Brasília: Antes da aventura. Acompanhantes. Porquê Brasília? Pesquisa.

Antes da partida

Olá a todos. Antes de mais nada gostaria de avisar que vou estar ausente da blogosfera por um período de 67 horas. Nada mais, nada menos, do que o tempo de duração da minha curta, mas frutuosa (pelo menos assim a espero) estadia na capital brasileira, Brasília (peço desculpa pela excessiva repetição de sons).

Para dizer a verdade, estou com um bocado de pressa, pois embora a partida do avião esteja prevista para as 23:50, temos de estar no aeroporto o mais cedo possível, dado que o número de passageiros em económica atingiu valores máximos, e só poderemos viajar em executiva, o que implica a resolução de certos problemas burocráticos e tal.

Bem, não tenho tempo para mais, por isso fica assim.

O que acabaram de ler são as linhas originalmente escritas por mim a 1 de Abril de 2010, cerca das 19:30. Dia esse em que viajei para Brasília com os dois membros do meu agregado familiar, a saber, as entidades femininas materna e fraterna.

Mas… Não acharam que a confusão das linhas de cima se deve a mais qualquer coisa do que o meu estado de inquietação antes de sair de casa no dia da viagem? Como é que eu já sabia que a classe económica estava em lotação esgotada? E quem sou eu para ir em executiva? Não terei de pagar mais? A explicação é simples: a minha mãe é tripulante da TAP.

Gozar as coisas boas que a fortuna nos reserva: mãe tripulante, viagens fáceis.

Passo a explicar tudo: a minha mãe trabalha na TAP como assistente de bordo, desempenhando a honrada função de Chefe de Cabine. Uma vez que, actualmente, realiza voos de longo curso, isto é, travessias intercontinentais de longa duração, os seus destinos incluem 8 cidades brasileiras e não fogem muito desta tendência Canarinha. Assim sendo, o Distrito Federal representa uma das possibilidades de rumo.

Como tripulante, a minha mãe tem direito a levar acompanhantes nas suas viagens. Isto significa que, se assim pretender, pode levar consigo familiares ou amigos numa das suas estadias, sem despender grandes quantias nos bilhetes de avião (ficam praticamente ou mesmo totalmente gratuitos) . Ora esta regalia constitui um enorme privilégio, pois permite viajar para diversos locais do planeta gastando uma fracção insignificante das quantias exorbitantes do costume.

Claro que depois ficamos subjugados aos tempos de estadia dos tripulantes, que tendem a ser cada vez mais curtos, o que restringe em grande medida os nossos planos turísticos e transforma as mini-férias em folgas a milhares de quilómetros de casa.

Porém, uma viagem é sempre uma aventura, que permite conhecer novos mundos, realidades completamente diferentes, que nos podem fascinar de uma forma espectacular, proporcionando experiências únicas que nos marcam para o resto da vida. E depois, tem as suas vantagens, que se estendem muito além do preço, dadas as grandes probabilidades de sermos privilegiados com as atenções do comandante e da tripulação, que podem incluir: viajar em executiva, descolar e aterrar no cockpit, receber os sorrisos dos colegas da mãe, entre muitos outros factores que se combinam num tratamento de luxo.

No caso aqui tratado, a minha mãe já recebera as nossas autorizações de voo, depois de as ter pedido via online, e faltava apenas a confirmação de que eu e a minha sister teríamos lugar no avião. Porém, todos os lugares de classe económica estavam atribuídos, pelo que só nos restava a hipótese de viajar em executiva (business class). Com o intuito de resolver o problema, a minha mãe tentara contactar o responsável máximo do voo, o Senhor Comandante Silva Pires. No entanto, não obteve resposta, pelo que a questão tinha de ser resolvida no aeroporto, o mais cedo possível, e daí a nossa pressa para sair de casa.

Reflexão do autor a meio da redacção do post (não leiam)

Quem me conhece em termos de expressão escrita sabe bem que eu tenho um problema de síntese: não consigo parar de falar dos assuntos que me interessam, pois o meu entusiasmo leva-me a descrever com grande pormenor todas as situações tratadas, procurando referir todas as informações relevantes (e aqui podem surgir grandes discussões). Aqui no meu blogue, onde praticamente só falo de coisas que me interessam muito, ou sobre as quais tenho muitas coisas a dizer, a extensão dos textos é excessivamente grande.

É precisamente esta situação que está a acontecer com este post! Inicialmente, esperava que fosse um texto breve, no qual apresentaria de forma sucinta o propósito da viagem, as suas circunstâncias e aquilo que eu contava encontrar em Brasília. Contudo, a falta de tempo conduziu a um fim abrupto do post na quinta-feira, para depois ser retomado, no dia da chegada a Lisboa, isto é, Domingo. E hoje (justamente esse Domingo, dia 4 de Abril) não consigo refrear esta veia jornalística (digamos assim, pois literária não se aplica ao contexto) numa chuva de letras que se precipitam no ecrã do computador, brutalmente impelidas pelos meus dedos implacáveis. Enfim, vou prosseguir.

Porquê Brasília?

Mas afinal, quais eram realmente as minhas intenções ao visitar a peculiar cidade brasiliense? Analisemos a questão por partes.

Bem, antes de mais nada, era este o voo da minha mãe na primeira semana das nossas férias, representando, assim, uma soberba oportunidade para conhecer a capital brasileira. Dado que a minha mãe até gosta do destino, achando a cidade interessante e o local do hotel agradável, lançou o convite, dirigido a mim e à minha irmã.

Entretanto, eu já tinha vindo a alimentar uma certa curiosidade em relação ao núcleo administrativo do Brasil. Esta paixão pela cidade desconhecida já é antiga, remontando aos meus tempos de criança, em que soube da sua existência, por intermédio da minha mãe, que me explicou, contra todas as minhas expectativas, que a capital do Brasil era uma construção moderna no interior do Brasil chamada Brasília, e não o Rio de Janeiro, cidade imponente onde me levara. Inicialmente, até achei que seria um local pouco interessante, desmerecedor da minha atenção de jovem explorador. Porém, a cidade sempre me intrigou, mesmo que eu não desse por isso.

Alguns anos mais tarde, não muitos, li um cativante conto do livro 15 Maravilhas do Mundo que estimulou o meu interessa pelo Distrito Federal. Esta magnífica cidade, erigida no meio de coisa nenhuma, servia de palco à acção, aquando da sua inauguração, em 1960, numa história familiar que culmina num final feliz, e um pouco de futebol à mistura. Assim, compreendi realmente o fascínio que Brasília suscitava em mim.

Por fim, em 2007, quando a TAP começou a viajar para Brasília, a minha mãe trouxe relatos e fotografias que muito me interessaram, com as descrições profundas e atractivas da cidade e dos seus monumentos, do hotel e do gigantesco lago em redor. Maravilhoso! Podia não ter a dimensão social, cultural, económica e turística do Rio de Janeiro ou de São Paulo, mas a visita à capital do país do samba era, para mim, uma possibilidade bem forte no futuro, a estudar com a devida atenção.

Deste modo, e com saudades de andar de avião, o que também faz as minhas delícias, não hesitei perante a proposta da minha mãe, vendo que não perdia aulas e valorizava as férias com uma experiência inesquecível! Além de favorecer a busca de temperaturas mais elevadas e promover iniciativas como banhos em piscinas exteriores e coisas afins.

Antes de viajar, pesquisar sobre o destino!

Na noite anterior à minha partida para Brasília, não pude deixar de procurar alguma informação na Internet sobre a cidade que iria conhecer alguns dias mais tarde. Uma vez que iria dispor de pouco tempo para conhecer a capital dos nossos irmãos lusófonos, queria reunir uma quantidade apreciável de informação acerca do local, de maneira a conseguir entender melhor as indicações dos guias e ser capaz de colocar questões. E, convenhamos, ter um conhecimento mínimo do nosso destino pode ser muito útil.

Na sequência das razões que apresentei em cima, recorri à sempre preciosa ajuda da wikipédia, onde obtive alguma informação geral sobre o destino da minha empresa. Como já era tarde, horas de dormir, e o sono me precipitava numa irresistível preguiça, acabei por deixar os pormenores para o dia seguinte. Desta forma, algumas horas antes de sair de casa, regressei ao artigo da wikipédia, li minuciosamente o texto na íntegra e procurei informação complementar em artigos relacionados.

Como também não tinha muito tempo e tinha de me despachar, tendo em conta que ainda queria escrever um post de despedida (este que estão agora a ler), acabei por não dar a devida atenção a tudo. Em todo o caso, o que vi serviu para aguçar esta minha curiosidade, criar em mim uma ansiedade crescente, perturbar a minha paz interior, embora estas alterações emocionais não tivessem expressão no meu ar exterior. Oh! Tantas vezes que isto acontece!

E assim foi. Não vale a pena enumerar tudo aquilo que eu li no artigo da wiki. Em primeiro lugar, qualquer um pode seguir o link e aceder a essas informações. Em segunda instância, todos sabemos que, se o fizesse, o texto ultrapassava as 5 000 palavras. Por fim, tudo aquilo que interessa referir será convenientemente abordado em um ou dois posts futuros sobre as viagens e a estadia em si.

É verdade. Estão todos convidados a ler os próximos artigos sobre a viagem. Fiquem atentos! Mas estou a ver que vou ter de dividir o relato em duas partes!

Dedo partido: retrospectiva (5 semanas)

Quarta-feira. 22 de Fevereiro de 2010. Como provavelmente saberão, quer por me conhecerem na vida real, quer por terem lido um post anterior, tenho um dedo partido. Hoje podem ser comemoradas as 5 semanas decorridas sobre a identificação do problema e o início do respectivo tratamento (mas que raio de coisa para se celebrar).

A sério. É mesmo verdade. Aquilo que considerei a princípio uma pancada perfeitamente inócua no dedo médio da mão esquerda era na verdade uma fractura na falange distal, mais concretamente ao nível da cartilagem de crescimento.

E por mais insignificante e anódino que este facto possa parecer, se eu não tivesse tido os cuidados adequados, o dedo poderia ter sofrido um desvio, começando a crescer na direcção errada. Esta situação conduziria à necessidade de uma intervenção cirúrgica, que implicaria um intervalo de tempo bem mais alargado para a recuperação total do dedo e seria certamente dispendiosa. Mas deixemos as considerações gerais sobre o assunto, recorrendo a uma cronologia dos acontecimentos.

Primeira Consulta

Onde é que eu tinha ficado no outro post? Ah, sim! Já me lembro! Nas vésperas da minha visita ao hospital, numa sexta-feira, tinha esperanças de me vir a ser removida a monstruosa tala que tanto me atormentava, sem cessar de comprimir este meu pobre dedo, como se não tivesse sido suficientemente fustigado pelas fatalidades do destino.

De facto, na consulta no hospital da CUF Infante Santo, com o Doutor Jorge Fonseca, excelente ortopedista, soube com grande satisfação que me seria retirada a terrível peça metálica, mas a frustração que se lhe seguiu quando soube que a tala seria substituída por um dedal de plástico quase anulou essa alegria momentânea. Ainda assim, ao envergar o pequeno objecto hospitalar, seguro com um pouco de fita adesiva, ficava livre da asfixia sudorípara em que as ligaduras envolviam a minha desafortunada mão, bem como das forças compressoras induzidas no meu dedo infeliz pelo metal implacável.

Fachada do Hospital da CUF Infante Santo

Actividade física?

No entanto, existiam demasiados pontos negativos, que me povoaram a alma de inquietações e uma raiva interior contra as circunstâncias da vida. Estava proibido de realizar qualquer tipo de actividade física nas 3 semanas seguintes e não tinha permissão para praticar exercícios que implicassem a utilização da mão esquerda nos dois meses subsequentes. Visto que as modalidades desportivas abordadas desde aquele momento até ao fim do 2º período seriam o andebol, o voleibol e o basquetebol, as minhas aulas práticas de educação física ficariam reduzidas aos testes de condição física.

De qualquer maneira, o Doutor escreveu uma declaração médica no qual explicava a situação em questão e estabelecia as restrições acima referidas. Assim, ficou combinado entre mim e a professora que a minha avaliação nas modalidades testadas seria de alguma maneira substituída por um trabalho teórico sobre andebol e basquetebol.

Segunda Consulta

7×2 vezes o sol se pôs, 28/2 vezes o sol nasceu (não liguem a esta forma estúpida de dizer que passaram 2 semanas) e regressei ao consultório do Doutor Jorge Fonseca, como tinha ficado previamente estabelecido. À semelhança do que acontecera na visita anterior, fui muito bem recebido, com um profissionalismo afável e correcto do Doutor, que explicava efectivamente os processos ortopédicos implícitos na evolução do estado do meu dedo e no tratamento do mesmo, em vez de se limitar a enumerar os procedimentos necessários para curar a fractura na cartilagem de crescimento.

A forma paciente como analisou as radiografias (em ambas as ocasiões) e esquematizou a falange distal num desenho anatómico (ainda na primeira consulta) agradaram ao meu espírito científico e permitiram que a minha curiosidade fosse saciada. Por estas mesmas razões, fiquei com uma óptima imagem do Doutor Jorge Fonseca e aconselho todos os que tiverem algum problema de ortopedia a dirigirem-se ao hospital da CUF a procurar os seus serviços.

Desenvolvimentos recentes (até agora)

Nesta consulta ficou definido que eu teria de continuar a usar o dedal 24 horas por dia durante duas semanas, mas apenas por uma questão de protecção, pois a fractura já está praticamente curada. Dadas as notáveis melhorias, o médico autorizou a prática de actividades físicas que não implicassem o uso da mão esquerda, tais como a natação, a corrida e o próprio futebol (desde que não ocupe a ingrata e muito arriscada função de guarda-redes). Por fim, ficou estabelecido que poderia deixar de usar o dedal duas semanas mais tarde, no dia 26 de Fevereiro.

Deste modo, felizmente, já tive a oportunidade de desfrutar de dois banhos muito do meu agrado na piscina do hotel onde passei as férias de Carnaval (o primeiro dos quais está aqui retratado). Mas o grande motivo de contentamento para mim neste momento foi o facto de já ter podido integrar as peladinhas de futebol com os meus colegas na escola, mas não no papel de guarda-redes (naturalmente). Na segunda-feira, uns cruzamentos e tal. Na terça-feira, uns joguinhos de bancos entre os pavilhões e uma participação num confronto disputado no relvado sintético da escola, no extenso intevalo de meia hora entre as aulas de Biologia e Química.

Como certamente terão entendido, faltam apenas dois dias para o meu dedo contactar finalmente com o ar em redor, sem receios, destemido e livre de materiais metálicos ou plásticos que tentem submeter a uma ditadura áspera e cruel. No entanto, durante os joguinhos de futebol terei de continuar a usar a protecção, por uma questão de segurança. Nunca sabemos o que nos traz o dia de amanhã…

Nota: reparei que o outro post acerca deste assunto recebeu algumas visitas de pessoas que procuravam conselhos em casos de dedos partidos. Como estes meus textos não se destinam propriamente a fornecer dicas às pessoas que lhes permitam decidir o que fazer nestas situações, reservei uma pequena parte no final deste post para apresentar algumas directivas muito gerais.

Radiografia aos dedos: podemos distinguir facilmente as diferentes falanges

Sinais de dedo partido: inchaço (edema), dedo vermelho (inicialmente) ou negro (mais tarde), dificuldade em dobras ou esticar completamente o dedo, dor aguda quando faz movimentos.

Atitude imediata: dirigir-se ao serviço de urgências de um hospital, preferencialmente de confiança (não aconselho o hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa). Manter o dedo bem esticado, para não permitir a sua deformação.

No hospital: o seu dedo será submetido a uma radiografia, que posteriormente será analisada pelo médico, para verificar se está mesmo fracturado.

Tratamento: o dedo partido deve ser envolvido por uma tala e várias ligaduras, a fim de ser mantido bem esticado nas semanas seguintes, para curar a fractura. A tala provavelmente terá de ser renovada ao longo do tempo, precisando apenas de frequentar o posto médico mais próximo de sua casa para o efeito.

Consultas: terá de realizar consultas de rotina, para verificar a evolução do seu dedo e alterar de alguma forma o tratamento, que pode ser suavizado, no caso de uma boa evolução, ou eventualmente acompanhado de uma intervenção cirúrgica, se tiver ocorrido algum problema.

Tempo de recuperação: o tempo que o restabelecimento total do dedo vai demorar depende da localização da fractura, isto é, da falange em que ocorreu o problema (proximal, intermédia ou distal), da gravidade da fractura e da sua idade (quanto mais jovem for, mais cartilaginosos serão os seus ossos, e, consequentemente, mais fácil será a correcção de eventuais anomalias).