Spring Cup Viseu 2010: Arbitragem do Portugal vs Suíça e do torneio


Penso que, no último post, deixei bem clara a minha forma positiva de encarar a derrota, valorizando a atitude exemplar da selecção nacional e o mérito da equipa suíça, explicando a derrota portuguesa com base na menor eficácia dos jogadores lusos e no azar que perseguiu sobre os pupilos de José Miguel Mateus. No entanto, a aptidão dos suíços para marcar em momentos cruciais e a infelicidade dos avançados de Portugal não são os únicos factores a ter em conta, considerando alguns acontecimentos estranhos que ocorreram durante o jogo. Como se justifica que, após o golo de Stankovic, quando a selecção nacional procurava corajosamente o empate, o árbitro tenha prejudicado sistematicamente a equipa portuguesa, com várias decisões erradas consecutivas? Passarei a clarificar cada situação.

Portugal 3 – 4 Suíça: Casos do jogo

Praticamente na primeira jogada de perigo para a baliza de Nico depois do quarto golo dos helvéticos, o número 8 suíço, Moritz Jaeggy, cometeu mão no interior da sua área defensiva. A grande penalidade era clara, mas os árbitros nada assinalaram, deixando os jogadores portugueses e o banco de suplentes a protestar, obviamente indignados. Logo a seguir, quando Belchior explorava os raros espaços concedidos pela defensiva suíça, foi indiscutivelmente carregado em falta por Schirinzi, sem que a equipa de arbitragem tivesse tomado qualquer atitude. Da falta evidente resultaria um livre perigosíssimo para a baliza de Nico, ligeiramente descaído para a esquerda, bem ao jeito de Belchior. Numa das jogadas seguintes, o número 10 de Portugal tornou a ser travado em falta, mais ou menos no mesmo local da situação anterior, num lance que não deveria trazer dúvidas ao mais inexperiente dos árbitros, mas que não foi sancionado pelos juízes da partida. Muito curioso…

Estes três episódios foram praticamente seguidos, o que me leva a questionar a isenção dos árbitros daquela partida. Peço desculpa por estas teorias da conspiração, mas penso que os adeptos de futebol de praia mais atentos à modalidade terão consciência da tendência natural dos juízes para prejudicar Portugal nas suas decisões. Basta recordar algumas situações bastante caricatas nos últimos mundiais, sobretudo o de 2008, no qual, utilizando uma expressão popular, “fomos roubados à força toda”.

A arbitragem na competição: uma curiosa sucessão de erros

Neste contexto, julgo que esta questão pode ser pertinente, sobretudo se analisarmos a actuação da arbitragem no resto do torneio. Começando pelo próprio Portugal vs Suíça, gostaria de recordar outra grande penalidade não assinalada, resultante de uma falta sobre Belchior, ainda no 1º período.

Recuando um dia no tempo, somos confrontados com outras duas situações curiosas no jogo entre a selecção nacional e os russos: a primeira foi uma grande penalidade que escapou aos árbitros da partida, por falta sobre Durval, nos 12 minutos iniciais; a segunda consistiu na expulsão do mesmo jogador, já no terceiro período de jogo, quando o jovem número 8 português travou em falta a corrida de Aksenov, ainda fora da área defensiva de Portugal, sem qualquer intenção de agredir o jogador adversário, embora tenha dirigido a entrada às pernas do avançado russo. O cartão vermelho, apesar de aceitável, é muito discutível, obedecendo a um critério muito rígido que, na minha perspectiva, não esteve de acordo com a arbitragem no resto do encontro, nem tão pouco deve ser aplicado em torneios desta natureza.

Por fim, atingimos o primeiro dia da Spring Cup, com o jogo inaugural de Portugal diante da congénere britânica. Nenhuma situação a assinalar, à excepção da grande penalidade da qual a selecção inglesa dispôs, a um minuto do final do jogo, por alegada mão na bola de Torres, quando este tinha o braço junto ao corpo e o esférico simplesmente tocou na sua mão, num remate que até ia para fora. Este episódio, totalmente ridículo, que poderia ter feito Portugal sofrer um golo, não fosse a brilhante intervenção de Paulo Graça, vem criar uma certa dualidade de critérios, sendo que os lances passíveis de grande penalidade, como a mão de Mo, não são assinalados, enquanto que as situações legais do jogo, nomeadamente este contacto inofensivo da bola com a mão de Torres, dão origem a penaltis. Interessante…

Ainda no primeiro dia de jogos, recuando umas horas, somos confrontados com uma situação deveras estranha, relacionada com a forma como foi marcado o terceiro golo russo, ainda no 1º período. Recorde-se que o número 5 Krasheninikov, após uma boa iniciativa individual, simulou a falta na área da Suíça, como se tivesse sido derrubado por Nico Jung, e os árbitros, supostamente enganados pela teatralidade do lance, concederam grande penalidade e o avançado russo, moralizado, não falhou.

Conclusões: meras suspeitas de falta de isenção dos árbitros

Agora digam-me: haverá alguma razão para duvidar da legitimidade da arbitragem neste torneio? Pois claro que sim! Naturalmente que isto são apenas suspeitas, e não tenho provas para acusar os juízes dos jogos de tentativa de manipulação de resultados. No entanto, por detrás da excelente qualidade do futebol de praia apresentado pelas 4 selecções nacionais, que estão de parabéns pelo maravilhoso espectáculo que proporcionaram, esconde-se uma prestação vergonhosa da equipa de arbitragem. Se é verdade que alguns casos se podem explicar pela margem de erro humano, outras foram demasiado próximas e em número demasiado elevado para poderem ser atribuídas ao acaso.

Em termos gerais, podemos inferir uma possível tentativa de estragar os planos da selecção nacional, por quem os árbitros não morrem de amores, ou uma jogada no sentido de beneficiar a equipa russa, quer pelas ajudas concedidas nos jogos da equipa de leste, quer pelas injustiças que afectaram Portugal em outros jogos do torneio, servindo na perfeição as aspirações russas. Note-se, mais uma vez, que estou apenas a tentar perceber o que realmente aconteceu, na tentativa de descobrir a verdade acerca do assunto, sem querer ofender ninguém ou acusar os árbitros, pois não tenho quaisquer provas do que quer que seja. Além disso, as suspeitas referem-se apenas aos árbitros, e não aos responsáveis pela equipa russa, que eu respeito e admiro pela grande qualidade do seu futebol de praia.

Remate final: para que serve este post?

Em suma, este post destina-se apenas ao esclarecimento de todas as questões relacionadas com a arbitragem na Spring Cup Viseu 2010, em busca da verdade desportiva. Visto que não tinha dados suficientes para obter conclusões fiáveis, formulei as hipóteses que me pareciam mais plausíveis, reafirmando a sua natureza falível. Uma vez que as dúvidas persistem e a minha curiosidade é muita, deixo aberta a discussão do assunto com qualquer pessoa que tenha disputado a competição ou assistido ao evento.

De qualquer maneira, como nota final, queria realçar que este post não põe em causa o meu amor ao futebol de praia e o fascínio pela Spring Cup 2010. Antes pelo contrário, pretende demonstrar o quão indignado e triste me sinto por ver que a arbitragem não tem acompanhado o prodigioso crescimento da modalidade, poluindo as arenas de todo o mundo com as suas decisões erróneas, possivelmente facciosas. Apenas redigi este post separadamente dos restantes artigos sobre a Spring Cup porque o texto era demasiado longo e eu não queria estragar os textos anteriores, verdadeiros hinos ao futebol de praia, com estas considerações sobre um fenómeno tão deplorável como este.

Em todo o caso, devemos reter a ideia de que, como o Zé Miguel disse após o jogo com a Suíça, estas situações fazem parte do espectáculo e temos de saber viver com elas (não me lembro das palavras exactas, mas foi esta a mensagem sábia e experiente que o nosso seleccionador transmitiu).

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5 Respostas to “Spring Cup Viseu 2010: Arbitragem do Portugal vs Suíça e do torneio”

  1. Pedro Says:

    Eu estive lá! Arbitragens e polémicas à parte, o futebol de praia é, sem dúvida alguma, um desporto espectacular. Visto na televisão é bom; ao vivo, é fantástico.

    Apesar de o meu desporto preferido ser o futebol de 11, compreendo bem esta tua paixão 😀

    • Andrey Amabov Says:

      Muito obrigado pelo teu comentário, Pedro! Fico muito feliz por saber que te deslocaste ao Pavilhão Multiusos e vibraste com o espectáculo do futebol de praia. Calculo que as emoções estivessem ao rubro no Pavilhão Multiusos, pelo que pude perceber nas transmissões da SPORT TV. Em que dias foste ver os jogos? Fiquei bastante curioso e penso que te vi na televisão na 6ª feira, antes do jogo entre a Suíça e a Rússia. Desde já gostaria de te agradecer por teres dedicado o teu tempo ao evento, contribuindo para o crescimento da modalidade e apoiando a nossa grande selecção!

      As arbitragens controversas e situações afins são questões secundárias, passíveis de alterar resultados, deixando intervenientes e adeptos muito irritados. No entanto, como fiz questão de afirmar no post, não podemos deixar que este tipo de acontecimentos estrague a festa do futebol de praia. Devemos valorizar, acima de tudo, os inúmeros aspectos positivos do jogo e toda a magnífica atmosfera envolvente, desprezando estas questões que são indignas da modalidade. Em todo o caso, por vezes, a sua discussão é inevitável e tem de ser levada a cabo, para defender a integridade do próprio futebol de praia. É necessário algum equilíbrio, como em tudo na vida.

      Sim, não há dúvida de que contactar de perto com o ambiente mágico do futebol de praia é uma sensação única e formidável, apesar de as transmissões televisivas já constituírem, por si só, uma fantástica experiência para os espectador interessado. Infelizmente, nunca tive a oportunidade de assistir ao vivo a um jogo de uma grande competição, o que representa uma falha a corrigir no decorrer deste ano de 2010.

      Contudo, são inúmeras as sessões de treino que acompanhei na praia de Carcavelos, proporcionando-me momentos inesquecíveis, quer por permitir o seguimento dos trabalhos de preparação da selecção nacional, quer por possibilitar um contacto muito mais próximo com a realidade do futebol de praia. Nessas situações, sinto realmente o poder deste desporto extraordinário, que tão inspirador tem sido para mim nos últimos anos da minha vida. Tive também direito a um bónus, com a possibilidade de assistir a dois jogos amistosos de Portugal frente ao Japão, também em Carcavelos, nos dias 9 e 10 de Outubro de 2009, que, apesar da sua irrelevância competitiva, foram um episódio muito marcante para mim.

      O desporto, seja ele qual for, tem um poder infinito sobre os seus amantes, desde que seja levado com paixão, de uma forma saudável 🙂

  2. Pedro Says:

    André, eu fui ver o jogo Portugal vs Suíça, no sábado, pelo que, na sexta-feira, quem viste não era eu…
    Espero bem que concretizes essa tua previsão de assistires a jogos de alta competição desta modalidade no decorrer deste ano 🙂

    • Andrey Amabov Says:

      Pois. Sendo assim devo ter feito confusão. De qualquer forma, não tenho muito jeito para identificar pessoas, por isso não fico surpreendido. Ainda assim, não posso deixar de fazer um reparo: o Portugal vs Suíça foi só no Domingo. Sábado foi dia de Portugal vs Rússia…

      Sim, este ano tem de ser. O Mundialito de Futebol de Praia 2010 contará com a minha presença! Se conseguisse ir ver mais algum torneio, seria o paraíso! 🙂

      • Pedro Says:

        Sim, Portugal vs Russia, enganei-me 🙂


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