Manuel Alegre fez uma boa campanha. Cavaco leva uma vantagem desconfortável para as eleições. A segunda volta é ainda uma possibilidade. Não se abstenham!

Na sequência deste comentário do meu estimado colega Francisco Barão Dias a este artigo de opinião, resolvi proceder a uma retrospectiva da campanha eleitoral de Manuel Alegre e divulgar as minhas previsões para as Presidenciais 2011, deixando a minha perspectiva pessoal bem patente. Confesso que inicialmente não pretendia desenvolver exaustivamente o assunto, mas acabei por fazê-lo dada a sua relevância e o meu entusiasmo enquanto escrevia.

A Campanha Eleitoral de Manuel Alegre

Na minha perspectiva, Manuel Alegre fez uma boa campanha. Contrariando alguns dos meus receios, soube conter convenientemente a sua iminente sede de poder, colocando as prioridades do país sempre à frente dos seus interesses pessoais. Acerca do seu discurso, penso que se pronunciou com clareza e coerência (o que é fundamental) sobre os assuntos mais relevantes no actual contexto socioeconómico e político, deixando as suas posições bem esclarecidas e mostrando que reúne todo um conjunto de condições de importância capital para o cargo de Presidente da República.

São exemplos disso a frontalidade com que defendeu o Estado Social, deixando patente a forma convicta como defende o apoio do Estado à saúde e à educação (mostrou-se disposto a bater-se pela gratuitidade do SNS e do Ensino Público) e a importância de uma participação activa do Presidente da República na política externa portuguesa, fazendo uso dos poderes do cargo para dialogar com o exterior e intervir na estruturação das relações e nos negócios entre os países (algo em que Cavaco Silva se notabilizou pelo silêncio e pela inactividade).

A Postura de Manuel Alegre face aos casos em que Cavaco Silva esteve envolvido

Sei que, quando o Francisco fala de contra-campanha, se referes a um conjunto de argumentos ad hominem de que não só Alegre, mas também todos os outros candidatos (incluindo Cavaco Silva) se socorreram durante esta campanha. Não o nego e concordarei inteiramente com quem afirmar que esse tipo de estratégias, independentemente de poderem resultar e de suscitarem questões relevantes, não contribuem em nada para o enobrecimento da campanha. Ainda assim, gostaria de notar aqui dois aspectos importantes:

1) O caso BPN e outros assuntos passíveis de atentar contra a credibilidade do actual Presidente da República, Cavaco Silva, foram trazidos a esta campanha eleitoral por outros candidatos (Francisco Lopes, Defensor Moura), sendo particularmente salientados durante os debates entre Cavaco e estes candidatos. Por outro lado, é preciso saber distinguir a forma como os apoiantes de Manuel Alegre, independentemente atacaram o carácter Cavaco Silva, e aquilo que o próprio Manuel Alegre disse acerca do assunto.

2) O modo como Alegre encarou estes ataques à personalidade de Cavaco foi, a meu ver, exemplar, dado que soube gerir convenientemente a situação, com prudência e responsabilidade. Nos debates e entrevistas, Alegre não se servia destas polémicas para desenvolver a sua argumentação, discutindo esses assuntos apenas quando questionado acerca deles. Para além disso, não ouvimos Manuel Alegre a dirigir acusações a Cavaco Silva, mas simplesmente a enunciar factos concretos que despertavam suspeitas acerca do Presidente da República, limitando-se a pedir esclarecimentos a Cavaco Silva. De resto, o próprio Manuel Alegre, aquando da entrevista com Judite de Sousa, disse muito claramente que lamentava ver a quase totalidade do tempo de antena dedicado a questões de segundo plano (todas estas manobras de bastidores).

Uma Campanha Frontal, Responsável e Convincente

Assim, penso que a campanha de Manuel Alegre decorreu de forma favorável ao candidato, que se expressou se uma forma inteligente e convincente, deixando bem claros os motivos pelos quais a sua eleição seria positiva para o país e gerindo adequadamente as polémicas que marcaram a campanha (incluindo aquelas das quais Manuel Alegre foi alvo e que rapidamente se viriam a revelar ridículas, desmistificadas com frontalidade e sinceridade pelo próprio).

A campanha não foi perfeita, como é óbvio, e admito que se tenham cometido alguns erros estratégicos. No entanto, não os considero graves, sobretudo porque não encontramos fragilidade na forma como explorou a realidade nacional e definiu as prioridades do seu mandato, nem descobrimos atitudes ilícitas/imorais no modo como se relacionou com os outros candidatos e procurou ganhar popularidade em relação aos seus adversários.

O conservadorismo, o chantagismo e a contrariedade de Cavaco Silva

Por seu turno, Cavaco demonstrou de forma inequívoca o seu conservadorismo, patente na forma como encara a sociedade, a futilidade dos seus conhecimentos em economia (no decurso da sua estratégia de vitimização transmitiu uma imagem de impotência face à crise económica que não se coaduna com o seu estatuto académico na área) e acentuou as suspeitas que contra ele se levantaram, dado que nunca se pronunciou de forma explícita de directa acerca daquilo que verdadeiramente aconteceu, quer no caso BPN quer nos negócios de casas no Algarve.

Já no final da campanha, falaciosamente, Cavaco recorreu a argumentos chantagistas que visam a sua eleição à primeira volta e o tornam um candidato muito contraditório (destacou o dinheiro que o Estado pouparia no caso de não se realizar uma segunda volta das eleições presidenciais, ainda que a sua campanha tenha sido a mais dispendiosa de todas).

Antevisão das Eleições Presidenciais

Em jeito de balanço, fazendo a antevisão dos resultados da eleições, tenho de admitir que, à partida, Cavaco Silva vencerá as presidenciais à primeira volta, sendo reeleito para o cargo com uma percentagem de votos ligeiramente superior a 50% (sem atingir os 58%), ficando Alegre no 2º lugar com uma percentagem compreendida entre 23% e 30% (sensivelmente).

No entanto, as últimas sondagens revelam uma descida de 7% nas intenções de voto em Cavaco Silva, que se situa agora nos 55%, enquanto Manuel Alegre se mantém aproximadamente constante, algures nos 25% ou 28% (as sondagens divergem bastante, como sabemos). Além disso, é sabido que, nas eleições presidenciais de 2006, não se realizou uma segunda volta por apenas algumas décimas, quando as sondagens à boca das urnas davam a vitória a Cavaco com 60% dos votos. Algo semelhante aconteceu em 2001, quando as sondagens concediam 64% a Jorge Sampaio, que viria a ser reeleito com apenas 55% dos votos dos portugueses (confirmem no quadro que vos apresento aqui em baixo).

Nesse sentido, acredito plenamente na realização de uma segunda volta. Acho bastante verosímil que a percentagem de votos de Cavaco Silva se situe entre os 48% e os 52%, ficando Manuel Alegre algures nos 30%, com Fernando Nobre ultrapassando os 10% ou 12% e os outros 3 candidatos, juntos, perfazendo também cerca de 10%. Tudo isto são especulações, mas parece-me que a segunda volta surge claramente como uma possibilidade em aberto.

Balanço Final: Os Resultados, as Circunstâncias, o Desempenho de Alegre e Imagem de Cavaco

Em suma, penso que a boa campanha de Alegre, mas sobretudo a postura desastrosa de Cavaco Silva, não passarão incólumes. Se o actual PR será reeleito? É provável. No entanto, há que destacar o bom trabalho de Manuel Alegre, cujo desempenho nesta campanha superou as minhas expectativas.

A divisão da esquerda, o sorriso falso e muito enganador de Cavaco, a ideia errónea de que precisamos de Cavaco como garantia da estabilidade governativa (os seus tabus e meias palavras são uma ameaça a esse conceito de estabilidade governativa) e a dificuldade em lidar com a mudança manifestada pelas massas populacionais criaram um ambiente hostil para a candidatura de Manuel Alegre. Todavia, ele a sua equipa de campanha tiveram a sagacidade necessária para inverter esta tendência e transformar as eleições presidenciais num acontecimento político desconfortável para Cavaco Silva, cuja irritação e rancor denunciaram o indivíduo repudiável que se esconde por detrás da máscara.

Mas ainda é possível uma segunda volta! Tudo depende daquilo que os portugueses decidirem amanhã… E espero que os meus compatriotas exerçam o seu direito de voto conscientemente, cientes de que na política não existem inevitáveis e das verdadeiras competências de cada um dos candidatos elegíveis.

Anúncios

Vejo Manuel Alegre como um candidato que merece o nosso apoio

Será profundamente nefasto para a política portuguesa a todos os níveis se Cavaco Silva ganhar as eleições. Para justificar o que digo, não tenciono desenvolver uma extensa argumentação acerca do assunto, pois outras pessoas já o fizeram bem melhor do que eu alguma vez poderia fazer, tendo como produto final este excelente texto.

Não é sobre este assunto em concreto que me tenciono debruçar aqui, mas sim sobre as alternativas ao actual chefe de estado, das quais teremos de escolher um candidato para o substituir no cargo, pois Portugal não poderá ficar sem Presidente da República. Nesta linha de pensamento, vejo em Alegre um homem com características ideias a ocupar o cargo, ao contrário do que acontece com os seus opositores. É precisamente acerca da figura política de Manuel Alegre que eu pretendo falar neste artigo, esmiuçando os traços mais determinantes da sua personalidade e mentalidade, de forma a justificar a minha escolha e a revelar ao mundo a minha opinião sincera acerca do candidato do PS e do BE.

Impressões iniciais de Manuel Alegre em mim

Manuel Alegre

Na sequência da minha tomada de conhecimento da figura política de Manuel Alegre, o deputado poeta rapidamente se tornou uma referência para mim. O seu modo de falar convicto e sonante fascinava-me, numa fase da minha vida em que o meu contacto com a política se baseava em aspectos mais elementares e nas ideias políticas do meu núcleo familiar, felizmente liberais e bem fundamentadas, além de imparciais ao nível da informação que me era facultada.

No entanto, se a minha admiração por Manuel Alegre se baseava em dados pouco fiáveis, era também muito mais débil e susceptível de ser abalada. E assim, com outros dados que foram começando a surgir do exterior, acabei por me deixar levar, acabando por perder alguma da consideração que tinha por Alegre. Digamos que, por exemplo, a sua candidatura às eleições presidenciais de 2006, como independente, que dividiu e enfraqueceu a esquerda, abrindo portas à vitória de Cavaco Silva, foi uma dessas atitudes que me fizeram desvalorizar a sua postura política.

Em todo o caso, não foi a única: de um modo geral, aquela sua faceta orgulhosa de quem afirma que a mim ninguém me cala! acabou por provocar em mim uma descredibilização da sua pessoa e da sua capacidade de ocupar um grande cargo nacional. Compreende-se, assim, a confusão de pensamentos perante a qual me deparei a dado momento, quando confrontado com o vulto de Manuel Alegre. Bem, nada como factos para solucionar o problema!

Um lutador de causas nobres, capaz de pensar por si mesmo

Acerca de Manuel Alegre, lançando um olhar ao seu percurso biográfico e político, encontramos uma infinidade de marcos de grande dignidade, demonstrativos de uma grande coragem e de um espírito lutador sem precedentes. No combate ao sistema político que vigorava em Portugal aquando da sua juventude, Alegre sacrificou sempre a integridade do seu nome e do seu estatuto como cidadão português em detrimento dos ideias de democracia e igualdade em que acreditava, não recuando perante as adversidades mesmo na iminência de graves ameaças. Exilado por força da necessidade, continuou a trabalhar na libertação da pátria, nunca hesitando em agir de acordo com os seus objectivos para o pais. Posteriormente, instaurada a democracia, Alegre exerceu diversos cargos constitucionais, nomeadamente no Parlamento, onde manteve sempre a mesma postura convicta e firme na luta pelas suas posições.

Acima de tudo, de todo este extenso historial, há que ressalvar a sua energia, a sua atitude de confiança e a sua autonomia na tomada de decisões constituem excelentes qualidades, fundamentais para o exercício da actividade política. A combinação destas grandes virtudes permite a Manuel Alegre analisar cada assunto adoptando uma perspectiva livre, isenta de condicionantes de ordem partidária. Deste modo, o candidato apoiado pelo PS e o BE sabe defender aquilo em que acredita de forma desinteressada e autónoma, sem os preconceitos e tabus que se encontram noutros políticos. Esta é, sem margem para dúvida, uma mais valia.

Os aspectos negativos: orgulho excessivo

Contudo, penso que Alegre acaba por levar essa sua forma de ser e agir ao extremo, chegando ao ponto em que a qualidade passa a defeito. Isto porque, na sequência da sua liberdade de deliberativa, não se limita a adoptar uma postura divergente das dos outros partidos políticos: ele entra em conflito com as vozes discordantes, num jogo de provocações em que as causas nobres pelas quais se bate correm o risco de ser secundarizadas por essas questões inferiores. Isto acontece de forma ridícula, podendo ser facilmente evitado se o próprio assim o entender.

É pela razão que acabei de enunciar que tenho algumas reservas em apoiar declaradamente e sem hesitar a sua candidatura. No fundo, receio que Manuel Alegre, apesar da sua capacidade de isenção, acabe por romper de forma violenta com os partidos, numa guerra em que a sua sede de protagonismo falaria mais alto do que as preocupações com o estado do país. Assim, os motivos que me fazem duvidar um pouco de Manuel Alegre provêm do seu próprio carácter, da vaidade orgulhosa que o entusiasma e por vezes o leva a agir de um modo desajustado em relação às situações.

Defeitos que se podem corrigir facilmente

Candidato a Belém 2011Naturalmente, estas ideias são um pouco vagas, baseando-se num conjunto de discursos de Alegre que chegaram até mim pela televisão e na minha interpretação das notícias que vinham surgindo acerca da sua figura política, principalmente desde a campanha eleitoral das Presidenciais 2006. Convém frisar aqui que não tenho sido, durante este tempo, um acompanhante assíduo da vida política portuguesa, embora tenha procurado sempre estar minimamente informado acerca das principais notícias da actualidade, compreendendo também a importância da política, como a base organizativa da nossa sociedade.

Porém, acima de tudo, estas minhas concepções prendem-se com os discursos de Manuel Alegre numa época restrita da sua longa carreira política, sendo por isso passíveis de serem modificadas caso o candidato a Belém altere a sua conduta, corrigindo os aspectos que critiquei, relegando o orgulho e a vaidade para um plano insignificante.

Respeito totalmente a figura de Manuel Alegre e reconheço nele as grandes qualidades que anteriormente referi, claramente ausentes em Cavaco Silva. São bons motivos para apoiar o candidato poeta, que fazem dele indubitavelmente a opção mais válida, mas que podem ser desperdiçadas de um modo ridículo, por culpa do seu desejo de prestígio, venenoso para o país.

Expectativas para a Eleição de Manuel Alegre

Ainda assim, a liberdade intelectual de Alegre e a sua coragem na tomada de decisões são requisitos fundamentais no contexto socioeconómico e político de Portugal, que deverão ser efectivamente postas em prática no caso de vir a ser eleito. A vaidade não poderá constituir um entrave ao bom desempenho das funções de Presidente da República por parte de Manuel Alegre, que reúne todas as condições para ocupar o cargo.

Deste modo, espero que Alegre saiba usar o poder das palavras, erguendo a voz do alto do seu posto de comando, em defesa dos direitos da população portuguesa e da integridade económica e social do país, lutando pelas boas causas que preconiza. Espero um Presidente consciente dos seus deveres e obrigações para com o povo português, que faça um uso justo e equilibrado dos seus poderes, analisando livremente as questões nacionais e agindo em benefício do país, adoptando as necessidades do país como o verdadeiro critério de base para a sua actividade política.

A defesa do Estado Social

Sublinharei outro aspecto muito importante, que merece ser destacado pelo contexto socioeconómico actual, no qual a atitude lutadora e protectora do povo de Manuel Alegre terá certamente uma importância acrescida. Como sabemos, o país atravessa uma grave crise económica, com os elevados valores da dívida externa e as fortes pressões dos mercados internacionais a condicionarem de forma determinante todas as medidas governamentais tomadas pelo Estado. Esta situação leva a que as necessidades da população sejam transportadas para um plano inferior, podendo gerar consequências sociais nefastas, caso nenhuma voz preponderante se insurja em defesa dos cidadãos. Muito simplesmente, não vislumbro nenhum outro candidato aplicado em defender o Estado Social com tanto ânimo.

Manuel Alegre tem, de facto, dado provas de uma preocupação verdadeira e sincera com a salvaguarda das condições de vida da população, defendendo a manutenção do Serviço Nacional de Saúde e do Ensino Público Gratuito, afirmando muito claramente que não hesitará em vetar qualquer lei que ponha em causa os direitos básicos dos portugueses. Sabemos, por exemplo, que Manuel Alegre nunca permitirá que os trabalhadores sejam despedidos sem justa causa, fazendo uso dos seus poderes de Presidente da República para impedir esse cenário. Deste modo, num momento em que o dinheiro controla tudo e todos, a eleição de Manuel Alegre surge como a única forma de colocar em Belém um vulto de autoridade que lute pela justiça da sociedade portuguesa e pelos direitos de todos os cidadãos.

Patriotismo e Vontade

Manuel Alegre confiante e patriótico

Além destes aspectos que fazem de Alegre um homem com características ideias a ocupar o cargo mais alto da hierarquia política portuguesa, realço outro factor muito importante: o patriotismo genuíno que alimenta a chama lusitana de Manuel Alegre. Pensando bem, mesmo salvaguardando a necessidade de uma distinção entre a sua carreira literária e a sua carreira política, quem não se contentaria de ver um poeta da alma nacional como a figura mais importante do país?

Parece-me a mim que Alegre é de longe o candidato que apresenta um fulgor patriótico mais intenso, uma força de ânimo que o impele na luta pelo futuro do Portugal ama tão vigorosamente! Assim, o patriotismo de Alegre e a sua postura resolutamente convicta, de quem não hesita em agir em prol do seu país, são outras componentes fulcrais que não podem ser esquecidas no retrato da sua personalidade política e constituem outro argumento a favor da sua candidatura.

Confiemos na sua capacidade para gerir as funções de um Presidente da República! Manuel Alegre tem a alma e a atitude precisas para ser um bom chefe de estado e lutar pela superação dos problemas que vão assolando o nosso Portugal! Sim, Alegre saberá pôr de parte as querelas e vaidades em prol de um bem maior. Apoiemos a sua candidatura!

Sintetizando e Concluindo

Em suma, vislumbro em Alegre um conjunto de atributos brilhantes que podem fazer deste candidato um grande Presidente, com um papel activo na resolução dos difíceis problemas que se avizinham, funcionando como moderador político e um verdadeiro representante de todos os portugueses. Pelo contrário, Cavaco Silva não reúne as características necessárias para ocupar o cargo com apostura adequada, algo que ficou bem provado no mandato anterior.

Ficaria, portanto, desolado se visse que os aspectos controversos de Alegre teriam descredibilizado a sua candidatura e motivado o eleitorado de esquerda a votar em Cavaco Silva, vendo no sorriso amarelo do actual Presidente a solução mais fácil para o problema das eleições, persuadidas afectivamente em vez de pensarem no melhor para o país numa perspectiva de futuro.

Espero agora que Manuel Alegre seja inteligente durante o resto da campanha eleitoral e que saiba convencer os indecisos a votar pelo progresso e pela imprescindível frontalidade na forma de lidar com os problemas do país. Sim, espero que as qualidades de Alegre falem mais alto. E espero estar enganado em relação à sua conflituosidade e vaidade, para que ocupe o cargo de Presidente da República com dignidade e responsabilidade, dando uso às suas capacidades, invulgares entre os políticos da actualidade.

Por fim, correndo o risco de me precipitar um pouco, estou em crer que Manuel Alegre tem vindo a moderar o seu habitual ímpeto verbal, na medida em que os seus discursos já não assumem contornos tão conflituosos como acontecia recentemente, mantendo sempre aquela tonalidade viva e revigorante de quem se sente com vontade de lutar pelo sucesso do seu país. Esta é a razão pela qual eu cada vez mais acredito em Alegre: alguém que se bate pelas causas em que acredita e decerto buscará, incessantemente, o melhor para os portugueses!

Temporal na Madeira e Entrevista a Alberto João Jardim

Como todo o cidadão minimamente informado sabe, no passado dia 20 de Fevereiro, a Ilha da Madeira foi assolada por um forte temporal que provocou graves danos humanos e materiais. Neste post tenciono proceder a um balanço final da catástrofe, explorando as causas do temporal, e relatar o essencial da Grande Entrevista a Alberto João Jardim, conduzida por Judite de Sousa, na RTP1. Deixarei as minhas impressões pessoais acerca dos diversos assuntos abordados e tentarei dar a conhecer o outro lado da questão: a estupidez desmedida e hilariante do presidente do Governo Regional.

O Temporal

Situada numa posição climaticamente desfavorável, que propicia a ocorrência de grandes tempestades oceânicas, a ilha encontra-se sempre sob a ameaça dos ventos e chuvas atlânticas. As baixas pressões que frequentemente afectam esta zona do globo terrestre são  responsáveis pela ocorrência dos temporais na ilha. A convergência de massas de ar a diferentes temperaturas cria uma superfície frontal, que, associada às altas temperaturas da água do mar, acelera o processo de condensação do vapor, aumentando a precipitação.

Foi o que sucedeu recentemente, quando a ilha mais representativa do arquipélago português foi impiedosamente fustigada pela fúria dos elementos, por meio da precipitação descomunal que se fez sentir, motivando a subida do nível médio das águas do mar. Estes fenómenos geraram inundações aterradoras, pavorosos deslizamentos de terras e toda uma conjugação de condições atmosféricas agrestes.

Consequências da Tragédia

Se atendermos ao balanço final da tragédia, somos confrontados com a realidade nua e crua.  Em termos de vidas humanas, a situação foi trágica: 42 pessoas morreram, 18 foram dadas como desaparecidas e aproximadamente 250 ficaram feridas. Considerando os estragos materiais, com graves consequências a nível social, apercebemo-nos que inúmeras edificações e vias de comunicação foram destruídas, levando a que cerca de 600 pessoas perdessem a habitação, algumas zonas da ilha permanecessem inacessíveis durante algum tempo e as redes de abastecimento de água e electricidade deixassem de estar operativas em vários pontos da ilha.

Os municípios do Funchal e da Ribeira Brava foram os mais afectados, registando a esmagadora maioria das vítimas humanas e os estragos materiais mais consideráveis. A frente fria atingiu violentamente vários pontos da costa meridional da ilha. Devastação brutal na parte baixa do Funchal, com a subida do nível das ribeiras e o transporte de pedaços de terra e lixo pelas ruas da capital, onde se verificou um elevado número de óbitos e os estragos foram mais acentuados. Porém, também as terras altas do concelho, desfavorecidas pelo relevo desta região madeirense, foram fortemente atormentadas pela insensibilidade do temporal. A Ribeira Brava, o Machico e outras zonas da costa sul da ilha foram também bastante afectados, embora de uma forma menos violenta. O prejuízo económico da catástrofe para o Governo Regional da Madeira foi enorme.

Reacção à Catástrofe

Imediatamente, o caos foi instaurado na Ilha da Madeira e surgiram de todos os cantos do mundo condolências pelo sucedido e ofertas de ajuda financeira. Ao mesmo tempo, o Primeiro-Ministro José Sócrates viajou para o Funchal na noite desse mesmo dia 20 de Fevereiro e o Presidente da República Aníbal Cavaco Silva visitou o local no dia 24 de Fevereiro. O apoio monetário tendo em vista a reconstrução das partes da ilha que tinham ficado mais afectadas parecia provir de todas as entidades possíveis: o Estado Português, a União Europeia, os Estados Unidos da América, a Confederação Russa, várias empresas portuguesas e estrangeiras e inúmeras instituições não governamentais de cariz humanista.

No entanto, importantes questões se colocavam. Afinal, qual seria o montante necessário para a reconstrução de todas as edificações que tinham ruído? E de onde viria exactamente esse dinheiro? Como voltar a fornecer alojamento condigno aos mais de 600 madeirenses sem um tecto para os proteger das intempéries? E o que fazer para minimizar os efeitos de uma eventual catástrofe semelhante no futuro?

Foi com base nestas e outras questões que a muito conceituada Judite de Sousa (este adjectivo não quer dizer que eu sinta uma grande admiração pelo seu trabalho) teve a ousadia de se deslocar à Quinta da Vigia, residência oficial do Presidente do Governo da Região Autónoma da Madeira, para entrevistar o emblemático e inigualável Alberto João Jardim, no passado dia 25 de Fevereiro.

Alberto João Jardim

Todos nós conhecemos o presidente madeirense: membro do PSD, com uma vasta carreira política, chefe do governo regional da Madeira há mais de 30 anos, um pequeno ditador, vá. Não passa de “um indivíduo medíocre” sem educação e grandes princípios morais, que aproveitou a época conturbada da revolução do 25 de Abril para tirar um curso superior sem precisar de estudar, que se tem mantido no poder à custa da sua esperteza ignóbil e da ignorância do povo madeirense (refiro apenas a parte), que tem explorado ao máximo os recursos económicos e financeiros disponibilizados pelo continente, capaz de prejudicar a situação a metrópole a fim de concretizar os seus desejos de realização pessoal.

Capitais para a Reconstrução da Ilha

Durante a meia hora que durou a entrevista foram focados vários pontos e retiradas diversas ilações importantes. Acima de tudo, ficou bem assente logo na parte inicial da conversa que Alberto João Jardim considera necessários 1 500 milhões de euros para reconstruir a Ilha da Madeira, num espaço de tempo de 2 anos.

Quando confrontado com a questão da origem dos fundos a aplicar no projecto de recuperação da região, o presidente acabou por conseguir escapar aos estratagemas enganosos da Judite de Sousa e deu uma explicação muito segura. Segundo Jardim, todas as nações e organizações não governamentais tiveram uma atitude exemplar face aos trágicos acontecimentos que afectaram a ilha da Madeira, expressando as suas condolências e oferecendo um apoio financeiro muito significativo para a reconstrução das regiões atingidas pela catástrofe. Asseverando que estes apoios se teriam de materializar forçosamente no futuro, pois quem promete grandes ajudas monetárias não pode deixar de prestar esse auxílio, e enveredando pela via do crédito bancário, pedindo empréstimos a pagar ao longo dos anos seguintes, o presidente madeirense rejeitou quaisquer impossibilidades financeiras.

Responsabilidade na tragédia

Posteriormente, a jornalista questionou Alberto João Jardim acerca das suas eventuais responsabilidades em relação aos estragos verificados na ilha. Ora não há dúvida nenhuma de que os danos causados pelo temporal foram agravados em grande medida pela deficiente limpeza das ribeiras madeirenses, as fragilidades estruturais de certas habitações e problemas ao nível do ordenamento do território, tais como a construção em leito de cheia e a construção em zonas com risco de deslizamentos. Contudo, o icónico Presidente do Governo Regional rejeitou quaisquer culpas no que diz respeito a estes factores.

Argumentando falaciosamente, mas com uma convicção e uma arrogância tipicamente suas, Alberto João apontou o dedo aos governos portugueses de outras eras, atribuindo a responsabilidade dos problemas da ilha aos falecidos Rei D. Carlos e António de Oliveira Salazar. Na pretensa perspectiva do senhor presidente, as debilidades das construções e a sua localização inadequada remonta a esses tempos passados, não havendo por isso razão para crucificar os governos madeirenses da 3ª República.

Obviamente que se existiam inconvenientes desta ordem na ilha, a sua única função como líder do governo seria a resolução dos problemas, e o próprio Alberto João Jardim tem essa noção muito bem presente. No entanto, a sua retórica sofismática e a obstinação casmurra de quem julga que as suas palavras não devem ser contestadas acabam sempre por levar a melhor na entrevista.

Jogos Políticos e PSD

Na parte final da conversa, Alberto João Jardim foi interrogado por Judite de Sousa acerca da sua decisão de abandonar o cargo de presidente da região em 2011 e de uma eventual mudança de planos. Invariavelmente tranquilo, sereno no jogo político que há muito tempo pratica com sucesso, Jardim respondeu negativamente em relação à possibilidade de recandidatura e assumiu efectivamente a saída de cena. Todavia, é bom não esquecer que esta situação já se verificou no passado e teve como resultado a continuidade de Alberto João como presidente do governo regional.

Em vésperas de eleições directas no principal partido da oposição, aproveitando a ocasião extremamente propícia, a jornalista da RTP abandonou a dimensão madeirense e transitou para a esfera social democrata, inquirindo qual a posição assumida pelo presidente madeirense. Alberto João não se afastou muito do esperado, sendo muito directo quanto à rejeição imediata de Pedro Passos Coelho, mas cautelista em relação à opção entre Paulo Rangel e José Pedro Aguiar Branco.

Quanto à primeira parte, não se demorou muito tempo, dirigindo apenas um ou outro insulto ao candidato coimbrense. O segundo tópico foi sigilosamente tratado por Alberto João Jardim, que, criticando a divisão do seu partido em tantas partes diferentes, escondeu a sua decisão dos telespectadores e adiou a divulgação da sua escolha no Congresso do PSD na Madeira. Entretanto, o presidente regional teceu interessantes e misteriosas considerações a respeito de Manuela Ferreira Leite, Pedro Santana Lopes e ele próprio, elogiando a política séria e verdadeira da antiga líder e confessando a sua admiração pelo Sacarneirismo do homem com 7 vidas políticas.

Hegemonia Ideológica Insular

Como já tiveram a oportunidade de perceber com base no meu relato da entrevista, Alberto João Jardim recorreu a estratégias argumentativas deficientes e raciocínios simplesmente grotescos. A sua agressividade boçal enquanto discursa reflecte na perfeição o estatuto que conseguiu alcançar como manipulador de massas na função de presidente madeirense.

A grande maioria da população local cai no erro infantil de se deixar levar pelo espírito separatista de Jardim e as promessas de uma ilha paradisíaca, acabando por confinar o seu cérebro possivelmente inteligente a uma aceitação obediente de tudo o que o senhor presidente diz, mergulhando assim numa submissão ideológica deplorável à mente doentia do seu líder vergonhoso. Depois acontece que o senhor presidente, todo felizardo, vendo o enorme acolhimento da cacofonia proveniente da sua boca imunda, abusa do seu poder, diz o que pensa sem restrições e molda a opinião pública madeirense, sem se preocupar com a racionalidade por detrás dos argumentos que utiliza.

Estes ares de entidade superior, de quem está acima de tudo e cuja palavra não pode ser questionada, está na base de todos os erros lógicos do seu discurso e da postura lamentável que apresenta em situações públicas formais. Por várias vezes sobressaiu na entrevista aquela sua arrogância persistente de achar que tem de ser o centro das atenções e tudo tem de acontecer à sua maneira.

Momentos de boa disposição

Quando as suas considerações anódinas sobre assuntos fúteis eram interrompidas pela ávida Judite de Sousa, o presunçoso Alberto João Jardim não permitia a colocação de novas perguntas, frustrando todas as tentativas da jornalista portuguesa: “Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!”. Debalde Judite de Sousa tentava poupar o tempo de antena com perguntas objectivas sobre assuntos importantes: o autoritarismo verbal do entrevistado não lho permitia.

“Não é por aquilo que aconteceu que eu vou deixar de ter papas na língua.” ou “Não, eu não respondo! Eu vou dizer o que quero!”  ou ainda “Se o tempo está a exceder, é serviço público, o estado pode pagar.” foram apenas alguns dos momentos mais hilariantes da conversa sobre um assunto tão sério, que afinal se revelou objecto de um diálogo tão divertido e fértil em momentos de humor. “Desculpe, vai ter que me aturar!” e “Só respondo a isso quando me apetecer.” foram outras das frases mais incríveis proferidas pelo presidente do governo regional.

Os insultos aos “abutres” que insistem em denegrir a figura do presidente foram outro dos pontos altos do serão de quinta-feira à noite, povoado de rudes críticas dirigidas aos “académicos”, aos “professores doutores” e aos “inimigos políticos” de Alberto João Jardim. Nada melhor do que umas boas lascas de madeira para avivar a chama da luta política portuguesa!

Por vezes é preciso saber ceder…

Ainda assim, apesar da inflexibilidade crónica do presidente do governo regional, ficou bem claro um apaziguamento do seu fervor separatista e um desejo de extinguir conflitos triviais que não levam a lado nenhum. As referências simpáticas e cordiais ao Primeiro-Ministro são prova disso mesmo: “temo-nos entendido muito bem!” disse Jardim a propósito das relações com José Sócrates. Recorde-se do que Alberto João Jardim dissera no dia após a vitória eleitoral do PS nas legislativas de 2009: “O país endoidou!”.

Cartoon do desenhador Henrique Monteiro retratando as relações subitamente amistosas entre Alberto João Jardim e José Sócrates

Cartoon da autoria do desenhador Henrique Monteiro retratando as relações subitamente amistosas entre Alberto João Jardim e José Sócrates

Quando faz uma alusão ao conceito novo de enterrar o machado de guerra deixa bem patente este ideia da suspensão da querela entre a Madeira e o continente, pelo menos durante algum tempo, até a situação da ilha voltar a atingir um grau de estabilidade, altura em que já não precisará da bengala do Estado Português e voltará a maltratar o rectângulo, regressando aos bons velhos tempos.

No fim, Alberto João Jardim deixou rasgados elogios a Judite de Sousa, afirmando que a considera uma grande jornalista e agradecendo pelas suas reportagens sobre o desastre na Madeira. Nada disto parece estar de acordo com a forma incorrecta como o presidente madeirense tratou a jornalista durante a entrevista: “a senhora” em vez de “a doutora”. A nota máxima para Alberto João Jardim em adulação do interlocutor só lhe escapa por esse pequeno pormenor.

Recursos Audiovisuais

Seguidamente apresento um excerto da entrevista, que ilustra bem a dinâmica geral da conversa e o carácter ditatorial de Alberto João Jardim. Corresponde à discussão das responsabilidades das várias entidades sobre a tragédia e contém vários momentos de grande valor cómico (mais parece uma satirização dos Gato Fedorento ou mesmo do O que se passou foi isto).

Se quiserem podem assistir a totalidade da entrevista no youtube: parte 1parte 2parte 3parte 4.