Taça da Europa de Futebol de Praia Roma 2010: O espectáculo vai começar!

Pois é. O tempo vai passando e a tão esperada Taça da Europa de Futebol de Praia já chegou! É verdade. Hoje, pelas 16:30, tem lugar o pontapé de saída da 12ª edição do evento, na maravilhosa capital italiana, Roma!

A competição é disputada durante 3 dias (6ª feira, Sábado e Domingo), em formato de eliminatórias, isto é, em quartos-de-final, meias-finais e final. Serão também jogados todos os jogos de consolação, a fim de ficarem definidas todas as posições da classificação, do 1º ao 8º lugares.

No primeiro dia de Jogos, dia 4 de Junho, Portugal defronta a Suíça no primeiro jogo. Vai ser certamente um grande desafio de futebol de praia, com duas equipas de grande nível, que se conhecem muito bem. O espectáculo já está garantido. Agora resta esperar pelo resultado. E eu digo: vamos ganhar! Sim! Estou consciente das dificuldades que esta partida contra os vice-campeões do mundo acarreta, mas acredito plenamente na vitória de Portugal. Temos tudo o que é preciso para vencer os helvéticos e passar às meias-finais!

Seguidamente, a Espanha e a Polónia lutarão por um lugar entre as 4 melhores equipas do torneio, num jogo em que os nossos vizinhos ibéricos são favoritos. No entanto, a Polónia deixou uma boa imagem na primeira etapa da Liga Europeia 2010, apesar de ter perdido todos os jogos, e não me parece que o jogo vá ser fácil para a turma de Amarelle.

A Rússia, actual campeã europeia, tem a tarefa relativamente complicada de passar pela França, treinada pelo experiente Eric Cantona. Contudo, tem sido notória a decadência da selecção gaulesa ao longo dos últimos dois anos, quando perderam a sua posição de destaque como uma das melhores equipas europeias. Pelo contrário, a Rússia tem vindo a crescer de uma forma impressionante, desde 2007, e inclusivamente já deu provas da sua força no decorrer desta temporada, ao vencer os três torneios em que já participou, o último dos quais foi a primeira etapa da Liga Europeia de Futebol de Praia, em Moscovo. Por isso, penso que, de uma maneira ou de outra, os russos acabarão de levar vencida a selecção francesa.

No último jogo do dia, os anfitriões da Taça da Europa debatem-se com os rivais da Hungria, na luta por um lugar nas meias-finais. Os italianos ocupam indiscutivelmente um lugar de destaque no futebol de praia europeu, embora sejam muito irregulares e, consequentemente, muito imprevisíveis: nunca se sabe muito bem o que esperar deles. De qualquer forma, são uma equipa de elite, com dois grandes jogadores (Pasquali e Carotenuto), além de outras mais valias, muito experiente, treinada por um técnico com garra (quem conhece Giancarlo Magrini sabe do que falo) e que vai fazer tudo pelo triunfo em frente ao seu público. Isto para apagar a péssima imagem transmitida pelos transalpinos no ano passado, quando perderam todos os jogos e ficaram no 8º lugar (entenda-se: o último) da classificação. A Hungria, que não tem nada a perder, vai a Roma com vontade de surpreender, esperando repetir a gracinha do ano passado, quando eliminou a Itália no primeiro jogo (5-2).

Durante os três dias, quase todos os jogos serão transmitidos em directo pela Eurosport 2. Hoje, 6ª feira, 4 de Junho, todos os jogos têm direito a transmissão directa. Além disso, todos os jogos serão transmitidos via online, no site da BSWW (Beach Soccer WorldWide), que emite os 12 jogos da competição em alta definição (não sei se isto é mesmo verdade, embora seja levado a crer que sim) para todos os fãs de futebol de praia à volta do mundo.

Podem acompanhar toda a acção da Taça da Europa de Futebol de Praia Roma 2010 aqui.

Toca a apoiar a nossa selecção! Toca a viver a alegria e emoção deste desporto apaixonante! É a magia do futebol de praia, ao alcance de todos!

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Liga Europeia de Futebol de Praia 2010 – Primeira Etapa da Fase Regular em Moscovo: Russos e Italianos vencem os seus desafios e defrontam-se no jogo final de Domingo.

Nota: Se procuram informações sobre a Superfinal da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010, realizada em Lisboa, em Belém, visitem este post, onde poderão encontrar tudo o que pretendem.

A temporada europeia do futebol de praia já começou, com o desporto mais espectacular do planeta a invadir as areias do velhos continente. Técnica, criatividade, emoção, paixão e muitas surpresas são os ingredientes para um Verão repleto de grandes momentos de beach soccer: football and lifestyle.

Este ano, o início da Liga Europeia foi antecipado, pelo que o primeiro torneio da fase regular tem lugar entre os dias 28 de Maio (6ª feira) e 30 de Maio (Domingo) de 2010, na capital russa, Moscovo. Posteriormente, a Liga Europeia será suspensa durante aproximadamente um mês, sendo a Taça da Europa disputada no primeiro fim-de-semana de Junho, em Roma. A Liga Europeia regressa no fim do sexto mês do ano, com dois torneios a serem realizados, antes de as praias italianas de Bibione acolherem o Torneio de Qualificação para o Mundial 2011 da modalidade. Por fim, terá lugar o derradeiro evento da fase regular da Liga Europeia, com o tradicional Mundialito a ser disputado no início de Agosto e a Superfinal Europeia a fechar a temporada, coroando os campeões europeus de 2010.

O estádio de Poklonnaya Hill, em Victoria Park, durante a deposição e tratamento das areias utilizadas na competição. Moscovo preparou um evento de grande dimensão, num sinal de que a estrutura organizativa russa acompanhou os mais recentes êxitos da selecção do seu país, actual campeã europeia.

O estádio de Poklonnaya Hill, em Victoria Park, durante a deposição e tratamento das areias utilizadas na competição. Moscovo preparou um evento de grande dimensão, num sinal de que a estrutura organizativa russa acompanhou os recentes êxitos da selecção do seu país, campeã europeia.

Até ao momento, já tiveram lugar as duas primeiras jornadas da etapa russa da fase regular da Liga Europeia. O evento engloba duas competições distintas, a saber: um torneio quadrangular entre Rússia, Itália, Polónia e Roménia; um torneio triangular da divisão B da Liga Europeia, com Grécia, Alemanha e Israel.

Irei explorar, em seguida, os desenvolvimentos da divisão A, apresentando a situação actual de uma forma resumida. A divisão B será convenientemente explorada noutra oportunidade.

Divisão A: Coesão Colectiva para a Selecção Russa. Talento de Pasquali para os transalpinos.

Poster publicitário da Etapa Russa da Fase Regular da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010. Na imagem, o jogador russo Rustam Shakhmelyan arma o remate, em luta com o espanhol Juanma.

Poster publicitário da Etapa Russa da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010. Na imagem, o jogador russo Rustam Shakhmelyan arma o remate, em luta com o espanhol Juanma.

Em cada dia foram disputados dois jogos entre as equipas que compõem o elenco deste torneio.

O dia de estreia do evento viu um duelo muito aceso entre italianos e polacos, com a técnica e a garra de Pasquali a darem a vitória aos Azurri após prolongamento, num jogo complicado para a equipa treinada por Giancarlo Magrini. Mas o prato forte do dia foi a goleada que os anfitriões impuseram aos romenos, num jogo em que o público local só teve razões para sorrir.

O segundo dia de jogos teve algumas semelhanças, com a Itália a enfrentar algumas dificuldades para levar de vencida a Roménia e a Rússia a alcançar uma vitória segura e confortável frente aos rivais da Polónia, garantindo o segundo triunfo em casa para a Liga Europeia, amealhando 3 preciosos pontos para o Ranking da competição.

Resultados:

28 de Maio

Itália 6 – 6 Polónia, Itália 7 – 6 Polónia (prolongamento)

Rússia 9 – 3 Roménia

29 de Maio

Itália 8 – 7 Roménia

Rússia 7 – 2 Polónia

Síntese:

Na vitória da Itália sobre a Polónia, obtida no prolongamento de 3 minutos, por 7-6, após um empate a 6 bolas em tempo regulamentar, destaque para a fantástica prestação do capitão transalpino Roberto Pasquali, que marcou 4 vezes e foi absolutamente determinante para o sucesso da sua equipa. A sua prodigiosa actuação incluiu o derradeiro golo do jogo, obtido em Extra Time, que foi um dos melhores golos da competição (provavelmente o melhor): respondendo a um lançamento longo do guarda-redes Spada, Pasquali recebeu a bola de peito e armou o pontapé de bicicleta de uma forma magistral, disferindo um remate potente para o lado oposto da baliza polaca, num gesto técnico perfeito, que daria a almejada vantagem  ao conjunto transalpino, apesar da tentativa de defesa de Gorecki. Neste jogo, destaque ainda para Wiltold Ziober, número 7 da Polónia, que apontou 3 dos 6 golos da sua equipa, numa exibição de grande nível. A Itália conquistou os 2 primeiros pontos para o Ranking da fase regular da Liga Europeia, enquanto a Polónia não somou qualquer ponto.

Giancarlo Magrini festeja alegremente com os seus jogadores. Pasquali, o homem do jogo, mal se vê nesta fotografia, sufocado com os abraços do seu treinador e colegas de equipa. Carotenuto, que ainda discutia com os árbitros, está com cara de poucos amigos.

Giancarlo Magrini festeja alegremente com os seus jogadores. Pasquali, o homem do jogo, mal se vê nesta fotografia, sufocado com os abraços do seu treinador e colegas de equipa. Carotenuto, que ainda discutia com os árbitros, está com cara de poucos amigos.

O duelo de leste entre russos e romenos foi, como se esperava, favorável aos homens da casa, campeões da Liga Europeia em título, que ultrapassaram tranquilamente os rivais da Roménia, recentemente promovidos à divisão A da competição. O jogo começou com um golo madrugador dos romenos, com Maci a surpreender tudo e todos ao inaugurar o marcador. No entanto, a experiência e a classe russas acabaram por vir ao de cima no decorrer do encontro, o que acabaria por se reflectir nitidamente no resultado que se verificava ao fim do 1º período de jogo: 4-1 favorável aos anfitriões. O 2º período acabou por funcionar como uma gestão do resultado por parte dos russos, apesar da boa resposta dada pelos romenos, e tudo estava totalmente decidido no 3º segmento do encontro, quando a Roménia deixou de reagir da mesma forma e a Rússia também desceu um pouco o ritmo, acabando por marcar mais dois golos. No final, o resultado de 9-3 e os consequentes 3 pontos no Ranking da Liga Europeia devia-se à união e à capacidade de cooperação dos elementos russos, dos quais Leonov, Shakhmelyan e Shishin foram os principais destaques, ao apontarem 2 golos cada um. Os 3 tentos romenos foram da autoria de Maci, que surpreendeu o mundo com a sua qualidade técnica (o terceiro golo foi pavoroso).

Dmytry Shishin, um dos melhores em campo, com dois golos, em confronto com Dobre, jogador romeno.

Dmytry Shishin, um dos melhores em campo, em confronto com Dobre, jogador romeno. O jogo correu de feição ao número 6 da Rússia, que apontou 3 golos, o último dos quais numa magnífica acrobacia (overhead).

Hoje, dia 30 de Maio, os jogos da divisão A começaram com um duelo renhido entre a Itália e a Roménia, que acabaria por culminar na segunda vitória dos transalpinos e na segunda derrota dos romenos. Dado que o triunfo foi alcançado em tempo regulamentar, os italianos foram premiados com 3 pontos, somando 5 pontos no total, ao passo que os romenos permanecem em branco na fase regular da Liga Europeia. Contudo, é louvável a forma como os jogadores de leste encararam o jogo, continuando na discussão do resultado até ao último segundo, sem nunca deixar que a Itália obtivesse um vantagem superior a 2 golos (foi esta a maior discrepância verificada entre as duas equipas, no 3º período de jogo). A Itália esteve bem ao conseguir uma produtividade ofensiva muito elevada, mas tem de melhorar o aspecto defensivo se não quiser cometer os mesmos erros graves no futuro. Os destaques do lado italiano foram Pasquali, com um hat-trick (soma 7 golos no total da competição), Carotenuto (2 golos, de grande penalidade) e os guarda-redes Spada e Del Mestre, que marcaram um golo cada um, gerando uma situação bem caricata neste jogo tão emocionante. Na Roménia, muitos jogadores lograram marcar (Maci, Marian Posteuca, Raj, Croi, Jimmy), sendo que Dobre conseguiu dois golos.

O italiano Pasquale Carotenuto tenta uma das suas famosas acrobacias, enfrentando a oposição de Gabriel Dobre, da Roménia. Ambos os jogadores marcaram 2 golos para as respectivas equipas.

O italiano Pasquale Carotenuto tenta uma das suas famosas acrobacias, enfrentando a oposição de Gabriel Dobre, da Roménia. Ambos os jogadores marcaram 2 golos para as respectivas equipas.

A Rússia, no derradeiro encontro do dia, derrotou solidamente a equipa polaca por expressivos 7-2, num resultado que deve mais de metade dos seus golos a uma chuva de tentos no 3º período. À semelhança do que acontecera anteriormente aquando do confronto com os romenos, a Rússia sofreu o primeiro golo, mas tal não afectou a equipa, que conseguiu chegar à vantagem antes do intervalo. No 2º período, os russos obtiveram um golo controverso (por meio de uma grande penalidade) e foi nos últimos 12 minutos de jogo que os anfitriões brindaram os apoiantes com 4 golos de belo efeito. Eremeev foi a figura do jogo, ao apontar 3 golos, dos quais se destaca a acrobacia do primeiro tento. Leonov e Shishin, como não podia deixar de ser, também marcaram cada um o seu golinho, tal como Gorchinskiy, e até o guardião, Andrey Bukhlitsliy, fez o gosto ao pé, ao apontar o quinto golo russo no terceiro golo marcado por um guarda-redes no dia. Os dois golos de Saganowski foram insuficientes para travar o poderio russo. 6 pontos somados pela Rússia no total, enquanto a Polónia permanece no fundo da classificação, juntamente com a Roménia, ambas sem qualquer ponto.

No início do 3º período, Andrey Bukhlitsliy, o grande guarda-redes russo, beija o poste da baliza que vai defender nos 12 minutos finais. Mal sabia ele que 5 minutos mais tarde estaria a festejar o golo que ele próprio marcaria, na baliza adversária. Uma das maiores figuras da selecção russa, sem dúvida!

No início do 3º período, Andrey Bukhlitsliy, o grande guarda-redes russo, beija o poste da baliza que vai defender nos 12 minutos finais. Mal sabia ele que 5 minutos mais tarde estaria a festejar o golo que ele próprio marcaria, na baliza adversária. Uma das maiores figuras da selecção russa!

Terceiro Dia

No panorama actual, com dois jogos para serem disputados no que resta desta primeira etapa da fase regular da Liga Europeia, podemos retirar imediatamente as conclusões óbvias de que a Rússia e a Itália estão bem lançadas na campanha europeia, estando praticamente assegurada a sua presença na Superfinal da Liga Europeia, ao passo que a Roménia e a Polónia terão de lutar a todo o custo pelo acesso à referida Superfinal, bem como pela simples manutenção na Divisão A.

Os jogos de amanhã serão certamente decisivos, cada um de sua maneira: o confronto titânico entre russos e italianos será fundamental para decidir quem vence o torneio de Moscovo em si, ou seja, quem se sagra campeão da primeira etapa da fase regular da Liga Europeia; o duelo entre polacos e romenos terá importância capital na determinação da classificação final da fase regular, interferindo certamente na definição das equipas qualificadas para a Superfinal e da equipa que eventualmente possa descer à divisão B da Liga Europeia.

Boguslaw Saganowski, um dos principais jogadores da selecção polaca, vai lutar com tudo o que tem para manter a Polónia longe da Divisão B da Liga Europeia. Na imagem, Saganwoski domina a bola perante a vigilância atenta do italiano Corosiniti, no primeiro dia de competição.

Boguslaw Saganowski, um dos principais jogadores da selecção polaca, vai lutar com tudo o que tem para manter a Polónia longe da Divisão B da Liga Europeia. Na imagem, Saganwoski domina a bola perante a vigilância atenta do italiano Corosiniti, no primeiro dia de competição.

Previsões? Penso que a Rússia acabará por derrotar a Itália, uma vez que os russos estão indiscutivelmente mais fortes e mais disciplinados do que os italianos, tanto a defender como a atacar. Pasquali, Carotenuto e companhia são excelentes jogadores e marcam muitos golos, mas surgem problemas quando se trata de defender a sua própria baliza. Este poderá ser o principal factor justificativo de uma eventual derrota dos Azurri frente aos anfitriões. O apoio dos espectadores será sempre um ponto a favor da Rússia e isso também tem de ser levado em conta, além do facto de os russos parecerem mais calmos e tranquilos do que os italianos neste início de época, o que se vê facilmente pela forma como conseguiram tomar as rédeas dos jogos frente a romenos e polacos, algo que a Itália não conseguiu fazer.

Quanto à batalha entre Roménia e Polónia, tenho muitas dúvidas, pois não conheço suficientemente bem as duas equipas e acho que são bastante equivalentes uma à outra. Julgo, ainda assim, que a maior experiência de alguns jogadores polacos poderá fazer a diferença, dando a vitória e os primeiros pontos ao conjunto treinado por Polakowski.

Esperemos para ver o que sucede…

Spring Cup Viseu 2010: Arbitragem do Portugal vs Suíça e do torneio

Penso que, no último post, deixei bem clara a minha forma positiva de encarar a derrota, valorizando a atitude exemplar da selecção nacional e o mérito da equipa suíça, explicando a derrota portuguesa com base na menor eficácia dos jogadores lusos e no azar que perseguiu sobre os pupilos de José Miguel Mateus. No entanto, a aptidão dos suíços para marcar em momentos cruciais e a infelicidade dos avançados de Portugal não são os únicos factores a ter em conta, considerando alguns acontecimentos estranhos que ocorreram durante o jogo. Como se justifica que, após o golo de Stankovic, quando a selecção nacional procurava corajosamente o empate, o árbitro tenha prejudicado sistematicamente a equipa portuguesa, com várias decisões erradas consecutivas? Passarei a clarificar cada situação.

Portugal 3 – 4 Suíça: Casos do jogo

Praticamente na primeira jogada de perigo para a baliza de Nico depois do quarto golo dos helvéticos, o número 8 suíço, Moritz Jaeggy, cometeu mão no interior da sua área defensiva. A grande penalidade era clara, mas os árbitros nada assinalaram, deixando os jogadores portugueses e o banco de suplentes a protestar, obviamente indignados. Logo a seguir, quando Belchior explorava os raros espaços concedidos pela defensiva suíça, foi indiscutivelmente carregado em falta por Schirinzi, sem que a equipa de arbitragem tivesse tomado qualquer atitude. Da falta evidente resultaria um livre perigosíssimo para a baliza de Nico, ligeiramente descaído para a esquerda, bem ao jeito de Belchior. Numa das jogadas seguintes, o número 10 de Portugal tornou a ser travado em falta, mais ou menos no mesmo local da situação anterior, num lance que não deveria trazer dúvidas ao mais inexperiente dos árbitros, mas que não foi sancionado pelos juízes da partida. Muito curioso…

Estes três episódios foram praticamente seguidos, o que me leva a questionar a isenção dos árbitros daquela partida. Peço desculpa por estas teorias da conspiração, mas penso que os adeptos de futebol de praia mais atentos à modalidade terão consciência da tendência natural dos juízes para prejudicar Portugal nas suas decisões. Basta recordar algumas situações bastante caricatas nos últimos mundiais, sobretudo o de 2008, no qual, utilizando uma expressão popular, “fomos roubados à força toda”.

A arbitragem na competição: uma curiosa sucessão de erros

Neste contexto, julgo que esta questão pode ser pertinente, sobretudo se analisarmos a actuação da arbitragem no resto do torneio. Começando pelo próprio Portugal vs Suíça, gostaria de recordar outra grande penalidade não assinalada, resultante de uma falta sobre Belchior, ainda no 1º período.

Recuando um dia no tempo, somos confrontados com outras duas situações curiosas no jogo entre a selecção nacional e os russos: a primeira foi uma grande penalidade que escapou aos árbitros da partida, por falta sobre Durval, nos 12 minutos iniciais; a segunda consistiu na expulsão do mesmo jogador, já no terceiro período de jogo, quando o jovem número 8 português travou em falta a corrida de Aksenov, ainda fora da área defensiva de Portugal, sem qualquer intenção de agredir o jogador adversário, embora tenha dirigido a entrada às pernas do avançado russo. O cartão vermelho, apesar de aceitável, é muito discutível, obedecendo a um critério muito rígido que, na minha perspectiva, não esteve de acordo com a arbitragem no resto do encontro, nem tão pouco deve ser aplicado em torneios desta natureza.

Por fim, atingimos o primeiro dia da Spring Cup, com o jogo inaugural de Portugal diante da congénere britânica. Nenhuma situação a assinalar, à excepção da grande penalidade da qual a selecção inglesa dispôs, a um minuto do final do jogo, por alegada mão na bola de Torres, quando este tinha o braço junto ao corpo e o esférico simplesmente tocou na sua mão, num remate que até ia para fora. Este episódio, totalmente ridículo, que poderia ter feito Portugal sofrer um golo, não fosse a brilhante intervenção de Paulo Graça, vem criar uma certa dualidade de critérios, sendo que os lances passíveis de grande penalidade, como a mão de Mo, não são assinalados, enquanto que as situações legais do jogo, nomeadamente este contacto inofensivo da bola com a mão de Torres, dão origem a penaltis. Interessante…

Ainda no primeiro dia de jogos, recuando umas horas, somos confrontados com uma situação deveras estranha, relacionada com a forma como foi marcado o terceiro golo russo, ainda no 1º período. Recorde-se que o número 5 Krasheninikov, após uma boa iniciativa individual, simulou a falta na área da Suíça, como se tivesse sido derrubado por Nico Jung, e os árbitros, supostamente enganados pela teatralidade do lance, concederam grande penalidade e o avançado russo, moralizado, não falhou.

Conclusões: meras suspeitas de falta de isenção dos árbitros

Agora digam-me: haverá alguma razão para duvidar da legitimidade da arbitragem neste torneio? Pois claro que sim! Naturalmente que isto são apenas suspeitas, e não tenho provas para acusar os juízes dos jogos de tentativa de manipulação de resultados. No entanto, por detrás da excelente qualidade do futebol de praia apresentado pelas 4 selecções nacionais, que estão de parabéns pelo maravilhoso espectáculo que proporcionaram, esconde-se uma prestação vergonhosa da equipa de arbitragem. Se é verdade que alguns casos se podem explicar pela margem de erro humano, outras foram demasiado próximas e em número demasiado elevado para poderem ser atribuídas ao acaso.

Em termos gerais, podemos inferir uma possível tentativa de estragar os planos da selecção nacional, por quem os árbitros não morrem de amores, ou uma jogada no sentido de beneficiar a equipa russa, quer pelas ajudas concedidas nos jogos da equipa de leste, quer pelas injustiças que afectaram Portugal em outros jogos do torneio, servindo na perfeição as aspirações russas. Note-se, mais uma vez, que estou apenas a tentar perceber o que realmente aconteceu, na tentativa de descobrir a verdade acerca do assunto, sem querer ofender ninguém ou acusar os árbitros, pois não tenho quaisquer provas do que quer que seja. Além disso, as suspeitas referem-se apenas aos árbitros, e não aos responsáveis pela equipa russa, que eu respeito e admiro pela grande qualidade do seu futebol de praia.

Remate final: para que serve este post?

Em suma, este post destina-se apenas ao esclarecimento de todas as questões relacionadas com a arbitragem na Spring Cup Viseu 2010, em busca da verdade desportiva. Visto que não tinha dados suficientes para obter conclusões fiáveis, formulei as hipóteses que me pareciam mais plausíveis, reafirmando a sua natureza falível. Uma vez que as dúvidas persistem e a minha curiosidade é muita, deixo aberta a discussão do assunto com qualquer pessoa que tenha disputado a competição ou assistido ao evento.

De qualquer maneira, como nota final, queria realçar que este post não põe em causa o meu amor ao futebol de praia e o fascínio pela Spring Cup 2010. Antes pelo contrário, pretende demonstrar o quão indignado e triste me sinto por ver que a arbitragem não tem acompanhado o prodigioso crescimento da modalidade, poluindo as arenas de todo o mundo com as suas decisões erróneas, possivelmente facciosas. Apenas redigi este post separadamente dos restantes artigos sobre a Spring Cup porque o texto era demasiado longo e eu não queria estragar os textos anteriores, verdadeiros hinos ao futebol de praia, com estas considerações sobre um fenómeno tão deplorável como este.

Em todo o caso, devemos reter a ideia de que, como o Zé Miguel disse após o jogo com a Suíça, estas situações fazem parte do espectáculo e temos de saber viver com elas (não me lembro das palavras exactas, mas foi esta a mensagem sábia e experiente que o nosso seleccionador transmitiu).

Férias de Carnaval – Day 1

Após uma longa ausência de uma semana, cá estou eu de regresso à redacção do meu blogue. Nos últimos 3 dias não escrevi nada devido a alguma cansaço, falta de tempo e, sobretudo, uma vaga preguiça que se apoderou do meu ser. Anteriormente, ausentara-me do distrito de Lisboa para desfrutar de umas pequenas mas frutuosas férias de Carnaval em família, na tranquilidade de uma pacata urbanização de carácter rural no Algarve (peço desculpa pela sonoridade paradoxal desta antítese), em companhia do meu precioso e tantas vezes desvalorizado agregado familiar: a minha mãe e a minha irmã.

É precisamente sobre o primeiro dia deste enriquecedor período de repouso institucional que este post irá incidir. Farei uma abordagem típica de um diário. Resta aguardar pelo resultado final.

Despertar

Sábado. 13 de Fevereiro de 2010. 10:30 (mais coisa menos coisa). Após umas primeiras horas de madrugada muito produtivas em termos de posts, aconchegara o meu corpo entediado na frieza invernal dos lençóis (apesar das temperaturas amenas possibilitadas pelo aquecedor) já numa fase adiantada da noite, pelo que o meu despertar a essa hora foi muito difícil e penoso para mim. (In)felizmente, os gritos estridentes da minha adorada irmã foram muito eficazes e arrancaram a minha alma sonolenta ao seu descanso pesado, se bem que de uma forma pouco agradável e muito tumultuosa.

No seguimento de um simples mas delicioso pequeno-almoço cerealífero e de um saudável e psicologicamente estimulante banho matinal, aprontei a mochila com os objectos de lazer que gostaria de levar para o destino e acompanhei os meus entes queridos num exílio de 4 dias e 4 noites.

A viagem

Merendámos numa estação de serviço algures na margem sul do Tejo e prosseguimos no nosso caminho. A viagem foi curta e banal, comum a tantas outras, dada a fluidez dos automóveis modernos nas quase rectilíneas autoestradas portuguesas, no caso a A2 e a A22, que seguem caminho com uma facilidade incrível por esse país fora, recorrendo a todas as estratégias permitidas pela engenharia. Algumas estão em relativa harmonia com o ambiente, sobrevoando rios e ribeiras, outras traem e destroem a mãe natureza, chacinando árvores, amputando outeiros e trespassando montanhas através de túneis obscuros.

Por fim, atingirmos o destino final da jornada: o Hotel Renaissance Spa & Golf Resort, na urbanização Vila Sol, localizada nos arredores de Vilamoura. Ainda não eram 4 horas da tarde quando nos dirigíamos à recepção do estabelecimento para fazer o check-in. Passados alguns instantes, éramos levados pelo buggy até à nossa habitação provisória: um delicioso quarto numa das ruas da parte campestre, mergulhado na paz serena dos jardins da pequena povoação hoteleira.

O Paraíso: paisagem resplandecente da parte rural do Hotel Renaissance

Em busca da piscina: alguém tem uma bússola?

A minha mãe, que manifesta um prazer especial pela organização da anatomia do quarto de hotel, estando disposta a sacrificar as primeiras horas da sua estadia pelo maior aproveitamento possível das férias pela nossa parte, permitiu e incentivou a nossa primeira visita à piscina interior do hotel. Felizes nesta nova morada, tão aprazível aos nossos espíritos jovens e propícia a um Carnaval soberbo, acolhemos a proposta de forma mais um menos efusiva e de bom grado nos equipámos para o efeito.

Contudo, a nossa singular falta de atenção, durante a viagem do buggy, relativamente à configuração da aldeia, impediu a descoberta o edifício da piscina interior pela nossa parte. Deste modo, digamos que demos voltas e mais voltas no espaço do hotel, respirando uma poesia inspiradora que pairava no ar, enquanto vagueávamos por entre os blocos de alojamento, as suaves piscinas e lagos exteriores, os lindos canteiros verdejantes, onde desabrochavam as mais variadas preciosidades vegetais.

A dada altura, assomámos diante da varanda do quarto 1011 (que por acaso era o nosso) e a minha mãe surpreendeu-nos no nosso passeio rural interminável. Incapaz  de compreender a nossa falta de orientação, mostrou-nos o verdadeiro caminho para a piscina, que afinal até era bem simples, e pôs fim à nossa caça aos gambozinos. Eu e a minha irmã até já estávamos a tecer comparações com os espectaculares episódios da Twilight Zone.

Na piscina: os  ingleses

Uma vez na piscina, que apesar dos escassos 10 m de comprimento se nos revelou muito agradável, desfrutámos desse prazer enorme que é banhar a totalidade do nosso organismo humano no líquido da vida (embora impregnado de quantidades assustadoras de sais de cloro e outros compostos). O espaço estava repleto de clientes do hotel, mas a piscina em si estava vazia, pelo que pudemos nadar um bocado e brincar debaixo de água, como tanto gostamos de fazer.

O jacuzzi, que, de resto, não nos suscitava grande curiosidade, estava repleto de adolescentes ingleses (dois rapazes e duas raparigas), calculo que com uma idade semelhante à minha, que dominavam a produção sonora do local, com os seus gritos estridentes atroando pelos vapores quentes da piscina, num sotaque que identificava perfeitamente a sua nacionalidade.

Eu e a minha irmã, divertidos, começámos a falar na língua de Shakespeare, reproduzindo um sotaque muito britânico, a fim de satirizar as atitudes dos nossos simpáticos colegas de hotel. Para além disso, no momento em que deixámos a piscina, comecei a escarnecer de uma forma muito pouco ortodoxa: tecendo insultos discretos aos amigos ingleses na eloquente (mas não neste caso) língua de Camões, pouco do entendimento daqueles jovens estrangeiros.

Foi uma atitude idiota, mas, ao mesmo tempo, muito engraçada, tendo motivado umas estridentes gargalhadas da nossa parte. E nunca pusemos em causa o respeito pelas pessoas de uma nacionalidade diferente, visto que tudo isto não passou de uma brincadeira inocente (inclusivamente temos uma amiga inglesa com quem nos reunimos todos os anos em Agosto).

De regresso ao quarto, devorámos um chocolate que tinha sido comprado na viagem e tomámos um banho quentinho para nos prepararmos para o jantar. Enquanto esperava pela minha irmã, tive a oportunidade de acompanhar uma parte das cerimónias de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Vancouver, no Canadá, em diferido, e desfrutar da beleza de um espectáculo esplendidamente concebido.

Jantar na Marina de Vilamoura: robalos e uma carraça

Após o seguimento das instruções da funcionária da recepção, auxiliados por um útil mapa da região, lográmos alcançar a marina de Vilamoura, que, naturalmente, constitui um gigantesco foco de restauração, quer pelos restaurantes de comida estrangeira (sobretudo britânicos, mas também italianos e orientais), quer pelos restaurantes onde se encontram as melhores iguarias que caracterizam a gastronomia da região. Desejosos de um bom jantar, que de alguma maneira compensasse o almoço menos nutritivo e o lanche praticamente inexistente, estávamos inclinados para a procura de um restaurante de carácter piscívoro.

Vista panorâmica da Marina de Vilamoura

Enquanto dávamos os primeiros passos na exploração do local, começando pelo exame ponderado da lista de um restaurante com ar acolhedor, surge um vulto sobre as nossas cabeças: era a empregada do restaurante, baixinha e gordinha, que tentava angariar clientes a todo o custo. Não entrou com o pé direito: gabou descomunalmente os bifinhos para os meninos. Contudo, a minha mãe imediatamente contrapôs que o peixe era o nosso ideal de refeição, ao que ela inteligente e habilmente respondeu que havia uma mista de peixe muito boa, com robalo, sargo, salmão e outros peixinhos, que era para duas pessoas, mas dava para os três. Olhámos para o preço, que parecia equilibrado, e, após a combinação da substituição do salmão por outro robalo, o acordo ficou selado e entrámos no restaurante.

A refeição foi fabulosa: desde o couvert panificado, que a fome tornou magistral, à referida mista de peixe, que de facto estava divinal (sobretudo no que toca aos robalos), a uma suculenta sopa do mar, com excelente peixe e deliciosas ameijoas, tudo foi distintamente apreciado pelas três bocas da família, que saborearam com rios de prazer cada pedaço de alimento. Só foi pena o carácter irritante da empregada, excessivamente preocupada com o nosso bem-estar, como se disso dependesse a sua vida. As perguntas constantes no sentido de averiguar se estava tudo bem e tínhamos gostado carregaram aquele jantar gastronomicamente tão agradável de um certo desconforto, como se pairasse sobre nós uma força PIDEsca que vigiasse as nossas acções.

“Venham sempre cá quando eu estiver. Quando eu não estiver não venham cá.” Foram estas as suas maçadoras palavras já perto do final do jantar. Obtiveram exactamente o efeito contrário, já que aquele prestigiado restaurante não voltou a lucrar com a nossa presença.

De regresso ao hotel, joguei PES 6 durante algum tempo (o suficiente para ganhar uma Rebok Cup) e depois apaguei a luz, colocando um ponto final a este primeiro dia de férias e dando início ao primeiro período de sono naquela nova e confortável cama.

O resto das férias

Enfim, o primeiro dia é sempre o mais espectacular na medida em que está associado ao impacto inicial do local e à primeira sensação de liberdade. Neste caso, a ideia de que deixáramos para trás um mundo escolar, que ficaria suspenso durante alguns dias, representou um factor de valorização da experiência, bem como a surpresa positiva causada pela beleza harmoniosa do espaço.

Por esta razão, considero mais importante a descrição detalhada do primeiro dia de férias do que dos que se seguiram. Foi com esse espírito que escrevi este longo post, que se debruça apenas sobre o sábado gordo. Não sei como apresentar o resto das minha férias de Carnaval, mas sei 2 coisas: a) não posso dar seguimento a este longo diário, pois, se o fizer, despenderei tempo precioso num projecto de fraca utilidade; b) tenho de fazer referência a outros aspectos das férias de Carnaval, que marcaram de forma tão significativa estes dias tranquilamente sublimes!