Uma Semana com Futebol de Praia 1: Seminários FIFA & Acção nas Estepes Russas & Novidades em Areias Brasileiras

Ora aqui estou eu, como prometido aqui, com as novidades da semana na esfera internacional do futebol de praia. Visto tratar-se da primeira edição desta revista, tentarei focar não só os acontecimentos relativos aos últimos 7 dias, mas todos os desenvolvimentos relativos ao mês de Setembro. Espera-se, portanto, um post um pouco mais longo do que eu eventualmente desejaria. Mas compreende-se.

1. Acções de Formação da FIFA

Como provavelmente sabem, o futebol de praia tem crescido de forma exponencial nos últimos anos. Felizmente, tudo indica que esta tendência se vai manter nos próximos tempos, e ainda bem, porque o futebol de praia ainda tem um longo caminho a percorrer rumo ao almejado estatuto de modalidade profissional e, mais importante do que isso, desporto olímpico.

Para que este desenvolvimento se verifique, é fundamental a difusão do futebol de praia em países onde ainda não é praticado ou tem pouca expressão enquanto modalidade organizada. Assim, a Beach Soccer World Wide e a FIFA criaram um plano de divulgação do futebol de praia em todo o mundo, que se traduz em diversas acções de formação, dinamizadas por especialistas da modalidade, em lugares onde o beach soccer começa a atrair grande interesse.

1.1. Angelo Schirinzi na Libéria | Marcelo Mendes no Irão

Na sequência deste projecto fabuloso, realizaram-se nas últimas semanas dois seminários da FIFA coordenados por dois homens que muito têm feito pelo crescimento da modalidade em todo o mundo: o suíço Angelo Schirinzi e o brasileiro Marcelo Mendes.

Schirinzi na Libéria

O seleccionador helvético Angelo Schirinzi visitou a Libéria, mais concretamente a capital Monróvia, onde empreendeu um curso de futebol de praia dirigido a treinadores e jogadores locais. Durante 5 dias, o player-coach da Suíça partilhou todo o seu conhecimento da modalidade, tanto por meio de aulas teóricas como através de lições práticas, em plena praia africana.

 

Schirinzi em acção de formação na Libéria, ensinando a teoria do futebol de praia aos treinadores locais. Um sucesso, esta iniciativa que olha para o futuro da modalidade.

 

Louvemos Schirinzi por esta iniciativa e façamos votos para que a Libéria comece a surgir no plano do futebol de praia internacional, com uma eventual aparição no apuramento africano para o Mundial 2011.

Marcelo Mendes no Irão

Por sua vez, Marcelo Mendes, actualmente no comando técnico da selecção dos Emirados Árabes Unidos, deu um saltinho ao Irão, onde administrou uma importante acção de formação. A escolha deste destino pode parecer um pouco estranha, se pensarmos que os iranianos já contam com 3 participações em campeonatos do mundo de futebol de praia. Na verdade, este seminário não se dirigia aos iranianos, mas sim às iranianas: por incrível que pareça, um país onde a discriminação sexista ainda é uma realidade já manifesta interesse na estruturação da modalidade a nível feminino!

O resultado da iniciativa foi muito positivo, visto que as treinadoras com quem Marcelo Mendes contactou já conheciam bem as regras, mostrando vontade e empenho sem precedentes na concretização deste projecto espectacular. Dentro de campo, nem o retrogradismo das normas de vestuário impediu que as atletas dessem provas conclusivas da sua qualidade e determinação, deixando bem patente que o futebol de praia feminino tem futuro no Irão.

 

Alexandre Soares ensina alguns truques às atletas iranianas, que começam a criar laços com a modalidade. Beach Soccer growing everywhere!

Alexandre Soares ensina alguns truques às atletas iranianas, que começam a criar laços com a modalidade. Sabem o que vos digo com um sorriso? Beach Soccer growing everywhere!

 

De facto, a organização de torneios para mulheres é já uma realidade neste país do Médio Oriente, que em breve deverá contar com uma selecção feminina da modalidade!

2. Competições Russas

Para quem segue o futebol de praia com um mínimo de atenção, não é novidade nenhuma que a Rússia tem vindo a crescer na modalidade de forma abismal, ostentando actualmente o estatuto de grande potência europeia e mundial. E o segredo passa muito pela existência de toda uma série de competições nacionais, nas quais dezenas de equipas lutam pelos mais variados títulos, possibilitando a emergência de inúmeros atletas, potenciais reforços da selecção nacional do país.

Após uma longa temporada de ligas regionais, mais competitivas do que se possa eventualmente pensar, jogadas durante o Verão, chega o campeonato russo propriamente dito, disputado pelo início do Outono, nos meses de Setembro e Outubro.

2. 1. Campeonatos Regionais

O Verão de 2010 foi rico em grandes eventos de futebol de praia. As provas internacionais da Liga Europeia, da Qualificação para o Mundial e do Mundialito foram acompanhadas por torneios nacionais, disputados um pouco por toda a Europa, com particular destaque para o campeonato italiano, que reúne os melhores jogadores de todo o mundo numa liga extraordinariamente competitiva. A Rússia não for excepção e também organizou eventos internos. No entanto, não foi um campeonato nacional a prova que os clubes russos disputaram durante todo esse tempo, mas si toda uma série de competições regionais, correspondentes às várias zonas dessa país imenso que é a Rússia.

O sistema por eles implementado é complexo e envolve muitas ligas, com formatos distintos, num emaranhado de competições que não é fácil de deslindar. No entanto, duas competições se destacam acima das outras: o campeonato moscovita e o a liga de São Petersburgo.

Campeonato de Moscovo

O campeonato moscovita é uma competição longa, dividida em várias etapas realizadas ao longo da temporada, que culminam numa fase final onde as 8 melhores equipas da região da capital lutam pelo título de Campeões de Moscovo. Esta liga conta com alguns internacionais russos, como o guarda-redes Bukhlistkiy, Leonov, Shaykov, Makarov e Eremeev (todos eles do Lokomotiv de Moscovo) e até alguns estrangeiros, como é o caso do suíço Dejan Stankovic (Lokomotiv de Moscovo) e do brasileiro Bruno Xavier (Strogino).

Este ano, a fase final decorreu entre os dias 1 e 5 de Setembro, terminando com a coroação dos atletas do Lokomotiv de Moscovo. A equipa fez uma excelente campanha no torneio, coleccionando 5 vitórias folgadas que dissiparam todas as eventuais dúvidas sobre quem seriam os czares de Moscovo. Na final, o colectivo de estrelas do Lokomotiv derrotou com classe os rivais do Strogino, por um resultado de 7-4.

 

A super equipa do Lokomotiv de Moscovo foi coroada campeã moscovita de futebol de praia 2010. Estão todos de parabéns, assim como os jogadores do Strogino, que deram uma excelente réplica!

A super equipa do Lokomotiv de Moscovo foi coroada campeã moscovita de futebol de praia 2010. Estão todos de parabéns, assim como os jogadores do Strogino, que deram uma excelente réplica!

 

Assim, muitos jogadores que fazem parte da selecção nacional russa acabaram por erguer o troféu, assim como Dejan Stankovic e o guarda-redes ucraniano Sydorenko. Excelente resultado, para uma equipa que treinada pelo capitão da selecção nacional Ilya Leonov.

Open Beach Soccer League

O campeonato de São Petersburgo, denominado Open Beach Soccer League, é também uma competição constituída por várias etapas de qualificação (5) e um torneio decisivo, onde se apura o campeão regional. A liga conta com algumas caras da selecção russa, nomeadamente Krasheninikov, Shakhmelyan e Aksenov, que representam o emblema do IBS, mas também o brasileiro André, da mesma equipa (é sem dúvida um dos melhores atletas da Canarinha que eu já vi jogar até hoje).

A temporada acabou com o triunfo da equipa do FC City, com uma vitória retumbante na final frente ao IBS, por expressivos 7-1, para a qual muito terão contribuído os irmãos Biryukov, com dois golos cada um. De realçar, no entanto, que a equipa do IBS não estava completa, ressentindo-se da falta de alguns dos seus principais jogadores. De qualquer modo, o FC City, campeão de São Petersburgo, está de parabéns e certamente que continuará a conquistar títulos no futebol de praia russo. Veremos como se comportam no campeonato nacional…

2.2. Campeonato Nacional

Contrariamente àquilo que poderíamos pensar, na Rússia, o campeonato nacional não se disputa no Verão, mas sim no início do Outono. É verdade: a competição mais  importante do futebol de praia russo está reservada para os meses de Setembro e Outubro, quando o tempo começa a esfriar e o futebol de praia europeu já se encontra totalmente parado!

Não obstante a peculiaridade desta calendarização, a prova parece ser muito bem organizada, contando com os principais emblemas de toda a Rússia na luta pelo título de campeão soviético! São várias equipas de diferentes zonas do país, sendo que algumas regiões são representadas por mais equipas do que outras. Por exemplo, Moscovo é a divisão territorial com direito a um maior número de clubes, por ser a região onde o futebol de praia tem mais expressão em termos de resultados.

O formato do campeonato nacional é muito simples: dois torneios compõem a competição, sendo que o primeiro consiste numa fase de qualificação para as equipas menos cotadas e o segundo corresponde ao verdadeiro campeonato nacional. No torneio de apuramento, que se realizou entre os dias 23 e 26 de Setembro, 8 clubes de segunda linha lutaram por 3 lugares na fase final, na elite russa. O campeonato nacional propriamente ditou começa dia 27 de Setembro, terminando a 3 de Outubro. Ambas as etapas têm lugar na região russa de Anapa.

Ronda de apuramento

Na fase de qualificação, as três equipas apuradas foram:

* Golden St. Petersburg (São Petersburgo)

* Millennium Báltico (Moscovo)

* Vira Maina (Krasnodar)

 

Imagem relativa a um jogo do torneio preliminar de apuramento para a fase final do Campeonato Russo.

Imagem relativa a um jogo do torneio preliminar de apuramento para a fase final do Campeonato Russo. Muito competitiva, esta liga, sinal de evolução.

 

Basicamente, as 8 equipas dividiram-se em 2 grupos de 4 clubes cada, sendo os jogos da fase de grupos disputados entre 23 e 25 de Setembro. O Golden St. Petersburg foi vencedor do grupo B com  8 pontos (3 vitórias, 1 delas em grandes penalidades), enquanto o Millenium Báltico venceu o grupo A com 6 pontos (2 vitórias  1 derrota). Para apurar o terceiro clube a avançar para a fase final, procedeu-se a um play-off entre as equipas classificadas em 2º lugar nos dois grupos: Vira Maina e Volga Plage. O conjunto de Krasnodar (Vira Maina) acabou por sair vitorioso, conseguindo a passagem ao campeonato nacional.

A grande fase final

A fase final conta com aqueles que são considerados os 16 melhores emblemas do país: 13 equipas previamente definidas, que tiveram entrada directa na fase final, e os 3 clubes que se apuraram no torneio preliminar. As equipas foram divididas em 4 grupos de 4 equipas cada, num formato muito simples, igual ao de um campeonato do mundo de futebol de praia. Entre os dias 27 e 29 de Setembro, tem lugar a fase de grupos. As eliminatórias, com a participação das 8 sobreviventes, serão disputadas de 1 a 3 de Outubro, com a grande final de Domingo a coroar o campeão russo de 2010!

Eis os grupos da competição, determinados por meio de um sorteio realizado no dia 26 de Setembro em Anapa.

Grupo A

A1 – Millennium Báltico (Moscovo)
A2 – Zhuravel Auto (Samara)
A3 – Mundo Komvek (Rostov-na-Donu)
A4 – Golden St. Petersburg (São Petersburgo)

Grupo B

B1 – Strogino (Moscovo)
B2 – Progress (Lipetsk)
B3 – Kronstadt Promenade (Kaliningrado)
B4 – Sharp (Krasnogorsk)

Grupo C

C1 – Lokomotiv (Moscovo)
C2 – Midsection (Rostov-na-Donu)
C3 – IBS (São Petersburgo)
C4 – Soviet Wings (Samara)

Grupo D

D1 – Vikings MGUP (Moscovo)
D2 – Delta (Saratov)
D3 – FC City (São Petersburgo)
D4 – Vira Maina (Krasnodar)

O grupo da morte é o grupo C, pois inclui aqueles que são provavelmente os principais candidatos à vitória final: o Lokomotiv de Moscovo (Bukhlitskiy, Shaykov, Makarov, Shkarin, Gorchinskiy e o suíço Stankovic) e o IBS de São Petersburgo (Ippolitov, Shakhmelyan, Krasheninikov e os brasileiros André e Daniel). Além disso, no grupo C está também o Soviet Wings, equipa da região de Samara que conta com o jovem brasileiro Fernando Ddi, grande goleador que já vestiu as cores do Sporting Clube de Portugal este Verão.

Quem será Campeão?

Só para rematar, aposto na equipa do Lokomotiv de Moscovo para campeã russa. A equipa engloba mais de metade dos jogadores que são a base da equipa russa e é treinada pelo experiente Mikhail Likhatchev, auxiliado pelo valoroso Ilya Leonov, capitão da selecção nacional do seu país, que representa uma excelente voz de comando junto dos seus companheiros de equipa. Além disso, Dejan Stankovic, com a magia que o faz ser considerado melhor jogador do mundo, pode ser sempre uma mais valia para a equipa. Apesar de tudo, a equipa do IBS também se apresenta em grande plano, com os dois reforços brasileiro André e Daniel de volta, acompanhando alguns jogadores da selecção russa no sonho de serem campeões.

E claro, não nos esqueçamos do FC City, actual campeão da São Petersburgo, com uma equipa muito organizada, susceptível de causar grandes dificuldades a qualquer um! Numa segunda linha de candidatos, gostaria de destacar o Strogino, equipa moscovita que conta com muita experiência e jogadores de qualidade, embora não me pareça que tenham grandes condições para derrotar equipas como Lokomotiv de Moscovo ou IBS.

Está lançado o campeonato russo de futebol de praia 2010. Só nos resta esperar pelo desenlace…

2.3. Outras movimentações

Entretanto, os russos têm dado outros passos importantes no sentido de desenvolver rapidamente a modalidade. Uma das razões pelas quais eu digo isto é a criação de uma selecção nacional de júniores, com base num conjunto de jogadores que se destacaram nas provas juvenis, disputadas pelo país fora. Este desejo já se vinha a manifestar desde há alguns meses, mas só em meados de Setembro surgiu a confirmação. E, para ocupar o cargo de treinador desta jovem selecção, nada mais nada menos do que Nikolai Pisarev, o antigo técnico da equipa sénior. Não há dúvida, a Rússia está a apostar em força no futuro do futebol de praia do seu país!

Procura-se treinador para a Rússia!

Porém, se a equipa júnior já conhece o nome do seu treinador, o mesmo não se passa com a selecção principal, persistindo as negociações com o intuito de escolher o próximo treinador da equipa. Em Maio de 2010, o antigo técnico, Nikolai Pisarev, for obrigado a deixar o cargo devido a compromissos com projectos de futebol de onze. Na altura, o posto foi ocupado pelo treinador adjunto, Mikhail Likatchev, que desempenhou a tarefa com distinção até final de Agosto, ajudado pelo capitão de equipa, Ilya Leonov. No entanto, tratava-se apenas de uma situação provisória, que não se deveria prolongar durante muito tempo.

Chegou a ser colocada a hipótese de o próprio Leonov vir a orientar a selecção russa no futuro, mas o número 8 não admitia a possibilidade de combinar os cargos de treinador e jogador, preferindo dedicar-se exclusivamente ao trabalho de atleta, aproveitando a sua enorme frescura física (ainda tem muitos anos de futebol de praia pela frente). Assim, partindo do princípio que a solução não passaria pela continuidade de Likatchev, que até me pareceria uma boa opção, a federação russa entrou em negociações com técnicos estrangeiros, entre os quais alguns brasileiros que estão livres actualmente, mas sobretudo com o francês Eric Cantona, que já tinha sido convidado em Maio (na altura recusou em virtude de um compromisso com a selecção francesa).

Eric Cantona!?!?! Na Rússia!?!?!

A vinda de Eric Cantona seria praticável, na medida em que as suas funções na equipa gaulesa podem ter chegado ao fim. Recorde-se que a França deu um claro passo atrás no panorama do futebol de praia europeu, ao ser despromovida da divisão A da Liga Europeia, perdendo o estatuto de equipa de primeira linha que ostentara durante mais de 10 anos. Assim, pouco entusiasmado com a disputa da divisão B da Euro Liga, talvez Cantona aceite desta vez a tentadora oferta de treinar uma das melhores selecções da Europa, juntando a sua garra e determinação à frieza e força física dos russos. A concretizar-se, será bastante interessante ver a Rússia treinada por Eric Cantona. Pensem na frieza e na força física dos russos enquanto apreciam o melhor de Cantona neste pequeno vídeo:

Uma combinação Rússia-Cantona seria algo assustador! Mas ainda não existem certezas…

3. O Samba das Praias Brasileiras

Com a chegada do Outono ao hemisfério norte a temporada russa atinge o auge e termina abruptamente, logo após o jogo da final. Pelo contrário, no Brasil, país que detém a hegemonia quase perfeita do futebol de praia desde o nascimento da modalidade, a época acaba de começar, com a aproximação das estações do ano com temperaturas mais elevadas…

Assim, começam a ser disputados pequenos torneios de preparação, de carácter amigável, que visam a preparação dos atletas para os compromissos futuros. O ponto culminante de todo este processo será o tão esperado Campeonato Brasileiro, a realizar em São Paulo meados de Novembro (13 a 21). No entanto, as competições nacionais não são o único aspecto digno de referência no actual panorama brasileiro, já que a selecção Canarinha vai aproveitando o tempo disponível para treinar um pouco e realizar alguns amistosos com outras equipas.

3.1. Torneios de preparação: Clubes e Estados

No Brasil, o futebol de praia encontra-se organizado de acordo com as divisões territoriais, ou seja, as principais equipas que disputam as provas nacionais são as selecções dos diversos estados brasileiros. Estes conjuntos devem ser maioritariamente compostos por atletas oriundos do estado que representam, embora possam ocorrer algumas trocas, acompanhadas de convites a jogadores estrangeiros.

Vasco da Gama e Botafogo são pioneiros

Porém, a dimensão dos clubes começa agora a ser valorizada no Brasil, com o surgimento de interesses por parte de alguns emblemas históricos do futebol de onze, como é o caso do Botafogo e do Vasco da Gama. Mas esta excelente notícia não vem só, dado que cada um destes clubes apresentam não apenas uma secção masculina, como também uma equipa feminina, o que contribui em grande medida para a aproximação das mulheres brasileiras à modalidade, rompendo estereótipos e quebrando preconceitos!

Foi na sequência desta iniciativa corajosa e empreendedora por parte dos dois clubes (ambos do Rio de Janeiro) que se realizou no Brasil um pequeno evento, que consistiu num par de jogos entre os dois emblemas, sendo o primeiro destinado às mulheres e o segundo um combate masculino. Houve algum equilíbrio no balanço final, visto que tanto o Botafogo como o Vasco da Gama saíram vencedores de um dos confrontos e foram derrotados no outro.

Quadrangular de Selecções Estaduais c/ Bahrein

De qualquer forma, as selecções estaduais continuam a representar o cerne do futebol de praia no país e foi com o intuito de preparar o campeonato brasileiro que algumas destas equipas decidiram participar num torneio quadrangular de treino, que decorreu no fim-de-semana de 23 a 26 de Setembro. O evento teve lugar no estado do Maranhão, contando com a equipa da casa, as selecções estaduais de Ceará e Raposa, e o Bahrein, orientado por Gustava Zloccowick (Guga), que o utilizou como preparação para o apuramento para o mundial.

De destacar ainda que, no dia 18 de Setembro, as equipas dos estados de nordeste de Alagoas e Pernambuco se defrontaram num encontro amigável, disputado no Recife. Esta partida foi precedida por um jogo entre as selecções de sub 17 destes dois estados. Mais um exemplo da forma séria como os brasileiros encaram a modalidade e olham para o seu futuro a longo prazo…

3.2. Inauguração do campo de treinos do CEFAN: Amistoso diante da Argentina

Apesar de todas as mudanças estruturais que o futebol de praia brasileiro verificou em 2010, o principal marco deste ano no panorama do beach soccer no país foi a fundação de uma sede para a selecção brasileira da modalidade, que será o local oficial de todos os treinos da equipa a partir deste mês. O CEFAN (Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes) está situado no Rio de Janeiro, sendo o resultado da cooperação entre a CBBS (Confederação Brasileira de Beach Soccer) e a Marinha do Brasil. Representa, indiscutivelmente, um passo decisivo no crescimento da modalidade no Brasil, bem como um exemplo para as restantes potência do futebol de praia.

Transcrevo a seguir o comentário de Júnior Negão, coordenador das selecções nacionais de futebol de praia do Brasil, a propósito desta iniciativa tão salutar:

” Agora temos uma casa. Já conquistamos muitos títulos, a Seleção Brasileira já venceu tudo, mas essa é a maior conquista do beach soccer brasileiro.”

Brasil 2 – 0 Argentina

E o futuro local de estágios da selecção brasileira não podia ser inaugurado de outra forma que não um grande jogo de futebol de praia, entre a equipa da casa e um grande rival sul-americano, num encontro de carácter amigável muito apelativo: Brasil vs Argentina! Assim, no passado dia 10 de Setembro, Canarinhos e Albicelestes disputaram a vitória numa partida muito equilibrada, que tornou a cerimónia de inauguração do campo de treinos numa verdadeira festa do futebol de praia, que acabou por ser completa com o triunfo do Brasil, por 2-0.

 

Cena do confronto entre Brasil e Argentina. Na imagem, o craque Benjamim tenta passar pelo argentino Levi, no contexto de uma partida muito disputada.

Cena do confronto entre Brasil e Argentina. Na imagem, o craque Benjamim tenta passar pelo argentino Levi, no contexto de uma partida muito disputada.

 

Como se esperava, foi uma batalha muito disputada, pautado pela solidez defensiva de ambas as equipas, que se conheciam muito bem (foi o quarto encontro entre as duas selecções no ano de 2010, sendo que os brasileiros venceram os 4 jogos). O Brasil, campeão do mundo, favorito em qualquer partida, precisou de muita concentração e preserverança para levar de vencida uma Argentina muito consistente, em resultado de um eficaz processo de renovação que iniciou este ano. O marcador ilustra bem a natureza do jogo, com apenas 2 golos em 36 minutos, o que não significa que o jogo não tenha sido interessante!

Não vi o jogo, pelo que todas estas informações são o resultado das minhas pesquisas. O jogo começou de forma muito cautelista, ficando os golos e a emoção reservadas para os períodos subsequentes. Foi assim que, no 2º período, o experiente Betinho, na sequência de um livre, inaugurou o marcador: 1-0 favorável ao Brasil. A reacção argentina não se fez esperar, com a equipa dos pampas a criar várias situações, que não se concretizaram graças à boa actuação de Mão. O 3º período trouxe um Brasil mais forte, que soube controlar o jogo, apesar do espírito combativo da Argentina. Uma finalização eficaz por parte de Sidney após roubo de bola foi o suficiente para ampliar a vantagem para 2-0.

Ficha de jogo:

Local: CEFAN (Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes).

Resultado: Brasil 2 – 0 Argentina.

Brasil: 5 inicial – Mão (GR), Bueno, Betinho, Sidney e Benjamin. Suplentes utilizados- Vinícius, Juninho, Bruno Malias, Bernardo, Fred e Jorginho. Capitão: Benjamim. Treinador: Alexandre Soares.

Argentina: 5 inicial – Mendoza (GR), Galván, Franceschini, Leguizamon e De Ezeyza. Suplentes utilizados – Levi, Dallera, Vivas e Rodrigues Larreta. Capitão: Mendoza. Treinador: Hector Petrasso.

Golos: Brasil – Betinho (2º período), Sidney (3º período).

3.3. Brasil vai jogar ao Chile

Entretanto, a selecção brasileira de futebol de praia foi convidada para outro evento, a decorrer num futuro próximo, também de cariz amigável. No entanto, desta vez, o opositor é a perigosa equipa chilena, que detém o registo honroso de ter sido a única selecção nacional a conseguir vencer o Brasil em 2010, graças ao surpreendente triunfo do Chile sobre o Brasil por 11-8 na Copa Latina em Janeiro, no vídeo em baixo. Ora, o palco do reencontro entre os dois rivais não poderia ser mais favorável ao Chile do que a cidade costeira de Valparaíso, banhada pelas águas azuis do Oceano Pacífico.

Agora, o Chile tentará repetir a proeza de bater os campeões do mundo em casa, diante dos seus adeptos, num teste às capacidades organizativas da federação de futebol do país. Mas, se os jogadores chilenos tencionam mostrar que a vitória em Janeiro não foi casual, vencendo novamente, os brasileiros, por seu turno, sentem a necessidade de vingar a tragédia da Copa Latina, aliada à vontade de ganhar que surge sempre associada à selecção Canarinha de futebol de praia.

Contudo, para ambas as equipas, o jogo tem outro nível de importância: constitui um momento de preparação para as eliminatórias de apuramento da América do Sul para o Mundial 2011, fomentando a implementação e aperfeiçoamento de processos e estimulando a união entre os jogadores, factores cruciais para conseguir a almejada qualificação. O Brasil utilizará o evento também com o intuito de testar alguns jogadores mais jovens.

Eis, pois, as listas de convocados de cada selecção:

Brasil (orientado por Alexandre Soares):
Mão (GR), Tiago (GR), Buru, Betinho, Bueno Andersen, Sidney, Ricardinho, Adiélson e Benjamin (capitão).
Chile (orientado por Carlos Figueroa):
Echeverria (GR), Torres, Argote, Mena (capitão), Palma, Febre (GK), Medalla, Ragusa, Durán, Gonzalez, Albuerno e Belaúnde.

De notar, na Brasil, a ausência de Bruno Malias, devido a uma lesão contraída nos treinos, e dos atletas Daniel e André, que se encontram na Rússia para disputar o campeonato nacional do país ao serviço do IBS de São Petersburgo. A convocatória de Alexandre Soares fica também marcada pelas estreias de Tiago, Ricardinho e Adiélson, jovens jogadores que poderão ser o futuro do futebol de praia brasileiro.

No Chile, são notórias as ausências de Sanhueza e Medina, elementos fundamentais na equipa que deram um contributo importante na vitória chilena de Janeiro. No entanto, Torres, Argote e o capitão Mena são também figuras de destaque, que certamente saberão levar a sua selecção pelo caminho certo.

Enfim, será um grande jogo, com transmissão directa via Rede Globo. Eu vou tentar acompanhar pela Internet!

3.4. Mundial de clubes?

Como todos sabemos, o futebol de praia é uma modalidade que se encontra ainda pouco desenvolvida em termos de clubes, assumindo um cariz demasiado amador em praticamente todos os países, salvo raras excepções. A liga italiana, inquestionavelmente a mais competitiva do mundo, constitui o melhor exemplo da inversão desta tendência, representando por excelência a profissionalização do futebol de praia. No entanto, as competições internacionais de clubes, entre equipas regionais de países diferentes, são ainda uma miragem (ou algo muito aproximado) no panorama do futebol de praia. Como resolver esta situação?

Uma solução possível, muito cativante, por sinal, seria a instituição de um campeonato mundial de clubes, a realizar anualmente, disputado pelas equipas vencedoras das competições nacionais dos respectivos países. Por exemplo, um evento a realizar em 2011 contaria com os campeões nacionais de 2010 de Portugal, Itália, Brasil, Rússia e muitos outros países, reunidos na mesma competição, na luta pelo título mundial. O Sporting e o Milano Beach Soccer, por exemplo, teriam lugar garantido, prometendo muito espectáculo e emoção aos (tel)espectadores em todo o mundo.

 

Joan Cusco, coordenador do futsal e do futebol de praia na FIFA

Joan Cusco, coordenador do futsal e do futebol de praia na FIFA

 

Foi com esta intenção que Joan Cusco, Presidente da Secção de Futsal e Futebol de Praia da FIFA, empreendeu uma visita a São Paulo, cidade brasileira com uma forte tradição de futebol de praia, que vai colher o próximo Campeonato Brasileiro da modalidade. O distinto membro da organização sugeriu uma proposta aliciante: a realização de uma espécie de Mundialito de Clubes de Futebol de Praia, em pleno Brasil, reunindo as melhores equipas de todo o mundo e, sobretudo, os melhore jogadores. Naturalmente que a proposta foi feita na presença dos dirigentes de outras organizações e patrocinadores do futebol de praia brasileiro, tendo Joan Cusco enaltecido a importância do trabalho da Federação Paulista de Futebol de Praia na dinamização da modalidade.

Um Mundialito de Clubes seria de facto uma ideia extraordinária. No entanto, vejo um problema de peso na proposta apresentada por Cusco: a falta de tempo para organizar uma tal competição, dado que os primeiros meses do ano vão estar demasiado preenchidos com as eliminatórias de qualificação para o Mundial 2011, as preparações para a grande competição global e o próprio campeonato do mundo, enquanto os restantes serão absorvidos pela longa temporada europeia.

Enfim, são estas as novidades dominantes do Futebol de Praia no Mundo durante este último mês. Peço desculpa pela extensão do texto e pelo atraso na postagem, mas a verdade é que este post ultrapassou o âmbito da semana, referindo-se a todo o conjunto de acontecimentos do nono mês do ano.

Espero que tenham gostado das partes que leram e que o texto possa vir a ser útil para alguém!

Por favor, deixem comentários se tiverem alguma coisa a dizer! O vosso contributo é sempre fundamental, ainda para mais numa iniciativa desta envergadura!

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Portugal Campeão Europeu de Futebol de Praia 2010!

11 dias decorridos sobre a triunfal conquista da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010, a minha insuperável alegria de adepto fervoroso da selecção nacional ainda não se esgotou e continua a fazer sorrir a minha alma feliz.

Será fácil compreender que, mais de uma semana depois do feito heróico dos guerreiros das areias lusitanas, o sentimento vitorioso que dominou o meu estado de espírito tenha sido de alguma maneira atenuada pelo tempo. De facto, é esta a infeliz razão pela qual não conseguirei traduzir da forma mais adequada o entusiasmo e o deslumbramento com que vivi estes belíssimos momentos do futebol de praia nacional.

No entanto, esta fantástica experiência emocional permanece bem viva na minha mente e será com um enorme prazer que sempre recordarei cada instante daquele dia estóico. Memórias que nunca se apagarão, podem crer.

Uma coisa é certa: Portugal venceu a Liga Europeia de Futebol de Praia 2010 e sagrou-se campeão europeu da modalidade desportiva mais espectacular do planeta! Parabéns a todos, pessoal! Foram extraordinários!

Festejos dos jogadores portugueses no momento em que recebem a taça!

No momento em que o capitão português Madjer ergueu a taça da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010, todos os jogadores e membros da equipa técnica festejaram efusivamente a grande conquista do desporto nacional! Somos enormes! Grande feito! Parabéns, Portugal!

Liga Europeia de Futebol de Praia 2010: Superfinal em Lisboa

Para quem não se encontra dentro do assunto, direi rapidamente que a Liga Europeia de Futebol de Praia consiste na numa competição anual, que compreende uma fase regular (composta por várias etapas) e uma Superfinal, sendo todos estes torneios disputados ao longo dos meses de Verão, em diferentes locais do continente europeu. Sendo considerada a competição mais importante do futebol de praia europeu, todas as grandes selecções ambicionam a sua conquista, numa série de combates épicos cujo vencedor final sai de sobremaneira glorificado.

Em 2010, após uma fase regular muito dinâmica com 4 etapas disputadas em Moscovo, Marselha, Lignano Sabbiadoro e Haia, a Superfinal foi disputada em Lisboa, entre os dias 26 e 29 de Agosto, sendo o palco escolhido para o evento a arena montada no Terreiro das Missas, mesmo em frente ao Palácio de Belém. Seguindo este link, poderão encontrar informação detalhada acerca do evento, incluindo as equipas participantes e o formato da competição.

Portugal em Grande no Grupo A da Superfinal

Ora, na grande Superfinal da Liga Europeia, a selecção nacional de futebol de praia, jogando diante dos seus adeptos, não tinha outro pensamento em mente que não a vitória no torneio e a conquista do título de campeão europeu! Foi com esta disposição que os jogadores portugueses entraram em campo, demonstrando uma energia e uma vontade sem precedentes. Portugal apresentou uma mistura inteligente de concentração, paciência e criatividade, praticando um futebol de praia elegante e eficaz, dedicando também particular atenção ao aspecto defensivo.

Foi graças a esta postura de campeões (porque foi essa a postura ostentada pelos nossos atletas) que Portugal passou no primeiro teste com distinção, superando com classe os seus dois primeiros adversários, passo a citar, a imprevisibilidade dos surpreendentes romenos e a frieza física tipicamente russa. Para ser mais específico, direi que a selecção portuguesa goleou a Roménia por 6 bolas a 1 e venceu a Rússia com 4 golos contra 2 da equipa de leste.

A solidez defensiva foi um dos pilares da selecção nacional ao longo do torneio.

A solidez defensiva foi um pilar fundamental da selecção nacional ao longo do torneio, com apenas 5 golos sofridos em 3 jogos. Na imagem, Bruno Novo atrasa a bola para o guarda-redes João Carlos, na ponta final do Portugal vs Roménia, que Portugal venceu por 6-1.

Assim, com dois triunfos em outros tantos jogos, Portugal alcançou o 1º lugar no grupo A da Superfinal, com 6 pontos, enquanto a Rússia, que derrotara a Roménia por 6 bolas a 4, se classificou na 2ª posição com 3 pontos, deixando os romenos no derradeiro posto do grupo sem terem pontuado. A vitória no grupo dava acesso directo à final, pelo que Portugal marcaria presença no tão esperado jogo do título, a ter lugar no Domingo, 29 de Agosto. Na grande final, Portugal defrontaria a Itália, vencedora do grupo B. Os resultados de todos os jogos da fase de grupos, as classificações finais dos grupos e os resumos dos três primeiros dias de competição estão disponíveis aqui.

A Final!

Uma vez eliminada a perigosa selecção russa, actual grande rival de Portugal na luta pela hegemonia europeia, Portugal tinha todas as condições para recuperar o título continental, precisando para isso de vencer apenas mais um jogo. Mas o adversário não ia ser nada fácil, pois a Itália surgia em Lisboa muito renovada, com um novo treinador que revolucionara positivamente a equipa, lançando os Azurri num colossal rumo vitorioso que só poderia ser quebrado por uma grande equipa. Portugal precisaria assim do seu melhor futebol de praia para levar de vencida uma selecção disposta a tudo para conseguir o título europeu!

Componente circunstancial 1: Belchior suspenso, Madjer lesionado

Todavia, Portugal encontrou várias adversidades neste jogo decisivo da Liga Europeia 2010. A ausência forçada de Belchior, suspenso por acumulação de cartões amarelos nos jogos anteriores, era naturalmente um contratempo ao qual o seleccionador nacional José Miguel Mateus teria de saber reagir. Além disso, Madjer, que havia sido o herói do dia anterior frente à Rússia, ainda não estava a 100%, fruto de uma lesão lombar que ainda não tinha ultrapassado completamente.

A situação agravou-se no decorrer do jogo, quando o número 7 de Portugal, ainda no 1º período, numa queda infeliz decorrente de uma das suas espectaculares acrobacias, se ressentiu da sua fustigantes lesão e teve de abandonar o campo, envolto num mar de dores que não podiam ser bom presságio. Ainda assim, graças ao bom trabalho do enfermeiro Farinha e à força de vontade inesgotável de João Vítor Saraiva, o Madjer ainda voltou a entrar em campo, mas fez menos minutos do que costuma e o seu rendimento foi mais baixo do que o habitual, apesar de ter ficado muito perto do golo por várias ocasiões.

Esta coragem do capitão português, disposto aos mais penosos sacrifícios na luta pela vitória, faz de João Vítor Saraiva um grande jogador!

Madjer numa das suas fabulosas acrobacias, ainda no 1º período de jogo, que acabariam por agravar a sua lesão. Esta coragem do capitão português, disposto aos mais penosos sacrifícios na luta pela vitória do seu país, faz de João Vítor Saraiva um grande jogador! Magnífico!

Componente circunstancial 2: Azar com os ferros, Rasulo e Del Mestre.

Além dos problemas associados à ausência de Belchior e aos problemas físicos de Madjer, Portugal não foi bafejado pela sorte neste derradeiro jogo da temporada europeia. Por duas vezes os jogadores portugueses acertaram nos ferros da baliza transalpina: a primeira num livre directo de Jordan, cujo tiro de raiva embateu violentamente no poste, a segunda no remate desafortunado de Alan, com a bola a ressaltar na areia e a subir demasiado, tocando na barra e passando por cima da baliza italiana.

Foram de facto muitos os remates lusitanos que não conheceram as redes Azurras por puro milagre, também porque os guarda-redes adversários protagonizaram uma série de defesas impossíveis, como uma defesa de Rasulo com as pernas a um remate poderoso de Madjer e uma defesa também com os membros inferiores de Del Mestre, que no início do 3º período parou incrivelmente um fantástico pontapé de bicicleta de Jordan. Enfim, foram estas apenas algumas das situações em que o azar bateu à porta de Portugal, mas acreditem, estimados leitores, que não foram as únicas.

Superação Total: Fulgor Lusitano!

Como facilmente terão percebido, não foi nada fácil a tarefa portuguesa nesta final da Liga Europeia. A excelente qualidade evidenciada pelos adversários, os contratempos referentes a problemas com os nossos jogadores e a falta de sorte que acompanhou Portugal até ao apito final do árbitro constituíram um forte entrave ao triunfo da equipa das quinas, que teve de dar o seu melhor para alcançar a almejada vitória.

Não obstante todas adversidades anteriormente numeradas, os jogadores da selecção nacional portaram-se como verdadeiros heróis, lutando com todas as suas forças, alimentados pelo desejo de colocar o nome do seu país no lugar mais alto do pódio. Aplicando na perfeição os processos de jogo implementados pelo seu treinador, cumprindo todas as indicações do mestre tanto a atacar como a defender, Portugal protagonizou uma excelente exibição, alicerçada numa base defensiva muito sólida e na técnica fantástica dos seus jogadores, capazes de desequilibrar o encontro a qualquer momento.

O jogo: Até ao golo de Gori

A Itália manteve-se sempre na discussão do resultado, com grande espírito guerreiro, e apesar da superioridade lusitana, nunca desanimou, o que proporcionou uma grande final.

A Itália manteve-se sempre na discussão do resultado, com grande espírito guerreiro e nunca desistiu, o que proporcionou uma grande final. Na imagem, os jogadores italianos entoam a letra do hino nacional do seu país antes do encontro com Portugal.

Que grande jogo de futebol de praia e que grande conquista da selecção nacional! Praticamente entrou no jogo a perder (1-0) num bom lance de Corosiniti, mas conseguiu empatar (1-1) apenas alguns minutos volvidos, num portentoso remate longínquo de Alan, que veio na sequência de uma fantástica reacção por parte da equipa das quinas! E foi com muita garra, muita dedicação, que procurou o golo até ao fim do 1º período, ainda que sem sucesso. Mas o 2º período também começou com Portugal no ataque e, após uma sucessão de oportunidades por concretizar, Bruno Novo apontou o seu primeiro golo da tarde, num remate acrobático de belo efeito, após passe de Paulo Graça. Um grande golo que deu a vantagem (2-1) mais que merecida àquela que estava a provar ser a melhor equipa.

O 2º período continuou a ser totalmente controlado por Portugal, que tentou ampliar a vantagem, ainda que sem êxito. Ora, na derradeira etapa do encontro, a selecção nacional entrou a todo o gás, em busca do golo da tranquilidade, remetendo os jogadores italianos para o seu meio-campo e reafirmando a determinação lusitana em vencer a partida. Contudo, o terceiro tento português não se verificou e foi mesmo a Itália quem, numa das muito raras  situações de perigo para a baliza de Paulo Graça, chegou ao golo: o estreante Gori empatou a partida (2-2) num espectacular pontapé de bicicleta, que consternou o Terreiro das Missas, numa onda de apreensão que gelou os adeptos…

O jogo: Os melhores vencem no final numa explosão de emoções.

Faltavam nessa altura cerca de 5 minutos para o fim do encontro. A final empatada, entre dois titãs do futebol de praia europeu. Um estádio inteiro sustendo a respiração, aguardando um desfecho emocionante para um jogo que seria, com toda a certeza, épico. Estaria a Itália em vantagem psicológica, atendendo ao contexto em que o tento de Gori surgiu? Talvez, mas Portugal continuou a fazer o seu jogo, com serenidade e confiança, sem nunca se desorientar e mantendo sempre o rumo correcto. A consistência táctica de Portugal não foi nada afectada, o que permitiu conter de forma impecável o ímpeto italiano, que não causou estragos na defensiva lusitana. Vigiada a situação a nível defensivo, era urgente repor a vantagem no marcador, algo que requereria um acto de bravura, um momento de inspiração apenas possível para um grande jogador! E, desta vez, esse grande jogador não foi Madjer, nem Alan, nem Belchior, mas sim o grande Bruno Novo!

Uma corrida desconcertante do número 18 de Portugal por entre os defesas italianos colocou o nosso jogador em excelente posição para receber o lançamento de Paulo Graça, que funcionou como um passe soberbo para o remate violentíssimo do Bruno Novo, na direcção das baliza transalpina. Apesar da pontaria e da potência do pontapé, o implacável Del Mestre ainda conseguiu conter esta tentativa do herói da Nazaré, mas nada pode fazer contra a recarga vitoriosa do atleta lusitano: recepção sublime com o joelho direito e tiro certeiro com o pé esquerdo, com a bola a passar rente ao poste sem grandes hipóteses para o pobre guarda-redes Azurri.

Era a loucura no estádio de Belém! O público de pé, a gritar e a aplaudir a nossa selecção! Ambiente ao rubro nas bancadas, com os espectadores em êxtase graças à vantagem de Portugal! Os atletas a festejar, de forma efusiva, o brilhantismo do Bruno Novo, em particular o próprio, que esboçou uma série de gestos triunfais enquanto berrava, celebrando o 3-2, apenas antes de ser abalroado pelo Bilro, também ele em delírio!

E foi com num clima de grande tensão que assistimos (pois eu estava lá) aos 3 últimos minutos do jogo, em que o espírito de entreajuda e a solidez defensiva demonstrados pela nossa selecção conseguiram assegurar a inviolabilidade das redes lusitanas! Paulo Graça impecável, defendendo um livre perigoso de Carotenuto, a menos de 1 minuto do fim, foi juntamente com Bilro, Marinho e Coimbra o herói dessa fase do jogo, na qual o resultado não sofreria alterações. O apito final acabou por soar, 36 minutos decorridos desde o início deste jogo memorável, que consagrou Portugal campeão europeu de futebol de praia 2010!

Este vídeo diz respeito aos derradeiros instantes do jogo, a partir da defesa de Paulo Graça ao livre de Carotenuto, incluindo o princípio da festa. Agradeço ao adepto (desconhecido) que filmou o vídeo, proporcionando um enriquecimento deste post no meu blogue!

A Festa depois do jogo: Absolutamente descomunal!

É verdade que chorei. Sim, chorei, e não me envergonho disso, antes pelo contrário: acho que expressei verdadeiramente os meus mais profundos sentimentos naquele momento e fico feliz por pensar que vivi esta experiência extraordinária em toda a sua dimensão. Não numa perspectiva de fanatismo (o que pode ser facilmente refutado se tivermos em conta os autógrafos que pedi a jogadores de outras selecções no decorrer do evento), mas de uma forma saudável que me permitiu desfrutar ao máximo deste triunfo histórico e desta alegria imensa que foi assistir ao vivo pela primeira vez a uma grande conquista da selecção nacional.

Mas, embora os meus rituais sejam raros entre os restantes membros da plateia, ninguém foi indiferente ao grande feito que o futebol de praia português acabava de alcançar, algo que foi bem visível na forma como o público participou na festa e aplaudiu com entusiasmo os grandes heróis das areias lusitanas! Sim, todo o estádio vibrou em uníssono com a magia da selecção nacional, cuja bravura e dedicação às cores nacionais lhe proporcionou um brilhante título europeu! E foi decerto um dia especial na carreira dos atletas, assim acarinhados pelo apoio do público da capital!

Os heróis lusitanos celebraram efusivamente a conquista da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010! Novamente Campeões Europeus! Parabéns a todo este grupo fantástico! São os maiores!

Os heróis lusitanos celebraram efusivamente a conquista da Liga Europeia de Futebol de Praia! Novamente Campeões Europeus! Parabéns a todo este grupo fantástico! São os maiores!

O momento em que o troféu foi entregue à selecção nacional foi inesquecível e marcou mais um passo na História do futebol de praia nacional e europeu. Somos novamente Campeões da Europa! Parabéns a todos, amigos!

Madjer, Melhor Jogador do Torneio (outra vez)

A distinção do Madjer como melhor jogador do torneio foi um prémio justo pela forma corajosa como o lendário craque português entrou em campo, numa luta dupla contra os seus adversários e uma lesão fustigante que o atormentou durante toda a competição. O Madjer fez tudo o que podia, pondo em risco a sua própria integridade física para servir o país ao qual tanto tem dado, acabando por se revelar determinante para a conquista do troféu, dada a imprescindibilidade do seu hat trick frente à Rússia para que Portugal marcasse presença na final.

A imagem aguerrida do capitão luso, que mesmo a precisar de uma cama ficou diversas vezes perto do golo diante da Itália, faz dele uma figura incontornável da modalidade na Europa e o jogador que, sem dúvida alguma (e sem querer tirar mérito ao Stankovic) mais merecia esta distinção (foi considerado melhor jogador da Liga Europeia pela 5ª vez). Enquanto o Madjer recebia o distintivo das mãos do doutor João Morais, com a mão atrás das costas de maneira a aliviar as dores, o público delirava com a atribuição do prémio individual mais honroso ao grande craque português.

Grandes jogadores! Mas que trio!

Madjer, eleito melhor jogador da Liga Europeia de Futebol de praia 2010, juntamente com os vencedores dos outros prémios: Andrey Bukhlitskiy, melhor guarda-redes, e Dejan Stankovic, melhor marcador do evento com 8 golos. Mas que trio! Parabéns aos três, sobretudo ao Madjer!

Gostaria também de dizer, rapidamente, num parênteses rápido, que havia outros jogadores na selecção nacional com credenciais para conquistar o prémio de melhor jogador, nomeadamente o Alan, elemento fundamental na conquista do troféu, determinante na construção do jogo de Portugal e detentor de uma técnica extraordinária, e o Bruno Novo, que afinal acabou por ser o herói da final, bem como o melhor marcador da selecção portuguesa, com 4 golos apontados, contrariando a ideia daqueles pobres ignorantes “treinadores de bancada” para os quais a selecção é só Madjer, Alan e Belchior.

De resto, na minha opinião, gostaria de manifestar a minha convicção de que o Paulo Graça, guarda-redes da selecção nacional, merecia mais do que qualquer outro jogador ter sido eleito melhor guarda-redes da competição, atendendo ao baixíssimo número de golos sofridos (5), às suas defesas espectaculares (e extremamente influentes) e à sua preponderância na organização do jogo ofensivo da nossa selecção. A imprensa preferiu atribuir o prémio ao Andrey Bukhlitskiy, da Rússia, que apesar de não ter sido, na minha opinião, o melhor do torneio, é também um grande guarda-redes, ficando o prémio bem entregue. Para finalizar a listagem dos prémios, resta-me dizer que o já referido Dejan Stankovic se sagrou melhor marcador do torneio, graças aos seus 8 tentos na Superfinal ao serviço da Suíça.

Agradecimentos

Dois grandes guarda-redes de futebol de praia: Paulo Graça e João Carlos Delgado.

João Carlos entra para o lugar de Paulo Graça nos minutos finais da partida frente aos russos. Dois grandes guarda-redes, nos quais temos muito orgulho pela forma destemida como defendem as redes nacionais!

Antes de prosseguir com os agradecimentos a quem contribuiu para este grandioso espectáculo desportivo, social e emocional, gostaria de aconselhar a leitura deste artigo, escrito pelo guarda-redes da selecção nacional João Carlos Delgado, no qual faz um excelente resumo do jogo e da alegria imensa que este grupo maravilhoso viveu ao sabor desta conquista brilhante, expressando também a sua gratidão para com todos os membros da família do futebol de praia nacional. Mais um grande exemplo do espírito de união e amizade que reina na melhor selecção da Europa!

Não posso terminar este post sem agradecer a todos os familiares e amigos que me acompanharam ao longo dos 4 dias de competição, tornando estes momentos ainda mais coloridos e felizes para mim, sobretudo o dia da grande final. Um muito obrigado a todos, porque foram espectaculares no apoio a Portugal neste dia memorável! Adorei a vossa companhia e espero que tenham desfrutado da experiência, tanto do futebol de praia como do espectacular ambiente que vivemos nas bancadas!

E claro, quero deixar aqui as minhas sinceras palavras de agradecimento e admiração por quem, graças ao seu trabalho e esforço pessoal, conseguiu recuperar este título europeu, que nos fugia caprichosamente desde 2008. Um muito obrigado a toda a família da selecção nacional por terem tornado possível esta espectáculo tão belo, que nunca esquecerei, e por me terem sempre recebido com boa disposição e amabilidade ao longo desta temporada de 2010. Foram todos espectaculares e estão de parabéns! Orgulho em ser Português!

Portugal e Itália na grande final da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010!

Nota: Este post diz respeito aos 3 primeiros dias de competição na Superfinal da Liga Europeia, correspondentes à fase de grupos. A final, bem como os restantes jogos de definição da classificação, teve lugar no Domingo, 29 de Agosto. Poderão encontrar informação  relativa ao jogo da final neste post triunfal.

A Superfinal da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010 tem deslumbrado centenas de adeptos nas areias de Belém, no estádio montado no Terreiro das Missas. Um espectáculo emocionante, com 107 golos em 12 jogos até ao momento, tem sido a nota dominante dos dois torneios disputados na capital portuguesa: a Promotion Final (destinada a definir a equipa que ascende à divisão A) e a Superfinal (a verdadeira competição, cujo vencedor se sagra campeão europeu).

Pois bem, este fabuloso evento, que tem trazido a magia do futebol de praia até Lisboa, vai acabar já amanhã, mas não sem antes proporcionar um número record de 6 desafios ao público fantástico que tem colorido as bancadas desta fase final. Duas das partidas são autênticas finais! Façamos uma revisão geral do que aconteceu até agora e uma retrospectiva dos confrontos de amanhã.

5ª feira, 26 de Agosto

Foi o dia inaugural da fase final da Liga Europeia aqui em Lisboa, no qual eu tive a honra de marcar presença. O estádio em Belém começou por estar vazio, mas acabou por ir enchendo à medida que nos aproximávamos do final do dia. Nos jogos da Promotion Final, assistimos a um confronto muito equilibrado entre Turquia e Israel, decidido apenas nos penaltis, com vitória turca, enquanto a França goleou a Inglaterra com 4 golos de Sciortino.

A Superfinal trouxe muita emoção e dois grandes jogos, com a Rússia a recuperar de uma desvantagem de 1 golo para bater os romenos por 6-4 e a Itália a protagonizar uma excelente exibição frente à Suíça, vencendo por 8-6, apesar dos esforços dos helvéticos no 3º período e dos 4 golos que Stankovic marcou neste jogo soberbo.

Imagem do jogo com maior número de golos de todo o evento: 14

No jogo inaugural do grupo B, a Itália surpreendeu muita gente (incluindo eu) e derrotou a Suíça por 8-6. Na imagem, Stephan Leu (nº6) da Suíça remata perante a oposição do italiano Corosiniti (nº8). Foi o jogo com mais golos de todo o evento, contabilizando um total de 14.

Resultados dos jogos

13:15 – Promotion Final – Grupo B – Israel 3 – 3 Turquia | Israel 3 – 3 Turquia prol. | Israel 2 – 3 Turquia pen.

14:30 – Promotion Final – Grupo A – França 10 – 4 Inglaterra

15:45 – Superfinal – Grupo A – Rússia 6 – 4 Roménia

17:15 – Superfinal – Grupo B – Suíça 6 – 8 Itália

6ª feira, 27 de Agosto

Mais uma vez, o estádio estava vazio aquando do pontapé de saída do primeiro jogo, mas foi surgindo cada vez mais público, até a bancada principal estar quase completamente cheia para ver Portugal bater a Roménia por 6-1! Madjer não jogou, por precaução, tendo em conta a sua lesão lombar, mas Alan marcou um hat-trick que impulsionou o triunfo português, para o qual também contribuíram os dois golos de Bruno Novo e um magnífico pontapé de bicicleta de Belchior. Em suma, a exibição arrebatadora da selecção nacional foi claramente demais para a equipa da Roménia, que apesar do esforço dos seus jogadores nunca conseguiu contrariar a toada ofensiva dos lusos.

Antes da magia lusitana entrar em acção, a Itália derrotou a selecção espanhola, em mais um grande jogo de futebol de praia, com muita emoção no 3º período de jogo, numa partida disputada até ao último segundo. Na divisão B, destaque para a vitória da Turquia sobre o Azerbeijão, em resultado de um notável espírito de equipa e de uma força de vontade inesgotável por parte dos otomanos, além do triunfo húngaro sobre os ingleses, num jogo em que os magiares tiveram a arte suficiente para dar a volta.

A Itália ficava assim apurada para a final da Superfinal, aguardando o seu adversário, que deveria sair do confronto entre Portugal e Rússia. Por outro lado, Espanha, Suíça e Roménia perdiam a hipótese de lutar pelo título europeu, embora se mantivessem em disputa preciosos pontos no ranking europeu. Na Promotion Final, a Turquia, com duas vitórias, ficava apurada para a final, onde defrontaria o vencedor do França – Hungria. Israel, Azerbeijão e Inglaterra ficavam assim de fora da luta por um lugar na divisão A.

Muitos aplausos para os heróis das praias de Portugal!

Entrada em campo da selecção nacional portuguesa ante do jogo com a Roménia. Momento de ovação aos craques das areias lusitanas, que alguns instantes depois iriam deliciar as centenas de espectadores com a sua mestria. Eu próprio apareço nesta fotografia! Alguém me vê?

Resultados dos jogos

13:15 – Promotion Final – Grupo B – Azerbeijão 4 – 5 Turquia

14:30 – Promotion Final – Grupo A – Hungria 5 – 3 Inglaterra

15:45 – Superfinal – Grupo B – Espanha 5 – 6 Itália

17:15 – Superfinal – Grupo A – Portugal 6 – 1 Roménia

Sábado, 28 de Agosto

Mais um grande dia de jogos no areal de Belém, em que a taxa de ocupação das bancadas verificou uma subida exponencial, que culminou no tão esperado Rússia – Portugal, disputado ao final da tarde, com muita gente nas bancadas a apoiar a nossa selecção! Mas antes, 3 jogos tiveram lugar neste Sábado soalheiro junto ao rio Tejo.

Na Promotion Final, Israel e Azerbeijão protagonizaram o jogo com menos golos de todo o evento, com apenas 4 tentos a serem apontados pelas duas equipas, mas que nem por isso deixou de ser pródigo em emoção e luta até ao final, com a equipa israelita a conseguir emergir vitoriosa, obtendo o 2º lugar no seu grupo e ganhando a possibilidade de lutar pelo 3º lugar na competição. No outro jogo da mesma competição, a Hungria opôs uma resistência digna aos gauleses, que, mesmo assim, estiveram quase sempre em vantagem e acabaram por conseguir a goleada no 3º período, numa fase em que a Hungria arriscava tudo. A França conseguiu assim o apuramento para a final do seu torneio, onde vai lutar com a Turquia por um lugar na divisão A em 2011.

A Superfinal começou com um encontro prometedor entre espanhóis e suíços, com os helvéticos a serem mais fortes e a conseguirem dominar a equipa de Amarelle, que ainda não recuperou a sua melhor forma. A Suíça nunca esteve em desvantagem e soube controlar o jogo com distinção, atingindo um resultado folgado após os 36 minutos de jogo, com Stankovic e Spacca a bisarem. Depois, a campeã em título, Rússia, defrontou a equipa da casa, Portugal, vice-campeão da Europa e com muita vontade de ganhar.

De facto, estiveram em campo duas das melhores equipas do mundo, candidatas à vitória em qualquer competição em que participam, que são neste momento, a par da Itália, as melhores selecções do continente. Este duelo só podia dar um grande espectáculo, e foi isso que aconteceu, embora a solidez defensiva tenha sido um factor dominante no jogo de hoje. E foi graças à sólida mistura de concentração, paciência e muita entreajuda que Portugal venceu a congénere russa, com 3 golos do capitão, Madjer, e 1 de Belchior, a superarem os tentos de Makarov e Gorchinskiy. Todos os jogadores portugueses estão de parabéns por tudo aquilo que fizeram hoje, que lhes permitiu chegar à grande final de Domingo, onde vão encontrar a poderosa Itália. A Rússia, que apesar de ter perdido também está de parabéns, vai lutar pelo bronze nesta Superfinal diante da Suíça.

Madjer marca um golo de livre directo frente à Rússia

Quarto golo de Portugal, num livre de longe cobrado por Madjer, que rematou com violência e uma extraordinária precisão para o fundo das redes defendidas pelo guardião russo Bukhlitskiy. Grande momento de futebol de praia e golo fantástico de Madjer (o 3º da conta pessoal).

Resultados dos jogos

13:15 – Promotion Final – Grupo B – Israel 3 – 1 Azerbeijão

14:30 – Promotion Final – Grupo A – França 7 – 2 Hungria

15:45 – Superfinal – Grupo B – Suíça 6 – 3 Espanha

17:00 – Superfinal – Grupo A – Rússia 4 – 2 Portugal

Domingo, 29 de Agosto

Chegou o dia das decisões finais. Na Promotion Final, a temível e experiente França defronta a lutadora Turquia no jogo cujo vencedor ganha um bilhete para a divisão A do próximo ano, onde competirá com Rússia, Suíça, Espanha, Portugal, Itália, Roménia e Polónia. Vai ser um desafio muito interessante, com duas equipas a dar tudo o que têm, mas penso que a França acabará por conseguir vencer, apesar do assinalável espírito combativo da selecção turca. De resto, Israel defronta a Hungria (jogo curioso) na luta pelo 3º lugar da Promotion Final, enquanto Azerbeijão e Inglaterra, velhos conhecidos, se encontram na luta pelo 5º lugar da competição.

A Superfinal reúne um trio de grandes jogos, aos quais decerto valerá a pena assistir. Espanha e Roménia abrem o espectáculo do melhor futebol de praia europeu, com um duelo cativante entre duas equipas que perderam os dois jogos que disputaram até agora. O vencedor fica em 5º lugar, escapando assim ao fundo da tabela classificativa, numa partida que promete muitos golos e emoção, a julgar pelo último confronto entre estas duas selecções (a Roménia bateu a Espanha por 7-6 num grande jogo em que os ibéricos estiveram a vencer por 6-2, em Haia, na Holanda).

Rússia e Suíça tentarão chegar ao pódio, naquele que será o quarto confronto entre as duas equipas nesta época. Espera-se um jogo emotivo, entre duas selecções que se conhecem muito bem e que incluem grandes jogadores, como o suíço Stankovic, melhor jogador do último mundial, e o guarda-redes russo Bukhlitskiy.

O dia fecha com a grande final, tão aguardada pelo público lisboeta e por todos os amantes da modalidade fantástica que é o futebol de praia: Portugal vs Itália! Duas equipas que se conhecem muito bem, com grandes jogadores e que farão tudo para vencer esta final! Golear a Roménia e derrotar a Rússia são feitos épicos, assim como bater a Suíça e vencer a Espanha são obras colossais, que provam bem a qualidade destas duas equipas. Curiosamente, portugueses e italianos chegaram a esta Superfinal da Liga Europeia com menos pontos do que as outras selecções de topo, mas o que é certo é que ambas as equipas estão em grande forma e preparadas para proporcionar um grande espectáculo no areal de Belém.

Triunfo de Portugal na meia-final da Taça da Europa de Futebol de Praia 2010.

Imagem referente ao Portugal vs Itália da 1/2 final da Taça da Europa de Futebol de Praia 2010. Portugal venceu por 10-7 num espectáculo emocionante! Aqui, Bruno Novo tenta roubar a bola a Carotenuto, sob a vigilância atenta de Palmacci.

Espero um jogo aberto, como tem vindo a ser hábito entre estas duas selecções, com muito equilíbrio e emoção, numa partida em que os detalhes serão fundamentais. A Itália sofreu algumas alterações, decorrentes da mudança de treinador, e surgiu neste torneio com uma equipa ligeiramente diferente, que vale mais colectivamente e que dará tudo pelo título europeu, conquistado pela única vez em 2005. Portugal, que alcançou o seu melhor nível em meados de Julho, na segunda fase da qualificação para o Mundial 2011, está num excelente momento de forma, contando com grandes jogadores, capazes de resolver um desafio pela sua técnica descomunal, bem como com uma qualidade defensiva bem acima da média, que poderá ser muito útil amanhã.

Infelizmente, Belchior, que viu o cartão amarelo nos dois jogos anteriores, vai estar suspenso e não poderá defrontar a Itália. Mesmo assim, eu sei que o seleccionador nacional, José Miguel Mateus, vai conseguir resolver o problema da melhor maneira, através de uma rotação inteligente dos jogadores do plantel, que decerto farão tudo o que puderem rumo ao título europeu.

Estou confiante. FORÇA PORTUGAL! PARA GANHAR A LIGA EUROPEIA!

Horário dos jogos

10:00 – Promotion Final – 5º/6º lugares – Inglaterra vs Azerbeijão

11:30 – Superfinal – 5º/6º lugares – Roménia vs Espanha

13:00 – Promotion Final – Final – França vs Turquia (Eurosport 2)

14:30 – Promotion Final – 3º/4º lugares – Hungria vs Israel

15:45 – Superfinal – 3º/4º lugares – Rússia vs Suíça (Eurosport 2)

17:00 – Superfinal – Final Portugal vs Itália (RTP N/Eurosport)

Nota: Todos os jogos têm transmissão directa no site da Beach Soccer World Wide.

Liga Europeia de Futebol de Praia 2010: SUPERFINAL de 26 a 29 de Agosto em Belém (Lisboa)

NOTA: Podem consultar este post para informações actualizadas sobre a competição, com resultados dos jogos e a antevisão do último dia, que inclui a grande final entre Portugal e Itália. Por sua vez, este post refere-se precisamente a esse jogo da final entre Portugal e Itália, que Portugal venceu, sagrando-se campeão europeu de futebol de praia!

Saudações a todos os seguidores deste blogue e amantes da modalidade do futebol de praia. Este post tem como objectivo divulgar o grande evento desportivo que vai decorrer entre os dias 26 e 29 de Agosto na capital portuguesa, facultando a todos os potenciais interessados as informações essenciais.

Como todos terão percebido através da leitura do título e do parágrafo introdutório, vai realizar-se em Lisboa, na zona de Belém, a fase final da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010, que conta com a participação da selecção portuguesa. Assim, a derradeira e decisiva etapa da maior competição europeia de futebol de praia começa amanhã, 5ª feira, terminando no Domingo, 29 de Agosto, numa profusão de emoções.

O Terreiro das Missas, outrora palco da despedida dos valentes navegadores portugueses, autores de numerosos feitos no oriente, agora local de glória lusitana nos tempos modernos, onde Portugal lutará pelo título de campeão europeu das areias!

O Terreiro das Missas. Foi outrora o palco do derradeiro contacto dos valentes navegadores portugueses com a Pátria amada, o último vislumbramento de terras nacionais, antes dos numerosos feitos praticados no oriente. Será agora um novo local de glória lusitana, onde os heróis dos tempos modernos lutarão com toda sua força, com toda a sua vontade, com todo o seu amor, pelo triunfo da bandeira portuguesa sobre as restantes hostes das areias!

O torneio goza de uma localização privilegiada, uma vez que os jogos têm lugar no Terreiro das Missas, em frente ao Palácio de Belém, mas do outro lado da linha ferroviária. Foi este o local escolhido para montar o Estádio Meo, mesmo junto ao rio Tejo, num enquadramento natural deslumbrante, a escassos metros da estação de comboios de Belém, o que facilita em grande medida o acesso da população ao evento.

Ah! E a entrada no recinto é completamente gratuita, por isso, não há razão para faltar ao espectáculo do futebol de praia europeu, aqui tão perto de nós, nesta oportunidade única de assistir à magia dos craques das areias! Vamos apoiar a selecção nacional! Juntos conseguimos!

Cartaz promotor da Superfinal e da Promotion Final da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010. 6 equipas em busca do título europeu... 6 equipas na luta pela subida de divisão... tudo isto em Belém, em Lisboa, com entrada gratuita no Estádio Meo! O espectáculo está garantido!

Promotion Final e Superfinal: Depois da Fase Regular

Na verdade, são dois os torneios da Liga Europeia de Futebol de Praia que a cidade das sete colinas vai acolher esta semana: a Promotion Final e a Superfinal. Este último será disputado pelas 6 melhores equipas da divisão A da Liga Europeia a fim de determinar o campeão europeu da temporada. Já a Promotion Final será uma luta entre as 5 equipas mais fortes da divisão B e a pior equipa da divisão A, tendo em vista o acesso à divisão A da Liga Europeia em 2011, reservado para o vencedor do torneio.

A selecção das equipas para ambos os torneios teve como base os resultados de todas as etapas de uma fase regular, disputadas um pouco por toda a Europa, entre os meses de Maio e Julho. Assim, foram previamente realizados quatro eventos, em vários países do velho continente, que englobavam um torneio da divisão A e outro da divisão  B:

– 1ª etapa: Moscovo (Rússia) – 28 a 30 de Maio

– 2ª etapa: Marselha (França) – 27 a 29 de Junho

– 3ª etapa: Lignano Sabbiadoro (Itália) – 2 a 4 de Julho

– 4ª etapa: Haia (Holanda) – 22 a 25 de Julho

Neste pequeno vídeo podem ver aqueles que foram considerados os 5 melhores golos da 3ª etapa da Liga Europeia. São grandes momentos de futebol de praia, protagonizados por Leu (Suíça), François (França), Basquaise (França), Zeynalov (Azerbeijão) e Ziegler (Suíça). Todos estes jogadores estarão presentes na Superfinal (Suíça) ou na Promotion Final (França e Azerbeijão), defendendo a camisola da sua selecção!

Divisão A: Qualificações para a Superfinal

A divisão A era constituída por 8 selecções, sendo que em cada etapa participavam 4 equipas, que jogavam todas umas contra as outras, num formate de liga que lhes permitia conquistar pontos. Desta forma, todas as equipas participavam 2 torneios da fase regular, realizando um total de 6 jogos, o que permitia o estabelecimento de um ranking, cujos 6 primeiros lugares dariam acesso à Superfinal. Rússia, Suíça, Espanha, Portugal, Itália e Roménia ficaram, desta forma, apurados para a Superfinal.

A equipa classificada em 7º lugar não se qualificaria para a fase final da competição, mas teria o lugar assegurado na divisão A da Liga Europeia 2011, sendo esta a situação da selecção polaca. Pelo contrário, a selecção que ocupasse a 8ª posição seria obrigada a participar na Promotion Final, precisando de vencer o torneio a fim de manter o seu lugar na divisão A do próximo ano, o que corresponde ao panorama observado pela França neste momento.

Divisão B: Qualificações para a Promotion Final

A divisão B era composta por 11 equipas que lutariam por 5 vagas na Promotion Final de Agosto. Dado o elevado número de selecções, cada equipa realizou um único torneio, no qual a vitória garantia um lugar na almejada competição. Assim, em cada etapa da Liga Europeia, 3 equipas da divisão B degladiaram-se em busca do seu objectivo, num pequeno torneio triangular disputado em apenas 3 jogos. Israel, vencedor da etapa russa, Hungria, campeã em Marselha, e Azerbeijão, vitorioso em Lignano, foram assim seleccionados para participar na Promotion Final.

Jogo em que Israel bateu a Alemanha por 6-3.

Imagem da 1ª etapa da Liga Europeia. Aqui, o israelita Ilos luta pela posse de bola com o alemão Stolli. Neste jogo, Israel bateu a Alemanha por claros 6-3 com hat trick de Ilos.

A excepção foi a etapa de Haia, que não contou com partidas da divisão B, uma vez que as duas selecções restantes, Turquia e Noruega, haviam disputado um play-off a duas mãos na semana anterior, em Bibione, na Itália (por ocasião da qualificação europeia para o Mundial 2011), com vitória para a equipa turca.

Encontrados os vencedores das 4 etapas de apuramento, faltava apenas preencher uma vaga em aberto na Promotion Final, que deveria ser entregue ao melhor segundo classificado dos triangulares realizados em Moscovo, Marselha e Lignano. Assim sendo, a República Checa, 2º lugar na etapa italiana, teria um lugar garantido no torneio de final de Agosto. Porém, nem os checos nem os alemães podiam estar presentes na Promotion Final, por impossibilidades logísticas, o que fez da selecção inglesa, pior segundo classificado dos 3 triangulares, a herdeira legítima do espaço vazio existente.

Por fim, e como já foi referido, a outra selecção presente na Promotion Final será a França, como último classificado da divisão A no ranking da fase regular.

Formato da Superfinal

Como já referi, a Superfinal vai ser disputada por 6 equipas, que são, segundo os resultados da fase regular, as mais fortes da Europa. Apresento em seguida a lista de selecções que terão lugar na Superfinal, fazendo referência ao seu posicionamento no ranking da fase regular, bem como ao número de pontos que obtiveram durante essas etapas:

1 – Rússia (15 pontos)

2 – Suíça (15 pontos)

3 – Espanha (10 pontos)

4 – Portugal (9 pontos)

5 – Itália (8 pontos)

6 – Roménia (6 pontos)

A alegria de Maci por oposição à incredulidade de Juanma.

Imagem referente à 4ª etapa da Liga Europeia. Num jogo de grandes emoções, a Roménia esteve a perder por 6-2 frente aos espanhóis, mas acabou por ganhar por 7-6 com um golo no derradeiro segundo do encontro, conseguindo o apuramento para a Superfinal. Aqui, o romeno Maci, um dos heróis do jogo com 3 golos, celebra a vitória épica.

Mas como organizar uma competição com 6 equipas em 4 dias? Muito simples! Basta dividir as 6 selecções em 2 grupos de 3 equipas, de acordo com a classificação da fase regular. Assim, o grupo A será composto pelo vencedor da fase regular e pelas equipas posicionadas nos 4º e 6º lugares, enquanto os 5º e 3º classificados da fase regular acompanharão a selecção que ocupa o 2º lugar. De uma maneira mais fácil:

Grupo A

– Rússia

– Portugal

– Roménia

Grupo B

– Suíça

– Espanha

– Itália

Isto significa que, entre 5ª feira e Sábado, as equipas do mesmo grupo jogarão umas contra as outras, de modo a obter uma classificação final do grupo, que vai definir os confrontos de Domingo, último dia de competição: os vencedores dos grupos defrontam-se na final, enquanto as equipas classificadas em 2º lugar se defrontam na luta pelo 3º lugar do pódio, ficando a discussão da 5ª e da 6ª posição reservada para as selecções que ocuparem o 3º lugar do seu grupo.

Formato da Promotion Final

Como também já mencionei neste post, a Promotion Final também será disputada por 6 equipas, que adquiriram o direito a participar neste evento de maneiras diversas: 3 foram campeãs dos triangulares que se realizaram nas 3 primeiras etapas da fase regular, 1 venceu um play-off de acesso à competição, 1 ficou posicionada em 2º lugar num dos triangulares e 1 foi a 8ª classificada do ranking da divisão A na fase regular. Assim, as 6 selecções que se encontram em Lisboa para disputar um lugar na divisão A em 2011 são:

1 – França (8º lugar na classificação da divisão A após a fase regular)

2 – Israel (vitória no torneio de Moscovo)

3 – Azerbeijão (vitória no torneio de Lignano Sabbiadoro)

4 – Hungria (vitória no torneio de Marselha)

5 – Turquia (vitória no play-off de acesso frente à Noruega em Bibione)

6 – Inglaterra (2º lugar no torneio de Marselha) – em substituição da República Checa e da Alemanha

Hungria e Inglaterra estarão presentes na Promotion Final e jogarão novamente entre si.

Hungria e Inglaterra já se defrontaram na 2ª etapa da Liga Europeia em Marselha, com uma vitória húngara por 5-2. Na imagem, Ughy, da Hungria, remata para golo, fugindo à marcação de O' Rourke. As duas equipas voltarão a encontrar-se no grupo A da Promotion Final.

O formato da Promotion Final é, portanto, idêntico ao da Superfinal. Existem 2 grupos de 3 selecções, de acordo com o seu registo na fase regular da liga europeia (grupo A com 1º/4º/6º e grupo B com 2º/3º/5º), sendo que as equipas do mesmo grupo jogam umas contra as outras entre 26 e 28 de Agosto. No Domingo, os vencedores dos grupos jogam o assalto à divisão A na final, as equipas classificadas em 2º lugar no seu grupo disputam a presença no pódio e as selecções que ocuparem o 3º lugar do seu grupo lutarão pela 5ª posição. Os grupos são os seguintes:

Grupo A

– França

– Hungria

– Inglaterra

Grupo B

– Israel

– Azerbeijão

– Turquia

Calendário de jogos

Como disse nos tópicos anteriores, os dias 26, 27 e 28 de Agosto estão destinados à realização dos jogos da fase de grupos, ficando o Domingo, 29 de Agosto, reservado para as decisões finais desta Liga Europeia de Futebol de Praia 2010. Assim sendo, o calendário do evento será o seguinte:

5ª feira, 26 de Agosto

13:15 – Promotion Final – Grupo B – Israel vs Turquia

14:30 – Promotion Final – Grupo A – França vs Inglaterra

15:45 – Superfinal – Grupo A – Rússia vs Roménia

17:15 – Superfinal – Grupo B – Suíça vs Itália

6ª feira, 27 de Agosto

13:15 – Promotion Final – Grupo B – Azerbeijão vs Turquia

14:30 – Promotion Final – Grupo A – Hungria vs Inglaterra

15:45 – Superfinal – Grupo B – Espanha vs Itália

17:15 – Superfinal – Grupo A – Portugal vs Roménia (RTP N)

Sábado, 28 de Agosto

13:15 – Promotion Final – Grupo B – Israel vs Azerbeijão

14:30 – Promotion Final – Grupo A – França vs Hungria

15:45 – Superfinal – Grupo B – Suíça vs Espanha

17:00 – Superfinal – Grupo A – Rússia vs Portugal (RTP N)

Domingo, 29 de Agosto

10:00 – Promotion Final – Jogo para o 5º lugar – A3 vs B3

11:30 – Superfinal – Jogo para o 5º lugar – A3 vs B3

13:00 – Promotion Final – Final – A1 vs B1

14:30 – Promotion Final – Jogo para o 3º lugar – A2 vs B2

15:45 – Superfinal – Jogo para o 3º lugar – A2 vs B2

17:00 – Superfinal – Final – A1 vs B1

Selecção Nacional Portuguesa

Portugal vai jogar na Superfinal da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010 como o país anfitrião e um candidato à conquista do título. A selecção nacional foi campeã europeia em 2007 e 2008, mas o ano passado deixou escapar a vitória na Liga Europeia para a Rússia, que se sagrou assim campeã da Europa em 2009. Este ano, Portugal quer recuperar o título europeu e mostrar que continua a ser a melhor selecção do velho continente, apesar das deficiências estruturais da modalidade no nosso país e do crescimento acelerado das outras potências do futebol de praia.

As acrobacias de Madjer são um trunfo à disposição da selecção nacional.

Jogadores com a qualidade de Madjer são trunfos valiosos dos quais Portugal dispõe rumo à conquista do título europeu. Grandes acrobacias do capitão português! Aqui, um belo momento do Portugal vs Polónia a contar para a o torneio de qualificação para o Mundial 2011.

Para alcançar o seu objectivo, Portugal conta com 10 jogadores brilhantes, da total confiança do se treinador, José Miguel Mateus:

Guarda-redes

– Paulo Graça (12)

– João Carlos (22)

Jogadores de campo

– Coimbra (2)

– Jordan (4)

– Alan (6)

– Madjer (7)

– Marinho (9)

– Belchior (10)

– Bilro (11)

– Bruno Novo (18)

Esta tem vindo a tornar-se, desde o torneio de qualificação para o Mundial 2011 em Bibione, a equipa de base da selecção nacional, caracterizada por uma mistura sólida de experiência e juventude, que têm proporcionado boas exibições e resultados muito positivos nas últimas competições, apesar da carência de títulos.

De facto, nesta temporada de 2010, Portugal tem sido perseguido pelo 2º lugar, sendo esta a posição que ocupou nas 3 grandes competições disputadas até agora: a Taça da Europa, o apuramento para o Mundial 2011 e o Mundialito. No entanto, a atitude dos nossos jogadores tem sido de verdadeiros campeões e acredito que estas infelicidades não se voltem a repetir.

Portugal enfrentou alguns problemas no decorrer deste ano, nomeadamente a saída de 3 jogadores fundamentais na organização da equipa (Sousa, Torres e Zé Maria), que obrigou a uma reestruturação da selecção nacional e a motivou, de certa forma, um atraso no crescimento da equipa no decorrer do ano. Felizmente, graças ao trabalho exemplar dos atletas e da equipa técnica, foi possível manter uma qualidade elevada durante toda a época e a selecção acabou por atingir o seu verdadeiro valor. Na minha opinião, isto aconteceu em meados de Julho, na segunda fase do torneio de qualificação para o Mundial 2011, verificando ainda um aperfeiçoamento no Mundialito 2010, em que Portugal se apresentou a um nível soberbo.

Grito de guerra da selecção nacional antes do confronto com a Polónia. Força, PORTUGAL!

Os 10 jogadores convocados para a Superfinal estiveram em Bibione a jogar a qualificação para o Mundial 2011. Na imagem, podemos contemplar os atletas lusitanos no momento do grito de guerra da selecção antes do confronto decisivo com a Polónia. Força, PORTUGAL!

Mas se a selecção nacional esteve assim tão bem nesses torneios, porque é que não ganho nenhum deles? Porque, meus caros amigos, houve sempre qualquer circunstância imprevisível que se interpôs no caminho de Portugal e impossibilitou a concretização do sonho lusitano:

– No apuramento para o Mundial, a suspensão simultânea de Alan e Belchior na final contra a Ucrânia foi demais para uma equipa onde estes jogadores são muito influentes, contra um adversário temível como a selecção ucraniana.

– Já no Mundialito, frente ao campeão do Mundo, Brasil, Portugal teve azar na finalização, que se juntou à ausência de Belchior, mas sobretudo à péssima arbitragem por parte do espanhol Ruben Eiriz, que desequilibrou completamente o jogo a favor da Canarinha e estragou o magnífico espectáculo do duelo lusófono a que a Praia da Rocha estava a assistir.

Portugal e a Superfinal da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010

Na Liga Europeia, porém, será diferente. Poderemos contar com todos os nossos jogadores, nos três jogos da competição, sem interferências da arbitragem, espero, e em que a selecção nacional terá tudo para mostrar a sua superioridade, vencendo os seus adversários rumo ao título europeu! Não vai ser nada fácil, pois estarão presentes as 6 melhores equipas do continente europeu na actualidade e todas elas ambicionam a conquista do troféu. Contudo, estou confiante no real valor de Portugal e conheço suficientemente bem estes jogadores para saber que eles vão dar tudo por tudo em busca do triunfo.

Selecção Nacional de Futebol de Praia na EBSL 2008 Superfinal

Portugal venceu a Liga Europeia de Futebol de Praia pela última vez em 2008, em Vila Real de Santo António, na altura com Hernâni como capitão. Agora, em plena capital, com o apoio do público lisboeta e Madjer a liderar uma equipa "de arromba", repetiremos o feito e seremos novamente campeões europeus! Coragem, pessoal! Vamos conseguir!

Pensando jogo a jogo, neutralizando as principais armas dos adversários e impondo o nosso futebol de praia, temos todas as chances de vencer a Superfinal. Começando por derrotar a Roménia (aqui é preciso ter cuidado com o número 14, Maci) na estreia, Portugal poderá dirigir a sua atenção para a selecção russa, campeã em título e sua grande adversária na luta pela hegemonia europeia do futebol de praia em 2010, fazendo uso de todas as suas armas para ganhar também esse jogo e alcançar a grande final. E então o pensamento luso terá de ser só um: vencer, ganhar, triunfar, independentemente do adversário e das circunstâncias. Mas antes temos de nos concentrar em vencer o nosso grupo, tarefa essa que, apesar de difícil, nós vamos conseguir!

Força Portugal! Estamos todos convosco, amigos! Desta vez seremos campeões europeus!

Taça da Europa de Futebol de Praia 2010: Portugal e Rússia na grande final rumo ao título continental

Nota: Se procuram informações sobre a Superfinal da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010, realizada em Lisboa, em Belém, visitem este post, onde poderão encontrar tudo o que pretendem.

Queria começar este post com um sincero pedido de desculpas a todos os protagonistas e amantes da modalidade, nos quais me incluo, por não ter actualizado o meu blogue mais cedo, sendo  agora obrigado a falar das duas primeiras jornadas da Taça da Europa em simultâneo.

Passando ao assunto que verdadeiramente interessa, penso que devo começar por dizer que a Taça da Europa de Futebol de Praia Roma 2010 está a ser um sucesso, com muita animação e grandes momentos desportivos. A escolha de Roma para palco da grande competição não podia ser mais acertada, proporcionando um palco fantástico para os combates dos modernos gladiadores, os heróis das praias europeias. Como dizia alguém aqui há uns dias: Uma cidade antiga para uma modalidade recente.

Mas o que tem acontecido ao certo nesta 12ª edição do evento? Quem tem sido o grande destaque deste torneio espectacular? Por onde anda a nossa selecção, a flor das areias lusitanas?

Digamos que as duas equipas apuradas para a final da competição são justamente Portugal e Rússia, o que vem confirmar as minhas expectativas antes da competição, sendo estas as duas selecções que venceram os seus dois jogos até ao momento.

O caso português: Dedicação e entrega sem precedentes

A equipa portuguesa iniciou a competição frente aos rivais helvéticos, liderados pela estrela Dejan Stankovic, que impuseram inúmeras dificuldades a Portugal, parecendo determinados a impedir o sucesso das cores lusas. No entanto, a união e preserverança dos jogadores nacionais acabou por prevalecer, numa partida que se revelou um autêntico duelo de campeões, com luta até ao fim, altura em que um pavoroso pontapé de bicicleta de Madjer deu a vitória ao conjunto português. Faltavam 8 segundos para terminar o jogo e Portugal emergia vitorioso, com 2-1 no marcador!

O segundo jogo dos pupilos de José Miguel Mateus foi outra terrível prova de fogo, num combate por um lugar na final frente aos italianos, anfitriões do torneio. Que grande jogo de futebol de praia! Se a partida anterior de Portugal não fora particularmente pródiga em golos, o mesmo não sucedeu diante dos transalpinos, naquele que será provavelmente o jogo com maior número de golos da competição,com um total de 17 tentos. E, apesar de um começo de jogo complicado, em que a turma portuguesa esteve duas vezes em desvantagem, Portugal conseguiu passar para a frente do marcador e nunca viria a permitir o empate, procedendo a uma boa gestão da vantagem, apesar da excelente reacção italiana.

Madjer, mais uma vez, foi o herói do jogo, ao apontar 4 golos, mas o destaque tem de ir necessariamente para Marco e Jordan, que se estrearam a marcar com a camisola nacional no seu segundo jogo internacional. Do lado adversário, Carotenuto foi o principal destaque do encontro, tanto pela positiva como pela negativa: marcou um hat-trick, deixando os adeptos locais em delírio e incitando os colegas de equipa à reviravolta no marcador, mas também se descontrolou na parte final do jogo, quando os números da vitória portuguesa despertaram o lado conflituoso e violento do seu carácter, originando uma situação desagradável com Paulo Graça, que culminou na expulsão do jogador italiano.

A situação russa: Frieza e profunda determinação

Por seu turno, os russos tiveram de ultrapassar a França, de Eric Cantona, e a Espanha, de Joaquín Alonso, para alcançar a final de Domingo.

O primeiro jogo, apesar do resultado dilatado verificado no fim dos 36 minutos, não foi tão simples como poderia eventualmente parecer, dado que os gauleses deram uma excelente resposta sensivelmente até ao meio do jogo (meio do 2º período). No entanto, a maior qualidade russa acabou por fazer a diferença no decorrer do 2º período, com o 3º segmento de jogo a surgir como uma sucessão de golos da equipa de leste, até atingir o resultado final de 8-2. Destaques russos para Shishin (um dos  meus jogadores favoritos na equipa) e Krasheninikov, ambos com 2 golos.

O segundo jogo dos actuais campeões europeus (a Rússia venceu a Liga Europeia de Futebol de Praia 2009) foi uma meia-final muito disputada entre russos e espanhóis, com o triunfo a acabar por sorrir ao conjunto oriental, que soube recuperar de uma vantagem de dois golos no 2º período para depois dar a volta ao resultado em grande estilo. Mais uma vez, os russos foram extremamente eficazes quando assim foi preciso. Makarov foi um dos principais destaques na equipa russa, ao apontar 2 golos, sendo que Leonov, Gorchinskiy, Shakhmelyan, Eremeev e Krasheninikov também marcaram, contribuindo assim para o 7-5 final (não assisti ao jogo, pois estive fora de casa, mas fiz a gravação para o poder ver depois).

Grande final em perspectiva

É verdade. Portugal e Rússia. Mais uma vez, os dois colossos do futebol de praia europeu voltam a encontrar-se, desta vez em Roma, a capital italiana. O que acontecerá desta vez?

Podemos analisar a questão de muitos pontos de vista diferentes. Historicamente, a Taça da Europa é uma competição favorável a Portugal, sendo que a equipa portuguesa conquistou 6 troféus na competição até ao momento (mais de metade das 11 edições disputadas). Por outro lado, no ano passado, os registos de confrontos entre russos e portugueses são claramente favoráveis aos nossos rivais, que apresentam 3 vitórias em 3 jogos, a última das quais ocorreu na final da Liga Europeia de Futebol de Praia 2009, em Vila Real de Santo António, quando Portugal foi derrotado por 4-3 e cedeu o título de campeão europeu à selecção russa. No entanto, nesta época, que já vai longa para a equipa de leste, os lusitanos já venceram a Rússia por uma vez, na Spring Cup Viseu 2010, que foi precisamente a única derrota dos russos neste ano. Estatisticamente, temos muito equilíbrio, portanto, entre as duas selecções.

Mas o que dizer em relação ás equipas em si? Bem, podemos começar por ter bem assente que se tratam de duas grandes equipas, as melhores do futebol de praia europeu na actualidade, apesar da concorrência da Suíça, da Itália e da Espanha. Selecções muito diferentes, é certo, mas com níveis exibicionais muito semelhantes, sendo provavelmente as únicas que conseguem rivalizar com o Brasil.

Portugal com um estilo mais fluido, mas alegre, com a bola (quase) sempre pelo ar e um estilo espectacular, capaz de fazer as delícias do público mais exigente. A Rússia com um poder físico assinalável, dada a prodigiosa preparação física dos seus atletas, e uma filosofia de jogo marcada pela disciplina táctica e pela frieza de leste, que se reflecte numa grande determinação por parte dos jogadores russos. As duas equipas são verdadeiras potência tanto no ataque como na defesa, embora o rigor defensivo dos russos seja a sua imagem de marca, enquanto Portugal é caracterizado sobretudo pelo seu jogo ofensivo de belo efeito.

Estado Físico e Psicológico

A selecção nacional portuguesa ainda não está na sua máxima força, dado que a época ainda se encontra numa fase inicial e alguns processos ainda têm de ser aperfeiçoados. No entanto, o grande problema reside na saída de três peças fundamentais do jogo da equipa lusitana (Sousa, Torres, Zé Maria), pelo que se tornou necessário chamar novos jogadores, cuja integração na selecção nacional ainda está a decorrer, com sucesso, é certo, mas gradualmente, no tempo que uma renovação da equipa precisa para se verificar. Assim, a qualidade da equipa portuguesa será certamente superior daqui a alguns meses. Mas isso não quer dizer que Portugal não esteja a jogar bem agora, tal como não quer dizer que não vença a Taça da Europa!

Os russos já tinham começado a sua preparação antes do início dos trabalhos da selecção portuguesa, motivo pelo qual levam um avanço natural. Contudo, essa vantagem pode perfeitamente não se materializar, no caso de os jogadores lusos estarem suficientemente concentrados. Além de tudo o mais, a Rússia tem as suas próprias cisões: Egor Shaykov, uma das referências do ataque, abandonou a selecção, devido aos compromissos futebolísticos. No entanto, trata-se de uma única ausência, facilmente colmatada por Eremeev, que se está a destacar no seio da equipa russa. De resto, o treinador anterior, Nikolai Pisarev, demitiu-se do cargo, dado que ia desempenhar uma função na estrutura organizativa do futebol do seu país. Os atletas não ficaram contentes com a decisão, mas tal não se reflectiu no jogo da equipa, até porque o adjunto de Nikolai Pisarev está a fazer um bom trabalho.

Conclusão: não podemos prever o resultado do Portugal vs Rússia da final. Um jogo equilibrado, com muita luta, as equipas com grandes preocupações defensivas e muita insistência no ataque para encontrar espaços que possam conduzir ao golo. Eventualmente, o jogo poderá abrir, mas isso não é muito comum num jogo frente aos russos, a não ser que sejam eles os beneficiados. Acredito na vitória de Portugal e, tendo em conta a forma como os bravos atletas portugueses se bateram perante os seus anteriores adversários, penso que não há razão para não serem capazes de derrotar a Rússia e conquistar o troféu.

FORÇA PORTUGAL!

Taça da Europa de Futebol de Praia Roma 2010: O espectáculo vai começar!

Pois é. O tempo vai passando e a tão esperada Taça da Europa de Futebol de Praia já chegou! É verdade. Hoje, pelas 16:30, tem lugar o pontapé de saída da 12ª edição do evento, na maravilhosa capital italiana, Roma!

A competição é disputada durante 3 dias (6ª feira, Sábado e Domingo), em formato de eliminatórias, isto é, em quartos-de-final, meias-finais e final. Serão também jogados todos os jogos de consolação, a fim de ficarem definidas todas as posições da classificação, do 1º ao 8º lugares.

No primeiro dia de Jogos, dia 4 de Junho, Portugal defronta a Suíça no primeiro jogo. Vai ser certamente um grande desafio de futebol de praia, com duas equipas de grande nível, que se conhecem muito bem. O espectáculo já está garantido. Agora resta esperar pelo resultado. E eu digo: vamos ganhar! Sim! Estou consciente das dificuldades que esta partida contra os vice-campeões do mundo acarreta, mas acredito plenamente na vitória de Portugal. Temos tudo o que é preciso para vencer os helvéticos e passar às meias-finais!

Seguidamente, a Espanha e a Polónia lutarão por um lugar entre as 4 melhores equipas do torneio, num jogo em que os nossos vizinhos ibéricos são favoritos. No entanto, a Polónia deixou uma boa imagem na primeira etapa da Liga Europeia 2010, apesar de ter perdido todos os jogos, e não me parece que o jogo vá ser fácil para a turma de Amarelle.

A Rússia, actual campeã europeia, tem a tarefa relativamente complicada de passar pela França, treinada pelo experiente Eric Cantona. Contudo, tem sido notória a decadência da selecção gaulesa ao longo dos últimos dois anos, quando perderam a sua posição de destaque como uma das melhores equipas europeias. Pelo contrário, a Rússia tem vindo a crescer de uma forma impressionante, desde 2007, e inclusivamente já deu provas da sua força no decorrer desta temporada, ao vencer os três torneios em que já participou, o último dos quais foi a primeira etapa da Liga Europeia de Futebol de Praia, em Moscovo. Por isso, penso que, de uma maneira ou de outra, os russos acabarão de levar vencida a selecção francesa.

No último jogo do dia, os anfitriões da Taça da Europa debatem-se com os rivais da Hungria, na luta por um lugar nas meias-finais. Os italianos ocupam indiscutivelmente um lugar de destaque no futebol de praia europeu, embora sejam muito irregulares e, consequentemente, muito imprevisíveis: nunca se sabe muito bem o que esperar deles. De qualquer forma, são uma equipa de elite, com dois grandes jogadores (Pasquali e Carotenuto), além de outras mais valias, muito experiente, treinada por um técnico com garra (quem conhece Giancarlo Magrini sabe do que falo) e que vai fazer tudo pelo triunfo em frente ao seu público. Isto para apagar a péssima imagem transmitida pelos transalpinos no ano passado, quando perderam todos os jogos e ficaram no 8º lugar (entenda-se: o último) da classificação. A Hungria, que não tem nada a perder, vai a Roma com vontade de surpreender, esperando repetir a gracinha do ano passado, quando eliminou a Itália no primeiro jogo (5-2).

Durante os três dias, quase todos os jogos serão transmitidos em directo pela Eurosport 2. Hoje, 6ª feira, 4 de Junho, todos os jogos têm direito a transmissão directa. Além disso, todos os jogos serão transmitidos via online, no site da BSWW (Beach Soccer WorldWide), que emite os 12 jogos da competição em alta definição (não sei se isto é mesmo verdade, embora seja levado a crer que sim) para todos os fãs de futebol de praia à volta do mundo.

Podem acompanhar toda a acção da Taça da Europa de Futebol de Praia Roma 2010 aqui.

Toca a apoiar a nossa selecção! Toca a viver a alegria e emoção deste desporto apaixonante! É a magia do futebol de praia, ao alcance de todos!

Liga Europeia de Futebol de Praia 2010 – Primeira Etapa da Fase Regular em Moscovo: Rússia bate Itália e vence o torneio da Divisão A

Nota: Se procuram informações sobre a Superfinal da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010, realizada em Lisboa, em Belém, visitem este post, onde poderão encontrar tudo o que pretendem.

Terminou hoje o evento russo da fase regular da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010. No torneio da Divisão A, a Roménia venceu a Polónia por 8-6 num jogo de grandes emoções, obtendo assim 3 pontos que poderão vir a ser decisivos no Ranking da Fase Regular. A Rússia, anfitriã do torneio, não desiludiu os 4 500 fãs moscovitas presentes em Poklonnaya Hill e ganhou a partida frente aos italianos, por 4-3, numa exibição segura que valeu aos russos o título no torneio. O desafio da Divisão B será tratado noutro post brevemente.

POLÓNIA 6 – 8 ROMÉNIA: MUITA LUTA. GRANDE SAGANOWSKI. ROMÉNIA MAIS FORTE.

O primeiro jogo da divisão A foi um excelente exemplo daquilo que faz do futebol de praia uma desporto espectacular: golos fantásticos, em grande abundância, recuperações estrondosas, amor às cores nacionais, emoção até ao fim…

O jogo: 24 minutos iniciais (1º e 2º períodos)

A Polónia nunca esteve em vantagem, pois eram sempre os romenos quem conseguia marcar primeiro, embora Saganowski e os colegas encontrassem sempre uma maneira de empatar o jogo, excepto no final do 3º período. A Roménia esteve a vencer por 2-0, com golos de Maci e Croi, mas acabou por ceder o empate aos polacos com um golo de Saganowski e um prodigioso remate de longa distância de Ziober: 2-2 no final do 1º segmento de jogo.

O 2º período trouxe muitas emoções, com a vantagem romena trazida pelo livre directo de Dobre a ser prontamente desfeita pelo pontapé de saída de Saganowski, antes de a Polónia ser autenticamente cilindrada por uma Roménia implacável, liderada por Maci. O número 14 romeno apontou dois golos pavorosos, um num espectacular remate de muito longe, o outro num fenomenal pontapé de bicicleta, selando a contagem no 2º período de jogo com uma assistência para Raj, que concluiu da melhor maneira uma jogada de contra-ataque: 6-3 a favor dos romenos, deixando a Polónia numa situação deveras complicada.

3º período: intensidade descomunal

O 3º período, porém, ainda proporcionaria emoções mais fortes, com o jogo a assumir uma vivacidade muito própria da modalidade. Inicialmente, se a Roménia caiu no erro de tentar defender o resultado que trazia do 2º período, o mesmo não aconteceu com os polacos que, liderados por Saganowski, foram pressionando a defesa adversária, acabando por conseguir marcar três preciosos golos que lhe dariam o empate: 6-6, com um golo de Wymuszek e dois tentos quase seguidos de Boguslaw Saganowski. A reacção romena, no entanto, não se fez esperar, e foi pouco tempo depois do golo do empate que Croi, num livre de muito longe, bateu o guarda-redes Skrypiec, sem hipóteses de defender um remate perfeito. A Polónia tentou reagir, mas não consegui voltar a marcar, enquanto o tempo passava, até que a Roménia chegou ao oitavo golo, por intermédio de Dobre, em mais um livre cobrado a uma grande distância da baliza.

O 8-6 cortava as aspirações polacas, apesar da tentativa desesperada de Saganowski e companheiros na ânsia de marcar novos golos. Como resultado da falta de calma e fair-play, Wymuszek e Saganowski foram expulsos, na sequência de um canto em que Wydmuszek empurrou violentamente um jogador romeno e Saganowski introduziu a bola na baliza adversária num fantástico remate acrobático após o apito do árbitro, dirigindo-se ao juiz da partida aos gritos, provavelmente de forma insultuosa, visivelmente de cabeça perdida. A situação foi caricata, com a equipa Polónia a jogar os 20 segundos que faltavam em inferioridade numérica, com apenas 3 jogadores em campo, um dos quais era o guarda-redes Skrypiec. Contudo, a Roménia não marcou mais golos e o jogo terminou mesmo com um triunfo romeno por 8-6, lançando os jogadores e equipa técnica romenos numa festa sem precedentes.

Roménia e Polónia: ilações a retirar e situação actual

De facto, foi uma grande vitória, num grande jogo de futebol de praia, frente a uma excelente equipa que nunca se rendeu! A Roménia está de parabéns pelos 3 pontos que conseguiu obter, que lhe poderão vir a ser muito úteis no decorrer da competição, e pela excelente imagem que deixou ao longo da competição, num trio de boas exibições que justificam plenamente a sua presença na Divisão A da Liga Europeia. Maci, sobretudo, mostrou ser um jogador acima da média, com uma técnica fenomenal e uma energia inesgotável. Dobre, Croi e Raj também deixaram boas indicações, assim como o guarda-redes Verbi, apesar de algumas infelicidades no jogo frente aos italianos. Naturalmente que a Roménia ainda tem um longo caminho a percorrer no campo do futebol de praia europeu, mas esta evolução está a ser muito positiva.

A Polónia abandonou Moscovo sem qualquer ponto, o que não satisfaz de maneira nenhuma as aspirações dos seus jogadores para esta Liga Europeia de Futebol de Praia 2010, mas demonstrou que se encontra num bom momento de forma, com uma equipa coesa e disciplinada, repleta de talentos, dos quais Saganowski e Ziober são os nomes mais sonantes. No entanto, o parâmetro defensivo devia merecer particular atenção da parte do treinador Polakowski, além de uma certa inconsistência nas actuações da sua equipa, cuja produtividade sofre variações drásticas consoante o momento do jogo, diminuindo subitamente nos instantes decisivos. Ainda assim, a Polónia tem ainda possibilidades de evitar a última posição da Divisão A e escapar a uma eventual despromoção, caso vença a França na segunda etapa da fase regular, em Marselha.

RÚSSIA 4 – 3 ITÁLIA. DUELO DE GIGANTES. ITÁLIA AGUERRIDA. EFICÁCIA E FRIEZA RUSSAS.

No último jogo do evento, os anfitriões defrontaram a congénere italiana, num combate aceso pelos 3 pontos para o Ranking da Liga Europeia e pela vitória na etapa. A Rússia, que jogava em casa, com um estádio cheio, após duas exibições muito consistentes frente a romenos e polacos, detinha o favoritismo face a uma Itália com muita garra, grande capacidade ofensiva, mas graves problemas defensivos, evidenciados nos triunfos suados obtidos nos jogos anteriores. No entanto, apesar das diferenças entre as duas selecções, esperava-se um jogo equilibrado, no qual a turma de Giancarlo Magrini daria uma boa resposta contra os rivais de leste (os italianos são um pouco assim, funcionam por adaptação do seu jogo ao nível apresentado pelos adversários).

A partida, muito renhida, correu de acordo com as minhas previsões, com uma equipa russa sempre muito concentrada, a não cometer erros e a jogar de forma simples, mas elegante, aproveitando eficazmente grande parte das suas oportunidades. Esta postura permitiu aos pupilos de Nikolai Pisarev (que cumpriu o último jogo como treinador da selecção de futebol de praia do seu país) passar para a frente do marcador várias vezes ao longo do jogo, acabando por conseguir segurar a vantagem, procedendo a uma gestão inteligente do resultado. A Itália tentou reagir, numa grande prestação, com alma e coração, continuando sempre na discussão do jogo. Conseguiu mesmo empatar a partida por duas vezes, mas a partir do terceiro golo russo, no final do 2º período, Pasquali, Carotenuto e colegas não conseguiram voltar a recuperar.

No primeiro período, o jogo estava equilibrado, com poucas oportunidades para cada equipa, sendo um remate de Carotenuto ao poste da baliza de Bukhlitskiy a melhor situação para marcar. No entanto, seria a selecção anfitriã a inaugurar o marcador, já com a segunda equipa em campo, na sequência de um canto, com Shakhmelyan a surgir na área italiana e a introduzir a bola na baliza de Spada, num lance em que a defesa transalpina esteve manifestamente mal (Pasquali e Spada deixaram a bola passar junto ao primeiro poste, Corosiniti falhou na marcação ao jogador russo). A Rússia manteve-se mais pressionante durante alguns instantes, mas a Itália voltaria a conseguir equilibrar o jogo, buscando incessantemente o empate, sobretudo Carotenuto, que acabou mesmo por marcar, num remate à meia volta, após um passe de um colega no lançamento lateral. Belo golo! Ambas as equipas tentaram alcançar a vantagem antes do fim do 1º período, mas sem sucesso.

(os restantes períodos do jogo serão convenientemente abordados em tempo incerto)

TOP 5 GOALS: Segundo a BSWW (e não Segundo Andrey Amabov)

Apresento em seguida uma selecção dos 5 melhores golos desta primeira etapa da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010, numa pequena produção da Beach Soccer World Wide. Neste filme, os membros da parte dos media da organização internacional da modalidade escolheram os seus golos favoritos entre os 105 que entusiasmaram o público moscovita nos três dias de competição, quer da divisão A quer da divisão B da Liga Europeia.

O vídeo inclui dois golos de Maci (Roménia), uma relíquia de Ziober (Polónia), um tento de Shishin (Rússia) e um momento de inspiração de Romrig (Alemanha), mas não contempla nenhum dos belos golos marcados pela equipa italiana no torneio. Embora ache que os golos seleccionados são 5 autênticas maravilhas do futebol de praia, penso que pelo menos o pontapé de bicicleta de Pasquali frente à Polónia deveria ter sido contemplado. O destaque natural do filme vai para Maci, o número 14 do colectivo romeno, que deslumbrou as bancadas com os seus golos de belo efeito e mostrou que a sua equipa veio ao escalão principal do futebol de praia europeu para lutar com os grandes.

Em todo o caso, aprovo estas iniciativas da BSWW na divulgação da modalidade na Internet, especialmente no youtube, e agradeço por terem disponibilizado um tão precioso recurso, que vem enriquecer o meu blogue.