Petição contra a criação de Biotério na Azambuja


Numa aula recente, a minha professora de Biologia divulgou uma petição que luta pelos direitos dos animais.

Está prevista andamento a construção de um grotesco biotério na Azambuja, tendo como finalidade a criação em grande escala de animais destinados a serem utilizados em testes laboratoriais. As experiências a que estas pobres criaturas serão submetidas violarão os direitos dos animais e causarão imenso sofrimento aos desafortunados bichos.

"Biotério: viveiro de animais para pesquisas laboratoriais ou objectivos semelhantes"

O movimento está alicerçado em factos científicos que comprovam a inutilidade da maior parte destas experiências em laboratório, propondo o desenvolvimento de técnicas de investigação alternativas, de maior eficiência, sem a implicação do sofrimento animal.

Ciências Médicas: avanços ou retrocessos?

Para além da falta de ética subjacente a estas práticas, é importante sublinhar a carência de resultados conclusivos a que estes trabalhos experimentais nos levarão.

De um modo geral, as  pesquisas utilizarão os animais em experiências com o intuito de averiguar se os efeitos secundários de certos medicamentos na espécie humana serão perigosos para a nossa saúde. No entanto, a verdade é que os animais criados no biotério apresentarão características anatómicas e fisiológicas muito diferentes das do ser humano, o que levará a uma grande disparidade entre os resultados obtidos em animais e as consequências reais da aplicação dos produtos em indivíduos da espécie humana.

Todas estas investigações em laboratório e os sacrifícios de milhares de animais implicados no processo poderão ser em vão, conduzindo a resultados falsos que poderão comprometer a saúde do ser humano a longo prazo.

Mas afinal o que é feito da crise?

O projecto da construção do biotério representa um grande investimento para o país e toda a União Europeia, cujos laboratórios serão o palco para a realização das experiências. O governo português assumiu um papel preponderante no financiamento da iniciativa, uma vez que as instalações estão a ser edificadas em solo luso. Neste contexto, o estado investiu 27 milhões de euros neste projecto de futuro incerto, o que constitui inequivocamente uma grande imprudência.

Fundamentalmente, a aposta no biotério da Azambuja é um tiro no escuro, disparado na tentativa desesperada de alcançar o ambicionado reconhecimento das grandes potências europeias. Afirmar a capacidade de Portugal para participar em projectos europeus de renome e organizar grandes iniciativas de apelo ao espírito científico são os desejos políticos desmedidos de quem não está minimamente enquadrado no mundo da ciência e não sabe fazer uma gestão eficiente do orçamento de estado. Uma falta de noção das verdadeiras prioridades nacionais!

Igualmente grave é o incentivo dos outros membros da união europeia e da comunidade científica ao seguimento dos trabalhos. Mais uma prova de que vivemos num mundo sem ética, onde os interesses económicos e os desejos individuais de quem detém o poder se sobrepõem sempre e inevitavelmente ao bem comum e aos verdadeiros interesse da sociedade. A investigação científica, controlada pelos grandes senhores que dominam o mundo, constitui um instrumento poderoso que serve os interesses pessoais dos administrativos, em vez de se colocar ao serviço da comunidade.

Assinem a petição! Participem na luta pelos direitos dos animais!

Quanto ao desrespeito pelos direitos dos animais, o motivo nobre que motivou este importante movimento online, é lamentável que as mentalidades retrógradas continuem a dominar as decisões políticas e a minar o espírito colectivo das nações. Mas enfim: se muitas vezes os direitos humanos são alvo de violações, como esperar que os direitos dos animais sejam respeitados?

Petição contra a criação do Biotério na Azambuja

Por favor, dêem a vossa contribuição nesta nobre batalha contra os perpetradores destas atrocidades contra os animais. Não permitam que os seres vivos filogeneticamente mais próximos do Homem sejam tratados de forma indigna. Existem tantas formas de conduzir a investigação científica, mais eficazes, que não implicam a tortura de animais! Lutemos por um mundo melhor!

Assinem a petição aqui e deixem a vossa contribuição! Não custa nada!

A obrigatoriedade da referência ao número do BI tem como único objectivo conferir à iniciativa um carácter oficial e honesto. Não tenham receio! Simplesmente, façam aquilo que está correcto e pensem que estão a salvar muitas vidas de animais que partilham um ancestral comum coma espécie humana!

É só um clique aqui e assinar…

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2 Respostas to “Petição contra a criação de Biotério na Azambuja”

  1. LVSITANO Says:

    Este post está distintamente bem escrito e prova o teu real espírito científico, que não tem necessariamente que interferir com a liberdade e segurança dos restantes animais que habitam o nosso planeta.

    Criar as condições ideais para os animais viverem e depois machadá-los com a barbaridade dos testes químicos é de uma hipocrisia tremenda e que deixa bem patente a ideia que os humanos têm de si próprios: “somos melhores que os outros animais, temos o direito de lhes fazer o que nos aprouver”.

    Claro está que não concordo com estas ideias exploratórias dos seres vivos, muito menos se estas afectarem o equilíbrio natural de cada exemplar utilizado e, mais globalmente, da sua espécie.

    No entanto, continuemos a pensar em hipocrisia: já existem milhares de biotérios como este que está previsto por todo o mundo, e possivelmente já em Portugal também. É positivo haver um movimento que tente contrariar a construção de um novo, mas penso que a luta internacional contra a exploração dos animais deve continuar em todos os planos em que incide: a Lei, a Ciência, a Ética e a Economia.

    Ainda a pensar em hipocrisia, na realidade todos nós contribuímos diariamente para a exploração e sofrimento dos animais: ao comprarmos carne animal que é obtida das piores formas, estamos a investir no incremento da crueldade com que os animais são tratados. Animais horrivelmente mutilados, muitos deles ainda vivos, e que nós compramos para comer. Portanto, não deixa de ser um pouco contraditório defender estas causas nobres pela não-exploração dos animais e depois, directa ou indirectamente contribuir para a exploração noutros níveis.

    Para concluir, deixo dois sites: PETA – People for the Ethical Treatment of Animals, que produziu o famoso vídeo “Meet your Meat”. Ainda deixo o da Plataforma de Objecção ao Biotério que tem uma explicação muito extensa e completa acerca de todos os motivos que impulsionaram esta luta contra o biotério.

    Devemos começar por algum lado na luta pela equidade de direitos entre o Homem e todos os restantes seres vivos (somos todos filhos da mesma Mãe Natureza!), algo que apoia a objecção ao biotério, mas penso que, resulte ou não a iniciativa, todos os intervenientes devem prosseguir o combate nomeadamente pela redução profunda do consumo de carnes animais.

    Abraço,
    Marco.

    • Andrey Amabov Says:

      Grande comentário, Marco! Vale sempre a pena discutir assuntos contigo e aproveitar esta troca de ideias sempre tão proveitosa para o cultivo do espírito!

      Tens muita razão em tudo o que dizes sobre a hipocrisia presente na construção do biotério e fazes muito bem a ponte para criticar quer a real existência de vários biotérios espalhados pelo planeta quer as atrocidades contra os animais no processo de criação de gado. De facto, muitas vezes nem nos damos conta da falta de ética das nossas acções e de todos os atentados que cometemos contra a natureza da qual somos parte integrante.

      Os biotérios já existentes são vestígios arqueológicos de um modelo científico desactualizado e sem ética que já foi válido no passado mas não é aceitável no presente. O seu encerramento e substituição dos testes baseados em animais por novos métodos de investigação laboratorial tem de constituir uma prioridade no contexto actual da ciência e tecnologia. No entanto, no cenário lamentável com que nos deparamos, em que a construção de novos biotérios figura entre os interesses das potências ocidentais, o primeiro passo rumo à mudança das mentalidades e ao fim do desrespeito pelos direitos dos animais será a proibição da edificação de novos pólos de criação de cobaias animais.

      Quanto ao consumo de carne animal, é certo que os processos de criação de gado no sistema de pecuária moderno, fortemente industrializado, conduzem inevitavelmente a uma violação dos direitos dos animais. Não me refiro apenas ao momento da matança: falo também do prolongamento artificial do dia nos estábulos monitorizados, da completa alteração dos regimes alimentares dos animais, da introdução de hormonas prejudiciais no organismo e da profunda modificação do comportamento natural daqueles animais. Ao fim e ao cabo, os animais perdem toda a sua dignidade e são tratados como de máquinas ao serviço do homem se tratassem.

      E assim chegamos à grande questão: grande parte da carne vendida nas cadeias alimentares mundiais provém justamente deste tipo de produção animal, sendo que cada cêntimo que pagamos pela obtenção destes nacos de matéria orgânica de mamíferos ou aves está a incentivar a continuidade do processo.

      O que está mal não é o consumo de carne animal em si, pois o homem é omnívoro por natureza, precisando de alimentos de todos os tipos para subsistir. E não acho nada incorrecto que o ser humano faça uso das suas faculdades racionais na concepção de um sistema de criação de gado mais eficaz e adaptado aos seus objectivos. Mas, conforme temos capacidades para melhorar a nossa saúde e bem-estar, também podemos e estamos incumbidos da função de assegurar o respeito pela dignidade animal e a orientação da criação de gado numa perspectiva mais ética. O atropelamento destes direitos dos animais, isso sim está incorrecto e deve ser combatido.

      Sei que defendes a redução do consumo de carnes animais até aos mínimos indispensáveis e tens grandes projectos de futuro no sentido de lutar por um ambiente e um mundo melhor. Admiro esse teu comportamento e aplaudo com sinceridade.

      No entanto, na questão do consumo de carne animal deves considerar as formas de agricultura biológica e mesmo alguns modelos mais tradicionais na área das práticas pecuárias, que acabam por promover uma relação equilibrada e natural entre o ser humano e os animais que produz para consumo próprio. Nestes casos, a dignidade humana é mantida num patamar consideravelmente elevado e o resultado gustativo também é bem melhor. Nesse sentido, a opção por carnes de origem biológica é outra forma de lutar por uma criação de gado mais ética e que promova o respeito pelos animais envolvidos.

      Não temos de abdicar do consumo de carne animal simplesmente por causa da dignidade dos seres vivos! Se o fizermos com base em questões associadas à nutrição, aí o caso já poderá ser diferente.

      Obrigado pelos links, verificá-los-ei quando tiver mais disponibilidade.

      Agradeço o comentário tão completo e consistentemente argumentado e assim me despeço por agora.


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