The Twilight Zone


The Twilight Zone

The Twilight Zone - A Quinta Dimensão

Recentemente fiquei fã da série de televisão norte-americana dos anos 60 The Twilight Zone(cuja tradução portuguesa é A Quinta Dimensão). Esta é provavelmente a minha série de televisão favorita. Exceptuando a hilariante comédia O Mundo de Jim, da qual tenciono falar mais tarde, não consigo encontrar nenhuma série televisiva tão interessante e que seja capaz de captar tão bem a minha atenção.

Como tudo começou

O meu pai ofereceu-me a primeira temporada nos anos, suspeitando que eu fosse gostar bastante. Não se enganou. Passados 20 dias já eu tinha visto os 36 episódios da compilação.

Meses depois, alguns dias antes do Natal, recebi um telefonema do meu pai, que estava na Fnac a comprar prendas de Natal. Após os cumprimentos habituais, perguntou-me se eu não desejaria nada em especial. Como eu visitara aquela célebre loja pouco tempo antes, lembrei-me que encontrara a segunda temporada de The Twilight Zone na secção de séries. Aproveitando a oportunidade, sugeri ao meu pai que me oferecesse o tão ambicionado presente. E assim, na noite de Natal, juntamente com um interessante livro filosófico sobre a vida, recebi esta fantástica dádiva cinematográfica, da parte do meu paterno indivíduo.

O visionamento dos 7 primeiros episódios desta segunda série deixou-me deliciado, tal como acontecera com a primeira temporada. Então, tive a ideia de escrever sobre ela aqui no blogue, introduzindo a série aos leitores e apelando a todos para experimentarem esta série maravilhosa.

The Twilight Zone

The Twilight Zone é uma série de ficção científica, mistério, fantasia e terror (mas sem haver sangue: o terror advém das situações confrangedoras em que as personagens estão envolvidas, causando sentimentos de compaixão e horror nos espectadores). Foi criada pelo argumentista e produtor de televisão norte-americano Rod Serling.

Rod Serling e a sua célebre criação: The Twilight Zone

Em cada episódio, o espectador depara-se com uma história misteriosa e intrigante, que envolve qualquer coisa de sobrenatural, algo irreal, uma impossibilidade à luz da ciência actual. Estou a falar de viagens no tempo, teletransporte, precognição, robôs, extraterrestres, seres inanimados com vida, no fundo, tudo aquilo que não existe na realidade palpável a quatro dimensões (três dimensões espaciais e o tempo como a quarta dimensão), mas está bem presente no mundo da imaginação, isto é, na Twilight Zone (ver nota no final).

Emitida entre 1959 e 1964, com um total de 156 episódios divididos em 5 temporadas, The Twilight Zone foi um tremendo sucesso televisivo nos EUA. Com episódios curtos, de aproximadamente meia hora (tirando os da quarta série, mais longos, com cerca de uma hora), The Twilight Zone é um mundo da fantasia que capta o interesse do leitor até ao último segundo.

Para lá da ficção

Mas A Quinta Dimensão é muito mais do que uma simples série de ficção. Apresenta também uma importante componente humana e filosófica, pois quase todos os episódios (se não mesmo todos) transmitem uma certa mensagem e revelam um segredo sobre a espécie humana, funcionando como uma importante lição aos espectadores. Daí provém o seu carácter moralizador. Porém, o mais importante é que cada uma destas pérolas televisivas apresenta mais perguntas do que respostas, reune uma série de questões acerca das quais o expectador se poderá interrogar.

Há também um lado de crítica social e política em alguns episódios da série. Na época de emissão, em plena guerra fria, as críticas e os comentários contra o sistema político norte-americano não eram propriamente bem-vindos. Se os episódios de The Twilight Zone se opusessem de forma nítida às políticas seguidas pelo estado, o mais certo seria a série ter sido censurada. Contudo, Rod Serling e os restantes intervenientes no projecto tiveram o cuidado de ocultar as rígidas críticas a problemas como o desenvolvimento das armas nucleares, a guerra fria ou os conflitos raciais sob uma máscara de ficção e fantasia, criando situações alegóricas com uma correspondência directa com factos daquela realidade temporal.

Qual a origem do giganteco sucesso desta série?

A conjugação de todos os factores acima referidos torna The Twilight Zone uma série fabulosa. No entanto, qual será a verdadeira razão de tanto sucesso? Porque será que as pessoas se sentem tão atraídas pel’ A Quinta Dimensão? O que terá motivado tantos remakes e vários filmes? Será simplesmente a abertura de cada episódio, com uma música intrigante e uma introdução enigmática pela voz não menos misteriosa de Rod Serling? Ou talvez a originalidade das histórias? Ou a enorme diversidade e qualidade dos actores, que para além de serem os mais conceituados de Hollywood e fazerem excelentes interpretações, raramente participam em dois episódios da série?

Naturalmente será uma combinação de tudo isto. Mas eu creio que quer as aberturas dos episódios, quer as histórias em si quer as interpretações dos actores podem ser fundidos numa única palavra, que explica boa parte do sucesso da série: o suspense.

Para mim, o suspense, sempre presente nestes pequenos episódios, é o grande segredo desta série, o ingrediente que torna a série viciante. Enquanto os factos e acontecimentos vão desfilando no ecrã, o espectador indefeso é inevitavelmente absorvido pelo extraordinário poder atractivo dos enigmas. Prisioneiro do suspense, tenta libertar-se usando a sua imaginação, procurando encontrar uma resposta ao problema fundamental do episódio. Mas todas as tentativas de fuga são em vão: o espectador só é libertado no final do episódio, mas mesmo assim continua pensativo, reflectindo acerca daquilo que acabou de ver. É este o poder d’ A Quinta Dimensão.

Para ficarem com uma melhor ideia da netureza desta série sugiro que vejam o vídeo em baixo. Trata-se da abertura dos episódios da primeira série. Absolutamente sublime!

No youtube estão disponíveis outros vídeos da série. Entre as aberturas das cinco temporadas, excertos de alguns episódios e outras surpresas, poderão apreciar este mundo onde não vivemos fisicamente mas ao qual fazemos frequentes visitas, no meio de transporte mais eficaz que eu conheço: a imaginação.

Nota: Como muito bem reparou o caro leitor de nome Miguel, se virmos o tempo como a quarta dimensão, algumas destas tecnologias acabam por ser possíveis dentro das quatro dimensões conhecidas, tendo em conta que projectos em áreas como a inteligência artificial e a invisibilidade já estão em curso e indubitavelmente darão frutos suculentos em breve.

No entanto, creio que nem os próprios autores da série tiveram este aspecto em consideração quando escreveram o argumento. Provavelmente, partiram da ideia de que estas tecnologias serião todo um conjunto de impossibilidades perpétuas. A outra alternativa, talvez um pouco rebuscada, será os autores terem considerado uma dimensão temporal muito restrita, relativa ao pequeno período correspondente aos primeiros anos da década de 1960, durante os quais a série foi emitida.

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2 Respostas to “The Twilight Zone”

  1. anónimo Says:

    Primeiro que tudo, gostava de dizer que escreves muito bem e admiro a forma como consegues cativar o leitor. Eu, por exemplo, não conseguir parar de ler e até fiquei com vontade de conhecer esta série.

    Contudo, não consegui deixar de reparar em dois lapsos:

    – Escreveste “O meu pai ofereceu-me a primeira temporada nos anos, suspeitando que eu gostaria bastante.”
    Com todo o respeito – porque nem te conheço pessoalmente – penso que a forma verbal correcta é “fosse gostar” e não “gostaria”.

    – O segundo é mais relativo. Disseste que a série se baseava em factos “para além das quatro dimensões”. Porém, se estamos a falar do tempo como a quarta dimensão, penso que não está correcta tal afirmação. Tais “invenções” como, por exemplo, o robô, são passíveis – e até prováveis – de ser inventadas no futuro, pelo que são limitadas temporalmente.

    Espero que encares estas “correcções” positivamente, ou seja, como uma crítica construtiva, pois estou só a tentar ajudar.

    Por fim, gostaria também de te dar um conselho: tenta escrever textos menos extensos. Como já referi, a tua capacidade de entusiasmar quem está a ler é impressionante, contudo, se os posts fossem menores seriam mais “fáceis” de ler.

    Cumprimentos,
    Miguel

  2. Andrey Amabov Says:

    Caro Miguel, antes de mais nada queria agradecer a sua disponibilidade para ler o meu blogue e deixar os seus comentários tão úteis.

    Fico contente por saber que a minha escrita o cativou. O facto de se ter interessado pela série deixa-me particularmente satisfeito, pois era justamente esse o principal objectivo do artigo: suscitar nos leitores um certo interesse pela série.

    Naturalmente que vejo estes reparos gramaticais e semânticos como uma crítica construtiva, que decerto contribui para o aperfeiçoamento da minha escrita, bem como o sucesso deste blogue. Inclusivamente, já corrigi o primeiro erro e deixei uma nota final acerca da segunda incoerência.

    Relativamente à questão da dimensão temporal, aproveito para o felicitar pelo seu extraordinário poder de interpretação, que denota muita atenção enquanto leu o texto e lhe permitiu detectar um problema que passa despercebido à maioria das pessoas!

    Quanto ao tamanho dos textos, é um aspecto que eu preciso de melhorar. Quando me entusiasmo com os assuntos, o que me acontece com frequência aqui no blogue, acabo por escrever textos demasiado compridos, proporcionando ao leitor uma primeira impressão desagradável. Tenho de estabelecer limites de palavras para os próximos posts!

    Já sabe que os seus comentários experientes são sempre importantes.

    Mais uma vez obrigado,
    André.


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