Dedo partido!


Aviso: se procura informações úteis sobre fracturas nas falanges e tudo o que envolva dedos partidos, por favor, consulte o post Dedo partido: retrospectiva (5 semanas), publicado algum tempo depois deste texto, que termina com uma análise mais detalhada e completa da questão, contendo alguns conselhos para pessoas com este problema.

Pois é. Ainda não tinha referido isto aqui no blogue, mas a verdade é que desde a terça-feira da semana passada (19 de Janeiro) tenho andado com uma minúscula limitação a nível físico: uma fractura na falange distal do dedo médio da mão esquerda.

Assinalada a vermelho, a falange distal do dedo médio, onde se localiza a minha pequena fractura

Sim, eu sei. Uma coisa tão pequena! Nem deve doer! Isso passa!

Foi o que eu pensei há 9 dias. No intervalo de meia hora entre as aulas de Biologia e Física estavam todos os rapazes da turma a jogar futebol no campo sintético, juntamente com alguns alunos do 7º ano, estreando a bola que tinha sido comprada a meias por todos os elementos interessados. Eu era um dos futebolistas de intervalo. No início comecei a jogar numa posição mais avançada do terreno, mas tinha combinado com o guarda-redes da minha equipa que trocávamos assim que ele sofresse um golo. O tento da equipa adversária não demorou muito tempo a surgir e quando dou por mim já fui parar à baliza.

Sofri um golo. Sofri outro golo. Mais ninguém se voluntariou para a ingrata posição de guarda-redes e eu tive de me contentar com ela até ao fim do encontro. Foi a minha “desgraça”.

A certa altura, numa das vagas ofensivas da equipa adversária, um colega qualquer (não me lembro quem) rematou forte à figura. Devido à minha carência de goalkeeping skills não consegui agarrar a bola (nem sequer tentei) e ela embateu violentamente na referida falange distal. Claro que doeu um pouco na altura, mas foi uma daquelas sensações passageiras sem quaisquer efeitos na meia hora seguinte.

Já na aula de Física, quando esticava o dedo, sentia uma dor aguda,  percebia que alguma coisa não devia estar bem. No entanto, tornei a encarar o fenómeno como uma dor momentânea que acabaria por passar pouco tempo depois.

No meu serão nocturno, depois de realizar os trabalhos de casa, comecei a sentir dificuldades na utilização do dedo médio para escrever no teclado do computador. Como se não bastasse, a parte inferior da unha estava negra. Este conjunto de circunstâncias despertou em mim a suspeição de que o caso fosse mais grave do que eu pensava. Receios hipocondríacos apoderaram-se da minha mente já cansada àquela hora da noite e após investigações levadas a cabo na casa de banho com o espelho e a tesoura, decidi que pôr gelo seria a melhor opção. Na cozinha, a arca frigorífica começou a emitir ruídos estridentes que acordaram a minha mãe: piiiiiin piiiiiin… Uma vez a pé, a minha mãe ajudou-me com o gelo e agendámos uma visita ao hospital na manhã seguinte.

Quarta-feira, dia em que supostamente teria natação na educação física às 10:00, na qual não poderia participar pela falta de mobilidade do dedo médio da mão direita, lá fomos os dois ao ignóbil hospital de São Francisco Xavier, por ser o mais próximo de casa. Uma espelunca, basicamente.

Não venham ao Hospital de São Francisco Xavier!

Eu e os outros clientes que se encontravam nas urgências fomos muito mal atendidos. Para além da grande confusão que impera naquela parte do hospital, os erros informáticos, demasiado frequentes, nunca são corrigidos pelos funcionários, excepto quando os clientes se apercebem. Uma senhora que chegara uma hora antes de mim nunca teria sido chamada para fazer a radiografia se não se tivesse apercebido da situação, insurgindo-se contra a incompetência do pessoal do hospital. De resto, quando cheguei à secção de ortopedia, “tinha ocorrido um erro no sistema” e a radiografia não tinha chegado.

O “ilustre” médico, visivelmente um novato, estava a ensinar duas estagiárias que deviam ser poucos anos mais velhas do que eu. E pareciam todos mais interessados nas suas brincadeiras e risos idiotas do que nos problemas dos clientes em questão.

Quanto ao meu dedo, disseram que não se conseguia perceber bem se existia ou não uma fractura e colocaram a hipótese de se tratar de um problema no tendão. E, sem me mandarem fazer mais radiografias ou qualquer outro tipo de exames, finalizaram dizendo que o tratamento era o mesmo em ambos os casos e atando um pedaço de fita adesiva em torno do dedo médio e do anelar, servindo este último de tala, para imobilizar o dedo fracturado, e colocou um lenço à volta do meu pescoço para apoiar a minha mão. Para cúmulo, o médico disse que eu deveria manter aquela montagem durante duas semanas.

Quem me viu na escola com este tratamento percebeu logo o quão ridícula e improfícua aquela fita adesiva enrolada ás três pancadas à volta dos dois dedos se revelava. De pouco ou nada serviria para eu curar a minha lesão. E a razão é muito simples: não podemos tratar eficazmente de um problema sem o conhecermos realmente.

À noite, depois das aulas, a minha mãe levou-me ao Hospital da CUF Infante Santo, este sim uma infra-estrutura digna e funcional, onde repeti a radiografia e me foi diagnosticada uma microfissura na falange distal. Agora sim, uma análise cuidada dos resultados que permitiu obter conclusões fiáveis. Uma tala verdadeira revestida internamente por uma suave superfície esponjosa à volta do dedo médio e uma ligadura constituíram o processo de tratamento, que culminaria numa consulta com um médico ortopedista na sexta-feira da semana seguinte. Tudo isto num ambiente saudável, rodeado de gente inteligente, compreensiva e amigável.

Pois bem, esse dia será já amanhã, 29 de Janeiro, e eu espero sinceramente ser autorizado a abandonar esta montagem que mumifica o dedo e a mão. Acho que tenho feito progressos nos últimos dias e quando tenho o dedo imóvel (99% do tempo) não sinto quaisquer dores. Como o dedo se conserva no interior da tala, também não tenho tido grande oportunidade de observar o seu aspecto morfológico (exceptuando quinta-feira de manhã e terça-feira à hora do almoço, quando fui mudar as ligaduras ao posto médico de Algés), mas penso que tudo estará a evoluir positivamente. Vamos esperar pelo melhor!

Quem sabe se na próxima segunda-feira poderei voltar a participar nos maravilhosos jogos de futebol dos intervalos! Ah, mas não vou ficar na baliza!

Nota: De realçar ainda o aspecto exótico que a minha mão esquerda adquiriu. O meu dedo médio é bastante mais comprido e mais grosso do que os restantes. Como se não bastasse, está sempre esticado. Isto tem uma consequência muito peculiar quando eu coloco a palma da mão virada para cima e dobro os dedos que ainda apresentam alguma mobilidade. Cerca de 587 pessoas já fizeram questão de me lembrar esse facto. Geralmente não simpatizo com este tipo de graçolas brejeiras, essas obscenidades! Mas neste caso não deixa de ser um facto singularmente curioso

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2 Respostas to “Dedo partido!”

  1. Marquinho Says:

    Pois é, foi um triste acontecimento esse que te feriu o dedo. Eu vi essa defesa arriscada e não me pareceu que te fosse causar uma fractura… Possivelmente acertou num sítio sensível.

    Desejo-te céleres melhoras e que retires essa tala “obscena e brejeira” que aí te puseram. 🙂

    • Andrey Amabov Says:

      Enfim. As coisas não correram exactamente como eu esperava. A situação está a evoluir positivamente, mas a recuperação total vai demorar mais tempo do que eu previa. A tala foi removida, porém, vou continuar a usar um dedal nas próximas três semanas e não poderei realizar uma infinidade de actividades. Que ferro!

      Talvez escreva um novo post no sentido de esclarecer melhor estas questões. Nada de muito extenso: apenas uma narração sucinta dos acontecimentos relativos à visita hospitalar do dia de hoje.

      Obrigado pelo teu apoio comentarial!


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