Os Lusíadas: um Poema e um Museu


Segundo a tese apresentada, Os Lusíadas transcendem largamente as dimensões de um poema vulgar. São uma obra colossal da literatura portuguesa, funcionando igualmente como registo da grandeza da Pátria que os portugueses lograram erigir. A sua dualidade exprime-se através da magnificência nacional e da genialidade do poeta que eximiamente a revelou ao mundo, relatando feitos verídicos de autoria lusitana. O autor defende, portanto, a elevação d’ Os Lusíadas ao duplo estatuto de poema e museu, face à grandeza camoniana de conjugar factos reais numa glorificação apoteótica do povo português.

N’ Os Lusíadas, sobressaem a riqueza literária de um poema épico colossal e o seu enorme valor enquanto fonte documental da glória portuguesa do passado. São indubitáveis «o engenho e arte» que Camões incutiu nesta obra, transformando-a num ícone da literatura nacional, enquanto registava «As obras portuguesas singulares», para que fossem reconhecidas pelo seu heroísmo. Contudo, o poeta não se limitou a demonstrar a glória inerente aos eventos mais resplandecentes da viagem e da História portuguesa: Camões almejava uma difusão universal da grandeza lusíada («Cantando espalharei por toda a parte»), visando a superação dos modelos clássicos («Julgas agora, Rei, se houve no mundo / Gentes que tais caminhos cometessem?») e a ascensão de Portugal a um estatuto supremo («Que outro valor mais alto se alevanta!»). Consequentemente, Camões imortalizou os feitos portugueses, materializando o seu amor à Pátria numa epopeia representativa da identidade nacional.

Camões operou também uma restrição do universo épico aos feitos reais dos portugueses, que os heróis nacionais efectivamente praticaram («obras tão dignas de memória»), ficcionando apenas a intervenção dos deuses clássicos, alegórica («Só pera fazer versos deleitosos / Servimos»), e pequenos episódios estilisticamente criados pelo poeta para engrandecer a glória portuguesa, alicerçados em factos verdadeiros. Não obstante, Camões deseja que os extraordinários feitos reais dos portugueses superem as acções fictícias dos heróis clássicos («As verdadeiras, vossas, são tamanhas / Que excedem as sonhadas, fabulosas»). Assim, escrever uma epopeia da grandiosidade das epopeias clássicas sem ficcionar significativamente constitui uma prova da genialidade camoniana e da glorificação prodigiosa dos portugueses na obra.

Concluindo, Os Lusíadas são uma epopeia que engrandece Portugal duplamente: pela magnificência literária da obra e pela forma extraordinária como dignificam cada feito da História de Portugal. Poema paradigmático da literatura portuguesa, Os Lusíadas revelam ao mundo a honra gloriosa encerrada no «peito ilustre lusitano». Nos seus versos, simultaneamente verdadeiros e transcendentes, perpassa um sentimento patriótico que vivifica a alma lusíada!

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