Rick Wakeman: Journey to the Centre of the Earth!

Começo com saudações cordiais aos estimados leitores deste blogue. Hoje vou divulgar uma peça musical que descobri na semana passada e tem vindo a adquirir uma importância fundamental na minha vida neste últimos dias. Emocionalmente tem muito poder e conjuga a essência resplandecente de uma das maiores obras vernianas com uma extraordinária qualidade de construção musical.

Como o título indica, trata-se da peça Journey to the Centre of the Earth, interpretada pelo magnânimo teclista inglês Rick Wakeman. O álbum, Journey to the Centre of the Earth, do qual faz parte a música a que me refiro, trata-se de um dos mais prestigiados sucessos da sua carreira a solo e data do ano de 1974.

Rick Wakeman

Richard Wakeman nasceu em Londres, no dia 18 de Maio. A sua excelente formação musical, de feição clássica, conferiu-lhe uma espectacular técnica de teclado. Wakeman revelou-se desde cedo um autêntico virtuoso do piano, ao órgão, ao clavicórdio, diferentes modelos de sintetizadores e a todo o tipo de instrumentos musicais que envolvam teclas.

Este vulto do mundo das teclas foi um dos fundadores do Rock Progressivo e do Rock Sinfónico. Pioneiro no uso de teclados electrónicos, Wakeman revolucionou a música rock para teclado e coloriu a música das últimas décadas do século XX com as suas inovações fantásticas.

Corria o ano de 1970 quando Rick Wakeman se tornou mundialmente célebre, como teclista da banda The Strawbs. Nos anos seguintes, integrou a banda Yes, mas devido às suas relações tempestuosas com os restantes membros do grupo, a sua presença na banda foi muito intermitente. Wakeman desenvolveu uma extensa carreira a solo, associando-se frequentemente a outras figuras da música rock. Elton John, Alice Cooper e Lou Reed são apenas alguns dos nomes do rock e da música alternativa com as quais Rick Wakeman trabalhou.

Considerado por muitos o teclista mais dotado do rock, Wakeman apresenta uma extensa discografia, com uma infinidade de títulos nos quais aborda os mais variados temas, com especial incidência nos mitos e lendas britânicas, episódios da História de Inglaterra e assuntos ligados à temática da astronomia, a magia do cosmos.

Rick Wakeman em plena actividade musical: a transcendência da alma

Actualmente, aos 60 anos, a energia serena e penetrante que imprime nas suas músicas continua a iluminar as almas humanas, com as suas participações em concertos um pouco por todo o mundo. Num futuro próximo, Rick Wakeman vai actuar no Brasil, na Virada Cultural, que se realizará em São Paulo, nos dias 15 e 16 de Maio. Será precisamente nesse evento social e artístico que Wakeman fará as delícias do público com a interpretação de Journey to the Centre of the Earth, deleitando milhares de pessoas que se deixarão comover pela força suave e poderosa da sua música fenomenal.

O alcance emocional da sua arte é tremendo, tal é a inspiração sentimental de Wakeman quando os seus dedos sagrados percutem o teclado, tornando as teclas do piano mais resplandecentes do que nunca, também elas trespassadas pela magia da sua música.

Viagem ao Centro da Terra

A música Journey to the Centre of the Earth foi criada com base na obra imortal com o mesmo título do maior escritor francês de todos os tempos, o colossal e eterno Júlio Verne. Nesta fabulosa história de ficção científica, publicada em 1864, Verne narra ao leitor a fascinante viagem do professor de geologia alemão Otto Lidenbrock e do seu querido sobrinho Axel com destino ao centro da Terra.

Numa das suas pesquisas de biblioteca, Lidenbrock descobre um manuscrito de um alquimista islandês do século XVI com uma mensagem encriptada. Axel acaba por descodificar o conteúdo da mensagem, que afinal contém surpreendentes instruções no sentido de levar a cabo uma arriscada e muito aliciante viagem ao centro do planeta azul. Contrariando os receios do sobrinho, que estava noivo, Lidenbrock não hesita e faz-se ao caminho, utilizando todos os meios de transporte necessários para chegar à Islândia, a maravilhosa ilha vulcânica onde se erguia o Monte Sneffels, que deveria permitir a descida até às entranhas da Terra.

Uma vez na Islândia, Axel e o tio procuram alguém de confiança para os auxiliar na sua difícil empresa, acabando por encontrar Hans, um jovem vigoroso, leal e dedicado que lhes servirá de guia. E assim começa a viagem mais extraordinária e imaginativa da literatura de todos os tempos!

Não vos vou contar pormenorizadamente o que acontece no interior do vulcão, nas camadas mais profundas do planeta. No entanto, posso dizer que após as galerias tortuosas da chaminé vulcânica e da câmara magmática do Sneffels, os intrépidos viajantes descobrem algo que não esperavam certamente. Convenhamos que florestas de cogumelos gigantes, oceanos subterrâneos, monstros marinhos e dinossauros colossais não estavam nem podiam estar nas expectativas dos três aventureiros.

E assim, durante várias semanas, dois destemidos alemães e um bravo islandês socorrem-se de todos os meios que se encontram à sua disposição e sacrificam tudo aquilo que a sua natureza humana lhes providencia para tentarem aquilo que hoje sabemos ser impossível. Terão conseguido? Terão perecido nas entranhas da tão esfera terrestre? A resposta está num emocionante e viciante livro que todos os seres humanos deviam ler.

Júlio Verne e a sua maravilhosa obra: Viagem ao Centro da Terra

Uma reflexão sobre as capacidades do ser humano na luta pelos fins em que acredita. Um desafio às concepções dogmáticas da ciência da época. Uma soberba história de acção e aventura em que não falta absolutamente nada, nem mesmo um belo romance a coroar uma obra sublime a todos os níveis.

Pessoalmente, já li o livro há longos 5 anos, mas tenciono voltar a pegar nele num futuro mais ou menos próximo.

Journey to the Centre of the Earth

Nesta música, Rick Wakeman retrata a pavorosa viagem das personagens vernianas (e do próprio escritor, em boa verdade) ao centro da Terra de uma forma simplesmente esplêndida, conseguindo reproduzir na perfeição a magia profunda e inspiradora que só encontramos na grandiosa obra de Júlio Verne. Enquanto ouvimos as suaves e penetrantes melodias expressivamente libertadas por Rick Wakeman nos teclados dos vários sintetizadores, somos invadidos por uma estranha sensação de vivacidade, num misticismo surpreendente. Levados pela fantasia do som, somos transportados para a gloriosa epopeia representada pela Viagem ao Centro da Terra.

Começamos por escutar a bela e sonante letra da canção, simples, engraçada e profunda, exemplarmente interpretada pelo vocalista, que retrata a parte inicial da aventura dos corajosos viajantes. Depois, a música prossegue com um longo segmento sem voz, iluminado pela arrebatadora técnica de Wakeman, que se prolonga praticamente até ao fim da música, no momento em que se ouve um sonante Journey to the Centre of the Earth, soltado pelo vocalista.

Com motivos musicais espectaculares, uma melodia de base extremamente forte e apropriada ao assunto em questão e uma energia e vivacidade fora do vulgar fazem da prestação de Rick Wakeman nesta gravação musical ao vivo um autêntico marco da sua carreira e um ícone da expressividade musical. Apreciem a fantasia musical brilhantemente presente neste momento tão profundo:

Nota: Tomei conhecimento do músico e da espectacular obra de arte no blogue dedicado a Júlio Verne em língua portuguesa. Podem ver o post original aqui.

Dedo partido!

Aviso: se procura informações úteis sobre fracturas nas falanges e tudo o que envolva dedos partidos, por favor, consulte o post Dedo partido: retrospectiva (5 semanas), publicado algum tempo depois deste texto, que termina com uma análise mais detalhada e completa da questão, contendo alguns conselhos para pessoas com este problema.

Pois é. Ainda não tinha referido isto aqui no blogue, mas a verdade é que desde a terça-feira da semana passada (19 de Janeiro) tenho andado com uma minúscula limitação a nível físico: uma fractura na falange distal do dedo médio da mão esquerda.

Assinalada a vermelho, a falange distal do dedo médio, onde se localiza a minha pequena fractura

Sim, eu sei. Uma coisa tão pequena! Nem deve doer! Isso passa!

Foi o que eu pensei há 9 dias. No intervalo de meia hora entre as aulas de Biologia e Física estavam todos os rapazes da turma a jogar futebol no campo sintético, juntamente com alguns alunos do 7º ano, estreando a bola que tinha sido comprada a meias por todos os elementos interessados. Eu era um dos futebolistas de intervalo. No início comecei a jogar numa posição mais avançada do terreno, mas tinha combinado com o guarda-redes da minha equipa que trocávamos assim que ele sofresse um golo. O tento da equipa adversária não demorou muito tempo a surgir e quando dou por mim já fui parar à baliza.

Sofri um golo. Sofri outro golo. Mais ninguém se voluntariou para a ingrata posição de guarda-redes e eu tive de me contentar com ela até ao fim do encontro. Foi a minha “desgraça”.

A certa altura, numa das vagas ofensivas da equipa adversária, um colega qualquer (não me lembro quem) rematou forte à figura. Devido à minha carência de goalkeeping skills não consegui agarrar a bola (nem sequer tentei) e ela embateu violentamente na referida falange distal. Claro que doeu um pouco na altura, mas foi uma daquelas sensações passageiras sem quaisquer efeitos na meia hora seguinte.

Já na aula de Física, quando esticava o dedo, sentia uma dor aguda,  percebia que alguma coisa não devia estar bem. No entanto, tornei a encarar o fenómeno como uma dor momentânea que acabaria por passar pouco tempo depois.

No meu serão nocturno, depois de realizar os trabalhos de casa, comecei a sentir dificuldades na utilização do dedo médio para escrever no teclado do computador. Como se não bastasse, a parte inferior da unha estava negra. Este conjunto de circunstâncias despertou em mim a suspeição de que o caso fosse mais grave do que eu pensava. Receios hipocondríacos apoderaram-se da minha mente já cansada àquela hora da noite e após investigações levadas a cabo na casa de banho com o espelho e a tesoura, decidi que pôr gelo seria a melhor opção. Na cozinha, a arca frigorífica começou a emitir ruídos estridentes que acordaram a minha mãe: piiiiiin piiiiiin… Uma vez a pé, a minha mãe ajudou-me com o gelo e agendámos uma visita ao hospital na manhã seguinte.

Quarta-feira, dia em que supostamente teria natação na educação física às 10:00, na qual não poderia participar pela falta de mobilidade do dedo médio da mão direita, lá fomos os dois ao ignóbil hospital de São Francisco Xavier, por ser o mais próximo de casa. Uma espelunca, basicamente.

Não venham ao Hospital de São Francisco Xavier!

Eu e os outros clientes que se encontravam nas urgências fomos muito mal atendidos. Para além da grande confusão que impera naquela parte do hospital, os erros informáticos, demasiado frequentes, nunca são corrigidos pelos funcionários, excepto quando os clientes se apercebem. Uma senhora que chegara uma hora antes de mim nunca teria sido chamada para fazer a radiografia se não se tivesse apercebido da situação, insurgindo-se contra a incompetência do pessoal do hospital. De resto, quando cheguei à secção de ortopedia, “tinha ocorrido um erro no sistema” e a radiografia não tinha chegado.

O “ilustre” médico, visivelmente um novato, estava a ensinar duas estagiárias que deviam ser poucos anos mais velhas do que eu. E pareciam todos mais interessados nas suas brincadeiras e risos idiotas do que nos problemas dos clientes em questão.

Quanto ao meu dedo, disseram que não se conseguia perceber bem se existia ou não uma fractura e colocaram a hipótese de se tratar de um problema no tendão. E, sem me mandarem fazer mais radiografias ou qualquer outro tipo de exames, finalizaram dizendo que o tratamento era o mesmo em ambos os casos e atando um pedaço de fita adesiva em torno do dedo médio e do anelar, servindo este último de tala, para imobilizar o dedo fracturado, e colocou um lenço à volta do meu pescoço para apoiar a minha mão. Para cúmulo, o médico disse que eu deveria manter aquela montagem durante duas semanas.

Quem me viu na escola com este tratamento percebeu logo o quão ridícula e improfícua aquela fita adesiva enrolada ás três pancadas à volta dos dois dedos se revelava. De pouco ou nada serviria para eu curar a minha lesão. E a razão é muito simples: não podemos tratar eficazmente de um problema sem o conhecermos realmente.

À noite, depois das aulas, a minha mãe levou-me ao Hospital da CUF Infante Santo, este sim uma infra-estrutura digna e funcional, onde repeti a radiografia e me foi diagnosticada uma microfissura na falange distal. Agora sim, uma análise cuidada dos resultados que permitiu obter conclusões fiáveis. Uma tala verdadeira revestida internamente por uma suave superfície esponjosa à volta do dedo médio e uma ligadura constituíram o processo de tratamento, que culminaria numa consulta com um médico ortopedista na sexta-feira da semana seguinte. Tudo isto num ambiente saudável, rodeado de gente inteligente, compreensiva e amigável.

Pois bem, esse dia será já amanhã, 29 de Janeiro, e eu espero sinceramente ser autorizado a abandonar esta montagem que mumifica o dedo e a mão. Acho que tenho feito progressos nos últimos dias e quando tenho o dedo imóvel (99% do tempo) não sinto quaisquer dores. Como o dedo se conserva no interior da tala, também não tenho tido grande oportunidade de observar o seu aspecto morfológico (exceptuando quinta-feira de manhã e terça-feira à hora do almoço, quando fui mudar as ligaduras ao posto médico de Algés), mas penso que tudo estará a evoluir positivamente. Vamos esperar pelo melhor!

Quem sabe se na próxima segunda-feira poderei voltar a participar nos maravilhosos jogos de futebol dos intervalos! Ah, mas não vou ficar na baliza!

Nota: De realçar ainda o aspecto exótico que a minha mão esquerda adquiriu. O meu dedo médio é bastante mais comprido e mais grosso do que os restantes. Como se não bastasse, está sempre esticado. Isto tem uma consequência muito peculiar quando eu coloco a palma da mão virada para cima e dobro os dedos que ainda apresentam alguma mobilidade. Cerca de 587 pessoas já fizeram questão de me lembrar esse facto. Geralmente não simpatizo com este tipo de graçolas brejeiras, essas obscenidades! Mas neste caso não deixa de ser um facto singularmente curioso