2010 (parte 1): Formação Académica, Olimpíadas de Física, Futebol de Praia

Não sei bem por onde começar. Digamos que 2010 terminou, dando lugar a um novo ano, com 12 meses repletos de acontecimentos, ainda não sabemos quais: 2011.

Da minha parte, desejo a todos os meus familiares/amigos/conhecidos/leitores um excelente ano novo! Faço votos para que todos gozem de uma saúde revigoradora, capaz de vos impulsionar para grandes conquistas, concretizando os vossos desejos! E sempre numa perspectiva de paz e harmonia na relação com os outros, que vos permita encarar o dia seguinte com alegria e vontade de contribuir para um mundo melhor!

Eu, pelo meu turno, tenho um conjunto de objectivos e expectativas pessoais para 2011, intrinsecamente ligadas ao balanço individual que faço do ano de 2010, que se vai distanciando progressivamente, apesar de se ter despedido de nós num passado tão recente. Bem, passemos então à minha retrospectiva de 2010 e projecção de 2011.

2010

Não me sinto capaz de descrever o ano de 2010 numa ou duas palavras, por isso começarei pelo princípio, pelos factos, que são dados concretos. Foi um ano em que operei a transição dos 16 para os 17 anos de idade, o que se verificou, mais precisamente, no dia 9 de Junho (de 2010, claro está). Foi também o ano em que concluí o 11º ano de escolaridade, no Curso de Ciências e Tecnologias, e iniciei o 12º ano, última etapa do Ensino Secundário antes da entrada no Ensino Superior.

Espreitando horizontes futuros, participei nas Olimpíadas Portuguesas de Física, tanto na Fase Regional (Sul e Ilhas) como na Fase Nacional, obtendo o apuramento para o fascinante programa Quark, que tem em vista a preparação e selecção dos estudantes a participar nas Olimpíadas Internacionais e nas Olimpíadas Ibero-Americanas. Cultivando outra grande paixão, assisti pela primeira vez ao vivo a jogos de futebol de praia, quer ao Mundialito em Portimão quer à Superfinal da Liga Europeia em Lisboa, em experiências maravilhosas.

Mais viajado no contexto nacional, não deixei de fazer uma pequena visita ao estrangeiro, visitando a capital brasileira (Brasília) numa estadia da minha mãe. A nível de saúde, tudo decorreu dentro da normalidade, com uma energia vital que sempre me permitiu encarar o dia seguinte com vontade (ignoremos o pequeno mas muito aborrecido contratempo associado à fractura da falange distal do dedo médio da mão esquerda).

Bem, acabei de enumerar alguns factos decisivos na minha análise pessoal do ano de 2010. Que interpretações poderei fazer destes e de outros acontecimentos?

Um ano sorridente

Bem, em primeiro lugar, direi que não posso deixar de sorrir quando contemplo, com alguma saudade, este inesquecível ano de 2010. Claro que não se compôs inteiramente de coisas positivas, albergando também, aqui ou ali, uma ou outra experiência mais desagradável. Contudo, os momentos negativos são muitas vezes melhor fonte de aprendizagem do que as alegrias da vida, algo que eu julgo poder aplicar ao meu ano de 2010: retirei ensinamentos positivos de cada acontecimento, de cada experiência, de cada atitude, minha ou alheia, e assim saí beneficiado de todo este processo, chegando a 2011 com uma maior preparação para a vida do que aquela que tinha 365 dias atrás. Além disso, penso que os tais aspectos negativos foram claramente ofuscados pela riqueza de experiências positivas que marcou este twenty ten.

Formação Académica

Passando ao exame da componente académica, verifico que os meus objectivos foram alcançados com sucesso. Tanto o 2º como o 3º períodos lectivos do 11º ano decorreram dentro das minhas expectativas, com o meu trabalho a potenciar notas altas, que se coadunavam com as minhas capacidades. Os exames nacionais não correram tão bem, não por falta de estudo, mas por pequenas distracções idiotas e factores exteriores a mim, que me privaram das notas que ambicionava, levando a uma descida de 1 valor nas disciplinas de Física e Química e de Biologia e Geologia. Ainda assim, a minha média interna pouco se ressentiu dessa descida, que não hipoteca, de modo algum, a minha entrada na Universidade (todo indica que conseguirei entrar em qualquer curso com bastante segurança).

Nos últimos meses de 2010, o 1º período do 12º ano de escolaridade trouxe-me boas expectativas para esta derradeira etapa do Ensino Secundário, dado que desenvolvi um trabalho metódico e contínuo, que se espelhou na concretização das minhas expectativas, começando o ano com notas altas que me proporcionam uma boa base de trabalho para o futuro.

Olimpíadas de Física

As Olimpíadas de Física correspondem a outro capítulo da minha formação académica, complementando a acção do ensino a nível escolar. Indubitavelmente, esta iniciativa louvável da Sociedade Portuguesa de Física (SPF) tem contribuído para alimentar a minha paixão pela Física, fornecendo-me um conjunto de bases que decerto me serão muito úteis no futuro, não só em termos de aquisição de conhecimentos científicos, mas também ao nível da participação em projectos de grande envergadura no âmbito da Física. Em relação ao primeiro aspecto, as provas testaram e estimularam a minha capacidade de resolução de problemas, confrontando-me com situações novas, tendo sobretudo contribuído para me aproximar mais da componente experimental.

Acerca da outra componente, igualmente importante, sublinharei a oportunidade de conhecer, a propósito da Fase Regional (na qual me classifiquei entre os 10 primeiros, com grande surpresa minha), o edifício do Instituto Superior Técnico (IST) do Tagus Park, em Oeiras, que muito cativou a minha atenção, embora presentemente não o veja como uma hipótese para o meu futuro. Porém, a experiência verdadeiramente inesquecível estava guardada para o dia 5 de Junho, data da Fase Nacional, realizada em Lisboa, no estimado Museu da Electricidade, onde conheci muitas pessoas e fiz alguns amigos, ao longo de um dia que começou com muitos nervos, mas se tornou magnífico com um almoço de grupo, a visita ao museu, a participação nas iniciativas científico-desportivas ao ar livre e a declaração dos vencedores, durante a qual me foi atribuída uma surpreendente menção honrosa, acompanhada da informação de que estava pré-seleccionado para integrar o programa FísicaQuark, a ter lugar na Universidade de Coimbra nos primeiros meses de 2011! Foi fantástico.

Futebol de Praia

Viajando de paixão em paixão, passamos agora a uma outra, curiosamente também começada pela letra f (felizmente): o futebol de praia! Ora, não é novidade nenhuma este meu fascínio pela modalidade desportiva. No entanto, em 2010, vivi experiências memoráveis que ainda não figuravam na minha história pessoal. Se, por força da menor frequência dos treinos e incompatibilidade de horários, não foi tão assíduo na assistência aos treinos da selecção nacional, se, por impossibilidade logística, não tive a oportunidade de estar presente em Viseu aquando da realização da competitiva Spring Cup 2010, com muita pena minha, a verdade é que nada tenho a lamentar em relação à forma como vivi o futebol de praia no ano transacto, dado que os meus desejos se viriam a realizar gradualmente.

É neste contexto que se enquadra o fim-de-semana em Portimão, onde assisti ao espectáculo (sim, não há palavra melhor para descrever o ambiente fantástico com o qual contactei e do qual fui parte) do Mundialito de Futebol de Praia 2010! A selecção nacional não venceu a competição, infelizmente (por motivos diversos, que não vou explicar aqui), mas fez uma bela prestação! E se a equipa lusitana não logrou oferecer ao público presente o terceiro título consecutivo na competição, não deixou de me proporcionar momentos fantásticos, não só no estádio mas também fora dele, quando tive a honra de almoçar com o grupo da selecção nacional, a convite do seleccionador nacional, José Miguel Mateus, e do coordenador nacional do futebol de praia, João Morais. E assim, antes do jogo decisivo frente ao Brasil, tive a oportunidade de contactar de uma maneira diferente com os heróis da equipa das quinas, em momentos de pura boa disposição!

E, se a selecção nacional não teve sorte na primeira competição de futebol de praia a que fui assistir ao vivo, as minhas preces de adepto não poderiam ter sido mais bem atendidas pelas forças do destino (ou da BSWW), uma vez que a Superfinal da Liga Europeia de Futebol de Praia se disputaria em Lisboa, mais concretamente em Belém, a cerca de apenas 2 km do meu local de residência! Não havendo interferência com as datas de férias, fui certamente o espectador “civil” mais assíduo de toda a competição, testemunhando 16 dos 18 jogos que tiveram lugar no Terreiro das Missas. Enfim, foi um torneio verdadeiramente incrível e uma experiência fabulosa, principalmente porque Portugal se sagrou campeão europeu de futebol de praia, após uma final à qual assisti na bancada VIP, acompanhado por 11 pessoas muito especiais que aceitaram o meu convite para virem puxar pela selecção nacional na última batalha da época! E depois os autógrafos, o contacto com pessoas que não conhecia, a partilha da alegria sentida por todos os membros da família do futebol de praia português…

Encerrando o assunto do futebol de praia, direi que foi mesmo um ano especial, não só pelas marcas anteriormente referidas, mas também porque o trajecto da selecção nacional foi muito positivo, conseguindo a qualificação para o mundial, a reconquista do título europeu e a recuperação da liderança do ranking europeu da modalidade, numa temporada que poderia ter sido ainda mais rica em títulos, dado que Portugal alcançou todas as finais de torneios importantes. A equipa demonstrou evolução ao longo do ano e reagiu com distinção às adversidades que foram surgindo, como a saída de jogadores importantes na equipa, contraposta por uma eficaz adaptação de novos jogadores à selecção nacional. A nível de clubes, Portugal deu um passo decisivo, por meio da organização do primeiro circuito nacional de futebol de praia, sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

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Singularidades da Invisibilidade (parte 1): Chuva de Questões

Enigmas da ciência e da filosofia

Pura I v s b l d d

Já alguma vez pensaram na (im)possibilidade de virem a experimentar a sensação (ou devo dizer o poder) da invisibilidade?

Claro que sim! Quem nunca imaginou o doce (ou talvez não tão doce assim) sabor de ver sem ser visto, sentir sem ser sentido, existir e não dar se dar a conhecer ao mundo?

E como seria se efectivamente vivêssemos em tais circunstâncias? Que uso faríamos desta nossa nova característica? Que alterações se manifestariam na nossa interacção com a sociedade, o que mudaria na nossa relação com o exterior? Mas, acima de tudo, qual seria a reacção da nossa mente, do nosso intelecto, da nossa personalidade, em função deste novo estado existencial? Haveria espaço para mutações psicológicas?

Filosofia do poder e dilemas de consciência

Dilemas de personalidade

Doctor Jekyll and Mister Hyde, um clássico de fantasia e terror que tem inspirado milhares de artistas e pensadores.

Esta gradação guia-nos ao cerne de uma importante questão da filosofia, que qualquer pessoa pode analisar individualmente, independentemente dos seus antecedentes. Sim, acabei de atingir o grande dilema que se coloca a qualquer alma humana quando detentora de um vasto poder sobre os seus semelhantes, que consiste na escolha dolorosa entre duas opções antagónicas.

A primeira será aquela em que o indivíduo acaba por sucumbir à ganância dos seus desejos e age unicamente em função dos seus interesses pessoais, desprezando quaisquer direitos alheios simplesmente por não temer represálias. Na segunda, pelo contrário, continua a escutar a voz interior da moralidade (se ela existir), que o impele a usar o seu poder em prol do bem comum, de acordo com as necessidades dos outros seres humanos, fazendo prevalecer a bondade e a consciência social.

Neste tipo de situações hipotéticas, trava-se uma verdadeira batalha entre as duas facetas do ser humano, numa guerra incerta e gradual que acaba por determinar a componente da personalidade dominante. Um pouco como na novela de Robert Louis Stevenson Doctor Jekyll and Mister Hyde, certamente bem conhecida pela maioria dos leitores. Ora, um ser humano ao qual foi prodigalizado o dom da invisibilidade encontra-se forçosamente nestas condições, dadas as circunstâncias que já referi anteriormente.

Eu e a invisibilidade

Mas porquê esta insistência da minha parte na temática da invisibilidade? Porque, meus caros amigos, a invisibilidade representa, dentro dos capítulos da ficção científica, um dos que mais me fascina e me faz questionar diversos aspectos do meu conhecimento racional, que em termos científicos, propriamente ditos, quer a nível filosófico. De facto, livros, filmes e outros veículos culturais em torno deste sonho aparentemente tão distante exercem uma atracção muito forte sobre mim, ao ponto de os colocar nas minhas selecções de favoritos.

Cientificamente possível, mas não ainda

A invisibilidade pode ser conseguida desviando os raios luminosos de maneira a que contornem o objecto sem o atingirem. Tal seria possível  com uma capa composta por metamateriais que apresentassem um índice de refracção negativo.

A invisibilidade poderá ser conseguida desviando os raios luminosos de maneira a que contornem o objecto sem o atingirem. Tal será possível com uma capa composta por metamateriais que apresentem um índice de refracção negativo.

Além disso, a invisibilidade pode estar reservada para um futuro mais próximo do que à partida poderíamos pensar, devendo ser tidas em conta os vários projectos de investigação no assunto que se têm vindo a desenvolver no âmbito das pesquisas científicas e o nos progressos muito positivos que se estão a verificar nestas iniciativas.

Recentemente, por exemplo, investigadores israelitas conseguiram eliminar a libertação de radiação infravermelha por parte dos tanques de guerra, através de placas térmicas, o que os torna indetectáveis durante a noite. Não se tratando de um exemplo de invisibilidade na verdadeira acepção do termo, constitui um marco na cronologia desta investigação e uma prova de que o impossível se pode transformar em realidade num abrir e fechar de olhos.

No caso da invisibilidade humana, talvez dentro de algumas décadas tenhamos superado as complexas barreiras que se nos colocam neste momento! A solução que parece mais viável neste momento consiste na criação de um “manto da invisibilidade” (ao estilo de Harry Potter) constituído por materiais produzidos artificialmente, denominados metamateriais. Ora, estes materiais peculiares teriam a particularidade de apresentar um índice de refracção negativo, provocando o desvio da luz incidente segundo um ângulo tal que contornaria o objecto sem o reflectir. No entanto, persistem algumas dificuldades técnicas que obstam ao sucesso imediato da iniciativa. Ou seja, muitas pesquisas serão necessárias rumo à descoberta da invisibilidade!

Para uma compreensão dos fundamentos científicos associados a este assunto complexo, aconselho vivamente a leitura do 2º capítulo da obra A Física do Impossível, escrita pelo conceituado físico chinês Michio Kaku, capítulo esse exclusivamente dedicado à invisibilidade. Para uma explicação mais rápida e sucinta, aconselho que visitem este site.

Importância e interesse do assunto

Um dia, a invisibilidade humana será uma realidade. Todavia, antes desse dia chegar, devemos estar conscientes das implicações associadas a esta descoberta científica e das medidas que se teriam de tomar a fim de evitar situações indesejáveis, de impacto indeterminado na sociedade e no mundo.

Enfim, por todas as razões referidas anteriormente, fica prometido para breve um seguimento desta análise ao assunto da invisibilidade, com base num filme e num livro que me marcaram de forma muito relevante, merecendo por isso uma justa referência aqui no blogue.

The Invisible Mouse

Por agora, fiquem com um pequeno cartoon dos imortais Tom & Jerry, heróis da minha infância, assim como da de milhares de milhões de outras pessoas de diferentes gerações em todo o mundo. Foi através deste divertido momento de animação clássica que eu contactei pela primeira vez com a ideia de invisibilidade, começando assim este meu interesse pelo assunto. Obrigado, Tom and Jerry!

Saudações invisíveis!

A água é azul: crianças e cientistas são menos afectados por daltonismo

Envolto na alternância entre o diletantismo e a veia laboral do fim-de-semana, alguns instantes antes do almoço, decidi iniciar a realização dos trabalhos de casa da disciplina de FQ A. Pegando no manual de Química e lançando a minha mente na leitura do texto que o professor seleccionara, estava a começar a ganhar interesse pelo tema abordado, quando me deparei com uma revelação surpreendente, que muito me espantou:

Pode pensar-se que os oceanos são azuis porque a água dos oceanos reflecte o azul do céu ou porque contém impurezas coradas, tais como sais de cobre. Mas a resposta é outra! A água tem uma cor própria. A água absorve luz vermelha no extremo do espectro visível, transmitindo a cor complementar, que é o azul celeste. A água que bebemos parece incolor porque a sua cor é muito ténue e é pouca a água no copo. Quando vemos uma grande massa de água (lagos, rios ou oceanos) apercebemo-nos logo da sua cor azul.

Nota: O livro de Química a que me refiro trata-se do manual escolar 11 Q, Física e Química A, Química – Bloco 2, da Texto Editores, escrito por João Paiva, António José Ferreira, Graça Ventura, Manuel Fiolhais e Carlos Fiolhais, numa edição datada de 2009. A passagem que pode ser lida acima diz respeito ao artigo “A água e a atmosfera”, correspondendo o excerto apresentado ao segundo parágrafo do texto, que se situa na página 86 do manual.

O mar, essa inesgotável fonte de mistérios infinitos, reluzindo na beleza do seu esplendor celeste.

O mar, essa inesgotável fonte de mistérios infinitos, reluzindo na beleza harmoniosa do seu esplendor celeste. O azul dos oceanos é mesmo muito especial.

Boquiaberto com a novidade arrebatadora que acabara de receber, li o parágrafo atentamente, totalmente concentrado na mensagem poeticamente subtil, veiculada por aquelas linhas muito simples, mas simultaneamente tão profundas. Procurei saborear cada palavra do excerto em todo o seu esplendor celeste, como se da revelação do segredo do universo se tratasse. De facto, a notícia não poderia ter tido mais impacto em mim, ao abalar radicalmente as minhas concepções acerca da cor do líquido da vida. Quem diria que a água é mesmo azul…

Percurso Pessoal

Quando somos pequenos e começamos a conhecer o mundo, somos levados a colocar questões sobre tudo e todos, sem limitações, na atitude natural de quem não compreende e quer compreender, não sabe e quer saber, na ânsia de descobrir as causas de tudo o que nos rodeia. Nesse tempo, vulgarmente designado idade dos porquês, não aceitamos nada só por si, queremos realmente entender as relações entre as coisas, para podermos conhecer a origem dos fenómenos, interrogando, para isso, os vultos de autoridade à nossa volta que nos inspiram confiança. As perguntas relativas aos motivos da coloração do mar e do céu são algumas das questões mais frequentes.

A água, responsável pela cor azul do nosso planeta, é a mãe de toda a vida na Terra.

A água, responsável pela cor azul do nosso planeta, é a mãe de toda a vida na Terra.

Com base na minha experiência pessoal, que provavelmente se assemelha à de muitas outras pessoas, posso dizer que uma das dúvidas que mais confusão suscitava em mim era a razão pela qual a água do mar era azul, sendo a água dos copos e das garrafas transparente. Não fazia qualquer sentido! Inicialmente, confrontado com esta grande ambiguidade acerca da cor da água, fui levado a acreditar que a água era azul à partida, pois a ideia de azul era mais apelativa para mim, tal como a concepção do mar era mais preponderante do que a ideia de um bocadinho de água num copo. Porém, por qualquer razão, quando a quantidade de água era pequena, o raio do líquido como que perdia a cor! Era muito estranho… A água devia mesmo ser uma coisa muito especial.

No entanto, tendo em conta as respostas que iam surgindo em redor e com base na minha interpretação dos fenómenos, fui alterando a minha opinião, gradualmente, ao longo dos anos. Começava a ver a água como uma coisa realmente transparente, sem cor, cultivando a ideia de que o azul do mar se devia a qualquer razão associada ao fundo dos oceanos. À medida que ia progredindo na escola, frequentando as aulas de ciências naturais, ou talvez mesmo antes disso, fui confrontado pela primeira vez com a expressão incolor, a propósito da água, que vinha confirmar a minha ideia anterior de que a água não tinha cor própria.

De resto, o aprofundamento dos meu conhecimentos científicos nos anos seguintes e o desenvolvimento das minhas faculdades racionais ia construindo explicações cada vez mais aceitáveis para a coloração azul dos oceanos. Talvez o motivo se prendesse com as elevadas concentrações de sais da água do mar… Ah! Mas os rios e lagos também eram azuis e praticamente não tinham sal! De qualquer forma, a água doce também poderia conter outras impurezas que conferisse uma cor azulada a qualquer reserva de água do planeta… Por fim, ainda se mantinha de pé a teoria segundo a qual os solos seriam os principais responsáveis pela coloração da água, com o azul a ser proveniente de certas substâncias existentes nos fundos ou libertadas por eles…

Todas estas hipóteses, por muito racionais que sejam, afluíam à minha mente de uma forma muito mais desorganizada do que aquela a que recorri neste parágrafo. Este pragmatismo coerente nunca esteve presente nas minhas descontraídas análises do problema em questão, suscitadas por raros fluxos de inspiração metafísica, que me tomavam em momentos de contemplação marinha. Ao fitar a vastidão azul do oceano, no seu brilho descomunal e misterioso, era tomado por um sentimento de admiração profunda, mas incompreendida, sendo que a insatisfação cognitiva do meu ser me impelia a questionar as causas de tão grande beleza natural. Porém, a poesia do mar restringia a minha frieza racional, mitigando o meu poder de pensamento, lentamente absorvido pela suave brisa emanada pelo oceano.

Agora: a verdade surge, rompendo por entre a neblina

Cascatas de Água Azul, em Chiapas, no México.

Cataratas de Água Azul, em Chiapas, no México. A cor azul da água é bem evidente nesta prodigiosa maravilha natural do nosso magnífico planeta.

Agora sei a verdade. Contudo, foi preciso esperar 16 anos e 10 meses para conhecer realmente o motivo da coloração azul dos oceanos! Uma questão tão simples, com uma resposta tão bela e subtil, ao meu alcance há tanto tempo, pelo menos em contornos gerais, mas que eu só descobri hoje, por um acaso escolar fortuito. Mesmo considerando a componente mais científica da questão, não é assim tão difícil entender que a água absorve a radiação vermelha, transmitindo a radiação no extremo oposto do espectro visível, que corresponde ao azul! Tratam-se de conhecimentos básicos leccionados no 3º ciclo que todos a população devia dominar! E, mesmo assim, quantas pessoas há por esse país fora, e por esse mundo, que não conhecem a verdadeira razão da cor azul do mar? E quantas não saberão sequer que a água é, em si mesma, azul? É curioso, não é?

Na verdade, o meu percurso ao longo dos anos, no que respeita à descoberta da solução para este enigma, pode ser descrito muito facilmente. Comecei no zero, quando nasci, pois nada sabia do mundo em redor. No entanto, enquanto ia dando os primeiros passos neste planeta, fui começando a adquirir dados que me permitiram colocar questões, para as quais apenas encontrava respostas incompletas, numa fase em que conhecia a verdade, pois julgava que a água era efectivamente azul.

Posteriormente, a falta de conhecimento das causas e a interpretação incorrecta dos dados levou a minha mente a cometer erros, tirando conclusões precipitadas, pelo que a minha opinião se alterou drasticamente, afastando-se da verdade. Esta foi, indubitavelmente, a pior fase de todas, dado que eu achava ser detentor da verdade, quando nada sabia realmente, numa ignorância cega semelhante àquela que produz o preconceito. Felizmente, a atenção do meu professor de Física e Química a pormenores desta natureza não consentiu o prolongamento deste sono cognitivo e acordou a minha alma científica para a mais linda verdade natural.

Filosofia e Ciência: semelhança na diferença

Não posso deixar de fazer uma analogia entre este pequeno fragmento da história da minha vida e a tese defendida pela maioria dos filósofos, magistralmente apresentada por Jostein Gaarder na sua obra O Mundo de Sofia, que aconselho a todos os leitores. Passo a apresentar essa mesma mensagem, contemplando os vários aspectos em causa:

O filósofo e autor norueguês Jostein Gaarder e a sua mais famosa obra, O Mundo de Sofia. Aconselho vivamente a sua leitura a todas as pessoas interessadas em aprender, pois constitui uma experiência fenomenal no conhecimento da realidade humana e do universo, embarcando o leitor numa viagem alucinante pela História da Filosofia Ocidental.

O filósofo e autor norueguês Jostein Gaarder e a sua mais famosa obra, O Mundo de Sofia. Aconselho vivamente a sua leitura a todas as pessoas interessadas em aprender, pois constitui uma experiência fenomenal no conhecimento da realidade humana e do universo, embarcando o leitor numa viagem alucinante pela História da Filosofia Ocidental.

Nos primeiros anos de vida, as crianças, curiosas por natureza, questionam tudo o que lhes surge diante dos olhos, adoptando a atitude filosófica por excelência: duvidar do mundo, com uma grande abertura espiritual. Ao longo do processo de crescimento, as pessoas vão aceitando as respostas que lhes são apresentadas, conformando-se com as soluções vindas do exterior (ou do interior) sem as questionarem e testarem, perdendo as suas faculdades filosóficas. Podem, contudo, regressar aos tempos de criança, tornando a duvidar das respostas que lhes são impostas pela sociedade ou por elas próprias, adoptando uma perspectiva ponderada e crítica em relação a tudo, o que as pode conduzir a grandes progressos na procura da verdade. Quando alguém toma tal atitude, um novo filósofo nasceu!

O autor norueguês de O Mundo de Sofia consegue ilustrar esta situação na perfeição com o recurso à alegoria da pelagem do coelho. Nesta situação, a criança começa por ocupar a camada superficial do pêlo, numa posição privilegiada para a contemplação da verdade, simbolizada pela realidade exterior ao coelho. O processo de crescimento corresponde a um escorregamento do indivíduo para as camadas mais profundas da pelagem, onde permanecerá em completa escuridão, obscurecido pelas ideias preconcebidas que alimenta, longe da luz e claridade do mundo exterior. Porém, o filósofo tem a virtude de não se deixar satisfazer pelas respostas provisórias que lhe são apresentadas e inicia uma longa e difícil ascensão ao longo do pêlo do roedor, procurando a verdade universal, a pureza da luminosidade exterior!

Com a minha experiência acerca da cor azul da água sucede exactamente a mesma coisa! Comecei por estar perto da verdade, mas a falta de conhecimento das causas impeliu-me para os reinos da escuridão, até um súbito raio de luz iluminar o meu espírito originalmente curioso, mas confinado a ideias falsas, trazendo-me de volta aos domínios da claridade, e desta vez de forma definitiva, tendo em conta a existência de um elo de sabedoria. A principal diferença em relação à tese descrita reside no facto de esta minha história estar ligada a um assunto fantástico de carácter científico, enquanto a teoria descrita anteriormente se refere à filosofia em todo o seu esplendor.

Afinal, as crianças estão mais perto da verdade, ao serem levadas pela sua força espiritual interior a acreditar no que os sentidos lhes dizem, que a água é azul. E certos estão também os cientistas, que, tomados pela sede de conhecimento, investigam arduamente os vários pontos da questão, acabando por descobrir a verdade, compreendendo os motivos que explicam o fenómeno. E, assim, só as crianças e os cientistas conhecem a verdade, ao contrário das outras pessoas, que ignoram a verdadeira cor da água, quando a resposta está diante dos seus olhos. Da mesma forma, em questões do foro filosófico, são as crianças e os filósofos quem está em contacto com a verdade (ou mais perto dela).

O azul da água é uma verdade universal, que pode ser confirmada cientificamente. Uma vez esclarecidas as sempre interessantes questões da Física, deleitemos a alma com a beleza nostálgica dos azuis marinhos. Inspiremos a aragem profunda emanada pelos mares e deixemo-nos levar pela melancolia macia das águas, ao sabor das ondas celestes do implacável oceano.

O azul da água é uma verdade universal, que pode ser confirmada cientificamente. Uma vez esclarecidas as sempre interessantes questões da Física, deleitemos a alma com a beleza nostálgica dos azuis marinhos. Inspiremos a aragem profunda emanada pelos mares e deixemo-nos levar pela melancolia macia das águas, ao sabor das ondas celestes do implacável oceano.

Assim se prova que, apesar de se tratarem de áreas mesmo muito diferentes,  a filosofia e a ciência apresentam muitas coisas em comum, sendo a principal semelhança esta atitude de questionar, duvidar das nossas respostas aos problemas do mundo e vontade de descobrir a verdade. É esta a base de qualquer tipo de conhecimento e, consequentemente, de tudo o progresso da humanidade.

Dedicatória

Para terminar, gostaria de expressar e minha vontade de que este post fosse recordado como um hino à juventude e, em particular, à infância, dedicando o texto a todas as crianças cientistas e filósofas do mundo no momento em que este post está a ser lido.

EUSO 2009: um ano depois (as provas)

Foi precisamente no dia 5 de Abril de 2009 que a comitiva portuguesa das EUSO Murcia 2009 regressou a casa, trazendo moralizadoras e merecidas medalhas de bronze, mas, acima de tudo, memórias fantásticas de uma semana inesquecível.

Deste modo, assinalando o primeiro aniversário da chegada dos jovens cientistas à pátria,  pretendo recordar aqui os melhores momentos das Olimpíadas de Ciência da União Europeia do ano passado, evidenciando os motivos que tornaram esta aventura uma experiência tão enriquecedora e memorável.

As provas: grandes testes ao nosso potencial e lições para o futuro.

Seguindo as normas da organização, os testes das EUSO 2009 envolviam sempre uma componente experimental e uma vertente teórica. Genericamente, podemos dizer que o trabalho laboratorial era a base de tudo, uma vez que a avaliação dos grupos residia nos registos de medições e resultados, bem como nas respostas a questões relacionadas com as actividades a realizar.

Foram realizadas duas provas: uma no dia 31 de Março (3ª feira) e outra no dia 2 de Abril (5ª feira). Ambas as provas estavam divididas em 3 partes, referentes aos três domínios da ciência abordados, passo a citar, a Biologia, a Química e a Física. No entanto, não deixou de ser curioso que, no teste do dia 31 de Março, o segmento de Biologia se tratasse, na verdade, de uma actividade de Química, com um pequeno exercício no final sobre o ciclo de vida do bicho-da-seda.

De um modo geral, para quem não estiver interessado em ler  informação específica sobre cada uma das provas, posso dizer que foram muito interessantes, estimulando o nosso espírito científico e desenvolvendo a nossa capacidade de resposta a problemas inéditos. Fomos a Espanha com o intuito de honrar o nosso país, procurando ultrapassar as dificuldades que certamente iríamos encontrar, na tentativa de superar o nosso melhor. Ao mesmo tempo, participámos nesta grande competição científica tendo como propósito aprofundar os nossos conhecimentos nas nossas áreas predilectas e desenvolver competências fundamentais para a nossa formação e carreira.

Pois bem, não poderíamos ter sido mais bem sucedidos nestes objectivos, algo que podemos confirmar pela extraordinária evolução que protagonizámos do primeiro para o segundo teste. Por isso vos digo: foi formidável!

Competências adquiridas:

  • encarar situações novas
  • reagir a adversidades
  • trabalhar em equipa
  • aprender com os erros

1ª prova: fibras têxteis

Cada prova estava subordinado a um tema em concreto, que funcionava como mote de todo o teste. Na primeira prova, o tema central eram as fibras têxteis, dado que 2009 foi considerado o Ano Internacional das Fibras Naturais. A parte de Biologia, ou melhor, a primeira parte de Química, girava em torno da temática da seda e do famoso bichinho que produz esta fibra natural, devido ao simbolismo da cultura da seda naquela região de Espanha. E, se a segunda actividade de Química incluía uma titulação e a síntese artificial de nylon, a parte de Física baseava-se numa comparação das propriedades da seda e do nylon.

Não nos correu bem esta prova. O nosso grupo estava habituado a trabalhar em conjunto durante na totalidade do tempo, realizando todas as actividades do teste colectivamente. Ora acontece que este sistema tinha muitas vantagens  nas provas das Olimpíadas de Física, onde a sua utilização nos tinha catapultado para o primeiro lugar nas regionais e nas nacionais, mas não se aplicava ao modelo de prova das EUSO, com três actividades complicadas, repletas de problemas novos para nós, que exigiam muito tempo e toda a nossa concentração.

Durante a prova, encontrámos diversas contrariedades contra as quais nada podíamos fazer, e outras que, com mais experiência de laboratório e concentração em alguns instantes, talvez tivéssemos conseguido ultrapassar. O estado de saúde do Duarte, um bocado adoentado, com sintomas de gripe, veio prejudicar o nosso desempenho, apesar da atitude aguerrida do nosso companheiro de equipa. Outro aspecto altamente imprevisível que nos impediu de triunfar foi as deploráveis condições das balanças da universidade, cujos pratos não estavam completamente fixos, impedindo assim uma medição rigorosa das massas, que nos fez errar o cálculo das densidades.

No entanto, o resultado teria sido muitas vezes melhor se tivéssemos terminado a prova, algo que não aconteceu devido à nossa deficiente divisão de tarefas, ou se tivéssemos encarado as questões com mais atenção, pois tínhamos capacidade para fazer melhor, não fossem as condicionantes de tempo e a grande dimensão da prova. Resultado final: 31 pontos num total de 94 possíveis. Um novo record nas nossas carreiras de estudantes: a pior classificação de sempre (como o Duarte fez questão de referir, com humor).

Os testes exigiam mais experiência de laboratório e uma tripartição do trabalho, com um aluno especializado em cada uma das actividades. Não era difícil entender isto, mesmo para quem pensava que a prova tinha corrido bem (que ingenuidade, a nossa). De facto, sentimos que não tínhamos feito má figura, uma vez que havíamos percebido os conteúdos abordados e tínhamos realizado praticamente todos os trabalhos laboratoriais (como eu disse depois no hotel, “não perdemos o comboio da ciência”). No entanto, os pontos residiam nas questões, e nesse capítulo tínhamos cometido demasiados erros…

2ª prova: sumos de fruta

Se bem me lembro, o teste do dia 2 de Abril centrava-se no estudo dos sumos de fruta segundo diferentes perspectivas. A parte de Biologia, desta vez incidia realmente sobre a ciência da vida, girava em torno da observação microscópica de seres vivos de de diferentes reinos, que suscitava questões diversas, estando de alguma maneira relacionada com a questão dos sumos (não me recordo exactamente como). A actividade de Química, por sua vez, voltava a incluir titulações e diversos cálculos envolvendo moles, enquanto o grupo de Física tinha como grande objectivo a determinação da capacidade térmica mássica do sumo (utilizando água em substituição deste líquido).

Tirando preciosas ilações da prova anterior, optámos por uma inteligente divisão de tarefas, desdobrando a nossa equipa nos seus três membros constituintes: Frederico, o biólogo, Duarte, o químico, André, o físico. E assim, motivados pela perspectiva de uma grande prova, demos início às actividades, cada um responsável pela sua parte, após um curto período de análise do teste em conjunto. Naturalmente que também houve entreajuda nesta prova, mas ocorreu de uma forma muito mais estratégica e profícua do que na ocasião anterior.

Firmes no nosso propósito, com uma postura correcta face aos trabalhos propostos, não recuámos perante as adversidades e fizemos frente aos problemas, contornando as barreiras que se nos afiguravam. Todos nos confrontámos com situações de difícil resolução, mas uma análise cuidada das circunstâncias e muita determinação na tentativa de corrigir os erros permitiram encontrar as soluções adequadas. Quando precisávamos da ajuda de um colega, quer para questões técnicas quer em termos de conhecimentos, não hesitávamos em pedir e o nosso compatriota vinha prestar auxílio tão rapidamente quanto as suas actividades o permitiam. Funcionámos muito bem.

No fim, eu, que cooperei activamente com os meus colegas, intervindo nas várias partes da prova, e tinha compreendido perfeitamente todos os exercícios do segmento de Física, acabei por não conseguir chegar aos resultados desejados. Porquê? Pela mesma razão pela qual não conseguíramos determinar as densidades do nylon e da seda no primeiro teste: balança com o prato mal colocado. Já me debati diversas vezes com a questão e a conclusão é inevitável! Um mau posicionamento daquela peça da balança prejudicou as medições das massas de água, influenciando todos os resultados na mesma ordem de grandeza, visto que o gráfico obtido era uma recta, mas em vez de passar pela origem interceptava o semieixo positivo das abcissas.

Tentei de tudo para rectificar a situação, mas já era tarde e tive de trabalhar com os dados que tinha, até porque sabia que o meu procedimento estava correcto! Depois, todos os exercícios ficaram errados, em cadeia, e eu nada podia fazer! Se não fosse o raio da balança… aqui está um parâmetro em que o material da nossa escola tem alguma superioridade!

No final, viemos a saber que a nossa classificação nesta prova tinha sido de 70 pontos num universo de 86 possíveis. Nada mau! Fizemos grandes progressos relativamente ao teste anterior! E, aparentemente, as minhas peripécias com a balança não tiveram um efeito demasiado negativo no resultado final, posto que preenchi correctamente os registos, elaborei um gráfico de acordo com os meus dados e ainda acertei a uma questão de escolha múltipla. Fui penalizado nos valores das massas, no cálculo da capacidade térmica mássica e nas duas alíneas que se seguiram, dependentes da determinação de c. De resto, como o motivo do meu erro foi uma questão exterior à minha responsabilidade, e também participei activamente nas respostas ao questionário de biologia, cooperando magnificamente com o Fred, fiquei de consciência tranquila e sinto que cumpri o meu dever como membro da equipa.

E assim se demonstrou que o trio de cientistas do Restelo tinha um imenso valor e aprendera imenso com a experiência do primeiro teste! Se, no dia 31 de Março, tínhamos conseguido não perder o expresso europeu da ciência, na segunda prova não só apanhámos o comboio, como também chegámos ao fim da linha! Ou pelo menos ficámos perto. Como disse a professora Isaura Vieira, da DGIDC, “se tivesse havido uma terceira prova…”.

Aviso: mais tarde falarei sobre os outros aspectos das EUSO 2009.

Jules Verne: a wonderful world to discover (5th part)

Cumprimentos vernianos aos leitores deste blogue. Eis o quinto e penúltimo excerto do meu artigo em inglês sobre a vida e obra de Júlio Verne. Como sabem, trata-se do meu trabalho de projecto na disciplina, constituindo uns escassos mas eventualmente decisivos 5% na nota do 2º período, e está disponível na cool m@g, revista online criada pela minha professora de inglês (não sei quantas vezes já escrevi isto).

Neste fragmento do artigo poderão ler uma descrição da última fase da carreira literária do escritor, enveredando pelos caminhos do cepticismo em relação ao valor da ciência e ao uso que os adventos tecnológicos do futuro poderiam vir a ter. Após a caracterização da obra, faço uma breve referência à actividade política do escritor visionário que, além de mestre das letras e das ciências, tinha espírito empreendedor e muita vontade de lutar por um mundo mais justo e melhor. O folhetim de hoje termina com uma alusão à cooperação saudável que se estabeleceria entre Júlio Verne e o filho Michel, muito frutuosa em termos de produção literária e dúvidas quanto à autoria dos livros.

Amanhã finalizarei o tópico (já chegam de posts vernianos!) com a apresentação do excerto relativo à queda de um herói e à perpetuação da sua memória ao longo dos tempos.

Third Phase: Science Criticism

The Secret of William Storitz

The Secret of William Storitz

The troubled life esperience and the pessimist philosophical theories dated from the last decades of the XIX Century influenced Jules Verne books and impelled him to the last stage of his long carrier: the criticism of science. His third literary phase started in 1892, when his book The Carpathian Castle was published by Louis-Jules Hetzel (Pierre-Jules Hetzel’s son). The books written in this period are a reflection on the many applications science may have and the probable consequences of a bad use of science.

Facing a Flag, Master of the World and The Secret of William Storitz are some of the latest romances by Jules Verne. Most of them explre the dangerous situations the humankind may have to cope with in case science serves evil intentions. In this last stage of his career, the core of his literature went back to sceince, but this time Jules Verne took in consideration the dark side of technology. Human issues such as armed conflicts and independence wars were also criticized in a hard way in these works and that is the reason why his latest romances contain a severe criticism in what concerns human faults like greed or selfishness.

Politician Carrier: Municipal Council

Jules Verne by the time of his politics debut

Since the moment when Jules Verne permanently moved to Amiens, he started living in a quiet peaceful mode, with no more trips and a comfortable place to spend the rest of his days, writing new romances. However, Jules Verne wanted to get out of that dilettante lifestyle. Hopefully, he had a brilliant idea and he decided to take part in local politics. In May 1888 he candidated himself for the Municipal Council of Amiens and he was ellected. Verne played an important role in local government, fighting for the human rights and justice. His main priorities were unquestionably human health and education.

Michel Verne: Working Together with his Father

Michel Verne as a responsible adult

Michel Verne as a responsible adult

By that time, Michel finally settled down and he started getting on well with his father. He was taking his first steps in is career by writing some science articles and his father felt very proud of him, appreciating his literary style. Jules usually gave some useful tips to his son and they even started working together since that moment.

There is a lot of controversy regarding the authorship of many works, such as The Lighthouse at the End of the World, Volcano of Gold, In the Year 2889 and The Eternal Adam. Some of these books were written by Jules and Michel in association with each other, but the major part of them are original Jules Verne’s romances which were modified by his son after his death. Fortunately, today there are some searchers who can separate the books 100% from Jules, the works by Michel, the stories written by both of them and Jules’s romances altered by Michel.


Jules Verne: a wonderful world to discover (4th part)

Saudações vernianas aos seguidores do blogue e leitores ocasionais. Ontem resolvi acompanhar a função pública portuguesa e estive de greve. Como tal, não publiquei nada de novo aqui no meu cantinho. E assim quebrei a linha de um post verniano por dia.

Como sabem, escrevi um artigo em inglês para esta revista online coordenada pela minha professora e decidi publicar o texto aqui no blogue, procedendo à sua divisão em folhetins, um por cada dia da semana. Depois das três primeiras publicações 2ª, 3ª e 4ª feira não me lembrei de colocar a parte de 5ª feira. No entanto, este facto não será relevante a longo prazo, visto que neste mesmo post vou colocar o quarto segmento do artigo, amanhã (Sábado) publico a quinta parte e depois (Domingo) apresento o grande final.

Neste quarto excerto que vos apresento começo por estabelecer a transição da escrita verniana para a sua segunda fase, mais ligada a questões humanas, relegando a ciência e a técnica para um segundo plano, e caracterizo os principais aspectos das obras deste período. Posteriormente, dou seguimento ao relato entusiasmado dos pormenores do percurso biográfico do herói, dando especial destaque aos momentos felizes das viagens do Saint-Michel III e aos três golpes profundos que abalaram a sua vida em finais de 1885 e princípios de 1886.

Experimentem o texto! A liberdade para comentários e sugestões é total, como sabem.

Second phase: Laic Humanism

Michel Strogoff: original illustration from one of the most significant moments of the story An illustration from Michel Strogoff

In 1876, he wrote a new book which was very different from the previous ones: Michael Strogoff. This tells us the adventures of a Russian fearless man who worked as the courier of the czar, facing a wide range of difficult challenges during his dangerous journey from Moscow to Irkutsk. It is a very emotionally strong story and it represented a turning point in Verne’s literary production. In fact, he stopped considering science as the centre of his romances and he began extending his stories to human questions which started holding the major role in vernian literature.

The books Dick Sand, a Captain at Fifteen, The Green Ray, Robur the Conqueror and North Against South are just some of the romances fitted in this second phase of Jules Verne literature. These sublime books contain interesting humanistic or philosophical ideas and represent symbolic hymns to the spiritual qualities of the human beings. Science is clearly thrown into a second level since it is overtaken by a laic humanism. Although some of these books evoke scientific issues, the story is always narrated through a social or human point of view and the characters conquer a deeper emotional dimension.

Happy Years for Jules: Saint Michel III

Saint-Michel III: a wonderful sailing treasure for Jules Verne

Saint-Michel III: a wonderful treasure for Jules Verne

By the time Jules Verne wrote these books, he was a happy middle-aged man. His literary success and the representation of the play Around the World in Eighty Days made Jules Verne a world famous writer and helped him in the financial way. In 1878, he had enough money to invest in whatever he wanted to and he decided to buy a ship: Saint-Michel III.

It was a 28 meter yacht which delighted Jules Verne between until 1884. He used to travel along his brother Paul by Northern Europe and the Mediterranean Sea, visiting some of the most iconic places from these regions. Sometimes they were joined by Honorine, who also enjoyed the sailing adventures, in spite of the nauseas she had to face.

At the same time, Michel Verne was an adult at that moment and he was no long a problem for his parents. Although he had a troubled life in the decade of 1880, Jules and Honorine didn’t cared about him and they simply broke relations with their son. The couple moved permanently to a beautiful gardened mansion in Charles-Dubois Street (Amiens) and they had some fine days during that period.

Three heavy blows

However, in 1885, Saint-Michel III maintenance became too expensive for the couple and they had to sell the ship. This was a heavy blow to Jules Verne who loved the sea and was fond of his boat.

2 Charles-Dubois Street: Jules Verne's residence in Amiens

2 Charles-Dubois Street: the vernian residence

In addition, on the 9th March of 1886, he was shot by his own nephew, who had a mental disease. When Jules Verne was arriving at home, retarded Gaston fired at him twice. Fortunately, one of the bullets got lost and the other just hit his right leg. Despite his lucky escape, Verne needed to receive medical treatment and he became lame for the rest of his life.

Some days later, on the 17th March 1886, his long time editor and close friend Hetzel died. It was the third storm in a row Jules Verne had to face during that difficult time. Hetzel played a significant role in his literary success not only by publishing all his new books but also by helping him with helpful advices and constructive critics in order to improve his style. Unfortunately, Verne was lying in his hospital bed when he was told Hetzel had died and he couldn’t attend to his friend funeral. This difficult challenges shaked Verne’s life and threw him into a strong depression which had an obvious impact in his literature.

Jules Verne: a wonderful world to be discovered (3rd part)

Começo com saudações cordiais aos leitores deste blogue. Estão perante mais um post da longa saga verniana, no seguimento da publicação do artigo sobre a vida e obra do escritor genial. Como sabem estou a editar o artigo que escrevi para uma revista online em inglês da escola, em vários posts, um por cada dia da semana, para distribuir melhor a informação e tornar os textos mais apelativos (para este efeito também tenho recorrido a umas quantas imagens).

Hoje revelo momentos determinantes da carreira de Júlio Verne, partindo da difícil decisão de abdicar do ecletismo literário do qual tanto gostava. Num segundo segmento, caracterizo a primeira fase da obra verniana, referindo as suas principais obras e realçando o seu cariz científico e optimista. Por fim, após uma prolongada incursão ao mundo literário de Júlio Verne, regresso à esfera pessoal do escritor, relatando uma etapa complicada da sua vida, sobretudo em termos familiares.

Não deixa de ser curioso que um dos períodos mais fascinantes da produção literária de Júlio Verne coincida com momentos aflitivos de grande tensão doméstica. Enfim, não há vidas perfeitas. Felizmente, seguindo os exemplos positivos das suas personagens fabulosas, o maior literato que Nantes alguma vez viu nascer logrou a superação de todos os seus problemas. Mas isso fica para amanhã…

A dilema: Hetzel or diversity?

Pierre-Jules Hetzel: the critical editor and trustful friend of Jules Verne

Pierre-Jules Hetzel: the critical editor and friend of Jules Verne

Motivated by the positive impact of his first romance and the popularity of his theatre plays, Jules Verne soon started working on new projects. He didn’t know exactly what kind of books he was going to wrote, so he tried something totaly different: Paris in the Twentieth Century. This was supposed to be a science fiction romance whose main purpose was to predict how the French capital would be 100 years later and to criticise that future society in a pessimist way. Despite Verne’s powerful prediction abilities, Hetzel didn’t enjoy the literary style of the book and rejected the manuscript.

The refusal from Hetzel and the incisive book review the editor had made meant that Jules Verne had to choose between to possibilities:                                         1) writing everything he wanted to, producing all sorts of literature and looking for another editor;
2) focusing in adventures stories and travel narratives, which would require to forget his other projects, but would be a sensible decision because of Hetzel’s approval.

Jules Verne ended up by chosing the last one and he soon developed his second travel romance: The Adventures of Captain Hatteras. As it would be expected, Hetzel overjoyed when he read the new narrative an he didn’t need to think before deciding to publish the book. This beautiful story about a journey in the Artic region was another formidable success and catapulted the series of the Extraordinary Voyages.

First Literary phase: Positivism and Science

Around the Moon: Columbiad, the first spaceship in History

In the following years, Verne’s literary production was simply amazing. Journey to the Centre of the Earth, From the Earth to the Moon, Twenty Thousand Leagues Under the Sea and Around the World in 8o Days are the most famous titles from those he had wrotten between 1864 and 1872. In fact, these four titles are probably the most well-known of his whole carrier and they are undoubtfuly among the top readest books of world literature.

In Journey to the Centre of the Earth, a German geologist tries to reach the Centre of the Earth planet through an extinct volcano in Iceland, followed by his nephew and a local guide. From the Earth to the Moon tells us the arrangements for a sruprising trip onto the Moon (please don’t forget it was written in the XIX Century) until the departure. The action is retaken until the end of the journey in a a continuation volume, called Around the Moon.

Twenty Thousand Leages Under the Sea: Fight Against the Squids

Twenty Thousand Leages Under the Sea: Fight Against the Squids

Twenty Thousand Leagues Under the Sea is the fantastic report of an awesome underwater trip across all the oceans of the Earth aboard the Nautilus, a wonderful submarine built and habited by misterious Captain Nemo and his crew. All the facts are narrated by Porfessor Aronnax, who is forced to stay in the Nautilus among with his servant Conseil and the Canadian fisher Ned Land. Finally, Around the World in 8o Days is a futurist romance in which Jules Verne shows his belief on the possibilility of circling the Earth in an 80 days term.

The first 15 romances written by Verne constitute the first part of his literary carrier. This stage is usually known as the positivist phase of Jules Verne, base on the philosophical doutrine by Auguste Comte. These first books are settled in questions related to science and technique, thinking about the wonderful possibilities offered by scientific research.

The reader gets inside a fantastic adventures story in which the termodynamics and other scientific subjects are deeply explored and lead to some incredibile situations. These are the most optimist Verne’s romances and that is clear when we look at the characters’ personality.

Family Problems: Michel Verne

Michel Verne as a child: a massive headache for Jules Verne

Michel Verne as child: a massive headache for Jules Verne

By the time these great books were published, the Verne family used to spend the summer months in Crotoy, in Picardy, living in Paris in the rest of the year. However, when the Franco-Prussian War culminated, in 1870, Honorine and their children moved to Amiens, lookinf for safety, while Jules kept living in Paris.

He used to spend much of his time writing new romances away from his family and travelling around the globe. That is the reason why this period was so harmful for the family dynamics. As a consequence of his long absences, Michel Verne had too face some difficult problems during his childhood and he used to express his unhappiness by misbehaving himself. Jules and Honorine sent their son to an internate, but his emotional unbalance continued until he became an adult.

One curious fact is that both his books In Search of the Castaways and Dick Sand, a Captain at Fifteen worked as a way of expressing his sadness feelings regarding his strange problematic son. These romances were written by Verne in order to idealize his perfect concept of youth and he managed to do that by creating amazing characters aged under 18, whose bravery and courage was much bigger than it would be expected from a child.