Recordemos Blake Edwards (A Pantera Cor de Rosa)

Estava eu sossegadamente desfrutando do primeiro almoço de férias natalícias, quando sou surpreendido por uma inesperada nota de rodapé do Jornal da Tarde (RTP), informando a morte do cineasta norte-americano Blake Edwards.

Fiquei pensativo, por uns momentos. Na verdade, pouco sabia acerca do realizador. Desconhecia mesmo que ainda estava vivo. Foi, por isso, um misto de interrogações e de alguma tristeza que se apossou da minha mente naquele momento, ao saber do falecimento do ilustre realizador da série de filmes A Pantera Cor de Rosa, que tantas gargalhadas me tem proporcionado. Mas antes de vos falar desta sua criação em concreto, gostaria de partilhar convosco alguns dados que obtive na minha pesquisa sobre Blake Edwards.

1ª PARTE: BLAKE EDWARDS: VIDA E CARREIRA

William Blake Crump nasceu em Tulsa, no estado de Oklahoma, no dia 26 de Julho de 1922. Filho de um realizador de cinema, acabaria por seguir as pisadas do pai, ainda que se tenha estreado como actor e argumentista, ligado sobretudo à rádio. Nesta primeira fase da sua carreira, o futuro cineasta evidenciou-se ao escrever 7 peças de teatro para o conceituado actor Richard Quine e ao participar brilhantemente na elaboração do argumento para o famoso filme de Orson Welles, War of  the Worlds, de 1938.

Foi, no entanto, como argumentista da série televisiva Richard Diamond, Private Detective (NBC) que Blake Edwards deu a conhecer ao mundo o seu humor muito peculiar, dotado de um estilo inconfundível, em 1959. Sensivelmente ao mesmo tempo, Blake Edwards escreveu para as séries televisivas Peter Gunn e Mr. Lucky, com música do célebre Henry Mancini, marcando o início de uma longa e frutuosa colaboração entre ambos.

Realizador

Entretanto, Blake Edwards ia começando a sua longa carreira de realizador, que se iniciou, mais concretamente, em 1955, com o filme Bring Your Smile Alone. Nos anos seguintes deu seguimento aos seus projectos, numa linha de trabalhos que acabaria por culminar em Breakfast at Tiffany’s, comédia romântica de 1961 em que Aydrey Hepburn interpreta o papel principal. Todos estes filmes se enquadravam no género cómico, partindo de guiões de Blake Edwards.

Nos anos seguintes, abraçou projectos de outro tipo, dirigindo filmes cujos argumentos não eram da sua autoria, correspondentes a outros géneros cinematográficos. Aqui se encontram Experiment on Terror, de 1962, e Days of Wine and Roses, do mesmo ano. Estas são praticamente as únicas produções de Blake Edwards que não se inserem na comédia, a sua arte natural. Não obstante, o seu bom trabalho como realizador foi igualmente reconhecido.

A Pantera Cor de Rosa

Foi em 1963 que A Pantera Cor de Rosa veio ao mundo. Ideia resplandecente, desenvolvida num guião da autoria de Blake Edwards e Maurice Richlin, a comédia A Pantera Cor de Rosa conheceu um enorme sucesso, em grande parte devido a uma excelente interpretação de Peter Sellers, na pele do desastrado Inspector Closeau, que catapultou uma longa cooperação entre os dois mestres da comédia. Assim, a dupla levou a cabo uma série de 5 filmes, tornando A Pantera Cor de Rosa uma lilariante série de culto. Mesmo depois da inesperada morte de Peter Sellers, em 1980, Blake Edwards deu seguimento ao projecto, realizando 3 outros filmes, socorrendo-se de diferentes soluções para manter viva a série.

O relacionamento entre Blake Edwards e Peter Sellers assumiu contornos muito peculiares. De facto, a colaboração profissional obteve sempre excelentes resultados, com os 5 filmes de A Pantera Cor de Rosa a serem acompanhados por A Festa. No entanto, entre eles existiu sempre um clima de tensão, apesar dos respeito e admiração mútuos.

Julie Andrews

Entretanto, a vida de Blake Edwards foi marcada por um acontecimento de grande valor simbólico: o seu casamento com a maravilhosa actriz Julie Andrews (Mary Poppins, Música no Coração), em 1969. Foi o seu segundo casamento, dado que se divorciara de Patricia Walker. Desta vez, o amor foi mais duradouro, com a relação matrimonial a prolongar-se até à data da morte de Blake Edwards. Na verdade, fiquei surpreendido quando soube que eram casados, pois embora sejam dois vultos do cinema que admiro imenso, nunca tinha investigado esse assunto.

Aqui podem encontrar um excerto de um documentário recente acerca da vida de Blake Edwards, onde se contempla o momento em que conhece Julie Andrews, acabando por desposar a ilustre actriz, que viria a integrar o elenco de muitos dos seus filmes:

O casamento, como seria de esperar, levou a uma união das suas carreiras, com Julie Andrews a integrar o elenco de diversos filmes de Blake Edwards, tais como Darling Lili, 10 e Victor/Victoria. De realçar ainda que este último foi uma das mais conceituadas produções de Blake Edwards, nomeado e vencedor de vários prémios de cinema, sendo que a prestação de Julie Andrews foi um dos principais motivos para o reconhecimento da qualidade do filme.

Balanço

A obra cinematográfica de Blake Edwards, nas funções de realizador, de argumentista ou ambas, engloba um total de 38 filmes, com uma tonalidade humorística muito característica e notáveis competências cinematográficas. Ao contrário de outros realizadores do seu tempo, Blake Edwards foi pouco premiado enquanto esteve em actividade, talvez por se dedicar ao cinema cómico, muitas vezes desvalorizado como algo inferior. Ainda assim, em 2004, a Academia de Hollywood decidiu compensar esta lacuna, atribuindo um Óscar honorário a Blake Edwards pela sua longa carreira de qualidade.

Podem ver, em baixo, o registo do instante em que Blake Edwards recebe o prémio, das mãos de Jim Carrey, num momento simultaneamente hilariante e comovente. Um grande simbolismo associado a esta entrega do Óscar da Academia de Hollywood, num tributo mais do que merecido a um cineasta único!

Blake Edwards faleceu na passada 4ª feira, 15 de Dezembro de 2010, na sequência de complicações provocadas por uma pneumonia. Os derradeiros momentos da sua vida foram passados no centro de saúde de Saint John, em Santa Mónica (Califórnia), sempre com a esposa Julie Andrews e os seus filhos ao lado.

Figura incontornável da comédia, Blake Edwards foi o génio criativo por detrás de momentos hilariantes históricos, incutindo a subtileza dos detalhes em cada momento das suas obras. Mestre da realização e argumentista de capacidades singulares, conquistou um lugar de destaque na História do cinema. E cativou o meu interesse pelas preciosas gargalhadas que me proporcionou com A Pantera Cor de Rosa.

2ª PARTE: A PANTERA COR DE ROSA

Falarei agora especificamente da fantástica série A Pantera Cor de Rosa, dando a conhecer, em traços gerais, do que se trata exactamente, realçando algumas informações que considero mais relevantes.

1. No primeiro filme, de 1963, A Pantera Cor de Rosa (The Pink Panther), a acção gira em torno de um diamante imensamente valioso, a Pantera Cor de Rosa. O filme incluía uma pequena sequência animada no princípio, em que um felino cor de rosa ganhava vida no interior do fabuloso diamante, apresentando o filme e os créditos iniciais. De facto, o sucesso arrebatador desta animação acabou por levar à criação dos cartoons da Pantera Cor de Rosa, por parte de Friz Freleng e David DePatie.

Em relação ao filme, centra-se na investigação levada a cabo pelo inspector francês Jacques Closeau no sentido de desmascarar o autor de uma série de roubos em todo o mundo, conhecido como o fantasma, enquanto tenta impedir que o diamante cor de rosa, pertencente a uma bela princesa indiana, seja roubado. Com toda uma série de personagens fascinantes, envoltas numa intrincada teia de relações amorosas e laborais, o filme combina uma história misteriosamente imprevisível com deliciosos momentos de humor! Confiram o trailer, igualmente criativo:

2. Considerado por muitos, incluindo eu mesmo, o melhor filme da série, Um Tiro às Escuras (A Shot in the Dark) tem por base o acompanhamento minucioso de um caso policial da maior importância, investigado pelo inigualável inspector Closeau. Ainda que o assassinato do motorista de uma família abastada parece ser um crime facilmente resolúvel, a paixão avassaladora do detective pela principal suspeita acaba por conferir contornos bem mais originais e interessantes ao enredo.

Seguindo umas pistas e desprezando outras, Closeau vai prosseguindo o seu trabalho, à medida que o número de mortos vai aumentando e as investidas desesperadas de alguém para o matar também. Além de extremamente hilariante, a excelente construção do filme e a magnânima interpretação de Peter Sellers tornam este filme, de 1964, uma obra imperdível:

3. Quanto aos outros filmes da série, gostaria de focar alguns aspectos que me parecem relevantes. Não vi ainda o terceiro filme, O Regresso da Pantera Cor de Rosa (The Return of the Pink Panther), mas tive a oportunidade de ver (e rever) A Pantera Volta a Atacar (The Pink Panther Strikes Again), um filme que, não tendo a coerência de acção dos anteriores, está recheado de deliciosos momentos de humor, muito subtis e cativantes, como o do vídeo em baixo!

O último filme da série publicado em vida de Peter Sellers foi A Vingança da Pantera Cor de Rosa (The Revenge of the Pink Panther), não tão divertido como os anteriores, mas que ainda assim não desmerece um lugar honroso no panorama do cinema cómico.

4. Em Na Pista da Pantera Cor de Rosa (On the Trail of the Pink Panther), Blake Edwards procurou prestar um tributo a Peter Sellers, utilizando cenas cortadas de A Pantera Volta a Atacar (The Pink Panther Strikes Again) e reunindo novamente grande parte do elenco do primeiro filme, bem como outros actores de estatuto reconhecido, numa história que girava em torno do desaparecimento do inspector Closeau. No entanto, a viúva de Peter Sellers processou Blake Edwards por ter difamado a imagem do seu falecido marido, obrigando ao pagamento de uma multa avultada e a uma mudança de estratégia nos filmes da Pantera Cor de Rosa.

Foi o que aconteceu em 1983, com A Maldição da Pantera Cor de Rosa (The Curse of the Pink Panther), em que um desastrado detective norte-americano substitui o inspector Closeau, investigando as causas do seu desaparecimento, ou em 1993, com Roberto Benigni a interpretar o filho ilegítimo do inspector Closeau em O Filho da Pantera Cor de Rosa (The Son of the Pink Panther). Foi, de resto, o último filme do cineasta, precisamente no ano do meu nascimento!

Bem, é tudo por hoje. Recordemos a memória do grande realizador que Blake Edwards foi e desfrutemos da inigualável PANTERA COR DE ROSA!

JOÃO MAGUEIJO: Uma História de Coragem

Cosmologista e professor de física teórica em Inglaterra, João Magueijo tem desenvolvido investigações acerca da origem e evolução do universo, estudando os aspectos mais complexos e que ainda se encontram por explicar no âmbito da teoria do Big Bang.

Recentemente, notabilizou-se como autor da teoria VSL (Variable Speed of Light), que procura explicar um dos grandes mistérios da cosmologia moderna (o problema do horizonte) com base no postulado de que a velocidade da luz nem sempre terá sido constante.

Enfrentou uma forte oposição por parte da comunidade científica, que o acusou de anarquia e heresia, simplesmente por colocar em causa os pilares da relatividade e de grande parte dos conhecimentos físicos actuais.

Vida

João Magueijo nasceu na cidade portuguesa de Évora, corria o ano de 1967. Fascinado pelos mistérios da física, cedo descobriu a sua veia científica e leu Einstein pela primeira vez aos 11 anos. Estudou física na Universidade de Lisboa e completou o curso em Cambridge, onde prosseguiu os seus estudos com horizontes mais alargados.

Evidenciou-se de tal forma pela sua inteligência e energia na investigação científica que foi integrado numa parceria de pesquisa com outros cientistas que igualmente se destacaram, no Saint John’s College de Cambridge. Posteriormente, foi membro das faculdades de Princeton e de Cambridge, estando actualmente a leccionar física teórica no Imperial College de Londres. As suas aulas incidem particularmente sobre a Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein.

Carreira Científica

Em 1998, João Magueijo trabalhou com Andreas Albrecht naquela que viria a ser uma das mais revolucionárias teorias da física moderna: a VSL (Variable Speed of Light). Conforme explicarei posteriormente, esta concepção científica procura responder ao problema do horizonte supondo que a velocidade da luz teria sido muito superior durante os primeiros tempos de vida do universo.

Uma particularidade interessante associada à criação desta teoria reside no facto de João Magueijo não a ter descoberto sentado à sua mesa de trabalho no escritório, nem tão pouco no decorrer de investigações laboratoriais. Surpreendentemente, toda a teoria partiu de uma ideia que lhe ocorreu enquanto deambulava pelas ruas de Londres, num dia chuvoso, após uma extenuante festa nocturna. Posteriormente, os cálculos matemáticos inerentes à formação da teoria foram realizados durante as suas férias em Goa, e não em ambiente de trabalho.

A teoria VSL encontra-se explicada detalhadamente na obra Mais Rápido do que a Luz: a História de uma Especulação Científica, publicada por João Magueijo em 2003. A teoria também foi dada a conhecer ao mundo através de um documentário exibido no canal Discovery Science, que expõe o essencial da VSL de uma forma simples e sugestiva, estando disponível online.

No entanto, esta proposta de resolução do problema do horizonte gerou uma grande polémica entre os restantes físicos, que viam posta em causa a constância da velocidade da luz, princípio fundamental de toda a física moderna.

Problema do Horizonte

Como se sabe, a teoria do Big Bang, sustentada por diversas provas concretas da sua evidência, sendo actualmente a mais aceite para explicar, em traços gerais, a origem e a evolução do universo, tem ainda algumas lacunas, na medida em que levanta diversas questões para as quais não tem resposta. Uma delas consiste no problema do horizonte, decorrente de informações paradoxais associadas ao universo.

Para compreendermos o problema do horizonte, devemos ter em conta que o universo se encontra em permanente expansão, a uma grande velocidade, o que resulta num afastamento dos corpos celestes, criando distâncias enormes entre eles. Recordemos também que a troca de informação entre duas galáxias tem de se processar necessariamente através da radiação electromagnética, que se desloca a uma velocidade finita (o valor da velocidade da luz no vácuo).

Confrontando os dois factos enunciados anteriormente, verificamos que, devido ao ritmo acelerado da expansão do universo, algumas galáxias nunca poderiam ter estabelecido contacto entre si através da radiação electromagnética, pelo que as suas características deveriam ser necessariamente diferentes. No entanto, as observações astronómicas mostram que, contrariamente aos resultados dos cálculos matemáticos, as galáxias apresentam uma configuração semelhante, um conjunto de características comuns.

Esta incompatibilidade, este antagonismo entre a homogeneidade dos corpos celestes e a impossibilidade de uma troca de informação no passado, constituem verdadeiramente o problema do horizonte. Na tentativa de o resolver, muitos cosmologistas têm realizado diversas investigações, baseados em cálculos e observações cosmológicas, criando diversas teorias, das quais se destaca a teoria inflacionária (teoria da inflação cósmica).

Inflação Cósmica

A teoria da inflação cósmica surge solução mais aceite actualmente para o problema do horizonte e as restantes questões relativas à origem e evolução do universo, associadas ao Big Bang.

Segundo esta teoria, o universo terá passado por uma primeira fase de grande expansão, a uma velocidade descrita por uma função exponencial, motivando um brutal aumento do volume do universo, numa fracção ínfima do seu primeiro segundo de existência. Esta expansão do universo a uma velocidade alucinante seria o resultado de algo tão estranho como uma gravidade repulsiva ou uma densidade de energia no vácuo.

Durante a fase inflacionária, ter-se-á verificado progressivamente a separação das quatro interacções fundamentais, unificadas no início desta era inflacionária. Segundo a teoria, após o período de inflação, o universo terá continuado em expansão, mas a um ritmo muito inferior ao verificado na fase inflacionária.

A teoria da inflação cósmica pretende solucionar o problema do horizonte partindo do pressuposto de que, antes da era inflacionária, toda a matéria estava condensada, em condições que favoreciam a ocorrência de interacções. Considerando que as propriedades físicas teriam surgido no início da era inflacionária, quando todas as partículas do universo se encontravam concentradas de um modo que permitia a troca de informação entre elas, teria ocorrido uma homogeneização das características do universo nesses instantes primordiais da fase inflacionária.

Assim, as semelhanças registadas actualmente entre galáxias de locais distintos do universo serão, de acordo com a inflação cósmica, o resultado de uma interacção entre todas as partículas ocorrida no início da era inflacionária, quando toda a matéria ainda se encontrava agregada. Esta teoria resolve assim o problema do horizonte, desfazendo o paradoxo que está na sua origem. Porém, a teoria não encontra facilmente uma confirmação ao nível das observações cosmológicas, possibilitando o surgimento de hipóteses alternativas, como a teoria VSL (Variable Speed of Light) de João Magueijo.

VSL (Variable Speed of Light)

Não encontrando evidências observacionais que pudessem comprovar a veracidade da teoria inflacionária, João Magueijo questionou esta visão do universo e procurou uma concepção diferente, que também permitisse solucionar o problema do horizonte. A sua investigação debruçou-se sobre uma hipótese muito simples, mas de tal modo radical que nunca ninguém antes ousara colocar: e se a velocidade de luz não tivesse sido sempre constante?

Como se sabe, a constância da velocidade da luz representa um dos postulados fundamentais nos quais assenta a física moderna. Princípio subjacente à relatividade einsteiniana, a velocidade da luz é uma das constantes dimensionais nas quais se baseia toda a compreensão da estrutura e evolução do universo. Ainda assim, João Magueijo deu seguimento à exploração desta hipótese e atingiu conclusões bastante interessantes, nascendo a teoria VSL.

Em traços gerais, João Magueijo propôs que a velocidade da luz nem sempre tivesse tomado o valor actual da velocidade da luz no vácuo, não sendo por isso constante ao longo do tempo. De acordo com as suas pesquisas, quando o universo ainda era jovem, a velocidade de propagação da luz terá sido muito superior ao valor verificado actualmente: cerca de 60 vezes superior a c.

Como resultado, a troca de informação entre corpos celestes em expansão teria sido possível, através de uma transferência de radiação electromagnética. Tal fenómeno conduziria a uma homogeneização do universo, responsável pela semelhança nas características das galáxias que se constata a partir das observações astronómicas do presente. Posteriormente, a velocidade da luz teria diminuído abruptamente, fixando-se nos 300 mil milhões de metros por segundo. Assim, João Magueijo encontra uma resolução simples do problema do horizonte, contornando a inflação cósmica, embora tal inovação implique colocar em causa a constância da velocidade da luz, sobre a qual assentam grande parte dos fundamentos da física moderna.

Contestação da VSL

Conforme expliquei anteriormente, a sugestão de que a velocidade da luz possa não ter sido constante ao longo da História do universo questiona inevitavelmente as bases da teoria da relatividade, da autoria de Einstein, considerada um dos pilares mais preciosos da física moderna. De facto, colocar em causa a constância da velocidade da luz significa duvidar de todo o conhecimento físico da actualidade, ao abalar de forma violenta os fundamentos das teorias que procuram explicar o universo. Esta é uma das razões, porventura a principal, pela qual a teoria VSL tem sido tão criticada pela comunidade científica.

Por outro lado, a teoria VSL apresenta o defeito de se encontrar excessivamente direccionada para o problema do horizonte, revelando-se, pelo menos até ao momento, incapaz de responder às outras questões colocadas em relação à origem e evolução do universo, nomeadamente o problema da planaridade do universo e o problema dos monopólos magnéticos.

Além disso, outros cientistas, como Ellis e Uzan, acusam João Magueijo de ter fundado uma teoria científica baseada apenas numa alteração das equações matemáticas inerentes às leis da física, sem se basear num princípio científico subjacente. De acordo com estes investigadores, a VSL seria apenas o resultado de um jogo de cálculos, nascendo uma solução para o problema do horizonte baseada nestas vagas experiências matemáticas.

Como resultado, João Magueijo tem sido visto pela comunidade científica como um anarquista, sendo os seus estudos conotados com heresias e radicalismos. A suposta ausência de sentido nas suas investigações leva os outros físicos a tecer estas acusações insultuosas a um colega de trabalho que tem lutado arduamente pelo mesmo sonho que eles, apenas por decidir inovar e apresentar ao mundo uma teoria nova, que questiona as concepções anteriores. Assim, visto como um físico rebelde, João Magueijo tem sido descredibilizado pela generalidade da comunidade científica.

A reacção de João Magueijo

No documentário produzido para a Discovery em 2008, Magueijo apresentou a sua forma serena de enfrentar a grande oposição que enfrenta por parte da comunidade científica, procurando conservar-se relativamente indiferente em relação à chuva de críticas dirigidas às suas pesquisas e prosseguindo tranquilamente as suas investigações.

Com alguma ironia à mistura, João Magueijo considera normais as críticas que vão surgindo em resposta à sua teoria, admitindo que muitas pessoas possam recusar admitir a possibilidade de a velocidade não se ter mantido constante ao longo da História do universo. Entendendo a relutância dos físicos em proceder a uma reformulação da teoria da relatividade e compreendendo a inexistência de evidências que confirmem a VSL, João Magueijo não se deixa importunar por quem insistentemente o critica e continua a desenvolver as suas investigações nesses capítulos.

Conforme afirma na parte final do documentário, a física é construída a partir do surgimento de várias teorias que procuram explicar os fenómenos, sendo posteriormente confrontadas umas com as outras, confirmadas ou refutadas com base em evidências observacionais e reformuladas para fazer face às novas exigências. Este dinamismo subjacente a toda a ciência é suficiente para tornar valiosa a sua VSL, pois constitui uma alternativa bem fundamentada às restantes teorias cosmológicas, podendo eventualmente estar certa, ou pelo menos parcialmente. O documentário fecha com uma afirmação épica de João Magueijo, encarando a possibilidade de a sua teoria estar errada:

And if it doesn’t work, who cares? I got a million other ideas.

Obrigado, João Magueijo! Os portugueses estão consigo e apoiam o seu exemplo de coragem!

Trabalho de Português: FELICIDADE (reflexão crítica)

São muito frequentes as alusões à felicidade. De facto, de tanto utilizarmos esta palavra no discurso quotidiano, acabamos por nem questionar o seu sentido real, o que resulta numa vulgarização do conceito e num desconhecimento do verdadeiro significado de ser feliz. As definições rotulativas de um dicionário não satisfazem esta questão, porquanto a felicidade não se resume a um mero “contentamento”. Não pode ser tida como uma disposição emocional momentânea, mas sim como um estado completo de ser e viver em pleno. Analisarei estudos de diferentes áreas, tendo em vista um melhor entendimento da felicidade e de como a alcançar.

A filosofia sempre procurou as causas da felicidade. Na Ética a Nicómaco, Aristóteles considera a felicidade um fim supremo da acção humana, uma ideia de bem procurada por todos, possibilitada apenas pelo exercício das faculdades exclusivas do ser humano. Assim, a via para a felicidade seria a razão, e não as riquezas materiais ou os prazeres corporais. Concepção corroborada por filósofos posteriores, como Kant, que associa a felicidade ao cumprimento de um dever, pressupondo um acto racional, ou Stuart Mill, cujo utilitarismo relaciona a felicidade com as capacidades distintivas do homem. Contudo, não a considerando um meio de ser feliz, Aristóteles reconhece a importância da satisfação das necessidades corporais na felicidade. Efectivamente, não somos felizes se desprezarmos as nossas inclinações sensíveis. Defendo, portanto, uma concepção de felicidade exemplificada pelo ideal do homem renascentista, que sugere um equilíbrio harmonioso entre as componentes física e intelectual.

Porém, a busca da felicidade deve contemplar o homem como um ser biologicamente social, ou, segundo Aristóteles, um ser político. Este filósofo explica que, residindo a felicidade na virtude de usar a razão, o homem virtuoso tem de interagir com outras pessoas, exercendo sobre elas uma influência positiva, que confira utilidade a essa sua virtude, abrindo portas à sua felicidade e à dos outros. A amizade, vista como relação recíproca marcada pela partilha de ideias e experiências entre indivíduos com algo em comum, possibilita uma troca de influências positivas, passível de levar à felicidade. Ilustrando esta concepção, invoco os resultados de um estudo de 2008, demonstrativos da rápida propagação da felicidade através das redes sociais, evidenciando uma relação estreita entre amizade e felicidade.

A psicologia também se tem ocupado do estudo da felicidade. Embora a generalidade dos estudos psicológicos incidam sobre patologias, surgiu recentemente a psicologia positiva, focada na sanidade mental, que relaciona a felicidade com um conjunto de emoções e actividades positivas. Estudos científicos consideram que metade da felicidade se deve aos genes, um décimo às circunstâncias fortuitas e quatro décimos a acções deliberadas buscando a felicidade. Exemplificando, um indivíduo numa situação financeira difícil que encare a vida positivamente pode ser mais feliz do que aquele que, economicamente favorecido, viva no pessimismo.

Resumindo, não obstante os factores genéticos e aleatórios, ser feliz depende da atitude de cada um. Procurar a felicidade é uma luta no sentido de se cultivar a si mesmo, buscando uma harmonia entre mente e corpo, criando laços de amizade com os outros.

A beleza

Terminado o segundo período lectivo, em plenas Férias da Páscoa, eis o regresso de Andrey Amabov ao ser reduto na blogosfera. Devo admitir que já estava com umas certas saudades de casa. Lar doce lar!

Hoje venho falar de um tema diferente do habitual: a beleza. Sim, aquela ideia abstracta, tão misteriosa e incompreendida, que tanta discussão tem gerado ao longo da poeira dos séculos!

A beleza: um tema tão complexo e intrincado como fabuloso e intrigante

A beleza: um tema tão complexo e intrincado como inexplicavelmente fabuloso e intrigante

Mas afinal o que é isto de beleza? Que tipo de critérios nos permitem distinguir algo belo, sublime, de uma coisa feia e repugnante? Haverá um ideal de beleza universal? Estas e outras questões encontrarão resposta neste post ambicioso.

A beleza

Podemos entender a beleza como uma sensação de agrado profundo motivada pela percepção de certos objectos, experimentada por meio de um processo misterioso da mente humana, repleto de enigmas por desvendar.

Esta tentativa de definição de beleza, muito vaga e pouco concisa, admite a existência de limites no conhecimento que temos desta ideia e possibilita diferentes interpretações do conceito em si. Quer isto dizer que podemos considerar diversas formas de beleza, mediante o objecto sujeito a exame e as normas utilizadas no processo de apreciação.

Ciência e beleza: universalidade trivial

Podemos analisar o problema da beleza de uma forma científica, puramente racional, buscando um ideal absoluto de Belo com base em parâmetros objectivos. A investigação desenvolvida neste sentido tem de ser necessariamente alicerçada em cálculos numéricos, modelos matemáticos, que procurem determinar as proporções gerais do universo. Partindo das razões algébricas que regem a maioria dos objectos naturais, como é o caso da proporção áurea, será possível descobrir a ideia de beleza na sua mais perfeita essência: a beleza que permite alcançar a harmonia absoluta.

a proporção áurea, o número de ouro, a mais harmoniosa relação algébrica do universo

a proporção áurea, o número de ouro, a mais harmoniosa relação algébrica do universo

No entanto, esta concepção de beleza, assente na imutabilidade e universalidade do conceito, não apresenta qualquer tipo de valor sentimental. A aplicação da ciência ao domínio da beleza permite determinar as formas ideais de todas as coisas, tendo em conta a forma como o universo evoluiu e as normas dos objectos actuais, mas desprezando as impressões que os fenómenos produzem no observador. Se este tipo de beleza, sustentada apenas nas regras objectivas impostas pela matemática, não possui uma dimensão pessoal, então nunca ultrapassará um nível primário de preponderância na vida humana.

frequências das notas musicais da escala dodecafónica

frequências das notas da escala dodecafónica

Quando avaliamos certos objectos, existem sempre parâmetros mensuráveis que podem ser utilizados no estudo dos mesmos, de maneira a conseguir um conhecimento seguro dos fenómenos em questão. Este exame das características do objecto permite calcular a sua proximidade em relação ao modelo considerado ideal, determinando, assim, o seu grau de beleza. Por exemplo, uma dada relação numérica entre as frequências de dois sons corresponde a um certo intervalo musical, que poderá ser classificado como consonante ou dissonante. Estas designações são baseadas em factos reais, explicados através de cálculos matemáticos, não sendo susceptíveis de discussão. No entanto, justamente por não apresentarem uma componente sentimental individual, estão isentas de qualquer significado emocional.

Eternamente condenada à monotonia da superficialidade, num plano totalmente desprovido de emoções, a beleza científica é a maior farsa que podemos imaginar. Pode, contudo, ser aplicada ao comportamento animal, onde a escolha do parceiro sexual está, em grande medida, associada aos critérios objectivos impostos pela matemática do universo.

Subjectividade: a verdadeira beleza

Se um indivíduo for questionado acerca do valor de beleza de um determinado objecto, o inquirido nunca se poderá abstrair totalmente das suas próprias considerações sobre o fenómeno. Assim, a sua resposta, nada imparcial, terá em conta toda uma série de sentimentos, emoções, desejos e vivências pessoais, que trabalham os dados existentes acerca do objecto em questão, numa perspectiva muito subjectiva.

Deste modo, as relações matemáticas e critérios afins, embora estejam sempre presentes, definindo as características do fenómeno em análise, constituem apenas a matéria da beleza, submetida a uma transformação profunda e complexa por parte dos agentes referidos anteriormente, associados à personalidade do observador e à sua experiência de vida, que representam a forma da ideia de beleza.

Não faz sentido, por isso, discutir acerrimamente a beleza de um objecto, pois os seus contornos gerais são passíveis de produzir uma infinidade de interpretações sensíveis por parte das pessoas. Na verdade, não existem duas pessoas com uma ideia exactamente igual da beleza de um determinado fenómeno. Torna-se, portanto, muito fácil de perceber que a ideia de Belo é altamente subjectiva, estando dependente de uma série de factores humanos, cuja compreensão é deveras complicada, ou talvez mesmo impossível. O Homem é um ser complexo…

Como avaliar a beleza desta paisagem? Nada mais fácil. Basta seres tu mesmo, ouvires a tua consciência, deixares que as tuas emoções te guiem!

Como avaliar a beleza desta paisagem? Basta seres tu mesmo, ouvires a tua consciência, deixares que as tuas emoções te guiem num momento subjectivo.

Retomando o exemplo da consonância ou dissonância na música, a ideia de subjectividade ganha expressão de uma forma muito convincente. Sabemos que uma 4ª aumentada será sempre um intervalo dissonante, objectivamente desagradável, em qualquer parte do mundo, para qualquer pessoa, dada a relação entre as frequências dos dois sons. Contudo, não poderemos afirmar que a sonoridade do intervalo seja detestada por todos os habitantes do planeta. Certamente, muitas pessoas irão considerar horripilante a carência de harmonia da conjunção das duas notas, mas outras poderão apreciar a vincada dissonância presente no intervalo do diabo.

O intervalo, apesar da sua agressividade auditiva, é susceptível de trazer conforto ou desconforto, provocar atracção ou repulsão, a quem o experimente. Porquê? Ninguém o sabe ao certo. A única coisa que sabemos é que a beleza de um intervalo musical, ou de outra coisa qualquer, é algo extremamente subjectivo, exclusivo do indivíduo, conforme as sinuosidades do seu eu interior.

Sociedade e moldes culturais: beleza rotulada

Os valores estéticos são temporais, marcando as épocas da História da humanidade. Tais condicionantes socioculturais estão presentes em todos os aspectos da vida quotidiana.

Os valores estéticos são temporais, marcam as épocas socioculturais da humanidade. Tais condicionantes estão presentes em todos os aspectos da vida quotidiana. Na imagem, Maria Antonieta, rainha de França. Um reflexo dos estigmas sociais da beleza no seu tempo.

Até aqui, descrevi a beleza como uma experiência individual, um olhar subjectivo e pessoal lançado a tudo o que rodeia o indivíduo. Porém, a beleza apresenta também uma marcada vertente sociocultural, estando dependente das concepções colectivas impostas pela moral.

A ideia de Belo surge, portanto, associada a um conjunto de factores de cariz social, específicos de uma determinada comunidade, com os seus costumes, as suas crenças, os seus rituais, os seus princípios, a sua identidade cultural. A beleza, entendida como um fenómeno de massas, condicionada pelos moldes restritivos da sociedade, é variável no espaço e no tempo, sujeita a constantes reformulações, mutações inesperadas.

Tudo isto baseado no cerne da sociedade, naquilo que a comunidade tem de mais profundo, aquilo que a identifica como povo, que a distingue como civilização diferente das outras. Contudo, por maior que seja o conhecimento das diferentes culturas, nunca conseguiremos perceber qual a origem das diferentes idealizações do conceito de beleza. Isto é, por que razão o belo para uma comunidade se transforma em feio na óptica de outra comunidade, enquanto o belo para essa comunidade se converte em feio na perspectiva da primeira? Haverá algum motivo concreto?

A beleza não é igual para todos. Porquê?

O cérebro humano, o computador mais prodigioso que o universo alguma vez conheceu.

A causa das disparidades existentes entre diferentes concepções de beleza, apesar de desconhecida actualmente, acreditem, senhores, existe! Todavia, é altamente imprevisível e tão transcendente à compreensão humana que eu nem sei se algum dia a conseguiremos descobrir! Ninguém sabe, ao certo, de onde provêm as especificidades que compõem a nossa personalidade, os parâmetros pessoais que intervêm na formação da nossa ideia de beleza.

Claro que que se realizam estudos nestas áreas, tendo em vista a obtenção da verdade acerca dos mistérios da mente humana. No entanto, até ao momento, não tivemos sucesso. Que fazer?

Nada mais simples e mais maravilhoso: respeitar a enorme diversidade de concepções existentes e admirar a complexidade do mecanismo que o ser humano representa, numa perspectiva de tolerância e deslumbramento perante a vastidão do conceito de beleza. Constitui esta a atitude mais inteligente e mais frutuosa a tomar, aquela que nos permite viver de uma forma mais harmoniosa com o meio natural e humano que nos envolve, a melhor postura que podemos adoptar.

Pois não será este o raciocínio mais consistente, a ideia mais coerente, a filosofia mais elegante? Só assim poderemos abraçar uma vida mais bela! E este ideal de beleza, baseado na aceitação de diferentes concepções de beleza, este sim, é absoluto e universal!

Temporal na Madeira e Entrevista a Alberto João Jardim

Como todo o cidadão minimamente informado sabe, no passado dia 20 de Fevereiro, a Ilha da Madeira foi assolada por um forte temporal que provocou graves danos humanos e materiais. Neste post tenciono proceder a um balanço final da catástrofe, explorando as causas do temporal, e relatar o essencial da Grande Entrevista a Alberto João Jardim, conduzida por Judite de Sousa, na RTP1. Deixarei as minhas impressões pessoais acerca dos diversos assuntos abordados e tentarei dar a conhecer o outro lado da questão: a estupidez desmedida e hilariante do presidente do Governo Regional.

O Temporal

Situada numa posição climaticamente desfavorável, que propicia a ocorrência de grandes tempestades oceânicas, a ilha encontra-se sempre sob a ameaça dos ventos e chuvas atlânticas. As baixas pressões que frequentemente afectam esta zona do globo terrestre são  responsáveis pela ocorrência dos temporais na ilha. A convergência de massas de ar a diferentes temperaturas cria uma superfície frontal, que, associada às altas temperaturas da água do mar, acelera o processo de condensação do vapor, aumentando a precipitação.

Foi o que sucedeu recentemente, quando a ilha mais representativa do arquipélago português foi impiedosamente fustigada pela fúria dos elementos, por meio da precipitação descomunal que se fez sentir, motivando a subida do nível médio das águas do mar. Estes fenómenos geraram inundações aterradoras, pavorosos deslizamentos de terras e toda uma conjugação de condições atmosféricas agrestes.

Consequências da Tragédia

Se atendermos ao balanço final da tragédia, somos confrontados com a realidade nua e crua.  Em termos de vidas humanas, a situação foi trágica: 42 pessoas morreram, 18 foram dadas como desaparecidas e aproximadamente 250 ficaram feridas. Considerando os estragos materiais, com graves consequências a nível social, apercebemo-nos que inúmeras edificações e vias de comunicação foram destruídas, levando a que cerca de 600 pessoas perdessem a habitação, algumas zonas da ilha permanecessem inacessíveis durante algum tempo e as redes de abastecimento de água e electricidade deixassem de estar operativas em vários pontos da ilha.

Os municípios do Funchal e da Ribeira Brava foram os mais afectados, registando a esmagadora maioria das vítimas humanas e os estragos materiais mais consideráveis. A frente fria atingiu violentamente vários pontos da costa meridional da ilha. Devastação brutal na parte baixa do Funchal, com a subida do nível das ribeiras e o transporte de pedaços de terra e lixo pelas ruas da capital, onde se verificou um elevado número de óbitos e os estragos foram mais acentuados. Porém, também as terras altas do concelho, desfavorecidas pelo relevo desta região madeirense, foram fortemente atormentadas pela insensibilidade do temporal. A Ribeira Brava, o Machico e outras zonas da costa sul da ilha foram também bastante afectados, embora de uma forma menos violenta. O prejuízo económico da catástrofe para o Governo Regional da Madeira foi enorme.

Reacção à Catástrofe

Imediatamente, o caos foi instaurado na Ilha da Madeira e surgiram de todos os cantos do mundo condolências pelo sucedido e ofertas de ajuda financeira. Ao mesmo tempo, o Primeiro-Ministro José Sócrates viajou para o Funchal na noite desse mesmo dia 20 de Fevereiro e o Presidente da República Aníbal Cavaco Silva visitou o local no dia 24 de Fevereiro. O apoio monetário tendo em vista a reconstrução das partes da ilha que tinham ficado mais afectadas parecia provir de todas as entidades possíveis: o Estado Português, a União Europeia, os Estados Unidos da América, a Confederação Russa, várias empresas portuguesas e estrangeiras e inúmeras instituições não governamentais de cariz humanista.

No entanto, importantes questões se colocavam. Afinal, qual seria o montante necessário para a reconstrução de todas as edificações que tinham ruído? E de onde viria exactamente esse dinheiro? Como voltar a fornecer alojamento condigno aos mais de 600 madeirenses sem um tecto para os proteger das intempéries? E o que fazer para minimizar os efeitos de uma eventual catástrofe semelhante no futuro?

Foi com base nestas e outras questões que a muito conceituada Judite de Sousa (este adjectivo não quer dizer que eu sinta uma grande admiração pelo seu trabalho) teve a ousadia de se deslocar à Quinta da Vigia, residência oficial do Presidente do Governo da Região Autónoma da Madeira, para entrevistar o emblemático e inigualável Alberto João Jardim, no passado dia 25 de Fevereiro.

Alberto João Jardim

Todos nós conhecemos o presidente madeirense: membro do PSD, com uma vasta carreira política, chefe do governo regional da Madeira há mais de 30 anos, um pequeno ditador, vá. Não passa de “um indivíduo medíocre” sem educação e grandes princípios morais, que aproveitou a época conturbada da revolução do 25 de Abril para tirar um curso superior sem precisar de estudar, que se tem mantido no poder à custa da sua esperteza ignóbil e da ignorância do povo madeirense (refiro apenas a parte), que tem explorado ao máximo os recursos económicos e financeiros disponibilizados pelo continente, capaz de prejudicar a situação a metrópole a fim de concretizar os seus desejos de realização pessoal.

Capitais para a Reconstrução da Ilha

Durante a meia hora que durou a entrevista foram focados vários pontos e retiradas diversas ilações importantes. Acima de tudo, ficou bem assente logo na parte inicial da conversa que Alberto João Jardim considera necessários 1 500 milhões de euros para reconstruir a Ilha da Madeira, num espaço de tempo de 2 anos.

Quando confrontado com a questão da origem dos fundos a aplicar no projecto de recuperação da região, o presidente acabou por conseguir escapar aos estratagemas enganosos da Judite de Sousa e deu uma explicação muito segura. Segundo Jardim, todas as nações e organizações não governamentais tiveram uma atitude exemplar face aos trágicos acontecimentos que afectaram a ilha da Madeira, expressando as suas condolências e oferecendo um apoio financeiro muito significativo para a reconstrução das regiões atingidas pela catástrofe. Asseverando que estes apoios se teriam de materializar forçosamente no futuro, pois quem promete grandes ajudas monetárias não pode deixar de prestar esse auxílio, e enveredando pela via do crédito bancário, pedindo empréstimos a pagar ao longo dos anos seguintes, o presidente madeirense rejeitou quaisquer impossibilidades financeiras.

Responsabilidade na tragédia

Posteriormente, a jornalista questionou Alberto João Jardim acerca das suas eventuais responsabilidades em relação aos estragos verificados na ilha. Ora não há dúvida nenhuma de que os danos causados pelo temporal foram agravados em grande medida pela deficiente limpeza das ribeiras madeirenses, as fragilidades estruturais de certas habitações e problemas ao nível do ordenamento do território, tais como a construção em leito de cheia e a construção em zonas com risco de deslizamentos. Contudo, o icónico Presidente do Governo Regional rejeitou quaisquer culpas no que diz respeito a estes factores.

Argumentando falaciosamente, mas com uma convicção e uma arrogância tipicamente suas, Alberto João apontou o dedo aos governos portugueses de outras eras, atribuindo a responsabilidade dos problemas da ilha aos falecidos Rei D. Carlos e António de Oliveira Salazar. Na pretensa perspectiva do senhor presidente, as debilidades das construções e a sua localização inadequada remonta a esses tempos passados, não havendo por isso razão para crucificar os governos madeirenses da 3ª República.

Obviamente que se existiam inconvenientes desta ordem na ilha, a sua única função como líder do governo seria a resolução dos problemas, e o próprio Alberto João Jardim tem essa noção muito bem presente. No entanto, a sua retórica sofismática e a obstinação casmurra de quem julga que as suas palavras não devem ser contestadas acabam sempre por levar a melhor na entrevista.

Jogos Políticos e PSD

Na parte final da conversa, Alberto João Jardim foi interrogado por Judite de Sousa acerca da sua decisão de abandonar o cargo de presidente da região em 2011 e de uma eventual mudança de planos. Invariavelmente tranquilo, sereno no jogo político que há muito tempo pratica com sucesso, Jardim respondeu negativamente em relação à possibilidade de recandidatura e assumiu efectivamente a saída de cena. Todavia, é bom não esquecer que esta situação já se verificou no passado e teve como resultado a continuidade de Alberto João como presidente do governo regional.

Em vésperas de eleições directas no principal partido da oposição, aproveitando a ocasião extremamente propícia, a jornalista da RTP abandonou a dimensão madeirense e transitou para a esfera social democrata, inquirindo qual a posição assumida pelo presidente madeirense. Alberto João não se afastou muito do esperado, sendo muito directo quanto à rejeição imediata de Pedro Passos Coelho, mas cautelista em relação à opção entre Paulo Rangel e José Pedro Aguiar Branco.

Quanto à primeira parte, não se demorou muito tempo, dirigindo apenas um ou outro insulto ao candidato coimbrense. O segundo tópico foi sigilosamente tratado por Alberto João Jardim, que, criticando a divisão do seu partido em tantas partes diferentes, escondeu a sua decisão dos telespectadores e adiou a divulgação da sua escolha no Congresso do PSD na Madeira. Entretanto, o presidente regional teceu interessantes e misteriosas considerações a respeito de Manuela Ferreira Leite, Pedro Santana Lopes e ele próprio, elogiando a política séria e verdadeira da antiga líder e confessando a sua admiração pelo Sacarneirismo do homem com 7 vidas políticas.

Hegemonia Ideológica Insular

Como já tiveram a oportunidade de perceber com base no meu relato da entrevista, Alberto João Jardim recorreu a estratégias argumentativas deficientes e raciocínios simplesmente grotescos. A sua agressividade boçal enquanto discursa reflecte na perfeição o estatuto que conseguiu alcançar como manipulador de massas na função de presidente madeirense.

A grande maioria da população local cai no erro infantil de se deixar levar pelo espírito separatista de Jardim e as promessas de uma ilha paradisíaca, acabando por confinar o seu cérebro possivelmente inteligente a uma aceitação obediente de tudo o que o senhor presidente diz, mergulhando assim numa submissão ideológica deplorável à mente doentia do seu líder vergonhoso. Depois acontece que o senhor presidente, todo felizardo, vendo o enorme acolhimento da cacofonia proveniente da sua boca imunda, abusa do seu poder, diz o que pensa sem restrições e molda a opinião pública madeirense, sem se preocupar com a racionalidade por detrás dos argumentos que utiliza.

Estes ares de entidade superior, de quem está acima de tudo e cuja palavra não pode ser questionada, está na base de todos os erros lógicos do seu discurso e da postura lamentável que apresenta em situações públicas formais. Por várias vezes sobressaiu na entrevista aquela sua arrogância persistente de achar que tem de ser o centro das atenções e tudo tem de acontecer à sua maneira.

Momentos de boa disposição

Quando as suas considerações anódinas sobre assuntos fúteis eram interrompidas pela ávida Judite de Sousa, o presunçoso Alberto João Jardim não permitia a colocação de novas perguntas, frustrando todas as tentativas da jornalista portuguesa: “Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!”. Debalde Judite de Sousa tentava poupar o tempo de antena com perguntas objectivas sobre assuntos importantes: o autoritarismo verbal do entrevistado não lho permitia.

“Não é por aquilo que aconteceu que eu vou deixar de ter papas na língua.” ou “Não, eu não respondo! Eu vou dizer o que quero!”  ou ainda “Se o tempo está a exceder, é serviço público, o estado pode pagar.” foram apenas alguns dos momentos mais hilariantes da conversa sobre um assunto tão sério, que afinal se revelou objecto de um diálogo tão divertido e fértil em momentos de humor. “Desculpe, vai ter que me aturar!” e “Só respondo a isso quando me apetecer.” foram outras das frases mais incríveis proferidas pelo presidente do governo regional.

Os insultos aos “abutres” que insistem em denegrir a figura do presidente foram outro dos pontos altos do serão de quinta-feira à noite, povoado de rudes críticas dirigidas aos “académicos”, aos “professores doutores” e aos “inimigos políticos” de Alberto João Jardim. Nada melhor do que umas boas lascas de madeira para avivar a chama da luta política portuguesa!

Por vezes é preciso saber ceder…

Ainda assim, apesar da inflexibilidade crónica do presidente do governo regional, ficou bem claro um apaziguamento do seu fervor separatista e um desejo de extinguir conflitos triviais que não levam a lado nenhum. As referências simpáticas e cordiais ao Primeiro-Ministro são prova disso mesmo: “temo-nos entendido muito bem!” disse Jardim a propósito das relações com José Sócrates. Recorde-se do que Alberto João Jardim dissera no dia após a vitória eleitoral do PS nas legislativas de 2009: “O país endoidou!”.

Cartoon do desenhador Henrique Monteiro retratando as relações subitamente amistosas entre Alberto João Jardim e José Sócrates

Cartoon da autoria do desenhador Henrique Monteiro retratando as relações subitamente amistosas entre Alberto João Jardim e José Sócrates

Quando faz uma alusão ao conceito novo de enterrar o machado de guerra deixa bem patente este ideia da suspensão da querela entre a Madeira e o continente, pelo menos durante algum tempo, até a situação da ilha voltar a atingir um grau de estabilidade, altura em que já não precisará da bengala do Estado Português e voltará a maltratar o rectângulo, regressando aos bons velhos tempos.

No fim, Alberto João Jardim deixou rasgados elogios a Judite de Sousa, afirmando que a considera uma grande jornalista e agradecendo pelas suas reportagens sobre o desastre na Madeira. Nada disto parece estar de acordo com a forma incorrecta como o presidente madeirense tratou a jornalista durante a entrevista: “a senhora” em vez de “a doutora”. A nota máxima para Alberto João Jardim em adulação do interlocutor só lhe escapa por esse pequeno pormenor.

Recursos Audiovisuais

Seguidamente apresento um excerto da entrevista, que ilustra bem a dinâmica geral da conversa e o carácter ditatorial de Alberto João Jardim. Corresponde à discussão das responsabilidades das várias entidades sobre a tragédia e contém vários momentos de grande valor cómico (mais parece uma satirização dos Gato Fedorento ou mesmo do O que se passou foi isto).

Se quiserem podem assistir a totalidade da entrevista no youtube: parte 1parte 2parte 3parte 4.

Dedo partido: retrospectiva (5 semanas)

Quarta-feira. 22 de Fevereiro de 2010. Como provavelmente saberão, quer por me conhecerem na vida real, quer por terem lido um post anterior, tenho um dedo partido. Hoje podem ser comemoradas as 5 semanas decorridas sobre a identificação do problema e o início do respectivo tratamento (mas que raio de coisa para se celebrar).

A sério. É mesmo verdade. Aquilo que considerei a princípio uma pancada perfeitamente inócua no dedo médio da mão esquerda era na verdade uma fractura na falange distal, mais concretamente ao nível da cartilagem de crescimento.

E por mais insignificante e anódino que este facto possa parecer, se eu não tivesse tido os cuidados adequados, o dedo poderia ter sofrido um desvio, começando a crescer na direcção errada. Esta situação conduziria à necessidade de uma intervenção cirúrgica, que implicaria um intervalo de tempo bem mais alargado para a recuperação total do dedo e seria certamente dispendiosa. Mas deixemos as considerações gerais sobre o assunto, recorrendo a uma cronologia dos acontecimentos.

Primeira Consulta

Onde é que eu tinha ficado no outro post? Ah, sim! Já me lembro! Nas vésperas da minha visita ao hospital, numa sexta-feira, tinha esperanças de me vir a ser removida a monstruosa tala que tanto me atormentava, sem cessar de comprimir este meu pobre dedo, como se não tivesse sido suficientemente fustigado pelas fatalidades do destino.

De facto, na consulta no hospital da CUF Infante Santo, com o Doutor Jorge Fonseca, excelente ortopedista, soube com grande satisfação que me seria retirada a terrível peça metálica, mas a frustração que se lhe seguiu quando soube que a tala seria substituída por um dedal de plástico quase anulou essa alegria momentânea. Ainda assim, ao envergar o pequeno objecto hospitalar, seguro com um pouco de fita adesiva, ficava livre da asfixia sudorípara em que as ligaduras envolviam a minha desafortunada mão, bem como das forças compressoras induzidas no meu dedo infeliz pelo metal implacável.

Fachada do Hospital da CUF Infante Santo

Actividade física?

No entanto, existiam demasiados pontos negativos, que me povoaram a alma de inquietações e uma raiva interior contra as circunstâncias da vida. Estava proibido de realizar qualquer tipo de actividade física nas 3 semanas seguintes e não tinha permissão para praticar exercícios que implicassem a utilização da mão esquerda nos dois meses subsequentes. Visto que as modalidades desportivas abordadas desde aquele momento até ao fim do 2º período seriam o andebol, o voleibol e o basquetebol, as minhas aulas práticas de educação física ficariam reduzidas aos testes de condição física.

De qualquer maneira, o Doutor escreveu uma declaração médica no qual explicava a situação em questão e estabelecia as restrições acima referidas. Assim, ficou combinado entre mim e a professora que a minha avaliação nas modalidades testadas seria de alguma maneira substituída por um trabalho teórico sobre andebol e basquetebol.

Segunda Consulta

7×2 vezes o sol se pôs, 28/2 vezes o sol nasceu (não liguem a esta forma estúpida de dizer que passaram 2 semanas) e regressei ao consultório do Doutor Jorge Fonseca, como tinha ficado previamente estabelecido. À semelhança do que acontecera na visita anterior, fui muito bem recebido, com um profissionalismo afável e correcto do Doutor, que explicava efectivamente os processos ortopédicos implícitos na evolução do estado do meu dedo e no tratamento do mesmo, em vez de se limitar a enumerar os procedimentos necessários para curar a fractura na cartilagem de crescimento.

A forma paciente como analisou as radiografias (em ambas as ocasiões) e esquematizou a falange distal num desenho anatómico (ainda na primeira consulta) agradaram ao meu espírito científico e permitiram que a minha curiosidade fosse saciada. Por estas mesmas razões, fiquei com uma óptima imagem do Doutor Jorge Fonseca e aconselho todos os que tiverem algum problema de ortopedia a dirigirem-se ao hospital da CUF a procurar os seus serviços.

Desenvolvimentos recentes (até agora)

Nesta consulta ficou definido que eu teria de continuar a usar o dedal 24 horas por dia durante duas semanas, mas apenas por uma questão de protecção, pois a fractura já está praticamente curada. Dadas as notáveis melhorias, o médico autorizou a prática de actividades físicas que não implicassem o uso da mão esquerda, tais como a natação, a corrida e o próprio futebol (desde que não ocupe a ingrata e muito arriscada função de guarda-redes). Por fim, ficou estabelecido que poderia deixar de usar o dedal duas semanas mais tarde, no dia 26 de Fevereiro.

Deste modo, felizmente, já tive a oportunidade de desfrutar de dois banhos muito do meu agrado na piscina do hotel onde passei as férias de Carnaval (o primeiro dos quais está aqui retratado). Mas o grande motivo de contentamento para mim neste momento foi o facto de já ter podido integrar as peladinhas de futebol com os meus colegas na escola, mas não no papel de guarda-redes (naturalmente). Na segunda-feira, uns cruzamentos e tal. Na terça-feira, uns joguinhos de bancos entre os pavilhões e uma participação num confronto disputado no relvado sintético da escola, no extenso intevalo de meia hora entre as aulas de Biologia e Química.

Como certamente terão entendido, faltam apenas dois dias para o meu dedo contactar finalmente com o ar em redor, sem receios, destemido e livre de materiais metálicos ou plásticos que tentem submeter a uma ditadura áspera e cruel. No entanto, durante os joguinhos de futebol terei de continuar a usar a protecção, por uma questão de segurança. Nunca sabemos o que nos traz o dia de amanhã…

Nota: reparei que o outro post acerca deste assunto recebeu algumas visitas de pessoas que procuravam conselhos em casos de dedos partidos. Como estes meus textos não se destinam propriamente a fornecer dicas às pessoas que lhes permitam decidir o que fazer nestas situações, reservei uma pequena parte no final deste post para apresentar algumas directivas muito gerais.

Radiografia aos dedos: podemos distinguir facilmente as diferentes falanges

Sinais de dedo partido: inchaço (edema), dedo vermelho (inicialmente) ou negro (mais tarde), dificuldade em dobras ou esticar completamente o dedo, dor aguda quando faz movimentos.

Atitude imediata: dirigir-se ao serviço de urgências de um hospital, preferencialmente de confiança (não aconselho o hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa). Manter o dedo bem esticado, para não permitir a sua deformação.

No hospital: o seu dedo será submetido a uma radiografia, que posteriormente será analisada pelo médico, para verificar se está mesmo fracturado.

Tratamento: o dedo partido deve ser envolvido por uma tala e várias ligaduras, a fim de ser mantido bem esticado nas semanas seguintes, para curar a fractura. A tala provavelmente terá de ser renovada ao longo do tempo, precisando apenas de frequentar o posto médico mais próximo de sua casa para o efeito.

Consultas: terá de realizar consultas de rotina, para verificar a evolução do seu dedo e alterar de alguma forma o tratamento, que pode ser suavizado, no caso de uma boa evolução, ou eventualmente acompanhado de uma intervenção cirúrgica, se tiver ocorrido algum problema.

Tempo de recuperação: o tempo que o restabelecimento total do dedo vai demorar depende da localização da fractura, isto é, da falange em que ocorreu o problema (proximal, intermédia ou distal), da gravidade da fractura e da sua idade (quanto mais jovem for, mais cartilaginosos serão os seus ossos, e, consequentemente, mais fácil será a correcção de eventuais anomalias).