Os Lusíadas: um Poema e um Museu

Segundo a tese apresentada, Os Lusíadas transcendem largamente as dimensões de um poema vulgar. São uma obra colossal da literatura portuguesa, funcionando igualmente como registo da grandeza da Pátria que os portugueses lograram erigir. A sua dualidade exprime-se através da magnificência nacional e da genialidade do poeta que eximiamente a revelou ao mundo, relatando feitos verídicos de autoria lusitana. O autor defende, portanto, a elevação d’ Os Lusíadas ao duplo estatuto de poema e museu, face à grandeza camoniana de conjugar factos reais numa glorificação apoteótica do povo português.

N’ Os Lusíadas, sobressaem a riqueza literária de um poema épico colossal e o seu enorme valor enquanto fonte documental da glória portuguesa do passado. São indubitáveis «o engenho e arte» que Camões incutiu nesta obra, transformando-a num ícone da literatura nacional, enquanto registava «As obras portuguesas singulares», para que fossem reconhecidas pelo seu heroísmo. Contudo, o poeta não se limitou a demonstrar a glória inerente aos eventos mais resplandecentes da viagem e da História portuguesa: Camões almejava uma difusão universal da grandeza lusíada («Cantando espalharei por toda a parte»), visando a superação dos modelos clássicos («Julgas agora, Rei, se houve no mundo / Gentes que tais caminhos cometessem?») e a ascensão de Portugal a um estatuto supremo («Que outro valor mais alto se alevanta!»). Consequentemente, Camões imortalizou os feitos portugueses, materializando o seu amor à Pátria numa epopeia representativa da identidade nacional.

Camões operou também uma restrição do universo épico aos feitos reais dos portugueses, que os heróis nacionais efectivamente praticaram («obras tão dignas de memória»), ficcionando apenas a intervenção dos deuses clássicos, alegórica («Só pera fazer versos deleitosos / Servimos»), e pequenos episódios estilisticamente criados pelo poeta para engrandecer a glória portuguesa, alicerçados em factos verdadeiros. Não obstante, Camões deseja que os extraordinários feitos reais dos portugueses superem as acções fictícias dos heróis clássicos («As verdadeiras, vossas, são tamanhas / Que excedem as sonhadas, fabulosas»). Assim, escrever uma epopeia da grandiosidade das epopeias clássicas sem ficcionar significativamente constitui uma prova da genialidade camoniana e da glorificação prodigiosa dos portugueses na obra.

Concluindo, Os Lusíadas são uma epopeia que engrandece Portugal duplamente: pela magnificência literária da obra e pela forma extraordinária como dignificam cada feito da História de Portugal. Poema paradigmático da literatura portuguesa, Os Lusíadas revelam ao mundo a honra gloriosa encerrada no «peito ilustre lusitano». Nos seus versos, simultaneamente verdadeiros e transcendentes, perpassa um sentimento patriótico que vivifica a alma lusíada!

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Elementos da Tragédia Clássica na transmissão da mensagem sociopolítica de «Felizmente há Luar!»

A defesa da liberdade e da justiça, atitude de rebeldia, constitui a hybris (desafio) desta tragédia. Como consequência, a prisão dos conspiradores provocará o sofrimento (pathos) das personagens e despertará a compaixão do espectador.

Segundo a tese acima apresentada, «Felizmente há Luar» inclui elementos estruturais da tragédia clássica, sendo o desafio representado pela apologia da liberdade e da justiça, dada a ousadia patente nesta luta. Considera igualmente que o encarceramento dos revoltosos motiva o sofrimento nas personagens, gerando compaixão no espectador. Assim, o juízo crítico apresentado enquadra a peça na tragédia clássica, apontando o combate por liberdade e justiça como a hybris e entrevendo o pathos nas emoções despoletadas pela prisão dos conspiradores.

Inquestionavelmente, a batalha em prol dos valores liberais está presente na totalidade da obra. Inicialmente, as informações fornecidas pelos populares sugerem uma imagem de Gomes Freire como «um amigo do povo», disposto a lutar contra o sistema sociopolítico vigente, («capaz de se bater com os senhores do Rossio…»). Todavia, tal propósito não se compatibiliza com os interesses dos membros da Junta Governativa («que honras, que posições seriam as nossas, se ao povo fosse dado escolher os seus chefes?»). Assim, os regentes desenvolvem uma feroz oposição aos seus intentos liberais, implementando medidas que visam a prisão daquele «que mais nos convém que tenha sido o chefe da conjura», pois «Em política, quem não é por nós, é contra nós». A luta por liberdade e justiça representa, por conseguinte, o desafio subjacente a esta peça.

Consequentemente, a improbidade patente no encarceramento e condenação do general gera um sofrimento acentuado nas personagens, nomeadamente em Matilde, sua esposa, que empreende esforços infatigáveis no salvamento do marido («troco a minha vida pela dele!»), manifestando constantemente as suas perturbações emocionais («O meu homem!»). Progressivamente, Matilde toma consciência da dimensão do problema, rebelando-se em prantos desesperados, desejando, ironicamente, que o general «tivesse sido menos homem». Os apelos à consciência social do espectador mantêm-se presentes nas suas palavras, rogando-lhes que «Limpem os olhos ao clarão daquela fogueira e abram as almas ao que ela nos ensina!». Indubitavelmente, a comoção apodera-se do espectador, propiciando a recepção da mensagem presente.

Sumariando, em «Felizmente há luar», a defesa dos valores liberais e os obstáculos que se lhe interpõem constituem a hybris, estando o pathos presente no sofrimento causado pela condenação dos seus apologistas. Efectivamente, o desenvolvimento da peça com base numa interligação com os moldes de concepção da tragédia clássica (exposição contínua das questões suscitadas pela hybris, aliada a uma exploração eficaz do pathos) potencia o acolhimento dos valores da liberdade e da justiça, operando uma sublimação da luta correspondente.

Os Lusíadas: O valor das honras e das glórias conquistadas por mérito próprio (Excurso do Poeta situado no Canto VI)

Depois de muito sofrer e muito penar durante o período carnavalesco, apresento aos meus leitores ocasionais o produto do intenso trabalho de reflexão (e síntese) a que procedi recentemente. Os Lusíadas, esse incrível edifício literário que foi obra de um português! Mas quando os estudantes do ensino secundário são incumbidos da difícil missão de escrever sobre a epopeia camoniana, tudo assume contornos mais agrestes!

Sucintamente, digamos que a dissertação inicial continha 861 palavras, correspondendo a redução deste número para as 600 permitidas (pelo limite estabelecido pelas forças opressoras) a um esforço indómito, passível de me coroar com as maiores honras celestes (e como o meu apelido é Coroado, tudo isto faz sentido).

Bem, sem mais demoras, apresento o texto aos potenciais interessados. Trata-se de uma dissertação, desenvolvida no âmbito da disciplina de Português, acerca de uma passagem d’ Os Lusíadas, nomeadamente, o excurso do poeta situado no Canto VI, correspondendo às estâncias 95-99. Nestes versos inspirados, Luís de Camões reflecte sobre o valor das honras e das glórias conquistadas por mérito próprio, de um modo peculiar, que passarei a descrever:

Em Os Lusíadas, Camões procede a uma apologia do heroísmo português, exaltando a grandiosidade dos feitos lusitanos, especialmente aquando da viagem de Vasco da Gama à Índia. O seu patriotismo transfigura a gente lusíada, mitificando-a. O momento da chegada a Calecute, particularmente, representa a capacidade portuguesa de suportar inúmeros tormentos e transpor quaisquer obstáculos por uma missão patriótica, conquistando glória e imortalidade por mérito próprio. Assim sendo, Camões decide reflectir acerca do valor de tais honras, contemplando a atitude heróica subjacente, distinguindo-a das restantes condutas.

Para Camões, o sofrimento e a superação de perigos são imprescindíveis na busca da glória, intangível para os que se refugiarem nas honras conquistadas pelos seus antepassados, bem como aqueles que viverem na ociosidade, no luxo dos prazeres sem contrariedades ou na inércia do comodismo. Os perigos e medos desafiam os homens, coagindo-os a trabalhar arduamente para vencer as adversidades, podendo alcançar a honra «Por meio destes hórridos perigos, / Destes trabalhos graves e temores». Pelo contrário, a atitude saudosista daqueles que se regozijam à luz da herança gloriosa dos seus predecessores, não conduzirá às almejadas honras («Não encostados sempre nos antigos troncos nobres / dos seus antecessores»). Paralelamente, os requintes gustativos («Não c’os manjares novos e exquisitos»), as expressões da preguiça («Não c’os passeios moles e ouciosos») e a satisfação de infindáveis prazeres («Não c’os vários deleites e infinitos») estiolam a virilidade, obstando à conquista da honra. Assim, os desejos sem oposição, alimentados pela sorte, impedem «que o passo mude / Pera algũa obra heróica de virtude».

A honra não pode ser senão o fruto de um esforço indómito, que envolva sofrimento inquantificável e luta incessante face às dificuldades, associados a uma placidez na confrontação com o perigo, configurando uma atitude virtuosa do indivíduo, passível de gerar uma honra genuína que lhe atribui um estatuto superior. A glória tem de ser procurada arduamente através esforço pessoal («Mas com buscar, c’o seu forçoso braço, / As honras que ele chame próprias suas»). Todavia, essa via revela-se tortuosa, implicando sacrifícios colossais e um sofrimento atroz, vencido graças ao esforço heróico. Suportar as tormentas do oceano («Sofrendo tempestades e honras cruas»), superar os frios meridionais («Vencendo os torpes frios no regaço / Do Sul») e ingerir alimentos deteriorados («Engolindo o corrupto mantimento») são comportamentos propiciadores da honra, quando acompanhados duma valentia estóica, que permita manter frieza e ânimo face aos maiores perigos («E com forçar o rosto, que se enfia, / A parecer seguro, ledo, inteiro»). Tal atitude guerreira conduz à construção da verdadeira honra, nascida da virtude («Desta arte o peito um calo honroso cria»), contrastante com honrarias e dinheiro obtidos fortuitamente. A glória conquistada pelo guerreiro sofredor confere-lhe uma sabedoria serena, que o coloca em «alto assento» e o distingue do «baixo trato humano embaraçado», ascendendo a «ilustre mando» por mérito próprio e não por concessão de favores, aceitando o poder por patriotismo, mesmo «contra vontade sua».

Resumindo, Camões dissocia a honra do saudosismo, da ociosidade e do luxo, defendendo o esforço pessoal, a luta contra o sofrimento e a superação dos medos e perigos como único caminho seguro para a glória. Quem assim agir alcançará as honras da virtude, distintas das oferecidas pela sorte, e logrará uma demarcação moral e intelectual face aos homens. Aplaudo a perspectiva camoniana, subscrevendo a construção da honra pela acção humana. Hoje, no combate ao capitalismo corrupto, somos responsáveis por honrar quem edifica algo de valor, lutando contra adversidades, por dedicação a causas nobres.

Portugal e Brasil – Dois irmãos zangados

Todos estarão certamente recordados da polémica que se gerou em torno das declarações da actriz brasileira Maitê Proença num vídeo gravado em Portugal e no qual deliberadamente troçava do nosso país e da nossa cultura. As imagens foram emitidas em todos os canais generalistas portugueses e chocaram a população portuguesa. Ao fim e ao cabo, as pessoas inteligentes, após uma fase inicial em que se sentiram ofendidas no seu orgulho lusitano, acabaram por esquecer, deixando as insinuações sem fundamento de uma pessoa tão ignóbil morrer atropeladas pelo tempo.

Foi nessa altura que o meu colega e amigo Marco Formiga, no seu blogue pessoal lvsitano.net publicou este artigo sobre o sucedido. Revoltado contra este ser reles a quem chamam maitê proença, espelhou a sua fúria enraivecida numa escrita espontânea e ao mesmo tempo criativa, dirigindo alguns insultos muito apropriados à tal senhora.

Nova imagem do blogue do Marco

Os comentários ao post confirmaram a onda de revolta gerada nos leitores do blogue e surgiu inclusivamente uma pessoa de nacionalidade brasileira a criticar o comportamento de maitê proença. E aliás só podia ser assim, tendo em conta a gravidade do gesto da actriz. No entanto, nos últimos dias, um(a) leitor(a) também de nacionalidade brasileira comentou o artigo contestando uma passagem do post do Marco.

O referido excerto, apesar de denotar um espírito de revolta contra a ignorância de maitê proença e um desejo de vingança verbal, está de acordo com os factos e não inventa rigorosamente nada:

“Com certeza que aquela peça infinita de improficuidade não se lembra que foram os portugueses quem chegou ao Brasil e quem lhes deu alguma esperança de progresso, numa altura em que lá só se conheciam as tangas e pobres vestes de homens que ainda viviam na forma selvagem.”

Como vêm, apesar da agressividade aparente e da rudeza com que os factos são referidos, nada disto é ficção: tudo corresponde a um retrato fiel da realidade do achamento do Brasil.

Todavia, não foi isto que o/a senhor(a) JLK pensou. Deste modo, sem nunca faltar ao respeito, este indivíduo criticou a frase do Marco e alegou conter fugas à verdade:

Desculpe, mas isso é mentira.

Os portugueses atrasaram em tudo o nosso progresso. O Brasil só começou a se desenvolver quando chegaram imigrantes de outras nacionalidades (italianos, espanhois, alemães, etc, etc)

Se hoje somos a 8a. economia do mundo e uma potencia industrial é por causa deles, e não dos portugueses, que só espalharam atraso e miséria por onde andaram.

Não é por outra razão que são o país mais atrasado da Europa e são desprezados pelos paises ricos da UE.

Não quero ofender ninguém, mas esta é a realidade.

Pois bem, tenciono fazer uma longa revisão dos factos relativos à História do Brasil, centrando-me na acção dos portugueses e estabelecendo comparações com o papel de espanhóis, italianos e alemães. Se não acharem o tema interessante, nem vale a pena perderem o vosso tempo com isto. Mas para quem tiver curiosidade, dêem uma vista de olhos.

Achamento e Colonização do Brasil

Pedro Álvares Cabral

Para começar: é do conhecimento geral que os portugueses foram o primeiro povo civilizado a atingir a terra que hoje se chama Brasil. Em 1500, o ilustre navegador lusitano Pedro Álvares Cabral, ao serviço de El-Rei D. Manuel I, descobriu ocasionalmente umas terras a sudoeste da Europa, a que chamou Terra de Vera Cruz (tudo isto foi registado no diário de Pêro Vaz de Caminha).

Ora nesta época, os povos brasileiros estavam divididos em tribos primitivas (tupis, guaranis, tapuas, etc…) que viviam em condições precárias, numa constante luta pela sobrevivência. Muitas destas tribos eram rivais umas das outras e ocorriam combates sangrentos pela simples competição pelos recursos naturais. Muitas delas praticavam o canibalismo. Algumas delas eram nómadas, estando atrasadas mais de 10 000 anos na História!

Os portugueses foram-se estabelecendo no Brasil, colonizando estes vastos territórios e dividindo-os em capitanias. Naturalmente que, sendo uma terra da Coroa Portuguesa, os colonos tentavam explorar os recursos locais de acordo com os seus próprios interesses.

Tráfego de Escravos e Exploração Humana

É perfeitamente verdade que os portugueses tentaram escravizar as populações locais, como qualquer outro povo europeu teria feito, mas os ameríndios não conseguiam trabalhar como seria desejado. Então os portugueses iniciaram o tráfego de escravos no Oceano Atlântico, trazendo-os de África em condições verdadeiramente desumanas. É igualmente verdade que, no Brasil, esses mesmos escravos eram muito mal tratados. Mas também é indiscutível que todos os outros povos europeus, sem excepção, recorriam à escravatura neste momento, e quando iniciaram a sua expansão marítima (muito tempo depois de Portugal) também se revelaram grandes adeptos do tráfego de escravos.

São estes os pontos mais negativos da acção dos portugueses no Brasil. Não há desculpas possíveis, todos os portugueses estão conscientes disso e não há maneira de desculpar estas acções terríveis dos nossos antepassados. Agora, temos de perceber que isto era comum no contexto da época, e não exclusivo dos lusitanos. Vir dizer que os portugueses arruinaram o vosso país, e que os outros povos, supercivilizados, foram muito amiguinhos do Brasil… por favor, qualquer outro povo teria cometido as mesmas atrocidades no lugar dos colonos portugueses!

Acção Determinante dos Portugueses

Para lá dos horrores da escravatura, os portugueses fizeram muitas coisas positivas no Brasil. Alguns lusitanos, aventureiros intrépidos, guiados pelos indígenas locais, levaram a cabo interessantes explorações ao interior – as bandeiras – no sentido de desvendar essas extensas áreas desconhecidas e povoar algumas delas. Construíram muitas cidades, além de vias de comunicação e muitas outras infraestruturas, trouxeram equipamentos de Portugal que revolucionaram a vida no Brasil, enfim, lançaram as bases do Brasil, edificando uma verdadeira civilização num local que permanecia em estado selvagem, um infinito agregado de terrenos baldios onde a espécie humana não fazia uso de grande parte das suas capacidades.

Ainda que esse crescimento do Brasil não se tenha verificado de forma tão rápida e organizada como se desejaria, a verdade incontestável é que foram os portugueses quem de facto iniciou a construção do Brasil. Decerto que o Brasil de hoje em dia nada tem a ver com a colónia portuguesa que obteve a sua independência em 1822, e posso mesmo admitir que nesse momento o Brasil não apresentava a prosperidade de outras colónias sul-americanas.  No entanto, o que não se pode negar é que foram os portugueses quem começou a exploração do Brasil, o povoamento destes territórios e toda uma transformação daquela vasta área que possibilitaria o florescimento de um novo país.

Não nego que os portugueses colonizaram o Brasil e moldaram este local de acordo com as suas necessidades momentâneas, encarando-o como uma fonte de enriquecimento da metrópole e não como um futuro país.Neste ponto, poderei concordar com quem disser que os portugueses tiveram uma atitude egocêntrica e pouco visionária, pois não se preocuparam com o futuro daquelas terras e com as gerações vindouras que viriam a constituir a população de um novo país. Mas aqui voltamos à mesma questão? Quem, no seu lugar, não teria agido da mesma maneira? Se os outros povos, nomeadamente os espanhóis, ocuparam de forma diferente as suas colónias, foi porque optaram por um modelo de exploração diferente, criando nos territórios da América do Sul um prolongamento da metrópole espanhola, exactamente com as mesmas característas. Tê-lo-iam feito por preocupação com os países que futuramente viriam a nascer nessas regiões? Obviamente que não! Fizeram-no por a considerarem a forma mais eficaz de tirar partido das colónias fundadas.

Além de tudo isto, apesar de os ameríndios terem sido por vezes maltratados, houve períodos de paz com as tribos locais, tempos de prosperidade em que se trocavam ideias, e em que os portugueses procuravam civilizar os ameríndios. Os padres jesuítas foram exímios nesta vertente humanística, desenvolvendo um trabalho espectacular na defesa das populações locais e no ensino (da língua portuguesa, da cultura, dos costumes, da religião).

Sem dúvida que a intervenção dos portugueses neste território foi extremamente positiva entre 1500 e 1822! Quem disser o contrário, peço imensa desculpa, mas não sabe realmente do que fala. Já para não referir que a independência do Brasil foi obtida sem luta armada entre portugueses e brasileiros, e inclusivamente foi proclamado pelo príncipe português D. Pedro, futuro rei D. Pedro IV.

Praça Mauá, Rio de Janeiro (1820)

Praça Mauá, Rio de Janeiro (1820)

Espanhóis, italianos, alemães… amigos ???

Quanto à acção supostamente benéfica dos outros povos, analisemos caso a caso. Os espanhóis foram a segunda nação europeia a iniciarem o seu processo de expansão marítima (a seguir a Portugal, naturalmente). No século XVI, o poder dos espanhóis foi crescendo, de tal forma que acabariam por alcançar a hegemonia mundial em meados desse mesmo século. Mas saberá por acaso como é que eles conduziam a sua expansão territorial? Adoptaram uma política de conquista, arrasando as populações locais e conquistando todos os territórios recorrendo à violência. Não poupavam ninguém. Sistema utilizado: matar, matar, matar… destruir, devastar, pilhar.

Os portugueses, sempre que encontravam uma população diferente, procuravam comunicar pacificamente, trocar produtos e aprender um pouco com aquela cultura, ao mesmo tempo que enriqueciam a sua. Os espanhóis, esses sim, deixaram um rasto de miséria e destruição por todos os sítios por onde passam, um cheiro sulfuroso a morte e destruição. Cortez no México, Pizarro no Perú, enfim… Mas não, os espanhóis ajudaram o Brasil a encontrar o caminho do progresso… Se os espanhóis tivessem chegado ao Brasil, até eram capazes de construir um grande Império… mas primeiro dizimavam as tribos locais!!! E pelo cenário verificado actualmente na Venezuela, Colômbia, Argentina, e outras antigas colónias espanholas, não me parece que eles fossem assim tão amigos…

Quanto aos italianos, praticamente não tiveram expansão marítima, e o seu imperialismo resumiu-se a algumas colónias africanas no século XIX. O mesmo se pode dizer do povo alemão, que deteve o domínio de certas regiões no continente africano, também a partir do século XIX. Sem dúvida que são povos culturalmente avançados, com culturas interessantes, que por várias vezes contribuíram para o progresso da humanidade.

Mas, em contrapartida, são países cuja história está manchada pela participação na segunda guerra mundial, na qual combateram lado a lado em nome de princípios retrógrados e desumanos como o Imperialismo e o anti-semitismo. O holocausto, que culminou no extermínio de grande parte da população judaica europeia, constituindo seguramente um dos momentos mais vergonhosos e uma das maiores tragédias humanitárias da História, foi obra dos alemães, sempre com o consentimento e a participação dos italianos.

Por isso, não há civilizações perfeitas, e todos os povos têm qualquer coisa de negativo. Dizer que os portugueses semeiam a miséria por todos os sítios por onde passam enquanto espanhóis, italianos e alemães são os amigos que trazem o progresso, não me parece nada verdadeiro nem justo para o povo lusitano.

O segredo do sucesso brasileiro

Não posso excluir a possibilidade de os emigrantes provenientes de diferentes países europeus terem contribuído para o desenvolvimento do Brasil. Tenho perfeita consciência de que, após a independência daquele que é territorialmente o maior país sul-americano, a acção dos portugueses se tornou menos preponderante do que a intervenção de alguns emigrantes europeus. Refiro-me sobretudo os italianos, que deixaram uma herança cultural muito vasta no Brasil.

Mapa do Brasil e respectiva divisão em estados

Mas se o país cresceu e é hoje a 8ª potência económica mundial é graças ao esforço e trabalho desenvolvido por um grupo algo restrito da população brasileira (inferior à metade da população) e sobretudo devido à enorme abundância de recursos naturais em território brasileiro, que confere a este país uma riqueza e um crescimento económico extraordinários, algo que não acontece em Portugal. Naturalmente que aqui também será necessário ter em conta o contexto geopolítico específico do Brasil e as excelentes políticas implementadas pelos recentes governos, liderados por Lula da Silva, um dirigente exemplar a vários níveis (e que, tal como eu defendo neste post, é apologista da união de esforços entre Portugal e Brasil).

Afinal o Brasil está assim tão bem?

Não obstante a sua estabilidade económica, o Brasil só entrou na lista dos países desenvolvidos muito recentemente, em 2008. Isto porque embora economicamente o Brasil seja um país de grande prosperidade, com um PIB muito elevado, continuam a verificar-se grandes problemas sociais e humanos. Os contrastes entre ricos e pobres são ainda abismais e muito frequentes na população brasileira, sendo que os lucros que advêm da exploração dos recursos naturais têm sido tradicionalmente esbanjados em luxos, para aumentar o conforto das minorias abastadas.

Enquanto isso, uma parte muito significativa da população vive em condições precárias, sem ver satisfeitas as condições de saúde e educação mais elementares, não obstantes os recentes progressos que se têm verificado, com a classe média a crescer, mais uma vez em  virtude das boas políticas de cariz social que têm sido postas em prática muito recentemente. Na verdade, por trás das máscaras da gente feliz a sorrir e das imagens das praias paradisíacas da Cidade Maravilhosa (que merece indiscutivelmente esse epíteto), esconde-se a outra face do Brasil: um mundo de sofrimento, luta pela sobrevivência e criminalidade, nas favelas, que ainda são uma realidade.

Felizmente, este fenómeno não se verifica em Portugal (pelo menos desta forma) e as condições de saúde e educação dos portugueses em geral são significativamente melhores do que as do Brasil. Daí que o nosso IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) seja ainda bastante superior ao valor brasileiro.

Portugal – Os coitadinhos da Europa?

É verdade que Portugal está longe de ser um país perfeito. Estamos a enfrentar um período difícil, com vários problemas a nível económico, que por sua vez condicionam em grande medida a nossa situação social, com o desemprego a constituir outro dos grandes problemas da actualidade. Os impostos elevados, os salários baixos e o Estado sem capacidade para dar a volta à situação. Os portugueses, muitas vezes, têm uma visão pessimista da questão que não ajuda nada, pois remete a culpa dos problemas do país para os outros e parte do princípio que não podemos fazer nada para progredir.

Ainda assim, o panorama português na actualidade não é tão negro como se posso pensar, pois estão reunidas várias condições que nos permitem viver minimamente bem e sem enveredarmos pelo caminho sinuoso do caos. Sinceramente, prefiro viver em Portugal do que no Brasil. E há muitos países europeus cuja situação é bem pior do que a nossa. Estamos no meio (vejam as estatísticas, antes de dizerem que não).

O meu patriotismo

“Desfralda a invicta bandeira à luz viva do teu Céu”

Independentemente do facto de o nosso contexto actual ser favorável ou não, eu estou com vontade de melhorar e acho que, com muita união e vontade de trabalhar, conseguiremos ser bem sucedidos na luta por um futuro melhor para o nosso país. Espero que o mesmo aconteça com todos os outros países e acho que estas disputas entre Portugal e Brasil são simplesmente estúpidas. Eu próprio, esclarecida esta questão acerca da interacção entre povos e culturas, prometo encerrar aqui no meu blogue a discussão acerca do tema. Na verdade, já disse tudo o que penso sobre esta questão e não tenciono alimentar mais a polémica.

Sou um português muito patriótico, tenho muito orgulho em fazer parte desta nobre nação e estou disposto a dar tudo o que puder para ajudar o meu país. Estou, no entanto, consciente de que Portugal não é um país perfeito, apresentando vários problemas que é preciso resolver, bem como uma História de altos e baixos, com grandes momentos que causam em mim uma admiração infinita, mas também episódios terríveis, em que os nossos antepassados tiveram um comportamento lastimável.

Isso não invalida em nada a minha veneração à pátria e o meu espírito de amor nacional, antes pelo contrário: vejo os actos grandiosos do passado como uma fonte de inspiração para os desafios futuros e as nossas acções deploráveis como erros do passado, que serão necessariamente evitados nas próximas ocasiões e com os quais é necessário aprender para dar continuidade à evolução cultural da nação e da própria espécie humana.

Por último, gostaria de reafirmar o meu desejo para que estas querelas ridículas entre Portugal e Brasil terminarem depressa e unirmos esforços na luta por um futuro melhor. Os portugueses têm muitas vantagens relativamente aos brasileiros, conforme os brasileiros estão mais avançados em muito aspectos. Penso que seria benéfico para ambos os países um reforço das nossas relações diplomáticas, estimulando uma cooperação saudável, alicerçada no respeito mútuo e na vontade de alcançar um futuro mais sorridente. Se podemos ser felizes e trabalhar em conjunto por um mundo cada vez melhor, por que razão despender energias em querelas idiotas que não levam a lado nenhum?

Não vale a pena entrarmos em discussões estúpidas para provar que “nós somos melhores do que vocês”. A vertente competitiva já está assegurada pelo desporto, em particular pelo futebol de praia, modalidade fantástica na qual os confrontos entre Portugal e Brasil são sempre duelos espectaculares!

Portugal X Brasil no Campeonato do Mundo FIFA Rio de Janeiro 2006

História da Província Angolana de Cabinda (opinião)

Atendendo ao contexto político e social da pequena província angolana de Cabinda, é fácil perceber que nunca deveria ter sido escolhida para palco da CAN 2010. Uma semana depois dos ataques terroristas na província angolana de Cabinda que atingiram a selecção de futebol de Togo, decidi fazer um sumário dos acontecimentos referentes a esta complexa situação, deixando as minhas opiniões acerca das questões aqui postas em causa. Mas isso ficará para outro post. Por agora vou fazer uma contextualização histórica da Província de Cabinda.

Congo Português

Cabinda é uma pequena porção de terra que não faz fronteira terrestre com Angola, limitada ao norte pela República do Congo e a sul e oeste pela República Democrática do Congo (antiga República do Zaire). No final do século XIX, a região de Cabinda foi oficialmente considerada território sob administração portuguesa após um acordo entre os colonizadores e os soberanos locais.  Uma vez selado este pacto, definiram-se as fronteiras de Cabinda, na Conferência de Berlim (1885), repartindo toda a região do Congo entre Portugal, França e Bélgica. A região de Cabinda constituía o Congo Português, enquanto a norte se situava o Congo Brazaville (Congo Francês) e a oeste o Zaire (Congo Belga).

Nesta época, Cabinda possuía fronteira terrestre com a colónia de Angola, embora as duas regiões fossem administradas separadamente. Posteriormente, a Bélgica reivindicou uma pequena linha de costa, para facilitar o transporte de pessoas e mercadorias entre a metrópole e o seu Congo Belga (que não apresentava orla costeira). Portugal acedeu ao pedido da congénere da Europa Central e, assim, as afinidades geográficas e políticas entre Cabinda e Angola tornaram-se ainda menos significativas.

Fronteiras actuais da Província de Cabinda

Guerra Colonial Portuguesa

Várias décadas se passaram. Em plena metade do século XX, enquanto a Inglaterra, a França e outros países europeus concediam de modo quase sempre pacífico a independência às suas colónias africanas, os “brilhantes” governantes portugueses (“salvadores da pátria” e pessoas afins) mantinham-se sempre fiéis aos seus ideais pseudo-patrióticos e à concepção imperialista de que “Portugal não é um país pequeno” (ver nota no final). Os povos locais, naturalmente revoltados contra o domínio repressivo dos portugueses, não se fizeram rogados e exigiram a independência. Como os retrógrados, idiotas e teimosos estadistas portugueses não se dignassem a abdicar da sua preciosa fonte de riqueza, a guerra colonial eclodiu, nos primeiros anos da década de 1960 do século XX, em Angola, na Guiné e em Moçambique.

Numa tragédia bélica fundamentada no egoísmo e na desumanidade dos governantes do Estado Novo, a mortandade foi muito elevada para os dois lados, gerando nas colónias uma carnificina fútil e contínua, enquanto no nosso rectângulo se instaurava um clima de tensão e angústia, com os portugueses dominados pelo medo e as suas apreensões constante, na ansiedade de saber se os seus familiares e amigos regressariam da guerra com vida. Tempos verdadeiramente difíceis. Felizmente que não vivi nesta época!

Soldados portugueses em Angola

Revolução do 25 de Abril (1974)

25 de Abril: a Revolução dos Cravos

Revolução dos Cravos

As lutas prosseguiram, num período terrível em que o único vencedor da guerra era a própria morte: nem os portugueses conseguiam submeter os povos locais ao seu poder (os locais não baixariam os braços até conseguirem a independência) nem os povos locais eram bem sucedidos na sua tarefa de expulsar os estrangeiros europeus da sua própria terra (os governantes portugueses também não desistiam e continuavam a exigir o sacrifício de todas as famílias por aquilo a que indecentemente chamavam “defesa da pátria”).

Até que, para júbilo de milhões de portugueses (e desgraça de outros, mas esses não importam), se deu a gloriosa Revolução dos Cravos, no próspero dia 25 de Abril de 1974, que quebrou as grades que faziam de nós “orgulhosamente sós” e libertou a alma lusitana deste maravilhoso país, oculta sob os escombros da democracia nacional, durante quase meio século sob o jugo dos tiranos.

Independência das colónias

A situação nas colónias não ficou imediatemente resolvida, mas iniciaram-se negociações no sentido de conferir a independência às regiões em causa, o que se viria a consumar nos anos seguintes. No caso de Angola, a independência foi concedida oficialmente a 11 de Novembro de 1975, data que permanece feriado nacional neste país lusófono.

A região de Cabinda, que também deixou de estar sob o domínio português, passou a constituir território angolano. No entanto, a população local não assistiu a esta transferência de poder de portugueses para angolanos com bons olhos: afinal, deixavam de estar dependentes de um povo para ficarem dependentes de outro. E, desta feita, este território passava a ser governado por um país que, anteriormente, se encontrava na mesma situação de Cabinda: uma colónia portuguesa em África. Será portanto fácil de compreender que a aspiração dos cabindenses a uma autonomia administrativa igual àquela de que gozava Angola, em vez de serem anexadas por este país como a sua décima oitava província.

Grupo separatista cabindense

Rodrigues Mingas

Gerou-se, assim, uma onde de revolta entre a população de Cabinda, que culminou na organização de um movimento separatista cabindense: a FLEC (Frente de Libertação do Estado de Cabinda). Debalde argumentaram a favor da sua independência, fazendo notar as divergências históricas e culturais e as diferenças nas políticas económicas. Uma vez falhadas as negociações diplomáticas com o governo angolano, os habitantes locais decidiram recorrer à força e pegaram em armas.

Nos últimos 35 anos, a FLEC tem desenvolvido uma séria oposição ao jugo angolano, através de ataques terroristas às forças de segurança, instalando-se nesta minúscula província angolana uma longa guerra entre a resistência cabindense e as milícias do estado angolano. Enfim… devido à filosofia milenar do olho por olho, dente por dente, esta soberba região exótica tem sido constantemente assolada por confrontos bélicos, cujo único resultado é o aumento progressivo do número de baixas em cada lado. E tudo fica por resolver.

Situação actual

José Eduardo dos Santos

José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola

Ainda assim, em 2006 foi celebrado um pacto entre o governo de Angola e o Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD), o Memorando de Entendimento para a Paz e a Reconciliação da Província de Cabinda, que, mesmo sem conceder a tão ambicionada independência à província de Cabinda, lhe confere uma maior autonomia administrativa e alguns privilégios inéditos.

Tudo tretas na verdade: a população, inicialmente satisfeita e vendo este acordo como um primeiro passo rumo à independência, começou a perceber que, no fim de constas, a situação se mantinha praticamente inalterada e todo o pacto não passava de um embuste usado pelo governo angolano para “calar” os cabindenses e estagnar os ataques da FLEC. Meses depois, o grupo separatista voltou à carga, como aliás seria de esperar.

Mas afinal por que raio é que o senhor Eduardo dos Santos e o governo angolano estão assim tão interessados na quase microscópica província de Cabinda? Porque, meus caros leitores, é da parte do Oceano Atlântico que convencionalmente pertence a Cabinda que provém cerca de 70% do petróleo bruto de Angola. Ora, como provavelmente toda a gente sabe, o petróleo constitui a principal fonte de riqueza deste país do Terceiro Mundo, representando cerca de 99% dos produtos exportados. Torna-se, portanto, evidente que a posse de Cabinda apresenta uma gigantesca importância estratégica do ponto de vista económico, de tal maneira que a perda desta província tão prolífica arruinaria completamente a já muito débil economia do país. Mais uma vez, os interesses económicos sobrepõem-se aos princípio éticos segundo os quais o mundo se deveria reger.

O futuro de Cabinda

Cabinda e Angola

Cabinda e Angola

Quando acabará este conflito histórico? Não sei. Talvez quando o petróleo desta região se encontrar totalmente explorado e Cabinda perder o seu interesse económico. Mas, mesmo nessa altura, será que os angolanos se disporão a abdicar desse território tão desejado, pelo qual já derramaram tanto sangue? Ou talvez as tropas angolanas acabem por conseguir dizimar as FLEC numa operação militar muito bem planeada. Nah, pouco provável. Ou talvez o conflito seja resolvido com recurso à ajuda externa. Mas, se ainda ninguém os ajudou em 35 anos, por que razão alguém os há-de ajudar agora? E porque não um acordo obtido pela via diplomá… Esquece, não passa  de uma utopia.

Seja como for, são histórias como a da Província de Cabinda e conflitos armados como a querela crónica cabindenses vs angolanos que demonstram as fragilidades da civilização humana, que nos fazem pensar na irracionalidade destes povos (incluindo os portugueses, que poderiam ter evitado toda esta situação se tivessem tratado da questão da independência das colónias de forma adequada e honesta). Como é que o ser humano, uma junção tão frutuosa de matéria e mente, capaz de produzir feitos tão grandioso como a sociedade actual em que vivemos hoje, a aldeia global que o mundo constitui na actualidade e todo o império cultural criado pelo homem, se pode rebaixar a este nível primário, que desce abaixo da própria luta pela sobrevivência, visto que se devem a futilidades, e não a uma qualquer finalidade natural?

Infelizmente não sei a resposta. Mas, como um certo padre jesuíta português do século XVII dizia: os homens têm a razão sem o uso…


Nota – Tenho muito amor ao nosso país, mas os factos não podem ser negados e temos de ser realistas: Portugal, territorialmente, é um país pequeno. Mas o que importa isso? Não é por a nossa área continental ser relativamente reduzida, e muito menor do que a da maioria das grandes potências mundiais, não quer dizer que não possamos ser economicamente e culturalmente um grande país. Se ao longo da nossa História os governantes se tivessem debruçado mais sobre estas questões, verdadeiramente importantes, em vez de desperdiçarem vidas e despenderem quantias exorbitantes na conquista territorial e na defesa de ideais velhos e conservadores, o cenário português seria certamente mais animador e colorido.