Jules Verne: a wonderful world to discover (1st part)


Como certamente terão reparado, andei ausente da blogosfera durante o fim-de-semana (exceptuando um comentário casual no blog do Marco). Esta falta de assiduidade tem um motivo simples: andei a trabalhar no meu artigo para a revista online coordenada pela minha professora de inglês: a cool m@g.

Trata-se de um projecto escolar original, ideia da professora no ano lectivo de 2007/2008, que continua no activo actualmente e constitui um elemento de avaliação a ter em conta para as turmas do 11º ano (vale 1 valor da nota final do período).

Naturalmente que não se exige que o aluno escreva um texto demasiado complexo. Basta um pequeno artigo sobre qualquer coisa do interesse do jornalista em questão. No entanto, quem me conhece sabe que não gosto de tratar um assunto pela rama e procuro sempre explorar os temas em profundidade, desvendando novos caminhos e aprendendo um pouco mais com a realização do trabalho. Se o projecto incidir sobre algo do meu interesse, então esse efeito corre o risco de se sujeitar a um agravamento deveras acentuado.

Basta anunciar que o tema do artigo foi a vida interessante e a obra sobrenatural do escritor francês Júlio Verne para dar a entender o meu entusiasmo durante a realização do artigo e a sua extensão descomunal. Digamos que me excedi um pouco e elaborei um artigo com mais de 3400 palavras, o que me ocupou mais de 6 páginas no documento do Microsoft Word em letra Verdana, tamanho 10.

Utilizando  como base a parte inicial do não menos extraordinário livro Júlio Verne – Da Ciência ao Imaginário, procedi a uma longa narração dos factos que compuseram a vida do grande mestre e das principais características das três fases da sua obra. O texto acaba por ser muito ambicioso, procurando deitar um olhar geral sobre a literatura verniana, sem apresentar tantos pormenores como eu gostaria e as minhas dissertações sobre os temas abordados. De qualquer forma, o texto não deixa de ter um lado pessoal que evidencia o meu enorme carinho pelo autor e a minha profunda admiração pela sua obra excepcional.

Como não voltarei a fazer grandes textos informativos sobre Júlio Verne num futuro próximo (também tenho de variar um bocadinho) e gostava de partilhar os meus conhecimentos sobre o homem e a sua maravilhosa herança cultural, ao mesmo tempo que compensava esta ausência bloguística, decidi publicar o artigo aqui no blogue.

Dadas as suas dimensões inadequadas e o seu carácter pouco chamativo, achei que seria boa ideia publicar o texto por partes, dividido em vários excertos, ao longo da próxima semana (que também não se me afigura muito produtiva em termos de posts). Terá o aspecto de uma publicação por folhetins de revista, como era comum acontecer no tempo de Júlio Verne com os seus magníficos romances (antes da publicação em livro pelo editor Hetzel).

Fiquem com o primeiro número desta série semanal. Comentários e críticas são sempre bem-vindos:


Birth and Family

Paul Verne: Jules Verne's brother

Paul Verne: Jules Verne's younger brother

Jules Verne was born in the 8th February 1828 in the French city of Nantes, located in the mouth of the river Loire. His father, Pierre Verne, member of a nobel family from the centre of France, was a lawer and he raised Jules according to an authoritary education, based on some high moral principles. His mother, Sophie Allote de la Fuye, was a member of Nantes’s small nobelty and was always very kind and dedicated to him. Jules was the first son of the couple but Pierre and Sophie had four more children: Paul, Anna, Mathilde and Maria.

Paul was born later in 1828 and was unquestionably a very important friend for Jules. They started playing together during their childhood and kept united during their whole life, always ready to help each other when there was need. In what concerns his sisters, born beetwen 1837 and 1842, Jules fraternal relations didn’t go in the same way. He didn’t have much contact with Anna and Mathilde when he was an adult and the last one never recongnised his brother literary talent. However, he had a special afection by Mary, the youngest girl of the family, who used to be called Little Flower and kept a long healthy relation with his brother Jules.

Childhood and Studies

The first years of his fullfilled life were spent in the magic port atmosphere of Nantes. The Verne family used to live in a small beatiful house near the marine and Jules had the oppurtunity to grow up surrounded by the big commercial ships which came from the ocean, pitoresque fishermen boats coming down the Loire and all sorts of crafts sailing by the blue water of the river. Fascinated by the imponent beauty of the port activity, he started using his wonderful imagination power by creating sea stories in which he was the captain of the ship. Little Jules had fallen in love with the sea, begining a passion which would perdure until the end of his life.

Port of Nantes in the XIX Century

Port of Nantes in the XIX Century

As the time went by, Jules soon started school and he learned in the best ruled colleges, attending to his mother religous fervour and his father moral demands. He studied very well and when he was 15 his father allowed him to go to the Real College, which offered a modern progressist instruction. After it, his parents were expecting him to study law in order to follow the traditional carrier of his family, as all his antecessors used to be important lawers. However, after two annoying years studying law in Nantes, Jules break up with his motherland and moved to Paris, due to his first heartbreak and the ignorance of the local society which had blocked his relation.

Paris: the Centre of Literature

Jules Verne by the time he went to Paris

Jules Verne by the time he went to Paris and finished his studies

When Jules Verne arrived in the capital of France, in 1848, he was 20 years old. He decided to finish the law studies in order to satisfy his parents, but once he had obtained his graduation, he started thinking about writing literature and making it for life sustent. In fact, Jules didn’t feel motivated about spending his whole life studying laws and judging crimes. Therefore, he wrote to their parents explainig the situation and telling them about his new plans.

Jules Verne soon get involved in the fascinating literary soirées and found himself involved in the fruitful philosofical and political discussions of Paris. He was introduced in those nobelty cicles by his uncle, who presented him to the most respected writers of that time. This was how Jules Verne met Alexandre Dumas son and many young composers and artists living in Paris. Despite his admiration by the  literarium Parisian civilization, he was always very critical of the French aristocratic society and created his own cultural group, in association with some friends from the art and literature world.

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4 Respostas to “Jules Verne: a wonderful world to discover (1st part)”

  1. LVSITANO Says:

    Para te ocupares tão fanaticamente com este artigo, só podia ser ele sobre uma das tuas grandes paixões… Júlio Verne (este sim, um Júlio que dignifica o seu nome).

    Gostei de conhecer a entrada deste grande escritor no nosso planeta. Nantes é uma cidade que me desperta bastante curiosidade (deve ser a única de França) e o facto de Verne lá ter nascido, que desconhecia, vem agudizar o meu interesse.

    Ter tido um irmão da sua idade deve ter contribuído, certamente na maior parte das vezes, para uma partilha muito salutar de conhecimentos e experiências. Ter tido uma educação de nível superior é um passo para se atingir a excelência, mas isso só acontecerá se houver também um esforço do aluno, e nota-se que foi o que aconteceu com J. Verne.

    Não poderia ter escrito tão magníficas obras (nem sei bem do que estou a falar) sem recorrer a um saber intrínseco que derivou dos seus estudos aprofundados sobre diversos temas.

    Obrigado por nos teres dado a conhecer esta parte inicial da vida de Verne!

    • Andrey Amabov Says:

      Hmmm… Fanaticamente… Isso leva à ideia de fundamentalismo, que eu repudio constantemente e faço questão de combater! Como sabes, apesar da minha predilecção pela obra verniana, sou um leitor aberto a todo o tipo de experiências literárias e sou tão capaz de admirar a magnificência d’ Os Maias como os enredos bestialmente misteriosos de um policial ou os mais incríveis romances de aventuras (não só Júlio Verne).

      Mas sim, a minha atitude de sacrificar a maior parte do tempo de estudo de Sábado e Domingo à realização deste artigo e a sua elevada extensão constituem uma prova inequívoca da minha profunda paixão pelo assunto tratado. Júlio Verne ocupa naturalmente um lugar de destaque nestas minhas fontes de inspiração para a vida. Conheces as outras… (sim, ao contrário de certas e determinadas pessoas muito dadas às artes circenses).

      Já conversámos sobre esse teu fascínio pela cidade portuária de Nantes. No meu caso, posso afirmar com segurança que teria muito prazer em visitar a França no geral, pois apresenta características naturais muito diversificadas e interessantes, além de uma cultura singular e património mundial de um valor incalculável. Locais como Nantes, Marselha e Nice têm para mim maior interesse pela relação com o mar, os rios e a navegação. Lutécia, majestosa na sua imponência histórica, foco de cultura a todos os níveis, também figura entre as minha naturais prioridades numa eventual visita à Gália. Nantes, Paris, Crotoy e Amiens seriam pontos obrigatórios dada a sua escassez total de anodismo, em termos de interesse verniano.

      A relação muito próxima de Jules Verne com o irmão foi inquestionavelmente um ponto crucial na sua vida e carreira literária. Com uma diferença de idades mínima, educados conjuntamente, amigos inseparáveis, Jules e Paul deram os primeiros passos na descoberta do mundo de mãos dadas, selando uma aliança que permaneceria para toda a vida. Companheiros de brincadeiras na infância, colegas nos colégios que frequentavam, grandes amigos e sócios na fase adulta, sempre exerceram uma grande influência um sobre o outro, criando assim uma amizade fundamental nos momentos mais difíceis de enfrentar ao longo da vida. A literatura de Verne sai sempre beneficiada desta partilha de vivências e impressões fraternal, sendo frequente encontrar entre as personagens das suas obras irmãos leais e excepcionalmente dedicados um ao outro, para o bem ou para o mal (exemplos de ouro polido os que me ocorrem neste momento).

      A questão da educação é interessante. Inicialmente, Júlio Verne distinguiu-se como aluno excepcional, sobretudo em latim, grego, memorização, música vocal e a geografia (o que ficaria bem patente nas Viagens Extraordinárias). No entanto, no Colégio Real, apesar de passar a todas as disciplinas e fazer o curso sem problemas, autocognominava-se “aluno médio” e escreveu uma carta à mãe dizendo que “Os alunos estudiosos são sempre jovens estúpidos.” Uma aparente contradição, dada a natureza curiosa e sedenta de aprendizagem de Júlio Verne. No entanto, é preciso ter em conta que a educação naquela época obedecia a moldes tradicionais, pela via da memorização (lá está) e não pelo exercício das faculdades racionais, que Verne certamente preferiria desenvolver.

      De resto, a tua interpretação do poder enriquecedor e qualidade literária da obra verniana (que vais começando a conhecer através deste blogue), apesar de muito sucinta e simples, diz tudo o que merece ser referido: o acesso a uma educação exemplar, uma curiosidade insaciável relativa aos mais variados temas da Ciência, da História e da Geografia e um trabalho de investigação esplendidamente conduzido rumo ao conhecimento. Já para não falar da prodigiosa e inteligência e descomunais aptidões literárias (capacidades inatas de Júlio Verne).

      Para rematar, basta lembrar que a partilha do conhecimento é um dever cívico e a divulgação do universo verniano contribui em larga escala para a minha realização pessoal.

  2. LVSITANO Says:

    Obrigado pela tua resposta tão completa, sempre com o detalhe que já faz de ti singular por entre a blogosfera.

    É de realçar o teu empenho em divulgar a obra verniana, como referes. Até aposto que terás várias visitas a esta série de posts provenientes de estrangeiros que queiram uma biografia completa deste belíssimo autor.

    Mais uma vez, parabéns por todo este trabalho!

    • Andrey Amabov Says:

      De nada! Li num certo blogue do wordpress que era importante responder aos comentários que são feitos no nosso espaço!

      O meu empenho em difundir o espírito verniano na blogosfera provém do amor que sinto pelo mesmo e pelo reconhecimento do dever que tenho para com o escritor que já me proporcionou tantos momentos tão especiais! Não sei se receberei visitas de internautas estrangeiros, nomeadamente porque as tags estão em português, mas o mais importante é que me sinto bem pelo que fiz.

      Obrigado pelo comentário!


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