Ricardo Sá: ECOMODA

Nota introdutória: É verdade. Não escrevo livremente no meu blogue há muito tempo. Na maior parte das vezes, limito-me a colocar os textos que elaboro para a disciplina de Português ou a utilizar os posts no blogue para um fim específico. A meu ver, não podem existir grandes dúvidas em torno da contestação a esta atitude anti-bloguística que tem desvalorizado a cada dia que passa a qualidade deste site (que nunca atingiu os níveis por mim desejados).

Em todo o caso, não é por eu não escrever no meu blogue que o blogue deve permanecer no obscurantismo e por essa mesma razão, aliada à importância de conceder um favor a uma amigo, acolhi de boa vontade um texto da sua autoria, que ganha ainda mais interesse por contar uma história interessante! Por isso, sugiro a todos a leitura deste texto do Ricardo Sá, no qual traz até nós as aventuras de um grupo de Área de Projecto da sua turma, em São Miguel, nos Açores. Tema? Moda Ecológica, uma ideia vanguardista que pode vir a ter futuro!

Concedo agora a palavra ao Ricardo:

Hoje vou falar de um projecto que, aviso desde já, não estava à espera de que tivesse tanto sucesso como está a ter. Este projecto ocorreu na Escola Secundária Antero de Quental, Açores, São Miguel, sendo que se chama “ ECOMODA” e inclui reinventar novas roupas com materiais reciclados (jornais, tampas de garrafas de cerveja e muitas outras coisas reutilizáveis!) .

O projecto começou em Setembro, quando se procedeu à divisão dos grupos no âmbito da Turma E. Ficaram neste grupo 8 magníficas pessoas: Beatriz Fraga, Beatriz Farias, Beatriz Tavares, Dina Reis, Jéssica Carreiro, Maria João, Maria Rita, Rita Raposo e Soraia Pereira. A partir deste mês instaurou-se a “revolução” da moda ecológica. Como o trabalho destas alunas implicava bastante esforço manifestaram uma opinião unâmine: trabalhar durante a tarde, nos dias em que se não haveria aulas. Por exemplo, não podiam trabalhar na quinta-feira, pois tinham a tarde preenchida com aulas. Felizmente, todas elas trabalhavam num projecto que, a pouco e pouco, foi conquistando alguma “fama” na escola, pois criaram o facebook para o Ecomoda (com o facebook as pessoas sabem de tudo).

No dia 12 de Outubro de 2010, os adolescentes que queriam participar podiam inscrever-se no ECOMODA, pois as alunas iriam organizar um desfile no dia 13 de Maio do ano seguinte (2011). Começaram então a surgir muitos pedidos (cerca de 30 pessoas), o que implicava 30 vestidos. Lembro-me de elas terem pedido para a professora de Matemática participar no desfile, algo que a professora aceitou. Não eram só as raparigas que queriam desfilar: muitos rapazes também o queriam! Em todas as tardes, elas foram começando a trabalhar mais arduamente, pois estavam a somar-se bastantes pedidos.

Houve dias de semana em que fui ao seu local de trabalho ver os vestidos, sendo que fiquei imensamente admirado! Todos os vestidos eram espectaculares! Com o decorrer do tempo, começaram a vir os elogios da parte dos professores que de vez em quando viam os vestidos na Galeria: “ que vestido de lindo!” (uma das muitas expressões utilizadas pelos docentes).

O Professor Jorge Cabral, que é o nosso Professor de Área de Projecto, ficou encarregue das partes consideradas mais difíceis, sendo que uma delas era falar com a Anima para poder patrocinar o desfile, algo que foi de imediato aceite pela Anima. A partir de meados de Abril, as excelentes raparigas ficaram ansiosas pelo facto de se estar a aproximar o dia do Desfile. Estavam a faltar os retoques para o evento, que concordaram agendar para o Jardim Antero de Quental.

No dia do Desfile, 13 de Maio de 2011 (sexta-feira, dia no qual se diz que acontecessem azares, mas felizmente elas não tiveram azar nenhum!), as alunas estavam todas vestidas da mesma cor (preto), pois assim o quiseram e julgo que simbolizava o que tinham de semelhança entre elas. Houve 4 júris, que iam decidir os vencedores dos prémios: cheques de oferta, atribuídos aos 3 primeiros lugares e também para a Simpatia, Fotogenia e Ecomoda. Tinham montado uma tenda enorme ao pé do Jardim onde ficavam alojados os participantes. Ficaram distribuídas nos seus lugares as organizadoras, umas ao pé da apresentadora, outra ao pé dos jurados, outras ao pé dos participantes e ainda outras a vigiar. De referir ainda que a apresentadora era a Professora de Português.

O desfile começava às 10 h e ia ser constituído por 2 partes. Começou a afluir muita gente e, como é normal na adolescência, ficaram cada vez mais nervosas. O desfile começou e principiaram a aparecer ao vivo e a cores os vestidos. Todos ficaram estupefactos pelas roupas bem criativas e vivas. Filmaram, tiraram fotografias a todas/todos os participantes, tanto femininos como masculinos!  No final da 1ª parte, teve lugar uma actuação de 2 pessoas que trabalhavam no ECOMODA: Beatriz Farias e Rita Raposo. Cantaram muito bem! De salientar a bela perfomance da professora de Matemática, que desfilou muito bem!

Na 2ª parte, foi mais do mesmo, mas no bom sentido, com novos vestidos e novas participantes que ainda não tinham desfilado! No final da 2 parte, foi chegada a altura de a apresentadora anunciar os vencedores, sendo que os prémios foram muito bem entregues. Foram entregues os prémios da Simpatia (venceu um rapaz), Ecomoda e Fotogénico (nestas categorias venceram 2 raparigas).

O que fica aqui mostrado é o facto de haver uma alternativa para as roupas que utilizamos no dia-a-dia. Para concluir, anunciarei que, de 16 a 21 de Maio 2011, está a decorrer uma exposição na Anima para o público contemplar os vestidos, sendo os cheques de prenda entregues neste dias.

Parabéns às minhas colegas/amigas pelo excelente trabalho que fizeram este ano lectivo! Que o vosso projecto sirva de exemplo para próximos eventos escolares. Viva o ECOMODA!

Um abraço do vosso colega/amigo Ricardo Sá!

A tempestade do mar (Pieter Brueghel)

Durante o segundo período do ano lectivo, no âmbito da disciplina de Português, fomos incumbidos da estimulante tarefa de elaborar a leitura de uma imagem fixa, mais concretamente, de uma pintura. Autorizado a escolher uma das sete obras de arte que constituíam o leque de opções elegíveis, não me deixei tomar por grandes dúvidas e foi com determinação (e alguma afeição que começava a nascer em mim relativamente à pintura) que abracei este projecto, de resultado aparentemente bem sucedido, que coloco hoje online.

Trata-se, confesso, de um modo de, utilizando um texto previamente redigido para fins escolares, manter o blogue em actividade, à semelhança de outras situações em que me socorri desta estratégia no passado. Em todo o caso, acredito que a partilha deste texto pode vir a ser interessante, pelo que vos deixo a minha leitura da obra plástica A tempestade do mar, de Brueghel.

Esta imagem corresponde a uma reprodução em miniatura de um quadro do pintor holandês Pieter Brueghel, intitulado A tempestade do mar, que data de 1568. A obra de arte original, que se encontra exposta em Viena, apresenta 71 cm de altura por 97 cm de largura, constituindo uma pintura a óleo sobre madeira. Distintamente, a reprodução presente no manual escolar possui dimensões mais modestas, tratando-se de uma fotografia do quadro referido.

O quadro representa um cenário exterior, mais concretamente, um ambiente marítimo dominado pela agitação oceânica, com grandes ondas sinuosas vagueando tortuosamente pela superfície, sob o céu sombrio, carregado de nuvens. No mar, sobressaem as embarcações, presumivelmente caravelas, dada a existência da vela latina (triangular), que oscilam ao sabor das vagas, numa água polvilhada de criaturas marinhas, que rivalizam com as aves esvoaçantes do céu. A obra pode, pois, ser enquadrada no âmbito da arte figurativa, surgindo possivelmente associada à alusão a cenas históricas, visto não me parecer que se trate da mera representação de uma paisagem.

Inscrita num formato rectangular, a imagem transmite-se por meio de um emaranhado de linhas oblíquas, parcialmente curvas nas extremidades, que configuram a impressão de movimento subjacente a todo o quadro. A linha do horizonte, horizontal apesar das irregularidades patentes no seu desenho, assume também um impacto significativo na interpretação da semântica da imagem. Porém, mais do que o traçado livre e impetuoso das linhas de força, destaca-se na imagem o carácter esbatido e incerto que os contornos de alguns elementos da imagem apresentam. De facto, embora os triângulos e formas curvilíneas sejam realçados nesta imagem, a semântica criada por Brueghel atinge o observador pelo jogo da incerteza, do mistério, do desconhecido.

O efeito de profundidade, indispensável numa paisagem deste género, encontra-se presente através da diferença de tamanho entre as embarcações mais próximas e as caravelas mais distantes, acompanhada da diminuição do rigor na representação da ondulação em função da distância. Contudo, dado que a criatividade do pintor pretende conferir ao observador uma enorme liberdade de interpretação, a imagem surge imbuída de uma certa liberdade e fluidez, que dispensa o recurso a técnicas de perspectiva elaboradas.

A nível de análise cromática deve ser referida a predominância de cores quentes, maioritariamente escuras, que sugerem a transformação do oceano num agitado mar de lava, enfatizando a intensidade opressiva da tempestade que se abate sobre as naus. Assim, a utilização de tonalidades avermelhadas, alaranjadas e acastanhadas nas vagas indomáveis acentua o tumulto marítimo instalado na pintura, podendo talvez estar associadas às emoções experimentadas pelos tripulantes dos navios. De realçar também que o céu, tenuemente separado do oceano pela linha do horizonte, se encontra em sintonia cromática com as ondas a do mar, cobrindo-se de uma escuridão alaranjada que paira sobre as embarcações, ampliando as dimensões da tormenta.

Não obstante, merece ser mencionada a existência de uma zona do mar de tonalidades mais claras, que se aproximam mais da cor fria e azul que o mar efectivamente assume. Deste modo, verifica-se um contraste de cores claras e escuras, coincidente com um gradiente de temperatura, que orienta o modo como o observador vê a pintura. Além disso, este contraste atribui um significado distinto à região azul esverdeada do mar: a possível existência de uma solução para os problemas, a possibilidade de encontrar uma saída para a tempestade, que permita escapar à fúria dos elementos em conflito feroz.

Podemos, portanto, afirmar que, apesar de a conformação das ondas e a distribuição de criaturas marinhas ser comum às diferentes regiões do mar, se manifesta por via da cor uma certa heterogeneidade do oceano, que poderá conter a chave para a superação da tempestade. A luz, que parece estar sob o jugo da penumbra em todo o quadro, parece dar sinais de si nesta região verde azulada do mar, trazendo consigo uma ideia de esperança associada: a crença na capacidade de ultrapassar os perigos e obstáculos, por maiores e mais temíveis que estes sejam.

A reprodução da imagem no manual da disciplina de Português surge acompanhada de uma sucinta descrição, perfeitamente banal e quase totalmente desprovida de informação complementar. É apenas providenciada aos alunos a informação de que se trata de um quadro de Brueghel, sem lhes serem indicados detalhes sobre o artista ou sobre a técnica utilizada. A informação mais relevante, passível de uma associação ao conteúdo do quadro, reside na indicação da data de realização da obra: 1568. Esta informação permite relacionar a representação de uma cena histórica, ligada à navegação, com as empresas marítimas que foram realmente levadas a cabo durante a época em que o quadro foi produzido, num século que se iniciou com o domínio de vastas regiões por parte dos portugueses, que progressivamente foi dando lugar a uma hegemonia espanhola, sendo igualmente notório o início da expansão marítima holandesa, em meados do século (recorde-se que Brueghel era oriundo dos Países Baixos).

Podem ser associadas a esta imagem diversas funções distintas. Todavia, a que julgo estar mais evidente é a função referencial e descritiva, na medida em que a pintura apresenta ao observador algumas características e peculiaridades da navegação, retratando esta realidade de um modo subjectivo e de certo modo imaginário. Assim, o autor utiliza o poder da pintura para descrever uma situação de tempestade marítima, dando a conhecer uma componente fundamental das viagens oceânicas, submetendo a apresentação do tema aos significados que lhes atribui e, naturalmente, ao seu estilo pessoal. No entanto, a função narrativa também poderá estar presente, se a finalidade do quadro se prender com o relato de um episódio histórico em particular, caso pretenda representar uma cena de uma determinada viagem marítima de um povo europeu. Simultaneamente, a imagem pode desempenhar uma função estética, no caso de o movimento colorido do quadro se afigurar sugestivo e belo aos olhos do observador.

Finalmente, penso que a imagem pode ser facilmente relacionada com Os Lusíadas, uma vez que retrata uma cena marítima, lidando com a temática das tempestades e tormentas, sempre tão presente na epopeia camoniana. Esta pintura de Brueghel poderia ser enquadrada em várias partes da obra, nomeadamente no episódio da tempestade, situado no Canto VI, dado que se pode estabelecer uma ligação entre o panorama tumultuoso que o quadro nos mostra e o contexto de perigo e terror vivenciado pelos navegadores portugueses aquando do abatimento da tempestade sobre a armada de Vasco da Gama. Curiosamente, a elaboração da pintura por parte de Brueghel e a leitura d’ Os Lusíadas por Luís Vaz de Camões a D. Sebastião distam apenas 4 anos no tempo, acentuando o grau de correlação entre as duas obras da genialidade humana.

O russo que sabia guardar segredos

Saudações a todos os visitantes deste blogue! A frequência dos posts é cada vez menor e são os conteúdos antigos aqueles que ainda vão conferindo algum estatuto a este modesto espaço pessoal online. Porém, o Segundo Andrey Amabov continua aqui, para todos os que tiverem interesse em consultar o seu arquivo, bem como algumas novidades que poderão surgir esporadicamente.

Hoje, inesperadamente, decidi adicionar ao blogue uma pequena novidade. Nada de especial, na verdade: apenas uma curta e desinteressante narrativa de ficção que se começou a desenrolar no meu cérebro, na qual eu reconheci o potencial necessário para ascender ao estatuto de post mais descontextualizado de sempre, destronando posts como este.

Passo, pois, ao texto em si.

O RUSSO QUE SABIA GUARDAR SEGREDOS

Yuri Tabhitryi, ilustre detective moscovita, fora destacado pela polícia russa para mais uma importante missão. Distinguido internacionalmente com as insígnias douradas da SAGA (Secret Agents Global Association), manifestava incríveis aptidões no âmbito da investigação criminal, dotado de um poder dedutivo sem precedentes e da atitude enérgica, mas discreta, que um detective secreto deve demonstrar. Assim, Yuri Tabhitryi não se surpreendera ao saber que os serviços russos de investigação criminal o haviam nomeado para o caso Dinara Betpodlyi.

Conveniente seria talvez explicar quem era Dinara Betpodlyi e em que consistia concretamente o caso atribuído a Yuri Tabhitryi. Sucintamente, digamos que se tratava do roubo do maior diamante jamais encontrado em jazigos terrestres, propriedade da mais mediática estrela pop que a Rússia alguma vez conhecera. Graças a uma colossal manobra de ocultação de informação, o crime permanece longe das demolidoras páginas da imprensa da cidade, sendo a privacidade de Dinara Betpodlyi salvaguardada e o trabalho dos investigadores livre de obstruções jornalísticas.

A avultada recompensa oferecida pela cantora em troca do seu diamante seria prémio apetecível para qualquer detective. Porém, para Yuri Tabhitryi, a defesa da honra e o desejo de justiça são os factores que mais o movem. Deste modo, ainda que os indícios escasseassem e a forma como o crime fora conduzido se aproximasse da perfeição, Yuri Tabhitryi desenvolveu uma brilhante investigação, solidamente alicerçada na infalibilidade dos seus métodos, aqui não descritos, que o guiou ao culpado num espaço de tempo inferior a uma semana: Dmitri Sozsmelyi.

Exactamente. Dmitri Sozsmelyi, o insaciável assaltante, indómito aventureiro, de uma tão grande astúcia que nunca se deixara capturar pela justiça. Homem pacífico, declaradamente contra a violência das armas de fogo, impressionava pela proeza inaudita que constava do seu infindável currículo: nunca matara, ferira ou agredira as suas vítimas. Tal humanismo, associado ao calculismo meticuloso com que planeava cada crime, faziam de Dmitri Sozsmelyi uma presa difícil, raramente deixando pistas, jamais deixando provas.

Sucede também que Dmitri Sozsmelyi, durante as longas temporadas de férias que ele mesmo agendava, gostava de dispensar algum tempo e dinheiro (sendo certo que dispunha de ambos em abundância) aos jogos de sorte e azar dos casinos de Moscovo. Cliente habitual dos estabelecimentos, onde se comportava impecavelmente, cavalheiresco nos modos e nos negócios, costumava frequentar diariamente as maiores casas de apostas da capital, durante os 2 ou 3 meses que se seguiam a um grande assalto.

Não sendo excepção o roubo do diamante de Dinara Betpodlyi, a descoberta do paradeiro nocturno do singular Dmitri Sozsmelyi não ofereceu quaisquer dificuldades ao metódico Yuri Tabhitryi, que facilmente se inteirou de todas as pisadas do seu alvo. Pragmático e realista, sabia que a única maneira de reunir provas concludentes contra Dmitri Sozsmelyi seria levar o astuto ladrão a confessar o crime. Mas tal implicaria uma prodigiosa aproximação dele mesmo, Yuri Tabhitryi, ao criminoso, Dmitri Sozsmelyi, sendo forçosa a criação de uma amizade profunda entre ambos, geradora da confiança necessária à confissão.

A versatilidade de Yuri Tabhitryi nunca fora um problema. Assim, facilmente o detective montou um disfarce, incluindo um nome e toda uma identidade falsa, que anularia quaisquer possibilidades de vir a ser reconhecido. Seguidamente, começou a frequentar assiduamente os casinos moscovitas, expansivamente, numa abertura da sua falsa personalidade ao mundo, que rapidamente se tornou reconhecida por todos. Em breve, o detective tinha alcançado um tal estatuto de popularidade nas casas de jogos que todos, incluindo Dmitri Sozsmelyi, o conheciam pela sua jovialidade contagiante. Posteriormente, a presença de Yuri Tabhitryi na mesa do criminoso principiou a tornar-se um hábito, até ao dia em que se começaram a sentar lado a lado, tanto durante o jogo como ao balcão, dialogando animadamente sobre as peripécias da vida.

As duas personagens, embora com perspectivas da vida e do mundo seguramente diferentes, estabeleciam diálogos interessantes, num contexto aparentemente saudável e descontraído. Não obstante o profissionalismo de Yuri Tabhitryi tornar a tarefa muito simples, igual a tantas outras no passado, o detective sente uma harmonia verdadeira na forma como as suas conversas evoluem, chegando mesmo a questionar-se se os dois não poderiam ter sido amigos fora daquele contexto. Independentemente disso, a amizade incipiente que Dmitri Sozsmelyi parece evidenciar em relação a Yuri Tabhitryi levam o investigador a passar à fase seguinte da sua investigação, inquirindo o “amigo” acerca de pormenores autobiográficos, expondo, por sua vez, uma panóplia de histórias sobre si mesmo.

Naturalmente que não o surpreendeu o facto de Dmitri Sozsmelyi omitir o seu vasto historial de patifarias. Porém, no decorrer das inúmeras conversas que os dois haviam levado a cabo, muito se espantara perante a naturalidade com que o seu interlocutor se expressava acerca de assuntos pessoais, transbordando segurança e serenidade espiritual quando questionado acerca das mais íntimas questões que lhe eram colocadas, independentemente da veracidade das respostas que dava. Tal atitude surpreendeu Yuri Tabhitryi, que esperava entrever no criminoso certos sinais de apreensão e desconforto, motivados pela forma inesperada como o inquiria acerca da sua vida pessoal. Decidiu, portanto, passar a uma estratégia mais ofensiva, que se lhe afigurava infalível.

Acreditando que eventuais referências a Dinara Betpodlyi pudessem despertar, por instantes, uma reacção espontânea por parte de Dmitri Sozsmelyi, o detective começou a conduzir as conversas segundo assuntos que tornavam possível uma referência contextualizada à cantora russa. Assim, a música e os fenómenos da cultura de massas foram integrando gradualmente o leque de assuntos abordados, numa evolução dos acontecimentos que privilegiava as intenções de Yuri Tabhitryi.

Assim, numa bela noite, após meia hora de discussão musical, o ilustre investigador policial recorreu discretamente ao vulto de Dinara Betpodlyi a fim de exemplificar uma perspectiva sua em relação à música pop do leste europeu. De olhos postos no ladrão de jóias desde a primeira palavra da frase, absorvendo cada traço do rosto com toda a sofreguidão que o seu poder contemplativo de detectiva lhe conferia, Yuri Tabhitryi ansiava por uma manifestação exterior de nervosismo por parte de Dmitri Sozsmelyi. Todavia, o formidável fora-da-lei permaneceu impassível, no esplendor da sua tranquilidade de alma, sem que o mais ténue indício de inquietação se desenhasse nas feições mentirosas.

Estupefacto, Yuri Tabhitryi não cria naquilo que era dado a conhecer aos seus sentidos. Não era verosímil que uma referência a Dinara Betpodlyi, o alvo da acção criminosa de tão amplo destaque no currículo do interlocutor, não suscitasse a mais leve reacção física da sua parte! Nem a contracção de um músculo facial, nem um franzir de sobrolho, nem mesmo uma dilatação das pupilas!

Desiludido, mas nunca desanimado, Yuri Tabhitryi tornou a repetir a tentativa no dia seguinte, contextualizando engenhosamente a alusão à cantora de culto, para depois proferir o nome da artista, a propósito de uma discussão sobre o historial de espectáculos de massas na Europa Oriental. A mesma atenção no modo como fitou Dmitri Sozsmelyi, a mesma neutralidade impossível por parte do extraordinário indivíduo! Frustrado acabaria por abandonar a estratégia durante uns tempos, dedicando-se à reflexão acerca de um modo mais eficaz de resolver o problema. A verdade, porém, é que, se não seria fácil extrair a verdade ao fabuloso ladrão, a descoberta da verdade por outro meio seria a mais perfeita utopia. Assim, suspirando fundo e mentalizando-se para as adversidades que teria de enfrentar no improvisado processo de extorção, deitou resolutamente as mãos à obra, determinado a arrancar a verdade a Dmitri Sozsmelyi, custasse o que custasse.

Nas semanas seguintes, Yuri Tabhitryi desenvolveu um trabalho incansável em busca da verdade oculta, que apesar de tão distante e inacessível estava tão perto! E assim, num ímpeto heróico, contendo a ansiedade interior que o minava e impelia a acusar directamente o criminoso, ia diversificando ao máximo os temas de conversa, recorrendo a figuras e situações exemplificativas com abundância, a fim de transformar os diálogos entre ambos em tertúlias sobre a actualidade, substituindo os acontecimentos de cariz pessoal que outrora haviam dominado as conversas por assuntos de tom social e cultural. No decorrer desses debates, nos quais Dmitri Sozsmelyi se envolvia com vívido interesse, Yuri Tabhitryi demonstrou arte na forma inteligente e paciente como soube inscrever pequenas referências a Dinara Betpodlyi, totalmente enquadradas no contexto da conversa, em busca da almejada reacção por parte do ladrão.

Porém, como os leitores certamente poderão prever, a insistência épica de Yuri Tabhitryi de nada lhe valeria, já que a resposta de Dmitri Sozsmelyi era invariavelmente a mesma: indiferença, uma indiferença aterradora, verdadeiramente desesperante, que levava Yuri Tabhitryi a rogar pragas em pensamento contra o seu principal suspeito. Os seus frequentes pressentimentos, indicativos de que algo poderia mudar a cada instante, enganavam-se constantemente, parecendo irreversivelmente condenados ao fracasso.

De facto, a naturalidade de Dmitri Sozsmelyi quando encarava referências a Dinara Betpodlyi era tão impressionante que o detective russo chegava mesmo a questionar se aquele seria o verdadeiro responsável pelo roubo do diamante! Racionalmente, sabia que essa hipótese não era concebível, pois as suas faculdades dedutivas diziam-lhe, com 100% de certezas, que aquele era o culpado. Porém, perante a descontracção e tranquilidade de Dmitri Sozsmelyi ao ouvir sucessivamente o nome da mulher que tão requintadamente assaltara, o investigador criminal não sabia o que havia de pensar. Além disso, não eram raras as ocasiões em que o próprio ladrão se pronunciava acerca da cantora, manifestando posições coerentes acerca do fenómeno por ela representado, com a mesma impassividade e frieza emotiva com que discutia outros assuntos.

Assim se passavam os dias, as semanas, e até os meses! Sem provas que justificassem as suas inclinações, Yuri Tabhitryi atravessava uma situação inédita na sua carreira, não pela insolvência aparente do caso, mas pelo risco, nunca antes corrido, de perder o seu honrado estatuto de detective reconhecido internacionalmente. A polícia russa exercia uma pressão cada vez mais intensa sobre o detective, para quem a ideia de um desmoronamento da imagem profissional constituía o maior pesadelo alguma vez imaginado. Os louros da SAGA, as referências honorárias nos relatórios anuais, o reconhecimento do bem prestado à humanidade… tudo isso poderia estar seriamente comprometido caso a situação não conhecesse uma evolução positiva. Parecia que um cenário muito negro se preparava para se abater sobre o ilustre investigador. E era verdade.

Foi numa sórdida manhã de neve e nevoeiro que as más notícias chegaram. A capa de um jornal diário de Moscovo anunciava entusiasticamente o roubo do diamante mais valioso do mundo à cantora Dinara Betpodlyi, que não mais voltara a actuar publicamente desde então e se recusava a prestar declarações. Intrigado, receando o pior, Yuri Tabhitryi comprou o jornal e foi folheando hesitantemente o papel reciclado das páginas secas. Uma rápida leitura na diagonal inteirou-o da situação, que justificava os seus medos e tornava real o seu pesadelo: a imprensa cor-de-rosa acabara por descobrir o sucedido, quebrando as barreiras que a política russa lhe tentava opor, e rapidamente obtivera a informação de que o detective nomeado para a resolução do caso, Yuri Tabhitryi, não apresentara quaisquer resultados concretos, provenientes da investigação.

Suspirando, o pobre detective regressou a casa, onde esperou pacientemente pela chegada do aviso de dispensa por parte dos serviços secretos russos. O despedimento era inevitável, pelo que acabaria por chegar ao final da tarde. Pouco tempo depois, os lamentos da direcção da SAGA pelo sucedido e a prescisão dos seus serviços no futuro consumavam a derrota laboral que este caso insólito lhe havia proporcionado.

A partir desse momento, o detective Yuri Tabhitryi, ilustre glória da investigação criminal da Rússia, estava morto. Restava apenas o homem cujo ofício anterior lhe concedera a quantia suficiente para terminar a sua existência de um modo tranquilo e recatado, de preferência longe da azáfama citadina de Moscovo, palco de tantos feitos no passado, mas de uma tão grande mágoa no presente. E assim, como num acto de exílio profissional, o ex-detective decidiu partir para uma povoação rural situada a 67 km de Omsk, de onde tinha raízes.

Contudo, antes de abandonar a cidade, não podia deixar de comunicar a sua partida a Dmitri Sozsmelyi, a enigmática personagem cuja excentricidade lhe havia custado o emprego e a reputação, tantas vezes seu interlocutor, na companhia do qual passara tantos serões, tantas horas da interminável noite moscovita. Tentou despedir-se pessoalmente; porém, não teve a frontalidade suficiente para o fazer, preferindo recorrer a uma carta. Pensou também em expor toda a verdade da situação a Dmitri Sozsmelyi, para que ao menos se extinguissem os segredos que cavavam um fosso entre eles; contudo, acho que seria cobarde fazê-lo por escrito, em vez de assumir a derrota frente a frente.

Assim, optou por um texto mais convencional, no qual deva a conhecer a sua partida para o campo (sem especificar o local exacto) por motivos pessoais, agradecendo os longos momentos de convívio passados em conjunto e desculpando-se pela pressa com que partia alegando urgência na sua deslocação. Redigido o documento e entregue o envelope ao moço das entregas, Yuri Tabhitryi agarrou na sua bagagem e abandonou a casa que habitara durante longos anos de investigação criminal. O comboio esperava-o, para o levar do sítio onde jamais voltaria.

Quanto a Dmitri Sozsmelyi, ao receber a carta de Yuri Tabhitryi, limitou-se a sorrir condescendentemente, com a brandura de quem desculpa as falhas de outrem. Conhecera desde o início a verdadeira identidade do detective e sempre estivera consciente das suas verdadeiras intenções. Sorrindo interiormente sempre que Yuri Tabhitryi referia o nome de Dinara Betpodlyi, estava seguro do enorme poder o seu autocontrolo sobrehumano lhe conferia, sabendo bem guardado o segredo do roubo do diamante da cantora. E assim, gozando os prazeres de mais uma conquista, Dmitri Sozsmelyi deleitou-se nos prazeres da impunidade. A verdade jamais seria revelada!

Ricardo Sá: “O meu pai e o seu sonho…”

Nota: Desde Junho que o Ricardo tem participado activamente neste blogue através dos seus comentários aos artigos sobre futebol de praia. Este interesse que temos em comum criou uma amizade online que tem nos tem permitido trocar diversas ideias e experiências ao longo destes últimos meses. Agora, o Ricardo tem a sua oportunidade para escrever aqui no blogue, divulgando os feitos do clube do seu pai, que recentemente deu um passo decisivo rumo ao título de campeão açoriano. Uma ocasião em que se justifica plenamente a sua intervenção no blogue, que se orgulha de contribuir para ajudar um amigo.

Boa noite! Esta será a primeira vez que vou escrever num blogue – de um grande amigo meu, apesar de não o conhecer na vida real (desde já agradeço por me deixar escrever no seu blogue). Vou falar de um ídolo, o que, para muitos, será um dos seus pais. Os meus ídolos são o meu pai e a minha mãe. Mas hoje vou falar exclusivamente do meu pai e da sua equipa de futebol (apesar de o meu pai ser treinador adjunto). Vamos então por partes:

1 – Antes de ser treinador adjunto, o meu pai ficou radiante quando viu, num jornal, que em São Miguel haveria um curso de treinadores. Por isso, inscreveu se. E deu-se muito bem, tirando um Bom (ou Muito Bom) no seu curso.

2 – Quando acabou o curso foi convidado pelo seu amigo Emanuel Ferreira para ser treinador adjunto dos Séniores do Grupo Desportivo de São Roque.

3 – Quando soube que o Pauleta ia jogar o primeiro jogo na “sua” equipa, o meu pai ficou radiante: iria treinar o Pauleta! Assim já posso dizer aos meus filhos (que o meu pai treinou o Pauleta). Ele adorou treinar este grande craque, que no seu jogo marcou 2 grandes golos!

4 – O que quero destacar aqui é o facto de ele sempre acreditar nos seus jogadores, acreditar que são capazes de derrotar equipas mais fortes, como aconteceu hoje: jogaram contra o Vitória do Pico da Pedra (uma equipa teoricamente mais forte do que o São Roque) e venceram! Foi assim:

Na 1ª mão, o jogo ficou 1 – 1 . Mas hoje, 6 de Novembro de 2010, foram jogar na casa do Vitória e ganharam por 2 – 3! Num jogo super emotivo, o São Roque começou a partida a perder por 1 – 0 logo no inicio. Com muita juventude em campo da parte do São Roque, a equipa do meu pai chegou ao empate e conseguiu chegar ao golo do 2 – 1 já na 2ª parte. Quando faltava 1 minuto para os 90, o árbitro viu um penálti que não existe e assim o Vitória marcou o golo do 2 – 2. Como não há aqui o factor “número de golos marcados fora “, o jogo foi para prolongamento…

O Vitória já tinha 10 jogadores em campo antes de iniciar o prolongamento. No entanto, no ínicio da 1ª parte, 2 jogadores do São Roque (Vitinha e Hugo Rego) lesionaram-se e tiveram de ser substituídos! E, passados 2 minutos, mais um jogador (agora o Ananás) lesionou se também. Ainda assim, este atleta continuou em campo para ajudar a sua equipa, para conseguirem chegar ao golo da vitória… e conseguiram!

Desculpem não saber quem marcou os golos do São Roque, mas o que quero tirar deste mini texto que criei é o facto de a equipa do São Roque ser uma equipa competitiva e acreditar sempre, do início ao fim. Uma equipa com grandes talentos e que vai ter muito futuro. Com excelentes treinadores e jogadores, terão a oportunidade de mostrar agora, na final, que merecem uma taça!

Força São Roque!

Força Pai!

Portugal – Jules – Beach – Verne – Soccer – Books

Saudações a todos os leitores (frequentes ou fortuitos) deste blogue. Na linha daquilo que tem vindo a acontecer ultimamente, este post surge depois de uma longa ausência da blogosfera, justificada pelos meus afazeres escolares e falta de vontade para escrever aqui no meu espaço. Assuntos, esses, não faltam, pelo que talvez se esperasse que o meu regresso ao mundo internáutico ficasse marcado por um artigo profundo, rico em conteúdo, pleno de significado, com uma mensagem a transmitir. No entanto, este post acaba por ser mais um dos Extras que começam a saturar o meu blogue.

Em todo o caso, acho que foi uma boa ideia reiniciar a minha actividade desta forma diferente, pois além de constituir uma maneira original de reabrir o blogue, tem também uma componente pessoal muito acentuada, dado que representa um somatório das minhas grandes paixões e interesses, entrelaçadas num complexo e intrincado sistema alfanumérico. Naturalmente, passo a explicar.

Como o leitor provavelmente saberá, sou um profundo admirador do futebol de praia em geral e da selecção nacional portuguesa da modalidade em particular, bem como um amante do vasto legado literário deixado pelo grande Júlio Verne.

Perante as tentativas de conjugar graficamente os nomes de jogadores da selecção nacional de futebol de praia com o nome do autor francês, levadas a cabo pelo meu colega Marco, decidi eu próprio aceitar esse desafio, concentrando esforços num projecto mais completo e abrangente. O objectivo seria incorporar as letras dos nomes Jules, Gabriel e Verne (os nomes do escritor na sua língua materna) nos nomes de atletas da equipa lusitana, procurando focar o maior número de jogadores possíveis, além de também serem referidos os números desses jogadores.

O resultado? Pode ser contemplado aqui em baixo, pois com certeza!

Durante a elaboração desse projecto, tive em conta várias regras, que foram sendo criadas por mim para fazer face aos problemas e necessidades do mesmo, além de lhe conferirem um carácter mais uniformizado:

1. São referidos no jogo (chamemos-lhe assim) todos os jogadores da selecção nacional de futebol de praia que têm constituído o corpo da equipa em 2009 e 2010. São também referidos o seleccionador nacional, José Miguel Mateus, o treinador-adjunto, Jhony Conceição, e o responsável pela equipa, João Morais.

2. A fim de possibilitar a integração de todos os membros da selecção nacional referidos anteriormente, foi acrescentado o adjectivo “ENORME” antes de “JULES GABRIEL VERNE”, enaltecendo a preponderância da obra do escritor. Cada nome tem de usar uma letra de “ENORME JULES GABRIEL VERNE”.

3.  Os nomes dos atletas têm de ser escritos na horizontal, da esquerda para a direita, a não ser na penúltima letra de cada palavra (“E” em “JULES”, por exemplo) ou na quarta letra a contar do fim de palavras com 6 ou mais letras (“O” em “ENORME”, por exemplo).

4. Se existirem iniciais, devem ser colocadas duas casas antes da primeira letra do nome do jogador, sendo o espaço em branco entre as duas casas ocupado por um ponto. No caso de o nome do membro da selecção nacional se tratar da conjugação de “Zé” com outro nome próprio, então deve ser escrito o segundo nome precedido por “ZE”, com um espaço negro entre eles.

5. Os números dos jogadores da selecção nacional devem ser referidos no final de cada nome, imediatamente a seguir à última letra, sem qualquer espaço entre o número e a letra. No caso dos membros da equipa técnica, esta indicação deve ser simplesmente ignorada. O facto de surgirem pares de jogadores com o mesmo número (2, 4, 5 e 9) é justificado tendo em conta que alguns destes jogadores representaram a selecção nacional em momentos diferentes, acabando os mais recentes por envergar as camisolas que outrora eram defendidas por outros atletas.

6. Os espaços entre duas palavras verticais (“ENORME JULES GABRIEL VERNE”) devem ser preenchidos de forma a obter afirmações rápidas e simples que incentivem o leitor a ler obras vernianas e a viver o futebol de praia, quer jogando quer assistindo.

Deste modo, consegui demonstrar que é perfeitamente possível fazer combinações interessantes e esteticamente aceitáveis tendo por base assuntos tão diversificados como Júlio Verne e a selecção portuguesa de futebol de praia. Acho que a nossa imaginação não tem limites, sendo que esta capacidade humana de criar coisas novas devia ser mais valorizada. As ideias, como disse hoje o professor António Câmara (numa conferência muito interessante que decorreu na minha escola e à qual tive o prazer de assistir), são a base de tudo, o que faz da aptidão para encontrar uma ideia original e revolucionária uma grande virtude, necessária ao progresso.

E assim se justifica um post diferente, escrito a horas avançadas da madrugada, onde consegui conjugar verdadeiramente as minhas 3 paixões… quero dizer, 2 paixões! Júlio Verne e o futebol de praia.

Onde que raio fui eu buscar a ideia da 3ª paixão? Talvez ao simbolismo da praia em si. Ou talvez ao meu sono incipiente, que me vai lentamente arrastando para uma calma noite de descanso, no meu leito tranquilo e confortável, palco de tantos delírios oníricos!

O Voo da Joaninha

Encontrei recentemente este prodigioso filme sobre as fascinantes maravilhas naturais do nosso planeta. Nada mais suave e belo do que estas imagens subtis e elegantes, muito elucidativas no que diz respeito ao voo da joaninha, numa produção magnificamente concebida.

Acho soberba a forma como o imponente insecto separa as duas metades da sua carapaça avermelhada, erguendo as duas placas exuberantes, revelando as suas sumptuosas asas, num despontar de negrura e frieza que lhe conferem um certo misticismo. Um insecto espantoso, a joaninha. Tenho pena de não ter percebido isto mais cedo.

Um precioso achado na Internet que eu aconselho a todos os amantes da natureza e das particularidades do comportamento animal. Sejam levados pela poesia dos movimentos do insecto virtuoso e deixem-se surpreender pela pureza espiritual que este doce abrir e bater de asas esconde, no interior das camadas de quitina. O deslumbramento despertado pelos seus gestos harmoniosos tem um toque de magia, uma fragrância divina que ilumina os corações frios da humanidade cansada.

Por isso, deixem fluir nas sinuosidades do vosso ser a fantasia deste momento sublime, numa abertura da alma maravilhada ao esplendor da joaninha, prolongando o seu voo sereno e majestoso no vosso interior.

Bem, aqui fica o filme. I bet you will enjoy it.

Perguntas extravagantes

Ponto de interrogação

Quantas dúvidas e incertezas podem pairar sobre um simples ponto de interrogação...

Alguma vez sentiram uma repentina vontade de começar a colocar as questões mais rebuscadas, desorganizadamente, numa chuva de interrogações sem relação aparente entre elas, que vos conduzisse numa estranha viagem pelo vosso eu interior?

Se sim, o que é altamente improvável, este post foi escrito para vocês! Se não, sendo esta a hipótese mais certa, sou forçado a tirar conclusões muito graves acerca da minha sanidade mental. Existe apenas uma terceira alternativa, que defende a minha lucidez perfeita, atribuindo estes devaneios inquiridores a determinados segredos ocultos. Não, também me parece pouco plausível, pois nunca tive jeito para encriptações e coisas afins. Devo ser mesmo maluco.

Passando ao conteúdo do post, apresento de seguida uma cadeia de perguntas sem qualquer sequência lógica, que se sucedem umas às outras num fluxo assimétrico. Apelo aos leitores que respondam a estas questões, inventando caso seja preciso, sem se preocuparem muito com a veracidade das respostas. Façam o exercício apenas como uma experiência casuística, numa viagem pelas sinuosidades da aleatoriedade, e deixem que a entropia da minha mente conturbada seja transferida para as vossas respostas pessoais.

De realçar que não coloquei as minhas soluções para não influenciar o vosso pensamento, dado que poderiam ser levados a dar respostas idênticas a algumas perguntas. De qualquer forma, a apresentação das minhas respostas centraria o post demasiado em mim, sem dar margem de manobra aos leitores, o que não é, de todo, a minha intenção.

As questões estão divididas em duas séries distintas. Se não fizerem a primeira, escusam de passar para a segunda. Divirtam-se! Depois digam qualquer coisa.

Grupo I

1. Qual é o teu animal preferido?

2. Qual é o jogador de futebol que mais admiras?

3. Qual é o nome do teu conto favorito?

4. Qual é a tua preposição predilecta?

5. Qual é a freguesia portuguesa de que mais gostas?

6. Qual é o apelido da tua escritora preferida?

Grupo II

1. Qual é o teu verbo favorito em inglês?

2. Qual é o teu número da sorte?

3. Qual é o domínio do teu website favorito?

4. Qual é o grupo do Mundial de Futebol 2010 que consideras mais interessante?

5. Quantas pessoas são precisas para uma conversa ideal?

6. Qual é o símbolo químico do teu elemento preferido?

Saudações cordiais a todas as almas valentes que aceitaram o desafio!