Singularidades da Invisibilidade (parte 1): Chuva de Questões

Enigmas da ciência e da filosofia

Pura I v s b l d d

Já alguma vez pensaram na (im)possibilidade de virem a experimentar a sensação (ou devo dizer o poder) da invisibilidade?

Claro que sim! Quem nunca imaginou o doce (ou talvez não tão doce assim) sabor de ver sem ser visto, sentir sem ser sentido, existir e não dar se dar a conhecer ao mundo?

E como seria se efectivamente vivêssemos em tais circunstâncias? Que uso faríamos desta nossa nova característica? Que alterações se manifestariam na nossa interacção com a sociedade, o que mudaria na nossa relação com o exterior? Mas, acima de tudo, qual seria a reacção da nossa mente, do nosso intelecto, da nossa personalidade, em função deste novo estado existencial? Haveria espaço para mutações psicológicas?

Filosofia do poder e dilemas de consciência

Dilemas de personalidade

Doctor Jekyll and Mister Hyde, um clássico de fantasia e terror que tem inspirado milhares de artistas e pensadores.

Esta gradação guia-nos ao cerne de uma importante questão da filosofia, que qualquer pessoa pode analisar individualmente, independentemente dos seus antecedentes. Sim, acabei de atingir o grande dilema que se coloca a qualquer alma humana quando detentora de um vasto poder sobre os seus semelhantes, que consiste na escolha dolorosa entre duas opções antagónicas.

A primeira será aquela em que o indivíduo acaba por sucumbir à ganância dos seus desejos e age unicamente em função dos seus interesses pessoais, desprezando quaisquer direitos alheios simplesmente por não temer represálias. Na segunda, pelo contrário, continua a escutar a voz interior da moralidade (se ela existir), que o impele a usar o seu poder em prol do bem comum, de acordo com as necessidades dos outros seres humanos, fazendo prevalecer a bondade e a consciência social.

Neste tipo de situações hipotéticas, trava-se uma verdadeira batalha entre as duas facetas do ser humano, numa guerra incerta e gradual que acaba por determinar a componente da personalidade dominante. Um pouco como na novela de Robert Louis Stevenson Doctor Jekyll and Mister Hyde, certamente bem conhecida pela maioria dos leitores. Ora, um ser humano ao qual foi prodigalizado o dom da invisibilidade encontra-se forçosamente nestas condições, dadas as circunstâncias que já referi anteriormente.

Eu e a invisibilidade

Mas porquê esta insistência da minha parte na temática da invisibilidade? Porque, meus caros amigos, a invisibilidade representa, dentro dos capítulos da ficção científica, um dos que mais me fascina e me faz questionar diversos aspectos do meu conhecimento racional, que em termos científicos, propriamente ditos, quer a nível filosófico. De facto, livros, filmes e outros veículos culturais em torno deste sonho aparentemente tão distante exercem uma atracção muito forte sobre mim, ao ponto de os colocar nas minhas selecções de favoritos.

Cientificamente possível, mas não ainda

A invisibilidade pode ser conseguida desviando os raios luminosos de maneira a que contornem o objecto sem o atingirem. Tal seria possível  com uma capa composta por metamateriais que apresentassem um índice de refracção negativo.

A invisibilidade poderá ser conseguida desviando os raios luminosos de maneira a que contornem o objecto sem o atingirem. Tal será possível com uma capa composta por metamateriais que apresentem um índice de refracção negativo.

Além disso, a invisibilidade pode estar reservada para um futuro mais próximo do que à partida poderíamos pensar, devendo ser tidas em conta os vários projectos de investigação no assunto que se têm vindo a desenvolver no âmbito das pesquisas científicas e o nos progressos muito positivos que se estão a verificar nestas iniciativas.

Recentemente, por exemplo, investigadores israelitas conseguiram eliminar a libertação de radiação infravermelha por parte dos tanques de guerra, através de placas térmicas, o que os torna indetectáveis durante a noite. Não se tratando de um exemplo de invisibilidade na verdadeira acepção do termo, constitui um marco na cronologia desta investigação e uma prova de que o impossível se pode transformar em realidade num abrir e fechar de olhos.

No caso da invisibilidade humana, talvez dentro de algumas décadas tenhamos superado as complexas barreiras que se nos colocam neste momento! A solução que parece mais viável neste momento consiste na criação de um “manto da invisibilidade” (ao estilo de Harry Potter) constituído por materiais produzidos artificialmente, denominados metamateriais. Ora, estes materiais peculiares teriam a particularidade de apresentar um índice de refracção negativo, provocando o desvio da luz incidente segundo um ângulo tal que contornaria o objecto sem o reflectir. No entanto, persistem algumas dificuldades técnicas que obstam ao sucesso imediato da iniciativa. Ou seja, muitas pesquisas serão necessárias rumo à descoberta da invisibilidade!

Para uma compreensão dos fundamentos científicos associados a este assunto complexo, aconselho vivamente a leitura do 2º capítulo da obra A Física do Impossível, escrita pelo conceituado físico chinês Michio Kaku, capítulo esse exclusivamente dedicado à invisibilidade. Para uma explicação mais rápida e sucinta, aconselho que visitem este site.

Importância e interesse do assunto

Um dia, a invisibilidade humana será uma realidade. Todavia, antes desse dia chegar, devemos estar conscientes das implicações associadas a esta descoberta científica e das medidas que se teriam de tomar a fim de evitar situações indesejáveis, de impacto indeterminado na sociedade e no mundo.

Enfim, por todas as razões referidas anteriormente, fica prometido para breve um seguimento desta análise ao assunto da invisibilidade, com base num filme e num livro que me marcaram de forma muito relevante, merecendo por isso uma justa referência aqui no blogue.

The Invisible Mouse

Por agora, fiquem com um pequeno cartoon dos imortais Tom & Jerry, heróis da minha infância, assim como da de milhares de milhões de outras pessoas de diferentes gerações em todo o mundo. Foi através deste divertido momento de animação clássica que eu contactei pela primeira vez com a ideia de invisibilidade, começando assim este meu interesse pelo assunto. Obrigado, Tom and Jerry!

Saudações invisíveis!

Dedo partido: retrospectiva (5 semanas)

Quarta-feira. 22 de Fevereiro de 2010. Como provavelmente saberão, quer por me conhecerem na vida real, quer por terem lido um post anterior, tenho um dedo partido. Hoje podem ser comemoradas as 5 semanas decorridas sobre a identificação do problema e o início do respectivo tratamento (mas que raio de coisa para se celebrar).

A sério. É mesmo verdade. Aquilo que considerei a princípio uma pancada perfeitamente inócua no dedo médio da mão esquerda era na verdade uma fractura na falange distal, mais concretamente ao nível da cartilagem de crescimento.

E por mais insignificante e anódino que este facto possa parecer, se eu não tivesse tido os cuidados adequados, o dedo poderia ter sofrido um desvio, começando a crescer na direcção errada. Esta situação conduziria à necessidade de uma intervenção cirúrgica, que implicaria um intervalo de tempo bem mais alargado para a recuperação total do dedo e seria certamente dispendiosa. Mas deixemos as considerações gerais sobre o assunto, recorrendo a uma cronologia dos acontecimentos.

Primeira Consulta

Onde é que eu tinha ficado no outro post? Ah, sim! Já me lembro! Nas vésperas da minha visita ao hospital, numa sexta-feira, tinha esperanças de me vir a ser removida a monstruosa tala que tanto me atormentava, sem cessar de comprimir este meu pobre dedo, como se não tivesse sido suficientemente fustigado pelas fatalidades do destino.

De facto, na consulta no hospital da CUF Infante Santo, com o Doutor Jorge Fonseca, excelente ortopedista, soube com grande satisfação que me seria retirada a terrível peça metálica, mas a frustração que se lhe seguiu quando soube que a tala seria substituída por um dedal de plástico quase anulou essa alegria momentânea. Ainda assim, ao envergar o pequeno objecto hospitalar, seguro com um pouco de fita adesiva, ficava livre da asfixia sudorípara em que as ligaduras envolviam a minha desafortunada mão, bem como das forças compressoras induzidas no meu dedo infeliz pelo metal implacável.

Fachada do Hospital da CUF Infante Santo

Actividade física?

No entanto, existiam demasiados pontos negativos, que me povoaram a alma de inquietações e uma raiva interior contra as circunstâncias da vida. Estava proibido de realizar qualquer tipo de actividade física nas 3 semanas seguintes e não tinha permissão para praticar exercícios que implicassem a utilização da mão esquerda nos dois meses subsequentes. Visto que as modalidades desportivas abordadas desde aquele momento até ao fim do 2º período seriam o andebol, o voleibol e o basquetebol, as minhas aulas práticas de educação física ficariam reduzidas aos testes de condição física.

De qualquer maneira, o Doutor escreveu uma declaração médica no qual explicava a situação em questão e estabelecia as restrições acima referidas. Assim, ficou combinado entre mim e a professora que a minha avaliação nas modalidades testadas seria de alguma maneira substituída por um trabalho teórico sobre andebol e basquetebol.

Segunda Consulta

7×2 vezes o sol se pôs, 28/2 vezes o sol nasceu (não liguem a esta forma estúpida de dizer que passaram 2 semanas) e regressei ao consultório do Doutor Jorge Fonseca, como tinha ficado previamente estabelecido. À semelhança do que acontecera na visita anterior, fui muito bem recebido, com um profissionalismo afável e correcto do Doutor, que explicava efectivamente os processos ortopédicos implícitos na evolução do estado do meu dedo e no tratamento do mesmo, em vez de se limitar a enumerar os procedimentos necessários para curar a fractura na cartilagem de crescimento.

A forma paciente como analisou as radiografias (em ambas as ocasiões) e esquematizou a falange distal num desenho anatómico (ainda na primeira consulta) agradaram ao meu espírito científico e permitiram que a minha curiosidade fosse saciada. Por estas mesmas razões, fiquei com uma óptima imagem do Doutor Jorge Fonseca e aconselho todos os que tiverem algum problema de ortopedia a dirigirem-se ao hospital da CUF a procurar os seus serviços.

Desenvolvimentos recentes (até agora)

Nesta consulta ficou definido que eu teria de continuar a usar o dedal 24 horas por dia durante duas semanas, mas apenas por uma questão de protecção, pois a fractura já está praticamente curada. Dadas as notáveis melhorias, o médico autorizou a prática de actividades físicas que não implicassem o uso da mão esquerda, tais como a natação, a corrida e o próprio futebol (desde que não ocupe a ingrata e muito arriscada função de guarda-redes). Por fim, ficou estabelecido que poderia deixar de usar o dedal duas semanas mais tarde, no dia 26 de Fevereiro.

Deste modo, felizmente, já tive a oportunidade de desfrutar de dois banhos muito do meu agrado na piscina do hotel onde passei as férias de Carnaval (o primeiro dos quais está aqui retratado). Mas o grande motivo de contentamento para mim neste momento foi o facto de já ter podido integrar as peladinhas de futebol com os meus colegas na escola, mas não no papel de guarda-redes (naturalmente). Na segunda-feira, uns cruzamentos e tal. Na terça-feira, uns joguinhos de bancos entre os pavilhões e uma participação num confronto disputado no relvado sintético da escola, no extenso intevalo de meia hora entre as aulas de Biologia e Química.

Como certamente terão entendido, faltam apenas dois dias para o meu dedo contactar finalmente com o ar em redor, sem receios, destemido e livre de materiais metálicos ou plásticos que tentem submeter a uma ditadura áspera e cruel. No entanto, durante os joguinhos de futebol terei de continuar a usar a protecção, por uma questão de segurança. Nunca sabemos o que nos traz o dia de amanhã…

Nota: reparei que o outro post acerca deste assunto recebeu algumas visitas de pessoas que procuravam conselhos em casos de dedos partidos. Como estes meus textos não se destinam propriamente a fornecer dicas às pessoas que lhes permitam decidir o que fazer nestas situações, reservei uma pequena parte no final deste post para apresentar algumas directivas muito gerais.

Radiografia aos dedos: podemos distinguir facilmente as diferentes falanges

Sinais de dedo partido: inchaço (edema), dedo vermelho (inicialmente) ou negro (mais tarde), dificuldade em dobras ou esticar completamente o dedo, dor aguda quando faz movimentos.

Atitude imediata: dirigir-se ao serviço de urgências de um hospital, preferencialmente de confiança (não aconselho o hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa). Manter o dedo bem esticado, para não permitir a sua deformação.

No hospital: o seu dedo será submetido a uma radiografia, que posteriormente será analisada pelo médico, para verificar se está mesmo fracturado.

Tratamento: o dedo partido deve ser envolvido por uma tala e várias ligaduras, a fim de ser mantido bem esticado nas semanas seguintes, para curar a fractura. A tala provavelmente terá de ser renovada ao longo do tempo, precisando apenas de frequentar o posto médico mais próximo de sua casa para o efeito.

Consultas: terá de realizar consultas de rotina, para verificar a evolução do seu dedo e alterar de alguma forma o tratamento, que pode ser suavizado, no caso de uma boa evolução, ou eventualmente acompanhado de uma intervenção cirúrgica, se tiver ocorrido algum problema.

Tempo de recuperação: o tempo que o restabelecimento total do dedo vai demorar depende da localização da fractura, isto é, da falange em que ocorreu o problema (proximal, intermédia ou distal), da gravidade da fractura e da sua idade (quanto mais jovem for, mais cartilaginosos serão os seus ossos, e, consequentemente, mais fácil será a correcção de eventuais anomalias).