Algumas sugestões acerca do assassinato de Bin Laden e as políticas da administração Obama


Na sequência de uma interessante discussão no moral do Pedro Pereira no facebook, tertúlia essa que gerou um avultado número de comentários, achei relevante expor a minha opinião acerca do tema em questão: o assassinato de Osama Bin Laden por forças militares norte-americanas, as consequências e possíveis represálias que tal ocorrência poderá motivar e o papel do Presidente dos EUA nesta questão polémica e delicada. Enfim, publiquei um comentário no qual expressava as minha posições, sintetizando um pouco as conclusões a meu ver brilhantes que tinham sido alcançadas. Deixo agora o meu comentário aqui no blogue, para que possa transmitir o que penso acerca do assunto a um número mais alargado de leitores. A discussão gerada no facebook pode ser lida integralmente aqui.

Em primeiro lugar, concordo com quem afirma que o assassinato de Osama Bin Laden representa uma violação dos direitos humanos e uma forma de réplica baseada no mesmo princípio subjacente à estruturação do terrorismo.

Enquanto política anti-terrorista deixa realmente muito a desejar, pois Bin Laden era acima de tudo um símbolo do movimento extremista islâmico. A morte do seu líder espiritual deverá semear a ira nos activistas da Al-Qaeda, que, feridos no seu orgulho fundamentalista, decerto se tentarão desforrar dos norte-americanos e da sociedade ocidental que tanto repudiam… Quanto a Portugal estar incluído nos potenciais países afectados por ataques terroristas, julgo que, pelo menos a curto prazo, não corremos esse risco, dada a nossa reduzida preponderância política e económica no ocidente. Porém, mesmo cingindo-nos a uma lógica egoísta, existem inúmeras razões para encararmos com muita seriedade esta situação (um atentado num dado país do ocidente não deixaria de produzir repercussões mais ou menos acentuadas nas diversas nações europeias).

Quanto à atribuição do prémio Nobel da Paz a Obama, aí sim, gostaria de me manifestar mais alongadamente… Penso que existem muitos factores a ter em conta e devemos ser prudentes na análise da questão. Afinal, a contestação à atribuição surgiu imediatamente após a revelação do vencedor, dado que por toda a parte se ergueram vozes contra a atribuição do prémio a um chefe de estado que acabara de reforçar o contingente norte-americano no Afeganistão, ao passo que outras personalidades se teriam destacado mais vivamente em nome dos valores pacifistas. Relativamente à morte de Bin Laden, tratou-se, decerto, de uma acção deliberada da parte do exército norte-americano, que terá indubitavelmente envolvido um trabalho moroso de planificação da missão e, a meu ver, o consentimento de Obama, que terá conhecimento das manobras conduzidas pelas milícias norte-americanas no Oriente… De facto, se assim for, estamos perante um Nobel da Paz que pactua com a filosofia do “olho por olho”, não existindo desculpa possível. 

Porém, Obama não governa sozinho, sendo decerto influenciado por inúmeros parceiros governamentais, outros órgãos de poder, políticos de ideias divergentes (aqui temo pela fogosidade (pseudo)patriótica dos republicanos), um sistema capitalista complexo (do qual pouco entendo, mas que acredito que possa influenciar as decisões políticas) e um povo, cuja vontade também tem algum peso… E, relativamente aos cidadãos, não nos esqueçamos da verdadeira finalidade de Obama, oculta por detrás de um eventual desejo de “devolver o orgulho aos norte-americanos”: a crescente proximidade das eleições presidenciais nos EUA, que não se afiguram fáceis para Obama, considerando os maus resultados dos democratas nas eleições legislativas (ainda que se tratem de votações bem distintas, julgo existir uma correlação da qual se poderão retirar algumas conclusões) e a perda de popularidade de Obama em tempos recentes… Talvez a administração Obama tenha actuado no sentido de acelerar as buscas de Bin Laden, autorizando os agentes da missão a usar a força necessária, antevendo um cenário de prosperidade eleitora… 

Não sei se foram muito rebuscadas, ou simplesmente descontextualizadas estas hipóteses. De qualquer modo, são tantas as explicações que podemos conceber neste momento (altamente propício a teorias da conspiração), que nem sei no que pensar!

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