Portugal Campeão Europeu de Futebol de Praia 2010!

11 dias decorridos sobre a triunfal conquista da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010, a minha insuperável alegria de adepto fervoroso da selecção nacional ainda não se esgotou e continua a fazer sorrir a minha alma feliz.

Será fácil compreender que, mais de uma semana depois do feito heróico dos guerreiros das areias lusitanas, o sentimento vitorioso que dominou o meu estado de espírito tenha sido de alguma maneira atenuada pelo tempo. De facto, é esta a infeliz razão pela qual não conseguirei traduzir da forma mais adequada o entusiasmo e o deslumbramento com que vivi estes belíssimos momentos do futebol de praia nacional.

No entanto, esta fantástica experiência emocional permanece bem viva na minha mente e será com um enorme prazer que sempre recordarei cada instante daquele dia estóico. Memórias que nunca se apagarão, podem crer.

Uma coisa é certa: Portugal venceu a Liga Europeia de Futebol de Praia 2010 e sagrou-se campeão europeu da modalidade desportiva mais espectacular do planeta! Parabéns a todos, pessoal! Foram extraordinários!

Festejos dos jogadores portugueses no momento em que recebem a taça!

No momento em que o capitão português Madjer ergueu a taça da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010, todos os jogadores e membros da equipa técnica festejaram efusivamente a grande conquista do desporto nacional! Somos enormes! Grande feito! Parabéns, Portugal!

Liga Europeia de Futebol de Praia 2010: Superfinal em Lisboa

Para quem não se encontra dentro do assunto, direi rapidamente que a Liga Europeia de Futebol de Praia consiste na numa competição anual, que compreende uma fase regular (composta por várias etapas) e uma Superfinal, sendo todos estes torneios disputados ao longo dos meses de Verão, em diferentes locais do continente europeu. Sendo considerada a competição mais importante do futebol de praia europeu, todas as grandes selecções ambicionam a sua conquista, numa série de combates épicos cujo vencedor final sai de sobremaneira glorificado.

Em 2010, após uma fase regular muito dinâmica com 4 etapas disputadas em Moscovo, Marselha, Lignano Sabbiadoro e Haia, a Superfinal foi disputada em Lisboa, entre os dias 26 e 29 de Agosto, sendo o palco escolhido para o evento a arena montada no Terreiro das Missas, mesmo em frente ao Palácio de Belém. Seguindo este link, poderão encontrar informação detalhada acerca do evento, incluindo as equipas participantes e o formato da competição.

Portugal em Grande no Grupo A da Superfinal

Ora, na grande Superfinal da Liga Europeia, a selecção nacional de futebol de praia, jogando diante dos seus adeptos, não tinha outro pensamento em mente que não a vitória no torneio e a conquista do título de campeão europeu! Foi com esta disposição que os jogadores portugueses entraram em campo, demonstrando uma energia e uma vontade sem precedentes. Portugal apresentou uma mistura inteligente de concentração, paciência e criatividade, praticando um futebol de praia elegante e eficaz, dedicando também particular atenção ao aspecto defensivo.

Foi graças a esta postura de campeões (porque foi essa a postura ostentada pelos nossos atletas) que Portugal passou no primeiro teste com distinção, superando com classe os seus dois primeiros adversários, passo a citar, a imprevisibilidade dos surpreendentes romenos e a frieza física tipicamente russa. Para ser mais específico, direi que a selecção portuguesa goleou a Roménia por 6 bolas a 1 e venceu a Rússia com 4 golos contra 2 da equipa de leste.

A solidez defensiva foi um dos pilares da selecção nacional ao longo do torneio.

A solidez defensiva foi um pilar fundamental da selecção nacional ao longo do torneio, com apenas 5 golos sofridos em 3 jogos. Na imagem, Bruno Novo atrasa a bola para o guarda-redes João Carlos, na ponta final do Portugal vs Roménia, que Portugal venceu por 6-1.

Assim, com dois triunfos em outros tantos jogos, Portugal alcançou o 1º lugar no grupo A da Superfinal, com 6 pontos, enquanto a Rússia, que derrotara a Roménia por 6 bolas a 4, se classificou na 2ª posição com 3 pontos, deixando os romenos no derradeiro posto do grupo sem terem pontuado. A vitória no grupo dava acesso directo à final, pelo que Portugal marcaria presença no tão esperado jogo do título, a ter lugar no Domingo, 29 de Agosto. Na grande final, Portugal defrontaria a Itália, vencedora do grupo B. Os resultados de todos os jogos da fase de grupos, as classificações finais dos grupos e os resumos dos três primeiros dias de competição estão disponíveis aqui.

A Final!

Uma vez eliminada a perigosa selecção russa, actual grande rival de Portugal na luta pela hegemonia europeia, Portugal tinha todas as condições para recuperar o título continental, precisando para isso de vencer apenas mais um jogo. Mas o adversário não ia ser nada fácil, pois a Itália surgia em Lisboa muito renovada, com um novo treinador que revolucionara positivamente a equipa, lançando os Azurri num colossal rumo vitorioso que só poderia ser quebrado por uma grande equipa. Portugal precisaria assim do seu melhor futebol de praia para levar de vencida uma selecção disposta a tudo para conseguir o título europeu!

Componente circunstancial 1: Belchior suspenso, Madjer lesionado

Todavia, Portugal encontrou várias adversidades neste jogo decisivo da Liga Europeia 2010. A ausência forçada de Belchior, suspenso por acumulação de cartões amarelos nos jogos anteriores, era naturalmente um contratempo ao qual o seleccionador nacional José Miguel Mateus teria de saber reagir. Além disso, Madjer, que havia sido o herói do dia anterior frente à Rússia, ainda não estava a 100%, fruto de uma lesão lombar que ainda não tinha ultrapassado completamente.

A situação agravou-se no decorrer do jogo, quando o número 7 de Portugal, ainda no 1º período, numa queda infeliz decorrente de uma das suas espectaculares acrobacias, se ressentiu da sua fustigantes lesão e teve de abandonar o campo, envolto num mar de dores que não podiam ser bom presságio. Ainda assim, graças ao bom trabalho do enfermeiro Farinha e à força de vontade inesgotável de João Vítor Saraiva, o Madjer ainda voltou a entrar em campo, mas fez menos minutos do que costuma e o seu rendimento foi mais baixo do que o habitual, apesar de ter ficado muito perto do golo por várias ocasiões.

Esta coragem do capitão português, disposto aos mais penosos sacrifícios na luta pela vitória, faz de João Vítor Saraiva um grande jogador!

Madjer numa das suas fabulosas acrobacias, ainda no 1º período de jogo, que acabariam por agravar a sua lesão. Esta coragem do capitão português, disposto aos mais penosos sacrifícios na luta pela vitória do seu país, faz de João Vítor Saraiva um grande jogador! Magnífico!

Componente circunstancial 2: Azar com os ferros, Rasulo e Del Mestre.

Além dos problemas associados à ausência de Belchior e aos problemas físicos de Madjer, Portugal não foi bafejado pela sorte neste derradeiro jogo da temporada europeia. Por duas vezes os jogadores portugueses acertaram nos ferros da baliza transalpina: a primeira num livre directo de Jordan, cujo tiro de raiva embateu violentamente no poste, a segunda no remate desafortunado de Alan, com a bola a ressaltar na areia e a subir demasiado, tocando na barra e passando por cima da baliza italiana.

Foram de facto muitos os remates lusitanos que não conheceram as redes Azurras por puro milagre, também porque os guarda-redes adversários protagonizaram uma série de defesas impossíveis, como uma defesa de Rasulo com as pernas a um remate poderoso de Madjer e uma defesa também com os membros inferiores de Del Mestre, que no início do 3º período parou incrivelmente um fantástico pontapé de bicicleta de Jordan. Enfim, foram estas apenas algumas das situações em que o azar bateu à porta de Portugal, mas acreditem, estimados leitores, que não foram as únicas.

Superação Total: Fulgor Lusitano!

Como facilmente terão percebido, não foi nada fácil a tarefa portuguesa nesta final da Liga Europeia. A excelente qualidade evidenciada pelos adversários, os contratempos referentes a problemas com os nossos jogadores e a falta de sorte que acompanhou Portugal até ao apito final do árbitro constituíram um forte entrave ao triunfo da equipa das quinas, que teve de dar o seu melhor para alcançar a almejada vitória.

Não obstante todas adversidades anteriormente numeradas, os jogadores da selecção nacional portaram-se como verdadeiros heróis, lutando com todas as suas forças, alimentados pelo desejo de colocar o nome do seu país no lugar mais alto do pódio. Aplicando na perfeição os processos de jogo implementados pelo seu treinador, cumprindo todas as indicações do mestre tanto a atacar como a defender, Portugal protagonizou uma excelente exibição, alicerçada numa base defensiva muito sólida e na técnica fantástica dos seus jogadores, capazes de desequilibrar o encontro a qualquer momento.

O jogo: Até ao golo de Gori

A Itália manteve-se sempre na discussão do resultado, com grande espírito guerreiro, e apesar da superioridade lusitana, nunca desanimou, o que proporcionou uma grande final.

A Itália manteve-se sempre na discussão do resultado, com grande espírito guerreiro e nunca desistiu, o que proporcionou uma grande final. Na imagem, os jogadores italianos entoam a letra do hino nacional do seu país antes do encontro com Portugal.

Que grande jogo de futebol de praia e que grande conquista da selecção nacional! Praticamente entrou no jogo a perder (1-0) num bom lance de Corosiniti, mas conseguiu empatar (1-1) apenas alguns minutos volvidos, num portentoso remate longínquo de Alan, que veio na sequência de uma fantástica reacção por parte da equipa das quinas! E foi com muita garra, muita dedicação, que procurou o golo até ao fim do 1º período, ainda que sem sucesso. Mas o 2º período também começou com Portugal no ataque e, após uma sucessão de oportunidades por concretizar, Bruno Novo apontou o seu primeiro golo da tarde, num remate acrobático de belo efeito, após passe de Paulo Graça. Um grande golo que deu a vantagem (2-1) mais que merecida àquela que estava a provar ser a melhor equipa.

O 2º período continuou a ser totalmente controlado por Portugal, que tentou ampliar a vantagem, ainda que sem êxito. Ora, na derradeira etapa do encontro, a selecção nacional entrou a todo o gás, em busca do golo da tranquilidade, remetendo os jogadores italianos para o seu meio-campo e reafirmando a determinação lusitana em vencer a partida. Contudo, o terceiro tento português não se verificou e foi mesmo a Itália quem, numa das muito raras  situações de perigo para a baliza de Paulo Graça, chegou ao golo: o estreante Gori empatou a partida (2-2) num espectacular pontapé de bicicleta, que consternou o Terreiro das Missas, numa onda de apreensão que gelou os adeptos…

O jogo: Os melhores vencem no final numa explosão de emoções.

Faltavam nessa altura cerca de 5 minutos para o fim do encontro. A final empatada, entre dois titãs do futebol de praia europeu. Um estádio inteiro sustendo a respiração, aguardando um desfecho emocionante para um jogo que seria, com toda a certeza, épico. Estaria a Itália em vantagem psicológica, atendendo ao contexto em que o tento de Gori surgiu? Talvez, mas Portugal continuou a fazer o seu jogo, com serenidade e confiança, sem nunca se desorientar e mantendo sempre o rumo correcto. A consistência táctica de Portugal não foi nada afectada, o que permitiu conter de forma impecável o ímpeto italiano, que não causou estragos na defensiva lusitana. Vigiada a situação a nível defensivo, era urgente repor a vantagem no marcador, algo que requereria um acto de bravura, um momento de inspiração apenas possível para um grande jogador! E, desta vez, esse grande jogador não foi Madjer, nem Alan, nem Belchior, mas sim o grande Bruno Novo!

Uma corrida desconcertante do número 18 de Portugal por entre os defesas italianos colocou o nosso jogador em excelente posição para receber o lançamento de Paulo Graça, que funcionou como um passe soberbo para o remate violentíssimo do Bruno Novo, na direcção das baliza transalpina. Apesar da pontaria e da potência do pontapé, o implacável Del Mestre ainda conseguiu conter esta tentativa do herói da Nazaré, mas nada pode fazer contra a recarga vitoriosa do atleta lusitano: recepção sublime com o joelho direito e tiro certeiro com o pé esquerdo, com a bola a passar rente ao poste sem grandes hipóteses para o pobre guarda-redes Azurri.

Era a loucura no estádio de Belém! O público de pé, a gritar e a aplaudir a nossa selecção! Ambiente ao rubro nas bancadas, com os espectadores em êxtase graças à vantagem de Portugal! Os atletas a festejar, de forma efusiva, o brilhantismo do Bruno Novo, em particular o próprio, que esboçou uma série de gestos triunfais enquanto berrava, celebrando o 3-2, apenas antes de ser abalroado pelo Bilro, também ele em delírio!

E foi com num clima de grande tensão que assistimos (pois eu estava lá) aos 3 últimos minutos do jogo, em que o espírito de entreajuda e a solidez defensiva demonstrados pela nossa selecção conseguiram assegurar a inviolabilidade das redes lusitanas! Paulo Graça impecável, defendendo um livre perigoso de Carotenuto, a menos de 1 minuto do fim, foi juntamente com Bilro, Marinho e Coimbra o herói dessa fase do jogo, na qual o resultado não sofreria alterações. O apito final acabou por soar, 36 minutos decorridos desde o início deste jogo memorável, que consagrou Portugal campeão europeu de futebol de praia 2010!

Este vídeo diz respeito aos derradeiros instantes do jogo, a partir da defesa de Paulo Graça ao livre de Carotenuto, incluindo o princípio da festa. Agradeço ao adepto (desconhecido) que filmou o vídeo, proporcionando um enriquecimento deste post no meu blogue!

A Festa depois do jogo: Absolutamente descomunal!

É verdade que chorei. Sim, chorei, e não me envergonho disso, antes pelo contrário: acho que expressei verdadeiramente os meus mais profundos sentimentos naquele momento e fico feliz por pensar que vivi esta experiência extraordinária em toda a sua dimensão. Não numa perspectiva de fanatismo (o que pode ser facilmente refutado se tivermos em conta os autógrafos que pedi a jogadores de outras selecções no decorrer do evento), mas de uma forma saudável que me permitiu desfrutar ao máximo deste triunfo histórico e desta alegria imensa que foi assistir ao vivo pela primeira vez a uma grande conquista da selecção nacional.

Mas, embora os meus rituais sejam raros entre os restantes membros da plateia, ninguém foi indiferente ao grande feito que o futebol de praia português acabava de alcançar, algo que foi bem visível na forma como o público participou na festa e aplaudiu com entusiasmo os grandes heróis das areias lusitanas! Sim, todo o estádio vibrou em uníssono com a magia da selecção nacional, cuja bravura e dedicação às cores nacionais lhe proporcionou um brilhante título europeu! E foi decerto um dia especial na carreira dos atletas, assim acarinhados pelo apoio do público da capital!

Os heróis lusitanos celebraram efusivamente a conquista da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010! Novamente Campeões Europeus! Parabéns a todo este grupo fantástico! São os maiores!

Os heróis lusitanos celebraram efusivamente a conquista da Liga Europeia de Futebol de Praia! Novamente Campeões Europeus! Parabéns a todo este grupo fantástico! São os maiores!

O momento em que o troféu foi entregue à selecção nacional foi inesquecível e marcou mais um passo na História do futebol de praia nacional e europeu. Somos novamente Campeões da Europa! Parabéns a todos, amigos!

Madjer, Melhor Jogador do Torneio (outra vez)

A distinção do Madjer como melhor jogador do torneio foi um prémio justo pela forma corajosa como o lendário craque português entrou em campo, numa luta dupla contra os seus adversários e uma lesão fustigante que o atormentou durante toda a competição. O Madjer fez tudo o que podia, pondo em risco a sua própria integridade física para servir o país ao qual tanto tem dado, acabando por se revelar determinante para a conquista do troféu, dada a imprescindibilidade do seu hat trick frente à Rússia para que Portugal marcasse presença na final.

A imagem aguerrida do capitão luso, que mesmo a precisar de uma cama ficou diversas vezes perto do golo diante da Itália, faz dele uma figura incontornável da modalidade na Europa e o jogador que, sem dúvida alguma (e sem querer tirar mérito ao Stankovic) mais merecia esta distinção (foi considerado melhor jogador da Liga Europeia pela 5ª vez). Enquanto o Madjer recebia o distintivo das mãos do doutor João Morais, com a mão atrás das costas de maneira a aliviar as dores, o público delirava com a atribuição do prémio individual mais honroso ao grande craque português.

Grandes jogadores! Mas que trio!

Madjer, eleito melhor jogador da Liga Europeia de Futebol de praia 2010, juntamente com os vencedores dos outros prémios: Andrey Bukhlitskiy, melhor guarda-redes, e Dejan Stankovic, melhor marcador do evento com 8 golos. Mas que trio! Parabéns aos três, sobretudo ao Madjer!

Gostaria também de dizer, rapidamente, num parênteses rápido, que havia outros jogadores na selecção nacional com credenciais para conquistar o prémio de melhor jogador, nomeadamente o Alan, elemento fundamental na conquista do troféu, determinante na construção do jogo de Portugal e detentor de uma técnica extraordinária, e o Bruno Novo, que afinal acabou por ser o herói da final, bem como o melhor marcador da selecção portuguesa, com 4 golos apontados, contrariando a ideia daqueles pobres ignorantes “treinadores de bancada” para os quais a selecção é só Madjer, Alan e Belchior.

De resto, na minha opinião, gostaria de manifestar a minha convicção de que o Paulo Graça, guarda-redes da selecção nacional, merecia mais do que qualquer outro jogador ter sido eleito melhor guarda-redes da competição, atendendo ao baixíssimo número de golos sofridos (5), às suas defesas espectaculares (e extremamente influentes) e à sua preponderância na organização do jogo ofensivo da nossa selecção. A imprensa preferiu atribuir o prémio ao Andrey Bukhlitskiy, da Rússia, que apesar de não ter sido, na minha opinião, o melhor do torneio, é também um grande guarda-redes, ficando o prémio bem entregue. Para finalizar a listagem dos prémios, resta-me dizer que o já referido Dejan Stankovic se sagrou melhor marcador do torneio, graças aos seus 8 tentos na Superfinal ao serviço da Suíça.

Agradecimentos

Dois grandes guarda-redes de futebol de praia: Paulo Graça e João Carlos Delgado.

João Carlos entra para o lugar de Paulo Graça nos minutos finais da partida frente aos russos. Dois grandes guarda-redes, nos quais temos muito orgulho pela forma destemida como defendem as redes nacionais!

Antes de prosseguir com os agradecimentos a quem contribuiu para este grandioso espectáculo desportivo, social e emocional, gostaria de aconselhar a leitura deste artigo, escrito pelo guarda-redes da selecção nacional João Carlos Delgado, no qual faz um excelente resumo do jogo e da alegria imensa que este grupo maravilhoso viveu ao sabor desta conquista brilhante, expressando também a sua gratidão para com todos os membros da família do futebol de praia nacional. Mais um grande exemplo do espírito de união e amizade que reina na melhor selecção da Europa!

Não posso terminar este post sem agradecer a todos os familiares e amigos que me acompanharam ao longo dos 4 dias de competição, tornando estes momentos ainda mais coloridos e felizes para mim, sobretudo o dia da grande final. Um muito obrigado a todos, porque foram espectaculares no apoio a Portugal neste dia memorável! Adorei a vossa companhia e espero que tenham desfrutado da experiência, tanto do futebol de praia como do espectacular ambiente que vivemos nas bancadas!

E claro, quero deixar aqui as minhas sinceras palavras de agradecimento e admiração por quem, graças ao seu trabalho e esforço pessoal, conseguiu recuperar este título europeu, que nos fugia caprichosamente desde 2008. Um muito obrigado a toda a família da selecção nacional por terem tornado possível esta espectáculo tão belo, que nunca esquecerei, e por me terem sempre recebido com boa disposição e amabilidade ao longo desta temporada de 2010. Foram todos espectaculares e estão de parabéns! Orgulho em ser Português!

Liga Europeia de Futebol de Praia 2010: Terceira Etapa em Lignano Sabbiadoro – Portugal alcança uma vitória retumbante contra os rivais italianos. Suíça vence França.

Paraíso dos turistas!

Lignano Sabbiadoro, bela cidade italiana, acolhe a 3ª etapa da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010.

Saudações a todos os leitores deste blogue e interessados na modalidade do futebol de praia. Hoje, dia 2 de Julho, teve início a terceira etapa da fase regular da Liga Europeia de Futebol de Praia 2010. Este evento tem lugar no Noroeste de Itália, em Lignano Sabbiadoro, terminando no próximo Domingo, 4 de Julho.

Tal como as etapas anteriores, o torneio está dividido em duas competições, a saber, um torneio da divisão B da Liga Europeia, disputado pelas equipas do Azerbeijão, da Holanda e da República Checa, e uma competição para as equipas da divisão A, que conta com a presença de Portugal, Itália, Suíça e França.

Em cada torneio, as equipas jogam todas umas contra as outras, em formato de liga. O vencedor da competição da divisão B consegue o apuramento para a Promotion Final, o mesmo acontecendo com a equipa classificada em 2º lugar, caso tenha um registo melhor do que o das restantes selecções classificadas na 2ª posição dos outros torneios da divisão B (de momento, é a Alemanha quem ostenta esse registo, com 3 pontos e uma goal average de um golo negativo).

Na divisão A, as equipas acumulam pontos, tendo em vista a progressão no ranking da fase regular, que selecciona as 6 melhores equipas para participar na Superfinal, enquanto a selecção classificada em 8º lugar se vê obrigada a disputar a Promotion Final, lutando pela manutenção na divisão A da Liga Europeia do ano seguinte com 5 equipas vindas da divisão B (os vencedores dos quatro torneios da fase regular e o melhor segundo classificado).

Mas isso será só em Agosto, no final do Verão. Por agora concentremo-nos no torneio de qualificação de Lignano Sabbiadoro!

DIVISÃO B

O primeiro jogo do dia foi o confronto do torneio da divisão B entre Azerbeijão e República Checa. Isto quer dizer que a selecção holandesa ficou de fora do primeiro dia de competição em Lignano Sabbiadoro, deixando a responsabilidade de abrir o torneio da divisão B aos rivais azeris e checos.

AZERBEIJÃO 5 – 4 REPÚBLICA CHECA

Gustavo Zloccowick, mais conhecido por Guga, tem treinado várias selecções, espalhando a magia do futebol de praia um pouco por todo o mundo. Louvável!

Azerbeijão e República Checa são duas equipas a ter em conta quando falamos da segunda linha do futebol de praia europeu. Não são grandes selecções, surgiram há relativamente pouco tempo e ainda evidenciam alguns problemas que as tornam mais vulneráveis, mas têm vindo a crescer e um excelente ritmo nos últimos anos: os checos, terminaram a Liga Europeia de 2008 num brilhante 6º lugar, após terem conseguido o apuramento para a Superfinal, enquanto os azeris, que já foram treinados pelo brasileiro Guga, chegaram aos quartos-de-final do torneio de qualificação para o Mundial 2009.

Estas duas equipas nunca se haviam defrontado na história do futebol de praia, mas terão uma nova oportunidade dentro em breve, no torneio de qualificação para o Mundial 2011, a disputar nas próximas semanas em Bibione, também na Itália. De facto, Azerbeijão e República Checa foram inseridos no mesmo grupo, tendo como outros adversários a França e o Cazaquistão. Isto significa que, além da importância do jogo de hoje em termos de Liga Europeia, o duelo tinha particular importância por servir de preparação para o grande jogo do torneio de apuramento para o campeonato do mundo. Mas falemos agora sobre o jogo em si.

1º período: Azerbeijão começa de forma explosiva. Checos não conseguem marcar.

No primeiro período, os azeris entraram muito bem no jogo, marcando dois golos muito cedo, ainda nos dois primeiros minutos de jogo. No primeiro golo, o capitão azerbeijanês Elshad Guliyev rematou de muito longe, contando com a ajuda da areia, que desviou a bola na direcção da baliza. O segundo tento foi apontado por Elvin Guliyev, num remate forte após um bom passe do irmão Elshad Guliyev.

Os checos não conseguiram travar a energia azerbeijã e cedo se encontraram numa situação muito desfavorável, mas foram conseguindo conter a energia dos jogadores adversários, começando a chegar com perigo à baliza defendida pelo guarda-redes Kurdov. Contudo, o Azerbeijão, tacticamente superior tanto no ataque como na defesa, conseguiu segurar a vantagem, apesar dos eforços da República Checa, que chegou a conseguir atirar uma bola à barra. Resultado no final do 1º período: 2-0, com vantagem para a selecção azeri.

2º período: 6 golos e muita emoção! Azerbeijão permanece na frente.

O 2º período começou de uma forma totalmente diferente, com os checos a procurar o empate com determinação, jogando sem medo, exercendo uma pressão intensa sobre a selecção azerbeijã, que pareceu entrar em campo com alguma timidez. A República Checa conseguiu chegar ao primeiro golo por intermédio de Salak, na recarga após um remate forte de um colega de equipa. A vantagem do Azerbeijão não durou muito tempo, pois o mesmo Salak fez o empate alguns instantes depois, emendando um remate fraco de Dlouhy. 2-2 no marcador, resultado que se desfez na jogada seguinte, quando Zeynalov aproveitou da melhor maneira o pontapé de saída para fazer o terceiro golo da sua equipa: 3-2, vencia o Azerbeijão.

O jogo estava emocionante e assim continuou até ao fim do 2º período. O mesmo Zeynalov tentou marcar o seu segundo golo da tarde através de um remate acrobático, mas a bola saiu por cima da baliza, numa altura em que os Azeris pareciam ter retomado o controlo do jogo. Contudo, a reacção checa não se fez esperar, com Salak a empatar de novo a partida, apontando o terceiro golo na sua conta pessoal: Dlouhy conduziu o ataque com garra, fez o passe para Salak à meia volta e este não teve dificuldades em bater o guardião Kurdov: 3-3. O Azerbeijão voltava a pagar caro pelas suas falhas defensivas, muito bem aproveitadas pela atitude enérgica da República Checa.

Após um período do jogo com oportunidades para ambas as selecções, incluindo um cabeceamento de Cibula, da República Checa, ao poste da baliza azeri, e outro remate de cabeça, de Elvin Guliyev, que acertou em cheio na trave da baliza contrária, foi a equipa azerbeijã quem conseguiu chegar ao golo, com Huseynov a finalizar da melhor maneira um livre do meio campo, castigando um segundo atraso por parte dos checos: 4-3. E os problemas dos checos não ficaram por aqui, já que o Azerbeijão continuou a atacar, ampliando rapidamente a vantagem, num grande trabalho de Azizzade, que tocou a bola por cima de um adversário e rematou forte para o fundo das redes checas: era o 5-3, resultado que se manteve até ao fim do 2º período, apesar dos esforços da República Checa, incluindo um remate de Kovarek à barra da baliza de Kurdov.

3º período: República Checa tenta, mas não consegue empatar. Azerbeijão seguro, mas com azar.

O 3º período viu novamente uma selecção checa que entrou muito pressionante,  procurando golos que lhe permitissem permanecer na discussão do resultado. Porém, o Azerbeijão esteve bem a defender e acabou por conseguir sacudir a pressão dos checos, chegando com perigo à baliza checa, com um remate à trave de Zeynalov. Ainda assim, a República Checa não desistia e acabou mesmo por chegar ao golo: Salak, o jogador checo que mais se destacou, levantou a bola e rematou à meia volta, num belo gesto técnico, com a bola a embater no poste e a sobrar para Kuchera, que reduziu para 5-4 e manteve vivas as esperanças da equipa checa. Apesar disso, o resultado não sofreu mais alterações, com o Azerbeijão a resistir com bravura às tentativas dos checos, gerindo a vantagem com distinção e criando também algumas oportunidades de golo (contando com um remate ao poste de Elvin Guliyev).

Resultado final: 5-4 favorável aos azeris, num jogo em que a disciplina táctica se sobrepôs ao lado mais físico do futebol de praia. O Azerbeijão conquistou assim 3 pontos que poderão vir a ser preciosos nesta competição, ficando bem lançado rumo ao apuramento para a Promotion Final, enquanto a República Checa se encontra numa situação muito complicada, precisando de vencer a Holanda em tempo regulamentar e esperar que a Holanda derrote o Azerbeijão, também em tempo regulamentar, para ter esperanças de vencer este torneio de divisão B.

DIVISÃO A

Os jogos referentes ao torneio da divisão A neste primeiro dia de competição foram um interessante confronto entre França e Suíça, que terminou com o esperado triunfo dos helvéticos por 5-1, e um fantástico duelo entre portugueses e italianos, com a selecção nacional a sair vencedora por claros 6-2.

SUÍÇA 5 – 1 FRANÇA

Neste primeiro jogo da competição da divisão A defrontavam-se as únicas equipas que ainda não tinham pontuado nesta edição da Liga Europeia, mas por razões bem diferentes: a França porque saíra derrotada dos três jogos que disputara na segunda etapa da fase regular, em Marselha; a Suíça porque simplesmente ainda não tinha participado em nenhum evento da fase regular da Liga Europeia, tendo a sua estreia neste torneio em Lignano Sabbiadoro. De qualquer forma, qualquer uma das equipas só tinha a vitória em mente.

O cinco inicial da Suíça foi composto por Valentim (guarda-redes), Leu, Ziegler, Spacca e Stankovic, enquanto a França entrou em campo com Hamel (guarda-redes), François, Mendy, Basquaise e Sciortino.

O jogo: Suíça indiscutivelmente mais forte. França nada eficaz. Resultado justo.

Suíça domina.

A Suíça venceu a França sem grandes dificuldades. Na imagem, Jeremy Basquaise, capitão francês, luta pela posse de bola com Stephan Leu, capitão suíço. Dois grandes jogadores!

O jogo começou com algum equilíbrio, sendo notável a forma como a equipa francesa encarou o desafio, dispondo das primeiras oportunidades de golo. No entanto, como sempre, faltou a capacidade de finalização aos jogadores gauleses, que cedo enfrentaram sérias dificuldades defensivas, devido às rápidas combinações dos suíços no ataque. Os helvéticos, embora não controlassem propriamente o jogo, eram a equipa mais perigosa e foi num magnífico lance de inspiração que Stephan Leu, num remate de muito longe, bateu o guardião francês Sebastien Hamel: 1-0 favorável aos suíços, resultado que se manteve até ao fim do 1º período.

O 2º período trouxe uma França mais atrevida do que nos 12 minutos iniciais, mas só durante os primeiros minutos. Após algumas oportunidades desperdiçadas pelos jogadores franceses, numa fase em que os suíços pareciam ter algumas dificuldades na contenção do jogo gaulês, os comandados de Eric Cantona voltaram a ser dominados pelos suíços, que mais tarde ou mais cedo acabariam por marcar. E se Dejan Stankovic, a principal estrela da selecção helvética, cabeceou ao lado na sequência de um pontapé de canto cobrado na esquerda, o mesmo não aconteceu com Samuel Lutz, que aproveitou da melhor maneira uma tremenda falha de marcação da defensiva francesa para colocar a bola no interior da baliza de Hamel, após um outro canto.

O 2-0 não durou muito tempo, já que os suíços voltaram à carga poucos instantes depois, e desta vez por intermédio do melhor jogador do Mundial FIFA 2009, Stankovic: num lance rápido de contra-ataque, o número 9 da Suíça chutou forte para o fundo das redes gaulesas, num remate fantástico, dotado de uma potência extraordinária, num gesto prodigioso do atleta helvético. 3-0 no marcado, resultado que não sofreu alterações até ao fim do 2º período, apesar dos esforços suíços.

No derradeiro período do jogo, a França finalmente conseguiu chegar ao golo, num belo remate de Stéphane François, a bater de muito longe o guarda-redes Valentim Jaeggy. Porém, o 3-1 não constituiu um grande incentivo para os jogadores franceses, que não foram capazes de operar a reviravolta no marcador. Antes pelo contrário, foi a selecção suíça que, com o pragmatismo do costume, ampliou a vantagem, numa grande penalidade facilmente convertida por Stankovic: 4-1 a favor dos suíços, que restabeleceram assim a vantagem de 2 golos. Mais uma vez, a França não soube reagir e foram os helvéticos quem continuou a dominar o jogo, defendendo bem a vantagem e dispondo de algumas oportunidades para a dilatar ainda mais. O jogo continuou assim até ao final, com os gauleses cada vez mais desmotivados, e um golo de Stephan Meier no último segundo do jogo a colocar um ponto final ao quarto desaire consecutivo da França na Liga Europeia: 5-1.

Momento espectacular do capitão francês!

O inconformado Basquaise fez tudo para evitar o desaire da sua selecção, mas não conseguiu marcar. Na imagem, executa um grande pontapé de bicicleta, que infelizmente não deu golo.

Conclusões: Suíça entra com o pé direito. França em sarilhos

Que ilações poderemos nós retirar deste primeiro encontro do torneio da divisão A da Liga Europeia? Para começar, a Suíça, que fez uma boa exibição, conquistou 3 pontos importantes na Liga Europeia, começando da melhor maneira a caminhada rumo à Superfinal de Agosto. Os dois jogos que se avizinham frente a Itália e Portugal serão verdadeiros testes às capacidades dos suíços, que decerto pretendem repetir a vitória de 2008, quando venceram o torneio de Lignano Sabbiadoro.

A França, por seu turno, mostrou a insegurança do costume e perdeu mais uma oportunidade para ganhar pontos que lhe permitam escapar à última posição no ranking da fase regular. Os jogos seguintes serão ainda mais difíceis, frente às selecções italiana e portuguesa que não irão facilitar a tarefa. A França é neste momento a única equipa da divisão A sem qualquer ponto conquistado e parece que vai mesmo ficar no 8º lugar do ranking, sendo obrigada a disputar aPromotion Final em Agosto, com a obrigação de vencer para continuar na divisão A da Liga Europeia em 2010.

Jogadores suíços (Leu, Ziegler, Spacca, Stankovic e Valentin) festejam um golo com alegria contrastante em relação ao misto de desespero e frustração do francês Pagis.

PORTUGAL 6 – 2 ITÁLIA

O jogo final do dia reservou um emocionante duelo entre a selecção da casa e a equipa portuguesa. Os Azurri contaram com o apoio do simpático público de Lignano Sabbiadoro, que apesar de tudo não foi suficiente para encher o estádio montado no local: uma belíssima praia do Mar Adriático.

A selecção italiana partia para este torneio com 5 pontos, resultantes da sua prestação na etapa realizada em Moscovo, precisando de vencer alguns jogos para subir a sua classificação no ranking da fase regular e assegurar a qualificação para a Superfinal da Liga Europeia. Contudo, o verdadeiro objectivo dos transalpinos era (e continua a ser) a conquista desta terceira etapa da fase regular, com um sabor especial por ser disputada diante dos seus fãs.

A selecção portuguesa, por seu turno, chegou a Lignano Sabbiadoro com 3 pontos, obtidos na etapa marselhesa da competição, num torneio em que uma equipa portuguesa diferente da habitual foi ganhando experiência e progredindo jogo após jogo. No entanto, para esta etapa italiana, os objectivos do seleccionador nacional José Miguel são a conquista de pontos que assegurem uma boa classificação no ranking da fase regular e a utilização dos jogos como forma de treino para o torneio de apuramento para o Mundial 2011, tendo convocado para este efeito os jogadores que lhe dão mais garantias.

Antes de começar o jogo, o ambiente entre as equipas era fantástico, caracterizado por uma louvável boa disposição, bem evidente nos cumprimentos calorosos entre os jogadores e na forma amistosa como Madjer e Pasquali, capitães de equipa, trataram do sorteio habitual com os oficiais de arbitragem. Sorrisos, brincadeiras e muita alegria entre jogadores que se conhecem muito bem, sendo inclusivamente colegas de equipa nos clubes italianos que representam (actualmente, Madjer e Belchior jogam na Roma, onde também actuam Pasquali, Carotenuto e Spada). Após o pontapé de saída inicial, os sorrisos desapareceram e os atletas encararam o desafio com a seriedade própria de um grande jogo entre Portugal e Itália. Tinha começado a luta de titãs!

No último confronto entre Portugal e Itália, a selecção nacional derrotou os transalpinos por 10-7. Foi na meia-final da Taça Europa de Futebol de Praia 2010, realizada em Roma. Na imagem, Madjer tenta rematar, com Carotenuto pela frente.

No último confronto entre Portugal e Itália, a selecção nacional derrotou os transalpinos por 10-7. Foi na meia-final da Taça Europa de Futebol de Praia 2010, realizada em Roma. Na imagem, relativa a essa partida, Madjer tenta rematar, com Carotenuto pela frente. Espectáculo!

1º período: Portugal mais forte. Dois golos sem resposta. Paulo Graça em grande!

Portugal alinhou com o guarda-redes Paulo Graça, Coimbra, Alan, Madjer e Belchior, enquanto os italianos iniciaram o jogo com Spada na baliza, Leghissa, Pasquali, Corosiniti e Carotenuto como jogadores de campo. A partida começou equilibrada, com ambas as equipas a tentarem pegar no jogo, mas sem arriscar nada em termos defensivos. O primeiro lance de perigo pertenceu a Alan, que rematou em acrobacia em direcção à baliza italiana, mas o guarda-redes Spada estava atento e desviou para canto.

Portugal mostrou desde cedo uma notável segurança defensiva, que se viria a manter durante os 36 minutos de jogo, sendo uma das chaves para o sucesso lusitano na partida. Com uma organização táctica praticamente perfeita e um guardião inspirado (como sempre), os jogadores portugueses travaram todas as investidas italianas no 1º período, enquanto iam procurando golos no ataque, praticando o seu futebol de praia, de uma forma elegante e eficaz.

Rui Coimbra inaugurou o marcador no início do jogo, num cabeceamento de defesa impossível para Spada, correspondendo da melhor maneira a um lançamento do guarda-redes Paulo Graça. E se o guardião português tinha estado no primeiro golo ao assistir o seu colega de equipa, o segundo tento da equipa das quinas foi mesmo da sua autoria, através de um portentoso remate de muito longe, com a bola a viajar rasteira a grande velocidade na direcção da baliza italiana e Spada a não conseguir suster o remate. Belo momento do nosso guarda-redes, que instantes antes rematara ao poste e já merecia há muito um golo com a camisola da selecção nacional!

Grande ambiente o que se vive na selecção nacional de futebol de praia!

Os craques portugueses, Coimbra e Belchior, festejam um golo lusitano, provavelmente o primeiro, da autoria de Rui Coimbra. Muito bem! Temos equipa! Continuem!

O 2-0 verificado no final do 1º período justificava-se plenamente, pois Portugal tinha sido nitidamente a melhor equipa ao longo dos 12 minutos iniciais, controlando o jogo da melhor forma. Os italianos praticamente só haviam criado perigo na sequência de livres directos, que Paulo Graça se encarregou de defender com distinção!

2º período: Segurança lusitana. Portugal dilata a vantagem. Itália luta sem sucesso.

O 2º período trouxe novas emoções e 4 golos aos adeptos presentes no local e a todos os espectadores que, como eu, acompanhavam a partida pela televisão ou via Internet. O pontapé de saída pertencia à Itália, mas o temível remate de Pasquali foi travado pela barreira. Na primeira jogada da selecção portuguesa, Paulo Graça fez um lançamento longo para a corrida veloz de Belchior pela direita, com um remate forte do número 10 lusitano, defendido por Del Mestre, mas com a bola a ficar à mercê de Madjer, que chegara rapidamente à baliza italiana, preparado para a recarga, que valeu o terceiro golo para Portugal: 3-0 no marcador.

 Dois grandes jogadores, colegas de equipa na AS Roma!

Pasquali tenta escapar ao (im)pressionante Madjer, que segue no seu encalço. Dois grandes jogadores, colegas de equipa na AS Roma!

Não podia ter começado de forma mais favorável a Portugal este 2º período. Moralizados pela larga vantagem obtida, os jogadores portugueses permaneceram no ataque, criando várias oportunidades para dilatar a vantagem. Os pupilos de Giancarlo Magrini, decerto nada satisfeito(s) com o resultado, iam tentando reduzir a desvantagem, mas sem sucesso, graças à fabulosa solidez defensiva da selecção portuguesa. O trio Madjer-Alan-Belchior jogava bom futebol de praia, e foi numa destas jogadas que Portugal chegou ao quarto golo, apontado por Bilro, com assistência de Belchior. Naquela que foi provavelmente a fase mais interessante do jogo, o número 7 italiano Roberto Pasquali marcou o primeiro golo da formação da casa, através de um fortíssimo remate no pontapé de saída, que Paulo Graça não conseguiu suster, apesar de ainda ter tocado na bola.

Após esta parte mais fantástica do jogo, com o resultado em 4-1 favorável a Portugal, os golos começaram a escassear, embora o nível de futebol de praia se mantivesse elevado. Os lusos continuaram a atacar mais durante algum tempo, enquanto Madjer, Alan e Belchior permaneceram em campo, mas a dada altura foi a Itália quem conseguiu pegar no jogo e levar perigo à baliza de Paulo Graça. No entanto, a boa prestação defensiva de Portugal e as defesas de grande nível do guardião luso impediram novos golos italianos.

Entretanto, a selecção nacional nunca abdicou do ataque, e numa altura em que começava a conseguir libertar-se da pressão italiana, Portugal chegou ao quito golo: Paulo Neves foi carregado em falta por Carotenuto ainda na área lusitana e bateu Del Mestre na conversão do livre directo correspondente, num remate forte, bem direccionado, pela areia, com a bola a tocar no poste e a entrar na baliza italiana! Faltavam poucos segundos para terminar o 2º período e foi com 5-1 no marcador que as equipas partiram para intervalo.

3º período: Gestão do resultado. Um golo para cada lado.

O 3º período começou com a selecção nacional no ataque, impulsionada pelas iniciativas de Madjer, Alan e Belchior. Os golos, porém, não surgiram, e os transalpinos, gradualmente, foram conseguindo tomar conta do jogo, procurando desesperadamente um golo que os mantivesse em jogo. Mas mais uma vez a selecção nacional esteve impecável na forma como defendeu, inibindo as investidas italianas, que raramente conduziam a situações de perigo. Quando isso acontecia, estava lá o enorme Paulo Graça para negar o golo aos Azurri. Uma certa falta de acerto ofensivo dos italianos em algumas jogadas também contribuiu para o insucesso da equipa da casa.

Bruno Novo marcou um belo golo numa brilhante jogada individual.

Bruno Novo marcou um belo golo numa brilhante jogada individual. Na imagem, o número 18 português no momento da fotografia de equipa em 2009.

De resto, com Bruno Novo, Jordan e Neves a renderem Alan, Madjer e Belchior, o seleccionador nacional teve a oportunidade de fazer descansar os três jogadores mais célebres, sem que os jogadores mais jovens dessem sinais de fraqueza (aquela etapa marselhesa foi de facto fundamental para integrar melhor os jogadores mais novos e subir o seu nível de jogo). E as coisas estavam a correr mesmo bem, porque Portugal também conseguia sair para o ataque, com algumas jogadas de belo efeito, que podiam ter dado golo. O sexto tento acabou mesmo por sair, numa arrancada de Bruno Novo, que depois de roubar a bola a Carotenuto consegui fugir ao atacante italiano e rematar com sucesso para o fundo das redes azurras: 6-1 no marcador.

Após este golo, que matou o jogo, José Miguel substituiu Paulo Graça por João Carlos, que teve a oportunidade de se estrear no torneio, e trocou Bruno Novo por Alan, aproveitando os últimos minutos de jogo para fazer experiências (como forma de treino para a qualificação para o Mundial 2011). O resultado foi muito positivo, com Portugal a dispor de boas oportunidades para dilatar a vantagem, embora tal não tenha acontecido. De facto, foi a Itália quem conseguiu marcar, num pontapé de bicicleta de Pasquale Carotenuto sem hipótese de defesa para João Carlos Delgado. Alguns segundos volvidos, o árbitro apitou para o final do jogo, numa partida em que Portugal triunfou por expressivos 6-2.

A arbitragem fora justa, apesar dos protestos dos jogadores italianos em algumas partes do jogo (naturalmente, falo de Carotenuto e sobretudo Pasquali). Isto numa partida espectacular, com 8 golos, onde se jogou futebol de praia de qualidade, com duas boas equipas, sendo que Portugal se superiorizou claramente à Itália, conseguindo uma vitória merecida.

Selecção Nacional: Ponto da Situação

Assim, a selecção nacional começou da melhor maneira a terceira etapa da Liga Europeia, conquistando 3 pontos importantes para o ranking da fase regular e protagonizando uma excelente exibição diante de um grande adversário, que até jogou bem, apesar de algumas limitações evidentes. Portugal está bem lançado para vencer o torneio e confirmou o seu estatuto como uma das melhores selecções europeias neste momento.

Após a prestação menos bem conseguida na etapa marselhesa da Liga Europeia, muitas vozes da imprensa desportiva se levantaram contra a selecção nacional, considerando as prestações muito abaixo do esperado e duvidando da qualidade de Portugal. Muitas pessoas aproveitaram para insistir na velha história de que a selecção está muito dependente de Madjer, Alan e Belchior. Ora, neste primeiro jogo da etapa italiana, ficou provado que Portugal está actualmente num grande momento de forma, preparado para vencer qualquer equipa e qualquer competição, fazendo frente às saídas de Torres, Sousa e Zé Maria de uma forma exemplar.

Falhas defensivas como esta não se verificaram no jogo com a Itália.

Os jogadores mais jovens da nossa selecção conquistaram experiência na etapa marselhesa, onde evidenciaram alguns problemas que foram exemplarmente corrigidos nos jogos seguintes. Falhas defensivas como a da imagem não se verificaram no jogo com a Itália.

Portugal demonstrou também que os jogadores mais jovens têm qualidade e estão perfeitamente integrados na selecção nacional, sendo possível substituir os jogadores do cinco inicial sem que se verifique um abaixamento do nível de jogo. Aliás, neste maravilhoso jogo entre Portugal e Itália, todos os golos lusos foram apontados por jogadores diferentes, o que significa que 6 atletas portugueses conseguiram inscrever o seu nome na lista dos marcadores. E, na verdade, apenas um desses golos foi apontado por um jogador do trio Madjer-Alan-Belchior (o terceiro golo, da autoria de Madjer), enquanto os restantes 5 tentos foram marcados por outros jogadores. Por isso, acho que é altura de as pessoas admitirem que Portugal tem uma equipa forte em todos os aspectos, muito completa, com excelentes opções no banco e a capacidade para bater qualquer equipa.

Agora é preciso pensar em vencer a França amanhã, por um resultado seguro, com uma exibição personalizada como a de hoje. Seria bom que os jogadores portugueses aproveitassem para marcar mais alguns golos, expressando a sua técnica individual neste jogo que se pode tornar fácil. Mas é preciso cuidado, porque a França é uma equipa com potencialidades, embora estejam a fazer uma campanha desastrosa em 2010. Depois, será necessário derrotar a Suíça com mais uma grande exibição para vencer o torneio e alcançar a melhor classificação possível na fase regular da Liga Europeia.

RESULTADOS E CALENDÁRIO DE JOGOS:

1ª jornada – 2 de Julho:

Divisão B: Azerbeijão 5 – 4 República Checa

Divisão A: Suíça 5 – 1 França

Divisão A: Portugal 6 – 2 Itália

2ª jornada – 3 de Julho:

Divisão B: República Checa – Holanda (Eurosport 2) 14:00

Divisão A: França  – Portugal (Eurosport 2) 15:15

Divisão A: Suíça – Itália (Eurosport 2) 16:30

3ª jornada – 4 de Julho:

Divisão B: Holanda – Azerbeijão (Eurosport 2) 14:00

Divisão A: Portugal – Suíça (Eurosport 2) 15:15

Divisão A: Itália – França (Eurosport 2) 16:30

Nota: Todos os jogos podem ser vistos no site oficial da Beach Soccer World Wide, aqui. Uma vez no site, terão de clicar em Live Broadcast para ter acesso à transmissão dos jogos em directo.

O jogo: Suíça indiscutivelmente mais forte. França nada eficaz. Resultado justo.

Dedo partido!

Aviso: se procura informações úteis sobre fracturas nas falanges e tudo o que envolva dedos partidos, por favor, consulte o post Dedo partido: retrospectiva (5 semanas), publicado algum tempo depois deste texto, que termina com uma análise mais detalhada e completa da questão, contendo alguns conselhos para pessoas com este problema.

Pois é. Ainda não tinha referido isto aqui no blogue, mas a verdade é que desde a terça-feira da semana passada (19 de Janeiro) tenho andado com uma minúscula limitação a nível físico: uma fractura na falange distal do dedo médio da mão esquerda.

Assinalada a vermelho, a falange distal do dedo médio, onde se localiza a minha pequena fractura

Sim, eu sei. Uma coisa tão pequena! Nem deve doer! Isso passa!

Foi o que eu pensei há 9 dias. No intervalo de meia hora entre as aulas de Biologia e Física estavam todos os rapazes da turma a jogar futebol no campo sintético, juntamente com alguns alunos do 7º ano, estreando a bola que tinha sido comprada a meias por todos os elementos interessados. Eu era um dos futebolistas de intervalo. No início comecei a jogar numa posição mais avançada do terreno, mas tinha combinado com o guarda-redes da minha equipa que trocávamos assim que ele sofresse um golo. O tento da equipa adversária não demorou muito tempo a surgir e quando dou por mim já fui parar à baliza.

Sofri um golo. Sofri outro golo. Mais ninguém se voluntariou para a ingrata posição de guarda-redes e eu tive de me contentar com ela até ao fim do encontro. Foi a minha “desgraça”.

A certa altura, numa das vagas ofensivas da equipa adversária, um colega qualquer (não me lembro quem) rematou forte à figura. Devido à minha carência de goalkeeping skills não consegui agarrar a bola (nem sequer tentei) e ela embateu violentamente na referida falange distal. Claro que doeu um pouco na altura, mas foi uma daquelas sensações passageiras sem quaisquer efeitos na meia hora seguinte.

Já na aula de Física, quando esticava o dedo, sentia uma dor aguda,  percebia que alguma coisa não devia estar bem. No entanto, tornei a encarar o fenómeno como uma dor momentânea que acabaria por passar pouco tempo depois.

No meu serão nocturno, depois de realizar os trabalhos de casa, comecei a sentir dificuldades na utilização do dedo médio para escrever no teclado do computador. Como se não bastasse, a parte inferior da unha estava negra. Este conjunto de circunstâncias despertou em mim a suspeição de que o caso fosse mais grave do que eu pensava. Receios hipocondríacos apoderaram-se da minha mente já cansada àquela hora da noite e após investigações levadas a cabo na casa de banho com o espelho e a tesoura, decidi que pôr gelo seria a melhor opção. Na cozinha, a arca frigorífica começou a emitir ruídos estridentes que acordaram a minha mãe: piiiiiin piiiiiin… Uma vez a pé, a minha mãe ajudou-me com o gelo e agendámos uma visita ao hospital na manhã seguinte.

Quarta-feira, dia em que supostamente teria natação na educação física às 10:00, na qual não poderia participar pela falta de mobilidade do dedo médio da mão direita, lá fomos os dois ao ignóbil hospital de São Francisco Xavier, por ser o mais próximo de casa. Uma espelunca, basicamente.

Não venham ao Hospital de São Francisco Xavier!

Eu e os outros clientes que se encontravam nas urgências fomos muito mal atendidos. Para além da grande confusão que impera naquela parte do hospital, os erros informáticos, demasiado frequentes, nunca são corrigidos pelos funcionários, excepto quando os clientes se apercebem. Uma senhora que chegara uma hora antes de mim nunca teria sido chamada para fazer a radiografia se não se tivesse apercebido da situação, insurgindo-se contra a incompetência do pessoal do hospital. De resto, quando cheguei à secção de ortopedia, “tinha ocorrido um erro no sistema” e a radiografia não tinha chegado.

O “ilustre” médico, visivelmente um novato, estava a ensinar duas estagiárias que deviam ser poucos anos mais velhas do que eu. E pareciam todos mais interessados nas suas brincadeiras e risos idiotas do que nos problemas dos clientes em questão.

Quanto ao meu dedo, disseram que não se conseguia perceber bem se existia ou não uma fractura e colocaram a hipótese de se tratar de um problema no tendão. E, sem me mandarem fazer mais radiografias ou qualquer outro tipo de exames, finalizaram dizendo que o tratamento era o mesmo em ambos os casos e atando um pedaço de fita adesiva em torno do dedo médio e do anelar, servindo este último de tala, para imobilizar o dedo fracturado, e colocou um lenço à volta do meu pescoço para apoiar a minha mão. Para cúmulo, o médico disse que eu deveria manter aquela montagem durante duas semanas.

Quem me viu na escola com este tratamento percebeu logo o quão ridícula e improfícua aquela fita adesiva enrolada ás três pancadas à volta dos dois dedos se revelava. De pouco ou nada serviria para eu curar a minha lesão. E a razão é muito simples: não podemos tratar eficazmente de um problema sem o conhecermos realmente.

À noite, depois das aulas, a minha mãe levou-me ao Hospital da CUF Infante Santo, este sim uma infra-estrutura digna e funcional, onde repeti a radiografia e me foi diagnosticada uma microfissura na falange distal. Agora sim, uma análise cuidada dos resultados que permitiu obter conclusões fiáveis. Uma tala verdadeira revestida internamente por uma suave superfície esponjosa à volta do dedo médio e uma ligadura constituíram o processo de tratamento, que culminaria numa consulta com um médico ortopedista na sexta-feira da semana seguinte. Tudo isto num ambiente saudável, rodeado de gente inteligente, compreensiva e amigável.

Pois bem, esse dia será já amanhã, 29 de Janeiro, e eu espero sinceramente ser autorizado a abandonar esta montagem que mumifica o dedo e a mão. Acho que tenho feito progressos nos últimos dias e quando tenho o dedo imóvel (99% do tempo) não sinto quaisquer dores. Como o dedo se conserva no interior da tala, também não tenho tido grande oportunidade de observar o seu aspecto morfológico (exceptuando quinta-feira de manhã e terça-feira à hora do almoço, quando fui mudar as ligaduras ao posto médico de Algés), mas penso que tudo estará a evoluir positivamente. Vamos esperar pelo melhor!

Quem sabe se na próxima segunda-feira poderei voltar a participar nos maravilhosos jogos de futebol dos intervalos! Ah, mas não vou ficar na baliza!

Nota: De realçar ainda o aspecto exótico que a minha mão esquerda adquiriu. O meu dedo médio é bastante mais comprido e mais grosso do que os restantes. Como se não bastasse, está sempre esticado. Isto tem uma consequência muito peculiar quando eu coloco a palma da mão virada para cima e dobro os dedos que ainda apresentam alguma mobilidade. Cerca de 587 pessoas já fizeram questão de me lembrar esse facto. Geralmente não simpatizo com este tipo de graçolas brejeiras, essas obscenidades! Mas neste caso não deixa de ser um facto singularmente curioso

Futebol de Praia: regras do jogo

Hoje vou publicar o primeiro post sobre futebol de praia. Trata-se de um momento importante para mim, pois adoro esta modalidade maravilhosa e sou um adepto incondicional da selecção nacional de futebol de praia. Espero que este seja apenas o primeiro de muitos posts em que divulgarei este extraordinário espectáculo desportivo que apresenta também uma importante dimensão humana e social, tentando captar a atenção de possíveis leitores e ajudar a criar novos fãs de futebol de praia.

Para começar, penso que seria conveniente fazer uma abordagem às regras básicas da modalidade, bem como às características gerais do campo de jogo. Não posso avançar para a situação do futebol de praia na actualidade e as grandes competições internacionais sem antes apresentar a modalidade!

Porém, não procederei a uma descrição exaustiva de todas as particularidades do futebol de praia. O documento oficial de Regras do Futebol de Praia tem um total de 39 páginas! Falarei simplesmente das principais regras do jogo, referindo algumas particularidades e deixando algumas opiniões, de uma forma o mais sugestiva possível.

Terreno de jogo

Comecemos, então, pelo espaço físico onde toda a acção do jogo decorre: o campo.

O campo de futebol de praia apresenta uma área semelhante à de um campo de futsal. Contudo, as dimensões são significativamente diferentes: o campo é um pouco mais curto, mas bastante mais largo. As dimensões do campo de futebol de praia são 26 a 28 m de largura por 35 a 37 m de comprimento.

As balizas são idênticas às de futebol de 11, apresentando uma largura de 5,5 m e uma altura de 2,2 m. Estas dimensões possibilitam golos de qualquer parte do campo, eventualmente com a preciosa ajuda da areia. Todo o campo é delimitado por uma linha azul, que define as linhas finais e as linhas laterais.

À semelhança do que acontece no futebol de 11, existem bandeirolas nos quatro cantos do campo. No futebol de praia existem também duas bandeirolas no ponto médio das linhas laterais, que sinalizam a linha imaginária do meio campo. Ainda nas linhas laterais, a 9 m das bandeirolas de canto, encontram-se outras bandeirolas, que sinalizam a linha imaginária da área do guarda-redes. Enquanto as bandeirolas de canto e as bandeirolas do meio campo são vermelhas, as bandeirolas da área são amarelas.

O Campo de Futebol de Praia

Jogadores

Não é permitido qualquer tipo de calçado, pelo que os atletas têm de jogar descalços. Se quiserem podem usar um “pé elástico”, isto é, uma pequena fita de borracha que protege o calcanhar. No entanto, a grande maioria dos jogadores prefere não usar qualquer tipo de protecção, por ser pouco eficaz na sua função e por prejudicar o contacto com a bola.

Geralmente, em condições normais, cada equipa tem à sua disposição 10 ou 12 jogadores para um jogo, dependendo do tipo de competição. Tal como acontece em vários desportos colectivos, cada equipa entra em campo com 5 jogadores (1 guarda-redes e 4 jogadores de campo). As substituições são ilimitadas e podem ocorrer a qualquer momento do jogo, com a bola dentro ou fora do campo. Deste modo, os jogadores podem entrar e sair várias vezes no decorrer da partida, permitindo uma boa rodagem da equipa e um maior rendimento dos jogadores em campo. Jogar na areia seca é muito difícil e cansativo!

Árbitros

As personagens mais adoradas do mundo do desporto não podiam deixar de estar presentes no futebol de praia. A equipa de arbitragem é composta por três membros. Os dois árbitros principais deslocam-se ao longo das linhas laterais, enquanto o terceiro árbitro fica na zona de substituições. Enquanto a dupla de arbitragem controla os acontecimentos dentro do jogo, o terceiro árbitro vigia os bancos de ambas as equipas e autoriza as substituições. Existe ainda um cronometrista, sentado a uma mesa, nas proximidades das bancadas, que está encarregue do tempo.

Tempo de jogo

O jogo está dividido em três períodos de 12 minutos cada, o que faz um total de 36 minutos de jogo. Parece pouco, não é? Mas a verdade é que num jogo de futebol de praia tudo pode acontecer! Mesmo que o jogo entre numa aparente estagnação, a qualquer momento pode eclodir a explosão de emoções que caracteriza esta modalidade!

Quando a bola sai, o cronometrista não suspende o tempo. Contudo, na marcação de um pontapé livre ou após um golo, cronómetro pára, a fim de evitar perdas de tempo que alterem a duração real do jogo.

Porém, é necessário ter em conta que nunca há empates no futebol de praia (nem mesmo numa fase de grupos): se as equipas tiverem marcado o mesmo número de golos no tempo regulamentar, disputa-se um pequeno prolongamento de 3 min, onde os ânimos estão ao rubro! E, se este tempo extra não for suficiente para descobrir um vencedor, recorre-se à marcação de grandes penalidades em sistema de morte súbita. Instantes de grande tensão…

Pontapés de saída e livres directos

Interessa ainda falar de dois elementos importantes do jogo, que, embora também sejam uma realidade no futebol de 11 e no futsal, assumem contornos muito peculiares no futebol de praia: o pontapé de saída e o pontapé livre.

No início de cada período e do prolongamento ou após a marcação de um golo é concedido um pontapé de saída (no segundo caso, à equipa que sofreu o golo). A bola é colocada no ponto imaginário que corresponde ao centro do campo, ambas as equipas têm de estar no seu meio campo e os jogadores da equipa que defende podem formar uma barreira, situada a mais de 5 m de distância da bola. O jogador que vai marcar o pontapé de saída levanta ou chuta a bola para a frente (sendo mais comum apenas levantar a bola) para outro jogador da mesma equipa rematar à baliza ou passar a bola a um colega, em corrida na parte lateral do campo. Desta forma, o pontapé de saída constitui uma verdadeira oportunidade de golo!

Disposição dos jogadores no momento da marcação de um pontapé de saída (Emirados Árabes Unidos vs. Portugal - Mundial Dubai 2009)

Quando um jogador comete uma falta, é concedido um pontapé livre à equipa adversária. Se a falta ocorrer dentro da área de grande penalidade, então naturalmente será assinalado um penalty (se for a favor da selecção portuguesa, isto poderá não ser bem assim…). O livre tem de ser batido no local da infracção, pelo jogador que sofreu a falta, excepto em caso de lesão (nesse caso, será o jogador que o substitui a marcar o livre). O jogador pode fazer um monte com os pés ou com a bola, mas nunca com as mãos. Isto permite evitar ressaltos da bola logo após o remate. Em nenhuma situação se podem formar barreiras aquando da marcação de livres directos: é um momento de confronto do jogador que bate o livre com o guarda-redes.

Se o livre for marcado à frente da linha de meio campo, então todos os jogadores têm de ficar atrás da linha da bola. No caso de o livre ser marcado atrás da linha de meio campo, os jogadores têm de se colocar no exterior de um cone que liga a bola aos postes da baliza. Após a marcação de um livre, enquanto se mantiver no interior do cone e no ar, o único jogador que pode tocar na bola é o guarda-redes; só a partir do momento em que a bola bate na areia ou sai do cone imaginário é que os restantes jogadores pode tocar nela. Estas regras fazem dos pontapés livres uma grande oportunidade de golo, mesmo quando são marcados muito longe da baliza adversária. E, por vezes, a areia faz das suas…

Sanções disciplinares

Em termos de disciplina, nada de especial. Cartão amarelo para advertência, perante uma falta mais grave ou um comportamento considerado antidesportivo; segundo cartão amarelo perfaz um cartão vermelho e dá direito a expulsão; cartão vermelho directo, por uma falta muito grave ou conduta incorrecta, também equivale a expulsão. De realçar que, quando um jogador é expulso, não pode voltar ao jogo e a equipa joga com apenas 4 atletas durante 2 minutos. Ao fim desse tempo, pode ser substituído por outro jogador, voltando a equipa a alinhar com os habituais cinco jogadores.

Na minha opinião, o critério para definir os cartões amarelos não é muito correcto, pois já vi jogadores a cometerem faltas muito graves e ficarem incólumes, enquanto outros vêem a cartolina amarela por marcarem o pontapé de saída antes do tempo, falharem o pontapé de bicicleta e acertarem incidentalmente na cabeça do adversário, entre outras situações impróprias para a exibição de um cartão. Mas enfim.

Para terminar deixo um vídeo certamente mais interessante do que este post chato e comprido. É uma síntese daquilo que eu estive aqui a dizer e inclui algumas belas imagens deste desporto descomunalmente espectacular que é o futebol de praia (beach soccer).

Curiosidade: Uma vez ouvi um comentador dizer que os campos na Europa eram mais pequenos do que no resto do mundo. De facto, em 2006, quando assisti na televisão aos jogos do Mundial FIFA no Rio de Janeiro, o campo pareceu-me consideravelmente maior do que o de Portimão, onde se disputaram os jogos da Etapa Portuguesa da Liga Europeia e do Mundialito.

Mas, já bastante tempo depois disso, num treino da selecção nacional, questionei o Juju, técnico de equipamentos que trabalha com a equipa portuguesa há largos anos, acerca destas questões, e ele disse-me que não haveria grande diferença. Efectivamente, nunca mais notei essa disparidade nas dimensões do campo. Provavelmente, a diferença residiria naquela margem de 2 m tanto para a largura como para o comprimento. Mas talvez a FIFA e a Beach Soccer World Wide tenham uniformizado as dimensões dos campos entretanto.

Enfim! O primeiro post sobre futebol de praia já está feito. Foi o mais chato e o mais difícil de escrever, pois tratava das regras e foi apenas uma primeira abordagem à modalidade. De agora em diante, todos os posts de beach soccer terão mais interesse e serão sobre assuntos mais sugestivos. Promessa de adepto!

Saudações aos leitores,

André Coroado (Andrey Amabov).