Liga Europeia de Futebol de Praia 2010: Terceira Etapa em Lignano Sabbiadoro – Portugal alcança uma vitória retumbante contra os rivais italianos. Suíça vence França.

Paraíso dos turistas!

Lignano Sabbiadoro, bela cidade italiana, acolhe a 3ª etapa da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010.

Saudações a todos os leitores deste blogue e interessados na modalidade do futebol de praia. Hoje, dia 2 de Julho, teve início a terceira etapa da fase regular da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010. Este evento tem lugar no Noroeste de Itália, em Lignano Sabbiadoro, terminando no próximo Domingo, 4 de Julho.

Tal como as etapas anteriores, o torneio está dividido em duas competições, a saber, um torneio da divisão B da Liga Europeia, disputado pelas equipas do Azerbeijão, da Holanda e da República Checa, e uma competição para as equipas da divisão A, que conta com a presença de Portugal, Itália, Suíça e França.

Em cada torneio, as equipas jogam todas umas contra as outras, em formato de liga. O vencedor da competição da divisão B consegue o apuramento para a Promotion Final, o mesmo acontecendo com a equipa classificada em 2º lugar, caso tenha um registo melhor do que o das restantes selecções classificadas na 2ª posição dos outros torneios da divisão B (de momento, é a Alemanha quem ostenta esse registo, com 3 pontos e uma goal average de um golo negativo).

Na divisão A, as equipas acumulam pontos, tendo em vista a progressão no ranking da fase regular, que selecciona as 6 melhores equipas para participar na Superfinal, enquanto a selecção classificada em 8º lugar se vê obrigada a disputar a Promotion Final, lutando pela manutenção na divisão A da Liga Europeia do ano seguinte com 5 equipas vindas da divisão B (os vencedores dos quatro torneios da fase regular e o melhor segundo classificado).

Mas isso será só em Agosto, no final do Verão. Por agora concentremo-nos no torneio de qualificação de Lignano Sabbiadoro!

DIVISÃO B

O primeiro jogo do dia foi o confronto do torneio da divisão B entre Azerbeijão e República Checa. Isto quer dizer que a selecção holandesa ficou de fora do primeiro dia de competição em Lignano Sabbiadoro, deixando a responsabilidade de abrir o torneio da divisão B aos rivais azeris e checos.

AZERBEIJÃO 5 – 4 REPÚBLICA CHECA

Gustavo Zloccowick, mais conhecido por Guga, tem treinado várias selecções, espalhando a magia do futebol de praia um pouco por todo o mundo. Louvável!

Azerbeijão e República Checa são duas equipas a ter em conta quando falamos da segunda linha do futebol de praia europeu. Não são grandes selecções, surgiram há relativamente pouco tempo e ainda evidenciam alguns problemas que as tornam mais vulneráveis, mas têm vindo a crescer e um excelente ritmo nos últimos anos: os checos, terminaram a Liga Europeia de 2008 num brilhante 6º lugar, após terem conseguido o apuramento para a Superfinal, enquanto os azeris, que já foram treinados pelo brasileiro Guga, chegaram aos quartos-de-final do torneio de qualificação para o Mundial 2009.

Estas duas equipas nunca se haviam defrontado na história do futebol de praia, mas terão uma nova oportunidade dentro em breve, no torneio de qualificação para o Mundial 2011, a disputar nas próximas semanas em Bibione, também na Itália. De facto, Azerbeijão e República Checa foram inseridos no mesmo grupo, tendo como outros adversários a França e o Cazaquistão. Isto significa que, além da importância do jogo de hoje em termos de Liga Europeia, o duelo tinha particular importância por servir de preparação para o grande jogo do torneio de apuramento para o campeonato do mundo. Mas falemos agora sobre o jogo em si.

1º período: Azerbeijão começa de forma explosiva. Checos não conseguem marcar.

No primeiro período, os azeris entraram muito bem no jogo, marcando dois golos muito cedo, ainda nos dois primeiros minutos de jogo. No primeiro golo, o capitão azerbeijanês Elshad Guliyev rematou de muito longe, contando com a ajuda da areia, que desviou a bola na direcção da baliza. O segundo tento foi apontado por Elvin Guliyev, num remate forte após um bom passe do irmão Elshad Guliyev.

Os checos não conseguiram travar a energia azerbeijã e cedo se encontraram numa situação muito desfavorável, mas foram conseguindo conter a energia dos jogadores adversários, começando a chegar com perigo à baliza defendida pelo guarda-redes Kurdov. Contudo, o Azerbeijão, tacticamente superior tanto no ataque como na defesa, conseguiu segurar a vantagem, apesar dos eforços da República Checa, que chegou a conseguir atirar uma bola à barra. Resultado no final do 1º período: 2-0, com vantagem para a selecção azeri.

2º período: 6 golos e muita emoção! Azerbeijão permanece na frente.

O 2º período começou de uma forma totalmente diferente, com os checos a procurar o empate com determinação, jogando sem medo, exercendo uma pressão intensa sobre a selecção azerbeijã, que pareceu entrar em campo com alguma timidez. A República Checa conseguiu chegar ao primeiro golo por intermédio de Salak, na recarga após um remate forte de um colega de equipa. A vantagem do Azerbeijão não durou muito tempo, pois o mesmo Salak fez o empate alguns instantes depois, emendando um remate fraco de Dlouhy. 2-2 no marcador, resultado que se desfez na jogada seguinte, quando Zeynalov aproveitou da melhor maneira o pontapé de saída para fazer o terceiro golo da sua equipa: 3-2, vencia o Azerbeijão.

O jogo estava emocionante e assim continuou até ao fim do 2º período. O mesmo Zeynalov tentou marcar o seu segundo golo da tarde através de um remate acrobático, mas a bola saiu por cima da baliza, numa altura em que os Azeris pareciam ter retomado o controlo do jogo. Contudo, a reacção checa não se fez esperar, com Salak a empatar de novo a partida, apontando o terceiro golo na sua conta pessoal: Dlouhy conduziu o ataque com garra, fez o passe para Salak à meia volta e este não teve dificuldades em bater o guardião Kurdov: 3-3. O Azerbeijão voltava a pagar caro pelas suas falhas defensivas, muito bem aproveitadas pela atitude enérgica da República Checa.

Após um período do jogo com oportunidades para ambas as selecções, incluindo um cabeceamento de Cibula, da República Checa, ao poste da baliza azeri, e outro remate de cabeça, de Elvin Guliyev, que acertou em cheio na trave da baliza contrária, foi a equipa azerbeijã quem conseguiu chegar ao golo, com Huseynov a finalizar da melhor maneira um livre do meio campo, castigando um segundo atraso por parte dos checos: 4-3. E os problemas dos checos não ficaram por aqui, já que o Azerbeijão continuou a atacar, ampliando rapidamente a vantagem, num grande trabalho de Azizzade, que tocou a bola por cima de um adversário e rematou forte para o fundo das redes checas: era o 5-3, resultado que se manteve até ao fim do 2º período, apesar dos esforços da República Checa, incluindo um remate de Kovarek à barra da baliza de Kurdov.

3º período: República Checa tenta, mas não consegue empatar. Azerbeijão seguro, mas com azar.

O 3º período viu novamente uma selecção checa que entrou muito pressionante,  procurando golos que lhe permitissem permanecer na discussão do resultado. Porém, o Azerbeijão esteve bem a defender e acabou por conseguir sacudir a pressão dos checos, chegando com perigo à baliza checa, com um remate à trave de Zeynalov. Ainda assim, a República Checa não desistia e acabou mesmo por chegar ao golo: Salak, o jogador checo que mais se destacou, levantou a bola e rematou à meia volta, num belo gesto técnico, com a bola a embater no poste e a sobrar para Kuchera, que reduziu para 5-4 e manteve vivas as esperanças da equipa checa. Apesar disso, o resultado não sofreu mais alterações, com o Azerbeijão a resistir com bravura às tentativas dos checos, gerindo a vantagem com distinção e criando também algumas oportunidades de golo (contando com um remate ao poste de Elvin Guliyev).

Resultado final: 5-4 favorável aos azeris, num jogo em que a disciplina táctica se sobrepôs ao lado mais físico do futebol de praia. O Azerbeijão conquistou assim 3 pontos que poderão vir a ser preciosos nesta competição, ficando bem lançado rumo ao apuramento para a Promotion Final, enquanto a República Checa se encontra numa situação muito complicada, precisando de vencer a Holanda em tempo regulamentar e esperar que a Holanda derrote o Azerbeijão, também em tempo regulamentar, para ter esperanças de vencer este torneio de divisão B.

DIVISÃO A

Os jogos referentes ao torneio da divisão A neste primeiro dia de competição foram um interessante confronto entre França e Suíça, que terminou com o esperado triunfo dos helvéticos por 5-1, e um fantástico duelo entre portugueses e italianos, com a selecção nacional a sair vencedora por claros 6-2.

SUÍÇA 5 – 1 FRANÇA

Neste primeiro jogo da competição da divisão A defrontavam-se as únicas equipas que ainda não tinham pontuado nesta edição da Liga Europeia, mas por razões bem diferentes: a França porque saíra derrotada dos três jogos que disputara na segunda etapa da fase regular, em Marselha; a Suíça porque simplesmente ainda não tinha participado em nenhum evento da fase regular da Liga Europeia, tendo a sua estreia neste torneio em Lignano Sabbiadoro. De qualquer forma, qualquer uma das equipas só tinha a vitória em mente.

O cinco inicial da Suíça foi composto por Valentim (guarda-redes), Leu, Ziegler, Spacca e Stankovic, enquanto a França entrou em campo com Hamel (guarda-redes), François, Mendy, Basquaise e Sciortino.

O jogo: Suíça indiscutivelmente mais forte. França nada eficaz. Resultado justo.

Suíça domina.

A Suíça venceu a França sem grandes dificuldades. Na imagem, Jeremy Basquaise, capitão francês, luta pela posse de bola com Stephan Leu, capitão suíço. Dois grandes jogadores!

O jogo começou com algum equilíbrio, sendo notável a forma como a equipa francesa encarou o desafio, dispondo das primeiras oportunidades de golo. No entanto, como sempre, faltou a capacidade de finalização aos jogadores gauleses, que cedo enfrentaram sérias dificuldades defensivas, devido às rápidas combinações dos suíços no ataque. Os helvéticos, embora não controlassem propriamente o jogo, eram a equipa mais perigosa e foi num magnífico lance de inspiração que Stephan Leu, num remate de muito longe, bateu o guardião francês Sebastien Hamel: 1-0 favorável aos suíços, resultado que se manteve até ao fim do 1º período.

O 2º período trouxe uma França mais atrevida do que nos 12 minutos iniciais, mas só durante os primeiros minutos. Após algumas oportunidades desperdiçadas pelos jogadores franceses, numa fase em que os suíços pareciam ter algumas dificuldades na contenção do jogo gaulês, os comandados de Eric Cantona voltaram a ser dominados pelos suíços, que mais tarde ou mais cedo acabariam por marcar. E se Dejan Stankovic, a principal estrela da selecção helvética, cabeceou ao lado na sequência de um pontapé de canto cobrado na esquerda, o mesmo não aconteceu com Samuel Lutz, que aproveitou da melhor maneira uma tremenda falha de marcação da defensiva francesa para colocar a bola no interior da baliza de Hamel, após um outro canto.

O 2-0 não durou muito tempo, já que os suíços voltaram à carga poucos instantes depois, e desta vez por intermédio do melhor jogador do Mundial FIFA 2009, Stankovic: num lance rápido de contra-ataque, o número 9 da Suíça chutou forte para o fundo das redes gaulesas, num remate fantástico, dotado de uma potência extraordinária, num gesto prodigioso do atleta helvético. 3-0 no marcado, resultado que não sofreu alterações até ao fim do 2º período, apesar dos esforços suíços.

No derradeiro período do jogo, a França finalmente conseguiu chegar ao golo, num belo remate de Stéphane François, a bater de muito longe o guarda-redes Valentim Jaeggy. Porém, o 3-1 não constituiu um grande incentivo para os jogadores franceses, que não foram capazes de operar a reviravolta no marcador. Antes pelo contrário, foi a selecção suíça que, com o pragmatismo do costume, ampliou a vantagem, numa grande penalidade facilmente convertida por Stankovic: 4-1 a favor dos suíços, que restabeleceram assim a vantagem de 2 golos. Mais uma vez, a França não soube reagir e foram os helvéticos quem continuou a dominar o jogo, defendendo bem a vantagem e dispondo de algumas oportunidades para a dilatar ainda mais. O jogo continuou assim até ao final, com os gauleses cada vez mais desmotivados, e um golo de Stephan Meier no último segundo do jogo a colocar um ponto final ao quarto desaire consecutivo da França na Liga Europeia: 5-1.

Momento espectacular do capitão francês!

O inconformado Basquaise fez tudo para evitar o desaire da sua selecção, mas não conseguiu marcar. Na imagem, executa um grande pontapé de bicicleta, que infelizmente não deu golo.

Conclusões: Suíça entra com o pé direito. França em sarilhos

Que ilações poderemos nós retirar deste primeiro encontro do torneio da divisão A da Liga Europeia? Para começar, a Suíça, que fez uma boa exibição, conquistou 3 pontos importantes na Liga Europeia, começando da melhor maneira a caminhada rumo à Superfinal de Agosto. Os dois jogos que se avizinham frente a Itália e Portugal serão verdadeiros testes às capacidades dos suíços, que decerto pretendem repetir a vitória de 2008, quando venceram o torneio de Lignano Sabbiadoro.

A França, por seu turno, mostrou a insegurança do costume e perdeu mais uma oportunidade para ganhar pontos que lhe permitam escapar à última posição no ranking da fase regular. Os jogos seguintes serão ainda mais difíceis, frente às selecções italiana e portuguesa que não irão facilitar a tarefa. A França é neste momento a única equipa da divisão A sem qualquer ponto conquistado e parece que vai mesmo ficar no 8º lugar do ranking, sendo obrigada a disputar aPromotion Final em Agosto, com a obrigação de vencer para continuar na divisão A da Liga Europeia em 2010.

Jogadores suíços (Leu, Ziegler, Spacca, Stankovic e Valentin) festejam um golo com alegria contrastante em relação ao misto de desespero e frustração do francês Pagis.

PORTUGAL 6 – 2 ITÁLIA

O jogo final do dia reservou um emocionante duelo entre a selecção da casa e a equipa portuguesa. Os Azurri contaram com o apoio do simpático público de Lignano Sabbiadoro, que apesar de tudo não foi suficiente para encher o estádio montado no local: uma belíssima praia do Mar Adriático.

A selecção italiana partia para este torneio com 5 pontos, resultantes da sua prestação na etapa realizada em Moscovo, precisando de vencer alguns jogos para subir a sua classificação no ranking da fase regular e assegurar a qualificação para a Superfinal da Liga Europeia. Contudo, o verdadeiro objectivo dos transalpinos era (e continua a ser) a conquista desta terceira etapa da fase regular, com um sabor especial por ser disputada diante dos seus fãs.

A selecção portuguesa, por seu turno, chegou a Lignano Sabbiadoro com 3 pontos, obtidos na etapa marselhesa da competição, num torneio em que uma equipa portuguesa diferente da habitual foi ganhando experiência e progredindo jogo após jogo. No entanto, para esta etapa italiana, os objectivos do seleccionador nacional José Miguel são a conquista de pontos que assegurem uma boa classificação no ranking da fase regular e a utilização dos jogos como forma de treino para o torneio de apuramento para o Mundial 2011, tendo convocado para este efeito os jogadores que lhe dão mais garantias.

Antes de começar o jogo, o ambiente entre as equipas era fantástico, caracterizado por uma louvável boa disposição, bem evidente nos cumprimentos calorosos entre os jogadores e na forma amistosa como Madjer e Pasquali, capitães de equipa, trataram do sorteio habitual com os oficiais de arbitragem. Sorrisos, brincadeiras e muita alegria entre jogadores que se conhecem muito bem, sendo inclusivamente colegas de equipa nos clubes italianos que representam (actualmente, Madjer e Belchior jogam na Roma, onde também actuam Pasquali, Carotenuto e Spada). Após o pontapé de saída inicial, os sorrisos desapareceram e os atletas encararam o desafio com a seriedade própria de um grande jogo entre Portugal e Itália. Tinha começado a luta de titãs!

No último confronto entre Portugal e Itália, a selecção nacional derrotou os transalpinos por 10-7. Foi na meia-final da Taça Europa de Futebol de Praia 2010, realizada em Roma. Na imagem, Madjer tenta rematar, com Carotenuto pela frente.

No último confronto entre Portugal e Itália, a selecção nacional derrotou os transalpinos por 10-7. Foi na meia-final da Taça Europa de Futebol de Praia 2010, realizada em Roma. Na imagem, relativa a essa partida, Madjer tenta rematar, com Carotenuto pela frente. Espectáculo!

1º período: Portugal mais forte. Dois golos sem resposta. Paulo Graça em grande!

Portugal alinhou com o guarda-redes Paulo Graça, Coimbra, Alan, Madjer e Belchior, enquanto os italianos iniciaram o jogo com Spada na baliza, Leghissa, Pasquali, Corosiniti e Carotenuto como jogadores de campo. A partida começou equilibrada, com ambas as equipas a tentarem pegar no jogo, mas sem arriscar nada em termos defensivos. O primeiro lance de perigo pertenceu a Alan, que rematou em acrobacia em direcção à baliza italiana, mas o guarda-redes Spada estava atento e desviou para canto.

Portugal mostrou desde cedo uma notável segurança defensiva, que se viria a manter durante os 36 minutos de jogo, sendo uma das chaves para o sucesso lusitano na partida. Com uma organização táctica praticamente perfeita e um guardião inspirado (como sempre), os jogadores portugueses travaram todas as investidas italianas no 1º período, enquanto iam procurando golos no ataque, praticando o seu futebol de praia, de uma forma elegante e eficaz.

Rui Coimbra inaugurou o marcador no início do jogo, num cabeceamento de defesa impossível para Spada, correspondendo da melhor maneira a um lançamento do guarda-redes Paulo Graça. E se o guardião português tinha estado no primeiro golo ao assistir o seu colega de equipa, o segundo tento da equipa das quinas foi mesmo da sua autoria, através de um portentoso remate de muito longe, com a bola a viajar rasteira a grande velocidade na direcção da baliza italiana e Spada a não conseguir suster o remate. Belo momento do nosso guarda-redes, que instantes antes rematara ao poste e já merecia há muito um golo com a camisola da selecção nacional!

Grande ambiente o que se vive na selecção nacional de futebol de praia!

Os craques portugueses, Coimbra e Belchior, festejam um golo lusitano, provavelmente o primeiro, da autoria de Rui Coimbra. Muito bem! Temos equipa! Continuem!

O 2-0 verificado no final do 1º período justificava-se plenamente, pois Portugal tinha sido nitidamente a melhor equipa ao longo dos 12 minutos iniciais, controlando o jogo da melhor forma. Os italianos praticamente só haviam criado perigo na sequência de livres directos, que Paulo Graça se encarregou de defender com distinção!

2º período: Segurança lusitana. Portugal dilata a vantagem. Itália luta sem sucesso.

O 2º período trouxe novas emoções e 4 golos aos adeptos presentes no local e a todos os espectadores que, como eu, acompanhavam a partida pela televisão ou via Internet. O pontapé de saída pertencia à Itália, mas o temível remate de Pasquali foi travado pela barreira. Na primeira jogada da selecção portuguesa, Paulo Graça fez um lançamento longo para a corrida veloz de Belchior pela direita, com um remate forte do número 10 lusitano, defendido por Del Mestre, mas com a bola a ficar à mercê de Madjer, que chegara rapidamente à baliza italiana, preparado para a recarga, que valeu o terceiro golo para Portugal: 3-0 no marcador.

 Dois grandes jogadores, colegas de equipa na AS Roma!

Pasquali tenta escapar ao (im)pressionante Madjer, que segue no seu encalço. Dois grandes jogadores, colegas de equipa na AS Roma!

Não podia ter começado de forma mais favorável a Portugal este 2º período. Moralizados pela larga vantagem obtida, os jogadores portugueses permaneceram no ataque, criando várias oportunidades para dilatar a vantagem. Os pupilos de Giancarlo Magrini, decerto nada satisfeito(s) com o resultado, iam tentando reduzir a desvantagem, mas sem sucesso, graças à fabulosa solidez defensiva da selecção portuguesa. O trio Madjer-Alan-Belchior jogava bom futebol de praia, e foi numa destas jogadas que Portugal chegou ao quarto golo, apontado por Bilro, com assistência de Belchior. Naquela que foi provavelmente a fase mais interessante do jogo, o número 7 italiano Roberto Pasquali marcou o primeiro golo da formação da casa, através de um fortíssimo remate no pontapé de saída, que Paulo Graça não conseguiu suster, apesar de ainda ter tocado na bola.

Após esta parte mais fantástica do jogo, com o resultado em 4-1 favorável a Portugal, os golos começaram a escassear, embora o nível de futebol de praia se mantivesse elevado. Os lusos continuaram a atacar mais durante algum tempo, enquanto Madjer, Alan e Belchior permaneceram em campo, mas a dada altura foi a Itália quem conseguiu pegar no jogo e levar perigo à baliza de Paulo Graça. No entanto, a boa prestação defensiva de Portugal e as defesas de grande nível do guardião luso impediram novos golos italianos.

Entretanto, a selecção nacional nunca abdicou do ataque, e numa altura em que começava a conseguir libertar-se da pressão italiana, Portugal chegou ao quito golo: Paulo Neves foi carregado em falta por Carotenuto ainda na área lusitana e bateu Del Mestre na conversão do livre directo correspondente, num remate forte, bem direccionado, pela areia, com a bola a tocar no poste e a entrar na baliza italiana! Faltavam poucos segundos para terminar o 2º período e foi com 5-1 no marcador que as equipas partiram para intervalo.

3º período: Gestão do resultado. Um golo para cada lado.

O 3º período começou com a selecção nacional no ataque, impulsionada pelas iniciativas de Madjer, Alan e Belchior. Os golos, porém, não surgiram, e os transalpinos, gradualmente, foram conseguindo tomar conta do jogo, procurando desesperadamente um golo que os mantivesse em jogo. Mas mais uma vez a selecção nacional esteve impecável na forma como defendeu, inibindo as investidas italianas, que raramente conduziam a situações de perigo. Quando isso acontecia, estava lá o enorme Paulo Graça para negar o golo aos Azurri. Uma certa falta de acerto ofensivo dos italianos em algumas jogadas também contribuiu para o insucesso da equipa da casa.

Bruno Novo marcou um belo golo numa brilhante jogada individual.

Bruno Novo marcou um belo golo numa brilhante jogada individual. Na imagem, o número 18 português no momento da fotografia de equipa em 2009.

De resto, com Bruno Novo, Jordan e Neves a renderem Alan, Madjer e Belchior, o seleccionador nacional teve a oportunidade de fazer descansar os três jogadores mais célebres, sem que os jogadores mais jovens dessem sinais de fraqueza (aquela etapa marselhesa foi de facto fundamental para integrar melhor os jogadores mais novos e subir o seu nível de jogo). E as coisas estavam a correr mesmo bem, porque Portugal também conseguia sair para o ataque, com algumas jogadas de belo efeito, que podiam ter dado golo. O sexto tento acabou mesmo por sair, numa arrancada de Bruno Novo, que depois de roubar a bola a Carotenuto consegui fugir ao atacante italiano e rematar com sucesso para o fundo das redes azurras: 6-1 no marcador.

Após este golo, que matou o jogo, José Miguel substituiu Paulo Graça por João Carlos, que teve a oportunidade de se estrear no torneio, e trocou Bruno Novo por Alan, aproveitando os últimos minutos de jogo para fazer experiências (como forma de treino para a qualificação para o Mundial 2011). O resultado foi muito positivo, com Portugal a dispor de boas oportunidades para dilatar a vantagem, embora tal não tenha acontecido. De facto, foi a Itália quem conseguiu marcar, num pontapé de bicicleta de Pasquale Carotenuto sem hipótese de defesa para João Carlos Delgado. Alguns segundos volvidos, o árbitro apitou para o final do jogo, numa partida em que Portugal triunfou por expressivos 6-2.

A arbitragem fora justa, apesar dos protestos dos jogadores italianos em algumas partes do jogo (naturalmente, falo de Carotenuto e sobretudo Pasquali). Isto numa partida espectacular, com 8 golos, onde se jogou futebol de praia de qualidade, com duas boas equipas, sendo que Portugal se superiorizou claramente à Itália, conseguindo uma vitória merecida.

Selecção Nacional: Ponto da Situação

Assim, a selecção nacional começou da melhor maneira a terceira etapa da Liga Europeia, conquistando 3 pontos importantes para o ranking da fase regular e protagonizando uma excelente exibição diante de um grande adversário, que até jogou bem, apesar de algumas limitações evidentes. Portugal está bem lançado para vencer o torneio e confirmou o seu estatuto como uma das melhores selecções europeias neste momento.

Após a prestação menos bem conseguida na etapa marselhesa da Liga Europeia, muitas vozes da imprensa desportiva se levantaram contra a selecção nacional, considerando as prestações muito abaixo do esperado e duvidando da qualidade de Portugal. Muitas pessoas aproveitaram para insistir na velha história de que a selecção está muito dependente de Madjer, Alan e Belchior. Ora, neste primeiro jogo da etapa italiana, ficou provado que Portugal está actualmente num grande momento de forma, preparado para vencer qualquer equipa e qualquer competição, fazendo frente às saídas de Torres, Sousa e Zé Maria de uma forma exemplar.

Falhas defensivas como esta não se verificaram no jogo com a Itália.

Os jogadores mais jovens da nossa selecção conquistaram experiência na etapa marselhesa, onde evidenciaram alguns problemas que foram exemplarmente corrigidos nos jogos seguintes. Falhas defensivas como a da imagem não se verificaram no jogo com a Itália.

Portugal demonstrou também que os jogadores mais jovens têm qualidade e estão perfeitamente integrados na selecção nacional, sendo possível substituir os jogadores do cinco inicial sem que se verifique um abaixamento do nível de jogo. Aliás, neste maravilhoso jogo entre Portugal e Itália, todos os golos lusos foram apontados por jogadores diferentes, o que significa que 6 atletas portugueses conseguiram inscrever o seu nome na lista dos marcadores. E, na verdade, apenas um desses golos foi apontado por um jogador do trio Madjer-Alan-Belchior (o terceiro golo, da autoria de Madjer), enquanto os restantes 5 tentos foram marcados por outros jogadores. Por isso, acho que é altura de as pessoas admitirem que Portugal tem uma equipa forte em todos os aspectos, muito completa, com excelentes opções no banco e a capacidade para bater qualquer equipa.

Agora é preciso pensar em vencer a França amanhã, por um resultado seguro, com uma exibição personalizada como a de hoje. Seria bom que os jogadores portugueses aproveitassem para marcar mais alguns golos, expressando a sua técnica individual neste jogo que se pode tornar fácil. Mas é preciso cuidado, porque a França é uma equipa com potencialidades, embora estejam a fazer uma campanha desastrosa em 2010. Depois, será necessário derrotar a Suíça com mais uma grande exibição para vencer o torneio e alcançar a melhor classificação possível na fase regular da Liga Europeia.

RESULTADOS E CALENDÁRIO DE JOGOS:

1ª jornada – 2 de Julho:

Divisão B: Azerbeijão 5 – 4 República Checa

Divisão A: Suíça 5 – 1 França

Divisão A: Portugal 6 – 2 Itália

2ª jornada – 3 de Julho:

Divisão B: República Checa – Holanda (Eurosport 2) 14:00

Divisão A: França  – Portugal (Eurosport 2) 15:15

Divisão A: Suíça – Itália (Eurosport 2) 16:30

3ª jornada – 4 de Julho:

Divisão B: Holanda – Azerbeijão (Eurosport 2) 14:00

Divisão A: Portugal – Suíça (Eurosport 2) 15:15

Divisão A: Itália – França (Eurosport 2) 16:30

Nota: Todos os jogos podem ser vistos no site oficial da Beach Soccer World Wide, aqui. Uma vez no site, terão de clicar em Live Broadcast para ter acesso à transmissão dos jogos em directo.

O jogo: Suíça indiscutivelmente mais forte. França nada eficaz. Resultado justo.

Saudades de Sousa… Torres… Zé Maria…

Nem sempre as coisas correm como nós gostaríamos. A vida está cheia de problemas e contrariedades que alteram o curso normal dos acontecimentos. Deixamos de ter controlo sobre as coisas, há factores exteriores que se sobrepõem aos nossos desejos, não temos condições para alcançar aquilo que desejaríamos e acabamos por ter de renunciar a projectos e sonhos que tínhamos vindo a alimentar desde tenra idade.

Tal é a situação do Pedro Sousa, do Bruno Torres e do José  Maria Fonseca, jogadores da selecção portuguesa de futebol de praia que, recentemente, tiveram de renunciar ao prazer de representar a nação nas renhidas batalhas travadas nas vastas areias do planeta.

Convidados a integrar os trabalhos da equipa orientada pelo grande José Miguel Mateus (Zé Miguel) em 2008, os três atletas demonstraram uma espectacular evolução ao longo do seu ano de estreia, assumindo-se como três das principais figuras da selecção no ano de 2009.  Em 2010, era esperada a permanência do Sousa, do Torres e do Zé Maria na selecção nacional, rumo à conquista de muitos títulos ao longo da temporada de Verão, sendo que até já tinham disputado a primeira competição do ano, a Spring Cup Viseu 2010. No entanto, as condições oferecidas pela federação portuguesa de futebol aos três jogadores não estava de acordo com as necessidades dos três jogadores, que acabaram por se ver obrigados a abandonar a selecção nacional, contra as suas ambições, por força da necessidade.

Inexistência de condições adequadas

A verdadeira causa desta saída precoce dos três jovens talentos da nossa selecção é bem conhecida do público em geral, ou, pelo menos, facilmente inferível: a reduzida preocupação da fpf com o desenvolvimento da modalidade do futebol de praia em Portugal, que se reflecte na inexistência de uma estrutura organizativa que assegure as necessidades financeiras dos atletas e transforme o futebol de praia numa modalidade profissional. Não precisamos de andar muito bem informados para saber que a fpf gasta quantias exorbitantes de dinheiro com pormenores fúteis da indústria do futebol, referentes aos escalões superiores masculinos, que em pouco ou nada melhoram a qualidade do espectáculo, enquanto as outras modalidades, no caso o futebol de praia, são desprezadas.

As verbas disponibilizadas pela fpf para o futebol de praia não satisfazem, de modo algum, os requisitos da modalidade, dada a inexistência de uma liga nacional competitiva, disputada durante uma parte significativa do ano, com clubes interessados dispostos a colaborar na remuneração dos jogadores. Enquanto estas condições não se verificarem, o panorama lusitano do futebol de praia permanecerá desfavorável, uma vez que o reconhecimento da federação se revela claramente insuficiente para sustentar as necessidades monetárias dos atletas, o que se entende se tivermos em conta que a representação do país se prende com uma questão de orgulho patriótico, e não com um desejo de vir a receber uma recompensa financeira.

Tenho sido confrontado com esta situação desde o momento em que me comecei a informar melhor acerca da realidade do futebol de praia em Portugal, mas cada vez percebo melhor as verdadeiras origens do problema e os seus efeitos práticos. Estas questões são constantemente objecto das minhas conversas com os responsáveis técnicos da selecção nacional, o treinador José Miguel Mateus e o Dr. João Morais (coordenador do futebol de praia da fpf), tendo também servido de tema a uma conversa que tive com o próprio Sousa, no dia 17 de Maio de 2009 (há precisamente 1 ano!), em que o número 5 português me expôs muito claramente a realidade nua e crua.

Modalidade amadora: necessidade de outros empregos

Como quaisquer outros cidadãos, os jogadores da selecção nacional de futebol de praia precisam de um emprego seguro que lhes confira uma certa estabilidade financeira, de forma a garantir uma boa qualidade de vida. Sendo o futebol de praia insuficiente para a maior parte dos jogadores, eles são forçados a procurar outros trabalhos, fazendo uso das suas abilitações literárias, das suas capacidades físicas e atléticas e das suas qualidades em outras áreas para alcançarem um nível de vida adequado.

Mesmo os jogadores mais conceituados, como o Madjer, o Alan ou o Belchior, são levados a procurar outras actividades além do futebol de praia, nomeadamente a integração em equipas de futsal e futebol de 11, por vezes não tanto pela vertente financeira da questão, mas mais até pela necessidade de manterem o ritmo competitivo ao longo dos meses. De resto, estes jogadores são geralmente convidados para integrar equipas de futebol de praia em competições brasileiras, o que de resto terá as suas vantagens económicas, além de representarem clubes italianos durante o Verão, onde acabam por ser relativamente bem pagos.

No entanto, os outros jogadores não têm essa sorte. E, mesmo no caso do Sousa, do Torres e do Zé Maria, que foram contratados por uma equipa italiana (Coil Lignano Sabbiadoro) pela qual jogaram em 2009, os rendimentos provenientes dessa experiência em areias transalpinas não eram suficientes para permitir o sustento monetário dos atletas. Isto significa que os três jogadores foram mesmo constrangidos a procurar outros empregos e fontes financeiras além do desporto da sua alma. Ora acontece que as carreiras profissionais absorviam grande parte do seu tempo, sendo que a conjugação entre a vida pessoal, o emprego, projectos pessoais e a paixão do futebol de praia era muito complicada e exigia grandes sacrifícios por parte dos atletas, que certamente se terão sujeitado a grandes esforços para poderem conciliar as várias vertentes da sua vida, em 2009.

2010: desafios na nova temporada

Em 2010, contemplando a articulação da sua vida profissional muito preenchida com o programa de treinos e outras condições proporcionadas pela selecção nacional, os três jogadores chegaram a uma conclusão triste, admitindo que não lhes seria possível continuar ao serviço da equipa das quinas. Uma decisão difícil de tomar, numa escolha consciente e ponderada que certamente terá sido a mais correcta, dado que só eles são capazes da perceber os seus limites enquanto seres humanos e avaliar as possibilidades existentes. Assim, por mais complicado que seja, eu e todos os adeptos de futebol de praia portugueses e mundiais devemos aceitar e respeitar esta resolução dos nossos grandes atletas, que tanto ajudaram a nossa selecção e que talvez um dia possam regressar à equipa de todos nós.

Vou ter saudades, admito. Mas não esquecerei as prestações tão positivas destes três jogadores na selecção nacional, ao longo destes últimos dois anos, pródigos em grandes conquistas e grandes jogos da equipa portuguesa. Sousa, Torres, Zé Maria, foi tanta a alegria que trouxeram ao futebol de praia português!

Para terminar quero dizer que tenho confiança na selecção nacional de futebol de praia e acho que vai conseguir superar lindamente estas adversidades rumo à conquista de grandes troféus no decurso da presente temporada. Tais glórias serão também os feitos destes três grandes atletas, Sousa, Torres e Zé Maria, que, não estando presentes fisicamente dentro de campo, serão sempre um exemplo de força, garra e determinação para os seus colegas lusitanos, acabando por participar sempre nas vitórias da nossa selecção. Força, Portugal! Vamos ganhar pelo Sousa, o Torres e o Zé Maria!

Sousa,

Torres,

Zé Maria,

Um grande abraço para os três,

Votos de felicidades em tudo na vida,

Obrigado por tudo o que fizeram pelo futebol de praia português!

Perguntas extravagantes

Ponto de interrogação

Quantas dúvidas e incertezas podem pairar sobre um simples ponto de interrogação...

Alguma vez sentiram uma repentina vontade de começar a colocar as questões mais rebuscadas, desorganizadamente, numa chuva de interrogações sem relação aparente entre elas, que vos conduzisse numa estranha viagem pelo vosso eu interior?

Se sim, o que é altamente improvável, este post foi escrito para vocês! Se não, sendo esta a hipótese mais certa, sou forçado a tirar conclusões muito graves acerca da minha sanidade mental. Existe apenas uma terceira alternativa, que defende a minha lucidez perfeita, atribuindo estes devaneios inquiridores a determinados segredos ocultos. Não, também me parece pouco plausível, pois nunca tive jeito para encriptações e coisas afins. Devo ser mesmo maluco.

Passando ao conteúdo do post, apresento de seguida uma cadeia de perguntas sem qualquer sequência lógica, que se sucedem umas às outras num fluxo assimétrico. Apelo aos leitores que respondam a estas questões, inventando caso seja preciso, sem se preocuparem muito com a veracidade das respostas. Façam o exercício apenas como uma experiência casuística, numa viagem pelas sinuosidades da aleatoriedade, e deixem que a entropia da minha mente conturbada seja transferida para as vossas respostas pessoais.

De realçar que não coloquei as minhas soluções para não influenciar o vosso pensamento, dado que poderiam ser levados a dar respostas idênticas a algumas perguntas. De qualquer forma, a apresentação das minhas respostas centraria o post demasiado em mim, sem dar margem de manobra aos leitores, o que não é, de todo, a minha intenção.

As questões estão divididas em duas séries distintas. Se não fizerem a primeira, escusam de passar para a segunda. Divirtam-se! Depois digam qualquer coisa.

Grupo I

1. Qual é o teu animal preferido?

2. Qual é o jogador de futebol que mais admiras?

3. Qual é o nome do teu conto favorito?

4. Qual é a tua preposição predilecta?

5. Qual é a freguesia portuguesa de que mais gostas?

6. Qual é o apelido da tua escritora preferida?

Grupo II

1. Qual é o teu verbo favorito em inglês?

2. Qual é o teu número da sorte?

3. Qual é o domínio do teu website favorito?

4. Qual é o grupo do Mundial de Futebol 2010 que consideras mais interessante?

5. Quantas pessoas são precisas para uma conversa ideal?

6. Qual é o símbolo químico do teu elemento preferido?

Saudações cordiais a todas as almas valentes que aceitaram o desafio!

Beach Soccer: Why do I love it?

Saudações a todos os leitores deste espaço. Como sabem, sou um grande admirador da modalidade do futebol de praia e alguns dos meus posts anteriores reflectem esta minha espectacular paixão.

Hoje decidi deixar um pequeno texto, da minha autoria, em formato de poema, se assim lhe quiserem chamar, escrito em inglês. Não passa de uma brincadeira, mas achei que podia ser engraçado. Por isso, aqui vai. Espero que gostem, ou melhor, que não seja muito dissonante.

I LOVE

Alan (POR) defronta Júnior Negão (BRA) no Campeonato do Mundo FIFA Rio de Janeiro 2007

Alan (POR) defronta Júnior Negão (BRA) em grande jogo no Campeonato do Mundo FIFA Rio de Janeiro 2007

Beach Soccer:

Emotion and Pace,

Total Discipline, too.

3 Periods of Game,

Brilliant, Awesome Technique!

Rampant Overhead Kicks,

Come right here to see!

2 Teams for the Fight,

But just one will be Crowned,

Royal Kings of the Beach!

Mundial de Futebol de Praia: bianual???

A fraca assiduidade dos meus posts sobre futebol de praia merece contestação e assumo desde já toda a responsabilidade. Não publico um único artigo acerca desta minha grande paixão desde o dia 12 de Fevereiro, prova inequívoca da minha fuga ao dever, motivo de vergonha para um adepto tão fervoroso como eu.

Muitas coisas aconteceram no plano do futebol de praia internacional nestes primeiros meses de 2010, nomeadamente os primeiros torneios do novo ano, entre os quais a Copa Latina, a Copa México e jogos particulares da selecção brasileira. Foi também um período de grande actividade para as estruturas organizativas da modalidade a nível internacional, com a calendarização das principais competições da época que se avizinha, a definição dos palcos das grandes epopeias e o tratamento das burocracias do costume.

No entanto, verdade seja dita, ainda ninguém tem uma verdadeira ideia daquilo que vai ser a temporada de 2010, pois muitos torneios ainda não estão agendados e diversas questões permanecem sem resposta. A maior revelação, mais abrangente, referente aos 4 anos que se seguem, vai ter lugar em breve: as sedes dos Campeonatos do Mundo de Futebol de Praia da FIFA de 2011 e 2013.

O grande momento está reservado para a interessante cidade de Zurique, na Suíça, onde se encontra o núcleo material da associação futebolística internacional. Nos próximos dias 18 e 19 de Março, no Congresso do Comité Executivo da FIFA, será anunciada a escolha dos destinos das 16 selecções mais fortes do mundo, os cenários das lutas titânicas entre as nações, onde os valentes se degladiarão até ao último instante, guiados pela sede de conquista, pelo desejo de erguer o cálice dourado, pelo sonho de glorificar o país!

Candidaturas:

– África do Sul

– Argentina

– Azerbeijão

– Brasil

– Chile

– Costa Rica

– Holanda

– Itália

– Omã

– Polónia

– Rússia

– Suíça

– Tahiti

Mais tarde escreverei um post a anunciar os resultados, com um comentário pessoal (uma dissertação, mais provavelmente). Mas, por agora, aproveito para explicitar a grande alteração que aconteceu ao nível dos mundiais de futebol de praia e deixar o meu cunho individual bem vincado, com uma crítica bastante incisiva às mentes brilhantes que instituíram as alterações.

Alteração na periodicidade dos mundiais: NÃO!

Este ano vai ser diferente dos anteriores. Até 2009, o Campeonato do Mundo de Futebol de Praia, organizado pela FIFA desde 2005, era disputado anualmente, proporcionando aos amantes da modalidade em todo o mundo uma grande competição global por cada órbita da Terra em torno do Sol. No entanto, de acordo com aquilo que ficou decidido nos congressos da Federação Internacional de Futebol do ano passado, o evento passará a ser bianual, disputado todos os anos ímpares.

A FIFA justificou esta decisão com a necessidade de fomentar o crescimento da modalidade nos continentes onde ainda tem menos expressão, estimulando as confederações a tomar a iniciativa e reforçar as condições para a prática da modalidade nas respectivas regiões. Entendo esta medida, mas reprovo-a. Passo a explicar.

Deficiências organizativas do futebol de praia em 4 zonas continentais

Em primeiro lugar, reconheço o estado primitivo em que o futebol de praia se encontra em alguns continentes, não pela qualidade das equipas e a validade do seu trabalho, cujos frutos são indiscutíveis, mas pela falta de atenção que as confederações locais dão à modalidade e, consequentemente, a fraca aposta nesta variante do futebol. Nunca foram organizados verdadeiros campeonatos continentais nestas regiões do globo, salvo os torneios de qualificação para os mundiais, assegurados pelo trabalho da Beach Soccer Word Wide e pelo bom desempenho dos países anfitriões na organização dos eventos, mas com uma intervenção praticamente nula por parte das confederações. Refiro-me, naturalmente, aos torneios de qualificação:

– do continente africano, disputados em Durban, na África do Sul, desde 2006 (de sublinhar a boa organização destes eventos, lamentando-se a falta de cooperação por parte da CAF e a inexistência de alternativas viáveis a esta cidade marítima);

– da Ásia, que têm lugar no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, desde 2006 (em 2009, ano em que o Dubai acolheu o mundial, a inactividade da confederação asiática gerou uma situação simplesmente ridícula, com um progressivo adiamento do torneio de apuramento, ainda sem lugar definido, que acabou por culminar na sua inevitável realização no Dubai, duas semanas antes do início da competição, sem a equipa da casa, qualificada automaticamente);

– da zona da CONCACAF, realizados no México a partir de 2007 (em Acapulco em 2007 e em Puerto Vallarta a partir de 2008);

– da Oceânia, não incluindo a Austrália, onde insignificantes competições de apuramento são organizadas em cima do joelho, num estádio miserável, por vezes com vários jogos da mesma equipa no mesmo dia (como aconteceu em 2007), e sem sequer ter chegado a haver torneio em 2008 (as Ilhas Salomão participaram no mundial como equipa convidada, dada a sua qualificação para edições anteriores).

Qual a solução? Mundial de 2 em 2 anos?

Todavia, não percebo como é que a transformação do campeonato do mundo numa competição mundial pode contribuir para uma maior aposta no futebol de praia por parte das confederações. Como é que a FIFA e a Beach Soccer World Wide podem esperar que a diminuição da frequência do evento mais importante da modalidade dê uma maior projecção ao futebol de praia em continentes onde as associações desportivas se estão literalmente a borrifar para o assunto?

Segundo os defensores desta teoria, o maior espaçamento da competições dará mais tempo às confederações locais para desenvolverem a modalidade nos vários países e criarem verdadeiros campeonatos continentais, separados dos torneios de apuramento, sob a vigilância da Beach Soccer World Wide, mas tomando, elas próprias, a iniciativa. Assim, passariam a existir torneios anuais de futebol de praia nos vários continentes para apurar os respectivos campeões regionais, independentemente da qualificação para o mundial, tal como acontece com as antigas Liga Europeia e Taça da Europa, no velho continente, e a Copa Latina (agora transformada em Copa América Latina), na América do Sul.

Tornar os mundiais bianuais não resolve o problema porque…

A refutação deste argumento é simples e muito directa: dado que o entrave ao desenvolvimento do futebol de praia é a inércia das confederações e a falta de vontade para investir numa modalidade diferente, ao prolongarmos o intervalo entre duas edições do campeonato do mundo estamos apenas a alimentar essa preguiça em vez de a combatermos. Estaremos a permitir que as competições continentais, continuando resumidas aos torneios de qualificação para o mundial, passem a ter lugar uma vez em cada dois anos, e não anualmente, como se pretenderia que acontecesse.

Um outro facto vem confirmar aquilo que eu estou a defender: as competições de apuramento em todo o mundo para o mundial 2011, segundo sei, estão previstas para 2010 e não para o próximo ano. Isto significa que, na prática, este ano vai ser exactamente igual aos anteriores, com a única diferença de que não haverá campeonato do mundo, e as confederações, perfeitamente tranquilas por saberem que a organização dos eventos está assegurada pela Beach Soccer World Wide e pela FIFA, não vão tomar nenhuma atitude empreendedora. Para além disso, não haverá um verdadeiro confronto entre as selecções de diferentes continentes, que permita uma troca de impressões profícua, tendo em vista um crescimento conjunto das equipas na modalidade e o enriquecimento do próprio futebol de praia.

Em 2011, aproveitando o entusiasmo geral motivado pelas enormes expectativas em relação ao mundial (finalmente!), não estarão, decerto, muito preocupadas com a organização de torneios continentais, pois todas as equipas já estarão apuradas e, a curto prazo, não vai haver necessidade de tal competição. E assim, as selecções que não se apurarem para o mundial vão mergulhar numa grande estagnação, perdendo o comboio do futebol de praia, voltando a agravar o fosso entre as grandes equipas e os underdogs que tinha vindo a ser atenuado nos últimos anos. Fundamentalmente, esta mudança representa um grave retrocesso na História do futebol de praia.

Limitações monetárias: o verdadeiro entrave

Claro que a FIFA e a BSWW têm perfeito conhecimento de tudo aquilo que eu digo anteriormente. No meu ponto de vista, a razão que motivou esta súbita alteração das normas do futebol de praia foi a questão financeira.

O mundial de futebol de praia era a única competição anual da FIFA, exceptuando o mundial de clubes, absolutamente imprescindível no panorama actual do futebol de 11. Em 2009, a competição foi realizada, como já referi, no Dubai, o mais rico e luxuoso dos 7 emirados (apesar da crise recente), onde tudo tem um preço colossal e apenas os mais abençoados pelo dinheiro podem passar o seu tempo. Não é difícil imaginar as fortunas que a FIFA teve de gastar para pagar o alojamento, refeições e transporte dos atletas e equipas técnicas das 16 selecções participantes, bem como os árbitros. O evento foi disputado em dois estádios, sendo o principal uma verdadeira caixinha de surpresas, que, certamente, não foram nada baratas e podem ser descobertas aqui.

Decerto nada satisfeitos com os encargos financeiros do futebol de praia, que, apesar de insignificantes quando comparados com as despesas descomunais envolvidas no futebol de 11, não se aceitam porque “o futebol de praia é uma modalidade menor”. Assim se justifica esta triste resolução do maior órgão de controlo do futebol a nível global, que eu admiro e respeito, mas cuja atitude em relação à periodicidade do campeonato do mundo de futebol de praia considero deplorável e susceptível de uma revisão detalhada (que já não vai acontecer).

A minha reacção

Enfim, que fazer? Como fã incondicional do futebol de praia fico desiludido com a perspectiva de só assistir a um mundial de futebol de praia de dois em dois anos, e mantenho-me firme na minha crítica à decisão. Porém, com maior ou menos periodicidade, todas as competições continuarão a ser disputadas e eu terei sempre a oportunidade de acompanhar o meu desporto favorito. Uma vez que as regras mudaram, é com elas que temos de jogar, e a minha paixão pelo futebol de praia não vai diminuir em nada por esta alteração (obviamente que não!). Assim, resta-me continuar na linha em que me encontro, seguindo atentamente a modalidade e aguardando, ansiosamente, mas com paciência, as próximas epopeias, o despontar de novos raios de luz.

E, nestes próximos dois anos, um raio será mais intenso do que os restantes, separar-se-á do feixe luminoso em que se encontra e voará mais alto, rumo à glória divina, imortalizando o nome, materializando o sonho. Esse raio é Portugal…

Dedo partido: retrospectiva (5 semanas)

Quarta-feira. 22 de Fevereiro de 2010. Como provavelmente saberão, quer por me conhecerem na vida real, quer por terem lido um post anterior, tenho um dedo partido. Hoje podem ser comemoradas as 5 semanas decorridas sobre a identificação do problema e o início do respectivo tratamento (mas que raio de coisa para se celebrar).

A sério. É mesmo verdade. Aquilo que considerei a princípio uma pancada perfeitamente inócua no dedo médio da mão esquerda era na verdade uma fractura na falange distal, mais concretamente ao nível da cartilagem de crescimento.

E por mais insignificante e anódino que este facto possa parecer, se eu não tivesse tido os cuidados adequados, o dedo poderia ter sofrido um desvio, começando a crescer na direcção errada. Esta situação conduziria à necessidade de uma intervenção cirúrgica, que implicaria um intervalo de tempo bem mais alargado para a recuperação total do dedo e seria certamente dispendiosa. Mas deixemos as considerações gerais sobre o assunto, recorrendo a uma cronologia dos acontecimentos.

Primeira Consulta

Onde é que eu tinha ficado no outro post? Ah, sim! Já me lembro! Nas vésperas da minha visita ao hospital, numa sexta-feira, tinha esperanças de me vir a ser removida a monstruosa tala que tanto me atormentava, sem cessar de comprimir este meu pobre dedo, como se não tivesse sido suficientemente fustigado pelas fatalidades do destino.

De facto, na consulta no hospital da CUF Infante Santo, com o Doutor Jorge Fonseca, excelente ortopedista, soube com grande satisfação que me seria retirada a terrível peça metálica, mas a frustração que se lhe seguiu quando soube que a tala seria substituída por um dedal de plástico quase anulou essa alegria momentânea. Ainda assim, ao envergar o pequeno objecto hospitalar, seguro com um pouco de fita adesiva, ficava livre da asfixia sudorípara em que as ligaduras envolviam a minha desafortunada mão, bem como das forças compressoras induzidas no meu dedo infeliz pelo metal implacável.

Fachada do Hospital da CUF Infante Santo

Actividade física?

No entanto, existiam demasiados pontos negativos, que me povoaram a alma de inquietações e uma raiva interior contra as circunstâncias da vida. Estava proibido de realizar qualquer tipo de actividade física nas 3 semanas seguintes e não tinha permissão para praticar exercícios que implicassem a utilização da mão esquerda nos dois meses subsequentes. Visto que as modalidades desportivas abordadas desde aquele momento até ao fim do 2º período seriam o andebol, o voleibol e o basquetebol, as minhas aulas práticas de educação física ficariam reduzidas aos testes de condição física.

De qualquer maneira, o Doutor escreveu uma declaração médica no qual explicava a situação em questão e estabelecia as restrições acima referidas. Assim, ficou combinado entre mim e a professora que a minha avaliação nas modalidades testadas seria de alguma maneira substituída por um trabalho teórico sobre andebol e basquetebol.

Segunda Consulta

7×2 vezes o sol se pôs, 28/2 vezes o sol nasceu (não liguem a esta forma estúpida de dizer que passaram 2 semanas) e regressei ao consultório do Doutor Jorge Fonseca, como tinha ficado previamente estabelecido. À semelhança do que acontecera na visita anterior, fui muito bem recebido, com um profissionalismo afável e correcto do Doutor, que explicava efectivamente os processos ortopédicos implícitos na evolução do estado do meu dedo e no tratamento do mesmo, em vez de se limitar a enumerar os procedimentos necessários para curar a fractura na cartilagem de crescimento.

A forma paciente como analisou as radiografias (em ambas as ocasiões) e esquematizou a falange distal num desenho anatómico (ainda na primeira consulta) agradaram ao meu espírito científico e permitiram que a minha curiosidade fosse saciada. Por estas mesmas razões, fiquei com uma óptima imagem do Doutor Jorge Fonseca e aconselho todos os que tiverem algum problema de ortopedia a dirigirem-se ao hospital da CUF a procurar os seus serviços.

Desenvolvimentos recentes (até agora)

Nesta consulta ficou definido que eu teria de continuar a usar o dedal 24 horas por dia durante duas semanas, mas apenas por uma questão de protecção, pois a fractura já está praticamente curada. Dadas as notáveis melhorias, o médico autorizou a prática de actividades físicas que não implicassem o uso da mão esquerda, tais como a natação, a corrida e o próprio futebol (desde que não ocupe a ingrata e muito arriscada função de guarda-redes). Por fim, ficou estabelecido que poderia deixar de usar o dedal duas semanas mais tarde, no dia 26 de Fevereiro.

Deste modo, felizmente, já tive a oportunidade de desfrutar de dois banhos muito do meu agrado na piscina do hotel onde passei as férias de Carnaval (o primeiro dos quais está aqui retratado). Mas o grande motivo de contentamento para mim neste momento foi o facto de já ter podido integrar as peladinhas de futebol com os meus colegas na escola, mas não no papel de guarda-redes (naturalmente). Na segunda-feira, uns cruzamentos e tal. Na terça-feira, uns joguinhos de bancos entre os pavilhões e uma participação num confronto disputado no relvado sintético da escola, no extenso intevalo de meia hora entre as aulas de Biologia e Química.

Como certamente terão entendido, faltam apenas dois dias para o meu dedo contactar finalmente com o ar em redor, sem receios, destemido e livre de materiais metálicos ou plásticos que tentem submeter a uma ditadura áspera e cruel. No entanto, durante os joguinhos de futebol terei de continuar a usar a protecção, por uma questão de segurança. Nunca sabemos o que nos traz o dia de amanhã…

Nota: reparei que o outro post acerca deste assunto recebeu algumas visitas de pessoas que procuravam conselhos em casos de dedos partidos. Como estes meus textos não se destinam propriamente a fornecer dicas às pessoas que lhes permitam decidir o que fazer nestas situações, reservei uma pequena parte no final deste post para apresentar algumas directivas muito gerais.

Radiografia aos dedos: podemos distinguir facilmente as diferentes falanges

Sinais de dedo partido: inchaço (edema), dedo vermelho (inicialmente) ou negro (mais tarde), dificuldade em dobras ou esticar completamente o dedo, dor aguda quando faz movimentos.

Atitude imediata: dirigir-se ao serviço de urgências de um hospital, preferencialmente de confiança (não aconselho o hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa). Manter o dedo bem esticado, para não permitir a sua deformação.

No hospital: o seu dedo será submetido a uma radiografia, que posteriormente será analisada pelo médico, para verificar se está mesmo fracturado.

Tratamento: o dedo partido deve ser envolvido por uma tala e várias ligaduras, a fim de ser mantido bem esticado nas semanas seguintes, para curar a fractura. A tala provavelmente terá de ser renovada ao longo do tempo, precisando apenas de frequentar o posto médico mais próximo de sua casa para o efeito.

Consultas: terá de realizar consultas de rotina, para verificar a evolução do seu dedo e alterar de alguma forma o tratamento, que pode ser suavizado, no caso de uma boa evolução, ou eventualmente acompanhado de uma intervenção cirúrgica, se tiver ocorrido algum problema.

Tempo de recuperação: o tempo que o restabelecimento total do dedo vai demorar depende da localização da fractura, isto é, da falange em que ocorreu o problema (proximal, intermédia ou distal), da gravidade da fractura e da sua idade (quanto mais jovem for, mais cartilaginosos serão os seus ossos, e, consequentemente, mais fácil será a correcção de eventuais anomalias).

Futebol de Praia: 2009 Top 10 Goals

No passado dia 10 de Fevereiro, a Beach Soccer World Wide publicou no youtube uma compilação com os 10 melhores golos de futebol de praia em 2009.

Nesta sublime produção audiovisual, o espectador pode assistir a um esplêndido desfile de grandes imagens desportivas, que marcaram a modalidade no ano passado. Todo o vídeo é complementado pelo som do momento, I Gotta Feeling, dos Black Eyed Peas.

A selecção dos golos foi muito bem conseguida e possibilitou uma grande variedade de momentos espectaculares. Este pequeno filme inclui instantes de magia proporcionados por alguns dos melhores atletas da actualidade, como o brasileiro Bruno, o italiano Carotenuto, o espanhol Amarelle e os portugueses Alan e Madjer.

Pontapés de bicicleta, remates de longa distância, soberbas jogadas de equipa, tudo isto reunido num dos melhores vídeos de promoção da modalidade que já vi até hoje. Desde os tiros certeiros de Alan e Amarelle às acrobacias de Bruno, Carotenuto, Javi Torres e Madjer, passando pelas excelentes combinações de Meier e Stankovic ou Benjamim e Souza, a riqueza deste vídeo é singularmente espectacular!

Por isso, relaxem, observem e deixem que a magia do futebol de praia vos transporte para uma nova dimensão, a maravilhosa epopeia desportiva e emocional a que esta filosofia de vida conduz a alma humana.

Muitos parabéns a todos os intervenientes deste espectáculo magnífico! Continuação de grandes momentos!

Dedo partido!

Aviso: se procura informações úteis sobre fracturas nas falanges e tudo o que envolva dedos partidos, por favor, consulte o post Dedo partido: retrospectiva (5 semanas), publicado algum tempo depois deste texto, que termina com uma análise mais detalhada e completa da questão, contendo alguns conselhos para pessoas com este problema.

Pois é. Ainda não tinha referido isto aqui no blogue, mas a verdade é que desde a terça-feira da semana passada (19 de Janeiro) tenho andado com uma minúscula limitação a nível físico: uma fractura na falange distal do dedo médio da mão esquerda.

Assinalada a vermelho, a falange distal do dedo médio, onde se localiza a minha pequena fractura

Sim, eu sei. Uma coisa tão pequena! Nem deve doer! Isso passa!

Foi o que eu pensei há 9 dias. No intervalo de meia hora entre as aulas de Biologia e Física estavam todos os rapazes da turma a jogar futebol no campo sintético, juntamente com alguns alunos do 7º ano, estreando a bola que tinha sido comprada a meias por todos os elementos interessados. Eu era um dos futebolistas de intervalo. No início comecei a jogar numa posição mais avançada do terreno, mas tinha combinado com o guarda-redes da minha equipa que trocávamos assim que ele sofresse um golo. O tento da equipa adversária não demorou muito tempo a surgir e quando dou por mim já fui parar à baliza.

Sofri um golo. Sofri outro golo. Mais ninguém se voluntariou para a ingrata posição de guarda-redes e eu tive de me contentar com ela até ao fim do encontro. Foi a minha “desgraça”.

A certa altura, numa das vagas ofensivas da equipa adversária, um colega qualquer (não me lembro quem) rematou forte à figura. Devido à minha carência de goalkeeping skills não consegui agarrar a bola (nem sequer tentei) e ela embateu violentamente na referida falange distal. Claro que doeu um pouco na altura, mas foi uma daquelas sensações passageiras sem quaisquer efeitos na meia hora seguinte.

Já na aula de Física, quando esticava o dedo, sentia uma dor aguda,  percebia que alguma coisa não devia estar bem. No entanto, tornei a encarar o fenómeno como uma dor momentânea que acabaria por passar pouco tempo depois.

No meu serão nocturno, depois de realizar os trabalhos de casa, comecei a sentir dificuldades na utilização do dedo médio para escrever no teclado do computador. Como se não bastasse, a parte inferior da unha estava negra. Este conjunto de circunstâncias despertou em mim a suspeição de que o caso fosse mais grave do que eu pensava. Receios hipocondríacos apoderaram-se da minha mente já cansada àquela hora da noite e após investigações levadas a cabo na casa de banho com o espelho e a tesoura, decidi que pôr gelo seria a melhor opção. Na cozinha, a arca frigorífica começou a emitir ruídos estridentes que acordaram a minha mãe: piiiiiin piiiiiin… Uma vez a pé, a minha mãe ajudou-me com o gelo e agendámos uma visita ao hospital na manhã seguinte.

Quarta-feira, dia em que supostamente teria natação na educação física às 10:00, na qual não poderia participar pela falta de mobilidade do dedo médio da mão direita, lá fomos os dois ao ignóbil hospital de São Francisco Xavier, por ser o mais próximo de casa. Uma espelunca, basicamente.

Não venham ao Hospital de São Francisco Xavier!

Eu e os outros clientes que se encontravam nas urgências fomos muito mal atendidos. Para além da grande confusão que impera naquela parte do hospital, os erros informáticos, demasiado frequentes, nunca são corrigidos pelos funcionários, excepto quando os clientes se apercebem. Uma senhora que chegara uma hora antes de mim nunca teria sido chamada para fazer a radiografia se não se tivesse apercebido da situação, insurgindo-se contra a incompetência do pessoal do hospital. De resto, quando cheguei à secção de ortopedia, “tinha ocorrido um erro no sistema” e a radiografia não tinha chegado.

O “ilustre” médico, visivelmente um novato, estava a ensinar duas estagiárias que deviam ser poucos anos mais velhas do que eu. E pareciam todos mais interessados nas suas brincadeiras e risos idiotas do que nos problemas dos clientes em questão.

Quanto ao meu dedo, disseram que não se conseguia perceber bem se existia ou não uma fractura e colocaram a hipótese de se tratar de um problema no tendão. E, sem me mandarem fazer mais radiografias ou qualquer outro tipo de exames, finalizaram dizendo que o tratamento era o mesmo em ambos os casos e atando um pedaço de fita adesiva em torno do dedo médio e do anelar, servindo este último de tala, para imobilizar o dedo fracturado, e colocou um lenço à volta do meu pescoço para apoiar a minha mão. Para cúmulo, o médico disse que eu deveria manter aquela montagem durante duas semanas.

Quem me viu na escola com este tratamento percebeu logo o quão ridícula e improfícua aquela fita adesiva enrolada ás três pancadas à volta dos dois dedos se revelava. De pouco ou nada serviria para eu curar a minha lesão. E a razão é muito simples: não podemos tratar eficazmente de um problema sem o conhecermos realmente.

À noite, depois das aulas, a minha mãe levou-me ao Hospital da CUF Infante Santo, este sim uma infra-estrutura digna e funcional, onde repeti a radiografia e me foi diagnosticada uma microfissura na falange distal. Agora sim, uma análise cuidada dos resultados que permitiu obter conclusões fiáveis. Uma tala verdadeira revestida internamente por uma suave superfície esponjosa à volta do dedo médio e uma ligadura constituíram o processo de tratamento, que culminaria numa consulta com um médico ortopedista na sexta-feira da semana seguinte. Tudo isto num ambiente saudável, rodeado de gente inteligente, compreensiva e amigável.

Pois bem, esse dia será já amanhã, 29 de Janeiro, e eu espero sinceramente ser autorizado a abandonar esta montagem que mumifica o dedo e a mão. Acho que tenho feito progressos nos últimos dias e quando tenho o dedo imóvel (99% do tempo) não sinto quaisquer dores. Como o dedo se conserva no interior da tala, também não tenho tido grande oportunidade de observar o seu aspecto morfológico (exceptuando quinta-feira de manhã e terça-feira à hora do almoço, quando fui mudar as ligaduras ao posto médico de Algés), mas penso que tudo estará a evoluir positivamente. Vamos esperar pelo melhor!

Quem sabe se na próxima segunda-feira poderei voltar a participar nos maravilhosos jogos de futebol dos intervalos! Ah, mas não vou ficar na baliza!

Nota: De realçar ainda o aspecto exótico que a minha mão esquerda adquiriu. O meu dedo médio é bastante mais comprido e mais grosso do que os restantes. Como se não bastasse, está sempre esticado. Isto tem uma consequência muito peculiar quando eu coloco a palma da mão virada para cima e dobro os dedos que ainda apresentam alguma mobilidade. Cerca de 587 pessoas já fizeram questão de me lembrar esse facto. Geralmente não simpatizo com este tipo de graçolas brejeiras, essas obscenidades! Mas neste caso não deixa de ser um facto singularmente curioso

PARABÉNS MADJER!

Madjer: Um Grande Português

Madjer: Um Grande Português

Todos os dias são especiais. Cada sequência de 24h acarreta uma série de alterações nas sociedades humanas. Entre medidas legislativas, decisões jurídicas, contratos empresariais, descobertas científicas, obras literárias, exposições artísticas, conferências universitárias, espectáculos musicais, eventos desportivos e muitas outras coisas, são tantos os acontecimentos que marcam o mundo num espaço de tempo tão curto como o período de rotação da Terra!

Hoje, porém, há qualquer coisa que o torna mais especial do que os outros. O mítico número 7 da selecção nacional de futebol de praia, João Victor Saraiva, conhecido em todo o mundo desportivo como Madjer, completa 33 anos de existência.

Esta data, 22 de Janeiro de 2010, merece, pois, ser recordada no futuro, assim como o desportista e a pessoa cujo aniversário é hoje celebrado. E com esse objectivo nobre escrevo este post de homenagem ao maior jogador de futebol de praia de todos os tempos, que continua a dar alegrias ao povo português e a erguer cada vez mais alto o nome e as cores nacionais!

Síntese biográfica

João Victor Saraiva nasceu no dia 22 de Janeiro de 1977, na cidade de Luanda, em Angola. Com a tenra idade de 5 meses viajou para Portugal, onde cresceu e se começou a afirmar no mundo do desporto. Desde cedo apaixonado pelo futebol, sportinguista exemplar, João Victor Saraiva representou o Grupo Desportivo Estoril-Praia nas camadas jovens. Foi nesse contexto que lhe foi atribuída a alcunha pela qual ainda é conhecido actualmente: Madjer. Os seus colegas de equipa terão achado algumas semelhanças físicas com o futebolista argelino do Futebol Clube do Porto Rabat Madjer que, somadas à arte futebolística de João Victor Saraiva, lhe acabou por valer o simbólico cognome de sonoridade árabe.

No entanto, a sua carreira promissora foi abalada por um rude golpe, quando Madjer foi sofreu um acidente de mota, aos 17 anos. As lesões provenientes do choque afastaram-no dos relvados durante quase dois anos, provocando uma longa ausência que se revelou muito prejudicial para o seu desenvolvimento como atleta. Mesmo vendo o seu sonho futebolístico mais longe, Madjer nunca desistiu, continuando a trabalhar para recuperar a forma física e progredir nas várias vertentes do jogo.

Felizmente, como o poeta romano Virgílio referiu sublimemente na sua epopeia Eneida, “A sorte protege os audazes” e foi exactamente isso que sucedeu com Madjer. Em 1998, quando o cargo de treinador da selecção nacional de futebol de praia era ocupado pelo célebre antigo futebolista João Barnabé, Madjer participou num torneio amador da modalidade. O seleccionador português, apercebendo-se das excelentes qualidades evidenciadas pelo jovem, convidou-o imediatamente para integrar os trabalhos da equipa nacional. Madjer, decerto surpreendido e radiante, aceitou imediatamente.

No seu jogo de estreia pela equipa das quinas, frente à selecção chilena, Madjer brilhou, marcou 2 golos e ajudou Portugal a alcançar uma vitória importante. Mas era apenas o início de uma história interminável de triunfos e glórias. E assim a selecção nacional acabava de ganhar um grande jogador, uma certeza para o futuro, a garantia de muitas conquistas lusitanas e soberbos momentos de futebol de praia!

Magia Eficaz no Futebol de Praia

O Madjer é um jogador de futebol de praia magnífico. Qualquer pessoa que goste da modalidade percebe naturalmente que a sua presença entre os melhores atletas do mundo nas areias é inevitável. Jogador extremamente completo, muito experiente, com uma técnica bem acima da média e índices físicos muito elevados, o número 7 português é motivo de grandes dores de cabeça para os adversários.

Madjer: a determinação no olhar

O mais impressionante no Madjer é o remate: uma mistura explosiva de potência, velocidade, intencionalidade, determinação, criatividade e estilo. Quer seja num livre directo, num pontapé de saída, na finalização de uma jogada colectiva ou num espectacular remate acrobático, os remates do Madjer são um fenómeno do desporto. Não admira que os seus golos sejam frequentemente utilizados em pequenos filmes de promoção da modalidade. Que classe!

Mas este jogador excepcional apresenta muitas outras qualidades. A sua afinidade com a esfera de 400 g utilizada no futebol de praia é simplesmente espectacular. Por diversas vezes assisti aos treinos da selecção nacional e tive oportunidade de testemunhar o seu toque de bola formidável. O Madjer consegue dominar a bola na perfeição e realizar todo o tipo de movimentos com ela, o que lhe permite uma fácil integração em qualquer esquema táctico utilizado pelo seu treinador.

O Madjer não é um jogador que brinque em serviço, pois encara os desafios com grande sentido de responsabilidade e seriedade. O seu modo de actuar é frio e cautelista, preferindo os remates fortes de longa distância às fintas ludibriosas. Isto não significa que não tente de vez em quando um toque em habilidade ou um pontapé de bicicleta, mas fá-lo porque sabe que domina aquele gesto técnico e acredita que poderá ajudar a equipa assim. Assim, por vezes, nos torneios oficiais, quando existe a possibilidade de embelezar o jogo com um pormenor mais apelativo, conseguindo extrair daí benefícios para o colectivo, o Madjer não hesita e consegue vários golos de belo efeito.

O grande poder do Madjer reside igualmente no perfeito entendimento com os seus colegas de equipa. Excelente companheiro dentro e fora do campo, a sua natureza humilde e afável confere-lhe uma capacidade de fazer amigos com grande facilidade, o que se torna evidente pela magnífica cooperação entre o Madjer e os seus colegas de equipa nas partidas. As grandes jogadas de equipa, ilustrativas do clima de união que se vive na selecção nacional, passam muitas vezes pelo Madjer, que trabalha em uníssono com craques como Alan, Belchior, Zé Maria e Torres.

Madjer festeja com os colegas de equipa

Dado o seu posicionamento e movimentações tácticas, em grande parte das vezes, acaba por ser ele a finalizar, mas se a melhor opção for um passe para um colega de equipa em melhor situação, o Madjer não hesita em fazer o passe, mesmo que esteja na luta dos melhores marcadores. E quando recebe algum prémio individual, distinguido como o melhor marcador ou considerado melhor jogador (o que acontece em quase todas as competições), o Madjer agradece em nome de toda a equipa e faz questão de referir que aquele troféu não é seu, mas da selecção nacional portuguesa.

Esta mesma postura humilde, consciente e responsável do número 7 português é sem dúvida uma das suas características mais importantes como atleta. A união e harmonia que consegue comunicar aos seus colegas de grupo, o respeito pelos adversários e pela equipa de arbitragem, o seu jogo limpo e elegante, sem faltas e recheado de momentos espectaculares, faz do Madjer um atleta fora de série, com imenso fair-play e um trabalho exemplar na promoção da modalidade.

Grandes Momentos

Sei que o maior momento da carreira desportiva do Madjer foi em 2001, quando ajudou Portugal a conquistar o Campeonato do Mundo de Futebol de Praia na Costa do Sauípe. Numa competição em que o antigo capitão Hernâni e o também inigualável Alan foram galardoados, respectivamente, com os prémios de melhor jogador e melhor marcador, respectivamente. No entanto, eu ainda não acompanhava o futebol de praia nessa altura e por isso não tenho estas memórias. É pena.

No entanto, felizmente tornei-me um adepto fervoroso do futebol de praia em 2003 e em 2006 comecei a seguir todas as competições internacionais de forma regular. Assim, conservo muitas recordações extraordinárias das façanhas do Madjer ao serviço das selecção lusitana.

Já nos torneios da Liga Europeia e do Mundialito de 2003 e 2004 eu tinha ficado com uma excelente ideia do Madjer. Naquela altura, para mim, Madjer, Alan e Belchior eram os grandes craques da selecção nacional, os que marcavam mais golos! Foi em 2005, porém, que eu me apercebi de que o Madjer tinha qualquer coisa de especial, qualquer componente que o distinguia dos colegas. Não que fosse melhor, pois não era na verdade, mas além de ser o principal goleador, tinha uma arte fantástica que iluminava as mentes dos espectadores, proporcionando uma experiência metafísica fora do comum.

Fenomenal remate acrobático de Madjer (2006)

Em 2006, no Campeonato do Mundo FIFA em Copacabana, no qual Portugal obteve um amargo 4º lugar, o Madjer fez qualquer coisa de sobrehumano: sagrou-se goleador do torneio, com uma larga vantagem sobre os restantes adversários, ao apontar nada mais nada menos do que 21 tentos em apenas 6 jogos!!! Isto faz uma média de 3,5 golos por jogo, o que, mesmo em futebol de praia, é um número colossal! E o mais fantástico é a enorme diversidade de golos que podemos encontrar neste universo com 21 dimensões: remates acrobáticos, remates inesperados de qualquer parte do campo, livre directos cobradas de forma exímia, conclusões sublimes a magníficas jogadas colectivas… Enfim, uma descomunal colecção de golos igualmente descomunais!

2007: Ano Europeu

Em 2007, na Liga Europeia, uma prova emocionante conquistada por Portugal, o Madjer voltou a protagonizar uma série de exibições fantásticas, com muitos golos e magia em abundância. Mas no Mundial as coisas não correram tão bem. Com o esbatimento das diferenças entre selecções tradicionalmente fortes e equipas teoricamente mais fracas, o grupo de Portugal revelou-se bastante complicado e a selecção nacional precisava de Madjer no seu melhor. Infelizmente, o número 7 entrou mal no torneio e demorou tempo a encontrar o seu próprio jogo. Isto valeu a Portugal algumas dificuldades na passagem à segunda fase e um indesejável confronto com o Brasil nos quartos-de-final.

Foi um grande jogo de futebol de praia! O Madjer finalmente esteve ao seu melhor nível e marcou uma mão cheia de golos, nunca desistindo e acreditando sempre que era possível alcançar a vitória. O resultado, porém, acabou por ser desfavorável a Portugal, que se deixou afundar nos instantes finais da partida e cometeu vários erros defensivos: 10-7. Uma derrota muito difícil de digerir, sobretudo depois da brilhante exibição de Madjer, que encontrara energia nos cantos mais profundos do seu ser para fazer face às adversidades, que o acabaram por vencer. No final, Madjer, com amor ao seu país, chorava a derrota inglória, prostrado nas areias escaldantes de Copacabana… Um herói!

Madjer desolado após a derrota com o Brasil (2007)

2008: Epopeia em Portimão

Em 2008, novas emoções e grandes duelos em areias europeias. O Mundial em Marselha foi uma competição estupenda, quer em termos de organização quer em relação à excelente prestação da equipa portuguesa. O 3º lugar que a equipa das quinas logrou alcançar soube a pouco numa competição em que Portugal se apresentou a um nível altíssimo. A selecção nacional esteve muito perto de eliminar o Brasil, nas meias-finais, num jogo que acabou por perder 5-4 com um golo Canarinho nos últimos 5 minutos. Pouca sorte, em mais um torneio com Bota de Ouro (prémio do melhor marcador) para o Madjer, que apontou 13 golos.

O Mundial 2008 acabou no Domingo 27 de Julho, com a vitória brasileira e um terceiro lugar lusitano (Portugal derrotou a congénere espanhola por 5-4 com um hattrick de Madjer). Na semana seguinte, no primeiro dia de Agosto, começava o Mundialito de Futebol de Praia desse mesmo ano, com o eterno rival Brasil e as convidadas França e Argentina. Após as já esperadas vitórias dos países lusófonos contra as duas equipas de nível inferior, Portugal e Brasil decidiram o título no último jogo. E, num confronto de dificuldade extrema, em que Portugal enfrentou mil tormentos rumo à vitória final, a força interior de Madjer, aliada à sua técnica fabul0sa e à excelente cooperação com os companheiros de equipa, fez a diferença e deu a vitória a Portugal.

Madjer remata para o golo do empate após passe de Belchior

A selecção esteve a perder por 2-0 em pleno segundo período, mas conseguiu anular a desvantagem no marcador com dois golos fenomenais de Madjer. Já no terceiro período, quando o jogo caminhava para o fim, empatado a 3 bolas, e o Brasil resistia corajosamente às investidas do ataque português, um livre divinal de Madjer deu a vantagem tão procurada pela nossa selecção! E finalmente, quando a areia traiu o guarda-redes lusitano Paulo Graça na cobrança de um livre directo por Buru, restabelecendo a igualdade no marcador, Madjer, num esforço sobrehumano, procurando forças onde elas já não podiam existir, conseguiu encontrar a coragem e o ânimo suficientes para contrariar os caprichos da bola, remetendo-a para o seu lugar natural, onde deveria ter chegado mais cedo: a baliza Canarinha.

E assim, através de um pontapé de saída absolutamente espectacular, por meio de um gesto técnico inigualável e misterioso, que conferiu à bola uma velocidade alucinante, Madjer, revelando a sua natureza sobrehumana, deu a vitória tão ambicionada às hostes lusitanas!

2009: Sensações controversas

No ano passado, em 2009, a Taça da Europa de Futebol de Praia, disputada em finais de Maio, no Circo Máximo, em Roma, foi outro exemplo do extraordinário poder de Madjer. Em apenas 3 jogos, Madjer marcou por 10 vezes. Foi pena que Portugal não tivesse conseguido ganhar o torneio, mas a sorte não foi portuguesa no dia da meia-final frente aos vizinhos ibéricos, numa partida em que Madjer apontou 4 golos, e Portugal acabou por se classificar no 3º posto.

O Verão voltou a trazer a magia do futebol de praia espectáculo a Portimão. Desta feita, o Mundialito contava com as selecções da Espanha e dos Emirados Árabes Unidos, além dos habituais Portugal e Brasil. A selecção nacional manteve um nível muito elevado e entrou da melhor forma na competição, derrotando a equipa árabe na jornada inaugural. Infelizmente, por questões do foro aleatório, Portugal acabaria por perder diante da abominável Espanha, cuja estratégia defensiva e oportunista roubou 3 pontos que pertenciam a Portugal por direito e complicou as contas do seleccionador nacional José Miguel. Com os resultados verificados, a turma lusa precisava de derrotar o Brasil por mais de 2 golos ou justamente por uma vantagem de 2 tentos, no caso de marcar 4 golos ou mais.

Primeiro golo de Portugal: Madjer!

Como é que se motiva uma equipa para um jogo desta natureza? Não sei. Mas os jogadores portugueses estavam confiantes e decididos. Nada os faria alterar o seu propósito. E nem o fortuito golo brasileiro marcado na primeira parte fez abalar as esperanças lusitanas. Era preciso marcar 4 golos? E daí? Fossem 5, 6 ou mesmo 7 os golos necessários, a equipa das quinas não se teria rendido e continuaria a lutar pela conquista do troféu. No segundo período, Madjer, numa acrobacia original, empatou o jogo, num golo belíssimo ao qual se seguiram inúmeras ocasiões de golo para Portugal. A bola não entrava? Paciência! Ninguém ia desistir e todos permaneciam crentes no sucesso da selecção. Madjer, de quem a sorte parecia fazer troça, era dos mais determinados a vencer.

O terceiro período continuou com a hegemonia portuguesa que se verificara no segundo e, aproveitando a expulsão do brasileiro Betinho, Portugal fez dois grandes golos, por Alan e Torres, que tornavam o sonho mais próximo e davam um novo alento a todos os adeptos. Já em igualdade numérica, o Brasil parecia desorientado com o imenso poderio lusitano e numa brilhante jogada de entendimento entre Zé Maria e Alan, Portugal marcou o quarto e alcançou o título em termos virtuais! Todavia, ainda havia muito tempo para jogar a o Brasil reagiu, com um golo de Benjamim na sequência de um canto e um golo em falta de Fred (o árbitro nada assinalou).

O resultado de 4-3 entregava ao Brasil o título do Mundialito! Foi então que Madjer, com a mesma sede de vitória e a mesma vontade que mostrara naquele mesmo campo 371 dias antes, disferindo um fortíssimo pontapé na colorida esfera, colocou a bola no interior da baliza defendida por Mão, após o pontapé de saída, e recuperou o triunfo para Portugal. Ainda houve tempo para dois golos a cada equipa, com um grande livre directo de Alan, seguido de um golo de consolação de Sidney, mas a vitória não fugiria a Portugal, mais uma vez graças à determinação de Madjer. Que jogador!

Meses mais tarde, no Mundial do Dubai, Portugal seria derrotado pelo Brasil nas meias-finais, num jogo que correu muito mal e culminou no fim das esperanças portuguesas. Madjer não marcou frente ao rival lusófono e terminou o jogo com um total de 6 golos na competição (uma marca abaixo daquilo que fizera em edições anteriores). Poder-se-ia pensar que o torneio não teria corrido tão bem a Portugal e a Madjer como seria de esperar. Mas o jogo de atribuição dos 3º e 4º lugares foi completamente diferente. Ninguém imaginava o que iria acontecer!

Madjer marca o seu sétimo golo frente ao Uruguai e quebra mais um record: "The number seven scores seven!"

E a verdade é que não só Portugal ganhou de forma convincente, garantindo um lugar no pódio e mostrando ao mundo que o futebol de praia português continua entre os melhores do mundo, como também se escreveu uma nova página na História do futebol de praia, quando Madjer apontou o seu 7º golo na partida, batendo o record do número de golos marcados no mesmo jogo num campeonato do mundo, que anteriormente pertencia a… Madjer (marcara 6 vezes frente aos Camarões em 2006)! Num jogo com o atractivo resultado de 14-7 , Madjer esteve no seu melhor e marcou golos muito variados, quase sempre em jogadas de grande recorte técnico e comunicação telepática com os companheiros de equipa. Assombroso!

Futuro

Diante de nós estende-se agora um longo ano de futebol de praia, que, pela primeira vez, não vai incluir um Campeonato do Mundo, mas continuará a englobar as competições europeias por excelência (Liga Europeia e Taça da Europa), bem como o tradicional Mundialito de Futebol de Praia e o fundamental torneio de qualificação para o Mundial 2011.

Quais serão então os projectos para 2010?  A nível colectivo, o apuramento para o Mundial é, sem dúvida, uma prioridade nos planos para o novo ano. Para além disso, espero que Portugal consiga recuperar a Liga Europeia que perdeu o ano passado para a Rússia, e, se possível, a Taça da Europa. Revalidar o título no Mundialito frente ao Brasil será também um objectivo importante para a selecção nacional portuguesa. Afinal, trata-se da mais importante competição do próximo ano que porá em confronto estes dois titãs do futebol de praia. Boa sorte! Vamos conseguir!

Madjer recebe a Bota de Ouro em 2008

A nível individual, sei que o Madjer não tem quaisquer ambições, pois pensa sempre primeiro na equipa e nunca se chega a interessar realmente pelos prémios de reconhecimento individual. Em todo o caso, todos sabemos perfeitamente que o Madjer conquistará várias distinções no decorrer desta temporada, como melhor marcador, melhor jogador e, talvez, o prémio fair-play (uma distinção muito valiosa que o Madjer já recebeu no passado).

Ao Madjer

Madjer, queria dizer-te em poucas palavras que te considero um verdadeiro exemplo a seguir, não só como desportista, mas a todos os níveis. A tua postura ensina os vencedores a vencer. Como sabes, sou um grande adepto do futebol de praia em geral e da selecção nacional em particular. Procuro assistir aos vossos treinos, sigo todas as competições com entusiasmo e vibro com os vossos golos num êxtase maravilhoso. A tua arte dentro de campo cria em mim um fascínio e uma admiração únicos que me motivam para a vida e me ajudam a encarar o dia de amanhã. Acho que tenho aprendido muito contigo, desde os fantásticos pontapés de bicicleta (dos quais tento fazer tímidas imitações) a estas questões mais profundas acerca da natureza do ser humano e da forma de estar na vida e lutar por um objectivo. Obrigado, Madjer.


Eis de repente o Madjer, que aparece

E marca em pontapé de bicicleta!

Momento de magia! Não se esquece!

A glória para este magnífico atleta!

André Calado Coroado.

Beach Soccer: more than just a game

No post anterior fiz uma breve e sucinta apresentação das regras do futebol de praia. Provavelmente, as pessoas fora da realidade do beach soccer que leiam esse post mais boring não ficarão com uma ideia muito positiva da modalidade: pelo contrário, achá-la-ão um desporto chato e cheio de regras esquisitas. É com o simples intuito de destruir esta ideia errada e aproximar o futebol de praia dos leitores que eu decidi publicar um post diferente, com pouco texto e um vídeo magnífico da modalidade.

Antes de mais nada, vejam este vídeo deslumbrante, realizado pela Beach Soccer World Wide (BSWW). Vão gostar!

Então? O que acharam? Não quero manipular a opinião de ninguém, mas acho que este vídeo está muito bem conseguido, por apresentar de forma extremamente elucidativa a realidade do futebol de praia e o mundo maravilhoso da modalidade.

Ambiente de praia, clima festivo, alegria contagiante, expressão cultural, emoções intensas, lutas titânicas, respeito pelo adversário, espírito de equipa, ideia de união, sentimento patriótico, sede insaciável de vitória, ritmo vertiginosamente alucinante, momentos de inspiração divina, jogadas aéreas sem igual, remates de uma força sobrehumana, soberbos toques em habilidade, acrobacias voadoras gloriosas, inúmeras defesas colossais, golos celestiais em abundância…

E eu pergunto: faltará alguma coisa para o futebol de praia ser uma modalidade perfeita?

BEACH SOCCER: MORE THAN JUST A GAME!