A aparente inexplicabilidade do sucedido terminou no dia seguinte, quando lhe foi dada a conhecer a voz transfigurada com que pedira auxílio.

Depois do almoço, esperar pela reunião, ou seja, conversar um pouco mais

Findas as narrativas fantásticas dos meus companheiros, chegava a hora de nos retirarmos da sala de refeições. Acompanhei, por isso, o comissário técnico, João Morais, à sala de estar do hotel, junto à entrada, onde as notícias desportivas ocupavam o ecrã da televisão. Nada de muito interessante, visto que eram dominadas pela conquista da Supertaça Portuguesa em futebol de onze por parte do FC Porto (sou adepto do Benfica). Assim sendo, decidi regressar ao sofá onde me sentara uma hora antes, fazendo companhia ao Pedro, um membro da equipa ténica que eu não conhecia.

Claro que começámos imediatamente a conversar. Inicialmente, interroguei-o acerca das suas funções na selecção nacional, o que o levou a contar a sua história no futebol de praia desde o princípio. Fiquei a saber que se encontrava a estagiar com a equipa, de modo a conseguir aprender mais sobre a modalidade, desenvolvendo competências que fizessem dele um verdadeiro treinador de futebol de praia, enquanto ajudava o Zé Miguel com as estatísticas e outras componentes importantes do trabalho do seleccionador nacional. Porém, a sua relação com a modalidade remontava aos primórdios do Mundialito de Futebol de Praia, quando ainda tinha lugar na Figueira da Foz, terra natal do Pedro, uma vez que desempenhava um papel activo na organização de todo o evento.

Posteriormente, recebera um convite dos dirigentes da Naval 1º de Maio para fundar e orientar uma equipa de futebol de praia, que representaria o clube da Figueira da Foz. Alguns anos decorridos desde a criação da secção, a equipa estava a crescer de forma favorável, com um grande contributo por parte dos jogadores, que também desempenhavam funções técnicas. No entanto, o Pedro desejava adquirir mais experiência como treinador, de maneira a melhorar as condições da equipa e a libertar os seus jogadores dessas funções.

Esclarecido esse ponto, foi a minha vez de, respondendo a uma pergunta do meu novo amigo, lhe narrar o meu percurso como fã do futebol de praia e da selecção nacional. Não vale a pena escrever aqui o que disse, pois isso daria um longo resumo da minha carreira de adepto, desde a notícia do telejornal da RTP acerca de uma vitória de Portugal contra a Itália em Carcavelos no ano de 2003 até àquele Mundialito 2010 em Portimão, que era o primeiro evento a que assistia ao vivo. Afavelmente, o Pedro valorizou esta minha atitude como adepto de futebol de praia, reiterando a importância de existirem pessoas que seguem a modalidade e contribuem desta forma para o seu crescimento.

Falámos depois desta edição do Circuito Nacional de Futebol de Praia, a primeira de sempre, e da prestação da Naval 1º de Maio em concreto, o que me permitiu compreender melhor as difíceis condições de trabalho daquela equipa e o mérito associado às sua participação na competição. Basicamente, fiquei satisfeito com o que me foi dado a conhecer, pois demonstra bem a dedicação destas pessoas à modalidade, continuando a trabalhar e a progredir mesmo quando recebem pouco apoio. E os frutos desse trabalho vão sendo colhidos, a pouco e pouco, com o jogador Vítor Maranhão, deste mesmo clube, a fazer parte dos convocados do Zé Miguel para esse Mundialito!

Momentos de felicidade para um jovem, Madjer em grande a todos os níveis

Terminada a nossa conversa tão construtiva, eu e o Pedro fomos ajudar o incontornável Juju a arrumar o material desportivo no porta-bagagens da carrinha e do autocarro ao serviço da selecção portuguesa. Ora, enquanto nos encontrávamos no exterior do hotel, fomos interpelados por uma senhora, acompanhada pelo seu filho, também ele uma amante do futebol de praia e admirador do Madjer em particular. O rapaz queria muito ver a selecção nacional ao vivo, mas eles não podiam comparecer ao duelo com o Brasil na Praia da Rocha, pelo que tinham ido até ao hotel a fim de satisfazer o seu desejo.

Embora a partida dos jogadores para o estádio estivesse agendada para depois das 14h, o contacto com os heróis das areias estava longe de ser impossível, de tão perto que eles estavam. No entanto, os atletas encontravam-se na hora do descanso, que deveria ser respeitada. Mas não seria esta uma situação merecedora de uma excepção às regras? Pois claro que sim! E foi com esse espírito que o Pedro, tão comovido como eu, foi chamar o Madjer, capitão da nossa selecção e ícone do futebol de praia português. Sem hesitar, João Vítor Saraiva (pois é esse o seu verdadeiro nome) aceitou o convite e instantes depois o seu rosto sorridente assomava às portas do elevador, enchendo de felicidade o jovem admirador.

A timidez do rapaz decerto ocultou os sinais de alegria que despontaram no seu espírito, quando tirou uma fotografia junto do seu ídolo, de quem recebeu um precioso autógrafo: Mad7r (mais ou menos assim). Um momento fabuloso, de uma beleza incrível, de tal modo que apenas quem presenciou a cena pode compreender realmente o quão profundo e comovente foi aquele episódio. Fiquei contente pelo miúdo, pois partilho o seu fascínio pelo Madjer e conheço bem aquela sensação maravilhosa por ele experimentada.

Quanto ao Madjer (que teve de regressar ao seu quarto pelas escadas, devido ao mau funcionamento do elevador do Hotel Globo, ao qual teceu duras críticas, merecedoras de todo o meu apoio), deu mais uma prova da sua integridade moral absolutamente exemplar, mostrando que além de um grande jogador é também uma pessoa fantástica, algo que, aliás, partilha com todos os seus colegas de equipa. Sim, tenho orgulho em ser adepto de um grupo assim!

Mais conversa, concentração dos atletas

Após este episódio marcante, eu e os meus companheiros da equipa técnica continuámos à espera da hora marcada para o encontro dos jogadores na sala de estar do hotel. Felizmente, o Juju estava no exterior com o Nuno, treinador dos guarda-redes, e contava histórias do seu passado, de quando era jogador de futsal no Brasil.

Começou por afirmar que aquele gesto, tão significativo, era bonito, sendo mais importante a acção em si do que qualquer fotografia ou autógrafo, algo com que eu concordo inteiramente. E, partindo deste exemplo vindo da interacção entre o Madjer e o seu jovem adepto, contou-nos uma história semelhante em que ele, Juju, tinha recebido das mãos do seu maior ídolo do futsal a camisola que ele usara durante um jogo da sua equipa, ficando absolutamente radiante, pelo gesto em si. Finalmente, narrou algumas das suas divertidas peripécias enquanto guarda-redes de futsal, sempre com a boa disposição e alegria natural que o caracteriza.

Seguidamente, sentindo a aproximação da hora da reunião, entrámos no hotel, aguardando pelos nossos atletas nos confortáveis sofás (outra vez!). Por iniciativa do Pedro, foram tiradas algumas fotos, para mais tarde recordar, e foi com boa vontade que o fotografei, sentado ao lado do Nuno. Seguidamente, fui convidado pelo próprio Pedro para aparecer numa fotografia ao lado do treinador de guarda-redes, proposta essa que aceitei de bom grado. E foi então que começaram a chegar os craques do futebol de praia nacional.

O Madjer foi o primeiro a descer, mas foi rapidamente acompanhado pelos seus colegas de equipa, que apareceram na sala de estar algum tempo antes da hora agendada para a reunião. Aproveitei então a ocasião para pedir um autógrafo ao Madjer, a fim de satisfazer o desejo do irmão de uma amiga minha, também ele um fã da modalidade e do número 7 português em particular. Arranjar um papel na recepção do hotel e uma caneta no dossier do Nuno foi obra de segundos e aquilo que começara por ser uma simples busca de uma assinatura do melhor jogador do mundo transformou-se numa recolha de autógrafos da melhor selecção do planeta! Assim, um a um, todos os atletas da nossa selecção foram assinando a folha, deixando a sua marca lusitana na alvura do papel, que faria as delícias de mais um adepto! Enquanto isso, circulava pelos jogadores uma camisola de Portugal, que seria autografada e entregue ao representante da Câmara Municipal de Portimão.

Entretanto, outro episódio interessante do ponto de vista humorístico sucedeu, envolvendo 3 jogadores diferentes: o Graça, o Madjer e… não vão adivinhar… o Bilro! Tudo começou quando eu felicitava o nosso grande guarda-redes, Paulo Graça, por não ter sofrido nenhum golo no jogo frente à Argentina, incluindo uma defesa a um penalti no seu vasto espólio de intervenções fantásticas. Mesmo confrontado com a humildade do guardião, insisti com a minha ideia, acabando por passar a outro ponto da questão: o penalti, resultante de uma suposta infracção do Bilro durante a execução de um lançamento lateral, existia efectivamente? Foi isso que perguntei ao Paulo, ao que ele não tencionou responder, reencaminhando a interrogação para o Bilro, que por acaso estava sentado mesmo ao seu lado, lendo o jornal A BOLA…

Seguro de si mesmo, firme nas suas convicções, o valoroso atleta português, sem tirar os olhos do papel, retorquiu com um valente «NÃO!» que na altura me convenceu completamente. Aliás, o olhar resignado do Paulo Graça mostrava que também ele se rendera à autoridade do seu colega de equipa. Mas esta submissão dos ouvintes às opiniões falaciosas do Bilro não durou muito tempo, já que um golpe de estado vigorosamente levado a cabo por Madjer, sentado no sofá em frente, pôs fim à ditadura Bilrista, através de um formidável brado: «É penalti sim senhor!». Claro que o capitão português, um pouco aborrecido com a teimosia do seu companheiro, justificou convenientemente a sua convicção, persuadindo toda a gente, incluindo eu, exceptuando o pobre Bilro. Na verdade, o Bilro fora um dos melhores jogadores em campo na partida contra a Argentina, protagonizando uma excelente exibição!

Achei muito engraçada, esta situação! Mesmo numa pequena discussão, os jogadores da selecção nacional conseguem manter um notável bom ambiente, que certamente torna a vida mais saudável.

Continua na 3ª parte, a ser publicada em breve

Um dia inesquecível com a selecção nacional no Mundialito 2010 (parte 1)

Hoje Portugal foi derrotado pelo Brasil e deixou escapar o título do Mundialito de Futebol de Praia 2010. Quem viu o jogo, na Praia da Rocha ou pela televisão, conhece certamente as circunstâncias referentes à partida. Claro que muita gente não teve essa oportunidade, enquanto outros desejariam encontrar informação sobre o jogo, mas este post tem uma finalidade bem diferente.

Não se trata de relatar as ocorrências do jogo, realçar pormenores importantes, denunciar as tendências da equipa de arbitragem (tosse seca) ou de qualquer outro aspecto relacionado com o jogo, mas sim de dar a conhecer ao mundo o ambiente fabuloso que se vive na selecção nacional de futebol de praia e a maravilhosa atitude dos nossos jogadores (e equipa técnica) para com os adeptos. Em particular, este foi um dia muito especial para mim e eu gostaria de partilhar as minhas vivências espectaculares, tão carregadas de significado, com quem tiver um pouco de curiosidade.

Um Dia MUITO Diferente

Era o dia final do Mundialito de Futebol de Praia 2010. Portugal e Brasil, com duas vitórias nos jogos anteriores frente a EUA e Argentina, iam lutar pelo troféu no grande jogo da tarde, a ter início por volta das 15:15 (não contando com os habituais atrasos num evento desta envergadura). Eu, que estava em Portimão propositadamente para o torneio, tinha recebido um convite do seleccionador nacional, José Miguel Mateus, para tomar uma refeição com a equipa.

Por opção pessoal, escolhi o almoço do dia de hoje, que me parecia ser a ocasião mais interessante. Assim, ficara agendado um almoço para hoje, no Hotel Globo, onde a equipa estava hospedada, pontualmente às 11:30 (por força dos horários da competição). Deste modo, ainda antes das 11:15, já eu chegava à entrada do hotel, onde o meu pai me deixou, como estava combinado.

Dialogando com o Seleccionador Nacional

O Juju, técnico de equipamentos, figura incontornável da nossa selecção, estava na rua naquele momento, fumando sossegadamente o seu cigarro. Fui imediatamente saudado alegremente pelo meu caro amigo, sempre muito bem disposto, capaz de arrancar sorrisos da boca de qualquer pessoa. Soube, pelas suas palavras descontraídas, que o Zé Miguel se encontrava na sala de estar do hotel, logo na zona da entrada, para onde me dirigi prontamente.

Mais uma vez, fui cumprimentado com alegria, por alguém que admiro muito e que tem feito um excelente trabalho com a nossa selecção nestes últimos anos. Sentei-me no sofá, diante do Zé Miguel, e fomos conversando acerca de diversos assuntos, não só dentro da esfera do futebol de praia, mas também de mim e da grande paixão que tenho pela modalidade. Tomei assim conhecimento das novidades do campeonato italiano, onde as equipas com atletas portugueses se estão a comportar da melhor maneira, bem como da provável localização da Superfinal da Liga Europeia (quando foi oficial, poderei revelar tudo com exactidão, embora possa adiantar que em princípio será em Lisboa). O Circuito Nacional de Futebol de Praia e, claro, o jogo do dia contra o Brasil, também fizeram parte dos assuntos focados. Tudo num clima saudável, propício a uma troca de informações, ideias e experiências muito enriquecedora para ambos os lados.

Entretanto, o Juju regressou ao interior e subiu para o piso superior, momentos antes de começarem a surgir no átrio os outros membros da equipa técnica da selecção nacional. Foi o caso do Nuno, treinador dos guarda-redes, e do Pedro, actualmente a estagiar no grupo (embora eu ainda não o conhecesse propriamente). Todos muito simpáticos e extremamente receptivos à minha presença, gerando um bom ambiente que me agradou incondicionalmente. Quando o João Morais chegou, também ele uma pessoa fantástica, subimos todos ao andar do restaurante, utilizando o ineficiente elevador do hotel, onde tive honras de ser o primeiro a entrar.

Esperando antes do Almoço

Nenhum dos rapazes das areias estava presente. No entanto, foram aparecendo o Bruno Novo, o Madjer e o Alan, antes da chegada do Paulo Graça, do João Carlos, do chef Bilro, do Jordan, do Loja e do Vítor Maranhão. Todos muito animados, mas ao mesmo tempo tranquilos e visivelmente moralizados para o jogo que se avizinhava, foram todos maravilhosos na forma como interagiram comigo, com o bom humor reinante a dominar o compartimento onde aguardávamos a comparência do Coimbra e do Marinho. Ainda não conhecia o Vítor e tive o maior prazer de ser apresentado a este jogador que se tem notabilizado recentemente ao serviço da Naval.

Entretanto, fui chamado a intervir numa discussão entre os hilariantes Alan e Bilro, acerca de um lance ocorrido no jogo anterior, frente à Argentina, em que o Alan alegadamente teria usado o espaço disponível para progredir na zona central do campo e depois teria rematado por cima quando tinha o Bruno Novo e o inconformado Bilro a pedir a bola nas alas. Quando questionado acerca da jogada, respondi que não me recordava, embora fosse possível, resposta essa que não agradou muito ao Bilro. O pior foi mesmo quando o Alan ironizou que quando lhes passava a bola eles também não faziam golo, pedindo a confirmação da minha parte, que eu tive de conceder para não fugir à verdade.

Ai de mim! Apesar do sorriso do Alan e de um novo aperto de mão da parte do mesmo, tive de enfrentar a indignação do Bruno Novo, e sobretudo a raiva do te11ível Bilro, que já conservava algum “rancor” contra mim por uma situação semelhante verificada no dia anterior. Quanto ao Bruno, foi fácil: bastou admitir que tinha marcado um grande golo com assistência do Loja no primeiro jogo da competição contra os EUA. Em relação ao Bilro, cheguei mesmo a recear uma reacção violenta da parte deste jogador tão indisciplinado (claro que o mais indisciplinado é o árbitro espanhol que lhe dá os cartões, mas isso toda a gente sabe)! Felizmente, ficou-se pelas ameaças e por uma descarga de risos.

Fiquei também a conhecer a alcunha do Jordan, que apesar da sua aparente inibição quando ouve falar no assunto, decerto não se importará se eu a divulgar aqui: o Pistoleiro (ou Pistolas). Claro que na altura ele negou, disse para eu não acreditar, mas a verdade vinha ao de cima nos rostos sorridentes dos colegas de equipa: Jordan, o Pistoleiro!

A chegada dos defesas Coimbra e Marinho pôs fim a esta série de episódios cómicos, marcando também a entrada para a sala de almoço, mas não sem antes os seus companheiros de equipa fazerem uma paródia com a situação, brincando com a (falta de) pontualidade dos dois jogadores, como de resto seria de esperar.

Um Almoço Memorável

Foi esta uma das mais espectaculares refeições que tomei em toda a minha curta existência, não tanto pela comida, que por acaso até era bastante boa, mas pela companhia, absolutamente fantástica! Os nossos jogadores, que apesar de ainda ser cedo estavam com bastante apetite, atacaram imediatamente as deliciosas iguarias que se encontravam à nossa disposição, num buffet simples mas requintado que muito me agradou à primeira vista.

Ainda antes de me ir sentar, parei para escutar as palavras do Madjer, que revelava e comentava as mais recentes novidades do campeonato italiano (a Terracina, equipa forte, tinha perdido com o Mar de Roma, muito fraquinho, apenas para fugir ao Milão nos quartos-de-final da fase final da competição). O capitão da selecção nacional reprovava energicamente esta atitude da parte dos seus rivais (para quem não sabe, o Madjer joga no campeonato italiano, representando a Roma, onde também actua o Belchior, enquanto outros atletas portugueses estão dispersos por outras equipas) e não entendia como podiam eles querer ser campeões desta forma.

Eu fiquei espantado com esta notícia inesperada, dada a falta de qualidade do Mar de Roma, e questionei o craque lusitano, como quem pede confirmação para algo que já sabe, se aquela não era a equipa dos húngaros e alemães, ao que o Madjer acenou que sim com a cabeça, visivelmente irritado por aquela falta de desportivismo da parte do Terracina. Nesse momento, enquanto um jogador (penso que seria o Bruno Novo) ficava surpreendido por estes meus conhecimentos, o João Morais corroborava e dizia-me que era proibido perder com o Mar de Roma (sim, eles são mesmo fraquinhos).

Após este episódio muito interessante aos olhos dos amantes da modalidade, perguntei ao Pedro, o rapaz que estava a estagiar com a selecção nacional, qual seria o meu lugar na mesa colossal onde me sentaria para tomar uma refeição entre as figuras do Olimpo. Ele não sabia muito bem, embora tivesse uma ideia (seria no lugar que fora ocupado pelo Belchior antes de ele ter deixado o grupo), e sugeriu que eu esperasse um pouco, fazendo a pergunta ao Zé Miguel depois de os jogadores se terem sentado.

No entanto, tal não foi necessário, porque instantes depois o seleccionador nacional já me indicava o lugar que me estava destinado (era mesmo o lugar do Belchior, o que me deixou muito honrado), em frente ao Jordan, uma das novas caras da equipa em 2010, tendo à minha direita o Vítor Maranhão (que integrou a lista dos 12 convocados para o evento, embora não fizesse parte da lista dos 10 eleitos para os jogo do torneio) e estando à minha esquerda o Pedro. Podemos assim dizer que eu estava na zona de separação entre os jogadores e os membros da equipa técnica. Uma localização privilegiada, que me proporcionou uma experiência muito agradável.

Claro que não fui intromissivo ao ponto de interferir nas suas conversas que não me diziam respeito, mas ri bastante com algumas histórias que ouvi durante aquele almoço, referentes ao dia-a-dia da nossa selecção e a episódios cómicos que tinham ocorrido naquela estadia. A disposição dos jogadores parecia ser a melhor antes do grande jogo frente ao Brasil e isso notou-se naquela refeição.

No princípio, ainda houve tempo para o Jordan se surpreender com os meus arquivos de informação acerca da modalidade e da selecção nacional em particular, na sequência das minhas respostas às perguntas que os seus colegas me iam colocando. “Ele sabe mais do que tu do que tu próprio fizeste” foi a observação de um dos seus companheiros de equipa. Talvez seja verdade, mas é perfeitamente normal, porque tenho realmente boa memória e uma insaciável sede de conhecimento acerca daquilo que mais me interessa, sendo o futebol de praia um desses assuntos.

Golo, do Bilro! NÃO! Bolo, do Bilro!

Mas o aspecto mais importante daquele almoço inesquecível foi a sobremesa. Não me refiro às fatias de melancia e melão, nem tão pouco às ameixas que estavam à nossa disposição, mas sim ao delicioso pão de ló que repousava em cima da mesa do buffet. E como pode um simples bolo ser considerado por mim o momento alto de uma refeição tomada em circunstâncias tão especiais? Acaso teria ele um significado oculto, um segredo obscuro, uma receita misteriosa que o tornaria celestial? O que se passava com o bolo, afinal?

Para acabar com esta tentativa frustrada de colocar algum suspense no relato, digo-vos que o pão de ló foi da autoria do B11ro (Bilro, para quem não percebeu), que tinha vivido umas aventuras culinárias na cozinha do hotel. E garanto-vos: o bolo podia não ter grande aspecto, dados o seu tamanho minimalista e a sua forma irregular, mas o sabor era excelente, satisfazendo plenamente os meus desejos gustativos!

Claro que ao princípio toda a gente fazia troça, na brincadeira, do bolo do Bilro. Quando os ouvi dizer que se tratava de um produto da criatividade gastronómica do nosso mestre, duvidei e pedi confirmação ao João Morais, que ma deu prontamente. Fiquei surpreendido, mas pensei imediatamente que teria de provar a doce iguaria, a menos que os atletas lusitanos dessem cabo dele antes.

E as minhas suspeitas eram plenamente justificadas, pois entre jogadores e equipa técnica, todos ou quase todos os meus companheiros provaram um pouco do bolo, declarando-o delicioso, apesar das brincadeiras que todos cultivavam com humor. Não obstante, encontrei um pequeno fragmento de bolo no prato que outrora se encontrava cheio, do qual me servi intrepidamente, anunciando aos jogadores que também eu ia provar o pão de ló do Bilro!

E gostei, verdade seja dita, pois o sabor, suficientemente doce (embora o Zé Miguel tenha dito que precisava de mais açúcar), com aquilo que considero ser a essência do pão de ló (atendendo a que eu percebo muito pouco de bolos), era perfeito, dentro dos meus padrões. Ia felicitar o Bilro pela sua obra de arte (sim, porque cozinhar bem é uma arte), quando reparei que ele se levantara da mesa, enquanto o Alan me propunha que dissesse que não estava bom… Claro que não fiz isso, e acabei por conseguir felicitar o nosso número 11 pelo excelso trabalho na cozinha!

Continua no post seguinte.

Testes Intermédios: Desilusão? Não! Aprendizagem e Evolução!

Ultimamente, tenho andado visivelmente atarefado. Motivo? Testes intermédios, meus caros amigos. Infelizmente para mim, a suspensão da minha redacção no blogue não foi tão benéfica como eu gostaria, dado que as notas obtidas nas provas não foram ou não se adivinham tão altas como eu gostaria. São boas notas, e não me impedem de vir alcançar os meus objectivos escolares. Em todo o caso, acho que poderiam ter sido mais altas, sobretudo pela forma como eu perdi pontos estupidamente nas duas provas realizadas: as de Física e Química A e de Matemática A. Mas comecemos pelo princípio.

Testes Intermédios: A Causa dos meus Celeumas Interiores

Na sequência da preparação para os exames nacionais das disciplinas específicas, tenho vindo a realizar diversas provas elaboradas pela equipa do Ministério da Educação, que constituem os chamados testes intermédios. Como alunos do 11º ano de escolaridade, temos exames de Física e Química A e de Biologia e Geologia no final deste ano lectivo, além dos exames de Português e Matemática no fim do 12º ano. Assim, ao longo dos 2º e 3º períodos, os testes intermédios do GAVE têm povoado o nosso calendário escolar, substituindo alguns testes das respectivas disciplinas e intervindo nas contas para a avaliação dos alunos.

Ora acontece que o intermédio de Física e Química estava marcado para o dia 30 de Abril, enquanto a prova de Matemática fora agendada para 6 de Maio. Deste modo, o calendário de testes ia abrir com dois importantes momentos de avaliação, com a importante função de nos preparar para a realidade dos exames. Quais eram os meus objectivos? Ter as notas mais altas possíveis, para subir as notas de 19 que trazia do período anterior em ambas as disciplinas para dois 20s mais honrosos e estáveis. Até aqui tudo bem.

Não tive grandes problemas na preparação para os dois testes intermédios. Revendo a matéria na teoria ou exercitando os conhecimentos na prática (incluindo a realização de testes intermédios de anos anteriores), atingi um patamar que me conferia alguma segurança para as provas, possibilitando as almejadas notas caso estivesse concentrado. E as provas, tanto uma como a outra, correram bem. O pior foi depois, quando comecei a ver que tinha errado qualquer coisa nos dois teste intermédios. Apesar das semelhanças entre os dois casos, seria conveniente distinguir as situações.

Física e Química A: Problemas com a Calculadora?

Falando mais aprofundadamente do teste intermédio de Física e Química, o único problema antes da realização do teste parecia ser a falta de calculadora gráfica (tinha uma, mas não estava a funcionar). Na aula anterior à prova, vários colegas (daqueles que tinham anulado a matrícula) se tinham oferecido para me emprestar a sua calculadora.

Ficara combinado que, caso a minha calculadora não estivesse a funcionar, o Luís emprestar-me-ia a sua máquina. No entanto, a anomalia da minha calculadora era simples: não passava de uma questão de pilhas gastas. E assim, uma vez solucionado o problema, a HP 9 g estava novamente operacional e em condições de me conceder os 8 preciosos pontos da regressão linear (que podia vir a sair, como efectivamente aconteceu). Como aluno aplicado, desejando evitar surpresas desagradáveis durante a realização da prova, decidi testar aquela funcionalidade da máquina, usando os dados de um exercício do livro, com 10 valores para x e y. O resultado da experiência foi positivo. «Estou pronto para o teste.» pensei eu. E estava. Mas na hora H, as coisas não correram tão bem como estava previsto…

Física e Química A: A Prova

Eis a deslumbrante hp 9g: a calculadora mas famosa da minha turma! (ou pelo menos a que mais tem dado que falar, dadas as suas singularidades muito peculiares)

Eis a deslumbrante hp 9g: a calculadora mas famosa da minha turma! (ou pelo menos a que mais tem dado que falar, dadas as suas singularidades muito peculiares)

30 de Maio. Dia do teste intermédio. 90 minutos para resolver o teste e tentar chegar ao 20. O teste não era propriamente difícil, a maior parte das questões eram bastante óbvias e não havia assim nenhum exercício que fizesse pensar mais um bocadinho. Ainda assim, acho que 4 questões de desenvolvimento com texto (e não por cálculos) foi claramente excessivo, porque envolvem sempre muitos pontos que precisam de ser focados, acabando por ter reflexos em termos de tempo (pelo menos para mim, que sou um bocado perfeccionista nestas coisas).

Por ter demorado demasiado tempo nas justificações textuais, acabei por resolver os dois últimos exercícios de cálculo sob pressão, cometendo alguns erros por distracção, que foram prontamente corrigidos, acabando por não ter qualquer influência na minha nota. Anteriormente, tinha resolvido a questão 3.3 (envolvia uma regressão linear), seguindo os passos correctos, com a minha super calculadora hp, sem qualquer hesitação, confiante da verdade do meu resultado. E assim, foi satisfeito que deixei a sala do teste, sem certezas, mas com algumas esperanças de poder chegar ao 20 (ou pelo menos com um arredondamento, em caso de erro de cálculo).

Física e Química A: Errei a Regressão Linear!!!??? Mas Porquê!!!???

Todavia, se havia algum exercício que eu nunca esperaria errar era o cálculo da regressão linear, que eu fizera atentamente, com todo o cuidado, para grande alegria do meu espírito científico. Compreende-se, portanto, qual o meu espanto, quando na aula de 3ª feira (4 de Maio), a primeira após o teste intermédio, o professor me disse que tinha voltado a errar a regressão linear! Asseverei que tinha utilizado a calculadora correctamente, que tinha conseguido fazer uma regressão linear, e que tinha obtido um valor do declive da recta através da máquina! Não teria trocado os valores de x com os de y? Não! Não teria trocado o declive com a ordenada na origem? Também não!

A fim de descobrir a causa do meu erro, voltei a realizar o cálculo da regressão linear, verificando os valores, gravados na memória da calculadora, que tinham sido introduzidos por mim no dia do teste. Estavam todos certos, mas o resultado continuava a estar incorrecto! E foi então que eu descobri! Tornando a fiscalizar a situação, apercebi-me de que os dados que eu tinha usado na véspera do teste ainda continuavam guardados, conservados em latência na memória da calculadora, tendo interferido com os valores do exercício do teste intermédio, originando uma regressão linear referente a dois conjuntos de dados totalmente diferentes! Estava explicado o meu resultado tão exótico, justificando as 8 décimas de desconto das quais já não poderia fugir. Boing!

Passei o resto da aula de Física e Química atormentado pela ideia de que perdera pontos estupidamente, num acesso de irresponsabilidade que, certamente, me iria privar da nota máxima no teste intermédio, mas, pior do que isso, poderia eventualmente custar o 20 no final do ano. Como se não bastasse, na aula de 5ª feira, o professor abalou ainda mais a minha consciência preocupada, fazendo referência a um erro ou outro na minha parte de Química. O quê! Não queria acreditar! Mais uma contrariedade para desgraçar os meus objectivos? O professor disse que talvez estivesse a fazer confusão, pois não se recordava bem das provas, e acabou por me aconselhar com simpatia que não me preocupasse. Ainda assim, a ideia de ter menos de 19,2 não deixou de importunar a minha mente de ideias fixas.

Física e Química A: Mais Erros? Sustos. Balanço. Projecção.

No dia seguinte (posso dizer hoje), na escola, a primeira aula do dia era nada mais nada menos do que Física e Química! O sumário, muito simples, dividia-se em duas partes distintas: a resolução de exercícios sobre a matéria leccionada na aula anterior e a entrega dos testes intermédios, acompanhada de breves comentários e conselhos do professor às nossas notas. Quando recebi o meu teste fiquei aliviado! UFA! 19,2! Quando já receava uma nota mais longínqua das minhas ambições, devido aos supostos erros na parte da Química, aquele resultado foi a melhor notícia que eu poderia ter recebido! Isto, claro, tendo em conta que a razão pela qual não fiz o pleno foi um azar na utilização da calculadora, exclusivamente da minha responsabilidade, é certo, mas que causa sempre alguma frustração, não obstante o meu monopólio da culpa.

Em suma, este teste intermédio representou mais uma oportunidade desperdiçada para eu ter 20 valores exactos numa prova da disciplina e leva a que seja preciso eu regressar a um registo mais elevado na prova seguinte para alcançar a almejada classificação icosaédrica no final do ano.

O professor já nos disse, em contornos gerais, qual vai ser a matéria para o próximo teste, que, em princípio, terá lugar dia 4 de Junho. Até lá, vou aprofundar a revisão das matérias anteriores e estudar devidamente a última unidade, para conseguir um conhecimento adequado da matéria, que permita atingir essa nota. No dia anterior ao teste, deitar-me-ei mais cedo do que é habitual, para estar de cabeça fresca na manhã seguinte, e farei o teste com muita concentração, para não dar erros estúpidos em cálculos elementares e coisas afins. Estou confiante. E tem de ser mesmo assim.

Matemática A: Preparação e Teste

Em relação à Matemática, pouco (!) tenho a dizer. Como preparação, revi as noções de teoria mais importantes acerca das funções, utilizando também alguns exercícios, e resolvi testes intermédios de anos anteriores, além de fichas de escolha múltipla (recursos atenciosamente facultados pela professora a toda a turma). Os exercícios que requeriam o uso da calculadora gráfica foram um ponto importante do meu estudo. Ainda tive tempo para ajudar alguns colegas a estudar e esclarecer um ou outra dúvida de algum, o que considero ser importante, pois os bons amigos merecem sempre a nossa ajuda, enquanto nos for humanamente possível prestar esse auxílio.

Parti confiante para o teste. Fiquei sentado do lado da janela, iluminado pela luz solar, munido de todo o material necessários à realização da prova. Correu tudo muito bem, não senti problemas durante a realização dos exercícios (que eram, regra geral, fáceis), e deixei a sala seguro de mim mesmo e das minhas respostas. Contudo, no decorrer do dia de ontem, uma ligeira suspeita atormentava a minha mente conturbada. Uma pequena nuance tinha ficado em suspenso desde a realização da prova…

Matemática A: Derivadas – Complicar o que é fácil

Na alínea 4.2, que envolvia o cálculo de uma derivada, muito fácil, por sinal, eu compliquei o exercício, utilizando a minha capacidade natural de complicar o que é simples por natureza. Embora soubesse perfeitamente que a derivada de uma função f+g é igual à soma da derivada de f com a derivada de g, no momento, pensei que poderia existir naquele exercício uma armadilha (não me perguntem porquê, foi um impulso de idiotice inexplicável, daqueles que por vezes me sucedem nas perguntas mais fáceis dos testes) e escrevi a expressão numa forma muito mais complexa, o que dificultou o cálculo da derivada (estendia-se para além dos limites do programa), que eu acabaria por errar!

Durante a prova, embora duvidasse um pouco da validade do meu processo, achei que estaria correcto, caindo numa cegueira que se prolongaria durante cerca de 24 horas. Porém, a escuridão algébrica só durou até à aula de Matemática de hoje, quando as minhas dúvidas se intensificaram, levando a que, inevitavelmente, pegasse no enunciado do teste e verificasse a minha resolução do exercício em questão. Receando seriamente ter cometido um erro (como alguns minutos mais tarde viria a perceber), resolvi o exercício de outro modo, mais complexo, mas que me levaria a um resultado inequivocamente correcto (usei os limites para determinar as derivadas). E, gradualmente, fui começando a ver que tinha metido água…

No final da aula, quando todos os meus colegas tinham abandonado a sala, interpelei a professora acerca dos critérios de correcção para aquela pergunta. Segundo as informações do GAVE, o cálculo da derivada vale 8 pontos, mas basta manifestar intenção de determinar o a derivada para conquistar 2 décimas. Por outras palavras, teria 6 décimas de desconto no exercício, sendo que a melhor nota possível passava a ser de 19,4 valores. Não era nada mau, convenhamos. Despedi-me da professora, agradecendo, e assim terminou uma semana dominada pela azáfama dos testes intermédios.

Matemática A – Expectativas e Projectos

Bem, tenho esperanças de não ter cometido mais nenhum erro no teste intermédio de Matemática. Penso que tal é possível, tendo em conta que aquela era a única pergunta do teste em que eu estava um pouco relutante. Um 19,4 seria uma excelente nota, mesmo ali na fronteira do 19, a espreitar o 20, mesmo sem chegar ao meu objectivo. Vou aguardar pacientemente, ciente dos factos, mas acreditando nesta nota como a verdadeira.

De resto, a situação é idêntica à da disciplina de Física e Química: preciso de tirar um 20 no próximo teste, custe o que custar! Sim, é preciso! E, acima de tudo, é possível! Tenho de manter os conhecimentos que já tenho sobre a matéria anterior, com a rectificação das derivadas, para não voltar a cometer o mesmo erro. Além disso, a derradeira unidade do programa, referente a sucessões, também terá de ser cuidadosamente estudada, para não perder pontos com essa matéria. Segredos para o sucesso: deitar cedo para ter um número de horas de descanso suficientes para manter a lucidez em níveis bem elevados e fazer tudo com atenção redobrada, para não me enganar na passagem de valores do enunciado para a folha de teste nem nos cálculos mais simples (geralmente, são aí os meus erros em Matemática).

Conclusão: Erguer o semblante

E pronto! Aqui estou eu, pronto para o que der e vier! A margem de erro nas duas disciplinas já terminou e tenho de me mentalizar de que tenho de melhorar, porque posso subir e quero alcançar o progresso!

Peço desculpa aos leitores pelo egocentrismo assumido deste post, mas tentem perceber que eu estava mesmo a precisar de escrever sobre estes assuntos para arrumar as ideias e moralizar a minha mente, que ficou um pouco atordoada por estas pequenas frustrações. Por favor, não vejam o post como um momento de exibicionismo, pois fui sincero em tudo o que escrevi, nunca tendo como objectivo publicitar a minha imagem ou qualquer coisa do género. Os meus desejos e ambições, por mais altos que sejam, não significam que eu não seja humilde e tenha uma postura sensata de encarar os estudos e a vida em geral.

EUSO 2009: um ano depois (as provas)

Foi precisamente no dia 5 de Abril de 2009 que a comitiva portuguesa das EUSO Murcia 2009 regressou a casa, trazendo moralizadoras e merecidas medalhas de bronze, mas, acima de tudo, memórias fantásticas de uma semana inesquecível.

Deste modo, assinalando o primeiro aniversário da chegada dos jovens cientistas à pátria,  pretendo recordar aqui os melhores momentos das Olimpíadas de Ciência da União Europeia do ano passado, evidenciando os motivos que tornaram esta aventura uma experiência tão enriquecedora e memorável.

As provas: grandes testes ao nosso potencial e lições para o futuro.

Seguindo as normas da organização, os testes das EUSO 2009 envolviam sempre uma componente experimental e uma vertente teórica. Genericamente, podemos dizer que o trabalho laboratorial era a base de tudo, uma vez que a avaliação dos grupos residia nos registos de medições e resultados, bem como nas respostas a questões relacionadas com as actividades a realizar.

Foram realizadas duas provas: uma no dia 31 de Março (3ª feira) e outra no dia 2 de Abril (5ª feira). Ambas as provas estavam divididas em 3 partes, referentes aos três domínios da ciência abordados, passo a citar, a Biologia, a Química e a Física. No entanto, não deixou de ser curioso que, no teste do dia 31 de Março, o segmento de Biologia se tratasse, na verdade, de uma actividade de Química, com um pequeno exercício no final sobre o ciclo de vida do bicho-da-seda.

De um modo geral, para quem não estiver interessado em ler  informação específica sobre cada uma das provas, posso dizer que foram muito interessantes, estimulando o nosso espírito científico e desenvolvendo a nossa capacidade de resposta a problemas inéditos. Fomos a Espanha com o intuito de honrar o nosso país, procurando ultrapassar as dificuldades que certamente iríamos encontrar, na tentativa de superar o nosso melhor. Ao mesmo tempo, participámos nesta grande competição científica tendo como propósito aprofundar os nossos conhecimentos nas nossas áreas predilectas e desenvolver competências fundamentais para a nossa formação e carreira.

Pois bem, não poderíamos ter sido mais bem sucedidos nestes objectivos, algo que podemos confirmar pela extraordinária evolução que protagonizámos do primeiro para o segundo teste. Por isso vos digo: foi formidável!

Competências adquiridas:

  • encarar situações novas
  • reagir a adversidades
  • trabalhar em equipa
  • aprender com os erros

1ª prova: fibras têxteis

Cada prova estava subordinado a um tema em concreto, que funcionava como mote de todo o teste. Na primeira prova, o tema central eram as fibras têxteis, dado que 2009 foi considerado o Ano Internacional das Fibras Naturais. A parte de Biologia, ou melhor, a primeira parte de Química, girava em torno da temática da seda e do famoso bichinho que produz esta fibra natural, devido ao simbolismo da cultura da seda naquela região de Espanha. E, se a segunda actividade de Química incluía uma titulação e a síntese artificial de nylon, a parte de Física baseava-se numa comparação das propriedades da seda e do nylon.

Não nos correu bem esta prova. O nosso grupo estava habituado a trabalhar em conjunto durante na totalidade do tempo, realizando todas as actividades do teste colectivamente. Ora acontece que este sistema tinha muitas vantagens  nas provas das Olimpíadas de Física, onde a sua utilização nos tinha catapultado para o primeiro lugar nas regionais e nas nacionais, mas não se aplicava ao modelo de prova das EUSO, com três actividades complicadas, repletas de problemas novos para nós, que exigiam muito tempo e toda a nossa concentração.

Durante a prova, encontrámos diversas contrariedades contra as quais nada podíamos fazer, e outras que, com mais experiência de laboratório e concentração em alguns instantes, talvez tivéssemos conseguido ultrapassar. O estado de saúde do Duarte, um bocado adoentado, com sintomas de gripe, veio prejudicar o nosso desempenho, apesar da atitude aguerrida do nosso companheiro de equipa. Outro aspecto altamente imprevisível que nos impediu de triunfar foi as deploráveis condições das balanças da universidade, cujos pratos não estavam completamente fixos, impedindo assim uma medição rigorosa das massas, que nos fez errar o cálculo das densidades.

No entanto, o resultado teria sido muitas vezes melhor se tivéssemos terminado a prova, algo que não aconteceu devido à nossa deficiente divisão de tarefas, ou se tivéssemos encarado as questões com mais atenção, pois tínhamos capacidade para fazer melhor, não fossem as condicionantes de tempo e a grande dimensão da prova. Resultado final: 31 pontos num total de 94 possíveis. Um novo record nas nossas carreiras de estudantes: a pior classificação de sempre (como o Duarte fez questão de referir, com humor).

Os testes exigiam mais experiência de laboratório e uma tripartição do trabalho, com um aluno especializado em cada uma das actividades. Não era difícil entender isto, mesmo para quem pensava que a prova tinha corrido bem (que ingenuidade, a nossa). De facto, sentimos que não tínhamos feito má figura, uma vez que havíamos percebido os conteúdos abordados e tínhamos realizado praticamente todos os trabalhos laboratoriais (como eu disse depois no hotel, “não perdemos o comboio da ciência”). No entanto, os pontos residiam nas questões, e nesse capítulo tínhamos cometido demasiados erros…

2ª prova: sumos de fruta

Se bem me lembro, o teste do dia 2 de Abril centrava-se no estudo dos sumos de fruta segundo diferentes perspectivas. A parte de Biologia, desta vez incidia realmente sobre a ciência da vida, girava em torno da observação microscópica de seres vivos de de diferentes reinos, que suscitava questões diversas, estando de alguma maneira relacionada com a questão dos sumos (não me recordo exactamente como). A actividade de Química, por sua vez, voltava a incluir titulações e diversos cálculos envolvendo moles, enquanto o grupo de Física tinha como grande objectivo a determinação da capacidade térmica mássica do sumo (utilizando água em substituição deste líquido).

Tirando preciosas ilações da prova anterior, optámos por uma inteligente divisão de tarefas, desdobrando a nossa equipa nos seus três membros constituintes: Frederico, o biólogo, Duarte, o químico, André, o físico. E assim, motivados pela perspectiva de uma grande prova, demos início às actividades, cada um responsável pela sua parte, após um curto período de análise do teste em conjunto. Naturalmente que também houve entreajuda nesta prova, mas ocorreu de uma forma muito mais estratégica e profícua do que na ocasião anterior.

Firmes no nosso propósito, com uma postura correcta face aos trabalhos propostos, não recuámos perante as adversidades e fizemos frente aos problemas, contornando as barreiras que se nos afiguravam. Todos nos confrontámos com situações de difícil resolução, mas uma análise cuidada das circunstâncias e muita determinação na tentativa de corrigir os erros permitiram encontrar as soluções adequadas. Quando precisávamos da ajuda de um colega, quer para questões técnicas quer em termos de conhecimentos, não hesitávamos em pedir e o nosso compatriota vinha prestar auxílio tão rapidamente quanto as suas actividades o permitiam. Funcionámos muito bem.

No fim, eu, que cooperei activamente com os meus colegas, intervindo nas várias partes da prova, e tinha compreendido perfeitamente todos os exercícios do segmento de Física, acabei por não conseguir chegar aos resultados desejados. Porquê? Pela mesma razão pela qual não conseguíramos determinar as densidades do nylon e da seda no primeiro teste: balança com o prato mal colocado. Já me debati diversas vezes com a questão e a conclusão é inevitável! Um mau posicionamento daquela peça da balança prejudicou as medições das massas de água, influenciando todos os resultados na mesma ordem de grandeza, visto que o gráfico obtido era uma recta, mas em vez de passar pela origem interceptava o semieixo positivo das abcissas.

Tentei de tudo para rectificar a situação, mas já era tarde e tive de trabalhar com os dados que tinha, até porque sabia que o meu procedimento estava correcto! Depois, todos os exercícios ficaram errados, em cadeia, e eu nada podia fazer! Se não fosse o raio da balança… aqui está um parâmetro em que o material da nossa escola tem alguma superioridade!

No final, viemos a saber que a nossa classificação nesta prova tinha sido de 70 pontos num universo de 86 possíveis. Nada mau! Fizemos grandes progressos relativamente ao teste anterior! E, aparentemente, as minhas peripécias com a balança não tiveram um efeito demasiado negativo no resultado final, posto que preenchi correctamente os registos, elaborei um gráfico de acordo com os meus dados e ainda acertei a uma questão de escolha múltipla. Fui penalizado nos valores das massas, no cálculo da capacidade térmica mássica e nas duas alíneas que se seguiram, dependentes da determinação de c. De resto, como o motivo do meu erro foi uma questão exterior à minha responsabilidade, e também participei activamente nas respostas ao questionário de biologia, cooperando magnificamente com o Fred, fiquei de consciência tranquila e sinto que cumpri o meu dever como membro da equipa.

E assim se demonstrou que o trio de cientistas do Restelo tinha um imenso valor e aprendera imenso com a experiência do primeiro teste! Se, no dia 31 de Março, tínhamos conseguido não perder o expresso europeu da ciência, na segunda prova não só apanhámos o comboio, como também chegámos ao fim da linha! Ou pelo menos ficámos perto. Como disse a professora Isaura Vieira, da DGIDC, “se tivesse havido uma terceira prova…”.

Aviso: mais tarde falarei sobre os outros aspectos das EUSO 2009.

Brasília: Antes da aventura. Acompanhantes. Porquê Brasília? Pesquisa.

Antes da partida

Olá a todos. Antes de mais nada gostaria de avisar que vou estar ausente da blogosfera por um período de 67 horas. Nada mais, nada menos, do que o tempo de duração da minha curta, mas frutuosa (pelo menos assim a espero) estadia na capital brasileira, Brasília (peço desculpa pela excessiva repetição de sons).

Para dizer a verdade, estou com um bocado de pressa, pois embora a partida do avião esteja prevista para as 23:50, temos de estar no aeroporto o mais cedo possível, dado que o número de passageiros em económica atingiu valores máximos, e só poderemos viajar em executiva, o que implica a resolução de certos problemas burocráticos e tal.

Bem, não tenho tempo para mais, por isso fica assim.

O que acabaram de ler são as linhas originalmente escritas por mim a 1 de Abril de 2010, cerca das 19:30. Dia esse em que viajei para Brasília com os dois membros do meu agregado familiar, a saber, as entidades femininas materna e fraterna.

Mas… Não acharam que a confusão das linhas de cima se deve a mais qualquer coisa do que o meu estado de inquietação antes de sair de casa no dia da viagem? Como é que eu já sabia que a classe económica estava em lotação esgotada? E quem sou eu para ir em executiva? Não terei de pagar mais? A explicação é simples: a minha mãe é tripulante da TAP.

Gozar as coisas boas que a fortuna nos reserva: mãe tripulante, viagens fáceis.

Passo a explicar tudo: a minha mãe trabalha na TAP como assistente de bordo, desempenhando a honrada função de Chefe de Cabine. Uma vez que, actualmente, realiza voos de longo curso, isto é, travessias intercontinentais de longa duração, os seus destinos incluem 8 cidades brasileiras e não fogem muito desta tendência Canarinha. Assim sendo, o Distrito Federal representa uma das possibilidades de rumo.

Como tripulante, a minha mãe tem direito a levar acompanhantes nas suas viagens. Isto significa que, se assim pretender, pode levar consigo familiares ou amigos numa das suas estadias, sem despender grandes quantias nos bilhetes de avião (ficam praticamente ou mesmo totalmente gratuitos) . Ora esta regalia constitui um enorme privilégio, pois permite viajar para diversos locais do planeta gastando uma fracção insignificante das quantias exorbitantes do costume.

Claro que depois ficamos subjugados aos tempos de estadia dos tripulantes, que tendem a ser cada vez mais curtos, o que restringe em grande medida os nossos planos turísticos e transforma as mini-férias em folgas a milhares de quilómetros de casa.

Porém, uma viagem é sempre uma aventura, que permite conhecer novos mundos, realidades completamente diferentes, que nos podem fascinar de uma forma espectacular, proporcionando experiências únicas que nos marcam para o resto da vida. E depois, tem as suas vantagens, que se estendem muito além do preço, dadas as grandes probabilidades de sermos privilegiados com as atenções do comandante e da tripulação, que podem incluir: viajar em executiva, descolar e aterrar no cockpit, receber os sorrisos dos colegas da mãe, entre muitos outros factores que se combinam num tratamento de luxo.

No caso aqui tratado, a minha mãe já recebera as nossas autorizações de voo, depois de as ter pedido via online, e faltava apenas a confirmação de que eu e a minha sister teríamos lugar no avião. Porém, todos os lugares de classe económica estavam atribuídos, pelo que só nos restava a hipótese de viajar em executiva (business class). Com o intuito de resolver o problema, a minha mãe tentara contactar o responsável máximo do voo, o Senhor Comandante Silva Pires. No entanto, não obteve resposta, pelo que a questão tinha de ser resolvida no aeroporto, o mais cedo possível, e daí a nossa pressa para sair de casa.

Reflexão do autor a meio da redacção do post (não leiam)

Quem me conhece em termos de expressão escrita sabe bem que eu tenho um problema de síntese: não consigo parar de falar dos assuntos que me interessam, pois o meu entusiasmo leva-me a descrever com grande pormenor todas as situações tratadas, procurando referir todas as informações relevantes (e aqui podem surgir grandes discussões). Aqui no meu blogue, onde praticamente só falo de coisas que me interessam muito, ou sobre as quais tenho muitas coisas a dizer, a extensão dos textos é excessivamente grande.

É precisamente esta situação que está a acontecer com este post! Inicialmente, esperava que fosse um texto breve, no qual apresentaria de forma sucinta o propósito da viagem, as suas circunstâncias e aquilo que eu contava encontrar em Brasília. Contudo, a falta de tempo conduziu a um fim abrupto do post na quinta-feira, para depois ser retomado, no dia da chegada a Lisboa, isto é, Domingo. E hoje (justamente esse Domingo, dia 4 de Abril) não consigo refrear esta veia jornalística (digamos assim, pois literária não se aplica ao contexto) numa chuva de letras que se precipitam no ecrã do computador, brutalmente impelidas pelos meus dedos implacáveis. Enfim, vou prosseguir.

Porquê Brasília?

Mas afinal, quais eram realmente as minhas intenções ao visitar a peculiar cidade brasiliense? Analisemos a questão por partes.

Bem, antes de mais nada, era este o voo da minha mãe na primeira semana das nossas férias, representando, assim, uma soberba oportunidade para conhecer a capital brasileira. Dado que a minha mãe até gosta do destino, achando a cidade interessante e o local do hotel agradável, lançou o convite, dirigido a mim e à minha irmã.

Entretanto, eu já tinha vindo a alimentar uma certa curiosidade em relação ao núcleo administrativo do Brasil. Esta paixão pela cidade desconhecida já é antiga, remontando aos meus tempos de criança, em que soube da sua existência, por intermédio da minha mãe, que me explicou, contra todas as minhas expectativas, que a capital do Brasil era uma construção moderna no interior do Brasil chamada Brasília, e não o Rio de Janeiro, cidade imponente onde me levara. Inicialmente, até achei que seria um local pouco interessante, desmerecedor da minha atenção de jovem explorador. Porém, a cidade sempre me intrigou, mesmo que eu não desse por isso.

Alguns anos mais tarde, não muitos, li um cativante conto do livro 15 Maravilhas do Mundo que estimulou o meu interessa pelo Distrito Federal. Esta magnífica cidade, erigida no meio de coisa nenhuma, servia de palco à acção, aquando da sua inauguração, em 1960, numa história familiar que culmina num final feliz, e um pouco de futebol à mistura. Assim, compreendi realmente o fascínio que Brasília suscitava em mim.

Por fim, em 2007, quando a TAP começou a viajar para Brasília, a minha mãe trouxe relatos e fotografias que muito me interessaram, com as descrições profundas e atractivas da cidade e dos seus monumentos, do hotel e do gigantesco lago em redor. Maravilhoso! Podia não ter a dimensão social, cultural, económica e turística do Rio de Janeiro ou de São Paulo, mas a visita à capital do país do samba era, para mim, uma possibilidade bem forte no futuro, a estudar com a devida atenção.

Deste modo, e com saudades de andar de avião, o que também faz as minhas delícias, não hesitei perante a proposta da minha mãe, vendo que não perdia aulas e valorizava as férias com uma experiência inesquecível! Além de favorecer a busca de temperaturas mais elevadas e promover iniciativas como banhos em piscinas exteriores e coisas afins.

Antes de viajar, pesquisar sobre o destino!

Na noite anterior à minha partida para Brasília, não pude deixar de procurar alguma informação na Internet sobre a cidade que iria conhecer alguns dias mais tarde. Uma vez que iria dispor de pouco tempo para conhecer a capital dos nossos irmãos lusófonos, queria reunir uma quantidade apreciável de informação acerca do local, de maneira a conseguir entender melhor as indicações dos guias e ser capaz de colocar questões. E, convenhamos, ter um conhecimento mínimo do nosso destino pode ser muito útil.

Na sequência das razões que apresentei em cima, recorri à sempre preciosa ajuda da wikipédia, onde obtive alguma informação geral sobre o destino da minha empresa. Como já era tarde, horas de dormir, e o sono me precipitava numa irresistível preguiça, acabei por deixar os pormenores para o dia seguinte. Desta forma, algumas horas antes de sair de casa, regressei ao artigo da wikipédia, li minuciosamente o texto na íntegra e procurei informação complementar em artigos relacionados.

Como também não tinha muito tempo e tinha de me despachar, tendo em conta que ainda queria escrever um post de despedida (este que estão agora a ler), acabei por não dar a devida atenção a tudo. Em todo o caso, o que vi serviu para aguçar esta minha curiosidade, criar em mim uma ansiedade crescente, perturbar a minha paz interior, embora estas alterações emocionais não tivessem expressão no meu ar exterior. Oh! Tantas vezes que isto acontece!

E assim foi. Não vale a pena enumerar tudo aquilo que eu li no artigo da wiki. Em primeiro lugar, qualquer um pode seguir o link e aceder a essas informações. Em segunda instância, todos sabemos que, se o fizesse, o texto ultrapassava as 5 000 palavras. Por fim, tudo aquilo que interessa referir será convenientemente abordado em um ou dois posts futuros sobre as viagens e a estadia em si.

É verdade. Estão todos convidados a ler os próximos artigos sobre a viagem. Fiquem atentos! Mas estou a ver que vou ter de dividir o relato em duas partes!