Futebol de Praia: regras do jogo


Hoje vou publicar o primeiro post sobre futebol de praia. Trata-se de um momento importante para mim, pois adoro esta modalidade maravilhosa e sou um adepto incondicional da selecção nacional de futebol de praia. Espero que este seja apenas o primeiro de muitos posts em que divulgarei este extraordinário espectáculo desportivo que apresenta também uma importante dimensão humana e social, tentando captar a atenção de possíveis leitores e ajudar a criar novos fãs de futebol de praia.

Para começar, penso que seria conveniente fazer uma abordagem às regras básicas da modalidade, bem como às características gerais do campo de jogo. Não posso avançar para a situação do futebol de praia na actualidade e as grandes competições internacionais sem antes apresentar a modalidade!

Porém, não procederei a uma descrição exaustiva de todas as particularidades do futebol de praia. O documento oficial de Regras do Futebol de Praia tem um total de 39 páginas! Falarei simplesmente das principais regras do jogo, referindo algumas particularidades e deixando algumas opiniões, de uma forma o mais sugestiva possível.

Terreno de jogo

Comecemos, então, pelo espaço físico onde toda a acção do jogo decorre: o campo.

O campo de futebol de praia apresenta uma área semelhante à de um campo de futsal. Contudo, as dimensões são significativamente diferentes: o campo é um pouco mais curto, mas bastante mais largo. As dimensões do campo de futebol de praia são 26 a 28 m de largura por 35 a 37 m de comprimento.

As balizas são idênticas às de futebol de 11, apresentando uma largura de 5,5 m e uma altura de 2,2 m. Estas dimensões possibilitam golos de qualquer parte do campo, eventualmente com a preciosa ajuda da areia. Todo o campo é delimitado por uma linha azul, que define as linhas finais e as linhas laterais.

À semelhança do que acontece no futebol de 11, existem bandeirolas nos quatro cantos do campo. No futebol de praia existem também duas bandeirolas no ponto médio das linhas laterais, que sinalizam a linha imaginária do meio campo. Ainda nas linhas laterais, a 9 m das bandeirolas de canto, encontram-se outras bandeirolas, que sinalizam a linha imaginária da área do guarda-redes. Enquanto as bandeirolas de canto e as bandeirolas do meio campo são vermelhas, as bandeirolas da área são amarelas.

O Campo de Futebol de Praia

Jogadores

Não é permitido qualquer tipo de calçado, pelo que os atletas têm de jogar descalços. Se quiserem podem usar um “pé elástico”, isto é, uma pequena fita de borracha que protege o calcanhar. No entanto, a grande maioria dos jogadores prefere não usar qualquer tipo de protecção, por ser pouco eficaz na sua função e por prejudicar o contacto com a bola.

Geralmente, em condições normais, cada equipa tem à sua disposição 10 ou 12 jogadores para um jogo, dependendo do tipo de competição. Tal como acontece em vários desportos colectivos, cada equipa entra em campo com 5 jogadores (1 guarda-redes e 4 jogadores de campo). As substituições são ilimitadas e podem ocorrer a qualquer momento do jogo, com a bola dentro ou fora do campo. Deste modo, os jogadores podem entrar e sair várias vezes no decorrer da partida, permitindo uma boa rodagem da equipa e um maior rendimento dos jogadores em campo. Jogar na areia seca é muito difícil e cansativo!

Árbitros

As personagens mais adoradas do mundo do desporto não podiam deixar de estar presentes no futebol de praia. A equipa de arbitragem é composta por três membros. Os dois árbitros principais deslocam-se ao longo das linhas laterais, enquanto o terceiro árbitro fica na zona de substituições. Enquanto a dupla de arbitragem controla os acontecimentos dentro do jogo, o terceiro árbitro vigia os bancos de ambas as equipas e autoriza as substituições. Existe ainda um cronometrista, sentado a uma mesa, nas proximidades das bancadas, que está encarregue do tempo.

Tempo de jogo

O jogo está dividido em três períodos de 12 minutos cada, o que faz um total de 36 minutos de jogo. Parece pouco, não é? Mas a verdade é que num jogo de futebol de praia tudo pode acontecer! Mesmo que o jogo entre numa aparente estagnação, a qualquer momento pode eclodir a explosão de emoções que caracteriza esta modalidade!

Quando a bola sai, o cronometrista não suspende o tempo. Contudo, na marcação de um pontapé livre ou após um golo, cronómetro pára, a fim de evitar perdas de tempo que alterem a duração real do jogo.

Porém, é necessário ter em conta que nunca há empates no futebol de praia (nem mesmo numa fase de grupos): se as equipas tiverem marcado o mesmo número de golos no tempo regulamentar, disputa-se um pequeno prolongamento de 3 min, onde os ânimos estão ao rubro! E, se este tempo extra não for suficiente para descobrir um vencedor, recorre-se à marcação de grandes penalidades em sistema de morte súbita. Instantes de grande tensão…

Pontapés de saída e livres directos

Interessa ainda falar de dois elementos importantes do jogo, que, embora também sejam uma realidade no futebol de 11 e no futsal, assumem contornos muito peculiares no futebol de praia: o pontapé de saída e o pontapé livre.

No início de cada período e do prolongamento ou após a marcação de um golo é concedido um pontapé de saída (no segundo caso, à equipa que sofreu o golo). A bola é colocada no ponto imaginário que corresponde ao centro do campo, ambas as equipas têm de estar no seu meio campo e os jogadores da equipa que defende podem formar uma barreira, situada a mais de 5 m de distância da bola. O jogador que vai marcar o pontapé de saída levanta ou chuta a bola para a frente (sendo mais comum apenas levantar a bola) para outro jogador da mesma equipa rematar à baliza ou passar a bola a um colega, em corrida na parte lateral do campo. Desta forma, o pontapé de saída constitui uma verdadeira oportunidade de golo!

Disposição dos jogadores no momento da marcação de um pontapé de saída (Emirados Árabes Unidos vs. Portugal - Mundial Dubai 2009)

Quando um jogador comete uma falta, é concedido um pontapé livre à equipa adversária. Se a falta ocorrer dentro da área de grande penalidade, então naturalmente será assinalado um penalty (se for a favor da selecção portuguesa, isto poderá não ser bem assim…). O livre tem de ser batido no local da infracção, pelo jogador que sofreu a falta, excepto em caso de lesão (nesse caso, será o jogador que o substitui a marcar o livre). O jogador pode fazer um monte com os pés ou com a bola, mas nunca com as mãos. Isto permite evitar ressaltos da bola logo após o remate. Em nenhuma situação se podem formar barreiras aquando da marcação de livres directos: é um momento de confronto do jogador que bate o livre com o guarda-redes.

Se o livre for marcado à frente da linha de meio campo, então todos os jogadores têm de ficar atrás da linha da bola. No caso de o livre ser marcado atrás da linha de meio campo, os jogadores têm de se colocar no exterior de um cone que liga a bola aos postes da baliza. Após a marcação de um livre, enquanto se mantiver no interior do cone e no ar, o único jogador que pode tocar na bola é o guarda-redes; só a partir do momento em que a bola bate na areia ou sai do cone imaginário é que os restantes jogadores pode tocar nela. Estas regras fazem dos pontapés livres uma grande oportunidade de golo, mesmo quando são marcados muito longe da baliza adversária. E, por vezes, a areia faz das suas…

Sanções disciplinares

Em termos de disciplina, nada de especial. Cartão amarelo para advertência, perante uma falta mais grave ou um comportamento considerado antidesportivo; segundo cartão amarelo perfaz um cartão vermelho e dá direito a expulsão; cartão vermelho directo, por uma falta muito grave ou conduta incorrecta, também equivale a expulsão. De realçar que, quando um jogador é expulso, não pode voltar ao jogo e a equipa joga com apenas 4 atletas durante 2 minutos. Ao fim desse tempo, pode ser substituído por outro jogador, voltando a equipa a alinhar com os habituais cinco jogadores.

Na minha opinião, o critério para definir os cartões amarelos não é muito correcto, pois já vi jogadores a cometerem faltas muito graves e ficarem incólumes, enquanto outros vêem a cartolina amarela por marcarem o pontapé de saída antes do tempo, falharem o pontapé de bicicleta e acertarem incidentalmente na cabeça do adversário, entre outras situações impróprias para a exibição de um cartão. Mas enfim.

Para terminar deixo um vídeo certamente mais interessante do que este post chato e comprido. É uma síntese daquilo que eu estive aqui a dizer e inclui algumas belas imagens deste desporto descomunalmente espectacular que é o futebol de praia (beach soccer).

Curiosidade: Uma vez ouvi um comentador dizer que os campos na Europa eram mais pequenos do que no resto do mundo. De facto, em 2006, quando assisti na televisão aos jogos do Mundial FIFA no Rio de Janeiro, o campo pareceu-me consideravelmente maior do que o de Portimão, onde se disputaram os jogos da Etapa Portuguesa da Liga Europeia e do Mundialito.

Mas, já bastante tempo depois disso, num treino da selecção nacional, questionei o Juju, técnico de equipamentos que trabalha com a equipa portuguesa há largos anos, acerca destas questões, e ele disse-me que não haveria grande diferença. Efectivamente, nunca mais notei essa disparidade nas dimensões do campo. Provavelmente, a diferença residiria naquela margem de 2 m tanto para a largura como para o comprimento. Mas talvez a FIFA e a Beach Soccer World Wide tenham uniformizado as dimensões dos campos entretanto.

Enfim! O primeiro post sobre futebol de praia já está feito. Foi o mais chato e o mais difícil de escrever, pois tratava das regras e foi apenas uma primeira abordagem à modalidade. De agora em diante, todos os posts de beach soccer terão mais interesse e serão sobre assuntos mais sugestivos. Promessa de adepto!

Saudações aos leitores,

André Coroado (Andrey Amabov).

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6 Respostas to “Futebol de Praia: regras do jogo”

  1. Caroline Ramos Rios Says:

    Qual é a diferença entre futebol de praia e futebol de campo ?

    • Andrey Amabov Says:

      Minha cara Caroline, as diferenças entre o futebol de campo e futebol de praia são enormes. Espero conseguir esclarecer devidamente a sua questão.

      O futebol de campo consiste na forma mais comum de futebol, jogada por 2 equipas de 11 jogadores, num relvado com 120 m de comprimento por 90 m de largura. Foi esta a primeira modalidade de futebol a ser criada e todas as outras variantes têm origem nela. Quando falamos de futebol estamos a referir-nos ao futebol de campo (futebol de 11).

      O futebol de praia consiste numa variante do futebol jogada na areia. Podemos praticar futebol de praia em qualquer local coberto por areia, desde a praia aos pavilhões desportivos em que se depositam toneladas de areia. As dimensões do terreno são muito mais reduzidas, com 38 m de comprimento por 28 m de largura. Esta modalidade espectacular, sobre a qual incide o meu post, foi criada em 1992 como desporto organizado e tem vindo a verificar um crescimento enorme em anos recentes. Como pode perceber pela leitura de alguns dos meus textos, sou um grande amante do futebol de praia e sinto que esta paixão completa a minha existência.

      Penso que deve conhecer bem o futebol de campo e as suas regras. No entanto, talvez não tenha consciência da realidade do futebol de praia, facto pelo qual sugiro uma leitura atenta deste post. Para contactar melhor com a essência desta modalidade fantástica, gostaria de aconselhar o visionamento de um pequeno filme sobre a modalidade que coloquei neste post.

      Abraço,
      André Calado Coroado.

  2. ze nando Says:

    se o cronometro for abaixo essa parte é repetida?

    • Andrey Amabov Says:

      O cronómetro nunca vai abaixo. A contagem do tempo está computadorizada e prevenida contra falhas deste tipo. De qualquer forma, se alguma coisa acontecesse, seria detectada na altura e resolvida imediatamente, suspendendo a partida. Quando a bola está em jogo, o cronómetro está sempre a contar!

  3. brenda Says:

    como a partida é iniciada?

  4. Jairo Castro Says:

    Ola meu caro, estou imensamente feliz pelas suas informações. Eu também tenho grade afeição por esta modalidade. Mas lamentavelmente, na minha cidade, as poucas áreas que existiam disponíveis foram vendidas para construção de residenciais.

    Sofro por não poder compartilhar com meus amigos da comunidade em não ter uma quadra e nem verba para construção, apesar de termos outras áreas disponíveis para o projeto.

    Como posso conseguir recursos europeus para construção de uma quadra simples para minha comunidade?
    Moro no Brasil, Estado do Pará no município de Barcarena. (55)(91)8182-0785.

    Creio que uma quadra simples aqui não custaria R$ 20.000,000(Vinte mil reais).

    Obrigado por tudo.


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