Manuel Alegre fez uma boa campanha. Cavaco leva uma vantagem desconfortável para as eleições. A segunda volta é ainda uma possibilidade. Não se abstenham!

Na sequência deste comentário do meu estimado colega Francisco Barão Dias a este artigo de opinião, resolvi proceder a uma retrospectiva da campanha eleitoral de Manuel Alegre e divulgar as minhas previsões para as Presidenciais 2011, deixando a minha perspectiva pessoal bem patente. Confesso que inicialmente não pretendia desenvolver exaustivamente o assunto, mas acabei por fazê-lo dada a sua relevância e o meu entusiasmo enquanto escrevia.

A Campanha Eleitoral de Manuel Alegre

Na minha perspectiva, Manuel Alegre fez uma boa campanha. Contrariando alguns dos meus receios, soube conter convenientemente a sua iminente sede de poder, colocando as prioridades do país sempre à frente dos seus interesses pessoais. Acerca do seu discurso, penso que se pronunciou com clareza e coerência (o que é fundamental) sobre os assuntos mais relevantes no actual contexto socioeconómico e político, deixando as suas posições bem esclarecidas e mostrando que reúne todo um conjunto de condições de importância capital para o cargo de Presidente da República.

São exemplos disso a frontalidade com que defendeu o Estado Social, deixando patente a forma convicta como defende o apoio do Estado à saúde e à educação (mostrou-se disposto a bater-se pela gratuitidade do SNS e do Ensino Público) e a importância de uma participação activa do Presidente da República na política externa portuguesa, fazendo uso dos poderes do cargo para dialogar com o exterior e intervir na estruturação das relações e nos negócios entre os países (algo em que Cavaco Silva se notabilizou pelo silêncio e pela inactividade).

A Postura de Manuel Alegre face aos casos em que Cavaco Silva esteve envolvido

Sei que, quando o Francisco fala de contra-campanha, se referes a um conjunto de argumentos ad hominem de que não só Alegre, mas também todos os outros candidatos (incluindo Cavaco Silva) se socorreram durante esta campanha. Não o nego e concordarei inteiramente com quem afirmar que esse tipo de estratégias, independentemente de poderem resultar e de suscitarem questões relevantes, não contribuem em nada para o enobrecimento da campanha. Ainda assim, gostaria de notar aqui dois aspectos importantes:

1) O caso BPN e outros assuntos passíveis de atentar contra a credibilidade do actual Presidente da República, Cavaco Silva, foram trazidos a esta campanha eleitoral por outros candidatos (Francisco Lopes, Defensor Moura), sendo particularmente salientados durante os debates entre Cavaco e estes candidatos. Por outro lado, é preciso saber distinguir a forma como os apoiantes de Manuel Alegre, independentemente atacaram o carácter Cavaco Silva, e aquilo que o próprio Manuel Alegre disse acerca do assunto.

2) O modo como Alegre encarou estes ataques à personalidade de Cavaco foi, a meu ver, exemplar, dado que soube gerir convenientemente a situação, com prudência e responsabilidade. Nos debates e entrevistas, Alegre não se servia destas polémicas para desenvolver a sua argumentação, discutindo esses assuntos apenas quando questionado acerca deles. Para além disso, não ouvimos Manuel Alegre a dirigir acusações a Cavaco Silva, mas simplesmente a enunciar factos concretos que despertavam suspeitas acerca do Presidente da República, limitando-se a pedir esclarecimentos a Cavaco Silva. De resto, o próprio Manuel Alegre, aquando da entrevista com Judite de Sousa, disse muito claramente que lamentava ver a quase totalidade do tempo de antena dedicado a questões de segundo plano (todas estas manobras de bastidores).

Uma Campanha Frontal, Responsável e Convincente

Assim, penso que a campanha de Manuel Alegre decorreu de forma favorável ao candidato, que se expressou se uma forma inteligente e convincente, deixando bem claros os motivos pelos quais a sua eleição seria positiva para o país e gerindo adequadamente as polémicas que marcaram a campanha (incluindo aquelas das quais Manuel Alegre foi alvo e que rapidamente se viriam a revelar ridículas, desmistificadas com frontalidade e sinceridade pelo próprio).

A campanha não foi perfeita, como é óbvio, e admito que se tenham cometido alguns erros estratégicos. No entanto, não os considero graves, sobretudo porque não encontramos fragilidade na forma como explorou a realidade nacional e definiu as prioridades do seu mandato, nem descobrimos atitudes ilícitas/imorais no modo como se relacionou com os outros candidatos e procurou ganhar popularidade em relação aos seus adversários.

O conservadorismo, o chantagismo e a contrariedade de Cavaco Silva

Por seu turno, Cavaco demonstrou de forma inequívoca o seu conservadorismo, patente na forma como encara a sociedade, a futilidade dos seus conhecimentos em economia (no decurso da sua estratégia de vitimização transmitiu uma imagem de impotência face à crise económica que não se coaduna com o seu estatuto académico na área) e acentuou as suspeitas que contra ele se levantaram, dado que nunca se pronunciou de forma explícita de directa acerca daquilo que verdadeiramente aconteceu, quer no caso BPN quer nos negócios de casas no Algarve.

Já no final da campanha, falaciosamente, Cavaco recorreu a argumentos chantagistas que visam a sua eleição à primeira volta e o tornam um candidato muito contraditório (destacou o dinheiro que o Estado pouparia no caso de não se realizar uma segunda volta das eleições presidenciais, ainda que a sua campanha tenha sido a mais dispendiosa de todas).

Antevisão das Eleições Presidenciais

Em jeito de balanço, fazendo a antevisão dos resultados da eleições, tenho de admitir que, à partida, Cavaco Silva vencerá as presidenciais à primeira volta, sendo reeleito para o cargo com uma percentagem de votos ligeiramente superior a 50% (sem atingir os 58%), ficando Alegre no 2º lugar com uma percentagem compreendida entre 23% e 30% (sensivelmente).

No entanto, as últimas sondagens revelam uma descida de 7% nas intenções de voto em Cavaco Silva, que se situa agora nos 55%, enquanto Manuel Alegre se mantém aproximadamente constante, algures nos 25% ou 28% (as sondagens divergem bastante, como sabemos). Além disso, é sabido que, nas eleições presidenciais de 2006, não se realizou uma segunda volta por apenas algumas décimas, quando as sondagens à boca das urnas davam a vitória a Cavaco com 60% dos votos. Algo semelhante aconteceu em 2001, quando as sondagens concediam 64% a Jorge Sampaio, que viria a ser reeleito com apenas 55% dos votos dos portugueses (confirmem no quadro que vos apresento aqui em baixo).

Nesse sentido, acredito plenamente na realização de uma segunda volta. Acho bastante verosímil que a percentagem de votos de Cavaco Silva se situe entre os 48% e os 52%, ficando Manuel Alegre algures nos 30%, com Fernando Nobre ultrapassando os 10% ou 12% e os outros 3 candidatos, juntos, perfazendo também cerca de 10%. Tudo isto são especulações, mas parece-me que a segunda volta surge claramente como uma possibilidade em aberto.

Balanço Final: Os Resultados, as Circunstâncias, o Desempenho de Alegre e Imagem de Cavaco

Em suma, penso que a boa campanha de Alegre, mas sobretudo a postura desastrosa de Cavaco Silva, não passarão incólumes. Se o actual PR será reeleito? É provável. No entanto, há que destacar o bom trabalho de Manuel Alegre, cujo desempenho nesta campanha superou as minhas expectativas.

A divisão da esquerda, o sorriso falso e muito enganador de Cavaco, a ideia errónea de que precisamos de Cavaco como garantia da estabilidade governativa (os seus tabus e meias palavras são uma ameaça a esse conceito de estabilidade governativa) e a dificuldade em lidar com a mudança manifestada pelas massas populacionais criaram um ambiente hostil para a candidatura de Manuel Alegre. Todavia, ele a sua equipa de campanha tiveram a sagacidade necessária para inverter esta tendência e transformar as eleições presidenciais num acontecimento político desconfortável para Cavaco Silva, cuja irritação e rancor denunciaram o indivíduo repudiável que se esconde por detrás da máscara.

Mas ainda é possível uma segunda volta! Tudo depende daquilo que os portugueses decidirem amanhã… E espero que os meus compatriotas exerçam o seu direito de voto conscientemente, cientes de que na política não existem inevitáveis e das verdadeiras competências de cada um dos candidatos elegíveis.

Jules Verne: a wonderful world to discover (5th part)

Cumprimentos vernianos aos leitores deste blogue. Eis o quinto e penúltimo excerto do meu artigo em inglês sobre a vida e obra de Júlio Verne. Como sabem, trata-se do meu trabalho de projecto na disciplina, constituindo uns escassos mas eventualmente decisivos 5% na nota do 2º período, e está disponível na cool m@g, revista online criada pela minha professora de inglês (não sei quantas vezes já escrevi isto).

Neste fragmento do artigo poderão ler uma descrição da última fase da carreira literária do escritor, enveredando pelos caminhos do cepticismo em relação ao valor da ciência e ao uso que os adventos tecnológicos do futuro poderiam vir a ter. Após a caracterização da obra, faço uma breve referência à actividade política do escritor visionário que, além de mestre das letras e das ciências, tinha espírito empreendedor e muita vontade de lutar por um mundo mais justo e melhor. O folhetim de hoje termina com uma alusão à cooperação saudável que se estabeleceria entre Júlio Verne e o filho Michel, muito frutuosa em termos de produção literária e dúvidas quanto à autoria dos livros.

Amanhã finalizarei o tópico (já chegam de posts vernianos!) com a apresentação do excerto relativo à queda de um herói e à perpetuação da sua memória ao longo dos tempos.

Third Phase: Science Criticism

The Secret of William Storitz

The Secret of William Storitz

The troubled life esperience and the pessimist philosophical theories dated from the last decades of the XIX Century influenced Jules Verne books and impelled him to the last stage of his long carrier: the criticism of science. His third literary phase started in 1892, when his book The Carpathian Castle was published by Louis-Jules Hetzel (Pierre-Jules Hetzel’s son). The books written in this period are a reflection on the many applications science may have and the probable consequences of a bad use of science.

Facing a Flag, Master of the World and The Secret of William Storitz are some of the latest romances by Jules Verne. Most of them explre the dangerous situations the humankind may have to cope with in case science serves evil intentions. In this last stage of his career, the core of his literature went back to sceince, but this time Jules Verne took in consideration the dark side of technology. Human issues such as armed conflicts and independence wars were also criticized in a hard way in these works and that is the reason why his latest romances contain a severe criticism in what concerns human faults like greed or selfishness.

Politician Carrier: Municipal Council

Jules Verne by the time of his politics debut

Since the moment when Jules Verne permanently moved to Amiens, he started living in a quiet peaceful mode, with no more trips and a comfortable place to spend the rest of his days, writing new romances. However, Jules Verne wanted to get out of that dilettante lifestyle. Hopefully, he had a brilliant idea and he decided to take part in local politics. In May 1888 he candidated himself for the Municipal Council of Amiens and he was ellected. Verne played an important role in local government, fighting for the human rights and justice. His main priorities were unquestionably human health and education.

Michel Verne: Working Together with his Father

Michel Verne as a responsible adult

Michel Verne as a responsible adult

By that time, Michel finally settled down and he started getting on well with his father. He was taking his first steps in is career by writing some science articles and his father felt very proud of him, appreciating his literary style. Jules usually gave some useful tips to his son and they even started working together since that moment.

There is a lot of controversy regarding the authorship of many works, such as The Lighthouse at the End of the World, Volcano of Gold, In the Year 2889 and The Eternal Adam. Some of these books were written by Jules and Michel in association with each other, but the major part of them are original Jules Verne’s romances which were modified by his son after his death. Fortunately, today there are some searchers who can separate the books 100% from Jules, the works by Michel, the stories written by both of them and Jules’s romances altered by Michel.


Dedo partido: retrospectiva (5 semanas)

Quarta-feira. 22 de Fevereiro de 2010. Como provavelmente saberão, quer por me conhecerem na vida real, quer por terem lido um post anterior, tenho um dedo partido. Hoje podem ser comemoradas as 5 semanas decorridas sobre a identificação do problema e o início do respectivo tratamento (mas que raio de coisa para se celebrar).

A sério. É mesmo verdade. Aquilo que considerei a princípio uma pancada perfeitamente inócua no dedo médio da mão esquerda era na verdade uma fractura na falange distal, mais concretamente ao nível da cartilagem de crescimento.

E por mais insignificante e anódino que este facto possa parecer, se eu não tivesse tido os cuidados adequados, o dedo poderia ter sofrido um desvio, começando a crescer na direcção errada. Esta situação conduziria à necessidade de uma intervenção cirúrgica, que implicaria um intervalo de tempo bem mais alargado para a recuperação total do dedo e seria certamente dispendiosa. Mas deixemos as considerações gerais sobre o assunto, recorrendo a uma cronologia dos acontecimentos.

Primeira Consulta

Onde é que eu tinha ficado no outro post? Ah, sim! Já me lembro! Nas vésperas da minha visita ao hospital, numa sexta-feira, tinha esperanças de me vir a ser removida a monstruosa tala que tanto me atormentava, sem cessar de comprimir este meu pobre dedo, como se não tivesse sido suficientemente fustigado pelas fatalidades do destino.

De facto, na consulta no hospital da CUF Infante Santo, com o Doutor Jorge Fonseca, excelente ortopedista, soube com grande satisfação que me seria retirada a terrível peça metálica, mas a frustração que se lhe seguiu quando soube que a tala seria substituída por um dedal de plástico quase anulou essa alegria momentânea. Ainda assim, ao envergar o pequeno objecto hospitalar, seguro com um pouco de fita adesiva, ficava livre da asfixia sudorípara em que as ligaduras envolviam a minha desafortunada mão, bem como das forças compressoras induzidas no meu dedo infeliz pelo metal implacável.

Fachada do Hospital da CUF Infante Santo

Actividade física?

No entanto, existiam demasiados pontos negativos, que me povoaram a alma de inquietações e uma raiva interior contra as circunstâncias da vida. Estava proibido de realizar qualquer tipo de actividade física nas 3 semanas seguintes e não tinha permissão para praticar exercícios que implicassem a utilização da mão esquerda nos dois meses subsequentes. Visto que as modalidades desportivas abordadas desde aquele momento até ao fim do 2º período seriam o andebol, o voleibol e o basquetebol, as minhas aulas práticas de educação física ficariam reduzidas aos testes de condição física.

De qualquer maneira, o Doutor escreveu uma declaração médica no qual explicava a situação em questão e estabelecia as restrições acima referidas. Assim, ficou combinado entre mim e a professora que a minha avaliação nas modalidades testadas seria de alguma maneira substituída por um trabalho teórico sobre andebol e basquetebol.

Segunda Consulta

7×2 vezes o sol se pôs, 28/2 vezes o sol nasceu (não liguem a esta forma estúpida de dizer que passaram 2 semanas) e regressei ao consultório do Doutor Jorge Fonseca, como tinha ficado previamente estabelecido. À semelhança do que acontecera na visita anterior, fui muito bem recebido, com um profissionalismo afável e correcto do Doutor, que explicava efectivamente os processos ortopédicos implícitos na evolução do estado do meu dedo e no tratamento do mesmo, em vez de se limitar a enumerar os procedimentos necessários para curar a fractura na cartilagem de crescimento.

A forma paciente como analisou as radiografias (em ambas as ocasiões) e esquematizou a falange distal num desenho anatómico (ainda na primeira consulta) agradaram ao meu espírito científico e permitiram que a minha curiosidade fosse saciada. Por estas mesmas razões, fiquei com uma óptima imagem do Doutor Jorge Fonseca e aconselho todos os que tiverem algum problema de ortopedia a dirigirem-se ao hospital da CUF a procurar os seus serviços.

Desenvolvimentos recentes (até agora)

Nesta consulta ficou definido que eu teria de continuar a usar o dedal 24 horas por dia durante duas semanas, mas apenas por uma questão de protecção, pois a fractura já está praticamente curada. Dadas as notáveis melhorias, o médico autorizou a prática de actividades físicas que não implicassem o uso da mão esquerda, tais como a natação, a corrida e o próprio futebol (desde que não ocupe a ingrata e muito arriscada função de guarda-redes). Por fim, ficou estabelecido que poderia deixar de usar o dedal duas semanas mais tarde, no dia 26 de Fevereiro.

Deste modo, felizmente, já tive a oportunidade de desfrutar de dois banhos muito do meu agrado na piscina do hotel onde passei as férias de Carnaval (o primeiro dos quais está aqui retratado). Mas o grande motivo de contentamento para mim neste momento foi o facto de já ter podido integrar as peladinhas de futebol com os meus colegas na escola, mas não no papel de guarda-redes (naturalmente). Na segunda-feira, uns cruzamentos e tal. Na terça-feira, uns joguinhos de bancos entre os pavilhões e uma participação num confronto disputado no relvado sintético da escola, no extenso intevalo de meia hora entre as aulas de Biologia e Química.

Como certamente terão entendido, faltam apenas dois dias para o meu dedo contactar finalmente com o ar em redor, sem receios, destemido e livre de materiais metálicos ou plásticos que tentem submeter a uma ditadura áspera e cruel. No entanto, durante os joguinhos de futebol terei de continuar a usar a protecção, por uma questão de segurança. Nunca sabemos o que nos traz o dia de amanhã…

Nota: reparei que o outro post acerca deste assunto recebeu algumas visitas de pessoas que procuravam conselhos em casos de dedos partidos. Como estes meus textos não se destinam propriamente a fornecer dicas às pessoas que lhes permitam decidir o que fazer nestas situações, reservei uma pequena parte no final deste post para apresentar algumas directivas muito gerais.

Radiografia aos dedos: podemos distinguir facilmente as diferentes falanges

Sinais de dedo partido: inchaço (edema), dedo vermelho (inicialmente) ou negro (mais tarde), dificuldade em dobras ou esticar completamente o dedo, dor aguda quando faz movimentos.

Atitude imediata: dirigir-se ao serviço de urgências de um hospital, preferencialmente de confiança (não aconselho o hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa). Manter o dedo bem esticado, para não permitir a sua deformação.

No hospital: o seu dedo será submetido a uma radiografia, que posteriormente será analisada pelo médico, para verificar se está mesmo fracturado.

Tratamento: o dedo partido deve ser envolvido por uma tala e várias ligaduras, a fim de ser mantido bem esticado nas semanas seguintes, para curar a fractura. A tala provavelmente terá de ser renovada ao longo do tempo, precisando apenas de frequentar o posto médico mais próximo de sua casa para o efeito.

Consultas: terá de realizar consultas de rotina, para verificar a evolução do seu dedo e alterar de alguma forma o tratamento, que pode ser suavizado, no caso de uma boa evolução, ou eventualmente acompanhado de uma intervenção cirúrgica, se tiver ocorrido algum problema.

Tempo de recuperação: o tempo que o restabelecimento total do dedo vai demorar depende da localização da fractura, isto é, da falange em que ocorreu o problema (proximal, intermédia ou distal), da gravidade da fractura e da sua idade (quanto mais jovem for, mais cartilaginosos serão os seus ossos, e, consequentemente, mais fácil será a correcção de eventuais anomalias).

Jogar às Escondidas na Aula de Educação Física

Hoje gostaria de contar uma história engraçada que sucedeu na última aula de educação física. Ao mesmo tempo vou deixar algumas opiniões pessoais sobre a ocorrência e usá-la como ponto de partida para analisar duas questões importantes: a expressão das criança que há em nós e a dinâmica de grupo que caracteriza a minha turma.

Dia: Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010. Hora: 17:00.

A turma concentrava-se nas proximidades da área desportiva da escola, aguardando a chegada da professora de educação física. Nas três primeiras semanas de Janeiro, as aulas da nossa turma decorrem na piscina municipal, possibilitando a integração da natação no conjunto de modalidades leccionadas.

Assim, após um breve período de diálogo entre a professora e os alunos, bem como a apresentação de um pequeno trabalho de alguns alunos sobre os estilos crawl e costas, subimos as escadas que conduzem ao recinto da piscina municipal e entrámos no respectivo edifício.

Vista Interior da Piscina Municipal do Restelo

Naturalmente, tencionávamos entrar na zona dos balneários a fim de nos prepararmos para a aula. No entanto, os membros da recepção não nos abriam a cancela. Intrigados, fomos espreitar a piscina através do vidro, e qual não foi o nosso espanto quando verificámos que todas as pistas estavam ocupadas. A professora, que fora questionar os funcionários da piscina, confirmou esta informação e tivemos de abandonar o calor da piscina, regressando ao muito agreste ar invernal.

De volta à escola, alguns colegas tentavam convencer a professora a autorizar uma partida de futsal no relvado sintético. No entanto, como nenhum de nós tinha trazido o equipamento necessário à prática desta modalidade, não obtivemos permissão. Debalde se utilizaram os argumentos mais imaginativos, a mensagem da professora era clara: de calças de ganga (a indumentária de todos os rapazes da turma) NÃO!

Enquanto decorriam as últimas negociações, ainda tive tempo para participar em dois mini jogos de matraquilhos, cujo resultado é anódino. Por fim, a professora declarou que ia tentar encontrar uma sala de modo a existir uma aula teórica. Foi quando se dirigiu ao compartimento do pavilhão dos balneários reservado aos professores, para telefonar às funcionárias dos outros pavilhões, que surgiu a ideia para a iniciativa estudantil (ou devo dizer infantil) que eu vos vou contar.

Jogar às Escondidas

Dois elementos da turma, aventureiros e criativos, sugeriram que seria engraçado se nos escondêssemos da professora atrás do pavilhão. Ao princípio, ninguém ligou muito. Vimos aquilo como uma iniciativa sem futuro, uma simples brincadeira de crianças que não levaria a lado nenhum.

Contudo, o projecto teve cada vez uma maior afluência. O grupo de foragidos foi aumentando exponencialmente, até a velocidade de adesão ser estonteante! Ninguém pensou duas vezes: impelidos pela nossa componente infantil, corremos todos para trás do pavilhão e chamámos todos os nossos colegas que ainda não estavam “protegidos”. E assim começou a nossa pequena viagem ao passado.

Um pequeno grupo de alunos manteve-se de vigia: encostados à parede, posicionados estrategicamente na esquina do pavilhão, perscrutavam com o olhar a zona perigosa, onde a qualquer momento podia surgir o inimigo. Os outros continuavam escondidos mais atrás. Sempre que a professora surgia no local vigiado, os guardas alertavam o resto das hostes (embora neste caso se tratasse mais propriamente de uma horda) e era a debandada geral. Contornávamos a esquina seguinte e ficávamos escondidos atrás da outra parede do pavilhão. As sentinelas reocupavam o seu posto e tudo voltava ao início.

Vista Aérea do Pavilhão dos Balneários

Porém, o pavilhão só tem quatro paredes, além de ser bastante pequeno, pelo que a nossa fuga à aula teórica não podia durar muito. A professora rapidamente descobriu o que se estava a passar e conseguiu capturar a turma sem grandes dificuldades. Às tantas já não sabíamos de onde vinha a professora e para que lado devíamos fugir! E, se acrescentarmos a tudo isto a conspicuidade das sentinelas e os ruídos das nossas gargalhadas, o nosso insucesso é fácil de compreender.

Quanto durou este jogo das escondidas? Certamente não foi mais de 1 minuto. Mas que importa? Foi uma experiência única, um regresso aos nossos tempos de infância, a libertação das crianças que todos conservamos dentro de nós!

No final ninguém conseguiu escapar à sala de estudos. Felizmente, não houve aula teórica: em vez disso, ficámos a entretidos com jogos de tabuleiro ou com a Internet.

No 11º ano? Onde é que isto já se viu!

Provavelmente, o leitor estará a pensar que este tipo de comportamento não se deveria verificar numa turma de 11º ano. Não posso deixar de concordar. Não se esperar que jovens de 16 a 17 anos andem a brincar às escondidas com a professora para fugir a uma aula.

No entanto, gostaria de dirigir uma pequena pergunta ao leitor: por acaso nunca sentiu uma vaga saudade dos seus tempos de criança? Sejamos sinceros: todos os seres humanos já experimentaram mais do uma vez uma profunda sensação de nostalgia enquanto relembravam a infância.

As nossas recordações dos tempos em que éramos crianças ficam conservadas em latência na nossa memória e podem manifestar-se a qualquer momento, criando em nós um desejo que recuar ao passado, de reviver os nossos tempos de crianças. Doces tempos aqueles em que vivíamos sem preocupações, na ingenuidade de quem pinta em tons de magia a realidade cinzenta da vida, usando a paleta da imaginação…

Crianças felizes no seu mundo de cor e fantasia

Talvez não possamos regressar fisicamente ao passado, revertendo o processo de crescimento para voltarmos a ser crianças. Todavia, podemos sempre recorrer à experiência mental, dando expressão ao nosso lado infantil através das nossas acções, em pequenos intervalos da nossa vida agitada e preenchida de adolescentes citadinos. Estes momentos, além de nos proporcionarem instantes de prazer e uma alegria sem limites, permitem a libertação da criança que há em nós, em vez de gastarmos energias futilmente na tentativa de a aprisionarmos algures no nosso cérebro, enquanto este desejo tão básico permanece por satisfazer. Assim, momentos como o de ontem contribuem sem dúvida alguma para a felicidade das pessoas. São mesmo indispensáveis para atingir um estado de felicidade completo!

A professora, embora tenha tentado manter a postura severa e rígida face a infantilidades no 11º ano, compreendeu que a brincadeira era inocente e não ficou nada aborrecida connosco. No meu ponto de vista, até achou alguma graça… Felizmente ainda há pessoas com humor!

Haverá turma mais unida?

Este jogo das escondidas foi sem dúvida um momento inesquecível de união, cooperação e diversão! A enorme entreajuda presente nesta iniciativa colectiva e o facto de ninguém se ter abstido desta brincadeira diz muito sobre o nosso espírito de turma.

Não há inimizades dentro da nossa turma. Claro que podem haver desentendimentos, zangas, querelas, mas tudo isso não passam de coisas passageiras. Somos todos amigos, atentos às necessidades alheias, gostamos de ajudar e de passar bons momentos juntos. Isso é o mais importante numa turma enquanto conjunto de seres humanos juntados pelo destino rumo a um fim comum.

Para além das relações de trabalho, que são importantes para o bom funcionamento da turma, é fundamental a existência de relações de amizade, de momentos de convívio, de uma boa disposição dominante! Tudo isto está presente na nossa turma. Esta excelente dinâmica de grupo confere ao 11º B da Escola Secundária do Restelo uma força e um poder impressionantes!